domingo, 30 de junho de 2013

Os 44 anos do pouso da Águia: a humanidade conquista a Lua!

Por Anisio Lasievicz

Terra vista da Lua. Fonte: NASA

Em 23 de outubro de 1906 mais de mil pessoas testemunham o feito de Alberto Santos Dumont no Campo de Bagatelle, na França, quando este decola com seu 14-Bis por meios próprios, alçando um voo de aproximadamente sete segundos e percorrendo cerca de 60 metros. Anos mais tarde, a felicidade de Santos Dumont se esvaía ao ver sua criação potencializando a morte na 1ª Guerra Mundial e outros conflitos subsequentes. Entretanto, estava provado que o ser humano poderia voar, ou seja, o céu foi conquistado!

Vencido este desafio, almejava-se ir além. O espaço era, agora, a meta a ser conquistada. 

O mundo polarizado pós 2ª Guerra Mundial testemunhou a competição acirrada entre americanos e soviéticos na corrida armamentista e no desenvolvimento de tecnologias visando provar a supremacia de um ou outro regime político e, dentre os vários campos desta disputa, destaca-se a conquista do espaço. Diversos obstáculos são transpostos um a um, a começar pelo sistema de propulsão que venceria a atração gravitacional, passando pelas possibilidades de comunicação, proteção, mobilidade e segurança.

Sputnik 1.
As três primeiras etapas da missão de levar o homem à Lua foram vencidas pelos russos. Em 4 de outubro de 1957 decola, na base de lançamentos de Baikonur no Cazaquistão o Foguete Sputnik, levando uma bola e cerca de 60cm de diâmetro e 80kg de massa com o mesmo nome, cuja função era emitir um bip que poderia ser captado por qualquer rádio amador, a fim de verificar a transmissão de ondas eletromagnéticas no espaço.  Pouco menos de um mês depois (3 de novembro), lança-se o Sputnik 2, cuja carga era a cadela Laika, o primeiro ser vivo a ser enviado ao espaço. Mas o maior feito dos russos veio em 12 de abril de 1961, com a decolagem da nave Vostok 1, tripulada pelo cosmonauta Iuri Alekseievitch Gagarin - o primeiro ser humano no espaço e que proferiu a célebre frase: “A Terra é azul!”.

Cadela Laika.

Iuri Gagarin.

Diante de tamanho progresso russo, os americanos mobilizaram todos seus esforços na tentativa de “enviar homens à Lua e retorná-los a salvo até o final desta década”, conforme palavras do presidente John F. Kennedy em 1961.

Insígnia do Projeto Apollo.
Tal fato concretiza-se com a 11ª missão do projeto Apollo (de um total de 17), tripulada pelos astronautas Neil Armstrong (comandante), Edwin Buzz Aldrin (piloto do módulo lunar) e Michael Collins (piloto do módulo de comando). Às 17:17h do dia 20 de julho de 1969 o módulo lunar realiza a alunissagem no chamado “Mar da Tranquilidade”.

“Houston, aqui Base da Traquilidade – a águia pousou!”. A frase fazia referência ao nome do módulo “Eagle” e foi ouvida por milhões de pessoas pelo mundo afora, que acompanhavam as transmissões via televisão e rádio há mais de 300 mil quilômetros dali. Seis horas e meia após o pouso, Neil Armstrong abre a escotilha, desce pela escada e toca o solo lunar: “É um pequeno passo para um homem, mas um gigantesco passo para a humanidade”. 

Da esquerda para a direita: Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin.

Módulo lunar Eagle.

Durante duas horas e quarenta minutos, Neil Armstrong e Buzz Aldrin coletaram amostras, fizeram análises, instalaram equipamentos científicos e tiraram fotografias para documentação da paisagem lunar. Dentre os objetos deixados em solo lunar, destaca-se um espelho (utilizado para a medição precisa da distância Terra – Lua), a bandeira dos EUA e uma placa assinada pelos três astronautas e o presidente Richard Nixon com os dizeres:

“Here Men From Planet Earth First Set Foot Upon The Moon. July 1969 A.D. We Came In Peace For All Mankind”. (Aqui os homens do planeta Terra pisaram pela primeira vez na Lua. Julho de 1969. Viemos em paz, em nome de toda a Humanidade).

Em 24 de julho os três retornam à Terra em uma cápsula de 3 metros de diâmetro, caindo no Oceano Pacífico e recepcionada por uma frota americana. Diante das incertezas sobre as condições lunares, Armstrong, Aldrin e Collins foram mantidos em um container e submetidos a diversos exames, a fim de verificar contaminações e o estado de saúde de ambos durante 17 dias. A partir de sua liberação em 13 de agosto de 1969, participaram de diversas homenagens e atividades cívicas, sendo ovacionados como heróis. 
Desde a Apolo 11, mais 5 missões tripuladas pousaram em solo lunar, e mais 12 astronautas realizaram experimentos científicos e análises em sua superfície. A exploração lunar com o projeto Apollo findou com a Apollo XVII em 1972 devido ao corte de verbas e desinteresse da população, mas o módulo ainda foi utilizado até  1975 para outras missões, sendo substituído pelos Ônibus Espaciais em 1981.

Resgate da cápsula no pacífico.

Os mais céticos acreditam que tudo não passou de um teatro, com o objetivo de resgatar a supremacia norte americana. Uma rápida pesquisa na Internet e temos diversas “evidências” de que o homem não pisou na Lua, mas o fato é que existem equipamentos humanos lá e que, apenas alguns anos mais tarde, lançamos sondas para os confins do Sistema Solar, as quais enfrentaram desafios muito mais árduos e que sem experiência e conhecimento de causa, jamais chegariam tão longe!


Para saber mais:




REFERÊNCIAS

http://www.hq.nasa.gov/office/pao/History/apollo.html

MOURÃO, Ronaldo R. de F. O Livro de Ouro do Universo. Editora: Ediouro. São Paulo: 2012.

Treze livros e um segredo: Euclides e o início da Axiomatização!

Por Anisio Lasievicz

Um dos fatores que leva a Matemática a figurar como exemplo de rigor e formalismo é a estrutura de suas teorias, estabelecidas a partir de noções preliminares, de afirmações que relacionam estas noções e das proposições, teoremas, propriedades e demais consequências deduzidas a partir destas.

A gênese deste modo de construção das teorias matemáticas reside em uma obra intitulada “Os Elementos”, organizada pelo matemático grego Euclides de Alexandria e publicada por volta do ano 300 a.C. Pouco se sabe sobre a vida de Euclides e, muitas das informações obtidas são suspeitas, pois tratam-se de relatos muito posteriores e algumas das situações relacionadas a ele são semelhantes à de outras personagens da Matemática grega. Até mesmo a imagem que você está vendo ao lado é uma concepção artística, pois não há qualquer retrato ou representação que possa ser utilizada como base!

Euclides unificou uma coleção completa de teoremas isolados sobre um simples sistema dedutível através de postulados, definições e axiomas. Grandezas de várias espécies são representadas por linhas retas, planos e regiões limitadas por curvas e retas, ou também por planos e curvas. Como toda teoria de números dos gregos foi incorporada na estrutura geométrica, muitos conceitos impossíveis de serem expressos nesses termos foram excluídos, limitando a Matemática e a Geometria. Idéias como infinito são deixadas de lado e não trabalhadas, situação justificada por Aristóteles da seguinte maneira: “Na realidade, eles não precisam e não usam o infinito. Eles apenas postulam que a linha reta pode ser estendida como quiserem”. Na verdade, os matemáticos gregos evitaram usar a palavra infinito e infinitamente. De qualquer forma, Os Elementos de Euclides foi o início da axiomatização da Matemática pela geometria. Existem fortes indícios de que outros matemáticos escreveram trabalhos estruturados sobre “Os Elementos” antes de Euclides, porém tais trabalhos foram perdidos e não há relatos sobre seus originais.
Página de rosto da tradução para o inglês  feita por Billingsley em 1570.

