terça-feira, 30 de setembro de 2014

REINO UNIDO PROÍBE ENSINO DO CRIACIONISMO COMO TEORIA EM INSTITUIÇÕES DE ENSINO PÚBLICAS!!!

Por: Felipe Veiga

Figura 01: Charles Robert Darwin. Fonte: http://i.sdpnoticias.com


Um dos principais motivos para se estudar História é aprender. E é sempre muito prudente investigar os motivos que levaram a um determinado avanço cientifico. E muitas vezes para se avançar na ciência é necessário avançar as barreiras e tendências ortodoxas vigentes em determinada época. A cada geração de pesquisadores que surgem a gama de teorias que se pode propor é limitada pelo que a ciência e a sociedade estabelecem como aceitável ou respeitável. Desta maneira, as ideias sobre evolução durante os séculos XIX e XX foram inibidas.

Imagem 1 : http://i.sdpnoticias.com/notas/2013/03/29/104050_charlesdarwinseconfiesa_principal.jpg
Legenda: Charles Robert Darwin

Antes de 1800, todas as espécies animais conhecidas eram estudadas como se tivessem sido criadas e que permaneceriam imutáveis durante o tempo. E Darwin, com suas teorias, conduziu a uma revolução cientifica que substituíra essas ideias pelo paradigma evolutivo. A revolução darwiniana contestou visões tradicionais de uma Terra jovem habitada por espécies jovens. E segundo Hickman (2013), “’o paradigma evolutivo tem guiado a pesquisa biológica por mais de 150 anos, e, até a presente data, não há evidência que o refute; ele continua a guiar a inquirição ativa do mundo natural e geralmente é aceito como a pedra angular da biologia”. 

Vale lembrar que a proposta revolucionária de Darwin, na verdade, tem suas raízes no trabalho de vários outros cientistas. Até mesmo filósofos gregos já propunham que a vida poderia mudar gradualmente ao longo do tempo. Porém, Aristóteles (348-322 a.C.) considerava que as espécies eram seres fixos, incapazes de sofrer mudanças. A ideia de Aristóteles coincidiu com a crença criacionista de que as espécies foram todas criadas por Deus e que são todas perfeitas. Durante o século XVIII os cientistas diziam que as adaptações dos organismos aos ambientes em que viviam era uma grande evidência de que o Criador desenhou cada espécie para uma determinada finalidade.

Darwin fez uso de muitos trabalhos de cientistas que estudavam fósseis. A paleontologia foi, de forma ampla, desenvolvida pelo francês Georges Cuvier (1769-1832). Ao examinar alguns estratos geológicos em Paris, Cuvier observou que quanto mais fundo ele cavava, mais seres com formas muito distintas das espécies existentes eram encontrados. E uma observação muito importante feita por ele: espécies novas surgiam de uma camada para outra, ao mesmo tempo em que algumas outras não eram mais encontradas. A partir daí, Cuvier sugeriu que as extinções deveriam ser comuns durante toda a história da vida na Terra. Mas mesmo assim, Cuvier era um opositor às ideias evolucionistas. Ele explicava suas observações utilizando o princípio catastrofista. Ele acreditava que cada limite entre os estratos geológicos representava uma catástrofe. Na época a maioria dos geólogos aderiu a essa teoria da catástrofe. Esta teoria diz que a Terra experimentou sucessivas criações de vida animal e vegetal, e que cada criação tinha sido destruída por uma grande catástrofe. Para eles, a mais recente catástrofe foi o dilúvio universal, que teria eliminado a vida existente, exceto aquelas formas que foram salvas pela arca. De acordo com os “catástrofistas”, as espécies foram todas criadas individualmente e, acima de tudo, são imutáveis.   



Figura 02: Fosseis
Contrastando as ideias de Cuvier, alguns outros cientistas, como o escocês James Hutton (1726 – 1797), sugeria que mudanças profundas poderiam ocorrer por meio do efeito cumulativo de um processo lento e contínuo. Hutton sugeria que as características geológicas do nosso planeta deveriam ser explicadas por um mecanismo gradual e ainda operante. Como exemplo desse mecanismo gradual, ele sugeriu que os vales seriam formados por rios correndo através das rochas, e estas por sua vez continham fósseis marinhos formados quando os sedimentos terrestres haviam sido carregados destes rios para o mar, acabando por enterrar aqueles organismos mortos. O principal geólogo da época de Darwin, Charles Lyell (1797 – 1875), utilizou alguns dos pensamentos de Hutton para dar corpo ao seu princípio, o uniformitarianismo. Esse princípio postulava que os mecanismos de mudança são constantes ao longo do tempo. Lyell propunha que os mesmos processos geológicos operam no mesmo ritmo tanto no passado quanto hoje. Todas as ideias de Hutton e Lyell foram capazes de influenciar o pensamento de Charles Darwin, que concordava que, se as mudanças geológicas resultam de ações lentas, mas contínuas, e não de eventos bruscos e repentinos, a Terra seria muito mais antiga do que o estimado na época. Nesse sentido, Darwin propôs mais tarde que esses processos lentos e sutis produziam também mudanças biológicas significativas. 

Muitos predecessores de Darwin, incluindo seu avô Erasmus Darwin, durante o século XVIII sugeriram que a vida evoluía à medida que os seus ambientes mudavam. Foi Jean-Baptiste de Lamark (1744 – 1829) que chegou a propor um mecanismo qu tentava explicar as mudanças nos seres vivos ao longo do tempo. Lamarck hoje não é conhecido por sua visão pioneira de que essas mudanças evolutivas explicam os padrões em fósseis e a adaptação dos seus organismos ao ambiente, mas pelo mecanismo incorreto que ele propôs de como ocorreria a evolução – Uso e desuso e herança de características adquiridas. Lamarck acreditava também que a evolução ocorria porque os organismos tinham força inata para poderem evoluir.

Finalmente, depois de uma longa viagem a bordo de um navio, embasando-se em outros pesquisadores, e dedicando sua vida à sua pesquisa, Darwin escreveu a primeira edição de “A Origem das Espécies”. Livro no qual Darwin desenvolveu duas ideias principais. A da descendência com modificação que explica a uniformidade e também a diversidade da vida. E a outra ideia, a seleção natural que mostra como os organismos correspondem aos seus habitats. É importante lembrar que Darwin não foi o primeiro a propor que os organismos possuíam correlações evolutivas. É dado a Darwin uma grande visibilidade quando se trata de evolução, pois foi ele quem propôs um mecanismo através do qual as mudanças aconteciam nos organismos.

