segunda-feira, 27 de maio de 2013

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Fraturamento hidráulico: uma técnica e suas conseqüências no mundo globalizado!

Por Eduardo Cordeiro Uhlmann

Fonte: Manutenção e suprimentos.

Nos últimos anos, uma nova técnica de extração de gás do xisto reduziu o custo deste recurso natural nos Estados Unidos e vem provocando uma onda de otimismo e até a promessa de autossuficiência energética para o país.

Na região nordeste dos Estados Unidos, mais precisamente sob os estados de Nova York, Pensilvânia, Ohio e Virgínia Ocidental, há no subsolo uma camada de xisto chamada de Marcellus, que pode conter cerca de 1,5 trilhão de metros cúbicos de gás recuperável.

Quatrocentos milhões de anos atrás, Marcellus era lama no fundo do oceano. Hoje é uma profunda e extensa camada de xisto, uma rocha metamórfica cujo interior aprisiona moléculas de gás de xisto.

A nova técnica, chamada de fraturamento hidráulico consiste em bombear com alta pressão água com areia e solventes para dentro do xisto. Quando isso é feito, o gás de xisto, inicialmente preso nas camadas de xisto é liberado e flui para a superfície, a areia se aloja entre essas camadas, mantendo-as abertas.

Isso gerou uma super oferta de gás de xisto, também chamado de gás não convencional, o que fez o seu preço em 2008 nos EUA cair de US$ 9 para menos de US$ 2. Para as indústrias que usam o gás como matéria-prima (caso da fabricação de fertilizantes), para aquelas que usam o gás para mover máquinas e também aquelas que dependem de altas temperaturas em seus processos, esse barateamento do gás é bastante significativo.

No Brasil, onde o gás custa cerca de cinco vezes mais, os efeitos são claros. Indústrias de cerâmica e vidro, petroquímica e química, que podem ter no gás até 35% do seu custo, têm perdido competitividade no mercado internacional, o que vem reduzindo drasticamente as perspectivas de crescimento e investimentos no setor.

Isso está sendo alardeado por parte da mídia brasileira como um sinal de que é premente a utilização desta técnica no país. Porém, os efeitos do hydraulic frackturing (nome da técnica em inglês) no meio ambiente ainda não são completamente conhecidos.

Além dos riscos comuns a todo tipo de perfuração do solo, durante o fraturamento hidráulico, um terço do que está no poço vem à tona, incluindo a água, solventes, rochas e petróleo, criando um risco considerável de contaminação do lençol freático, do solo e de águas superficiais.

John Hanger, ex secretário do meio ambiente da Pensilvânia diz que os casos de contaminação são isolados, e que a utilização do gás não convencional é mais limpa e benéfica ao meio ambiente. Já para Yuri Gorby, cientista que pesquisa a contaminação da água, a extração deveria ser interrompida imediatamente, pois o que está ocorrendo no nordeste dos EUA é uma tragédia.

Terry Greenwood, por exemplo, dono de uma fazenda nas imediações de onde o gás vem sendo extraído (a fazenda foi comprada quando com os direitos de exploração do subsolo já cedidos), teve muitos dos seus bezerros nascidos mortos, ele relata que a água das fontes da região agora apresenta odor insuportável e pega fogo, bolhas de gás metano estão presentes nessa água.

O caso do gás do xisto é um exemplo nítido da complexidade da sociedade mundial globalizada, em que fluxos de investimentos podem determinar a recessão ou o aquecimento de amplos setores da indústria, com todas as suas consequências sociais, econômicas e políticas. Se estes fluxos podem ser direcionados por uma técnica com alto grau de impacto ambiental (o que é provável, ainda que não tenha sido confirmado pelas pesquisas) gerando inclusive lobbys para a sua utilização alhures, que chance tem o meio ambiente?

