quinta-feira, 29 de maio de 2014

EXTRA! EXTRA! GARANTA JÁ SUA ÁGUA RADIOATIVA.

Por: Letícia Patricio Christopholi


E a história começa por volta do ano de 1895, quando Wilhelm Conrad Roentgen se encontra ocupado e muito atento diante de um Tubo de Crookes (tubo, geralmente de vidro, dentro do qual se faz vácuo, com a finalidade de analisar fenômenos físicos da condutividade elétrica), quando de repente seu servente chama sua atenção para uma tela. Era uma placa coberta por Platinocianeto de Bário em que ele observou luminosidade devido a fluorescência do material, e mesmo virando a placa para o lado contrário, continuou a observar o fenômeno. Foi então que resolveu colocar a sua mão entre a placa e o tubo e, surpreendentemente, viu seus ossos projetados naquela tela! E assim finalmente fora descoberto o Raio X.

A descoberta do Raio X desencadeou uma onda fantástica de estudos nos levando a descoberta da radioatividade e, apesar de Antoine Becquerel ganhar destaque pela mesma, na verdade ele apenas repetiu alguns experimentos antes realizados por outros cientistas que procuravam relação entre o Raio X e a fosforescia, no caso de Becquerel, especificamente do urânio. Por conseguinte, outros cientistas passaram a estudar os Raios de Becquerel, Marie Curie foi um deles. A ideia de Marie era localizar outros materiais que emitissem o mesmo tipo de radiação que o urânio, o primeiro elemento foi o Tório, descoberto juntamente com outro cientista, e os próximos foram o Polônio e o Rádio, descobertos com seu marido Pierre Curie. Marie acabou por descobrir que este fenômeno ocorria com outros materiais e lhe deu o nome de "radioatividade".

Diante de todas as descobertas e de tanto artigos publicados, a sociedade ficou atônita, os meios de comunicação espalhavam a notícia da descoberta da radioatividade, destacando o novo elemento Rádio e suas possíveis aplicações comerciais. Como era algo novo, não se tinha o conhecimento necessário para saber os efeitos do uso destes elementos radioativos.

Figura 01 – Propaganda de água radioativa.  
Fonte: http://restosdecoleccao.blogspot.com.br/
Um dos absurdos comerciais resultantes dessa descoberta foi a venda de água radioativa, além de filtros e talhas que prometiam proporcionar radioatividade à água. Tudo começou com a publicação de um artigo por Joseph John Thompson, relatando a presença de radioatividade em águas medicinais que eram provenientes das rochas por onde a água passava, encontrada em Spas e centros de tratamento

Pelo fato de algumas pessoas não terem acesso a esses lugares uma das opções seria água engarrafada, o problema é que a água logo perdia sua propriedade terapêutica devido a desintegração do Radônio e por isso começaram com a venda de talhas e filtros que deveriam garantir a radioatividade da água. A justificativa utilizada era que a água era "desnaturada" por causa do processo de tratamento, os produtos oferecidos, então, restaurariam as suas propriedades terapêuticas. Os benefícios prometidos eram: aumento do número de hemácias, eliminação de venenos do sangue e uma melhor digestão dos alimentos (Mcklis,1990 apud Lima, 2011). 




Além da água, medicamentos, produtos de beleza, dentre outros produtos, foram comercializados. Alguns exemplos se encontram na tabela 01:

Tabela 01 – Tabela de Produtos com Radioatividade adicionada
Fonte: Sociedade Brasileira de 
Química


REFERÊNCIAS:


LIMA, Rodrigo da Silva. O despertar da Radioatividade ao alvorecer do século XX. Disponível em: http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc33_2/04-HQ10509.pdf. Acesso em: 2014.

UFRGS. A descoberta da Radioatividade. Disponível em:
http://www.if.ufrgs.br/tex/fis142/fismod/mod06/m_s02.html. Acesso em 2014.

UFRGS. A descoberta do Raio X. Disponível em: 
http://www.if.ufrgs.br/tex/fis142/fismod/mod06/m_s01.html. Acesso em 2014.

RESTOS DE COLEÇÃO. Águas das pedras salgadas de Vidago.
Disponível em :http://restosdecoleccao.blogspot.com.br/2010/07/aguas-das-pedras-salgadas-e-de-vidago.html. Acesso em: 2014.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

REAÇÃO TERMITE

Por: Alan Eduardo Wolinski


Figura 01 - Reação Termite - Fonte: Flickr.com

A reação conhecida como Termite ou Thermite, é um tipo de reação aluminotérmica, onde o alumínio metálico é oxidado por um óxido de outro metal, normalmente óxidos de Ferro (FeO, Fe2O3 e Fe3O4).  A mistura entre estes reagentes, também é chamada de Termite.

Esta reação é altamente exotérmica (libera energia), onde a temperatura da reação pode ultrapassar 3000°C. Foi inventada em 1893 por Johann Wilhelm Goldschmidt, e patenteada em 1895, sendo conhecido como Processo Goldschmidt. O interesse inicial nesta reação era a obtenção de Metais com alto grau de pureza, porém, por motivos óbvios passou a ser aplicada nos processos de soldagem, utilizada pela primeira vez, para este fim, em 1899 na Alemanha.

A reação se processa da seguinte forma:

Figura 02 -  Reação química.

Os produtos da reação descrita acima, são a mistura do óxido de Alumínio com o Ferro na sua forma pura, que devido à alta temperatura alcançada na reação, esses materiais tornam-se líquidos.

Neste tipo de reação, Fe2O3 pode ser substituído por óxidos de outros elementos metálicos, como por exemplo: MnO2, MgO2 ou Cr2O3 originando os respectivos metais: Manganês, Magnésio e Cromo.
Os reagentes dessa forma de reação são muito estáveis à temperatura ambiente, entretanto quando chegam próximo da temperatura de ignição, seu potencial exotérmico é muito grande, e quando a Termite se inicia, é impossível ser interrompida, já que esta não precisa do oxigênio circundante presente no ar para acontecer, pois tem sua própria reserva, nos óxidos utilizados.
Quando a Termite é iniciada com a mistura úmida, o ferro metálico formado retira o oxigênio presente na água produzindo gás Hidrogênio, que por sua vez, reage com o oxigênio do ar, e dependendo da quantidade de gás formada, pode ocorrer uma explosão.
Uso desta reação:

Neste vídeo temos o exemplo do uso para da Termite (acessado em 05/2014).

