segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Carro a álcool: um dia você vai ter um!

Por Rafael Oliveira Vitorino

Em 1973 o mundo passou pela primeira crise do petróleo. O preço do barril do combustível natural subiu significativamente, gerando um efeito arrasador na economia mundial, com impactos que deixaram graves conseqüências econômicas. 

No Brasil, vivia-se os anos da Ditadura Militar, que começara em 1964. Entre 1968 e 1973, o país passou por um momento de grande crescimento econômico que o colocou entre as economias mais desenvolvidas do planeta. Esse período é chamado de Milagre Econômico, momento que coincide com a fase de maior repressão da Ditadura Militar. Com a crise mundial do petróleo em 1973 essa fase próspera terminou e a ditadura passou a ser questionada de forma mais aberta, refletindo no início, embora muito lento, da abertura do sistema.

PRÓALCOOL


O Proálcool (Programa Nacional do Álcool) consistiu em uma iniciativa do governo brasileiro visando intensificar a produção de álcool combustível (etanol) para substituir a gasolina. Essa atitude teve como fator determinante a crise mundial do petróleo, durante a década de 1970, que onerou a importação do produto para os países que dela dependiam.

Em contrapartida, o governo brasileiro criou um programa de incentivo a produção de cana-de-açúcar, onde foram oferecidos vários incentivos fiscais e empréstimos bancários com juros abaixo da taxa de mercado para os produtores. A indústria automobilística também foi envolvida no processo,desenvolvendo motores propelidos álcool. Esse programa ganhou o nome de PROÁLCOOL  e teve início em 1975. A escolha da cana-de-açúcar para produção do novo combustível foi decorrente da queda nos preços do açúcar, o que levou o Brasil a produzir mais de 15 bilhões de litros do combustível nos dez anos seguintes ao início do Pró-Álcool.

A proposta foi um sucesso, visto que os consumidores davam preferência a veículos movidos a etanol. Em 1991, aproximadamente 60% da frota brasileira era movida por essa fonte energética, correspondendo a 6 milhões de veículos movidos a etanol.

Porém, o Programa Nacional do Álcool promoveu alguns problemas futuros decorrentes de sua criação, tais como: elevação da dívida pública em consequência dos benefícios concedidos; aumento dos latifúndios monocultores de cana-de-açúcar; elevação dos preços de alguns gêneros alimentícios face à redução do cultivo de alimentos em substituição à cana-de-açúcar, entre outros.

Agravando ainda mais a situação, durante a década de 1990, houve a redução do preço do barril de petróleo. Esse fato fez com que a diferença entre a gasolina e o álcool diminuísse, levando os usineiros a destinar a produção de açúcar para o mercado internacional, pois o interno tornou-se menos lucrativo. Todos esses aspectos contribuíram para que os consumidores e fabricantes de veículos voltassem a priorizar automóveis movidos a gasolina.

Em 2003, um novo momento de turbulência envolvendo o preço do petróleo faz com que as indústrias voltem a apostar no etanol mas, dessa vez, criando veículos Bicombustíveis, onde o consumidor escolhe com qual quer abastecer.

A chegada do carro Bicombustível ao mercado brasileiro em 2003 vem produzindo importantes resultados ambientais. O uso do etanol nesses veículos evitou a emissão de quase 190 milhões de toneladas (189.849.294) de CO2 na atmosfera. Para atingir essa redução com o plantio de árvores nativas, seriam necessárias mais de 1,3 bilhão (1.355.523.962) de árvores.


DOS 14 AUTOMÓVEIS MAIS POLUIDORES A VENDA NO BRASIL, 8 SÃO MOVIDOS A ETANOL!

O título acima pode parecer contraditório em relação ao exposto acima mas, à medida que os resultados das pesquisas vão surgindo, o Etanol parece deixar de ser o salvador. Mas onde está o real problema: no combustível ou no veículo que faz a queima do mesmo?

Um relatório divulgado em setembro pelo Ministério do Meio Ambiente deixou todo mundo confuso. Segundo o documento, 8 dos 14 carros mais poluentes a venda no Brasil são movidos à álcool. Como assim? O etanol brasileiro não ia salvar o mundo? Ele não era considerado um combustível limpo, bem menos agressivo?

Sim, o etanol é mais limpo que a gasolina. Afinal, trata-se de um combustível renovável - suas emissões de CO2 (gás carbônico, que provoca o efeito estufa) são neutralizadas pela cana-de-açúcar plantada. O problema, em parte, está no motor que equipa a maioria dos carros novos. Ele sai da fábrica melhor regulado para a queima da gasolina, já que o mercado internacional não utiliza etanol. Resultado: com tanque cheio de álcool e combustão menos eficiente, um carro Bicombustível acaba lançando no ar mais monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de hidrogênio.

"Embora a queima do etanol reduza as emissões de dois poluentes cancerígenos, os níveis de outros gases aumentariam", afirma o cientista Marc Jacobson, da Universidade Stanford, um dos responsáveis pelo estudo. "Portanto, alguns tipos de câncer teriam a mesma incidência se a poluição fosse causada por fumaça de veículos movidos a gasolina." A solução, segundo Jacobson, não está no álcool, muito menos na gasolina, mas na conversão dos veículos em elétricos. "Isso eliminaria 10 mil mortes anuais por poluição do ar."

É muito provável que proprietários de carros com motor Bicombustível poluam menos ao usar gasolina do que etanol. Os números variam de acordo com o modelo do veículo. Mas, na média, ao verificar a emissão da frota de 2008, os carros Bicombustível que usam álcool emitem mais monóxido de carbono (0,71 grama por quilômetro) do que os que utilizam gasolina (0,51 grama por quilômetro).

SAIBA MAIS:

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,carro-flex-abastecido-com-gasolina-polui-menos,436426,0.htm


REFERÊNCIAS:

http://www.infoescola.com/combustiveis/proalcool/

http://www.biodieselbr.com/proalcool/pro-alcool/programa-etanol.htm

http://www.unica.com.br/noticia/21375871920313606276/-por-centoE2-por-cento80-por-cento98carbonometro-por-centoE2-por-cento80-por-cento99-aponta-por-cento3A-etanol-em-veiculos-flex-ja-reduziu-quase-190-milhoes-de-toneladas-de-co2/

www.br.com.br

Futebol é pra "macho"?

Por Jéffrey Cássio de Toledo

O esporte número um do brasileiro é o futebol? Pode-se dizer que sim. Contudo, todos os amantes deste esporte podem praticá-lo? Existe alguma regra oficial que exige que futebol “seja coisa pra macho”? Ou ainda, há algum tipo de incentivo para que outros grupos sociais, como o das mulheres, possam praticá-lo de forma ampla e convicta? O objetivo deste artigo é proporcionar uma reflexão sobre a prática do futebol feminino no Brasil, bem como, analisar as relações de gênero presentes neste campo da vida social de muitos brasileiros diariamente.

Figura 1: Marta – Jogadora brasileira,
escolhida cinco vezes a melhor do mundo.
É fácil constatar que a presença feminina nas arquibancadas dos estádios de todo o mundo é maciça. Isso é ainda mais evidente quando se percebe a quantidade de torcidas organizadas femininas que circulam pelos palcos deste esporte. Hoje, homens e mulheres dividem as suas posições de forma igualitária deste espetáculo. Mas, essas ações de interação entre diferentes gêneros é mascarada por uma série de atitudes de afirmação da masculinidade dos torcedores.

Considerando o estádio um ambiente de educação informal, percebemos que nele se estabelece uma instituição onde o iniciado, aprenderá a ser “torcedor”. Assim, no convívio com os indivíduos que frequentam esse ambiente a mais tempo é que se aprende as práticas comuns deste espaço. Segundo Bandeira (2010, p. 344), “estar em um estádio de futebol significa passar por diferentes pedagogias. É necessário aprender quando gritar, quando calar, o que gritar, o que calar, o que e como sentir”. 
Além da prática cultural do futebol, existe, claro a prática do esporte profissional. O futebol feminino profissional é praticado com muitas dificuldades em vários países, inclusive no Brasil. Um dos motivos que o põe na margem do futebol masculino é a falta de incentivo para tal. Historicamente, as mulheres são vistas como frágeis, dóceis, e outros tantos esteriótipos incompatíveis à pratica do bom futebol. 

A preocupação com a prática do esporte por parte das mulheres foi tão grande que médicos especialistas na área proibiam as “moças” de faze-lo. Podemos perceber isso pela opinião do doutor Leite de Castro, expressa ao jornal A Gazeta Esportiva afirmando que “não é no futebol que a juventude feminina se aperfeiçoará”. Segundo ele, “é o futebol o esporte que lhe trará defeitos e vícios; alterações gerais para a própria fisiologia delicada da mulher, além de outras consequências de ordem traumática.” (Franzini, 2005, p. 321)

Por fim, as tentativas de inserir a mulher no centro das ações afirmativas referentes ao futebol sempre acabam por enaltecer o machismo predominante na sociedade. As atitudes, por parte dos organizadores de eventos é sempre enaltecer a beleza e a sensualidade da jogadora para atrair o público masculino. Mas, ainda que não possamos fazer eventos de futebol feminino tão grandiosos como os do futebol  masculino, estamos evoluindo e temos de ser otimistas para que o esporte não seja mais o reflexo da própria sociedade.

