segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Resenha do livro: Levi, Primo. É isto um homem?; tradução Luigi Dei Re. _ Rio de Janeiro: Rocco, 1988

Por: Eloana Santos Chaves, Huellingnton Robert da Silva, João Marcos Alberton


Figura 01: capa do livro: É isto um homem?
 fonte: slideshared
Levi apresenta seu livro como um aviso à humanidade sobre o perigo do desumano. Através da memória, ele reaviva sentimentos confusos de alívio, esperança, sobrevivência e tristeza no convívio coletivo entre a prisão e a morte. Seu objetivo é dividir esta vivência e libertar-se de sua angústia, como se exorcizasse em seu depoimento o desejo de resgatar a humanidade e a identidade como pertencente a todas as pessoas. 

A primeira parte do livro é uma espécie de poema, que dá nome ao livro: É isto um homem? Dividido em quatro partes, a primeira é uma estrofe que chama a atenção para o mundo a sua volta: sem comodidades, tão pouco seguro. A segunda narra os acontecimentos temíveis pelos quais passaram homens e mulheres. A penúltima é um pedido para que estes episódios sempre sejam lembrados e novamente considerados; a última é um exasperado ultimato contra o esquecimento dos fatos narrados pelos sobreviventes. 



A viagem 

Neste capítulo, Levi conta como ele e centenas de pessoas (judeus italianos) foram tratados a partir de sua detenção num campo de concentração em Fóssil em 1944. Ele tinha 24 anos. Estavam presas ali muitas outras pessoas (inclusive famílias), detidas por diversas situações, seus destinos eram igualmente incertos, entretanto emanava deles um misterioso sentimento de morte. Até que foi marcada uma viagem, todos deveriam se aprontar, a espera foi torturante, e a viagem não foi melhor. Todos foram colocados nos vagões, empilhados melhor dizendo, durante a viagem, o desconforto e a sede deram lugar ao medo e a angustia. Chegando ao destino, depois de uma longa e extenuante viagem, as pessoas foram despidas de seus pertences e separadas de seus entes. Ninguém respondia perguntas, nada se dizia, nada se sabia, todos apenas obedeciam, talvez pensando que ao fim tudo iria ajeitar-se e regular-se. Por fim, Levi e mais 29 homens foram postos em um caminhão que os transportou ao destino final.

Levi conta como mais tarde soube que praticamente todos que estavam no campo de concentração italiano desapareceram, sobrevivendo apenas alguns poucos homens e mulheres. Daquele dia em que ele e seus companheiros embarcaram no trem, todos foram para o campo de concentração em Monowitz perto de Auschwitz. Quando aí chegaram não lhes foi dado sequer água, completaram então mais de quatro dias com sede, mandaram que ficassem nus, seus pés estavam em água tóxica, ninguém respondia suas perguntas.

Eles passaram por desinfecção, receberam roupas de prisão e foram tatuados com números nos braços. Ali estavam prisioneiros políticos e criminosos alemães e poloneses, além dos judeus. Eram, então, três grupos distintos.
Ali todos tinham que trabalhar, se adoecessem, a chance de morrer era enorme; comer e  machucar-se o menos possível era seu o objetivo diário. O frio e a miséria humana eram os piores inimigos, piores até que seus desconhecidos algozes.
Iniciação

Nesta parte, Levi reflete sobre manobra e as justificativas para permanecer moralmente vivo naquele ambiente. Ele relata o entendimento que um dos condenados tem sobre a necessidade de sentir-se cidadão e, consequentemente, não entregar-se à morte moral do mundo.

Discorre sobre a importância de cultivar a memória para que os outros possam saber o que eles passaram. Ele ainda não compreende a situação onde se encontra, ele busca encontrar motivos para tudo aquilo.
Levi testemunha durante 20 dias o sistema de controle das enfermidades: as pessoas ou se curam antes disso ou podem se considerar mortas. Neste episódio, Levi se machuca significativamente no pé e precisa de atendimento médico. Apresenta-se no Ka-Be, um tipo de hospital do campo, onde médicos e enfermeiros são também prisioneiros, mas de outro grupo de "delito". Ele explica todos os procedimentos e o tratamento a que é submetido.