REFERÊNCIAS


Isenmann; A. Processos Industriais. Prática do módulo "Alto-forno e aciaria". Aluminotermia - um alto-forno em miniatura. CEFET – MG. Disponível em: http://www.timoteo.cefetmg.br/site/sobre/cursos/quimica/repositorio/roteiros/arq/Aluminotermia.pdf Acessado em 20/04/2014.

http://www.cienciamao.usp.br/tudo/exibir.php?midia=epc&cod=_aluminotermiareacaotermi Acessado em 20/04/2014.

http://pontociencia.org.br/experimentos-interna.php?experimento=177&ALUMINOTERMIA++REACAO+TERMITE Acessado em 20/04/2014.

http://pt.wikihow.com/Fazer-Termite Acessado em 22/04/2014.

terça-feira, 27 de maio de 2014

DINOSSAUROS: SENHORES DO MESOZÓICO - MIRISCHIA

Por: Marcelo Domingos Leal

Figura 01 – Mirischia asymmetrica. Fonte: http://upload.wikimedia.org
O Mirischia asymmetrica tem seu nome derivado do latim e do grego. A primeira parte do nome Mirischia, tem sua fonte no latim (mir = maravilha), e no grego (ischia = pertencente a pélvis). O nome asymmetrica, refere-se ao mesmo possuir feições distintas nos ossos ísquios direito e esquerdo.
Não há registro de quando esta espécie foi encontrada, porém o local foi a região de Araripina, na Chapada do Araripe, no Estado de Pernambuco. A bacia a qual este animal está associado, é a Bacia do Araripe, na conhecida formação Santana, um dos maiores centros fossilíferos do planeta. Seu esqueleto se encontra em exposição no Staatliches Museum für Naturkunde Karlsruhe, na cidade de Karlsruhe, uma cidade independente (kreisfreie Stadt) da Alemanha, capital do distrito homônimo e da região administrativa de Karlsruhe, estado de Baden-Württemberg.

Esta espécie contou com apenas alguns ossos da pélvis, um membro incompleto e algumas vértebras para identificação (duas ao total), o que dificulta e muito a vida dos paleontólogos. Pelo fato de poucas evidências terem sido encontradas, não se sabe ainda a forma exata deste animal, apesar de o formato ser muito parecido com o do compsognathus, ou do maniraptor. Como todos os outros dinossauros, o Mirischia viveu na Era Mesozóica, mas em um período chamado de cretáceo inferior, a cerca de 110 milhões de anos atrás.

Era um dinossauro de porte pequeno, se comparado com outros carnívoros, tendo cerca de 2 m de comprimento, por apenas 50 cm de altura. Seu peso ainda não foi estabelecido, devido as poucas informações do mesmo. Era um animal que praticava o bipedalismo (ou seja, era um bípede), e seus hábitos alimentares incluíam a ingestão de pequenos animais, principalmente insetos. 

PARA SABER MAIS:

ANELLI, L. E. O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil. Ilustrações de Felipe Alves Elias. São Paulo: Peirópolis, 2010.

SMNK – Museu História Natural de Karlsruhe, Alemanha – Disponível em: http://www.smnk.de/


REFERÊNCIAS

ANELLI, L. E. O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil. Ilustrações de Felipe Alves Elias. São Paulo: Peirópolis, 2010.
LEAL, M. D. Apostila Procurando os Dinossauros. Pinhais: PNFM, 2007.

SMNK – Staatliches Museum für Naturkunde Karlsruhe. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.smnk.de/

Brazilian Paleoart – Arte Paleontológica do Brasil – Mirischia Perfil. Acesso em 2014. Disponível em: http://brazilianpaleoart.colecionadoresdeossos.com/2013/09/mirischia-perfil.html

Terra Infográficos – Dinossauros do Brasil – Mirischia asymmetrica.
Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.terra.com.br/noticias/educacao/infograficos/dinossauros-do-brasil/capa.htm

segunda-feira, 26 de maio de 2014

HISTÓRIA DO ELETROMAGNETISMO - PARTE I

Por: Ana Caroline Pschedit


AS PRIMEIRAS OBSERVAÇÕES 

Podemos dizer que o homem, sempre observou fenômenos eletromagnéticos, mesmo sem saber da existência da eletricidade ou do magnetismo, sendo muito difícil definir exatamente quando o homem tomou esse conhecimento.

Existem registros de que Tales de Mileto (640 - 550 a.c) filósofo pré-socrático, já conhecia a magnetita, pedra com um comportamento um pouco estranho. Conta-se que um pastor chamado Magnos, percebeu que algumas pedras grudavam em seu cajado de ferro, estas ficaram conhecidas como magnetitas. Essa rocha, composta por ferro e oxigênio (Fe3O4) é um composto ferromagnético, ou seja, na presença de um campo magnético, pode se imantar fortemente, tendo comportamento parecido com o de um imã.  Da palavra magnetita surgiram os termos magnetismo, magnético e etc.

Outro fenômeno também observado por Tales foi a eletrização por atrito. Após esfregar um pedaço de lã ou couro em um pedaço de âmbar ( seiva endurecida de algumas árvores) percebeu que este passava a atrair pequenos objetos como penas ou poeira. Apesar de ser o responsável pela percepção de um fenômeno elétrico o filosofo não conseguiu explicar o que ali acontecia.  Âmbar, em grego, significa elektron, assim mais tarde sugiram as palavras elétron, eletricidade e etc.


A EXPERIMENTAÇÃO

William Gilbert (1544- 1603)  médico Londrino, em 1600 publicou a obra “De Magenete”,  onde expõe uma grande quantidade de conhecimentos adquiridos a partir de experiências. Foi também um dos primeiros a começar a experimentar com certo método os fenômenos observados por Talles. Em suas experiências ele descobriu que vários materiais podiam adquirir característica parecida com a do âmbar. Até então imaginava-se que a atração da magnetita e do âmbar seria o mesmo fenômeno, mas Gilbert conseguiu distinguir a eletricidade e o magnetismo, mostrando que são efeitos diferentes. O médico também conseguiu verificar o campo magnético terrestre, definindo a terra como um imã gigante.  Em sua obra foi citado pela primeira vez o termo eletricidade.

Apesar das experiências de Gilbert, a pesquisa nesta área caminhava de forma lenta, havia grandes dificuldades,  afinal sempre que se precisava de eletricidade era necessário atritar dois materiais, manualmente, e utilizá-los rapidamente antes que perdessem a carga elétrica adquirida com o atrito.  Otto Von Guericke (1602-1686) foi um personagem importante para o progresso desses estudos, ele construiu o primeiro eletrizador “automático”, facilitando os experimentos com eletrostática.  A máquina (veja na figura 01) trata-se de uma esfera controlada por uma manivela, ao girá-la, a esfera conectada a ela também gira e atrita-se com a base da maquina, gerando uma grande quantidade de carga, reproduzindo na verdade o mesmo processo manual de atritar dois materiais diferentes.