REFERÊNCIAS

SALVINI, Leila; SOUZA, Juliano de; MARCHI JUNIOR, Wanderley. A violência simbólica e a dominação masculina no campo esportivo: algumas notas e digressões teóricas. Rev. bras. educ. fís. esporte, São Paulo , v. 26,n. 3,Set. 2012 . Disponível em  <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1807-55092012000300006&lng=en&nrm=iso> Acessado em 14 Out. 2013.

FRANZINI, Fábio. Futebol é "coisa para macho"?: Pequeno esboço para uma história das mulheres no país do futebol. Rev. Bras. Hist., São Paulo , v. 25, n. 50, Dez. 2005 .  Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882005000200012&lng=en&nrm=iso>. Acessado em 14 Out. 2013.

BANDEIRA, Gustavo Andrada. Um currículo de masculinidades nos estádios de futebol. Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro, v. 15, n. 44, Ago. 2010 .Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782010000200010&lng=en&nrm=iso> Acessado em: 14 Out. 2013.

De olho nas metrópoles!

Por Eduardo Cordeiro Uhlmann

O Observatório das Metrópoles é um grupo que reúne mais de cem pesquisadores de dezenas de instituições dos campos universitários, governamental e não governamental sob a coordenação geral do IPPUR - Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O Observatório desenvolve pesquisas sobre 14 metrópoles e uma aglomeração urbana: Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia, Recife, Salvador, Natal, Fortaleza, Belém, Santos, Vitória, Brasília e a aglomeração urbana de Maringá.

São quatro as linhas de pesquisa:


  • Linha I – Metropolização, dinâmicas intrametropolitanas e o território nacional;
  • Linha II – Dimensão sócio-espacial da exclusão/integração nas metrópoles: estudos comparativos;
  • Linha III – Governança urbana, cidadania e gestão das metrópoles;
  • Linha IV – Monitoramento da realidade metropolitana e desenvolvimento institucional.

O Núcleo da Região Metropolitana de Curitiba do observatório publicou em 2009 o livro “Dinâmicas Intrametropolitanas e Produção do Espaço na Região Metropolitana de Curitiba”, organizado por Olga L C F Firkowsky e Rosa Moura.

Dentre as várias análises apresentadas, um capítulo é intitulado: “Movimento pendular para trabalho na Região Metropolitana de Curitiba: uma análise das características de quem sai e de quem fica, em que Marley Vanice Deschamps e Anael Cintra analisam os deslocamentos pendulares para trabalho e estudo em associação com indicadores socioeconômicos, de forma comparativa entre a população que se desloca e aquela que permanece no município.

Segundo os autores, este estudo é importante para a análise dos processos de metropolização e identificação dos principais vetores da expansão urbana, porque o movimento pendular se concentra em aglomerações urbanas em que é possível identificar os processos seletivos de uso e ocupação do espaço, com a separação dos locais de residência e de trabalho.

A migração pendular está associada às aglomerações urbanas intensificadas pela migração interna e na Região Metropolitana de Curitiba observa-se um maior crescimento das áreas periféricas em detrimento das áreas centrais (fato observado em todas as grandes aglomerações urbanas do país).

REFERÊNCIAS

Dinâmicas intrametropolitanas e produção do espaço na Região Metropolitana de Curitiba / Rosa Moura e Olga Lucia C. de F. Firkowski (Organizadoras). – Rio de Janeiro: Observatório das Metrópoles : Observatório de Políticas Públicas Paraná; Curitiba: Letra Capital Editora, 2009

Região Metropolitana de Curitiba - Movimentos pendulares: o vai e vem de pessoas!

Por Rafael Briones Matheus

O vai e vem diário das pessoas nas regiões metropolitanas de suas casas para o trabalho e vice-versa  é um tipo de movimento migratório exercido constantemente por milhares de brasileiros. Caracteriza-se pelo deslocamento de pessoas que viajam da cidade que residem para outra onde trabalham ou estudam, geralmente um grande centro urbano. A lotação dos meios de transporte coletivo intermunicipais e os congestionamentos das vias urbanas no início da manhã e no fim do dia são consequências evidentes desse movimento. Entretanto, há diversos tipos de movimentos pendulares. Por exemplo, no campo o movimento pendular é o realizado pelos trabalhadores rurais, conhecidos popularmente como boias-frias, os quais se deslocam no início da manhã da cidade em que moram para o campo, de onde retornam para suas casas, na cidade ao final do dia. Mas existem também fluxos migratórios pendulares não diários, realizados constantemente por trabalhadores, como por exemplo, políticos, executivos, petroleiros, médicos, professores e etc.

Nos últimos anos houve um acelerado crescimento das regiões metropolitanas brasileiras e segundo o Censo 2010, as regiões metropolitanas mais populosas no Brasil são respectivamente: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Salvador, Curitiba e Campinas. Acompanhando o panorama nacional, a Região Metropolitana de Curitiba possuí um intenso movimento de trabalhadores que migram dos municípios do entorno para a capital, como pode ser visto nas figuras 1 e 2. De acordo com  a figura 1, os municípios com o maior número de pessoas se deslocando para Curitiba seriam Colombo e São José dos Pinhais. Já na figura 2 podemos perceber que o maior fluxo de pessoas que saem de Curitiba têm como destino São José dos Pinhais, seguido de Araucária e Pinhais. Tais informações são extremamente relevantes para o planejamento urbano, principalmente no que diz respeito ao transporte público destes municípios. O mercado imobiliário também se utiliza destes dados para executar ações através de empreendimentos imobiliários, construção de edifícios, condomínios, casas comerciais e etc.

Figura 1.

Figura 2.
REFERÊNCIAS

www.ibge.gov.br

www.observatoriodasmetropoles.net

Armas Químicas!

Por Alan Eduardo Wolinski

Figura 1. Símbolo usado para identificar Armas Químicas. Fonte: hazmatcarriers.com.

Armas químicas são definidas como qualquer substância química cujas propriedades tóxicas são utilizadas com a finalidade de matar, ferir ou incapacitar algum inimigo na guerra ou em operações militares (SMART, 1997).

O uso de substâncias químicas para estas finalidades é conhecido desde os tempos da Grécia Antiga. Por exemplo, em 600 a.C. o ditador Ateniense Solon, durante o cerco à cidade de Crissa, utilizou raízes de Heleborus (laxante) para envenenar os suprimentos de água de seus inimigos. Entre 431 e 404 A.C durante a Guerra do Peloponeso, os Espartanos usaram uma mistura de piche e enxofre em chamas, conhecido como Fogo Grego, no ataque à Plateia e Délio.

Nos séculos XVIII e XIX, foi descoberta a maioria dos agentes químicos, e com o surgimento das bombas incendiárias de Arsênio, inicia-se a guerra química considerada moderna e, apesar de utilizados desde a antiguidade, os agentes químicos só passaram a ser empregados em larga escala na Primeira Guerra Mundial.

O químico alemão Fritz Haber, prêmio Nobel de química em 1918 pelo desenvolvimento do processo Haber de síntese da amônia, em 22 de abril de 1915, organizou e coordenou um ataque em Ypres, Bélgica, utilizando o Gás Cloro, vitimando aproximadamente 5 mil soldados franceses e mais 10 mil em outros ataques. Devido a este fato, Haber ficou conhecido como o pai da guerra química moderna. 

Após os alemães, franceses e britânicos também começaram a desenvolver estratégias de combate utilizando armas químicas.

Os primeiros ataques impulsionaram o aumento nas pesquisas para o desenvolvimento de armas químicas mais potentes, armas capazes de provocar lesões na pele e criação de novos sistemas para dispersão de tais compostos. 

Na tentativa de reduzir os impactos deste tipo de ataque, foram desenvolvidas máscaras e roupas que protegessem o minimizassem o efeito das armas químicas.

Figura 2. Máscara e roupa antigás. Para proteger os soldados contra a inalação dos agentes e as roupas de proteção para prevenir que agentes tóxicos atingissem o corpo através da pele. Fonte: navalbrasil.com.

Um pouco antes da Segunda Guerra Mundial surgiram outros agentes, muito mais letais que os utilizados na Primeira Guerra, capazes de matar em poucos minutos.

AGENTES QUÍMICOS


1) AGENTES NEUROTÓXICOS

Grande parte dos agentes neurotóxicos foi originalmente produzida na pesquisa de defensivos agrícolas, são compostos organofosforados, que atuam na inibição da enzima acetilcolinesterase, no espaço intersináptico. Os principais representantes desta classe são: Tabun (GA); Sarin (GB); Soman (GD) e o agente VX, estes agentes são altamente tóxicos quando inalados, ingeridos ou em contato com a pele e olhos, e devido à toxicidade foram usados na guerra e por grupos terroristas.

Em 1994 um ataque terrorista de uma seita religiosa liberou Sarin na cidade de Matsumoto (Japão) matando 7 pessoas e ferindo cerca de 200. E, no ano seguinte, outro ataque do mesmo grupo terrorista, utilizando novamente o gás Sarin, causou a morte de 12 indivíduos e deixou mais de 5000 feridos em um metrô, na cidade de Tóquio.

Os efeitos da exposição aos neurotóxicos incluem a redução do diâmetro da pupila, salivação e sudorese excessivas, náusea, vômitos, tremor incontrolável, inconsciência, convulsão, paralisia, coma, parada respiratória e morte. Os efeitos incapacitantes ocorrem entre 1 e 10 minutos. Os efeitos fatais da exposição ao GA, GB e GD podem ocorrer entre 1 e 10 minutos e de 4 a 42 horas para o VX.