Apesar da presença da palavra “Geometria” em seu título, Os Elementos de Euclides não tratam apenas desta área do conhecimento. Propriedades e da teoria dos números e da álgebra elementar (geométrica) também são discutidas e demonstradas. O trabalho é estruturado em 5 postulados, 5 noções comuns, várias definições e 465 proposições distribuídas em treze livros. Os textos de geometria plana e espacial das nossas escolas trazem basicamente o material que se encontra nos Livros I, III, IV, VI, XI e XII de Os Elementos. 

A despeito de sua inegável importância, não há nenhuma cópia que date da época de seu autor. As edições modernas baseiam-se em revisões, principalmente na que foi realizada pelo comentador grego Têon de Alexandria, que viveu quase 700 anos depois do tempo de Euclides. Até o início do século XIX ela foi a mais antiga edição dos Elementos conhecida. Em 1808 Napoleão ordena a invasão das bibliotecas italianas e o envio das obras de valor à Paris. F. Peyrard encontrou, na biblioteca do Vaticano, uma cópia do século X da obra que é anterior à revisão de Têon. Estudos meticulosos indicam que o material introdutório do tratado original foi alterado, mas os teoremas e demonstrações, salvo acréscimos e supressões pequenas, permaneceram em essência como foram escritos.

Euclides escreveu pelo menos dez trabalhos, dos quais 5 deles chegaram até nos de forma razoavelmente completa, mas sua fama deve-se, principalmente, à seus Elementos. O trabalho hercúleo superou as tentativas anteriores, pois não há sequer um vestígio de que outros haviam tentado e, tão logo apareceu, ganhou notoriedade e importância. Desde os sucessores de Euclides até hoje, a mera citação do número de um livro e o de uma proposição de sua obra-prima é suficiente para identificar um teorema ou construção particular. 

Entretanto, sob o prisma da lógica e da Matemática moderna, os Elementos não é um trabalho perfeito. Diversas análises mostraram incoerências, suposições tácitas (sem qualquer suporte na teoria que as embase) e outras falhas, as quais foram corrigidas pelos estudos do matemático alemão David Hilbert (1842 – 1943), que reescreveu os Elementos com base na moderna axiomática – Grundlagen der Geometrie (1899).

Apesar destas questões, o trabalho de Euclides é memorável, não só por reunir o conteúdo de Geometria da época mas, sobretudo, por conferir-lhe uma estrutura sistematizada. Foi a 2ª obra com o maior número de edições (perde apenas para a Bíblia), largamente usado ou estudado e, provavelmente, nenhum foi mais influente na comunidade e no pensamento científico. Mais de 1000 edições já foram encontradas e há 2 mil anos ela é a base da Geometria dos textos elementares. Outros trabalhos ímpares do pensamento científico como o “Philosophiae naturalis principia mathematica” (Princípios matemáticos da filosofia natural), de Isaac Newton e “A Riqueza das Nações”, do economista escocês Adam Smith foram redigidos seguindo a estrutura estabelecida nos Elementos de Euclides.

Principia.
A Riqueza das Nações.


Para saber mais:




REFERÊNCIAS:

BARON, Margareth E. A Matemática Grega. Vol. I. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1985.

BABINI, Jose. Historia de las Ideas Modernas en Matematica. Vol. IV. Washington D.C.: Editora Eva V. Chesnaeau, 1967. (Union Panamericana – Departamento de Assuntos Científicos).

EVES, Howard. Introdução à História da Matemática. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1995.

http://www.mat.uc.pt/~jaimecs/euclid/1parte.html

sábado, 29 de junho de 2013

De repente a rua lotou???

Por Vínícius Prado Alves

Manifestação na Praça Rui Barbosa - Centro de Curitiba.


Nos últimos dias muitos se surpreenderam com as grandes mobilizações que tomaram conta das ruas das principais cidades do país. Aparentemente tudo começou com a revolta pelo aumento das passagens de ônibus e metrô em São Paulo em R$0,20. Mas será que estas pessoas estão na rua só por 20 centavos? Será que elas se mobilizaram subitamente do nada?

Primeiramente é lógico que a questão que fez com que o número de manifestantes atingisse mais de 1 milhão de pessoas no último dia 20 nas ruas de todo o país, não foi apenas os 20 centavos do transporte público. Na verdade, a questão do transporte público vai além deste aumento.

Os movimentos sociais que organizam tais ações questionam o modelo de transporte que temos hoje no país, onde o lucro das empresas é mais importante que o direito de ir e vir da população. E a própria questão do transporte foi apenas um estopim para inflamar a indignação da população perante vários temas que afligem o seu dia-a-dia, o que vemos nos protestos são cartazes e palavras de ordem levantando temas sobre saúde, educação, segurança entre outros.

De onde vieram essas pessoas que aparentemente do nada resolveram protestar?? 

Lógico que a maioria delas nunca se envolveu em nenhum evento de protesto, não tem formação política, seja ela partidária, popular ou acadêmica. Esta mobilização teve foco nos inúmeros movimentos que existem  e que há muito organizam manifestações, mobilizações e eventos de divulgação sobre suas causas populares e que, neste momento, ganham adeptos em todo o pais.

Um dos movimentos com grande visibilidade durante essas manifestações é o Movimento Passe Livre (MPL). Sua gênese foi nas manifestações populares contra o aumento da passagem de ônibus em Salvador no ano de 2003, e foi formalizado em 2005 em uma plenária durante o Fórum Social Mundial de 2005. O MPL organizou inúmeros atos e discussões sobre o transporte público em todo o país, tendo como pauta suas principais bandeiras: a estatização do sistema de transporte e a tarifa zero, afim de democratizar o transporte público e acabar com a exclusão social que existente no sistema.

O grande desafio deste gigantesco movimento que toma conta das ruas de todo o país é conseguir se constituir enquanto movimento. Devido a seu crescimento rápido, ele se constitui por demais heterogêneo, o que faz com que pautas conflitantes comecem a surgir em meio as manifestações, onde até os setores mais conservadores da sociedade disputam os rumos do movimento, enquanto luta-se para que as pequenas conquistas, como reduções da tarifa de transporte em algumas cidades, não sirvam de motivo para desmobilização e que as pautas populares se sobressaiam sobre os ataques conservadores.



Terras Devolutas e Latifúndio: um breve resgate sobre o espaço agrário brasileiro!

Por Rafael da Silva Tangerina

O primeiro critério de distribuição do solo da colônia portuguesa na América foi o regime de concessão de Sesmarias. Este ordenamento jurídico do território foi, antes de mais nada, uma transposição da norma reguladora do processo de distribuição de terras em Portugal para os solos coloniais. Sob este ponto, é preciso ressaltar que o interesse principal do processo de colonização portuguesa estava aliado a extensiva exploração do território, com o intuito de campear os recursos minerais, principalmente o ouro.

O Regime de Sesmarias foi transplantado da metrópole para a colônia,sendo que a concessão de sesmarias consistia na doação gratuita de terras em abundância a quem tivesse meios de cultivá-la. O sistema sesmarial, imaginado para solucionar uma crise de abastecimento no reino português, tinha uma preocupação acentuada com a utilização produtiva da terra atrelada ao seu cultivo; no entanto nunca enquanto durou o regime de sesmarias, conseguiu a metrópole impedir a formação de latifúndios improdutivos. Além daquela utilizada efetivamente de forma produtiva, grandes extensões de terra eram apropriadas para explorações futuras. Este hábito ocorria devido o caráter predatório da agricultura que se aplicava na colônia, que esgotava rapidamente o solo e era possível graças à incapacidade da metrópole de exercer um controle estrito sobre a colônia. Nenhum dos mecanismos utilizados pelas autoridades coloniais fez reverter esse processo. Na realidade, o aumento das exigências que cercavam a concessão de sesmarias (medição, demarcação, confirmação, etc.) serviu para que os colonos não regulamentassem suas situações e antes mesmo da Independência já estava decretado o fim do sistema sesmarial. 

Portugal cedeu a terra a quem quisesse e pudesse cultivá-la, mas a parte da  legislação que proibia o latifúndio improdutivo nunca foi aplicada. Mesmo assim, não podemos justificar e atribuir a este sistema a causa da persistência do latifúndio improdutivo em épocas posteriores. A continuidade do padrão de exploração tanto da terra como da mão-de-obra resultaram num aumento exorbitante dos latifúndios improdutivos.