Em meio aos discursos tão diversos por parte de setores industriais e ambientais, urge que nos tornemos conscientes das relações existem entre a tecnologia, a indústria, o meio ambiente, a economia, a política para que possamos nos situar e decidir conscientemente sobre como agir enquanto cidadãos e consumidores. Esse papel cabe à educação, formal e informal, que para nos preparar para lidar com essas novas questões, deve abraçar a complexidade e a transdisciplinaridade. Só assim, deixaremos de ser como folhas levadas ao vento pelos ditames econômicos e passaremos a ter voz e vez enquanto participantes ativos das ações humanas na história da vida na Terra.


REFERÊNCIAS/PARA SABER MAIS


terça-feira, 14 de maio de 2013

Resenha: "Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá".

Por Luiza Canales Becerra
Revisão: Rafael da Silva Tangerina


Resenha do documentário de Silvio Tendler, Caliban Produções, Rio de Janeiro, 2006.

O documentário, baseado na obra do geógrafo brasileiro Milton Santos, nos traz um recorte singular sobre a globalização. As crises econômicas, as divisões da sociedade e do território, o papel da mídia e as revoltas populares são retratados como consequência da globalização desigual em que estamos inseridos atualmente.

Apresenta-nos as faces do mundo globalizado, estabelecidas por Milton Santos em seu livro “Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal”. A primeira face caracteriza-se pelo que chamamos de globalização como fábula, aqui estariam agrupados os fatores que nos fazem crer que o mundo globalizado tal como é hoje, beneficiaria uniformemente todos os indivíduos. Fatores estes, como o encurtamento de distâncias, facilitado pelo desenvolvimento dos meios de transporte e o acesso à informação. Neste último fator, há uma enorme crítica ao papel da mídia exercendo forte influência sobre a opinião da população, trazendo até nós somente o que querem que vejamos.

A segunda face seria a globalização tal como ela é. Aqui, a globalização mostra a sua face mais cruel, principalmente no que se refere aos países pobres, onde as diferenças entre classes sociais são mais nítidas. No decorrer do documentário são apresentados acontecimentos no mundo inteiro que focam a atenção na sociedade capitalista que, a fim de obter benefícios próprios em detrimento da apropriação de bens comuns e do uso privado de riquezas mundiais por parte de uma minoria, efetua apropriações indevidas que geraram tensões por tentar deter grandes bens nas mãos de pequenos grupos, enquanto se consolida o estado de miséria para todo o resto.

A tentativa de privatização da água potável em Cochabamba, Bolívia em 2000 e o 3º Fórum Mundial da Água em Kioto, Japão em 2003, foram eventos que chamaram a atenção do mundo para os efeitos da globalização frente à sociedade capitalista na qual estamos inseridos. Em meio à crise financeira, tem-se o crescimento crônico do desemprego e da fome. É o que chamamos de segundo efeito da globalização, ou globalização da perversidade, em que a pobreza é vista com naturalidade.

Contudo, os grupos que são massacrados e postos à margem deste processo desenfreado de desenvolvimento global ganham força com seus movimentos e buscam reverter a ordem imposta. A África e a América Latina são os gigantes despertando para os problemas que lhe são causados, e que são promovidos pelos grandes investidores de mercado que ambicionam ganhar espaços para depois explorá-los.

Milton Santos deixa evidente que estas ações não são promovidas unicamente pelo Estado, e afirma que: “As fontes criadoras de diferenças e desigualdades são mais fortes que as ações do Estado. Para isto, é necessário um Estado socializante.” Não há somente um Estado socializante a ser construído, há também uma sociedade e Milton Santos afirma que esta sociedade na qual vivemos ainda é um ensaio, da que está por vir.

Ozônio: o protetor solar do nosso planeta!

Por Elizabeth Cristina Marucci

Fonte: Nasa

Para compreendermos melhor a camada de ozônio, precisamos ter em mente que partículas gasosas mais leves tendem a se dispersar num ambiente mais rapidamente que as com maior massa. A dispersão explica o porquê de sentirmos odores de comidas e perfumes através do ar (fenômeno que chamamos de difusão gasosa) e que ajuda a manter a composição da atmosfera aproximadamente constante.

Um caso de difusão gasosa que gera problemas é o que acontece em altitudes elevadas com gases baseados em clorofluorcarbonetos (CFC) que, ao sofrerem decomposição pela radiação solar, atacam o ozônio presente em nossa atmosfera.