2) AGENTES VESICANTES

Os agentes vesicantes são compostos derivados do enxofre e do nitrogênio, conhecidos como mostardas, ou do arsênio, conhecidos como levisitas. Em contato com a pele induzem a formação de bolhas e queimaduras e podem ser absorvidos por via respiratória, afetando pulmão e o trato gastrintestinal.

Estes compostos não são extremamente letais porém, incapacitam o inimigo nos combates, sendo que a causa mais comum de morte por exposição ao agente mostarda é por complicações causadas por dano ao pulmão na exposição inalatória. Entretanto, o exato mecanismo de ação tóxica do agente mostarda ainda não está completamente elucidado.

O gás mostarda foi usado pela primeira vez em 1917 pelo exército alemão no combate de Flanders (próximo à Bélgica) e em 1918 durante a Primeira Guerra Mundial.

3) AGENTES SANGUÍNEOS OU HEMOTÓXICOS

Os agentes sanguíneos ou Hemotóxicos são substâncias que, após absorvidas, danificam células sanguíneas, impedindo o transporte de oxigênio e produzindo sufocação. São classificados como simples ou químicos.
Os asfixiantes simples agem deslocando fisicamente o oxigênio do ar, como o metano, o nitrogênio, entre outros. Os asfixiantes químicos interferem no transporte de oxigênio a nível celular, causando hipóxia tecidual (falta de oxigênio nos tecidos). Os asfixiantes mais importantes utilizados como agentes de guerra são: cloreto de cianogênio e o ácido cianídrico (HCN).

Desde a antiguidade, o cianeto encontrado em algumas plantas, era utilizado com a finalidade de causar intoxicação. Porém, apenas na Primeira Guerra Mundial, este agente foi produzido em larga escala com o mesmo propósito. 

O HCN era o componente principal do Zyklon B, uma mistura de sulfato de cálcio com HCN (aproximadamente 40 % em peso) utilizado nas câmaras de gás nazistas da Segunda Guerra Mundial. O ácido cianídrico é altamente tóxico por inalação, mas pode também ser absorvido pela pele quando na forma líquida.

Figura 3. Lata do Zyklon B e sólido que continham o gás, usado pelos nazistas em Auschwitz. Fonte: Flickr.com.

Os cianetos interferem na respiração em nível celular, fazendo com que as células não consigam utilizar o oxigênio em seus processos bioquímicos, resultando num acúmulo de ácido lático (acidose) e, consequente, na morte celular. Os principais sintomas da intoxicação com cianeto são fraqueza, perda dos reflexos, constrição na garganta, inicialmente aumento da taxa de respiração e cardíaca, seguida de depressão respiratória, inconsciência, parada respiratória e morte.

O cloreto de cianogênio (CK) apresenta toxicidade semelhante ao HCN porém, provocava em baixas concentrações, irritação dos olhos e pulmões. O CK é mais pesado e menos volátil que o HCN, sendo empregado na indústria para a síntese de herbicidas, refino de minério e como limpador de metal.

4) AGENTES SUFOCANTES

Esses agentes são chamados de sufocantes porque atuam diretamente sobre o sistema respiratório, causando edema pulmonar e a morte por sufocamento. Os sufocantes mais utilizados em guerra foram o cloro, o difosgênio, a cloropicrina e o fosgênio.

Fosgênio(CG): Este é o principal agente sufocante. Foi largamente utilizado pelos alemães em 1915 ainda em Ypres, como um substituto mais tóxico para o cloro e foi o agente químico que causou o maior número de mortes na Primeira Guerra Mundial. A inalação é a principal via de exposição ao fosgênio. A exposição a altas concentrações pode irritar os olhos, nariz e garganta. Cerca de 80% dos casos fatais ocorrem nas primeiras 24-48 horas após a exposição.

Difosgênio: Foi introduzido para penetrar nas máscaras contra gases, uma vez que ele se decompõe em fosgênio e clorofórmio que era capaz destruir os filtros da época permitindo a entrada do fosgênio.

5) OUTROS AGENTES

Napalm: É uma goma obtida da mistura de gasolina e outros derivados do petróleo com sais de alumínio produzidos dos ácidos palmítico e naftênico, que apresenta característica incendiária. Este agente foi desenvolvido durante a 2ª Guerra Mundial por pesquisadores norte-americanos. 

Na época da Guerra do Vietnã, este agente sofreu uma um aperfeiçoamento, passando a ser solidificado com poliestireno adicionado à gasolina, originando o Napalm B. A adição do polímero faz com que o produto permaneça aderido aos alvos, à medida que ocorre sua queima.

Agente Laranja: Também utilizado na guerra do Vietnã, era uma mistura meio a meio de dois herbicidas comuns, 2,4-D e 2,4,5-T+ Sua utilização tinha o propósito de desfolhar a densa vegetação das selvas vietnamitas e, portanto, reduzir as possibilidades de uma emboscada. Por apresentar em sua composição compostos cancerígenos, seu uso deixou sequelas terríveis na população daquele país e nos próprios soldados norte-americanos.

A proibição de armas químicas de Guerra


O uso deste tipo de arma é condenado desde muito tempo, sendo que a primeira tentativa visando proibir tal prática foi o tratado internacional franco-germânico assinado em Strasburgo, em 1675, proibindo a utilização de balas envenenadas. 

Em 1925, o Protocolo de Genebra procurou limitar o uso de armas químicas, mas elas continuaram a ser utilizadas em vários conflitos do século XX.

A Convenção para a Proibição de Armas Químicas (CPAQ), promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, adotou o texto por consenso, no dia 13 de janeiro de 1993, em Assembleia Geral, proibindo o uso deste tipo de arma por parte de qualquer um dentre os países signatários. Este acordo entrou em vigor no dia 29 de abril de 1997. A CPAQ teve o papel fundamental de possibilitar a eliminação das armas químicas, porém vários membros dessas convenções ainda possuem grandes estoques destes agentes.

REFERÊNCIAS

COLASSO, Camilla; AZEVEDO, Fausto Antônio de. Riscos da utilização de Armas Químicas. Parte I - Histórico. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 4, n. 3, p. 137- 172, out. 2011.

COLASSO, Camilla; AZEVEDO, Fausto Antônio de. Riscos da utilização de Armas Químicas. Parte II – Aspectos Toxicológicos.RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 5, n. 1, p. 7-47, fev. 2012.

 FRANÇA, T. C. C.; SILVA, G. R.; de CASTRO, A. T. Defesa Química: Uma Nova disciplina no Ensino de Química. Rev. Virtual Quim., 2010, 2 (2), 84-104.

Ficha de Informação Toxicológica (FIT) – Agentes Asfixiantes. Divisão de Toxicologia, Genotoxicidade e Microbiologia Ambiental – CETESB – 2012.

Ficha de Informação Toxicológica (FIT) – Agentes Neurotóxicos. Divisão de Toxicologia, Genotoxicidade e Microbiologia Ambiental – CETESB – 2012.

Ficha de Informação Toxicológica (FIT) – Agentes Vesicantes. Divisão de Toxicologia, Genotoxicidade e Microbiologia Ambiental – CETESB – 2012.

http://www.uff.br/rvq

http://www.cetesb.sp.gov.br

http://www.cdcc.usp.br/ciencia/artigos/art_14/armaquimica.html

http://arturhoo.ar.funpic.org/modules.php?name=tipos_de_armas_quimicas

http://www.ff.up.pt/toxicologia/monografias/ano0506/anti_motim/html/conclusao.html

http://www.educacional.com.br/reportagens/armas/quimicas.asp

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A argila presente no cotidiano!

Por João Marcos Alberton

Figura 1: Exemplo de argila.
A argila, matéria encontrada na natureza, origina-se de rochas sedimentares que, por meio dos ciclos, condições atmosféricas e geológicas foram se transformando em partículas microscópicas com eficiente poder de absorção de água. Diferente do barro que é composto de areia (cristais insolúveis), a argila é encontrada geralmente em profundidades que contem umidade, tais como fundo de vales, beira de rios e na área litorânea. Os elementos identificados na argila basicamente consistem em silicato de alumínio hidratado e óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio, variando conforme as características da região onde é encontrada, podendo, inclusive, conter outros elementos tais como: feldspato, carbonatos, fosfato, silício, magnésio e cálcio. A argila é usada desde os primórdios pelas civilizações que deixaram seus vestígios arqueológicos em sítios que demonstram por meio de objetos inteiros e fragmentados a passagem dos grupos que habitaram a Terra, ou seja, marcas que fazem parte dos registros da história da humanidade.

Com a evolução das tecnologias sociais, foram desenvolvidas diversas maneiras de se beneficiar a argila até ser queimada, formando a cerâmica que conhecemos. As técnicas passaram pelo modo rústico, manipulando o material através das mãos, pés e cochas. Os escravos tiveram a missão de amassar com os pés grandes quantidades de argila para a homogeneização e torna-la plástica para confecção das telhas que eram moldadas em suas coxas, tornando-as irregulares, pois variavam conforme o tamanho do escravo e conformação das coxas e é por isso da expressão popular, que algo irregular é “feito nas coxas”. Os tijolos também tiveram sua trajetória de evolução tecnológica, passando pelas caixas de madeira para moldar (maciços) e mais tarde, a criação das Olarias para fabricação de telhas e tijolos, ainda existentes de maneira alternativa, pois as demais já são eletromecânicas. As engrenagens eram levadas com o auxilio de cavalos amarrados que circulavam e amassavam o barro até a confecção dos tijolos já com os furos e as telhas em fôrmas de metal.