No seu próprio livro, Darwin apresentou casos em que faltam evidências para chegarmos a conclusões de como alguns grupos específicos de seres vivos tenham evoluído. Porém, nos últimos 150 anos, excepcionais novas descobertas têm conseguido completar lacunas identificas pelo próprio Darwin. Ainda assim, algumas pessoas rejeitam as ideias de Darwin e outros pesquisadores sob o pretexto de que a evolução é apenas uma teoria. Vale lembrar que a observação de que a vida evolui ao longo do tempo está muito bem documentado e sustentado por uma grande quantidade de evidências (Leia no próximo artigo: “Evidências da Evolução”). Até mesmo os efeitos da seleção natural podem ser observados e testados na natureza. 

Lembramos aqui que a evolução não é uma hipótese e sim uma teoria. E qual é a diferença? Teorias são muito mais abrangentes que hipóteses. Uma teoria possui muitas observações, explicando e integrando uma grande variedade de fenômenos. As teorias só se tornam universalmente aceitas depois que seus conteúdos passam por muitos testes experimentais bastante rigorosos. E sobre a teoria da evolução, os cientistas de hoje sabem que a seleção natural não é o único mecanismo responsável pela evolução das espécies. Sabemos que a evolução é muito dinâmica, e os cientistas encontram novas maneiras de testar a teoria de Darwin. 
Mas e por que o criacionismo não pode ser considerado teoria? A resposta é aparentemente simples: “Criacionismo não é ciência”. Mesmo assim, vamos analisar alguns aspectos importantes dessa discussão. Vamos utilizar aqui um conceito para o que é ciência, encontrado em Hickman (2013): “ciência é um meio de formular questões e, as vezes, obter respostas precisas sobre o mundo natural”. O conhecimento científico deve ser baseado e guiado pelas leis da física e da química. O conhecimento científico precisa explicar o que é observado apenas com referência às leis naturais sem exigir a intervenção ou força sobrenatural de uma entidade metafísica. 

No Reino Unido, a partir de setembro, instituições de ensino públicas não mais poderão ensinar o criacionismo como uma teoria, ou alternativa à teoria da evolução. Segundo as cláusulas apresentadas sobre o criacionismo diz que essas teorias são rejeitadas até mesmo pelas igrejas, bem como por pesquisadores, e ainda não estariam de acordo com as evidências e consensos científicos. Segundo a cláusula, o criacionismo não deve ser apresentado aos alunos como uma teoria cientifica. O documento apresentado considera criacionismo "como qualquer doutrina ou teoria que sustenta que os processos biológicos naturais não podem explicar a história, a diversidade e a complexidade da vida na Terra e, portanto, rejeita a teoria científica da evolução". 

O diretor de assuntos públicos da associação Humanista Britânica diz que junto com esta medida, as escolas devem seguir o chamado currículo nacional, que em setembro passará a ensinar a teoria da evolução à alunos do ensino primário.

REFERÊNCIAS


BARRY, C. Biogeografia: uma abordagem ecológica e evolucionária. 7 ed. Rio de Janeiro, 2013. 

CAMPBELL, N. Biologia. 8 ed. Porto Alegre, Artmed, 2010. 

DARWIN, C, 1809 – 1882. A origem das espécies por meio da seleção natural, ou, A preservação das raças favorecidas na luta pela vida: tomos I, II e III / Charles Darwin; Tradução André Campos Mesquita. São Paulo: Editora Escala, 2009.

HICKMAN, Jr. Princípios Integrados de Zoologia. 15 ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2013.

Reino Unido proíbe ensino do criacionismo como teoria científica em escolas públicas. Acesso em 2014. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/reino-unido-proibe-ensino-do-criacionismo-como-teoria-cientifica-em-escolas-publicas-13019652#ixzz39GU8bnng

sábado, 27 de setembro de 2014

LEIBNIZ: UM GÊNIO UNIVERSAL


Por: Ednilson Rotini

Figura 1: Gottfried Wilhelm Leibniz.
Fonte: Kunt Füer Alle
Foi em Leipzig, na Alemanha que nasceu em 1646 num dia de verão um dos maiores matemáticos e filósofos de todos os tempos, Gottfried Leibniz. Filho de um filósofo, Leibniz ficou órfão de pai muito cedo, e por isso educado por sua mãe sob rígidos valores religiosos. O fato é que Leibniz entrou muito cedo para a universidade de sua terra natal, aos 15 anos, de modo que aos 17 anos recebeu seu título de bacharel. 

Devido à influência de seu pai, Leibniz leu muitos livros da biblioteca de sua casa, o que influenciou esse cientista a desenvolver um amplo leque de interesses de estudos, o que justifica o fato de que mais tarde, Leibniz foi reconhecido como um gênio universal, pois desenvolveu várias atividades e investigações em campos tão diversos como a matemática, a teologia, o direito, a filosofia, a geologia, a mecânica, a história, a jurisprudência e a linguística.

Após obter seu título de doutor em direito aos 20 anos na Universidade de Nuremberg, pois tinha sido recusado na Universidade de Leipzig devido à pouca idade, Leibniz dedicou-se à vida diplomática a serviço da nobreza e da realeza da Alemanha. Assim, ele teve a oportunidade de viajar por toda a Europa e conhecer os principais estudiosos de seu tempo. E foi durante duas dessas viagens, a Londres, em 1673 e 1676, que Leibniz conheceu Boyle e Huygens que despertaram o seu interesse pela área da matemática. Após ler alguns trabalhos matemáticos de Blaise Pascal, de Isaac Barrow e de Isaac Newton, Leibniz apresentou várias contribuições para as áreas denominadas por ele mesmo de cálculo diferencial e cálculo integral, utilizadas atualmente em vários setores da ciência na parte de modelagem matemática para fenômenos associados ao eletromagnetismo, à mecânica quântica, à mecânica celeste e ao processamento de dados, por exemplo. 

Foi em Londres, também, que Leibniz apresentou uma máquina de calcular, o que lhe rendeu a oportunidade de ser membro da Royal Society. Embora já existissem outras máquinas de calcular, como a Pascalina desenvolvida por Pascal, a máquina de Leibniz foi considerada a primeira capaz de realizar todas as operações aritméticas por meios puramente mecânicos. Além disso, essa máquina apresentou várias novidades em relação às antecessoras como um inscritor que permitia colocar um número antes de o adicionar; um visor de posição; um acionador; um carro que permitia a adição e a subtração numa posição fixa, a multiplicação numa posição móvel orientada para a esquerda, e a divisão em posição móvel orientada para a direita; um sistema de tambores dentados com comprimentos crescentes deslizando cada um sobre o seu eixo e substituindo dez roldanas independentes. Apesar dos avanços, a máquina de Leibniz nunca foi comercializada, mas foi fundamental para as posteriores adaptações e reformulações das máquinas de calcular. 