O que fica em sua memoria é que este lugar apesar de ser vexaminoso, humilhante e cruel, assegura momentos de reflexão.  Levi desperta a consciência de que o homem pode ser o pior inimigo dele mesmo, literalmente e em todos os sentidos.
Levi conta como eram suas noites. Lá eles dormiam quase sempre em dois num espaço de 70 cm de largura, quase sempre com desconhecidos. O cansaço não deixa o sono pesar. Ele conta um sonho coletivo, que outros companheiros compartilham, de serem ignorados quando contam o que passaram aos familiares e amigos; também sonham com comida. Outra coisa que dividem é o valor simbólico de alguns sinais, como barulhos específicos que eram reconhecidos e com o tempo podiam ser interpretados nos mínimos detalhes.

O trabalho 

Segundo Levi o trabalho pode se resumir em “empurrar vagões, carregar caibros, rachar pedras, remover terra com a pá, apertar nas mãos nuas o arrepio do ferro gelado” (p. 143). Ele descreve o trabalho como um exercício diário e doloroso, cuja sequência se desenha desde a arrumação da cama, permeia o trabalho extenuante até a volta a cama dura, estreita e fétida.
Durante o trabalho, os prisioneiros eram exauridos pela constância ou pelo peso ou pela dificuldade dos empreendimentos, o cansaço era tanto que mesmo ir à latrina, que era pior do que pudesse alguma pessoa imaginar, o autor a descreve como um oásis. O autor fala, nesse momento, que não consegue demonstrar sentimento como um ser humano, pois se encontra em letargia, num estado sem alma. 

Levi descreve a sensação de um dia em que pôde visualizar com mais cuidado o espaço onde se encontrava. Neste dia o sol iluminou a paisagem, e as cores precipitaram junto com elas a noção de toda a arquitetura das fábricas e dos campos de concentração, seus personagens e as hierarquias subumanas em que eram divididos. Neste dia, além do sol que aparecia, o grupo de que fazia parte (eram em 15) tinha conseguido, o que já havia acontecido outras vezes, mais comida além da ração diária, e esta satisfação os fazia sentirem-se confortáveis a ponto de lembrar-se de suas vidas.

Levi conta sobre as moedas de troca: camisas e o pão da manhã. Explica que havia um mercado que funcionava como uma bolsa onde cada troca era cotada com variações de câmbio e realizada de acordo com a fome ou o frio dos receptadores. Havia também negociação com trabalhadores externos aos campos de concentração onde outros itens podiam ser comercializados como fumo, camisas e obturações em ouro. Esse tipo de mercadoria tinha uma cotação maior relacionada com os riscos pela qual os negociadores se expunham. Trazer ou levar objetos acarretava penalidades que, para os de dentro do campo, podiam significar a morte; os de fora podiam ser submetidos à prisão rígida dentro do campo por cerca de oito meses. 

O sistema econômico nos campos de concentração se estabelece e se desenvolve por causa do racionamento de itens que lhes eram caros. Desta equação surgem roubos e exploração uns dos outros, o que era permitido e geralmente não gerava pena grave. Levi reflete sobre inversão de valores e a situação onde se encontrava.

No campo de concentração o homem se encontra na absoluta solidão, a luta pela sobrevivência torna o campo um lugar onde alguns se sobressaem fisicamente enquanto outros definham. Há apenas estas duas opções. Levi conta que a adaptação ao campo é a chance de sobrevivência no mesmo. Os trabalhadores que não participam desta organização social, suas variáveis e seus mecanismos de intercâmbio ficam a deriva e sucumbem dentro de três meses.

A importância de memoriar o vivido de extrair da experiência o conteúdo.
Desta vivencia em particular, Levi conclui que o silencio impera conforme o homem é submetido a necessidades e dor física diária.