Toda argila, seja na confecção de objetos utilitários: recipientes para armazenar alimentos, panelas, pratos, copos; como também decorativos: vasos, esculturas, e de construção de casas, necessariamente passa pela queima por volta dos 800 graus para se tornar um objeto cerâmico. No inicio, as queimas eram feitas fogueiras e há dados de comunidades tradicionais e tribos indígenas que ainda utilizam esse processo. Com o tempo, foram desenvolvidos fornos a lenha feitos de tijolos e barro para otimizar o calor, apresentando-se em variadas formas e tamanhos. Com os avanços da indústria, surgiram os fornos elétricos com patamares de temperatura que variam de 800 a 1350 graus.

O Parque da Ciência Newton Freire Maia, através de seu Atelier de Arte, estrutura oficinas para oferta de cursos das diversas linguagens artísticas. No momento estão abertas as inscrições para o básico em cerâmica, oferecido gratuitamente para a comunidade. Os interessados deverão entrar em contato com a administração/agendamento do Parque para inscrição formando grupos de no máximo 10 participantes. A duração é de 3 (três) meses, uma vez por semana (quarta-feira) no horário das 14:00h às l6:30h.

Interessados podem inscrever-se através do telefone (41) 3666 - 6156.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Projetando imagens: da lanterna mágica ao projetor digital!

Por Rafael Gama Vieira

Figura 1. Fonte: o autor.

É comum nos dias de hoje a utilização de projetores de imagens, seja em uma reunião no trabalho, em salas de aula ou nos cinemas. Mas, você conhece a história dos projetores? Sabe como eles funcionam?

Diversos projetores de imagens foram desenvolvidos ao longo da história. Dentre eles podemos destacar a Lanterna Mágica, Lanterna Vertical, o Cinematógrafo e o Projetor de Slides. Neste texto você conhecerá um pouco da história destes equipamentos e como eles funcionam.

LANTERNA MÁGICA


Figura 2: Lanterna Mágica; Fonte: Kinodinâmico.
Não se sabe ao certo sua origem, porém, cabe ao astrônomo holandês Christian Huygens as primeiras descrições deste equipamento no século XVII. 

A Lanterna Mágica tinha como objetivo projetar em um anteparo uma imagem desenhada em uma tela de vidro. Para isso, utilizava uma vela, um espelho côncavo, um pedaço de vidro onde eram desenhadas as imagens e uma lente, responsável pela ampliação.

O espelho côncavo era utilizado para aproveitar ao máximo a luz fornecida pela vela, fazendo com que a imagem fosse bastante iluminada. A luz passava então pelo vidro, chegando à lente que iria ampliar a imagem e projetá-la sobre algum anteparo.

Este equipamento fornecia apenas imagens paradas, não criando o efeito de movimento. 

LANTERNA VERTICAL


Desenvolvida em 1853 por Edmond Becquerel, a Lanterna Vertical (figura 3) funcionava basicamente como o projetor de slides atual, conhecidos como Retroprojetor (figura 4).

Figura 3: Lanterna Vertical. Fonte: Physics Kenyon.
Figura 4: Retroprojetor moderno. Fonte: CSR.

Novamente eram utilizadas lentes, espelhos e vela porém, desta vez a imagem era colocada sobre uma lente horizontal, a qual era iluminada, fazendo com que a imagem fosse transmitida para outra lente localizada na parte superior, chegando então a um espelho, responsável por refletir a imagem ampliada na parede.

O Retroprojetor atual funciona da mesma maneira, mas no lugar da vela utiliza-se uma lâmpada para iluminação e a lente sobre a qual são colocados os slides é chamada Lente de Fresnel, maior do que as utilizadas na Lanterna Vertical.

CINEMATÓGRAFO


Em 1895 os irmãos Lumière constroem o cinematógrafo. Este equipamento consistia em uma câmera filmadora, laboratório processador de filmes e projetor em um único aparelho. Com este equipamento foi possível projetar imagens em movimento. Para isso, bastava movimentar o filme gravado em frente à lente. 

Figura 5: Cinematógrafo. Fonte: Ronaldo fotografia.

PROJETOR DE SLIDES KODAK


Figura 6: Projetor de slides.
Fonte: Arte projeções.
Em 1960 a Empresa Kodak lança o projetor de slides carrossel. Este funcionava basicamente como a Lanterna Mágica, porém a iluminação é feita através de uma lâmpada e as imagens são gravadas em filmes fotográficos.

Todos estes equipamentos inspiraram a criação dos projetores digitais, seja para uso profissional, pedagógico ou para lazer.

Existem atualmente três tipos de projetores digitais: o 3 CRT (Cathode Ray Tubes), o de LCD (Liquid Crystal Display) e o DLP (Digital Light Processing). 


PROJETOR 3 CRT - CATHODE RAY TUBES

Figura 7: Projetor CRT. Fonte: hightech-edge.com.

Este é o sistema mais antigo dos três, porém ainda em uso. Para projetar as imagens, este equipamento utiliza três Tubos de Raios Catódicos semelhante aqueles usados em aparelhos de televisão mais antigos. Cada tubo é responsável por uma cor: vermelho, verde e azul. A partir destas cores primárias é possível compor qualquer outra cor. Logo, o que o projetor faz é misturar estas cores para formar as imagens, projetando-as em um anteparo.

Apesar de ser o sistema mais antigo, este projetor é o que fornece a melhor qualidade de imagem, mas acabou sendo substituído por ser muito grande, pesado e por necessitar de manutenções periódicas. Outro problema é o menor brilho, chamado de  ANSI Lúmen, sendo necessário um local mais escuro para visualização de sua projeção. Por não utilizar lâmpadas é o que possui maior durabilidade (Aproximadamente 10 mil horas de projeção). O princípio básico de funcionamento dos projetores a seguir consiste na utilização de uma lente convergente para realizar a ampliação das imagens fornecidas por um computador, por exemplo. 

PROJETOR DE LCD - LIQUID CRYSTAL DISPLAY

Este é o modelo mais comum atualmente. Possui diversas versões com brilho entre 1000 e 20000 Lúmens. Os que possuem menos Lúmens são pequenos e leves, porém os mais potentes são grandes, pesando mais que 100 Kg. Sua iluminação interna é feita por lâmpadas de descarga de alta intensidade, o que leva à menor vida útil (cerca de 2.000 horas) quando comparados ao 3 CRT.

Seu esquema de funcionamento pode ser visto na figura a seguir:

Figura 9: Esquema de funcionamento do projetor de LCD. Fonte: How Stuff Works.

A imagem acima mostra uma fonte luminosa fornecendo uma luz branca intensa. Esta incide sobre um espelho dicróico, que tem como função refletir apenas um comprimento de onda eletromagnética, ou seja, apenas uma cor. Sabemos que o branco é a soma de todas as cores, logo, o primeiro espelho está refletindo uma destas cores, o vermelho, deixando passar todas as outras. O segundo espelho reflete o verde, chegando ao último apenas o azul. 

Cada uma das três cores atinge uma tela de LCD, responsável pela regulagem da quantidade de luz que irá passar. Por último, as três cores incidem sobre o chamado Prisma Dicróico. Este equipamento tem como função unir as cores novamente, transmitindo então a imagem para a lente, que a amplia e  projeta-a sobre o anteparo.

PROJETOR DLP - DIGITAL LIGHT PROCESSOR


Figura 10: Exemplo de projetor DLP
Neste projetor teremos novamente a separação das cores presentes na luz branca porém, desta vez não será o LCD que fará este processo, e sim uma roda de cores (figura 10).

O projetor DLP funciona da seguinte maneira: Uma luz branca de alta intensidade incide sobre uma lente convergente. Ao passar pela lente a luz é concentrada sobre a roda de cores que está girando. Isto faz com que as cores sejam então separadas, chegando à outra lente, responsável por projetar estas cores sobre o DMD - Digital Micromirror Device ou Dispositivo Digital de Micro Espelhos. Este dispositivo possui diversos micro espelhos que podem se movimentar em ângulos de aproximadamente 12º para cada lado. Neste caso, a intensidade das cores pode ser regulada através destes movimentos dos micro espelhos pois, ao se movimentar, o espelho reflete a luz ou para lente que projeta a imagem ou para um local que irá absorver esta cor.

Após a composição da imagem, esta passa pela lente responsável pela projeção.  Uma simulação do funcionamento deste tipo de projetor pode ser vista no vídeo a seguir:


As salas de cinema costumam utilizar o projetor 3 DLP. Seu funcionamento é igual ao DLP, porém existem três rodas de cores, sendo cada sistema responsável por uma cor primária. Isto faz com que as imagens sejam mais nítidas e não aconteça o efeito de arco íris percebido no projetor simples ao movimentar os olhos.

As evoluções previstas para estes equipamentos consistem em criar aparelhos com resolução, brilho e contraste cada vez maiores, porém menores e mais leves.