A partir do séc. XVIII, há um enorme crescimento da colônia junto a um grande ciclo migratório. Verificou-se uma ampliação da economia devido, principalmente, à descoberta das Minas Gerais. O ciclo do ouro foi capaz de dinamizar outros setores da economia, como o de produção de alimentos e o do tráfico interno de mão-de-obra. A reivindicação pela terra se tornava cada vez mais comum e a política de doação por meio de sesmarias fazia-se insuficiente às novas necessidades sociais.

No início do séc. XIX, a questão da posse da terra tinha alcançado uma situação caótica, não existia um ordenamento jurídico que possibilitasse qualificar quem era ou não proprietário de terras no país. Foi quando o Estado imperial elaborou a primeira legislação agrária de longo alcance, que ficou conhecida como a Lei de Terras de 1850. Esta representou uma tentativa dos poderes públicos de retomar o domínio sobre as terras chamadas devolutas (desapropriadas pelo Estado).

Percebe-se que a motivação principal da adoção da lei estava nos desdobramentos da cessação do tráfico de escravos e no desejo de estimular a emigração estrangeira.

A lei de 1850 não atingiu um dos seus objetivos básicos, a demarcação das terras devolutas, ou seja, a separação das terras públicas e privadas que seria o primeiro passo para a implantação de uma política de terras. E isto por dois motivos. Primeiro porque a regulamentação da lei deixou a cargo dos ocupantes das terras a iniciativa do processo de delimitação e demarcação. Só depois que os particulares tivessem declarado ao Estado, medindo e demarcando, as terras que ocupavam é que este deduziria o que lhe restara para promover a colonização. Em segundo lugar, a lei não foi suficientemente clara na proibição da posse. 

Os desdobramentos deste efeito da lei de 1850 não seriam necessariamente negativos caso não tivessem beneficiado quase que exclusivamente os grandes proprietários rurais e servissem para democratizar o acesso à terra.

Com a República e a passagem das terras devolutas para o domínio dos estados, agravou-se ainda mais os efeitos da lei de 1850, pois foram pouquíssimas as iniciativas no sentido do estabelecimento de uma política de colonização ou assentamento que contrabalançasse a proliferação dos latifúndios improdutivos. Protegidos pela aplicação da cláusula que garantia as posses (cultura efetiva e morada habitual), multiplicaram-se os grilos e continuou o processo de passagem das terras devolutas para o domínio privado, sem controle dos poderes públicos e sem que estes manifestassem grande preocupação com o anti-social das terras apropriadas. A situação social no campo, neste período, caracterizada pela presença do coronelismo garantiu a permanência do modelo de apropriação territorial.

A promulgação do Código Civil fez aparecer  uma corrente de juristas que defendiam a possibilidade do usucapião das terra públicas, o que significava na prática, a derrubada do artigo 1º da lei de 1850 que continuava em vigor. Esta corrente dizia que o Estado era um proprietário como outro qualquer diante das suas terras, sujeito portanto ao usucapião. Nesse sentido e em muitos outros, a lei era ambígua, porque tratava-se de operar a transição de um sistema concessionário de doação de terras (sesmarias) para um sistema de propriedade plena.

O fato é que uma vez expedido o título de propriedade, o Estado só poderia recuperar terras e dar-lhes outro destino através da desapropriação. Como a lei foi servindo ao longo dos anos para regularizar a situação dos grandes posseiros latifundiários, e transformá-los, portanto, em proprietários de pleno direito, a única forma de recuperar as terras improdutivas passou a ser a desapropriação, quase nada utilizada em relação aos latifúndios.

Caracterizar todo o processo que envolve a elaboração, bem como a aplicação da Lei de Terras de 1850, é um trabalho sistemático que envolve não somente as questões agrárias, mas todo um contexto de redefinição da política externa comercial e a reestruturação do mercado interno de trabalho, ou seja, a transição do uso da mão-de-obra escrava para o trabalho livre assalariado (principalmente o imigrante), bem como o controle do Estado Imperial sobre as demais terras devolutas. De uma ampla análise histórica, devemos levar em conta a ocupação e produção da terra como reflexo das necessidades vigentes a cada época: no início da colonização, tratava-se de uma política determinada pelo Rei no efetivo da ocupação e produção de bens; mas logo essa ocupação de terras tomou rumos comerciais que sobrepuseram as demais intenções. Na transição da Colônia para o Império, através da cana de açúcar juntamente com o crescimento da própria colônia, bem como seu mercado interno consumidor; e por último, seu desfecho em 1850 com a Lei de Terras, que por si já demonstrava a força dos produtores de café.

A Lei de Terras representava para o Estado Imperial um dos vértices de consolidação do Estado Nacional e um espaço de relacionamento entre proprietários e Estado. A transição da posse para a propriedade é o elemento chave em nossa compreensão, pois o Estado Imperial visava apropriar-se das terras devolutas, que vinham passando de forma livre e desordenada ao patrimônio particular, juntamente com a aplicação da mão-de-obra livre imigrante em contraposição à escravidão. Sendo assim, atingiam-se dois objetivos com apenas uma resolução. Porém, o que vimos foi que o trabalho imigrante substituiu em uma boa parte o trabalho escravo, não em função da Lei de Terras, mas pela própria adaptação e demanda da produção do café, pois a posse aleatória das terras não havia mudado de forma como se previa, persistindo até as primeiras décadas de nosso século, bastando citar que foram criadas medidas adicionais a lei para que se perpetuasse o regime de posse dando a esta um viés de legalidade, visto que a resolução do problema era mais difícil que o esperado. Persistia a passagem de terras devolutas para o domínio privado.

Temos que destacar ainda que existe uma facção de posseiros que Lígia Osório cita como grandes proprietários de terras e produtores de café, mandioca, algodão, açúcar, entre outros. Pequenos lavradores sem recursos mantiveram-se alijados ou postos em segundo plano no processo de apropriação legal da terra. O não acesso à propriedade para uma grande parte da população irá garantir ao Estado Republicano um grande contingente de mão-de-obra.

Por fim, é no início do século XIX, com a passagem da terra como meio produtor para o status de mercadoria, bem como a barreira que se erguia entre a posse e propriedade, aliados às exigências do mercado internacional (Inglaterra), é que percebemos o caminho que se traçava para a criação da Lei de Terras de 1850, sendo elaborada como parte de um projeto que visava abranger toda a sociedade “mas a sua aplicação à sociedade foi o resultado de um processo no qual as diferentes camadas sociais interessadas entraram em conflito e encontraram os meios de acomodar o ordenamento jurídico aos seus interesses” (SILVA, 1996, p.337).

Nesse longo período histórico ao qual as diversas leis se aplicaram, o fator constante é a ausência da participação dos principais interessados (os que precisam das terras para sobreviver); sempre ficaram fora do processo, forçados a isso pela repressão política ostensiva. O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) neste aspecto é uma novidade; pela primeira vez os que visam a disseminação da pequena propriedade, através da destinação de terras públicas para este fim. E cresce o consenso de que a reforma agrária é uma necessidade para o trabalhador tanto do campo como da cidade. Os séculos de história de legislação agrária ensinam que a democratização do acesso à terra não se fará sem a pressão e a colaboração dos maiores interessados.


REFERÊNCIAS:

SILVA, Lígia Osório. Terras Devolutas e Latifúndio – efeitos da lei de 1850. Ed. Unicamp, Campinas,1996.

Astato: o elemento químico mais raro da Terra!

Por Marcos Diego Lopes

Astato é o elemento se posicionado na família VIIA ou grupo 17 da  tabela periódica, de número atômico 85 (85 prótons em seu núcleo), com massa atômica de aproximadamente 210 u.m.a (unidades de massa atômica) e de símbolo At. Seu nome deriva do grego “astatos”, que significa instável.

O Astato ocorre naturalmente, mas apenas em pequenas quantidades. Calcula-se que exista menos de 28 gramas dessa substância em todo o planeta Terra, o que dificulta seu estudo para definirmos suas propriedades e características. Diante deste problema, os físicos tiveram a ideia de  gerar isótopos artificiais do elemento, bombardeando alvos de urânio com prótons de alta energia e, através deste processo,  conseguindo resquícios ou traços deste elemento. Disparando nos átomos de Astato uma série de lasers de comprimentos de onda precisamente ajustados, mediu-se seu potencial de ionização em 9,31751 elétron-volt.