Figura 2: Calculadora de Leibniz. Fonte: Física Interessante

Ainda, no campo da Matemática, Leibniz acreditava que os símbolos eram fundamentais para facilitar o entendimento pelas pessoas e, por isso, atribuía grande importância para a notação. Foi nesse sentido que Leibniz introduziu os símbolos  para o conceito de integral e d para o conceito de diferencial. Pode-se até dizer que Leibniz foi um dos precursores da informática, pois ele inventou o sistema binário de numeração, sistema em que todas as quantidades são representadas com base em dois números, o zero e o um. Além disso, ele fez uso do estudo das matrizes para resolver os sistemas de equações lineares, que também são aplicados na informática.

Figura 3: Representação do Sistema Binário de Leibniz. Fonte: Cultura Mix

Leibniz, ao longo de sua vida, escreveu muitas obras, sendo que poucas foram publicadas enquanto estava vivo. Entre elas destaca-se "De rerum originatione radicali" em que ele tenta provar que só Deus poderia ser a fonte de todas as coisas e “Monadologie” em que ele apresenta a ideia das mônadas que seriam substâncias espirituais simples que formam a base de todas as formas compostas de realidade. Com essa teoria, Leibniz acreditava num universo harmonioso composto por uma quantidade infinita de mônadas organizadas hierarquicamente e originadas na Mônada Suprema que é Deus. Outra busca incansável de Leibniz era construir uma linguagem universal baseada num alfabeto do pensamento; essa linguagem seria mais perfeita do que a própria linguagem matemática. Mas esse projeto nunca foi realizado, embora outros grandes filósofos, como Russell, Frege, Peano e Couturat também tentaram aprimorar essas idéias.

Para finalizar, sabe-se que de acordo com relatos, Leibniz era capaz de ficar sentado numa mesma cadeira pensando por vários dias. Ele foi um cientista e trabalhador incansável e também um correspondente universal, sendo que ele se correspondeu com mais de 600 pessoas de todo o mundo. Leibniz, após ficar vários meses doente numa cama, veio a falecer num dia de primavera em Hannover no ano de 1716.


REFERÊNCIAS

LEIBNIZ BRASIL. Disponível em: http://www.leibnizbrasil.pro.br/. Acesso em: ago/2014.

E-CÁLCULO. Disponível em: http://ecalculo.if.usp.br/historia/leibniz.htm. Acesso em: ago/2014.

E-BIOGRAFIAS. Disponível em: http://www.e-biografias.net/gottfried_leibniz/. Acesso em: ago/2014.

POMBO, Olga. Disponível em: 
http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/seminario/fregerussel/leibnitz.htm. Acesso em: ago/2014.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O QUE É INVERSÃO TÉRMICA?

Por: Rafael Briones Matheus


Imagem 01: Inversão Térmica na cidade de São Paulo. Fonte:http://csm7anod.pbworks.com

A inversão térmica é um fenômeno meteorológico que ocorre em grandes cidades, e tende a concentrar grandes quantidades de gases poluentes em uma fina camada da atmosfera. Em dias normais, o ar próximo à superfície se movimenta no sentido vertical, por convecção, onde a radiação solar aquece o solo, e este por sua vez aquece o ar logo acima (Imagem 02). 

Imagem 02 - Condições normais
Fonte: http://www.cetesb.sp.gov.br

Este processo se dá continuamente, e o constante movimento do ar possibilita a dispersão de gases poluentes em grandes cidades. Sabemos que o ar quente é menos denso e por isso tende a subir, e o ar frio mais denso tende a descer, ou seja tende a se movimentar para baixo, em direção à superfície. Desta forma o ar quente se sobrepõe a uma camada de ar frio, impedindo a movimentação ascendente do ar, dificultando a dispersão dos poluentes que se mantém próximos ao solo (imagem 03).

Imagem 03 - Inversão Térmica 
Fonte: http://www.cetesb.sp.gov.br/Ar/anexo/inversao.htm

As inversões térmicas são comuns nos períodos do ano em que ocorre o maior esfriamento, principalmente no inverno e no período noturno. Os ambientes urbanos concentram muitos poluentes, entre os principais estão eles:

Poluição Natural: poeira terrestre, cinzas resultantes de queimadas, gases vulcânicosetc.

Poluição proveniente dos transportes: além do gás carbônico produzido por motores a 
combustão presentes em carros, caminhões, ônibus etc., há também o lançamento de outros gases como óxido de enxofre, gases sulforosos, cloro, bromo e fósforo.

Poluição industrial: resultante dos resíduos de siderúrgicas, fábricas de cimento, indústrias químicas, usinas de gás, fundição de metais, além de substâncias tóxicas. 

Nas áreas urbanas há um grande número de indústrias e veículos, onde a inversão térmica leva a uma concentração destes poluentes, podendo causar diversos problemas de saúde na população. Por exemplo, sabe-se que ao inalarmos estas partículas de poluição, prejudicamos a nossa circulação vascular, aumentando as chances de hipertensão.


PARA SABER MAIS:

https://www.youtube.com/watch?v=fTg-JPQwfUs

https://www.youtube.com/watch?v=tyixHeiSutw

https://www.youtube.com/watch?v=Rp7rtGR_x50


REFERÊNCIAS:

Site:http://geografiaopinativa.blogspot.com.br/2013/11/inversao-termica-e-o-efeito-smog.html - Acessado em: 13/08/14

Site:http://www.cetesb.sp.gov.br/Ar/anexo/inversao.htm - Acessado em: 13/08/14

Site:http://ambiente.hsw.uol.com.br/inversao-termica.htm - Acessado em: 13/08/14

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

HEISENBERG – O pai da Mecânica Quântica!

Por: Claudinei Rodrigues Ferraz

Figura 01 – Heisenberg. Fonte: celinacea.com
Werner Karl Heisenberg nasceu em Würzburg na Alemanha a 5 de dezembro de 1901. Em 1920 ingressou no curso de Física da Universidade de Munique, três anos mais tarde Heisenberg concluiu seu doutorado e em 1925 desenvolveu a mecânica matricial, primeira formulação da mecânica quântica. Estudou com dois dos principais físicos quânticos da época, o dinamarquês Niels Bohr e o alemão Max Born.

Um dos criadores da primeira versão matemática para a mecânica quântica, suas pesquisas ajudaram a entender os fenômenos que ocorrem nas dimensões atômicas. Ele deixou de considerar a hipótese aceita da época, de que elétrons e outros fenômenos atômicos poderiam se comportar como partículas, propôs uma “linguagem” matemática para predizer outros fenômenos atômicos que pudessem ser averiguados, tais como frequência e luz.  No fim da década de 20, Heisenberg formulou a famosa teoria chamada de Princípio da incerteza. De acordo com a teoria, não podemos determinar com precisão e simultaneamente a posição e o momento de uma partícula. 