PARA SABER MAIS

Para entender melhor o funcionamento de lentes convergentes você pode utilizar a simulação encontrada no site a seguir: 


REFERÊNCIAS

História do Cinema. Acesso em 2013. Disponível em: <http://www.infoescola.com/cinema/historia-do-cinema/>

Projetores de Filmes. Acesso em 2013. Disponível em: <http://lazer.hsw.uol.com.br/projetores-de-filmes6.htm >

História ou Memória do Cinema. Acesso em 2013. Disponível em <http://cineclubenatal.com/artigos/historia-ou-memoria-do-cinema>

Funcionamento projetor de LCD. Acesso em 2013. Disponível em <http://electronics.howstuffworks.com/lcd-projectors1.htm>

As crianças que realmente não querem aprender?

Por Evelise Gaio


Comumente pais e professores defrontam-se com a realidade de crianças que não conseguem, por algum motivo desconhecido, adquirir o conhecimento ou realizar determinadas atividades propostas, como ler, escrever e operações simples. Dentre os diversos fatores que proporcionam deficiências e dificuldades de aprendizagem, tratar-se-á dos transtornos de aprendizagem, que se diferenciam das dificuldades, uma vez que esta última caracteriza-se por deficiências físicas, emocionais e ambientais.

Gabbard (2009) aponta que transtornos de aprendizagem consistem em fracassos inesperados em áreas do conhecimento distintas, podendo ser transtornos da leitura, da expressão escrita e da matemática.

A expressão transtorno específico de aprendizagem significa distúrbio em um ou mais dos processos psicológicos básicos envolvidos na compreensão ou no uso da linguagem, falada ou escrita que pode se manifestar em uma capacidade imperfeita de ouvir, de falar, de ler, de escrever, de soletrar ou de efetuar cálculos matemáticos. A expressão compreende condições como deficiências perceptivas, lesões cerebrais, disfunções cerebrais mínimas, dislexia e afasia evolutiva. A expressão não compreende crianças com transtornos de aprendizagem que resultam principalmente de deficiências visuais, auditivas ou motoras, ou de retardo mental, ou de distúrbios emocionais, ou de desvantagens ambientais, culturais ou econômicas. (U.S. Office of Education, 1968, apud FLETCHER et al, 2009).

É possível perceber com a visão dos autores acima que os TA's (transtornos de aprendizagem) são caracterizados por dificuldades e/ou fracassos em determinadas áreas, como linguagem, fala, escrita e cálculos. Entretanto, é necessário ressaltar que nem todo problema ou dificuldade de aprendizagem é caracterizado como um transtorno, no entanto, todo transtorno traz problemas e dificuldades de aprendizagem.

Os principais transtornos de aprendizagem são de articulação, ritmo, leitura, escrita e cálculo.

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM DE ARTICULAÇÃO:


DISLALIA

Segundo Cezar (2004), a dislalia consiste na omissão, substituição e/ou acréscimo de sons na palavra falada. As falhas de articulação podem ter origens orgânicas (arcada dentária, lábio leporino) e funcionais (a criança não sabe mudar a posição da língua e lábios).

Alguns tipos principais de dislalia podem ser: omissão (não pronuncia alguns sons – “Omei ao ola”: tomei cola cola) e rotacismo (substitui o R, exemplo o “Cebolinha”) .

Figura 2: Exemplo de dislalia pela substituição de letras.

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM DE RITMO


DISFEMIA (GAGUEIRA)

É um distúrbio no ritmo da fala, no qual o indivíduo sabe exatamente o que deseja falar mas, ao mesmo tempo, é incapaz de pronunciar corretamente devido a um prolongamento involuntário repetitivo ou à cassação de um som.


Figura 3: Exemplo de disfemia.

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM DA LEITURA


DISLEXIA

Cezar (2004) afirma que a dislexia consiste em dificuldades apresentadas pelo indivíduo na identificação de símbolos gráficos no início da alfabetização, acarretando fracasso em outras áreas que dependem da leitura e escrita, “embora a criança apresente inteligência normal, integridade sensorial e receba estimulação e ensino adequados” (CEZAR, 2004, p.66). 

De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD) apud Cezar (2004) as dificuldades apresentadas pelas crianças disléxicas:
  • Demoram a aprender a falar, a fazer laço nos sapatos, a reconhecer as horas, a pegar e chutar bola, a pular corda; 
  • Têm dificuldade pra escrever números e letras corretamente;
  • Ordenar letras do alfabeto, meses do ano e sílabas de palavras compridas;
  • Distinguir a esquerda da direita;
  • Necessita usar blocos, dedos ou anotações para fazer cálculos;
  • Apresentam dificuldade incomum para lembrar a tabuada;
  • Apresentam compreensão de leitura mais lenta do que o esperado para a idade.

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM DA ESCRITA


DISGRAFIA

Cezar (2004) afirma que a disgrafia consiste na dificuldade em transcrever o estímulo visual da palavra impressa. Tem como características o traço lento das letras, as quais geralmente se apresentam ilegíveis.

Segundo a autora, os principais tipos de erro que a criança disgráfica apresenta são:

  • Apresentação desordenada do texto;
  • Margens mal feitas ou inexistentes; a criança ultrapassa ou pára muito antes da margem, não respeita limites, amontoa letras na borda da folha;
  • Espaço irregular entre palavras, linhas e entrelinhas;
  • [...]
  • Distorção da forma das letras a e o;
  • Dificuldade na escrita e no alinhamento dos números na página.

DISORTOGRAFIA

Consiste na incapacidade de escrever de maneira correta a linguagem oral, ocorrendo trocas ortográficas e confusão de letras. Cezar (2004) ressalta que esta dificuldade não diminui a qualidade do traçado das letras. Ocorrem confusão de letras, sílabas e palavras.

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM DO CÁLCULO


DISCALCULIA

Silva (2008) aponta alguns estudos sobre discalculia, definindo a mesma como:

[...] inabilidade de executar operações matemáticas ou aritméticas. É, pois, um distúrbio neuropsicológico caracterizado pela dificuldade no processo de aprendizagem do cálculo e que se observa, geralmente, em indivíduos de inteligência normal, que apresentam inabilidades para a realização das operações matemáticas e falhas no raciocínio lógico-matemático. (SILVA, 2008, p. 16)
Ainda na perspectiva do autor, alguns pesquisadores apontam que as maiores dificuldades apresentadas pelas crianças que possuem discalculia são:

  1. Visualizar conjuntos de objetos dentro de um conjunto maior; 
  2. Conservar a quantidade, o que a impede de compreender que 1 quilo é igual a quatro pacotes de 250 gramas; 
  3. Compreender os sinais de soma, subtração, divisão e multiplicação (+, –, ÷ e x); 
  4. Seqüenciar números, como, por exemplo, o que vem antes do 11 e depois do 15 (antecessor e sucessor); 
  5.  Classificar números; 
  6. Montar operações; 
  7. Entender os princípios de medida; 
  8. Lembrar as seqüências dos passos para realizar as operações matemáticas; 
  9. Estabelecer correspondência um a um, ou seja, não relaciona o número de alunos de uma sala à quantidade de carteiras; 
  10. Contar através de cardinais e ordinais. (SILVA, 2008, p. 17)
Figura 4.

REFERÊNCIAS

CEZAR, Monique Augusto. Distúrbios na Aprendizagem. 2004. Disponível em: http://www.avm.edu.br/monopdf/7/MONIQUE%20AUGUSTO%20CEZAR.pdf. Acesso em: 09 out. 2013.

FLETCHER, J.M. LYONS, G.R., FUCHS, L.S. BARNES, M.A. Transtornos de aprendizagem: da identificação à intervenção. SP: Artmed, 2009.

GABBARD, Glen O. Tratamento dos transtornos psiquiátricos. São Paulo: Artmed, 2009. Disponível em: 
http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=9sJxoKh7NJUC&oi=fnd&pg=PA133&dq=transtorno+de+aprendizagem&ots=a-tLYfP7rR&sig=rA36KTcjmjjl0KDSLPkBKZZ5h38#v=onepage&q=transtorno%20de%20aprendizagem%20da%20leitura&f=true. Acesso em: 08 out. 2013

SILVA, Eva de Jesus. GOMES, Ivanete Pereira. As dificuldades de aprendizagem no período das  operações concretas das crianças do I ciclo do ensino fundamental na escola – 2010. Disponível em: http://www.fecra.edu.br/admin/arquivos/monografia_corrigida.pdf. Acesso em: 05 out. 2013.

SILVA, Wiliam Rodrigues Cardoso da. Discalculia: Uma Abordagem à Luz da Educação Matemática. Bauru, SP: EDUSC, 2011. Disponível em: http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/MATEMATICA/Monografia_Silva.pdf. Acesso em: 09 out. 2013.

SOUZA, Evanira Maria de, Ir. Problemas de aprendizagem: crianças de 8 a 11 anos. 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Cartografia pessoal: os mapas mentais!

Por Lawrence Mayer Malanski

Os mapas são tidos como as mais antigas representações do pensamento geográfico. Eles se configuram como representações adaptadas da realidade que proporcionam noções de conjunto dos elementos espaciais. Estima-se que os primeiros mapas datam de cerca de seis mil anos antes de Cristo, sendo que a evolução cartográfica conta a história e as mudanças do conhecimento humano de mundo, suas técnicas, práticas socioculturais e valores (KOZEL, 2007).