Quatro homens: um, o criativo, para conseguir seu objetivo, melhorar de posição e destacar-se no campo, não se importa em dar uma surra em um camarada que foi seu cúmplice em um roubo; o segundo, planejador, mantém seu propósito firme, todos os dias, indiferente aos sacrifícios, justificando seus atos para conseguir uma situação melhor; o terceiro, um trabalhador incansável, adapta-se ao trabalho pesado do campo de concentração e se torna um ladrão eficaz, sua energia lhe traz privilégios dentre os outros. O último, o inteligente, alicia prisioneiros ingleses, cujos pertences possuem alto valor de troca na bolsa, astuto e ultra-racional, este homem não se deixa guiar pela afetividade e é movido apenas pelo desejo de manipular todo o tempo os homens e a situação ao seu redor. 

Levi conta sobre a esperança de tornar-se especialista. Abrem uma divisão de químicos e ele irá fazer uma prova para poder trabalhar lá. Ele participa de um interrogatório e responde perguntas, ficamos sabendo então que é um bacharel em química orgânica de Turim. A entrevista acaba e ele fica satisfeito por não ter trabalhado naquele dia.
Em conversa com um rapaz, cujos méritos de sociabilidade mereceram algumas páginas, deixa-se levar por lembranças agora poéticas do tempo da liberdade. Caminhando juntos, lado a lado, em direção ao trabalho, Levi declama trechos de poesias: quer explicar sua alma ao rapaz ao mesmo tempo em que compreende sua própria sorte.  

Memórias do fim da guerra: as construções pararam, o trabalho foi reduzido ao conserto dos estragos causados por bombardeios. A situação piorou ainda mais não havia água, nada de luz. 

Surge Lourenço: “A história da minha ligação com Lourenço é, ao mesmo tempo, longa e breve, simples e enigmática; é a história de uma época e de uma situação já canceladas de qualquer realidade atual e, portanto creio que não será compreendida a não ser, talvez como se compreendam as lendas e os tempos remotos". Um operário italiano, que por bondade trouxe a Levi pão e camiseta remendada durante 6 meses. Este ato de compaixão foi o responsável pela sobrevivência de Levi, não só pelo pão, não só por aplacar a fome da barriga, mas precisamente pelo sentimento de humanidade que ressurgia daquela realidade tão desacreditada. 

Dois meses se passaram e o inverno chegava. A chance de sobreviver cai desesperadamente. Levi descreve o suplício pelo qual deveriam passar, mas explica que suas palavras não têm, nem de perto, o mesmo significado, para tal entendimento outra língua deveria ser construída.

Levi descreve as seleções pelas quais eram escolhidos os que iriam morrer no dia seguinte, na câmera de gás. Estes rituais eram feitos quando os alojamentos excediam um número estipulado, a torre do crematório fumegava ainda mais.

Na memória de Levi eles contavam noventa e seis, com os italianos que estavam no mesmo trem somam se mais cento e setenta e quatro mil, destes apenas vinte e nove sobreviveram e oito foram “selecionados”. Assim sobraram vinte e um antes do inverno sobre o que ele começa a contar na sequencia. Conta-se ai um período de um ano.

A região estava sendo atacada, os prisioneiros sofriam ainda mais, pois com a desestrutura no campo aliada ao inverno, os prisioneiros judeus significavam menos que nada. Levi esmiúça as sessões de tortura no trabalho a que eram submetidos.
Finalmente, ele é chamado para trabalhar no laboratório- setor de polimerização. Isto salvaria a sua vida! Com o trabalho mais ameno, surgem ideias para aproveitar uma série de situações que escapavam ao controle dos Kapos, aparecem maneiras de conseguir mais comida que é igual dinheiro no campo. Ao mesmo surge um “homem” que tem uma atitude de rebeldia, e consegue explodir uma das fornalhas de crematório, nisto Levi conta que sentiu vergonha que ele tenha se ocupado em atitudes de sobrevivência própria enquanto outro foi tomado pelo sentido de embate.

Levi fica doente, se instala então na enfermaria, depois de quatro dias, tem a noticia de que os são e quem puder acompanhar sairão em marcha de  ca de vinte Quilômetros. Com Levi no mesmo bloco ficaram mais 10. Ele rememora os últimos dez dias, as primeiras noites escutavam se bombardeio parecia-lhe que em Auschwitz, não havia mais comida, outros homens batiam em seu alojamento, não podiam deixa-los entrar. De manha via-se os esfarrapos humanos perambulando ou se arrastando. Havia sujeira infectante por toda a parte, centenas de doentes espalhavam suas enfermidades. O inimigo gelo tornou-se um aliado - único meio de barrar os agentes mortíferos.