Figura 1 – Máquina de Otto Von Guericke - Fonte: www.coe.ufrj.br


Na Holanda, em 1745, Peter von Musschenbroek, professor da universidade de Leyden , criou um aparato experimental que se tornaria muito importante para a ciência. Tratava-se de um tubo metálico cheio de água, em seu interior um fio de cobre que ficava conectado a uma máquina eletrizadora.  Primeiramente Peter não  percebeu que o tubo estava armazenando carga elétrica e o deixou sobre uma bancada. Um de seus alunos desavisados, encostou no tubo metálico e no fio ao mesmo tempo, o resultado foi um intenso choque que quase levou o estudante a morte.  Assim nasceu a garrafa de Leyden, um equipamento que poderia armazenar eletricidade. Agora a eletricidade gerada na maquina de Otto Von Guericke poderia ser armazenada e levada a qualquer lugar para fazer experimentos.


ELETRICIDADE PRATICA E QUANTITATIVA


Figura 02 – Para Raios 
Fonte: www.comofazer.com.br

Neste momento da história vários pesquisadores ao mesmo tempo se interessam pela eletricidade e diversos experimentos acontecem simultaneamente.

Benjamin Franklin (1706-1790) fazendo diversos experimentos com hastes metálicas e pipas descobriu que os raios eram fenômenos elétricos. Foi também o inventor dos pára-raios. Agora os estudos a cerca da eletricidade começaram a ganhar utilidade prática, neste caso proteger as pessoas de descargas elétricas naturais.

Charles Augustin de Coulomb (1735-1806), utilizando uma balança de torção, em 1785, comprovou a lei que viria a ter o seu nome: 1ª lei de Coulomb. A lei e Coulomb traz a possibilidade de um estudo quantitativo sobre a eletricidade.

A Lei de Coulomb enuncia que: a intensidade da força elétrica de interação entre cargas puntiformes é diretamente proporcional ao produto dos módulos de cada carga e inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa.

Até aqui o estudo sobre eletricidade e magnetismo evoluiu bastante, porém terá uma evolução ainda maior com a invenção da pilha e a utilização da corrente contínua.
No próximo texto: História do Eletromagnetismo II, conheceremos mais sobre esta história.


REFERÊNCIAS:


Artigo:  A história do Eletromagnetismo. Disponível em:
http://www.ifi.unicamp.br/~lunazzi/F530_F590_F690_F809_F895/F809/F809_sem1_2003/992558ViniciusIsola-RMartins_F809_RF09_0.pdf.

Artigo: Suscetibilidade magnética do horizonte B de solos do Estado do Paraná. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-06832010000200006

Artigo: a história do eletromagnetismo e o fenômeno da supercondutividade
Disponível em: http://pt.slideshare.net/camargolucy/a-histria-do-eletromagnetismo-e-o-fenmeno-da-supercondutividade

BREVE HISTÓRICO DA UTILIZAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS DA APA DO IRAÍ

Por: Luiza Valeria Canales Becerra

Localizada na Região Metropolitana de Curitiba, abrangendo partes dos municípios de Pinhais, Piraquara, Quatro Barras, Campina Grande do Sul e Colombo, a Área de Proteção Ambiental do Iraífoi instituída pelo Decreto Estadual 1.753, de 6 de maio de 1996, visando “a proteção e conservação da qualidade ambiental e dos sistemas naturais existentes, em especial, a qualidade e quantidade de água para fins de abastecimento público (...)”.

Figura 01-Descendo a Serra do Mar com tropas de
 erva mate. Gravura de Jean Leon Pallière - 1860.
Fonte: wikipedia.org
O uso dos recursos naturais da região da APA do Iraí remonta aos índios Tingui, primeiros habitantes da região e aos jesuítas, que se estabeleceram em duas fazendas, aos pés da Serra da Baitaca, atual Borda do Campo. Ali permanecendo até 1750, quando foram expulsos dos domínios portugueses.

No início do século XVII, garimpeiros de ouro, bandeirantes e povoadores dos campos de Curitiba, utilizavam o caminho do Itupava, aberto pelos índios, passando por Quatro Barras, como principal via de comunicação entre o litoral e o planalto de Curitiba.

Entretanto, os maiores impactos ao meio ambiente da região, aconteceriam em meados do século XIX, com a exploração da erva mate (Ilexparaguaienses), que fomentava a exploração da floresta e a exploração da madeira,em Quatro Barras, para a fabricação de barricas para armazenar a erva mate (FERRARINI, 1987).

A exploração predatória da floresta teve início em torno de 1871, com a instalação da Companhia Florestal Paranaense, em Quatro Barras, próximo a Serra da Baitaca. Intensificadacom a melhoria da estrada da Graciosa na década de 1870 e com a construção da Ferrovia Curitiba-Paranaguá, inaugurada em 1885.  Tornando viável a derrubada da Floresta Atlântica, para beneficiar a madeira do pinheiro (Araucária angustifolia), da imbuia (Ocotea porosa) e da peroba (Aspidospermaolivaceum) (PINHEIRO MACHADO, 1969).

Com a chegada dos colonos europeus, começa a derrubada da floresta para a lavoura e uso da madeira para construir casas. As novas serrarias e a alimentação das caldeiras das locomotivas também favoreceram o aumento do grau de destruição da floresta. Em 1930, a madeira era o principal produto de exportação do Paraná. A exportação só diminui com o esgotamento de toras para serraria e avanço da cultura cafeeira.
Figura 02- Pedreira em Quatro Barras
Fonte: panoramio.com

No início do século XX, começa a lavra de extração mineral na Serra da Baitaca.  A atividade mineradora deixa enormes crateras, mudando a aparência da paisagem e modificando as condições ambientais da região.

REFERÊNCIAS

PARANÁ. Decreto n. 1.753, de 6 de maio de 1996.Diário Oficial do Estado do Paraná, Curitiba, 6 mai. 1996.

FERRARINI, Sebastião. História de Quatro Barras, Curitiba: Educa, 1987.

PINHEIRO MACHADO, Brasil. História do Paraná, Curitiba: Grafipar,1969.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

LOGÍSTICA REVERSA - UM BOM INVESTIMENTO?

Por: Anelissa Carinne Dos Santos Silva


Figura 01 – Sustentabilidade
Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br
Estamos rodeados de inúmeras opções de bens de consumo. A competitividade é alta entre os diversos segmentos empresariais. Além disso, os consumidores mostram-se cada vez mais interessados em produtos “sustentáveis”.
Embora a legislação brasileira ainda tenha muito que evoluir no sentido de apoiar esta forma de serviço, as empresas tem, cada vez mais, optado pela Logística Reversa (LR) para atrair/fidelizar clientes. 