As diferentes abordagens geográficas do espaço proporcionam diversas práticas cartográficas, como os tradicionais mapas temáticos impressos, os mapas digitais e a cartografia mental. Os estudos de percepção e representação do espaço realizados pela Geografia Humanista necessitam de instrumentos e estratégias capazes de materializar subjetividades como sentimentos, opiniões e atitudes sobre o espaço vivido e imaginado. Nesse contexto os mapas mentais ganham importância.

Kozel (2007) entende os mapas mentais como enunciados (textos) elaborados por pessoas e grupos e que representam suas “visões de mundo” (ver figura 1). A partir desta reflexão, a pesquisadora define mapas mentais como “uma representação do mundo real visto através do olhar particular de um ser humano, passando pelo aporte cognitivo, pela visão de mundo e pela intencionalidade” (KOZEL, 2007, p. 121). 

Figura 1: Exemplo de mapa mental elaborado a partir de paisagens sonoras. Fonte: MALANSKI, 2011.

Convém diferenciar mapas mentais de mapas conceituais, elementos que são comumente confundidos. Os mapas conceituais se desenvolveram a partir do conceito de aprendizagem significativa, referindo-se a uma técnica desenvolvida por Joseph Novak na década de 1970 que tem por objetivo relacionar e hierarquizar conceitos (ver figura 2). De outro modo, os mapas mentais se desenvolvem livremente, são associacionistas e não se atém a relações entre conceitos (MOREIRA, 2005).

Figura 2: Exemplo de mapa conceitual. Esse tipo de mapa se diferencia dos mapas mentais por relacionar e hierarquizar conceitos. Fonte: NUNES, 2009
Diferentemente da cartografia tradicional, os mapas mentais não são representações espaciais sujeitas às regras cartográficas de projeção, escala ou precisão, mas representações da mente humana e que precisam ser lidas como processos e não como produtos estáticos (SEEMANN, 2003b). A leitura de todo material cartográfico envolve o processo inverso de sua construção, pois com ela se busca a decodificação dos conteúdos de forma expressiva. Para leitura de mapas mentais, pode-se utilizar uma metodologia criada a partir de aspectos propostos por Simielli (1999) e Kozel (2007) composta por quatro fases:

  • Forma de representação e distribuição dos elementos mapeados: forma de representação dos elementos em ícones, linhas, polígonos, letras, palavras, números etc. e distribuição desses elementos em quadros, com ou sem perspectiva, isolados, na horizontal ou vertical, na parte superior ou inferior no mapa;
  • Análise dos elementos mapeados: especificidade dos elementos (representação dos elementos da paisagem natural, da paisagem construída, elementos móveis e humanos etc.) e outros aspectos ou particularidade representados no mapa;
  • Correlação dos elementos mapeados: estabelece a codificação das mensagens veiculadas ao mapa a partir da análise das representações e do referencial teórico;
  • Sintetização dos elementos mapeados: a partir da correlação estabelecida, sintetizam-se as informações obtidas de modo a resumir as mensagens mapeadas.

Por fim, convém destacar que o desenvolvimento de mapas mentais pode ser interessante em trabalhos nos quais desvendar a relação entre pessoas e espaços receba importância, como na educação ambiental, arquitetura e orientação espacial, por exemplo (ver figura 3).

Figura 3: Mapa mental do Estado do Ceará. Notam-se as semelhanças entre as representações e o mapa tradicional do estado. Fonte: SEEMANN, 2003a. 
REFERÊNCIAS

KOZEL, Salete Teixeira. Mapas mentais - uma forma de linguagem: perspectivas metodológicas. In: KOZEL, S; FILHO, S. F. (orgs) Da percepção e cognição à representação: reconstruções teóricas da Geografia Cultural e Humanista. São Paulo: Terceira Margem – EDUFRO, 2007.

MALANSKI, Lawrence Mayer. Geografia escolar e paisagem sonora. RA ‘E GA, Curitiba: n. 22, 2011. p. 252-273.
Disponível em: http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/raega/article/view/21775
Acesso em: 08 out. 2013.

MOREIRA, Marco Antonio. Mapas conceituais e aprendizagem significativa. Revista Chilena de Educação Científica, San Tiago: n. 4, v. 2, 2005. p. 38-44.

NUNES, Juliana Souza. O uso pedagógico dos mapas conceituais no contexto das novas tecnologias. International Journal of Collaborative Open Learning, 01 jul. 2009.
Disponível em: http://labspace.open.ac.uk/mod/resource/view.php?id=365568
Acesso em: 08 out. 2013.

SEEMANN, Jörn. Mapas e percepção ambiental: do mental ao material e vice-versa. OLAM: Ciência e Tecnologia, Rio Claro: n. 1, v. 3, 2003. p. 200 – 223.

SIMIELLI, Maria Elena Ramos. Cartografia no ensino fundamental e médio. In: CARLOS, A. F. (Org). A geografia na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1999, p. 92-108.

Ícones femininos na História!

Por Elaine Barbosa


IDADE ANTIGA


As mulheres na idade antiga seguem uma trajetória onde se tornam deusas e são adoradas ou, em outros casos, a própria personificação do mal, situação que terá perspectiva de mudança somente na Idade Moderna, quando sua longa jornada em  busca de reconhecimento social começa a render resultados.

As deusas na antigüidade tinham o papel de demonstrar ao homem na terra como agir. Elas poderiam ter desde a guarda das estações do ano e o crescimento das vegetações como, também, o poder da paz, da disciplina e da justiça, a estas denominadas Horas.

Nas mãos das Erínias ou Furias (para os Romanos) ficava a punição dos mortais, por meio de castigo, vingança e rancor. Com as Moiras (3 irmãs) permanecia a decisão do destino do homem, determinando a época de morte de cada um. E, para as Musas, era atribuída a inspiração e a criação artística e científica. 

Muitas mulheres destacaram-se como sábias, filósofas e matemáticas na Idade Antiga, sendo agentes de grande importância para o desenvolvimento do pensamento atual. Entre destacam-se:


  • Diotima de Mantinea: Filósofa e sacerdotisa grega; 
  • Temistocléia: Filósofa e matemática. Tornou-se a primeira mulher na história a qual o termo FILÓSOFA foi aplicado. É considerada a mestre de Pitágoras;
  • Teano: (séc. VI a.C.): Filósofa e matemática grega. Foi aluna de Pitágoras. Criou a Teoria do Meio-Termo (todos os excessos são considerados vícios); 
  • Asioteia de Filos (393 – 270 a C): Ensinava física na Academia de Platão ao lado de outras mulheres que a frequentavam ;
  • Hipárquia de Maroneia: Aristocrata, é elogiada pela sua cultura e raciocínio, sendo comparada a Platão. Escreveu: “Cartas e Tragédias”; 
  • Maria, a judia, ou Miriam (séc. I d C): Viveu em Alexandria, é considerada como a fundadora da alquimia. Entre seus escritos figura livro de Magia Prática. Atribui-se a ela a descoberta do ácido clorídrico e, em homenagem às suas descobertas, batizou-se o processo de aquecimento conhecido como banho-maria. Dentre as invenções de Maria está o Tribikos (uma espécie de alambique com três braços que foi utilizado para obter as substâncias purificadas por destilação), o Kerotakis (dispositivo usado para aquecer substâncias utilizadas na alquimia e recolher os vapores. É um recipiente hermético com uma folha de cobre suspensa no topo); 
  • Hipátia de Alexandria: Matemática e filósofa, nascida aproximadamente em 355 e assassinada em 415. O fato de Hipátia ser uma filósofa pagã é tido como um dos fatores que contribuíram para o seu assassinato. Em 415, quando regressava do Museu, Hipátia foi atacada por uma turba de cristãos enfurecidos. Foi arrastada pelas ruas até uma igreja, onde foi cruelmente torturada até a morte. Depois de morta, o corpo foi lançado à fogueira. Entre suas obras: - Comentário a Aritmética de Diofanto; Sobre as cônicas de Apolônio de Perga; Corpus Astronômico e inventou o densímetro (aparelho que mede a massa específica de um líquido).


IDADE MÉDIA


As duas visões antagônicas da Idade Antiga ainda persistem, mas recebem uma nova interpretação, pautadas pela ascensão do Cristianismo. A mulher vista como personificação do mal foi comparada à Eva, que induziu Adão a comer a maçã e permitiu ser enganada pela serpente (personagem que representa o diabo). Através deste prisma, muitas mulheres são denominadas bruxas, sendo queimadas, enforcadas, afogadas, além de outras punições pois qualquer manifestação de atos que iriam contra a crença cristã era considerada heresia. 

Abaixo, cita-se alguns nomes femininos associados a esta visão presentes no Antigo Testamento pois, por meio de suas atitudes ambiciosas, desobedientes, vaidosas e não submissas a Deus ou a seus esposos, consistem em exemplos negativos e que não devem ser seguidos.

  • Dalila: Filistéia amada por Sansão, a quem traiu, revelando a origem de sua força, entregando-o nas mãos de seu povo;
  • Jezabel: Idólatra, dominadora, perversa e perseguidora de santos;
  • Vasti: Rainha, insubmissa ao marido e ao Rei, perdeu a coroa e o marido;
  • Herodias: adúltera e assassina de santos, através de sua filha, Salomé, obteve autorização de Herodes e mandou matar João Batista. 

Na segunda visão a figura feminina é colocada como santificada, face ao papel imaculado de uma mulher que dá a luz ao salvador do mundo, o qual inicia sua jornada na terra e pratica os milagres especificados na Bíblia. Desta forma, a mulher torna-se um ser puro e muitas são santificadas e beatificadas em prol de uma nova visão da interpretação bíblica. 