Seu estudo revolucionou o mundo científico, porém, alguns cientistas não concordavam com suas ideias. Albert Einstein foi um dos que não concordaram. Em 1930 no Sexto Congresso Solvay de Física, em Bruxelas, Einstein tentou mostrar que o Princípio de Heisenberg era inconsistente e, logo depois, foi obrigado a admitir que o Princípio da Incerteza era livre de contradições internas e aceito até hoje. 

Em 1932 Heisenberg recebeu o Prêmio Nobel de Física pela criação da mecânica quântica. 

Durante o período da segunda guerra mundial vários cientistas deixaram a Alemanha, mas Heisenberg permaneceu no país. Muitos historiadores acreditam que ele atrasou o desenvolvimento da criação da bomba atômica pela Alemanha. Ao final da guerra foi preso pelos aliados e permaneceu aprisionado na Inglaterra por 6 meses.

Em 1946 volta para a Alemanha e assume o cargo de diretor no conhecido Instituto Max Plank. Faleceu de câncer em 1976 deixando um grande legado para o desenvolvimento da ciência.

Figura 02 – Equação de Heisenberg. Fonte: moneyou.com.br

REFERÊNCIAS


Revista Ciência Hoje, n° 178, Dez/2001.

Site da Brasil Escola: Acesso em: 2014. Disponível em: 
http://www.brasilescola.com/fisica/principio-incerteza.htm

Site da Ciência e Cultura: Acesso em: 2014. Disponível em: 
http://www.ciencia-cultura.com/leitura/texto_004.html

terça-feira, 23 de setembro de 2014

domingo, 21 de setembro de 2014

O SOL E A FUSÃO NUCLEAR

Por: Anelissa Carinne Dos Santos Silva

Figura 01 – Sol.  Fonte: Revista Planeta. 

Fusão nuclear é o processo de formação de um núcleo a partir da colisão e posterior junção de dois núcleos menores. Os núcleos que colidem devem ter, inicialmente, uma energia cinética total que lhes permita se aproximar, contra a repulsão coulombiana, o suficiente para que a interação nuclear forte passe a ser efetiva e mais importante. Como a repulsão coulombiana é tanto mais importante quanto maior a carga elétrica dos núcleos em colisão, a fusão nuclear pode ser provocada com mais facilidade entre núcleos com número pequeno de prótons (UFSM, s.d.).

O nascimento de uma estrela ocorre quando a força gravitacional em uma região de nebulosa contrai certos gases, aumentando a temperatura e iniciando a queima do Hidrogênio. Desta queima, a estrela começa a liberar energia. Para que haja o nascimento de uma estrela, sua massa mínima é de 50 vezes a massa de Júpiter.

As transformações dos elementos químicos em uma estrela ocorrem em seu núcleo. Sua estabilidade deve-se a um equilíbrio entre a força gravitacional e as pressões existentes.


DESENVOLVIMENTO DE TEORIAS
O estudo de emissão de energia – luz e calor – pelo Sol e outras estrelas somente começou no século XIX, com a Termodinâmica. Em 1938 os cientistas descobriram a fonte desta energia: fusão nuclear.
Alguns cientistas tentaram explicar o aquecimento do Sol, relacionando sua queima de energia com o uso de combustíveis usados pelo ser humano. Mas o resultado seria de que o Sol poderia viver somente cerca de 10 000 anos, muito menos que a vida existente na Terra. William Thomson (1824 – 1907) usou a hipótese de o Sol utilizar sua energia gravitacional para emitir radiação. Portanto, o Sol teria entre 20 e 100 milhões de anos. Mas a estimativa não coincidia com a idade que geólogos e evolucionistas sugeriam para a Terra.
A teoria de estabilidade da estrela foi pela primeira vez descrita em 1920, por Arthur Eddington (1882 – 1944). O conhecimento dos átomos ainda era recente, portanto Eddington apenas especulava a respeito da energia sub-atômica. Em 1939, Hans Bethe (1906 – 2005) publicou a teoria de fusão nuclear como fonte de energia para as estrelas. A teoria foi aperfeiçoada por Carl von Weizäcker (1912-2007) e Charles Critchfield (1910-1994).


CURIOSIDADES SOBRE O SOL

Hoje sabemos que a temperatura no núcleo do Sol é de algo em torno de 15 milhões de K (Kelvin). Para comparar, a temperatura do núcleo de Rigel é de cerca de 400 milhões de K;

O Sol converte cerca de 600 milhões de toneladas de hidrogênio em hélio por segundo, produzindo o equivalente a 5 trilhões de bombas de hidrogênio por segundo. Demorou cerca de 10 milhões de anos para que esta estrela começasse a queimar o hidrogênio em seu núcleo;

Leva aproximadamente 1 milhão de anos para que a energia liberada no núcleo do Sol chegue à sua superfície;

A estrela central de nosso sistema planetário provavelmente nasceu de uma supernova, a cerca de 4,6 bilhões de anos atrás;

Ele contém cerca de 98% da massa total do Sistema Solar;


PARA SABER MAIS:

Observatório Solar Nacional - http://www.nso.edu/


REFERÊNCIAS

Hamilton, C. J. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O Sol. Disponível em: <http://www.if.ufrgs.br/ast/solar/portug/sun.htm>. Acesso em Jul 2014.
Universidade Federal de Santa Maria. Fusão Nuclear. Disponível em: <http://coral.ufsm.br/gef/Nuclear/nuclear15.pdf>. Acesso em Jul 2014.
Observatório Nacional. As Estrelas da Sequência Principal. Disponível em: <http://www.on.br/ead_2013/site/conteudo/cap17-sequencia-principal/sequencia-principal.html>. Acesso em Jul 2014.
OLIVEIRA FILHO, K. S.; SARAIVA, M. F. O. A Fonte de Energia das Estrelas. Disponível em: <http://astro.if.ufrgs.br/estrelas/node9.htm>. Acesso em Jul 2014.
OLIVEIRA FILHO, K. S.; SARAIVA, M. F. O. Fusão Termo-Nuclear. Disponível em: <http://astro.if.ufrgs.br/estrelas/node10.htm>. Acesso em Jul 2014.
Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. Nasce uma Estrela. Disponível em: <http://www.cbpf.br/~martin/CAMS/Estrelas/vidaestrelas.html>. Acesso em Jul 2014.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

CLIMATOLOGIA - PARTE II

Por: Rafael Briones Matheus

 Imagem captada pelo satélite meteorológico russo Electro-L. Fonte: http://www.dn.pt

Conforme visto no informe anterior, a crescente evolução do conhecimento técnico-científico ligado à climatologia, juntamente com o avanço de tecnologias desenvolvidas para a coleta de dados meteorológicos, possibilitaram conhecer e  entender a complexa dinâmica do clima. Agora veremos os elementos e os fatores geográficos que influenciam no clima. 