Dentre os vários gases que compõem a atmosfera de nosso planeta, o ozônio vem sendo motivo de grande preocupação para os cientistas que estudam o meio ambiente. O ozônio é um gás azul escuro que se concentra em uma região chamada estratosfera, situada entre 20  e 40 Km de altitude. À primeira vista, a diferença entre gás oxigênio e gás ozônio é insignificante, haja vista que o primeiro é constituído por 2 átomos de oxigênio (O2) e o segundo por 3 átomos (O3). Mas essa diferença é fundamental para a vida na Terra, porque o ozônio protege o planeta da radiação ultravioleta proveniente do Sol, a qual pode causar sérias lesões nos seres humanos, tais como queimaduras solares graves e câncer de pele.

Em 1957, quando as medições dos níveis de ozônio começaram a ser feitas até 1982, pesquisadores perceberam que os índices sofreram uma diminuição de cerca de 20%. A continuada medição do ozônio em nossa atmosfera nos anos seguintes mostrou um decréscimo contínuo e, cada vez, a uma taxa maior.
Tal fato mobilizou a comunidade científica e, em 1995, os químicos Mário Molina, Paul Crutzen e F. Sherwood descobriram que os compostos clofluorcarbonetos (CFC), usados em geladeiras, aparelhos de ar condicionado e propelentes nos aerossóis, por exemplo, são fontes de átomos de cloro, que catalisam a destruição do ozônio.

A humanidade encontra-se diante de um grave problema, e sua solução torna-se cada vez mais urgente, pois dela depende a continuidade da vida saudável no nosso planeta.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Possibilidades do Controle Biológico!

Por Silvana Regina de Souza


Atualmente, mais de 87.000 substâncias tóxicas são produzidas pelo homem e, potencialmente, podem atingir os ecossistemas e organismos aquáticos, com impactos para a saúde humana, podendo ser: cancerígenas, mutagênicas, teratogênicas e mimetizadoras de hormônios. Substâncias como, por exemplo, o pesticida DDT (diclorodifeniltricloetano) causou o surgimento de pragas mais resistentes a inseticidas e eliminou insetos úteis e inimigos naturais de organismos danosos, além do envenenamento de rios (através de deriva, escoamento superficial ou lixiviação), colocando em risco a vida do homem e outros animais.

Há uma crescente preocupação associada à sua presença no meio ambiente, haja vista os possíveis impactos na qualidade das águas superficiais e subterrâneas e do solo. O maior risco de efeitos indesejados dos agrotóxicos ocorre por meio da contaminação do sistema hidrológico, que mantém a vida aquática e as cadeias alimentares a ele relacionadas. 

Movimento dos agrotóxicos em ecossistemas aquáticos. Fonte: Abrapoa

Políticas internacionais demandam fortemente de alternativas para os agrotóxicos, e a utilização de inimigos naturais de pragas é uma alternativa promissora. Em um país como o Brasil, que despeja, por ano, cerca de 260 mil toneladas de agroquímicos nas lavouras e onde o consumo de praguicidas cresceu 60% nos últimos quinze anos, o controle biológico parece ser uma alternativa não apenas ecologicamente correta, mas também economicamente justificável. 

O Brasil é um dos poucos países do mundo detentores da chamada megadiversidade biológica, ou seja, de ecossistemas importantes ainda íntegros. Essa biodiversidade pode oferecer uma oportunidade ímpar para o controle biológico de pragas no país, como também, em outros países do mundo, com a identificação de novos organismos vivos com potencial de serem utilizados no controle biológico. Na natureza, toda espécie de planta ou de animal possui algum organismo que dela se alimenta em algum estágio de seu desenvolvimento. Esses organismos são chamados de inimigos naturais, os quais são agentes de controle populacional. Esse fenômeno é conhecido como controle biológico e ocorre naturalmente nos ecossistemas.