De acordo com Hernández et al. (2012), as empresas que optam por receber de volta seus produtos usados, para reciclagem, tem certas vantagens competitivas: podem economizar de 40% a 60% ao fazer remanufatura de suas mercadorias, evitam desperdício de matéria-prima, melhoram sua imagem diante dos clientes e diminuem o consumo de energia elétrica no processo de fabricação de seus itens. Há também ganhos sociais, como geração de empregos. Entretanto ainda há dificuldades de mensurar os ganhos reais durante a execução de um projeto como esse, além de que haveria a necessidade de o cliente entender a importância da coleta seletiva como benefício social e ambiental.
Um exemplo de Logística Reversa onde a propaganda também se faria necessária nos é dado por Chaves & Batalha (2006), citando a união de uma empresa de reciclagem de alumínio à uma rede de hipermercados a fim de melhorar a imagem corporativa da rede de varejo. Em análise da amostra obtida em abordagem pessoal a clientes destes locais, estes autores concluem:

“A pesquisa constatou que a logística reversa não é um fator de influência na decisão sobre o local de compra. […] A existência de um sistema logístico reverso não é um elemento qualificador e, sim, uma atividade ganhadora de pedido, pois ele oferece um serviço específico que, muitas vezes é determinante na escolha do fornecedor. No entanto, para a campanha de incentivo à reciclagem de embalagens ser mais eficiente e abrangente é necessário que a rede de hipermercados e a empresa recicladora despendam um maior esforço na divulgação dos Centros de Coleta e na motivação dos seus clientes para a campanha. ”


MEIO AMBIENTE
De acordo com o Ministério das Cidades, somente 9% dos resíduos gerados pelos brasileiros é reciclado. Aproximadamente 35% do volume não reciclado poderia ser destinado à reciclagem e outros 35% poderiam ser transformados em adubo orgânico (GONÇALVES-DIAS, 2006). 
Ao invés disso, o impacto gerado pela produção das embalagens é duplo: ao mesmo tempo que os recursos são extraídos cada vez mais intensamente, aumenta o desperdício da matéria-prima, exigindo maiores investimentos para compensar os problemas causados pelo descarte incorreto destas mesmas embalagens.


PARA SABER MAIS:

Política Nacional de Resíduos Sólidos. Disponível em: http://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/1024358/politica-nacional-de-residuos-solidos-lei-12305-10

REFERÊNCIAS

CHAVES, G. L. D.; BATALHA, M. O. Os consumidores valorizam a coleta de embalagens recicláveis? Um estudo de caso da logística reversa em uma rede de hipermercados. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-530X2006000300006&lang=pt
GONÇALVES-DIAS, S. L. F. Há vida após a morte: um (re)pensar estratégico para o fim da vida das embalagens. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-530X2006000300009&lng=pt&nrm=iso
HERNÁNDEZ, C. T; MARINS, F. A. S.; CASTRO, R. C. Modelo de Gerenciamento da Logística Reversa. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-530X2012000300001&lang=pt

terça-feira, 20 de maio de 2014

O QUE É DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL?

Por: Aline Veiga

Figura 01: Desenvolvimento sustentável. 
Fonte: http://www.scielo.oces.mctes.revistas

Os modos de produção e organização das sociedades modernas geram há muitas décadas, grandes demandas sobre os recursos naturais, pois o processo de crescimento econômico só foi possível a partir da apropriação do espaço ambiental.  Como tentativa de solucionar questões de uso e ocupação do solo que geram desigualdades sociais e grandes impactos ambientais, surge o termo desenvolvimento sustentável.

Este termo foi descrito pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente das Nações Unidas, em 1987, no Relatório Brundtland, também conhecido como Nosso Futuro Comum. O relatório definiu desenvolvimento sustentável como sendo o processo que permite crescimento e desenvolvimento econômico das sociedades atuais, sem gerar ameaças ao desenvolvimento das sociedades futuras, como citado no relatório: “[...] aquele que atende às necessidades do presente, sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades.” (ONU, 1987).

Figura 1: Definição de desenvolvimento sustentável.Fonte: http://www.scielo.oces.mctes.revistas


Porém, pode-se considerar que o termo desenvolvimento sustentável foi utilizado pela primeira vez em um relatório publicado em 1980, intitulado World ConservationStrategy – Living resourceconservation for sustainabledevelopment, pela IUC (International Union for theConservationofNature). Neste relatório, foram tratadas questões sobre a depredação dos recursos naturais, em decorrência da sustentação dos modos de produção das sociedades urbano-industriais. Em sua publicação, foi muito criticado, por ter sido entendido como um documento que pregava atrasos ao desenvolvimento econômico.

A pesar de o termo passar a ser reconhecido em documentos legais a partir da década de 1980, discussões sobre desenvolvimento sustentável ocorrem desde 1960. Sendo muito intensificadas nos anos de 1990, quando ocorre certa confluência entre as políticas ambientais e a política do neoliberalismo. Ou seja, apresentavam-se leis e normatizações voltadas a proteção ambiental, mas os estados mostravam-se dispostos à aberturas, em busca de crescimento econômico.

É importante lembrar que o conceito de desenvolvimento sustentável não está relacionado somente a questões de equilíbrio em relação aos recursos naturais, mas também se referem ao desenvolvimento social. O desenvolvimento sustentável deve buscar crescimento econômico sem que haja segregação social, ou seja, prevê que os recursos sejam distribuídos de modo igualitário entre a sociedade, sem gerar classes de excluídos.

Ainda hoje, os modos de produção voltados para grande industrialização geram conflitos entre o crescimento econômico e as formas de sustentação desse sistema, que depende de grande consumo de energia e recursos naturais. Podemos considerar alguns dos modos de produção atuais insustentáveis, ao passo da impossibilidade de renovação dos recursos em relação a sua utilização.

REFERÊNCIAS


ONU. Nosso Futuro Comum (1987). Disponível em: <htpp//www.onu.org.br/rio20/documentos/>. Acesso em: Maio, 2014.

LASCHEFSKI, Klemens. Caderno Metrópoles: Sustentabilidade e Justiça Socioambiental nas Metrópoles. São Paulo, v. 15, n. 29, p. 143-169. Jan/jun 2013.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

MATEMÁTICA NA ANTIGUIDADE: ORIENTE MÉDIO – PARTE I

Por: Wellington Schühli De Carvalho

Tudo que sabemos da história vem de fontes e os mesopotâmios deixaram muitos registros através dos utensílios e tabletes de argila, com alguns datando de cerca de 4000 anos A.C.. Neste texto utilizaremos o termo mesopotâmico, pois trataremos da matemática de povos que viviam nessa região, entre eles os babilônicos.

Uma das motivações para a criação de um raciocínio matemático era o comércio: como realizar a troca de mercadorias e o seu armazenamento influenciou de maneira direta os povos para o começo de uma matemática primitiva. Um exemplo deste pensamento são os utensílios utilizados na economia para manter controle sobre os produtos, ou seja, os tokens. Estes objetos de argila apresentavam diversos formatos: cones, esferas, discos, cilindros, etc. e cada um estava associado a uma unidade ou quantidade de um tipo de insumo, por exemplo, uma jarra de óleo poderia ser contada com um ovoide, duas jarras de óleo poderiam ser contadas com dois ovoides e uma pequena quantidade de trigo era representada por uma esfera. Os tokens eram guardados em invólucros de argila e marcas eram feitas no exterior com os próprios tokens nas formas contidas no seu interior. Trata-se de uma maneira de contar bem rudimentar.