Elementos Climáticos

São as características físicas que representam as propriedades da atmosfera de um dado local. São elas: Temperatura, Umidade e Pressão Atmosférica. Existe uma constante variação destes elementos, que se deve principalmente, pela alteração dos fatores geográficos do clima.

Fatores Geográficos do Clima

Latitude: É um fator definido pelo condicionamento astronômico, influenciando na quantidade de energia solar incidente na superfície terrestre. O movimento de rotação da Terra define dias e noites, porém sua duração depende da distância em relação a linha do Equador. A inclinação do eixo de rotação, juntamente com o movimento de translação distribui sazonalmente a recepção de energia na superfície. 

Figura 01 - Incidência da energia solar. Fonte: http://solegelo.blogspot.com.br


Altitude e Relevo: Segundo Francisco Mendonça, se considerarmos duas regiões com latitudes semelhantes, porém com altitudes diferentes, aquele que estiver mais alto terá sua temperatura diminuída 0,6 C°, para cada 100 mts de elevação (MENDONÇA, 2007).

Legenda: Figura 02 - Influência da altitude no clima
 Fonte: 
http://files.professoralexeinowatzki.webnode.com.br/

Maritimidade e Continentalidade: A maritimidade é um fator regulador da temperatura e da umidade disponível na atmosfera através dos oceanos, promovendo a distribuição de energia entre oceanos e continentes. Existe um aquecimento diferenciado entre as massas oceânicas e as superfícies dos continentes, sendo que o efeito da continentalidade se expressa na temperatura e na umidade relativa, devido ao distanciamento dos oceanos e mares. Portanto, as amplitudes térmicas são maiores nas superfícies continentais e menores nas superfícies oceânicas.

Vegetação: A superfície de áreas florestadas recebe uma incidência menor de raios solares em relação às regiões sem cobertura vegetal, devido a presença das copas, troncos e galhos das árvores. Estas áreas exercem papel fundamental na disponibilidade de umidade na atmosfera, e conforme visto, a umidade funciona como agente regulador de temperatura.

Atividades Humanas: A superfície do solo urbano, coberta com prédios, casas, asfalto, favorece o aquecimento destes ambientes. Estas intervenções acabam impermeabilizando o solo, promovendo um déficit na disponibilidade de umidade na atmosfera, já que a água das chuvas escorre para as galerias de águas pluviais, deixando de permear e irrigar o solo. Estes fatores possibilitam o aquecimento anormal destes ambientes, seja pelo aquecimento das estruturas urbanas, ou pela falta de umidade na atmosfera, acarretando o fenômeno conhecido como ilha de calor. 

Já o efeito estufa "é um fenômeno natural cuja ocorrência remete a origem da atmosfera” (MENDONÇA, 2007). Nas últimas décadas este processo vem sendo intensificado pela ação humana, com a queima de combustíveis fósseis utilizados nas indústrias e nos veículos, atividades agrícolas, queimadas e desmatamento(MENDONÇA, p.185). Alguns cientistas e os meios de comunicação têm chamado este aumento da temperatura de aquecimento global. Porém há outra corrente de pesquisadores, que afirmam que este incremento na temperatura global é um processo natural.

Figura 03 - Charge sobre o aquecimento global. Fonte: http://jessica.domingues.zip.net
Circulação Geral da Atmosfera

Células de Circulação Atmosférica:



Figura 04 - Células de circulação atmosférica. Fonte: http://fisica.ufpr.br 
Para entendermos o funcionamento da circulação dos ventos na atmosfera, é necessário o conhecimento de alguns processos físicos, em especial os movimentos convectivos do ar. De acordo com a figura 04, os centros de alta pressão (regiões polares) são dispersores de ventos para regiões de baixa pressão (regiões equatoriais). Estes movimentos do ar de regiões mais frias para as quentes são fundamentais para o transporte de umidade, e consequentemente para a distribuição de chuvas no planeta. Desta forma, o deslocamento do ar se dá em toda superfície planetária através de células convectivas, que são chamadas de Células de Hadley, Ferrel e Polar (figura 05). 

Figura 05 - Perfil - Células de circulação atmosférica.  Fonte:http://geoconceicao.blogspot.com.br

Massa de Ar:

É uma grande porção de ar, de grande espessura, que apresenta uma uniformidade horizontal. Apresenta propriedades físicas quase homogêneas, principalmente em relação à temperatura e umidade. As massas de ar se formam sobre grandes porções de terra ou de água, sobre as quais a circulação do vento se faz discretamente. Nestas condições, o ar próximo à superfície se desloca de modo gradual, adquirindo características uniformes que se aproximam daquelas da superfície, enquanto que o ar superior vai se ajustando às condições de temperatura e umidade da superfície. As massas de ar são, eventualmente, carregadas na circulação geral para longe de suas regiões de origem, na direção de outras partes do mundo. Dessa forma, o ar tropical, quente e úmido, é transportado na direção norte, enquanto que ar polar, frio e seco se desloca para o sul. À medida que as massas de ar se deslocam, tendem a reter suas propriedades, principalmente em altitude. As camadas da superfície modificam-se, em função das superfícies sobre as quais se deslocam. Quando duas massas de ar, de regiões de origem diferentes, se encontram, elas tendem a preservar suas identidades físicas, em vez de se misturarem livremente. Como consequência disso, elas criam "frentes" ou "descontinuidades", ao longo da zona limítrofe. Quando uma frente cruza uma certa região, ocorre uma variação brusca nas propriedades do ar, devido à substituição de um ar pelo outro. É ao longo dessas frentes que ocorrem as principais variações do tempo. A distribuição de temperatura e umidade nas massas de ar, exerce efeito de grande importância sobre o tempo.

Classificação das Massas de Ar:
Com relação à latitude de origem as massas de ar são divididas em quatro tipos: (A) árticas, (P) polares, (T) tropicais e (E) equatoriais. As diferenças entre os ares polar e ártico, e entre os ares tropical e equatorial são pequenas e de pouca significação. Os tipos de massas de ar são subdivididos, com referência à natureza das superfícies sobre as quais elas se originam, em: continental (c) se a massa de ar forma-se sobre a terra, e marítima (m) se a massa de ar origina-se sobre o mar.Partindo-se das observações à superfície pode-se classificar as massas de ar como: quentes (w) e frias (k), significando, respectivamente, serem mais quentes ou frias que a superfície com a qual estão mantendo contato.