Na cozinha encontraram batatas, a água era retirada da neve suja. Nos dias restantes apesar da ou por causa da situação, Levi conta sobre os primeiros atos de  ‘reumanização’ entre eles desde que se encontravam no alojamento. 
Os mortos começaram a aumentar, não os tiravam dos beliches, os que eram retirados eram amontoados como uma trincheira. As coisas achadas no campo não eram divididas por igual entre os grupos de sobreviventes.

A situação se complicava à medida que as horas passavam, dos onze restaram três, os três amigos, os três que sabem... Até que finalmente foram resgatados, agora todos revivem todos.


BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR


NORA, Pierre. Entre memória e história - A problemática dos lugares. Projeto História: A história oral. São Paulo: EDUC, n. 10, dez., 1993.

POLLAK, Michael. Memória e identidade social. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, v. 5, n. 10, 1992.

POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos.
Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, 1989.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Torque e as Alavancas de ARQUIMEDES!

Por: Ana Caroline Pscheidt


Figura 01- Arquimedes.
Fonte  www.educ.fc.ul.pt3
O homem sempre buscou na natureza recursos que pudessem facilitar sua vida e, desde a idade da pedra, vem desenvolvendo artefatos que o auxiliam de alguma maneira em seu dia a dia. As alavancas nada mais são do que mais uma façanha do homem para realizar tarefas cada vez mais difíceis.

O mérito da invenção e principalmente da explicação do funcionamento das alavancas é sempre relacionado a Arquimedes, ele teria sido o inventor e primeiro a utilizá-las com grande sucesso.

Arquimedes é considerado um dos maiores matemáticos da antiguidade, viveu de 287 a 212 a.C. quase toda a vida em Siracusa, na costa da Sicília, atual Itália. Um de seus trabalhos mais famosos é relacionado ao empuxo, mas a utilização e explicação do funcionamento das alavancas foi também de grande importância.

A ideia da alavanca é utilizar um braço mecânico (que pode ser uma haste comprida) suspensa em um ponto de apoio, este funcionará como um eixo para que ela possa girar, formando então uma gangorra. Em uma das extremidades deve-se suspender uma carga ou peso, algo que se quer levantar, e na outra exercer uma força. Assim dependendo da distância entre o peso e o eixo, e entre a força aplicada e o eixo, poderemos com uma força pequena levantar grandes pesos. 

Arquimedes tem uma frase bastante famosa relacionada as suas invenções mecânicas e sua capacidade de mover grandes pesos realizando pouca força: “Dê-me um ponto de apoio e moverei a Terra!”

Figura 2 – alavanca.  Fonte: www.alunosonline.com.br


Para entender como uma alavanca funciona precisamos entender o conceito de torque, um conceito físico bastante importante quando queremos descrever sistemas dinâmicos.

O torque é a tendência à rotação, ou seja, a “vontade que algo tem de girar”. Por exemplo, ao empurrar uma porta para fechá-la, estamos causando um torque na porta, e ela então irá rotacionar em volta de seu eixo até fechar.

O torque depende da força aplicada e da distancia do eixo de rotação. Quanto maior a força aplicada na porta, por exemplo, e maior a distância entre o eixo de rotação e o ponto de aplicação da força, maior será o Torque, ou seja, mais facilmente ela irá fechar!

Tente fechar a porta empurrando bem perto do eixo de rotação...Isso fará o torque diminuir conseqüentemente será bem mais difícil fechá-la.

Figura 03 – Torque na Porta. Fonte: fisicaeplaneta.blogspot.com.br



Podemos escrever o torque como:
T = F.d
Onde 
F= força
d = distância  ( no desenho esta representado por b)

Uma alavanca tem dois lados:
LADO1 => onde será aplicada a força
LADO 2 => onde será sustentado o peso que se quer levantar.