Figura 01 - Tokens e invólucro. Fonte: www.utexas.edu
A substituição de tokens por impressões foi o primeiro passo para a escrita. Na mesopotâmia a origem da escrita está amarrada com a origem da matemática, principalmente com a necessidade de contar. A primeira mudança é de impressões dos invólucros para os tabletes de argila. Um trabalho que já era feito nos invólucros, agora não há mais a necessidade de guardar os tokens. Nessa mudança os símbolos associados ao insumo ainda persistem, é preciso uma noção de abstração para utilização de quantidades para qualquer elemento. Com o decorrer do tempo houve outra mudança, as marcas que representavam quantidades eram acompanhadas de ideogramas que referiam aos objetos que estavam sendo registrados. Há aqui um grande avanço em relação a abstração. É um grande passo para a escrita, pois os registros das quantidades poderiam servir para coisas de naturezas diferentes.

A região possuía uma economia intensa e com a representação de números surge a necessidade de usar sistemas de medidas. Os tabletes mostram que na mesopotâmia havia mais de seis sistemas de capacidade usados para diferentes tipos de grãos e líquidos. Objetos discretos – por definição objetos discretos são aqueles que podem ser enumerados por inteiros. – eram contados na base 60, outros produtos eram contados na base 120 e existiam métodos para contar tempo e áreas. Os símbolos usados para a contagem no sistema de medida eram símbolos chamados de protocuneiformes, pois antecederam as escrita cuneiforme.

Figura 02 - Algarismo protocuneiformes e algarismos cuneiformes. Fonte: portaldoprofessor.mec.gov.br

Figura  03: tablete com escrita cuneiforme. Fonte: Wikimedia.com
Ao final do terceiro milênio o sistema se estabiliza e neste momento ocorreram duas mudanças fundamentais. A primeira delas, a função de contagem de objetos discretos que os sinais tinham no sistema protocuneiforme, foi transformada e eles passaram a ser usados para fazer cálculos. A segunda mudança é que o mesmo sinal passou a ser usado para representar valores diferentes.

Os babilônios usavam dois símbolos, que poderiam representar qualquer número dependendo de sua posição. É o sistema sexagesimal posicional. O mesmo número poderia ser utilizado para representar 1, 60 e 3600 e outro símbolo poderia ser utilizado para representar 10, 600 e 36000. Podemos observar que os babilônios usavam uma combinação de base 60 e 10, pois os sinais mudam de 10 em 10. É um sistema aditivo, pois para construir alguns números é necessário repeti-los.

Figura 04: Números mesopotâmicos. Fonte: Wikimedia.com

Figura 05: Números Babilônios. Fonte: Wikimedia.com

O sistema que utilizamos hoje é um sistema decimal posicional, no número 297 observamos que o 2 não tem valor igual a dois, pois a sua posição é a da centena, assim também é com o número 9 que está na posição das dezenas, já o 7 possui o valor do próprio algarismo porque ocupa a posição das unidades. Uma forma de entender como o sistema decimal é utilizado é através das potencias de base 10. O número 297 pode ser escrito da seguinte maneira: 2 x 102 +  9 x 101 + 7 x 100  que é igual a 297 no sistema decimal. Nosso sistema, assim como o sistema dos babilônios, é um sistema aditivo. Como ficaria o número 297 no sistema sexagesimal? Podemos fazer uma “tradução”: 2 x 602 +  9 x 601 + 7 x 600  que é igual a 7747 no sistema decimal.

Obviamente com a falta de símbolos o sistema de numeração dos babilônios apresentaram problemas. Na tabela abaixo podemos observar que com um mesmo símbolo podemos escrever vários números. Como distinguir?
Tabela 01 - Conversão de Símbolos. 

Em um momento os babilônios utilizavam um símbolo maior para representar o 60 e um símbolo menor para representar o 1. Após a padronização dos símbolos eles começaram a deixar um espaço vazio entre os números, semelhantemente ao zero que utilizamos no sistema indo-arábico para diferenciar 11 de 101. Mais tarde os escribas desenvolveram o símbolo   como um separador, assim como fazemos com o zero, mas ele não tinha a função de representar a quantidade zero.

Os babilônios desenvolveram a matemática em um nível muito elevado. Tabletes de cerâmica revelam que eles resolviam as quatro operações básicas, além da potenciação e raízes quadradas. Resolviam também problemas que envolviam equações. Seus métodos não eram como os nossos. Eles utilizavam conceitos de comprimento, largura e áreas. Havia também problemas de investigação sobre formas, áreas e volumes.

Podemos, portanto, concluir que os babilônios desenvolveram a matemática em um nível muito elevado, pois os tabletes de cerâmica revelam que eles resolviam as quatro operações básicas, além da potenciação e raízes quadradas. Observamos também a resolução de problemas que envolviam equações e a utilização de conceitos de comprimento, largura e áreas, com até mesmos problemas de investigação de formas, áreas e volumes. Seus métodos não eram como os nosso, mas possuem um valor inestimável para a história da matemática moderna.

REFERÊNCIAS

FLOOD, raymond. A História dos Grandes Matemáticos. 1.ª Edição, São Paulo, EditoraM. Books do Brasil, 2013.

ROQUE, Tatiana. História da Matemática: uma visão crítica, desfazendo mitos e lendas. 1.ª Edição, Rio de Janeiro, Editora Zahar, 2012.

domingo, 18 de maio de 2014

TRANSPORTE NO CONTINENTE AFRICANO

Por: Marcelo Domingos Leal


Figura 01 – Sistema Transporte Africano:
Fonte: http://upload.wikimedia.org
Quando pensamos em transporte para ligar um imenso continente como o africano, logo imaginamos trens (bala ou convencional), um belo transporte marítimo, estradas cortando todo o continente e aeroportos grandes e eficientes. Porém, esta não é a realidade do continente mais pobre (não de recursos, mas de investimentos) do planeta. Na África, o transporte é voltado basicamente para a indústria e o comércio, sendo que o transporte público voltado para trabalho ou lazer praticamente não existe, e esta situação agrava mais a precária situação econômica do continente.

INDÚSTRIA E TRANSPORTE

Como o transporte no continente africano está ligado diretamente ao setor industrial e de exportação, não podemos deixar de falar da indústria africana antes de falar no transporte. Todos os países do continente, exceto a África do Sul, fazem parte do Terceiro Mundo, exibem os mesmos problemas que caracterizam os integrantes desse bloco, agravados ainda pelo fato de que em boa parte da África a descolonização ocorreu recentemente.