Legenda: Figura 06 - Massas de ar atuantes no Brasil. Fonte: http://blogjackiegeo.blogspot.com.br

PARA SABER MAIS:


Mendonça, Francisco. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. 1° Edição, São Paulo, Oficina de Textos, 2007.

A farsa do aquecimento global. Disponível em: 
<http://www.youtube.com/watch?v=fXLwPT3VL0I>

Climatologia. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=tCpDXAE-cMs>

Mudanças Climáticas. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=ssvFqYSlMho>

Camada de Ozônio. Disponível em:
<http://www.youtube.com/watch?v=Ck_mRXHdUw4&list=PLD562B50308CF0EA8>

Clima e Relevo. Disponível em:
<http://www.youtube.com/watch?v=hJ54uEwJLK0&list=PLD562B50308CF0EA8&index=16>


REFERÊNCIAS:

MENDONÇA, Francisco. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina de Textos, 2007. 1 ed. 

INSTITUTO DE ASTRONOMIA, GEOFÍSICA E CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS (IAG). Massas de ar. Disponível em: <http://www.iag.usp.br/siae98/massasar/massas.htm> Acesso em 10/07/14

INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE). Previsão de chuvas já reflete condições de El Niño no Oceano Pacífico. Disponível em: <http://clima1.cptec.inpe.br> Acesso em: 10/07/14

COMO TUDO FUNCIONA. Classificação das massas de ar. Disponível em: <http://ciencia.hsw.uol.com.br/massas-de-ar1.htm> Acesso em: 11/07/14

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Do que são feitos os planetas: Parte II

 Por Marcos Diego Lopes

Após o cinturão de asteroides, que é formado por mais de 400 mil destes, surgem os Gigantes gasosos, embora se componham apenas em parte de gás. A superfície visível de todos é coberta por enevoadas atmosferas superiores.

Júpiter impediu a formação de um planeta nessa localização alterando e perturbando e alterando as órbitas destes asteroides.

 Cinturão de asteroide entre Marte e Júpiter. Fonte: Planetário Dorio
Figura 1: Cinturão de asteroide entre Marte e Júpiter. Fonte: Planetário Dorio

Os planetas Jovianos têm suas atmosferas mais espessas. Além de terem massas bem maiores, não há uma superfície que separe nitidamente a atmosfera do interior destes planetas.

Figura 2: Planetas Gasosos. Fonte: IAG USP

Sua composição é feita de elementos leves sendo:

- Júpiter basicamente de hidrogênio, com uma pequena quantidade de hélio. A abundância de hidrogênio lhe dá uma composição mais parecida com a do Sol do que com os demais planetas. O hidrogênio é gasoso na camada mais externa do planeta, sua atmosfera e seu estado mudam com a profundidade, à medida que a densidade, a pressão e a temperatura se elevam. O núcleo de rocha, metal e compostos de hidrogênio, tem uma camada interna de hidrogênio e hélio metálicos, outra camada externa de hidrogênio e hélio líquidos e uma camada atmosférica com hidrogênio (89,8%) e hélio com traços de metano e amoníaco (10,2%);

Possivelmente algum satélite de Júpiter poderá servir de plataforma de uma existência da vida extraterrena. Em Io existe vulcões ativos, indicativos da existência de temperaturas mais amenas próximas à superfície congelada. Outras foram sendo desvendadas pelas missões espaciais mais recentes que estudaram os planetas gigantes e seus satélites. No satélite Europa, foi descoberta indícios de água em estado líquido abaixo da crosta gelada, tal como acontece no oceano Ártico.

Figura 3: Lua Europa – Júpiter. Fonte: hypescience

- Saturno tem o núcleo de rocha e gelo, uma camada mais interna de hidrogênio e hélio metálico líquidos com uma camada externa de hidrogênio e hélio na fase líquida. Sua atmosfera possui gases de hidrogênio (96,3%), hélio e traços de outros gases (3,7%);

- Urano possui estrutura com um núcleo de rocha e possivelmente gelo, camada de gelos de água, metano e amônia com atmosfera de hidrogênio (82,5%), hélio (15,2%) e metano (2,3%);

- Netuno em sua estrutura a camada mais externa é sua atmosfera, feita principalmente de hidrogênio (79%), hélio (18%), metano e traços de outros gases (3%). O núcleo de rocha e talvez gelo, e camadas de metano e gelos de água e amônia.

Existem várias teorias cosmogonias, mas a que vem se firmando no decorrer dos anos é que o Sistema Solar surgiu a partir da Nebulosa Solar Primitiva, primeiramente proposta por Laplace, em 1796, onde os planetas seriam subprodutos da formação do Sol, e todo o Sistema Solar teria se formado da matéria interestelar. Confirmam esta proposta a semelhança das abundâncias relativas de elementos químicos (deutério, hidrogênio, lítio, silício e ferro) dos planetas e do meio interestelar e as idades do Sol e dos Planetas confirmadas pela datação dos meteoritos rochosos (basicamente um aglomerado de poeira cósmica feita de silicatos). As abundâncias relativas menores de deutério e lítio do Sol podem ser explicadas através da destruição pelas reações termonucleares.

REFERÊNCIAS

FRIAÇA, Dal Pino, SODRÉ, Laerte Jr., JATENCO-PEREIRA, Vera. Astronomia: Uma Visão Geral do Universo - 2ª edição – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006.

HORVATH, J. E. O ABCDE da Astronomia e Astrofísica - 1ª edição – São Paulo: Editora Livraria da Física, 2008.

RIDPATH, Ian. Guia ilustrado Zahar astronomia – Rio de Janeiro: Editora Jorge Zahar Editor Ltda, 2007.


Alguns sites:

http://astro.if.ufrgs.br.htm Acesso:1 07/2014;

http://www.iag.usp.br/ Acesso: 07/2014;

http://www.planetariodorio.com.br Acesso: 07/2014;

http://hypescience.com/ Acesso: 07/2014

terça-feira, 2 de setembro de 2014

OS FILÓSOFOS GREGOS, VISÃO DE MUNDO E O UNIVERSO


Por: Tiago Henrique da Luz

Figura 01:  Platão (apontando para cima) e Aristóteles, no detalhe da obra de Rafael Sanzio, A Escola de Atenas.
Fonte: Wikimedia Commons

Para os gregos antigos, o mundo era formado de coisas e a única maneira de entender como esse mundo funciona seria através do pensamento.

Para Platão (século V e IV a.C), esse pensar seria a busca da “ideia essencial”; já Aristóteles (século IV a. C) dizia que existe uma ideia que “está contida e dirige as coisas”. Mas os dois (e tantos outros pensadores gregos) concordariam num ponto: esse pensar deve ajudar a formar uma argumentação – ou seja, uma ideia – que explique o funcionamento do mundo. (NASCIMENTO JUNIOR, 2003, p. 278-279).