Através desta descoberta  foi possível definir as características do elemento, tais como o grau da  ligação de valência do elétron mais externo, a energia de ionização atômica -  que é altamente relevante para a reatividade química e, indiretamente, a estabilidade de suas ligações químicas nos compostos formados.

Ele também faz parte dos elementos radioativos com particular importância no ramo de tratamento de câncer nos radiofármacos (radioterapia). 

Aparelho radioterápico. Fonte: Quimilab.

Saiba mais:

www.infoescola.com

www.quimlab.com.br

Rochas Ígneas!

Por Alan Eduardo Wolinski

Ígneo deriva do Latim ignis, que significa fogo. As rochas Ígneas ou magmáticas são formadas a partir da solidificação ou consolidação do magma presente no interior da Terra. O magma é composto de uma mistura complexa, de silicatos fundidos, gases e fluídos. Encontra-se no estado pastoso devido às altas temperaturas.

A formação das rochas magmáticas pode ocorrer em diferentes ambientes, possibilitando assim, estudá-las e classificá-las segundo suas características, como: Granulação, Textura e Grau de Cristalização.

O tamanho dos cristais, em geral, são proporcionais ao tempo de resfriamento do magma. Quando a cristalização inicia em regiões profundas da litosfera, seu resfriamento ocorre em um tempo maior, onde permite a formação de cristais de tamanho considerável (visíveis a olho nu). Estas rochas são classificadas como Intrusivas ou Plutônicas. Como exemplo, temos o Granito e o Gabro.
Granito.

Gabro.
Quando o magma é expelido por vulcões ou fissuras na superfície terrestre, a cristalização acontece de maneira mais rápida, não havendo tempo para originar cristais bem desenvolvidos, classificadas assim, como rochas Extrusivas ou Vulcânicas. Em alguns casos, a solidificação acontece de forma quase instantânea, dando origem à minerais que apresentam textura vítrea e amorfa (Obsidiana). Os exemplos mais comuns desta classe de rochas são Basalto, Andesito e Riolito.

Basalto.
Riolito.

Obsidiana - textura vítrea.

A composição mineralógica é outra característica importante das rochas magmáticas e diz respeito à presença de minerais nas amostras. Embora os diferentes tipos de rochas ígneas tenham composição química variável, a maioria contém menos de uma dúzia de minerais e grupos de minerais. Os mais importantes desses são: anfibólios, feldspatos, micas, piroxênios, quartzo e feldspatóides.


REFERÊNCIAS:

www.igc.usp.br/replicasold/rochas/igneas.htm

www.ufrgs.br/paleodigital/Rochas_igneas.html

www.mineropar.pr.gov.br

www.solos.ufmt.br/docs/solos1/rochasigneas.pdf

www.rc.unesp.br/igce/aplicada/DIDATICOS/M%20RITA/aula07r.pdf



A poluição sonora em Curitiba!

Por Rafael Vitorino de Oliveira

O aumento populacional nos grandes centros urbanos acarreta também o aumento do barulho, seja na região central ou periférica da cidade. A poluição sonora é tanta que impede atividades diárias das pessoas, como trabalhar, conversar e se concentrar no que estão fazendo.

De acordo com o físico especialista em acústica Geraldo Cavalcante, a capital paranaense não é tão barulhenta quanto São Paulo, Rio de Janeiro e Belo horizonte porém, a cidade cresceu muito e junto a esse crescimento houve um aumento nos níveis de ruido.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) indica que nos centros urbanos o nível deve ser de 70 dB,com tolerância até 80 dB. Nas áreas comerciais da capital, a média é de 70 a 78 dB e, na presença de veículos de carga, esse ruido varia entre 80 a 85 dB.

Mesmo no período noturno, onde o ruído diminui durante o nosso sono, ele pode causar alterações em no cotidiano. Por exemplo, níveis sonoros de até 55 dB podem modificar a estrutura do nosso sono, causando prejuízo na realização de tarefas diárias.

Cantrell (1974) mostrou que descargas sonoras de 85 dB sobre 70 dB de fundo, nos períodos diurnos em forma de pulsos durante somente 3% do tempo, e só 50dB de fundo no período noturno, desencadearam, durante os 40 dias do experimento, aumento do colesterol de 25% e do cortisol plasmático de 68%. Os pacientes eram jovens saudáveis de 20 anos, portanto os menos susceptíveis aos efeitos nocivos.

Nossos veículos automotores são os principais responsáveis pelo barulho nos centros urbanos. Algumas medidas já foram tomadas, como inspeção veicular e desvio do trafego pesado dos centros, mas ainda temos motocicletas, academias, obras em geral, bares. Portanto, não trata-se de um problema simples, prejudicial à saúde humana e que muitas vezes passa despercebido no nosso dia a dia.

CURIOSIDADES

Nível de ruído provocado (aproximadamente – em decibéis):


  • Torneira gotejando (20 db)
  • Música baixa (40 db)
  • Conversa tranqüila (40-50 db)
  • Restaurante com movimento (70 db)
  • Secador de cabelo (90 db)
  • Caminhão (100 db)
  • Britadeira (110 db)
  • Buzina de automóvel (110 db)
  • Turbina de avião (130 db)
  • Show musical, próximo as caixas de som (acima de 130 db)
  • Tiro de arma de fogo próximo (140 db).


Saiba mais:

www.bandab.com.br/blogs/banda-b-na-politica/projeto-muda-criterios-de-controle-da-poluicao-sonora-em-curitiba-8165/

www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente-poluicao-sonora/decibeis-3.php


REFERÊNCIAS:

www.parana-online.com.br/editoria/pais/news/98543/

www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente-poluicao-sonora/poluicao-sonora-10.php

www.bandab.com.br/blogs/banda-b-na-politica/projeto-muda-criterios-de-controle-da-poluicao-sonora-em-curitiba-8165/

A tecnologia GPS - Parte I!

Por Rafael Gama Vieira

Imagine que você está de férias, pronto para viajar, porém não conhece o caminho para o seu destino. Que equipamento você poderia usar para conseguir se orientar em sua viagem? Provavelmente você pensou em usar um aparelho GPS, colocando nele o endereço do destino e utilizando suas orientações para chegar ao local desejado.

Realmente, considerando a tecnologia disponível hoje, esta seria a melhor opção. Mas como os povos antigos se orientavam antes do desenvolvimento destas tecnologias?

Métodos de orientação


Ao longo de sua  história, o homem percebe a necessidade de se orientar geograficamente, saber onde está e para onde deve ir. Porém, sem a ajuda de equipamentos específicos, estes povos começam a descobrir que poderiam utilizar o céu como orientação, podendo ser feita durante o dia e à noite, utilizando o Sol e as outras estrelas, respectivamente.

Infelizmente, este método serve apenas para encontrar os pontos cardeais, não sendo possível, então, saber qual sua posição na Terra ou qual caminho seguir para chegar a um determinado lugar.

Orientação usando o Céu


Certamente você já ouviu alguém dizendo que basta abrir os braços, deixando seu braço direito voltado para onde o Sol nasce e assim terá a posição dos pontos cardeais. Neste caso, seu braço direito apontará para o Leste, o esquerdo para Oeste, à sua frente terá o Norte e atrás o Sul, como mostra a figura a seguir:


Este procedimento não está totalmente correto, pois o Sol não nasce sempre no mesmo lugar. Veremos o Sol nascendo exatamente no ponto cardeal leste apenas no primeiro dia dos equinócios, início do Outono (entre 21 e 23 de março) e da Primavera (entre 21 e 23 de setembro). No verão, o Sol nasce mais ao sul e no Inverno mais ao norte, ou seja, caso você faça o procedimento acima em uma destas duas estações do ano, sua orientação estará errada.

Podemos dizer então que o Sol nasce na região leste e se põe na região oeste, mas não nos pontos cardeais leste e oeste.

Durante a noite podemos utilizar outra forma de localização, baseada nas constelações. No hemisfério Sul a constelação mais conhecida é o Cruzeiro do Sul.