A indústria africana é uma das mais pobres do mundo, e sua participação na economia do continente se limita a cerca de 26% do PIB, sendo que o setor mais proeminente é o da mineração. Mesmo a grande variedade de matérias-primas, sobretudo minerais, que poderia ser utilizada para promover a indústria africana, é destinada basicamente ao mercado externo.

Atuando nesse panorama, as modestas indústrias africanas dedicam-se, em geral, ao beneficiamento de matérias-primas, como madeiras, óleos comestíveis, açúcar e algodão, ou ao beneficiamento de minérios para exportação. As poucas cidades que apresentam algumas indústrias estão quase sempre no litoral.

As indústrias têxteis e alimentícias, voltadas para o mercado interno, encontram-se em todos os países do continente, enquanto na África do Sul, no Egito e na República Democrática do Congo estão instaladas as principais indústrias de base (siderúrgicas, metalúrgicas, usinas hidrelétricas etc.). Essa circunstância justifica o fato de a África do Sul e o Egito serem os países mais industrializados do continente.

Agora, o sistema de transporte. Este é bastante precário, e constitui um entrave ao desenvolvimento industrial. Este sistema foi implantado pelos colonizadores, e tinha como principal finalidade possibilitar o escoamento de matérias-primas e gêneros agrícolas para os portos marítimos, de onde os produtos seguiam para as metrópoles européias e americanas. Por isso, hoje a África ressente-se da falta de uma rede rodoviária e ferroviária que interligue de forma eficaz suas regiões.

O transporte mais utilizado pela população em geral, é o aéreo, e isto se dá pelo simples fato das distâncias serem exorbitantes, e de que não existem outras formas eficientes de transporte para cobrir estas distâncias. Mas o sistema aéreo africano ainda conta com uma série de problemas, como má gestão dos aeroportos, ou a precariedade dos mesmos, falta de opções de rotas para dentro do continente (a  Europa ainda é o principal destino dos voos e concentra 56% do tráfego aéreo), além da falta de segurança em algumas regiões apontada por alguns especialistas. Apesar dos problemas, a percentagem de acidentes aéreos no continente diminuiu nos últimos anos, tendo passado de 15.68%, em 2010, para 6.17% em 2011, e vem caindo continuadamente.

A respeito do sistema ferroviário, foi implantado na época da colonização do continente pelos europeus, e tinha como principal objetivo escoar matéria-prima (carvão, minerais, madeira, produtos agrícolas, etc...) para os portos. Grande parte das linhas de trem estão próximas ao litoral, demonstrando ainda mais sua vocação para o tráfego de mercadorias aos portos. No interior do continente encontram-se poucas opções para este tipo de transporte, e então viagens a lazer ou mesmo a trabalho entre estados e países, tornan-se difíceis de serem realizadas. Além disso, este sistema conta com mais de 100 anos de operação, pois como já escrito, foi implantado ainda na época da colonização.

O sistema rodoviário é um dos mais precários do continente, contando com poucas estradas para ligar os países, e consequentemente o continente. Um dos motivos da não utilização deste meio de transporte pelos africanos, além da falta de estradas, é o valor dos automóveis, que são muito caros e fora dos padrões de grande parte da população. As poucas estradas que existem ligam quase que exclusivamente as regiões produtoras e fornecedoras de matéria prima aos portos.

Porém, atualmente um grande plano vida mudar esta situação, pelo menos no quesito transporte rodoviário. A Rede Rodoviária Transafricana (figura 02 abaixo) visa ser um conjunto de projetos rodoviários transcontinentais que estão sendo desenvolvidos pela Comissão Econômica da ONU para a África (UNECA), o Banco Africano de Desenvolvimento, e a União Africana em conjunto com comunidades internacionais regionais, como a União do Magreb Árabe, a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental e a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral. Esta infraestrutura rodoviária visa promover o comércio e diminuir a pobreza na África, mediante o desenvolvimento da infraestrutura das rodovias e a administração de corredores comerciais inter-africanos. O comprimento total das nove rodovias compreendidas na rede será de 5.668,30 km, e esta rede como está planeada conectará todas as nações do continente africano, com as exceções de Eritreia, Somália, Guiné Equatorial, Malauí, Lesoto e Suazilândia. Destes países, Malauí, Lesoto e Suazilândia contam com caminhos pavimentados que se conectam com a rede transafricana.

O sistema hidroviário africano conta com grande tráfego de navios de portos para portos, localizados nos Oceanos Atlântico e Índico, porém com pouca infraestrutura no que diz respeito ao transporte por rios, e isso devido a geografia do continente. O relevo africano caracteriza-se pelo predomínio de grandes tabuleiros, ou seja, praticamente todo o continente é composto por planaltos bastante planos. Sendo assim, a maioria dos rios africanos percorre área planálticas, ganhando assim velocidade nos aclives do terreno, impossibilitando a implantação de um sistema hidroviário continental eficiente. Além desta situação, a África conta com grandes áreas desérticas, e consequentemente poucos rios, sendo que os que existem são mais apropriados para a construção de hidroelétricas do que para transporte.

Então, apesar de existir um sistema de transporte pelos oceanos, este dedicasse quase que exclusivamente à exportação, sendo que o transporte de passageiros é quase inexistente.


Figura 02 – Rede Rodoviária Transafricana - Fonte: http://upload.wikimedia.org

REFERÊNCIAS

África – Geografia Humana: População, Organização Social, Economia, Indústria e Transporte. Acesso em: 2014. Disponível em: http://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/africa---geografia-humana-populacao-organizacao-social-economia-industria-e-transportes.htm

Jornal Economia e Finanças – Investimento nos Transportes é Desafio dos Países Africanos. Acesso em: 2014. Disponível em: http://jornaldeeconomia.sapo.ao/infraestrutura/investimento-nos-transportes-e-desafio-dos-paises-africanos

ANG Notícias. Africanos Preocupados com Segurança da Aviação Civil. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.angonoticias.com/Artigos/item/35269/africanos-preocupados-com-seguranca-da-aviacao-civil

quarta-feira, 14 de maio de 2014

CONTINENTES E RAÇAS – PARTE 1

Por: Marcelo Domingos Leal

Figura 01 – “Raças” Humanas
Fontes: biologiaprofena.blogspot.com.br/



A HISTÓRIA DAS “RAÇAS”

Desde a Antiguidade, a mentalidade ocidental convive com a ideia de que os seres humanos estão divididos em “raças”. Mas foi no decorrer do século XIX, quando os países europeus necessitavam justificar seus projetos de expansão imperialista, que uma grande parte dos seus recursos intelectuais foram utilizados em definir e hierarquizar as “raças” que compõem nossa espécie.

Para classificar a variedade de fenótipos humanos, muitos cientistas trabalharam exaustivamente, e sua influência deu credibilidade à afirmação de que os brancos de origem europeia ocupariam os estágios mais elevados do desenvolvimento, em detrimento dos não-brancos, invariavelmente identificados com o atraso.