  • Maria: a mais forte personalidade feminina do Novo Testamento. É a Santíssima Mãe dos católicos e, escolhida por Deus para ser mãe de seu filho Jesus; 
  • Isabel: a mulher humilde, mãe de João Batista e prima de Maria; 
  • Madalena: a mulher transformada e a quem o Nazareno apareceu; 
  • Cananéia:  mulher gentia-grega, siro-fenícia de sangue. Mulher de fé e perseverança, que leva Jesus a modificar seu plano de ação, curando a sua filha, muito embora as Escrituras dissessem da vinda do Salvador para sarar os filhos doentes de  Israel;  
  • Tabita: a viúva generosa, rica em boas obras e esmolas que dava, foi ressuscitada por Pedro em Jope. 

Longe das personalidades bíblicas, a Igreja teve em sua história heroínas que lutaram pela sua fé, seja auxiliando na educação de seus filhos, seja empunhando a espada, dedicando-se cada qual a seu modo, à causa cristã.

  • Santa Mônica: mãe de Santo Agostinho. Responsável pela formação da conduta moral e religiosa do filho, o modelo da tarefa pedagógica vital de incutir pudor, mansidão e todas as condutas cristãs. Torna-se exemplo de comportamento virtuoso. 
  • Santa Genoveva Genezieve: dedicou-se aos Cristianismo desde os 7 anos.  Aos 28, pela sua virtude e força de caráter, convenceu os habitantes de Paris a não abandonarem a cidade nem a entregarem aos pagãos. É a padroeira da Cidade Luz. 
  • Joana D'arc: aos 13 anos, afirma ouvir vozes divinas pedirem-lhe que salvasse a França. É presa em Maio de 1430 e entregue aos ingleses que a acusam de bruxarias. Mártir francesa, canonizada em 1920, foi a heroína da Guerra dos Cem Anos, que ajudou a libertar a França do domínio inglês. Submetida a um tribunal católico, é condenada à morte e queimada viva, com 19 anos. A revisão de seu processo começa a partir de 1456 e a Igreja Católica beatifica-a em 1909. Em 1920, é declarada Santa.  

IDADE MODERNA


Na Idade Moderna, as mulheres ainda continuavam sob a submissão masculina, não eram reconhecidas ainda como participantes da sociedade mas sim, apenas como um objeto útil para os deleites masculinos, sendo-lhes negado o conhecimento e a literatura. O lar era o local de seus domínios e os afazeres domésticos, educação dos filhos e cuidados com seu esposo, suas tarefas primordiais. Mas, mesmo assim, algumas se destacam dentro desta paisagem como inovadoras, tornando-se pensadoras, eruditas e soberanas, incutindo o início de uma nova visão da posição da mulher na sociedade.  Surgem textos, livros e manifestações em apoio à liberdade feminina e a conscientização da sociedade da época de que deve-se valorizar a mulher como ser humano capaz de pensar, agir e escolher o seu destino. Demonstrando que havia na fragilidade uma grande capacidade de mudança e liderança destacam-se:

  • Isabel de Castela: Em 1474 é coroada rainha de Castela. No ano de 1469 se casa com Fernando II, segundo na linha de sucessão pelo trono de Aragão; no seu reinado foi publicada a Primeira Gramática Castelhana pela escola palaciana criada pela Rainha e foi realizada a primeira viagem de Colombo. Estabeleceu o Tribunal da Santa Inquisição e morreu, deixando a coroa para sua filha Joana, a Louca. 
  • Teresa de Jesus (de Ávila): A partir de 1562 começa a fundar monastérios das carmelitas descalças. Ao longo de sua vida funda 32 monastérios, sendo 17 femininos e 15 masculinos. Santa Teresa morreu em 1582. Logo após sua morte, o corpo da Santa exalava um suave  perfume de rosas. 
  • Catarina de Medicis: Foi mãe de 3 reis da França, Francisco II, Carlos IX e Henrique III e influente na vida política por mais de trinta anos. Foi nomeada regente de Carlos IX, portando-se com desmando e tirania. Favorável aos católicos, declarou-se contraria aos huguenotes, protestantes franceses e levando seu filho a promover o massacre da “noite de São Bartolomeu”. Ordenou a ampliação do Louvre e contribuiu para o engrandecimento da cidade. Ampliou o acervo da Biblioteca de Paris com manuscritos da Grécia e da Itália. 
  • Louise Labé: Poetisa francesa cuja principal obra é o "Debate da Loucura e do Amor" de 1555, na qual defende uma pauta "feminista": direito das mulheres à educação, à liberdade de pensamento e a escolha de parceiros. 
  • Oliva Sabuco Nantes Barrera: Espanhola, Filósofa da Renascença e precursora na medicina psicossomática. Entendeu o quão importante seria reunir conceito e práticas filosóficas à medicina, sinalizando que a cosmologia teria a faculdade de comprometer a saúde humana.
  • Elizabeth I: Filha de Henry VIII e Ana Bolena. Seu reinado foi de paz e prosperidade, comercial e culturalmente. Ficou conhecida como “a rainha virgem”. Seu governo foi denominado Período Elisabetano ou Era Dourada, caracterizando-se por crescimento e pela efervescente criatividade artística, principalmente na dramaturgia, com Christopher Marlowe e William Shakespeare. Na navegação, houve avanço e vitórias, principalmente com o capitão Francis Drake, primeiro inglês a dar a volta ao mundo. 
  • Dandara: Guerreira negra do período colonial do Brasil, esposa de ZUMBI. Lutou ao lado do marido pela libertação dos escravos. Suicidou-se depois de presa, para não voltar a posição de escrava.
  • Maria Gaetana Agnesi: Matemática, filósofa e linguista italiana. Escreveu o primeiro livro que englobou cálculo diferencial e integral, além de ter escrito, em latim, a obra Proposições Filosóficas, publicada em Milão em 1738.  É chamada de notável por uma suma densa e ao mesmo tempo clara de análise algébrica e infinitesimal na obra Instituições Analíticas.
  • Mary Wollstonecraft: Escritora influenciada por Locke e Rousseau. Redigiu “Pensamentos sobre a Educação das Filhas”. Em 1792, escreve “A Reivindicação dos Direitos das Mulheres” extraordinário tratado político-filosófico.
  • Olímpia de Gouges: Se colocou em defesa das minorias, redigindo mais de quatro mil páginas de textos revolucionários, peças de teatro, panfletos, novelas, sátiras, utopias e filosofia. Em sua obra ressaltam-se: “Carta ao Povo”, “Os Direitos da Mulher e Cidadã”. Protestou contra a escravidão negra; colocou-se a favor dos direitos da mulher (divórcio, maternidade, educação e liberdade religiosa). Foi presa por defender os abusados  e degradados, agindo com afinco e maestria, foi condenada a morte na guilhotina
  • Bárbara Heliodora: Foi a primeira poetisa brasileira. Culta e revolucionária, mostrou-se com brio e coragem. Aos 20 anos apaixona-se pelo poeta Alvarenga Peixoto. Bárbara e Alvarenga participaram da organização da inconfidência do país.

REFERÊNCIAS

Clemente de Alexandria, Stromata, Livro IV, Capítulo XIX, Mulheres, assim como homens, são capazes de perfeição.

Lynn M. Osen. Women in Mathematics. [S.l.]: MIT Press, 1975. ISBN 9780262650090 

Mulheres que Mudaram o Mundo.

Spinelli, Miguel. "Filósofos Pré-Socráticos. Primeiros mestres da filosofia e da ciência grega". 2ª ed., Porto Alegre: Edipucrs, 2003, pp.116-117 

WAITHE, Mary Ellen. The history of women philosophers. Volume I. Londres: Kluwer. 

www.brasilescola.com/sociologia/mulher-moderna. 

www.cafehistoria.ning.com/.../as-lutas-e-conquistas-das -mulheres.

www.colegioweb.com.br/historia/periodo neolitico.

www.cristinadepizan.com 

www.revista história viva, edição especial, nº 3, p. 13.

www.sca.org.br/biografias/stahildegarda.pdf 

www.webartigos.com/articles/3781/1mulher-o-feminino-atraves-dos-tempos/pagina1-html

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Saúde alimentar: alguns comentários!

Por Anelissa Carinne dos Santos Silva

Há uma preocupação constante com a comida que vamos ingerir: se ela engorda, faz mal, é saborosa, atrativa, etc... Entretanto esquecemos que, mais importante do que a ingestão de alimentos coloridos e que duram mais tempo nas prateleiras dos mercados ou no armário da nossa cozinha, é alimentar-se de comida que contenha os nutrientes essenciais para o bom funcionamento de nosso organismo.

A desnutrição nem sempre é visível. Pode ocorrer de forma mais sorrateira, quando o alimento ingerido é destituído dos nutrientes que serão transformados em energia para que nosso corpo “trabalhe” adequadamente. Como resultado, surgem processos inflamatórios, fraqueza, dentre outros problemas de saúde.

A nutricionista Luciana Ayer sugere que reflitamos um pouco mais diante de uma refeição, para saber se esta nos fornecerá “matéria-prima” energética. Assim, é interessante que evitemos os produtos industrializados, pois estes não dispõem de todos os nutrientes que precisamos, além de apresentarem alta concentração de produtos químicos que podem ser nocivos à saúde quando ingeridos com frequência.