Outro erro neste caso é dizer que basta prolongar o braço maior da constelação em direção ao horizonte e assim encontrará o ponto cardeal Sul. Na verdade, a constelação aponta para o Pólo Sul Celeste, sendo este uma projeção do Pólo Sul da Terra no Céu. Para encontrar o ponto cardeal Sul devemos então prolongar o lado maior da constelação no sentido em que ela aponta, multiplicando este tamanho por 4,5 e em seguida seguir uma linha reta para baixo, como mostra a figura a seguir:


Estas formas de orientação podem não ser muito eficientes determinamos precisamente coordenadas, ou, caso você não faça o procedimento correto pode seguir a orientação errada.

Este problema pode ser resolvido utilizando uma bússola. Não se sabe ao certo a origem deste instrumento, porém, acredita-se que foi inventada pelos Chineses, chegando mais tarde ao ocidente. Este instrumento é bastante útil quando precisamos de uma orientação, porém ainda não resolve o problema de localização e trajetória.

Na segunda parte do texto veremos qual a origem do GPS, como ele funciona e quais os avanços previstos para este sistema de localização por satélite!

Senhores do Mesozóico: Maxakalissauro!

Por Marcelo Domingos Leal


O Maxakalisaurus topai ou dinossauro maxakali, é uma espécie de dinossauro saurópode, que teve vários fragmentos ósseos achados na Cidade de Prata em Minas Gerais, na Bacia Bauru, formação Adamantina. O nome é uma homenagem à tribo Maxakali, que vive na região onde a ossada foi encontrada, e topai em referência a um de seus deuses. 

Estes fragmentos indicam que o animal em questão era um dinossauro jovem, e que foi morto por dinossauros terápodes (carnívoros), tendo ainda sua carcaça provavelmente atacada por crocodilos e até tartarugas, dada as marcas encontradas nos ossos. Seus restos demonstram sinais de pisoteio e exposição ao tempo (fissuras e rachaduras), tendo ficado a deriva por messes no clima semi-árido da região. Grande parte desse esqueleto consiste em vértebras cervicais e dorsais, contendo também costelas que foram encontradas parcialmente articuladas. Para extraí-lo da terra, foram necessários quatro anos de trabalho: de 1998 a 2002.

Era um dinossauro de proporções até pequenas se comparado a outras espécies mais conhecidas, com cerca de 13 m de comprimento, chegando a 9 toneladas de massa. Seus hábitos alimentares incluiam a ingestão de folhas e raízes, sendo então um dinossauro herbívoro ou pastador. Como todos os outros dinossauros, o Maxakalissaurus viveu na Era Mesozóica, mas em um período chamado de Cretáceo Superior, entre 100 e 65 milhões de anos atrás.

O trabalho que descreveu a espécie foi lançado à comunidade científica em 2006 pelos paleontólogos Kellner, Campos, Azevedo, Henrique, Craik, Silva e Trotta. 


PARA SABER MAIS:


Livro O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil – Luiz E. Anelli.




Ashmolean museum: o primeiro museu público do mundo!

Por Jeffrey Cássio de Toledo

Inaugurado em 6 de junho de 1683, o Ashmolean Museum, é considerado o primeiro museu público do mundo.

Fachada do Asmolean Museum.

O museu de arte e arqueologia ligado à Universidade de Oxford possui obras importantes para a História da Arte, bem como relíquias, moedas e objetos pessoais com uma importância inestimável. 

Lanterna de Guy Fawkes.
Os objetos de curiosidade são peças como: uma lanterna usada por Guy Fawkes (líder da Revolução da Pólvora que ficou com sua face conhecida pelo personagem “V de Vingança”, na Graphic Novel de Alan Moore), uma espada do Rei Henrique VIII, entre outras. São artefatos importantes que contam um pouco da evolução da arqueologia enquanto um ramo da Ciência em expansão, com peças egípcias, inclusive do período pré-dinástico. 

Uma das características mais importantes deste museu foi a preocupação com a exposição didática ao longo dos anos. Tendo sofrido uma série de mudanças desde sua criação, o museu foi se expandindo e adquirindo novos objetos para exposição.  Conforme seu acervo crescia, aumentava também a preocupação em organizá-lo para melhor expor as peças, tornando a visita mais compreensível e possibilitando ao visitante uma visão mais concreta acerca da História e do museu como um todo.

Hoje, o museu Ashmolean está entre os mais visitados da Inglaterra, na lista dos museus gratuitos. Em 2009, por exemplo, a instituição recebeu mais de 1 milhão de visitantes., os quais podem desfrutar de gravuras de Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael Sanzio. Além destes, existem exibições de paisagens chinesas e instrumentos musicais de Antonio Stradivari, mais conhecido como Stradivarius.

Site Oficial do Museu: http://www.ashmolean.org/

Saiba mais:



Coleta seletiva 3!

Por Anelissa Carinne dos Santos Silva

Ajude a evitar acidentes na coleta de resíduos: Não esqueça de embrulhar vidros quebrados e outros materiais cortantes em papel grosso ou em caixa, identificando o perigo.

Fonte: Rios vivos.

Alguns dados interessantes sobre coleta de resíduos:


  • O Brasil gera em torno de 230 mil toneladas de lixo ao ano e recicla em torno de 13% dos resíduos gerados nas cidades.
  • A reciclagem movimenta cerca de R$ 12 bilhões por ano, no Brasil. Mas perdemos mais de 10 bilhões de dólares por ano por não fazer a reciclagem de todo o material.
  • O Japão recicla cerca de 50% de seu lixo e a Europa, em torno de 30%.

Dicas em japonês para a destinação do lixo à reciclagem.


  • Cerâmica, terra e louça, caso destinadas à reciclagem junto com o vidro, provocam sua quebra espontânea durante o processo, o que prejudica a qualidade do produto final.
  • A reciclagem de uma única lata de alumínio economiza energia suficiente para manter uma TV comum ligada durante três horas.
  • Cerca de 90% do alumínio que circula no país é reciclado, segundo o IBGE. Isso se deve ao alto valor de mercado de sua sucata, associado ao elevado gasto de energia necessário para a produção de alumínio metálico. 



EMBRAPA: Scanavaca, Laerte, Jr. Lixo e a necessidade de Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Repensar.

Ministério do Meio Ambiente - MMA

Instituto de Biociências – USP

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMBRAPA


O movimento indígena no Brasil!

Por Ararê Azambuja Vilanova Junior


O movimento indígena no Brasil, desde a sua criação ou organização, vem atuando em busca da garantia, efetivação e defesa dos direitos indígenas. Tais reivindicações dar-se-ão pela necessidade dos povos indígenas obterem proteção especial, sem ferir o princípio da organização social e de autonomia de cada povo, por considerarmos inúmeros fatores que ameaçam a reprodução física/cultural de nossos povos. Assim sendo, o movimento indígena pautou como eixo mobilizador da luta “A Terra”. Sua força tarefa  em torno da “terra” se dá em vários enfoques:


  • A regularização fundiária das terras indígenas, que se dá pelo processo de demarcação.
  • O fortalecimento das atividades de fiscalização, nas áreas já demarcadas, que possam garantir que essas terras indígenas, não sejam descaracterizadas.
  • A luta pela ampliação das terras indígenas que encontram-se demarcadas, por conta do tamanho da T. I. ser reduzido e insuficiente para estabilidade étnica nesse espaço, dificultando a permanência das famílias indígenas.
  • A luta pelo fortalecimento dos povos e organizações indígenas, no combate as instalações de empreendimentos que causam impactos ambientais e na vida de nossas famílias no interior de nossas aldeias.
  • A necessidade de revogação do Decreto nº 1775/96, que regulamenta o processo para demarcação das terras indígenas, havendo a insatisfação do movimento indígena, no que toca a possibilidade de contestação à demarcação, mesmo depois da homologação.
A "Terra" vem sendo considerada pelo movimento indígena brasileiro como um conjunto de direitos, tais como:


  • Educação;
  • Saúde diferenciada;
  • Projetos socioeconômicos;
  • Reconhecimento étnico;
  • Utilização do meio ambiente.