Platão deixou todos os seus pensamentos registrados na forma de Diálogos. Neles, os personagens discutem algum assunto (como sobre qual seria a melhor forma de governo, ou sobre a questão da imortalidade da alma).

Ao contrário do que geralmente se pensa, Platão pensava na alma e no corpo como unidos (não como opostos), e os sentidos do corpo são meios pelos quais a alma percebe o mundo. Mas não é possível realmente conhecer alguma coisa apenas pelo que os sentidos podem nos mostrar sobre esta coisa em particular. É necessário pensar a respeito da essência, aquilo que é sempre o mesmo em todas as coisas, e isto escapa aos sentidos. Pelos sentidos, por exemplo, não seria possível saber o que é bom, o que é a justiça ou compreender a prudência.

Este filósofo se preocupava, pois muitas pessoas se contentavam com as impressões causadas pelos sentidos, ao invés de dedicar-se mais a fundo – pensando – na busca do maior de todos os bens: a sabedoria, que é a razão bem exercitada.

O platonismo não abominava os sentidos e sensações, nem os recusava: ele apenas sabia que os sentidos, por si mesmos, não nos mostram a verdade. Por isso os membros da Academia deviam se esforçar em melhorar sua habilidade de conhecer através da razão, vencendo a dependência que tinham dos sentidos e das sensações.

Num dos diálogos de Platão, ele expõe como deveriam proceder aqueles que desejam se utilizar da razão. Da alma que pretende produzir conhecimento, se pede duas coisas: primeiro, “que se concentre sobre si mesma, que ligue os seus passos aos do raciocínio, e que se mantenha sempre presente nele”; segundo, “que tenha uma orientação ou meta”, ou seja, que tome “o verdadeiro, o divino, o que escapa à opinião, por espetáculo e também por alimento”. E por “divino”, Platão queria dizer “verdadeiro”, ou seja, algo além da percepção dos sentidos e que a experiência não pode verificar, algo que só a razão pode alcançar (SPINELLI, 2007, p. 196-198).

Para Aristóteles, o “nada” não existe, então, não existia a ideia de vácuo. Isso significa que, em todo o universo, não havia nenhum espaço que não tivesse algum tipo de matéria. Da mesma forma, Aristóteles afirmava que não poderia existir alguma extensão de matéria infinita, portanto, o universo só poderia ser finito. E no centro dele, estaria a Terra.

Tudo neste universo tinha o seu devido lugar, de acordo com a natureza de cada coisa. Assim, o elemento Terra, sendo o mais pesado, ficava no centro de tudo. Logo em seguida, a Água, formando uma esfera concêntrica, ao redor da Terra. Em seguida, ao redor destas, se encontravam as esferas do Ar e do Fogo (se você perguntasse ao filósofo por que uma pedra cai quando você a solta, provavelmente ele responderia que a pedra é formada por Terra, e o elemento Terra tende a voltar para onde ele pertence: o “centro do Universo”... já o fogo tende a subir, mesmo que você vire o palito de fósforo de ponta-cabeça...).

As coisas são sempre sujeitas a transformações e mudanças, então é a própria natureza das coisas que faz com que elas sofram mudanças, e estes movimentos de cair ou subir são algumas delas. Mas o céu não está sujeito a mudanças: para Aristóteles, as esferas celestes são perfeitas e imutáveis, não são formadas pelas matérias terrestres, mas sim por uma Quintessência, chamada Éter. Não sofrendo transformações, os astros não foram criados, nem deixariam de existir. Essa seria a explicação do motivo de os corpos celestes fazerem apenas seus movimentos circulares ao redor da Terra. Mais tarde, no século II d. C., Cláudio Ptolomeu desenvolveu um modelo astronômico que pudesse explicar todos estes aspectos e toda a complexidade do movimento dos planetas, que nós chamamos de modelo ptolomaico-aristotélico.


Figura 02: As esferas celestes do sistema Ptolomaico.
Fonte: blog l-aquoiboniste



PARA SABER MAIS...

Algumas ideias sobre o modo de pensar na Antiguidade:


Video: CARL SAGAN - Ciência na Antiguidade. Fonte: série Cosmos



REFERÊNCIAS

NASCIMENTO JUNIOR, Antônio Fernandes. Fragmentos da história das concepções de mundo na construção das ciências da natureza: das certezas medievais às dúvidas pré-modernas. Ciênc. educ. (Bauru), Bauru , v. 9, n. 2, 2003.
Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-73132003000200009&lng=en&nrm=iso>


PORTO, C.M.; PORTO, M.B.D.S.M.. A evolução do pensamento cosmológico e o nascimento da ciência moderna. Rev. Bras. Ensino Fís., São Paulo, v. 30, n. 4, Dec. 2008.
Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-11172008000400015&lng=en&nrm=iso>


SPINELLI, Miguel. Platão e alguns mitos que lhe atribuímos. Trans/Form/Ação, Marília, v. 30, n. 1, 2007.
Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732007000100013&lng=en&nrm=iso>

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

GEL DA VIDA

Por: Rafael Vitorino De Oliveira


HISTÓRICO DA AIDS

Em 1981, uma das principais causas de morte de nosso tempo irrompeu no cenário mundial. A nova doença foi denominada Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS, na sigla em inglês, ou SIDA, em português). Originalmente, o vírus parecia atingir a comunidade masculina homossexual nos Estados Unidos, mas logo ficou claro que o vírus se espalhou, desapercebido na maior parte do mundo.

E não discriminou suas vítimas. Em 2007, havia levado 25 milhões de vidas. O vírus da imunodeficiência humana (HIV) foi identificado em 1983, e se espalha, principalmente, através da relação sexual desprotegida. Além da contaminação por relações sexuais, também foi identificado o contágio entre usuários de drogas, através do compartilhamento de agulhas, bem como através de transfusões de sangue não filtrada. Nas décadas seguintes, a taxa de infecção aumentou drasticamente, assim como a taxa de vítimas mortais. Mas, eventualmente, novos tratamentos antirretrovirais começaram a estender as vidas daqueles que foram infectados.

Em 2007 a porcentagem de pessoas vivendo com HIV se estabilizou, embora a um nível inaceitavelmente elevado. O número anual de novas infecções decaiu de três milhões em 2001 para 2,7 milhões, enquanto o número daqueles vivendo com o HIV aumentou em todo o mundo para cerca de 33 milhões. Isto foi, em grande parte, resultado dos efeitos benéficos e da maior disponibilidade de terapia antirretroviral.


SIDA (AIDS) NO BRASIL

Segundo o relatório da ONU, o Brasil tinha 730 mil pessoas com AIDS vivendo no país em 2013, número que representa 2% do total mundial. Estima-se que 44 mil pessoas tenham contraído o HIV apenas no ano passado, montante que também representa 2% do total global. O documento não apresenta a quantidade de casos existentes em 2005, apenas o percentual comparativo.