Ainda a esse respeito, o Ministério da Saúde nos lembra que ingerir comprimidos de vitaminas não substitui uma alimentação adequada com frutas, verduras, legumes e cereais integrais, tampouco é recomendável para a prevenção do câncer.

ALGUMAS DICAS DO GUIA ALIMENTAR DO MINISTÉRIO DA SAÚDE


  • Uma refeição adequada consiste em um prato com alimentos naturalmente coloridos;
  • Cereais, legumes e frutas devem fornecer mais da metade da energia diária de alimentação;
  • É importante diminuir o consumo de açúcares, gorduras, álcool e sal;
  • Tomar água frequentemente: em média 2 litros por dia;
  • Praticar exercícios físicos regularmente;
  • A criança que não ingere os nutrientes necessários para a sua formação pode apresentar problemas de crescimento e desenvolvimento, além de aumentar o risco de contrair certas doenças.

Figura 01 – Dicas para uma Alimentação Saudável. Fonte: Ministério da Saúde.

Por falar em saúde alimentar...


Está em votação o projeto de lei do Senado (PLS) 406/2005 que altera o decreto-lei 986/69, o qual institui normas básicas sobre alimentos comercializados nas escolas. O objetivo é combater a obesidade infantil e buscar garantias de alimentação saudável no ambiente escolar, proibindo as cantinas de comercializar alimentos com baixo teor nutricional ou ricos em açúcar, sal e gordura.

Como está a qualidade de suas refeições?

Faça um teste no seguinte site:



REFERÊNCIAS

BRASIL, Ministério da Saúde. Guia Alimentar. Disponível em: <http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/guia_alimentar_bolso.pdf> Acesso em: Setembro 2013

IFAN. Projeto proíbe alimentos com baixo valor nutricional ou ricos em gordura e sódio em escolas. Disponível em: <http://primeirainfancia.org.br/?p=15113&utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=projeto-proibe-alimentos-com-baixo-valor-nutricional-ou-ricos-em-gordura-e-sodio-em-escolas> Acesso em: Setembro 2013

AYER, Luciana. Conhecer para Transformar. Disponível em: <http://www.lucianaayer.com/#!conhecer-para-transformar> Acesso em: Setembro 2013.

De quem é a cidade? - Parte II

Por Rafael da Silva Tangerina

No texto anterior, fiz uma breve contextualização sobre a construção e desconstrução de territorialidades urbanas, evidenciando as relações de poder que alguns grupos exercem, em especial, nas grandes cidades. Farei agora, um apanhado de considerações de alguns cientistas sociais que se debruçaram em pesquisas e análises sobre os chamados “territórios da prostituição”.

RIBEIRO e MATTOS (1996) destacam que na prostituição feminina de rua, existe uma relação constante entre as mulheres, clientes, vizinhança, comércio, transeuntes, etc. Desta forma, este contato mais amplo com o espaço é fundamental para refletirmos sobre o espaço da cidade em sua diversidade, tanto de pessoas quanto de histórias, sobre um espaço específico, concreto, histórico, político e cultural.

A atividade das mulheres de rua é essencialmente urbana para alguns autores (RAGO, 1991 e 1996; ENGEL, 1986; ROBERTS, 1998) Estes consideram fundamental a relação entre capital, circulação de pessoas e prostituição. Para eles, as cidades favorecem tanto o anonimato quanto os encontros, além de diversas formas de atuação e de controle. 

ENGEL (1986) mostra que o lidar com a prostituição no Rio de Janeiro, no período de 1845 a 1890, incluía fatores políticos, ideológicos e culturais. A maneira de se ver as prostitutas envolvia não só o ideário feminino da época, a dicotomia entre as "boas moças e as outras" como, também, produzia uma série de normas e legislações que procuravam controlar a prostituição.

SOARES (1992) ao estudar em arquivos médicos e policiais da segunda metade do século XIX no Rio de Janeiro, concluiu que, independentemente do motivo a levar as mulheres à prostituição, era decisivo o crescimento da cidade, a ampliação de seus limites, inclusive para antigas zonas de mangue antes desvalorizadas. Essas mudanças no espaço urbano provocavam, também, mudanças no comportamento dos homens e mulheres a viverem nos centros urbanos.

SOARES (1992) nos esclarece que a reorganização e a modernização do espaço urbano envolviam um processo de mudança ideológica e cultural, no qual a necessidade de controle da prostituição era apenas mais um fator. E, para sustentar este ideário, a atitude mais conveniente seria a intervenção, muito mais do que sobre os corpos, sobre os discursos e sobre as práticas relacionadas aos discursos. Nesse contexto, o discurso médico seria um importante aliado, pois, através do médico, a prostituição passaria a ser tratada como doença. E, em um espaço que tem a higienização como meta, deveria ser controlada e aniquilada.

RAGO (1991) estudou a prostituição na cidade de São Paulo, no período de 1890 e 1930. São Paulo aparece como uma cidade em franco desenvolvimento, e a prostituição como um fenômeno urbano de uma sociedade baseada em um sistema de trocas. Neste contexto, a figura da prostituta seria, segundo os registros do início do século, uma imagem da modernidade, pois mostrava que as mudanças sociais no espaço urbano interferiam também nos papéis atribuídos às mulheres, as quais até então, enclausuradas no universo doméstico. Essa revolução no espaço permitia tanto a valorização da prostituta como representante das noites e das festas em bares e cafés, quanto uma leitura da degeneração feminina.

Diante deste panorama, a ebulição da cidade favoreceria a criação de não-lugares, em oposição a lugares (ler texto de Lawrence Malanski “O que é lugar?” neste mesmo blog), com vantagens e desvantagens para o sujeito. 

Em contrapartida, a existência de não-lugares representados por espaços de circulação - como rodoviárias, aeroportos, lanchonetes, clubes, hotéis - comuns em todas as cidades, traria a ameaça de um não-lugar sem sentido ou história. O não-lugar é um risco de aniquilamento para o sujeito visto que, o estatuto de sujeito implica a definição de lugares, de nomes, de histórias que limitam caminhos (CARVALHO 2000).

A cidade seria um lugar de perdições e de fuga, a impor à pessoa o risco de um não-sentido, de se perder. Ou, ao contrário, ao deparar-se com o lugar nenhum, criar um lugar para ser e povoá-lo de afetos. Ao fazerem um mapeamento das áreas de prostituição na cidade do Rio de Janeiro, RIBEIRO e MATTOS (1996) mostram como os afetos interferem na dimensão do espaço e resistem ao tempo e às mudanças de contexto. Os pontos que, no Rio antigo, constituíam locais de circulação de capital e pessoas e eram considerados de grande importância para a economia da cidade, atualmente são pontos de prostituição. Como por exemplo: as Ruas Mem de Sá, Frei Caneca, Praça Tiradentes, Passeio Público, Central do Brasil e Praça Mauá. 

CARVALHO (2000) salienta que os profissionais do sexo (mulheres, homens e travestis) detêm um poder e uma autonomia sobre o espaço e constituem uma territorialidade própria, territorialidade cujos códigos delegam poder a seus ocupantes e permitem o controle de presenças e de ausências, nestes trechos da cidade.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, A.J.P. da S. Regulamentação Sanitária da Prostituição. In: Anais da Academia de Medicina do Rio de Janeiro. Rio, Laemmert, 1890, t. LV, p. 237. Apud: ENGEL, M. Meretrizes e doutores: saber médico e prostituição no Rio de Janeiro (1840 - 1890). São Paulo: Brasiliense, 1989, p. 112. 

CARVALHO, S. As virtudes do pecado: narrativas de mulheres a "fazer a vida no centro da Cidade". [Mestrado] Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública; 2000. 89 p.
RAGO, M. Do Cabaré ao lar, a utopia da cidade disciplinada. Rio de Janeiro, Paz e terra 1997.

_________. Os prazeres da noite: Prostituição e códigos da sexualidade feminina em São Paulo, São Paulo Paz e Terra, 1991.

SOARES, Luiz Carlos. Tentativas de controle da prostituição carioca no séc. XIX, Rio de Janeiro, ed. Brasil, 1985.

RIBEIRO, M. Prostituição de rua e turismo: a procura do prazer na cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, GEOUERJ - Revista do Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, n.3, junho de 1988, p. 53 - 65. 

__________. Territórios da Prostituição de Rua na Área Central do Rio de Janeiro. IN: RIBEIRO,  Miguel Ângelo (Org.). Território e Prostituição na Metrópole Carioca. São João do Meriti, Rio de Janeiro: Ecomuseu Fluminense, 2002.

ROBERTS, N. As Prostitutas na História. RJ. Tradução de Magda Lopes. Record: Rosa dos Tempos, 1998.
SILVA, H. R. S. Travesti – a Invenção do Feminino – etnografia. Rio de Janeiro, Relume-Dumará, Iser, 1993, p.16.

SILVA, B., de. Apud PERLONGHER, N. O negócio do michê: prostituição viril em São Paulo. São Paulo: Brasiliense, 1987, p. 69.

SILVA, J. C. O conceito de território na Geografia e a territorialidade da prostituição. IN: RIBEIRO, Miguel Ângelo (Org.). Território e Prostituição na Metrópole Carioca. São João do Meriti, Rio de Janeiro: Ecomuseu Fluminense, 2002.