Muitas pessoas ganharam celebridade ao expor o resultado de suas pesquisas que, de alguma forma, reforçavam um suposto determinismo biológico aplicado às sociedades humanas, um darwinismo social. Para auferir crédito às asserções, executavam tendenciosamente análises da anatomia de grupos humanos, utilizando, inclusive, instrumentos da antropologia criminal da época, como a craniometria, por exemplo, para classificar os povos e estabelecer correlações entre aparências físicas e aptidões. 

As classificações da diversidade humana, baseadas na morfologia física e no conceito de “raça”, sobrepunham igualmente aspectos do comportamento e formas de pensar e sentir (aspectos sócio-culturais). O evolucionismo darwinista inspirara, inicialmente, uma hierarquização da diversidade humana e das “raças” em que a “raça branca” estaria no ápice da escala de evolução, devido à sua “superioridade” tecnológica e, acreditava-se, moral (etnocentrismo evolucionista que, na antropologia social ou cultural, teve também grande influência).

A ciência do século XIX dava então ao racismo o fundamento que lhe permitia justificar a escravização criminosa de milhões de africanos e índios, e autorizava ao homem branco a contradizer de modo convincente o 1.º artigo da "Declaração Universal dos Direitos do Homem" de que os seres humanos nascem livres e iguais. Entre os resultados práticos da noção de que a humanidade se divide em raças, e que algumas são superiores e outras inferiores, está o extermínio de 6 milhões de judeus pelos nazistas nas décadas de 1930 e 1940. 

Entretanto, com o progresso da genética e da biologia molecular, biólogos e antropólogos observaram que nenhum gene humano é específico de uma raça e que todas as populações têm mais ou menos a mesma carga gênica. As suas conclusões são de que nem a genética e nem bioquímica fornecem qualquer subsídio para justificar a existência do conceito "raças humanas". A pequena diferença genética entre os seres humanos (que inclui poucos genes que resultam na aparência física como a cor da pele, largura ou comprimento do nariz, pregas das pálpebras, tipo de cabelo, etc.), em contrapartida a grande quantidade de genes compartilhados pelas “raças” não justifica a classificação da sociedade em raças. Porém, não podemos deixar de citar que entre um europeu, um africano e um asiático existem diferenças físicas que qualquer um pode enxergar. Essa diversidade apareceu ao longo do tempo, à medida que o homem precisou se adaptar aos diversos ambientes e regiões ao qual foi dominando durante os milênios. Ao chegar e se estabelecer num local mais frio e pouco ensolarado, por exemplo, uma pele mais clara ajudava a aproveitar melhor os raros raios solares – importantes, entre outras coisas, para o corpo produzir vitamina D –, e um nariz mais comprido ajudava a aquecer o ar antes de chegar às vias respiratórias. Dessa forma, toda essa população clareava sua pele ou “adquiria” narizes mais afilados e longos, geração apos geração, por meio da seleção natural e sexual. Então, essa pequena quantidade de genes diferentes está geralmente ligados à adaptação do indivíduo aos diferentes ambientes ao qual este foi exposto.

Mas, apesar das diferenças físicas, todos eles tiveram os mesmos ancestrais, que, provavelmente, viviam na África há, no mínimo, 150 mil anos. De lá, o homem começou a invadir outras regiões e continentes. Primeiro, o Oriente Médio, depois, a Ásia, a Europa e a Oceania. Por último, chegou aqui na América, quando a variedade de tipos humanos já era um fato.

Assim, logo depois da Segunda Guerra Mundial, portanto após a derrota de Hitler e de suas ideias, foram realizados encontros, com o apoio institucional da UNESCO, em que participaram cientistas sociais e geneticistas, os quais, diante das evidências, decidiram elaborar a "Declaração Sobre Raça" em que aparecia a afirmação de que "raça é menos um fato biológico do que um mito social". 

Desde então, alguém que defenda tal coisa corre o risco de ser visto como quem procura chifre em cabeça de cavalo, porque a evolução da pesquisa científica alcançou outro paradigma: há uma única raça humana. Como consequência desse progresso, a discriminação aos não-brancos deixou de ter respaldo científico e passou a ser vista como um produto sócio-econômico. 

Apesar de que esse progresso da ciência contemporânea não é contínuo, ele teve, tem e terá alguns retrocessos. Um exemplo destes retrocessos foi a publicação em 1994 do livro intitulado "A Curva do Sino" (The Bell Curve) em que os autores, sem apresentar nada de novo, tentavam demonstrar a inferioridade nata dos negros através do cruzamento de estatísticas geradas por testes de inteligência no continente africano. Seus resultados são tão absurdos que a simples citação de alguns nomes de negros que se destacaram no cenário intelectual, como Cheik Anta Diop, Nelson Mandela, Milton Santos, Joaquim Barbosa, Malcon X ou Martin Luther King, já seria suficiente para jogar por terra os seus pressupostos. Um dos argumentos deste livro está relacionado também com os testes de Q.I. norte-americanos, que geram uma forte discussão, pois nestes os negros norte-americanos, historicamente obtêm cerca de 15 pontos a menos que os brancos. Porém, devemos ressaltar que estes números podem estar associados a condições familiares, sócio-econômicas e estruturais, e não de capacidade neural.

Embora cientificamente inadequado, já que o conceito não corresponde a nada que exista na natureza, a ideia de raça sobrevive como construção ideológica e cultural. Assim, não pode haver dúvida que o uso da expressão "raça" continua representando uma concepção social, política ou cultural, mesmo que nunca mais seu significado denote um produto da evolução natural da espécie humana.

Na atualidade não existe nenhuma sociedade ou grupo social que não possua a mistura de etnias diferentes. Há exceções como pouquíssimos grupos indígenas que ainda vivem isolados na América Latina ou em algum outro lugar do planeta. Mas, de modo geral, as sociedades contemporâneas são o resultado de um longo processo de miscigenação de suas populações, cuja intensidade variou ao longo do tempo e do espaço.
O conceito “miscigenação” pode ser definido como o processo resultante da mistura a partir de casamentos ou coabitação de um homem e uma mulher de etnias diferentes. A miscigenação ocorre da união entre brancos e negros, brancos e amarelos e entre amarelos e negros. Como visto nos parágrafos iniciais deste texto, este conceito de “raças” surgiu no século 18 e 19, apoiado por antropologistas, naturalistas, filósofos, entre outros homens ligados a ciência. No Brasil este tema foi desenvolvido por vários cientistas e escritores, e dentre eles o antropólogo Gilberto Freyre (sociólogo década de 30) e Darcy Ribeiro (década de 70). Freyre, Ribeiro, entre outros diziam que a cultura e a sociedade brasileiras foram constituídas a partir das influências culturais das “três raças”: europeia, africana e indígena.