Em comparação ao controle químico o controle biológico apresenta vantagens e desvantagens. Entre as vantagens pode-se citar que é uma medida atóxica, não provoca desequilíbrio, não possui contra-indicações, propicia um controle mais extenso e é eficiente quando não existe maneira de se utilizar o controle químico. Em compensação requer mais tecnologia, possui um efeito mais lento, não é de tão fácil aquisição, nem sempre pode ser aplicado em qualquer época do ano e, geralmente, é mais caro. Dentre tais inimigos naturais existem grupos bastante diversificados, como insetos, vírus, fungos, bactérias, aranhas, peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. A forma mais conhecida de controle biológico é o controle de insetos por outros insetos. Isto acontece o tempo todo nos sistemas agrícolas de forma natural, independentemente da ação do homem. No entanto, em alguns casos, a interferência do homem passa a ser necessária e são introduzidos ou manipulados insetos ou outros organismos para controlar quaisquer outras espécies que possam prejudicar os cultivos, sendo que os mais utilizados no controle biológico artificial são fungos, bactérias e vírus. 

Fonte: Portal São Francisco.

Fonte: Portal São Francisco.

Os animais insetívoros (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos), por serem inespecíficos, apesar de destruírem um grande número de insetos, não são usados em controle biológico pelo homem. Neste grupo incluem-se, por exemplo, lagartixas, sapos, rãs, tamanduás, tatus, etc. 

Referências / Para saber mais:

http://sitebiologico.blogspot.com.br/2007/10/controle-biolgico.html

www.agrosoft.org.bro

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente-controle-biologico/controle-biologico-10.php

http://www.biologico.sp.gov.br/artigos_ok.php?id_artigo=124

http://www.abrapoa.org.br/boletimeletronico/n23/index.html





segunda-feira, 6 de maio de 2013

Césare Mansueto Giulio Lattes!

Por Elisiane Campos de Oliveira Albrecht


Você provavelmente não deve ter reconhecido o nome que está no titulo deste texto, porém o dono dele foi muito importante para a Física brasileira ou, melhor ainda, para Física mundial. Cesar Lattes descobriu, junto com outros cientistas, a partícula subatômica méson pi. Esta descoberta foi importante para a compressão do mundo subatômico.

Lattes nasceu em Curitiba no dia 11 de junho de 1924. Fez parte de seus estudos nesta cidade, formando-se em Matemática e Física na Universidade de São Paulo. Com apenas 23 anos de idade, entrou no cenário mundial da Física, com a participação da descoberta do mesón pi em 1947, impulsionando a Física de Partículas. Até então muito se falava das partículas indivisíveis, que a matéria era formada por átomos, a parte indivisível da matéria. Com a descoberta do grupo de Cesar Lattes as portas para um novo mundo foram abertas. Existiam teorias que previam a existência de partículas além daquelas que se conheciam como cargas elementares, porém estas não haviam sido detectadas até então.

Em 1937 Carl D. Anderson e Seth H. Neddermeyer encontraram na “radiação cósmica” os sinais de algo que parecia ser a partícula prevista na teoria de Yukawa. Ele acreditava que era necessário existir uma partícula maior que elétron, que poderia ser absorvida por prótons e nêutrons, e com isso poderia haver uma explicação para as forças nucleares existentes entre estas partículas. No entanto, em 1947 descobriu-se que a partícula de Anderson e Neddermeyer não tinha o comportamento previsto pela teoria. É aí que temos a entrada do grupo de Cesar Lattes. Eles conseguiram verificar em seus experimentos a existência de outra partícula. E com isso temos a abertura para novas descobertas. Depois da observação destas partículas, foram possíveis novas teorias e, consequentemente, um novo ramo na física: o das partículas subatômicas. Mais do que análise de uma partícula, estes experimentos possibilitaram uma revisão dos conceitos físicos da matéria.


Além da contribuição mundial de Cesar Lattes os brasileiros também tiveram outra contribuição, com a ajuda de outros pesquisadores criaram o Centro Brasileiro de Pesquisas Física (CBPF). 

Cesar Lattes morreu em 2005 vítima de parada cardíaca, deixando um legado imenso na historia da física nuclear.


quarta-feira, 1 de maio de 2013