Temos dois torques para analisar, T1 e T2, lembrando que por definição troque é a tendência a rotacionar. Sabemos que a haste é um corpo rígido, portanto, não há como uma parte girar mais do que outra, logo o torque nos dois lados deve ser igual, mas as forças e a posição onde foram aplicadas podem ser diferentes.

Imagine uma haste de um metro. No lado 2 iremos colocar uma massa de 10kg a uma distância de 50cm do eixo de rotação, ou seja, exatamente na extremidade da haste. Também na extremidade, mas agora no lado 1, quanta força devemos aplicar para levantar o peso???

T = Torque
F = Força 
d = Distância do objeto ao eixo.

Vamos calcular!

Usando o que sabemos sobre torque:
T1 = T2
 F1*d1 = F2*d2
como d1= d2 então F1 = F2

Ou seja, se as distâncias forem iguais então as forças também serão! Mas e se colocarmos uma massa de 10 kg a 25cm do eixo de rotação?

T1 = T2
F1*d1 = F2*d2

***lembrando que usaremos as medidas em metros e força = massa*aceleração!

F2=10kg*10m/s2 , F2 = 100N
Teremos F1*0,5m = 100N * 0,25m
F1 = (100N * 0,25m ) / 0,5
F1 = 50N

Ou seja, com uma força de apenas 50N, conseguimos levantar um peso de 100N!

Mostramos então que a alavanca pode ser muito eficiente. Mas, será que Arquimedes estava certo em pensar que uma pessoa poderia mover algo tão pesado quanto a Terra?
Se for possível, qual o tamanho da alavanca?

A massa da terra corresponde a aproximadamente 6*10^24 kg. Imaginemos então levantar algo com esse peso num local onde a gravidade é próxima a gravidade da terra (10m/s^2), ou seja, uma força peso de 60*10^24N. Uma pessoa adulta tem em media 80Kg, imaginando que irá apenas usar a força de seu peso então temos uma força de 800N.

Figura 4. Levantando o Mundo. Fonte: brincandocomafisicaequimica.blogspot.com



Temos:
T1=T2
F2 = Peso da terra 60*10^24N.
F1 = Peso da pessoa 800 N

F1*d1 = F2*d2
800N *d1 = 60*10^24N * d2

d1 = (60*10^24N  * d2 )/  800N
d1 = 0,75 * 10^23 *d2

Para que possamos levantar a terra, a distancia d2 deve ser 0,75*10^23 vezes maior que a distancia d1, ou seja, 7500000000000000000000000 vezes maior. Se a distancia d1 = 1 metro então a distancia d2 será 7500000000000000000000000.

Levantar a terra é com certeza uma situação hipotética, mas o uso das alavancas não, hoje elas são utilizadas em diversas situações reais para levantar objetos pesados e facilitar os mais diversos trabalhos. 

REFERÊNCIAS


Magnaghi, Ceno Pietr.  Análise e Tradução Comentada da Obra de Arquimedes Intitulada "MÉTODO SOBRE OS TEOREMAS MECÂNICOS". Disponível em: http://www.ifi.unicamp.br/~assis/tese-Ceno.pdf



quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

TRÉGUA DE NATAL NA PRIMEIRA GRANDE GUERRA – 100 ANOS

Por Tiago Henrique da Luz



Figura 01: Ilustração do London News sobre a 
confraternização entre britânicos e alemães.
Fonte: Wikimedia

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Após vários meses de conflitos e muitos mortos, em meio às trincheiras, ao sangue e ao arame farpado, soldados ingleses e alemães se encontram na véspera de Natal... para uma trégua!
Trégua não oficial, claro.