Freyre ficou famoso ao lançar o livro “Casagrande & Senzala”, onde destaca a importância da casa grande na formação sociocultural brasileira, bem como a da senzala que complementaria a primeira. Casa Grande & Senzala dá muita ênfase a questão da formação da sociedade brasileira, tendo em vista a miscigenação que ocorreu principalmente entre brancos, negros e índios. Porém, segundo Clóvis Moura, "Gilberto Freyre caracterizou a escravidão no Brasil como composta de senhores bons e escravos submissos". O mito do bom senhor de Freyre seria uma tentativa no sentido de interpretar as contradições do escravismo como simples episódio sem importância, e que não teria o poder de desfazer a harmonia entre exploradores e explorados durante aquele período. Contudo, esse mito não é compartilhado por diversos críticos, pois minimiza a dominação violenta provocada pela colonização portuguesa sobre os povos indígenas e africanos, colocando a situação de colonização como um equilíbrio de forças entre os três povos, o que de fato não houve.

O geneticista Sérgio Pena, autor do livro "Humanidade Sem Raças?" (Publifolha, 2008), propõe, já no trecho de abertura do livro, que pode ser lido abaixo, a necessidade da "desinvenção" imediata do conceito de "raças". 

"Perversamente, o conceito tem sido usado não só para sistematizar e estudar as populações humanas, mas também para criar esquemas classificatórios que parecem justificar o status quo e a dominação de alguns grupos sobre outros", afirma o autor. "Assim, a sobrevivência da ideia de raça é deletéria por estar ligada à crença continuada de que os grupos humanos existem em uma escala de valor."


VOLTA AO MUNDO

A humanidade partiu da África para ocupar todo o planeta 

1 - Evidências arqueológicas indicam que o Homo sapiens surgiu na África há pelo menos 200 mil anos. Cem mil anos atrás, ele começou a se espalhar pelos outros continentes. O primeiro destino foi o Oriente Médio.
2 - Entre 70 mil e 50 mil anos atrás, surgiram duas novas rotas de migração do Homo sapiens: uma população seguiu do Oriente Médio para o restante do continente asiático e a Austrália. O outro grupo rumou em direção à Europa.
3 - No nordeste da Ásia começou a viagem que levaria o homem a ocupar a última região do planeta: a América. Estima-se que isso possa ter ocorrido até 30 mil anos atrás, embora os fósseis mais antigos achados no continente americano não ultrapassem 15 mil anos.

Na parte 2 deste texto, que será publicado no próximo mês, entraremos em uma breve discussão sobre a diversidade humana, que erroneamente é descrita como raça.

REFERÊNCIAS


Kaufman, J. S., "How Inconsistencies in Racial Classification Demystify The Race Construct in Public Health Statistics". Em: Epidemiology, 10:108-11, 1999.

A Fantasia das Três Raças Brasileiras. Acesso em: 2014. Disponível em: www.brasilescola.com/sociologia/o-brasil-varias-cores.htm

Gates, H. L., "The Science of Racism". Acesso em: 2014. Disponível em: www.theroot.com/id/46680/output/print

Revista Espaço Acadêmico. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.espacoacademico.com.br/060/60carvalho.htm

terça-feira, 13 de maio de 2014

PETER HIGGS E SUA TEORIA SOBRE O BÓSON.

Por: Elisiane C. Oliveira Albrecht

Peter WareHiggs, físico teórico,ganhador do premio Nobel de física no ano de 2013, foi um dos cientistas que previu a existência de uma partícula que seria responsável por dar massa às partículas do Modelo Padrão.Higgs dividiu este premio com outro cientista, François Englert que, de forma independente, também sugeriu a ideia de um elemento, o qual permitiria que as partículas adquiram massa. 

Figura 1: Peter W Higgs. Fonte: http://mappingignorance.org.
Higgs nasceu no dia 29 de maio de 1929 em Elswick, um distrito de Newcastle, Inglaterra. Por seu pai ser um engenheiro de som e ter vivido sua infância durante a Segunda Guerra Mundial, mudou-se diversas vezes com sua família e como consequência acabou não frequentando as séries inicias da escola fazendo então seus primeiros estudos em casa. Formado em Matemática e Física, Doutor e Phd, desde muito jovem já se dedicava a  pesquisa.
Em 1964 propôs a teoria que 50 anos depois lhe daria o Nobel, a teoria do Bóson de Higgs como é conhecida atualmente. Podemos compreender melhor esta teoria através da citação.

“O Higgs é uma partícula elementar bosônica (partícula com spin inteiro), proposta para validar o modelo padrão, que seria responsável pela origem da massa de todas as outras partículas elementares [...]. Na Mecânica Quântica toda partícula elementar é associada a um campo. Assim, quando o campo de Higgs, que permeia todo o universo, recebe energia suficiente, ele cria uma partícula, o Higgs, que é uma excitação do campo de Higgs. Por outro lado, quando a partícula de Higgs interage com outras partículas elementares (elétrons, quarks...), ela transfere energia, na forma de massa, do campo de Higgs para a partícula elementar. Lembre-se que massa é uma forma de energia. Portanto, dependendo da intensidade da interação do Higgs com uma partícula elementar, o campo de Higgs determina a “quantidade’’ massa desta partícula”.

Figura 2: Representação Artística do Bóson de Higgs
Fonte: 
http://cienciahoje.uol.com.br/

Como é possível notar, o Bóson de Higgs é essencial para a explicação do Modelo Padrão, uma vez que este se baseia na existência de partículas elementares que formam a matéria. Você pode ler o texto BÓSON DE HIGGS - A PARTÍCULA DE DEUS  para uma melhor compreensão. 

Peter Higgs ganhou o Nobel somente em 2013, pois até então não havia sido possível confirmar sua teoria. Em 2012 o experimento foi realizado,  sendo possível devido ao grande avanço tecnológico dos últimos anos. Uma demonstração deste avanço é o LHC, o maior acelerador de partículas existente. Foi o LHC, com suas altas energias, que permitiu os cientistas detectarem o Bóson de Higgs. Vale ressaltar que as pesquisas no LHC não terminaram, uma vez que os pesquisadores acreditam haver ainda muitas coisas a serem confirmadas.

REFERÊNCIAS:

Pimenta, Jean Júnio Mendes.  Belussi, Lucas Francisco Bosso. Natti, Érica Regina Takano. Natti, Paulo Laerte: O bóson de Higgs.  Rev. Bras. Ensino Fís. vol.35 n°2 São Paulo Abr./Junho 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1806-11172013000200006&script=sci_arttext> Acesso em: 2014

Bóson de Higgs; Acesso em 2014. Disponível em: http://www.infoescola.com/fisica/boson-de-higgs/




segunda-feira, 12 de maio de 2014