Os dados das Nações Unidas afirmam que 16 mil pessoas com HIV morreram no ano passado e que 327.562 pessoas utilizavam antirretrovirais. Em relação à América Latina, 47% dos novos casos registrados no ano passado surgiram no Brasil, sendo o México o segundo país com mais contaminações novas.

De acordo com a ONU, os grupos particularmente vulneráveis a novas infecções são transexuais, homens que fazem sexo com outros homens, profissionais do sexo e seus clientes, além de usuários de drogas injetáveis.

No fim do ano passado, o Ministério da Saúde havia divulgado que o país tinha cerca de 700 mil pessoas infectadas pelo vírus, sendo que 39 mil descobriram estar contaminadas em 2013. Além disso, o governo informou que 300 mil pessoas estavam em tratamento em 2013.


ÁFRICA, AMÉRICA LATINA E ÁSIA

A África continua sendo o continente mais afetado pela doença, com 1,1 milhão de mortos em 2013, 1,5 milhão de novas infecções e 24,7 milhões de africanos que vivem com o HIV.
África do Sul e Nigéria encabeçam a lista de países mais afetados, e a Unaids recorda que na África Subsaariana ainda é muito difícil o acesso às camisinhas: cada indivíduo sexualmente ativo tem acesso a apenas oito preservativos por ano, em média.

A América Latina tinha 1,6 milhão de soropositivos em 2013 (60% deles, homens) e o número de novos infectados permaneceu estagnado, com um recuo de apenas 3% entre 2005 e 2013. Na Ásia, os países que mais preocupam são Índia e Indonésia, onde as infecções aumentaram 48% desde 2005.

O relatório da Unaids destaca os avanços no acesso aos tratamentos antirretrovirais, com 12,9 milhões de pessoas atendidas em 2013, contra apenas 5,2 milhões em 2009. Mas o importante avanço é inferior à meta da ONU, que espera 15 milhões de atendidos em 2015.

Figura 01: Gel Microbicida. Fonte: pampa.com.br


GEL MICROBICIDA

Um novo gel microbicida apresentado em Madri pode prevenir a transmissão do vírus da AIDS, o HIV, durante as relações sexuais em um período de 18 a 24 horas, afirmaram os pesquisadores espanhóis responsáveis.

A chefe de seção do laboratório de Imunobiologia Molecular do Hospital Gregório Marañón, Ángeles Muñoz, apresentou o gel, de uso tópico e que está em fase pré-clínica com uma eficácia de 85% demonstrada em experimentos com ratos.

Professor titular do departamento de Química Inorgânica da Universidade de Alcalá, Javier da Mata, disse que se espera uma eficácia de 100% do gel se combinado gel com outros dois remédios antirretrovirais.

O gel, que não é tóxico, teria uma eficácia de proteção diante do HIV entre 18 e 24 horas, e durante esse tempo se poderia manter relações sexuais sem contágio. O ideal seria aplicá-lo cerca de 8 horas antes da relação sexual prevista, segundo os especialistas.

O composto se baseia no dendrímero 2sg-s16, um tipo de partícula microscópica que bloqueia a infecção de células epiteliais e do sistema imune contra o HIV, e não é espermicida, por isso existe a possibilidade, advertem os pesquisadores, de haver gravidez.

A doutora Muñoz explicou que o experimento foi realizado em nove ratos do tipo BLT, que receberam através de cirurgia células humanas de medula, fígado e a glândula timo. Em três ratos foi usado um placebo e nos outros seis foi aplicado o gel microbicida em suas células vaginais para, em seguida, introduzir o vírus HIV.

Como resultado, cinco dos ratos tratados com o gel não foram contagiados, enquanto um sexto morreu, o que representa eficácia de 85%. Também se estudará o efeito do gel nas células retais dos ratos, já que até agora a substância só foi aplicada em células vaginais.

O gel é o primeiro do mundo contra o Vírus de Imunodeficiência Humana (HIV) que utiliza dendrímeros carbosilanos, além disso, demonstrou-se que também inibe a infecção pelo Herpes de tipo-2, um tipo de herpes que têm três vezes mais possibilidades de contágio que o HIV.


PRESERVATIVO QUE DESATIVA O HIV E OUTRAS DSTS

Autoridades da Austrália aprovaram um preservativo desenvolvido no país que incorpora uma substância que desativa quase em sua totalidade o HIV e outros vírus sexualmente transmissíveis.

A empresa de biotecnologia Starpharma desenvolveu um composto antiviral chamado VivaGel, que segundo os testes de laboratório é capaz de desativar até em 99,9% o HIV, o herpes e outros vírus sexualmente transmissíveis, segundo a emissora local ABC.

A substância antiviral foi incorporada nos lubrificantes de preservativos produzidos pela Ansell, que já receberam um certificado de conformidade da Administração de Bens Terapêuticos.

A diretora-executiva da Starpharma, Jackie Fairley, disse que o sinal verde do organismo regulador australiano é um passo prévio a sua comercialização, que deve ser concretizada em poucos meses.

Ao explicar seu novo produto, Fairley destacou que o VivaGel, que tem propriedades antibacterianas e antivirais, desativa o HIV ao reduzir o número de partículas virais.

PARA SABER MAIS:

http://www.febrasgo.org.br/site/?p=3238
www.aids.gov.br

REFERÊNCIAS


ONUBR.  A ONU e a AIDS. Acesso em 2014. Disponível em: www.onu.org.br/a-onu-em-acao/a-onu-em-acao/a-onu-e-a-aids/

GAZETA DO POVO. AUSTRÁLIA APROVA PRESERVATIVO QUE DESATIVA HIV E OUTRAS DSTS. Acesso em 2014. Disponível em: http://www.gazetadopovo.com.br/saude/conteudo.phtml?tl=1&id=1485752&tit=Australia-aprova-preservativo-que-desativa-HIV-e-outras-DSTs

G1. INFECÇÕES POR HIV CAEM NO MUNDO, MAS CRESCEM NO BRASIL, DIZ ONU. 
Acesso em 2014. Disponível em: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2014/07/infeccoes-por-aids-caem-no-mundo-mas-crescem-no-brasil-diz-onu.html

TERRA. PESQUISADORES ESPANHÓIS APRESENTAM GEL MICROBICIDA CONTRA TRANSMISSÃO DA AIDS. Acesso em 2014. Disponível em: http://saude.terra.com.br/pesquisadores-espanhois-apresentam-gel-microbicida-contra-transmissao-da-aids,f6977400a8b17410VgnCLD200000b1bf46d0RCRD.html