Indigenismo


"É uma doutrina formulada inicialmente no México. como parte do movimento intelectual nacionalista, caracterizada pela defesa e valorização das populações indígenas de um país, região, etc. O marco histórico do indigenismo é o 1º Congresso Indigenista Interamericano, realizado, no México, em 1940, quando os princípios e metas a serem transformados em práticas - ou políticas indigenistas - foram formulados pelos países do continente americano." (Instituto Indigenista Interamericano, 1991, p.60). Política realizada pelos estados americanos para atender e resolver os problemas que confrontam as populações indígenas, com o objetivo de integrá-las à nacionalidade correspondente. (Alejandro Marroquín, 1972).

“Uma formulação política e uma corrente ideológica, ambas fundamentais para muitos países da América, em termos de sua viabilidade como nações modernas, de realização de seus projetos nacionais e da definição de suas identidades”. (Instituto Indigenista Interamericano, 1991, p.63).

O Parque Indígena do Xingu (antigo Parque Nacional Indígena do Xingu)

Foi criado em 1961 pelo então presidente brasileiro Jânio Quadros, tendo sido a primeira terra indígena homologada pelo governo federal. Seus principais idealizadores foram os irmãos Villas Bôas, mas quem redigiu o projeto foi o antropólogo e então funcionário do Serviço de Proteção ao Índio, Darcy Ribeiro.

Atualmente, vivem, na área do Xingu, aproximadamente, 5 500 índios de quatorze etnias diferentes pertencentes aos quatro grandes troncos linguísticos indígenas do Brasil:

  • Caribe;
  • Aruaque;
  • Tupi;
  • Macro-jê.

REFERÊNCIAS:

Instituto Indigenista Interamericano, 1991.

Alejandro Marroquín, 1972.

Franchetto, Bruna (organizadora). 2011. Alto Xingu: uma sociedade. 

APIB – Articulação dos Povos indígenas do Brasil.

Aquimia e sua relação com a Química moderna!

Por Evelise Gaio

Fonte: CDCC -- USP.
A semelhança nas palavras já revela que existe uma intensa ligação do termo Alquimia com a Química, uma vez que a palavra AL-Khemy, vem do árabe e quer dizer "a Química". A Alquimia é uma prática ancestral, também denominada de antiga química, fora exercitada na Era Medieval e Renascença, que une noções de Química, Física, Astronomia, Arte, Metalurgia, Medicina, Misticismo e Religião.

A crença mais difundida é que os alquimistas buscavam encontrar a Pedra Filosofal, uma substância mítica capaz de transformar materiais opacos em metais brilhantes e nobres (como o ouro), bem como proporcionar a quem a encontrasse a vida eterna e cura de todos os males. Em seus “laboratórios” realizavam pesquisas e idealizaram uma linguagem cheia de símbolos e linguagens enigmáticas para descrever suas teorias, materiais e operações, burlando a vigilância a que estavam submetidos, por parte daqueles regulamentos sociais, sendo os mesmos perseguidos pela Igreja por se atreverem a discordar e não compartilhar dos convencionalismos.  

Baseia-se no conhecimento elaborado através da experimentação e suas práticas envolvem trabalhos de laboratório e manuseio de substâncias, empregando técnicas e equipamentos relativamente sofisticados. Grande parte das substâncias, das técnicas e dos equipamentos empregados atualmente pelos químicos, foram descobertos e desenvolvidos pelos alquimistas.

Apesar da Alquimia atualmente não ser considerada uma Ciência, mas sim como uma visão espiritual mais preocupada com as antigas tradições do que com a descoberta de novidades, ela é considerada como uma visão ancestral da Química moderna e da própria Medicina.

REFERÊNCIAS

http://www.cdcc.usp.br/ciencia/artigos/art_25/alquimia.html

veele.files.wordpress.com/2009/07/a-alquimia.pdf

http://www.infoescola.com/quimica/alquimia/





Matemática em cartaz - Episódio I: O Teatro como estratégia pedagógica!

Por Ednilson Rotini

Na perspectiva de apresentar estratégias que possam auxiliar os professores no processo de ensino-aprendizagem destaca-se, neste momento, o Teatro Pedagógico. Também denominado de Teatro Educativo ou de Teatro/Educação, este recurso, segundo Araújo (2004), era utilizado desde a época colonial pelos jesuítas no exercício escolar, com resultados satisfatórios.

Teatro Jesuíta: Fonte:  Fyaes.
O ensino do teatro no sistema educacional brasileiro foi formalmente implantado há cerca de quarenta anos por meio da Lei 5692/71, nos conteúdos abrangidos pela disciplina de Educação Artística, conforme comenta Japiassu (1998). Porém, o ensino de teatro está presente desde o século XVI, implantado pela pedagogia jesuítica mas, somente a partir da década de 1970 é que se desenvolveram pesquisas e investigações a respeito das inter-relações entre teatro e educação.

O Teatro Pedagógico consiste em levar para as instituições que trabalhem com educação formal e/ou informal as técnicas do teatro e aplicá-las na comunicação do conhecimento. Na escola, onde os estudantes podem ser os espectadores ou os figurantes, o teatro pode ajudar no entendimento de conteúdos escolares e, por meio de um estímulo emocional, facilitar a reflexão a respeito de variados conteúdos e conhecimentos científicos.

Para Diniz (1995), o Teatro/Educação propõe-se a atingir as necessidades do educando numa integração entre conhecimento adquirido e experiência vivida. Assim, o Teatro/Educação apresenta-se numa proposta de teatro espontâneo, envolvendo o grupo e vivenciado numa atmosfera de liberdade.

Segundo Cartaxo (2001), o imaginário é um importante elemento que deve estar permear o ambiente escolar e, sendo assim, o teatro é um ótimo exemplo de como esse imaginário pode estar presente e vivo no ato de educar. Afirma ainda, que é comum encontrar professores que utilizam o teatro como estratégia pedagógica objetivando facilitar o processo de ensino-aprendizagem.

Fonte: SEMED de Manaus.
O teatro como estratégia pedagógica pode auxiliar a reflexão e o pensamento, pois estimula o raciocínio contextualizando o que está sendo encenado (CARTAXO, 2001). Além disso, Araújo (2004) afirma que o Teatro desenvolve a oralidade, os gestos, a linguagem musical e linguagem corporal. Desta maneira, “o processo de aprendizagem de um conteúdo, por meio de uma encenação teatral, é acelerado porque o aluno trabalha com todos os seus sentidos, inclusive tendo a oportunidade e liberdade para pensar, criar e vivenciar” (CARTAXO, 2001, p. 65).

Zanin (2002) complementa que não apenas o teatro, mas a Arte em geral, pode contribuir para o desenvolvimento da criança. Isso porque a aprendizagem se inicia na interação da criança com o seu meio. Essa interação é justificada pela teoria sócio-interacionista de Vygotsky, onde afirma que “o aprendizado desperta vários processos internos de desenvolvimento, que são capazes de operar somente quando a criança interage com pessoas em seu ambiente e quando em cooperação com seus companheiros.” (VYGOTSKY, 1991a, p.101).

Fonte: Revista Escola.
A partir do primeiro contato dos sentidos da criança com o ambiente, a Arte se inicia e a criança reage então a essas experiências sensoriais. Além disso, por meio da vivência de papéis que o teatro em particular pode oferecer, a criança pode representar papéis do mundo adulto que mais tarde irá desempenhar, ajudando desta forma a um crescimento pessoal (DINIZ, 1995).

O teatro apresenta também uma característica muito peculiar: consegue reunir emoção e razão. Assim, ao mesmo tempo em que emociona pode também ensinar. Neste sentido, Cartaxo (2001) mais uma vez contribui afirmando que o teatro tem a capacidade de abrir horizontes reflexivos, de dar alegria e tristeza, de desinibir o tímido e dinamizar o apático. Desse modo, ele afirma que o teatro é forte, pois explica o mundo que está em nossa volta por meio da análise, da crítica e do divertimento.

Fonte: Ciência Hoje.

E o divertimento? Será que é possível aprender se divertindo? Bertold Brecht, importante estudioso e divulgador do Teatro Pedagógico, comenta que, segundo o consenso geral, existe uma grande diferença entre o aprendizado e a diversão. O aprendizado pode ser útil, mas somente a diversão é agradável. Ao contrário, Brecht (1967) afirma que o Teatro Pedagógico é capaz sim de provocar ao mesmo tempo contentamento e aprendizado. “A este respeito, podemos apenas dizer que a contradição entre aprender e divertir-se nada tem de necessidade natural, jamais foi isso e nada obriga a que venha ser.” (BRECHT, 1967, p. 87).