O DIA EM QUE A GUERRA PAROU

Figura 02: Fotografia de alguns soldados de ambos os lados, confraternizando.
Fonte: Wikimedia



Neste dia, os alemães começam um coro de Natal e até montam árvores natalinas, cujas lâmpadas são suas lanternas.
De acordo com um informante da imprensa britânica, “suas trincheiras estavam flamejantes com árvores de natal e nossos sentinelas se maravilharam por horas com canções natalinas tradicionais da “Fatherland” [Alemanha]. Seus oficiais até expressaram incômodo no dia seguinte, quando algumas das árvores levaram tiros, e insistiram que elas eram quase parte do rito sagrado”. Este episódio também é narrado por cartas pelos soldados.
E a situação mais inusitada ocorre quando começa uma conversa entre os soldados rivais em suas trincheiras e eles aceitam se encontrar no meio da “terra de ninguém”, isto é, transpõem a distância que separa os dois lados (que podia ser de apenas 30 metros). Ali, trocam presentes (cigarros por queijo, por exemplo), conversam e estendem a trégua não oficial para também poderem enterrar seus mortos. Conta-se, inclusive, que os rivais jogaram futebol...

De acordo com o fusileiro J. Reading: “(...) Nós não atiramos naquele dia e tudo estava tão quieto que parecia um sonho. Nós aproveitamos o dia calmo e recolhemos nossos mortos”.

Figura 03: Fotografia de descendentes de
 veteranos, rememorando a trégua.
Fonte: Wikimedia
Em um dos episódios, relatado pelo fusileiro C. H. Brazier, os ingleses foram até uma das casas bombardeadas e de lá apanharam chapéus de palha, sombrinhas, cartolas e até bicicletas, e saíram vestidos e brincando com tais objetos, numa cena bastante cômica que fez até os alemães rirem.

A trégua, em alguns casos, foi rigidamente acertada entre as partes, com duração média de um ou dois dias, entretanto a trégua não chegou a todas as trincheiras.

De acordo com um correspondente do jornal Manchester Guardian, o que aconteceu em seguida à trégua foi ainda mais surpreendente: “os soldados franceses e alemães que haviam confraternizado e se recusavam a atirar uns nos outros, tiveram de ser afastados das trincheiras e substituídos por outros homens”.

Em alguns casos a trégua se estendeu até o Ano Novo, mas em janeiro, a guerra havia sido retomada. E as tréguas não se repetiram nos natais seguintes...




REFERÊNCIAS

http://www.christmastruce.co.uk/article.html (em inglês). Acessado em Novembro de 2014.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

HEREDITARIEDADE

Por: Rafael Vitorino De Oliveira


Figura 01 – Duplo Filamento Complementar Dupla Fita de DNA. Fonte: Mundo Educação.

É comum observarmos muitas semelhanças entre os membros de uma família. Essas semelhanças podem ser físicas (estatura, feições, cor da pele, dos olhos, dos cabelos, tendência a magreza ou a obesidade), biológicas (temperamento, vocações artísticas, longevidade) ou patológicas (anomalias, doenças e predisposição as mesmas disfunções orgânicas).

Há trilhões de células num organismo humano adulto, e em cada uma delas, minúsculas estruturas chamadas de cromossomos, que contêm nos seus genes uma programação completa de todas as características hereditárias do individuo. Na formação dos gametas, esses genes se recombinam e segregam-se numa extraordinária análise combinatória. É dessa infinita recombinação gênica que resulta o fato de os indivíduos não serem iguais entre si em suas características físicas, funcionais e comportamentais.

A hereditariedade é o fenômeno que explica as semelhanças observadas entre pais e filhos ou entre indivíduos de uma mesma linhagem, e este é estudado pela genética. Conhecendo a Genética, estaremos aptos a compreender como, de um casal em que ambos os pais tenham olhos castanhos, pode resultar um filho de olhos azuis, ou então, como pais baixinhos podem ter filhos altos. Muitas anomalias e doenças tem caráter hereditário, e este conhecimento de posse da ciência pode ser um caminho para o aperfeiçoamento de tratamentos e cuidados com a procriação das espécies.

A hereditariedade sempre foi de interesse do homem, antes mesmo do surgimento do nome já se estudava como as características eram transmitidas dos pais para os filhos. Muito foi descoberto para que tenhamos as informações atuais, e essa busca por respostas é o combustível da ciência.

Uma das hipóteses mais antigas registradas na história da biologia foi a da pré-formação ou progênese. Ela admitia que, no interior dos gametas, já existisse uma microscópica miniatura de um novo individuo. Essa minúscula criatura recebeu o nome de homúnculo, e com o passar do tempo viria a crescer. Só com o aperfeiçoamento do microscópio é que essa hipótese foi definitivamente afastada.