O mesmo autor afirma que se não houvesse a possibilidade de aprender divertindo-se, o teatro, por sua estrutura particular, não estaria em condições de ensinar e ressalta que o teatro permanece teatro, mesmo quando é Teatro Pedagógico, e ao passo que é bom teatro, é diversão.

Em outra análise, observa-se que no ensino tradicional a integração social é deixada quase de lado. Basta perceber, por exemplo, que a disposição das carteiras na sala de aula, ordenadas em fileiras, não favorece uma relação social. Nesta disposição, o estudante não vê o rosto de seus colegas. Por outro lado, em outras situações escolares são apresentados variados equipamentos tecnológicos e audiovisuais sofisticados. Entretanto, mesmo estes às vezes deixam a desejar o desenvolvimento social, ou seja, a interação estudante-estudante e estudante-professor. 

Isso não favorece o processo de ensino-aprendizagem, pois, segundo Vygotsky (1991b), ele se dá por meio daqueles que aprendem e daqueles que ensinam, em uma relação dialética que se estabelece entre ambos. É neste sentido que Diniz (1995) afirma que o Teatro/Educação por meio das técnicas dramáticas aplicadas ao ensino pode favorecer a um aprendizado menos individualizado e com uma integração social.

REFERÊNCIAS:

ARAÚJO, P. O Teatro Ensina a Viver. São Paulo, SP, 2004. Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/arte/pratica-pedagogica/teatro-ensina-viver-424918.shtml>. Acesso em 13 jun. 2013.

BRECHT, B. Teatro Dialético. Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira, 1967.

CARTAXO, C. O Ensino das Artes Cênicas na Escola Fundamental e Média. João Pessoa, PB: Editora da UFPB, 2001.

DINIZ, G. J. R. Psicodrama Pedagógico e Teatro Educação. São Paulo, SP: Ícone, 1995.

JAPIASSU, R. O. V. Jogos Teatrais na Escola Pública. São Paulo, SP 1998. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-25551998000200005&Ing=pt&nrm=isso>. Acesso em 13 jun. 2013.

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo, SP: Martins Fontes, 1991a.

VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente. São Paulo, SP: Martins Fontes, 1991b.

ZANIN, V. P. M. Arte e Educação: um encontro possível. In: Anais do VII ENAPI Unoeste. VII Encontro de Pesquisa e Iniciação Científica. Universidade do Oeste Paulista. Presidente Prudente/SP, 2002. Disponível em <http://www.arteducacao.pro.br/Artigos/arte_e_educacao.htm>. Acesso em 13 jun. 2013.

O mito na Filosofia!

Por Elaine Barbosa

Prometeus  e a águia que lhe devorava o fígado.

Mito (palavra grega = narrativa): modo de consciência que predomina nas sociedades tribais e que nas civilizações da antiguidade ainda exerceu significativa influência. Mito não é lenda, pura fantasia, mas verdade. A verdade do Mito resulta de uma intuição compreensiva da realidade, cujas raízes se fundam na emoção e na afetividade. Ele expressa o que desejamos ou tememos, como somos atraídos pelas coisas ou como delas nos afastamos. Para alguns intérpretes, o Mito está impregnado do desejo humano de afugentar a insegurança, os temores e a angústia diante do desconhecido, do perigo e da morte. Sustentam-se na crença, na fé em forças superiores que protegem ou ameaçam, recompensam ou castigam. Na Filosofia existem 3 explicações para a palavra Mito Vamos a elas:

1) Como uma forma atenuada da intelectualidade.


Na antiguidade, o mito é considerado um produto inferior ou deformado da atividade intelectual. Platão contrapõe o mito à verdade ou à narrativa verdadeira, é o “caminho humano e mais leve” da persuasão. Para Aristóteles, o mito é algumas vezes oposto à verdade mas, às vezes, assume uma validade moral ou religiosa. Ele não é claramente concebível, mas seu significado moral e religioso nos ensina sobre a conduta do homem em relação aos outros homens, à divindade.

2) Mito é uma forma autônoma de pensamento e de vida. 


Não tem uma validade ou função secundária e subordinada em relação ao conhecimento racional, mas   originária e primária e se coloca em um plano do intelecto dotado de igual dignidade. Para Vico, “as fábulas ao seu nascer foram narrações verdadeiras e severas, primeiramente obscenas em geral e, por isso, depois se tornaram impróprias, portanto alteradas, em seguida inverossímeis, depois obscuras, daí escandalosas, e finalmente incríveis, que são sete fontes da dificuldade das fábulas”. A verdade do mito não é, portanto, uma verdade intelectual corrompida ou degenerada mas,  uma verdade autêntica, embora de uma forma diferente daquela intelectual, isto é, de forma fantástica ou poética. Sob este ponto de vista, os poetas devem ter sido os primeiros historiadores das nações e os caracteres poéticos contém significados históricos que foram, nos primeiros tempos, transmitidos de memória pelos povos. Estes poetas ambulantes eram chamados de aedos e rapsodos, e produziam coletiva e anonimamente seus relatos. Hesíodo tinha interesse pela crença nos mitos. Em Teogonia (grego, théos, “deus”, e gonos “origem) relata as origens do mundo e dos deuses, em que as forças emergentes da natureza vão se transformando nas próprias divindades. Por isso a teogonia, é também uma cosmogonia (grego Kósmos, “mundo”, “ordem”, “beleza”), na medida em que narra como todas as coisas surgiram do Caos (vazio inicial) para compor a ordem do cosmos.

Pela metafísica teológica, Schelling vê no mito a religião natural do gênero humano, uma fase da auto revelação do absoluto. O mito faz parte integrante do processo da Teofonia (mundo como manifestação de Deus). O mito é uma fase da Teogonia (a geração dos deuses e do mundo, a cosmologia mítica), que está além e acima da natureza porque é a manifestação de Deus como consciência da natureza ou relação desta com o eu. Na Filosofia, a melhor expressão desta interpretação de mito é de Ernesto Cassirer, no qual a característica do pensamento mítico é avistada na falha ou imperfeita distinção entre o símbolo e o objeto do símbolo, isto é, na falha ou imperfeita consciência do símbolo como tal. O mito e a religião primitiva não são certamente de todo incoerentes, não são totalmente privados de senso e de razão. Sua coerência provêm,  muito mais de uma unidade sentimental do que de regras lógicas. Na Sociologia, o mito é o produto de uma sociedade (mentalidade) pré-lógica. Para Durkheim o verdadeiro modelo do mito não é a natureza mas,  a sociedade e que esse é em todo caso a projeção da vida social do homem. Para Lévy-Bruhl, o pensamento mítico é pré-lógico,  no sentido que este prescindiria completamente da ordem necessária, a qual, para o pensamento lógico, constitui a natureza e a veria como uma “rede de participações e de exclusões místicas,  na qual não valem a lei da contradição e as outras leis da lógica”.

3) O mito e o fator sociológico.


Na moderna teoria sociológica de Malinowski a função do mito é, em resumo, a de reforçar a tradição e dar-lhe maior valor e prestígio unindo-a a mais alta, melhor e mais sobrenatural realidade dos acontecimentos iniciais. “Cada mudança histórica cria sua mitologia, que é todavia só indiretamente relativa ao fato histórico”.

Para Augusto-Comte fundador do positivismo (positivo = ver, é o último e mais perfeito estado abrangido pela humanidade) – o pensamento reflexivo teria decretado a morte da consciência mítica – ao explicar a evolução da humanidade, define a maturidade do espírito humano pela superação de todas as formas míticas e religiosas. Opõe radicalmente mito e razão, inferiorizando o mito como tentativa fracassada de explicação da realidade. O positivismo faz nascer o mito do cientificismo (crença cega na ciência como única forma de saber possível). O positivismo mostra-se reducionista (ciência única interpretação válida do real). 

Mas o mito ainda é uma expressão fundamental do viver humano, o ponto de partida para a compreensão do ser. Tudo o que pensamos e queremos se situa inicialmente no horizonte da imaginação, nos pressupostos míticos, cujo sentido existencial serve de base para todo o trabalho posterior da razão.