No século XIX, Charles Darwin (1809-1882), na Inglaterra, levantava uma nova questão:

“Não ocorreria em todos os órgãos do corpo a produção de diminutas cópias deles mesmos – as gêmulas ou pangenes - , as quais seriam levadas pelo sangue até gônodas, onde se reuniram para a formação dos gametas?”

Durante a fecundação, essas gêmulas se organizariam e estruturariam um novo organismo. Essa foi a hipótese da pangênese (do grego pan = ‘todos’ e genesis = ‘origem’), que explicaria a origem de todos os órgãos, suas formas e funções, de acordo com as semelhanças observadas entre pais e filhos.

No fim do século XIX, Francis Galton (Inglaterra, 1822-1911) sugeria que a herança se desse através do sangue. Criou a “Lei da Herança Ancestral”, onde dizia que o sangue de cada individuo seria uma mistura do sangue de seu pai e de sua mãe numa proporção de 50%.

A hipótese da epigênese, lançada por Karl Ernst von Baer (Alemanha, 1792-1876), foi a que mais se aproximou da realidade. Para Von Baer, os gametas não traziam nenhuma estrutura do novo ser. Traziam, sim, a potencialidade para fazer com que uma intensa reprodução celular levasse à formação do embrião, com tal distribuição e funcionamento das células que fosse permitido ao novo organismo reproduzir as características dos seus ancestrais.

O termo Genética foi aplicado pela primeira vez pelo biologias inglês William Bateson (1861-1926), para definir o ramo das ciências biológicas que estuda e procura explicar os fenômenos relacionados com a hereditariedade.

As conclusões definitivas para explicar satisfatoriamente os mecanismos da herança dos caracteres só vieram à luz com os trabalhos de Johann Mendel, austríaco (1822-1884).


Figura 02 – Dregor Mendel, Considerado o Paia da Genética. Fonte: Brasil Escola.

PARA SABER MAIS:

Universidade Federal de Campina Grande. Gregor Johann Mendel. Disponível em: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/GregMend.html

Universidade de São Paulo. Hereditariedade e a Natureza da Ciência. Disponível em: http://dreyfus.ib.usp.br/bio203/texto1.pdf

REFERÊNCIAS:

SOARES, José Luiz. Biologia no Terceiro Milênio 2. São Paulo: Scipione, 1999. 470p.

BURNS, George W; BOTTINO, Paul J. Genética.6° ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991. 381p

sábado, 20 de dezembro de 2014

Mandamos Foguetes para o espaço!

Por: Marcos Diego Lopes

Essa história começou a ser desenvolvida no início do século XX, com o estudo de viabilizar viagens espaciais. Três homens o americano Robert Goddard, o alemão Hermann Oberth e o russo Kostantin Tsiolkovsky. Apesar de terem a mesma idéia de mandar foguetes ao espaço, eles nunca se encontraram e foram ignorados pela comunidade científica da época.

Em 1926, Goddard testou o primeiro motor de foguete movido a combustível líquido. O motor usava gasolina e oxigênio líquido.

Figura 1:Goddard e seu foguete. Fonte: www.techtudo.com.br

Logo em 1929, Oberth explicou como foguetes poderia escapar a força gravitacional da Terra. 
Já Tsiolkovsky, foi um cientista russo pioneiro no estudo dos foguetes e da cosmonáutica. Foi um dos principais representantes do movimento filosófico russo conhecido como Cosmismo, surgido no início do século XX. Tsiolkovsky foi o primeiro a calcular que a velocidade de escape da Terra para órbita era de 8 km/segundo e que para atingir esta, era necessário um foguete de múltiplos estágios utilizando oxigênio líquido e hidrogênio líquido como propelentes.

Porém, só em 1942, um aluno de Oberth, o alemão  Werhner Von Braun conseguiu desenvolver o primeiro foguete com objetivos militares na segunda guerra mundial. O Foguete V2 – alemão (cujo nome código era A4), e funcionava basicamente com álcool e oxigênio líquido.
  