REFERÊNCIAS

ABBAGNANO, Nicolas. Dicionário de Filosofia. Editora Mestre Jou. São Paulo, 1992.

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & Martins, Maria Helena Pires. Filosofando. Introdução à Filosofia. Editora Moderna. São Paulo, 2009.

CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. Editora Ática. São Paulo, 2009.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

segunda-feira, 17 de junho de 2013

sábado, 15 de junho de 2013

Como sabemos a posição das estrelas e dos demais objetos celestes?

Por Anisio Lasievicz

Em nosso cotidiano, deparamo-nos frequentemente com situações em que precisamos localizar um endereço ou uma pessoa e, para isso, temos à disposição uma gama de recursos e instrumentos como mapas, guias, cartas, bússolas e o famoso GPS. Todos representam a posição de objetos ou indicam direções a partir de pontos de referência. 

Mas, além de nos localizarmos em terra, o ser humano necessitou estabelecer a posição das estrelas, planetas e demais objetos celestes, por razões que vão desde a previsão dos ciclos da natureza, confecção de calendários para rituais, pesca, caça, plantio e colheita e, também, para desenvolver modelos e explicações sobre a dinâmica do universo.


A Esfera Celeste

Figura 1: Modelo Geocêntrico.
O modelo de universo que vigorou até meados do século XVI foi o geocentrismo (figura 1). Este sistema foi proposto inicialmente pelo filósofo grego Aristóteles (384 – 322 a.C), que admitia a Terra como centro do universo e que o restante dos corpos celestes estariam distribuídos em 59 esferas concêntricas (mesmo centro) ou camadas. Posteriormente, o astrônomo egípcio Claudius Ptolomeu (100 – 170) aperfeiçoou este modelo e o publicou em uma de suas obras, chamada de O Almagesto, pelos árabes. 

Atualmente, sabemos que esta concepção de universo não é correta pois, ao considerarmos um referencial externo, a Terra é que se desloca em uma trajetória ao redor do Sol. No entanto, algumas ideias deste modelo tornam algumas práticas mais simples e menos trabalhosas. Uma dessas ideias é a chamada esfera celeste (figura 2).

Figura 2: Esfera celeste.

Através desta visão, o céu é encarado como uma grande esfera, centrada no centro do planeta Terra. Esta é a impressão que nós temos ao olhar para o céu noturno, pois, devido às grandes distâncias envolvidas, não temos uma visão em perspectiva do céu, o que não nos possibilita a percepção de que alguns objetos estão mais próximos e que outros estão mais afastados de nós.

ELEMENTOS DA ESFERA CELESTE

  • Eixo de Rotação: Linha imaginária definida pelo movimento de rotação (ou revolução) da Terra. Também pode ser definida como a linha que une os pólos geográficos norte e sul, passando pelo centro do nosso planeta;
  • Pólo Celeste Norte: Ponto de interseção da reta que contém o eixo de rotação, no sentido do norte geográfico ou, o prolongamento vertical do pólo norte geográfico até a esfera celeste. Atualmente é identificado como a Estrela Polar;
  • Pólo Celeste Sul: Ponto de interseção da reta que contém o eixo de rotação, no sentido do sul geográfico, ou prolongamento vertical do pólo sul geográfico até a esfera celeste. Atualmente é identificado como a Estrela Sigma Octantis, não visível a olho nu;
  • Equador Terrestre: Linha imaginária sobre a superfície da Terra, perpendicular ao eixo de rotação, que divide o planeta em dois hemisférios iguais: hemisfério boreal (ou norte) e hemisfério austral (ou sul);
  • Equador Celeste: Linha imaginária formada pelo prolongamento (projeção) do equador terrestre sobre a esfera celeste. Divide o céu em duas porções: hemisfério celeste boreal (norte) e hemisfério celeste austral (sul).

Podemos definir na esfera celeste uma sub-região, denominada abóboda celeste. Ela é composta pela porção da esfera celeste, observável em uma determinada localidade e está representada na figura 3. Nesta região, também existem elementos importantes:

  • Zênite: Ponto no qual a vertical do lugar intercepta a esfera celeste, acima do observador.
  • Nadir: Ponto diametralmente oposto ao zênite.
  • Horizonte: Plano Tangente a Terra e perpendicular à vertical do lugar onde se encontra o observador. O termo horizonte também pode ser associado à linha imaginária onde o céu aparenta “tocar” a terra ou o oceano.

Figura 3: Abóbada celeste.

PRINCIPAIS SISTEMAS DE COORDENADAS NA ESFERA CELESTE


Para determinar a posição de um astro existem vários sistemas de coordenadas. Neste texto, será abordado somente o sistema coordenadas celestes equatoriais e o sistema de coordenadas azimutal ou horizontal.

SISTEMA DE COORDENADAS CELESTES EQUATORIAIS

É definido de modo bastante semelhante às coordenadas geográficas de longitude e latitude. Este referencial também utiliza duas medidas: a declinação e a ascensão reta e é ilustrado na figura 4.

  • Declinação: É contada a partir do equador celeste, variando de 0º a +90º (Norte) e de 0º a -90º (Sul). Para Efeito de exemplificação, pode ser comparada com a latitude.
  • Ascensão Reta: É contada sobre o equador celeste, desde a origem até o meridiano celeste do Astro, no sentido de oeste para leste, variando de 0h a 24h. O ponto de origem da ascensão reta é o ponto vernal. Este ponto é a interseção da eclíptica com o equador celeste, marcando a passagem do Sol do hemisfério celeste sul para o norte (primeiro dia do outono, para os habitantes do hemisfério sul da Terra, aproximadamente no dia 22 de março). 

Figura 4: Sistema de coordenadas equatorial.

Observando a figura 4, concluímos que a medida representada pelo segmento de cor vermelha indica a ascensão reta, a partir do ponto vernal até o meridiano celeste do astro. A declinação está simbolizada no arco de cor preta, a partir do equador celeste até o objeto em questão.

EXEMPLOS

1) Coordenadas equatoriais da Estrela Alfa Crucis (Magalhães):
Declinação: - 63º 5’ 56” (63º 5’ 56” S);
Ascensão Reta (AR): 12h 26min 35s.

2) Coordenadas equatoriais da Estrela Alfa Orionis (Betelgeuse):
Declinação: 7º 24’ 25” (7º 24’ 25” N);
Ascensão Reta (AR): 5h 55min 10s.


SISTEMA DE COORDENADAS AZIMUTAL

Este sistema tem como referência o horizonte e também utiliza duas coordenadas: o azimute e a altura.

  • Azimute (A): É o ângulo medido sobre o horizonte, no sentido horário (Norte - Leste - Sul - Oeste), com origem no ponto cardeal norte e final no círculo vertical do astro. Seu valor está entre 0º e 360º;
  • Altura (h): É o ângulo medido sobre o meridiano celeste do astro. Ela varia de - 90º a 90º. 

Figura 5: Sistema de coordenadas azimutal.

EXEMPLOS:

1) Coordenadas Horizontais para a estrela Sírius, às 00:51min, do dia 26/02/2007.
Azimute (A): 271º 17’19”;
Altura (h): 44º 8’ 56’.

É importante salientar que as coordenadas do sistema horizontal variam de local para local, e em relação ao horário da observação. Isto se deve à variação da latitude e longitude e do movimento de rotação/translação da Terra.


REFERÊNCIAS

LIVROS

FILHO, Kepler de Souza O. SARAIVA, Maria de Fátima O. Astronomia e Astrofísica. UFRGS. Porto Alegre, 2003.

MILONE, André de Castro. Introdução à Astronomia e a Astrofísica. INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. São José dos Campos, 2003.

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Livro de Ouro do Universo.  Rio de Janeiro. Ediouro, 2001.

SAGAN, Carl. Cosmos. Tradução: Angela do Nascimento Machado; revisão técnica de Airton Lugarinho de Lima. Francisco Alves Editora. Rio de Janeiro, 1992.


SITES

http://astro.if.ufrgs.br

http://www.aao.gov.au/

http://www.iau.org/

http://www.nasa.gov/

http://www.zenite.nu/