Figura 2: Foguete alemão V2. Fonte: http://www.warphotostore.com/

Os foguetes de propulsão química são os meios mais utilizados para colocar objetos na órbita terrestre.

Definindo propulsão, como sendo a forma que se pode acelerar ou alterar o repouso de um corpo, através de energias internas, transportando os combustíveis (armazenados em tanques).

Para que aconteça a propulsão química, deve haver  a interação de um combustível e um oxidante, formando o propelente que irá liberar energia decorrente da sua queima.

A reação química dos propelentes transforma a energia contida nas ligações químicas das moléculas dos propelentes em energia cinética da matéria ejetada (produtos da combustão). A temperatura dessas reações varia, geralmente, entre 2.000 e 4.000ºC e os produtos são ejetados através de uma tubeira, ou bocal, em velocidades supersônica que variam de 1.800 a 4.300 m/s.

Os diversos processos de propulsão química se classificam conforme os propelentes sejam sólidos, líquidos, gasosos ou híbridos.

Propulsão Sólido

Os propelente sólidos são produtos químicos, na forma de uma massa sólida das mais variadas configurações e de diversos tamanhos, que produzem gases em alta pressão.

Um propelente sólido deve possuir obrigatoriamente combustível (resinas orgânicas, polímeros...) e oxidante (nitratos, percloratos...), contudo alguns componentes podem ser adicionados para melhorar as características da queima: 

- Compostos Químicos combinados (nitro-celulose ou nitroglicerina);

- Aditivos Inibidores (controlar processo de produção, taxa de combustão, etc.);

Além da forma geométrica do núcleo que permite restringir a superfície de combustão variando o comportamento e o empuxo do motor durante a queima;

Propelentes Líquidos

No caso da propulsão por combustível líquido o propelente e o oxidante são armazenados em reservatórios fora da câmara de combustão. Ao serem misturados na câmara de combustão, produz os gazes da queima que são expelidos em altíssima velocidade pelo bocal, impulsionando o foguete.
Diversos tipos de pares propelentes são utilizados com vantagens e desvantagens relativos. As principais vantagens se encontram no controle da ignição e a câmara de combustão é leve.

Um dos propelentes clássico que se utiliza é a hidrazina (N2H4), que se decompõe em presença de um catalisador, produzindo nitrogênio, hidrogênio e amônia e elevando a temperatura do sistema acima de 800ºC (utilizados em micropropulsores) ou hidrogênio líquido que são os combustíveis (utilizado em propulsores de maior porte) se juntando ao oxigênio líquido (função de oxidante).


Figura 3: Propulsão Líquida e Sólida. Fonte: http://media.escola.britannica.com.br

Propulsão Gasosa

É a forma mais simples de se obter empuxo. Normalmente é constituída por um reservatório contendo gás armazenado a alta pressão, que é liberado para a atmosfera. Portanto, seu funcionamento independe de reação química. É extremamente simples e confiável, porém com relação peso/empuxo bastante desfavorável. Só é utilizado em casos bem específicos.
Propulsão híbrida

É o foguete em que propelente e oxidante estão em câmaras separadas e em estados diferentes: líquido/sólido ou gasoso/sólido. É o meio-termo entre a propulsão sólida e a propulsão líquida. A SpaceShipOne (a primeira nave espacial particular) utiliza este tipo de propulsão.

Figura 4: foguete SpaceShipOne. Fonte: http://www.qualidadeaeronautica.com.br


É importante que os propelentes atendam algumas características desejáveis como, segundo Porto (2007) deverão:

a) Alta liberação de energia química leva a alta performance e por conseqüência a altos valores de temperatura de chama e impulso específico;

b) Baixo peso molecular dos produtos da combustão é desejável por aumentar o valor do Impulso específico;

c) O propelente precisa ser estável por um longo período de tempo e não deve deteriorar-se quimicamente ou fisicamente durante a estocagem;

d) Alta densidade do propelente sólido permite o uso de uma câmara de menor volume e logo uma câmara mais leve;

e) O propelente não pode ser afetado pelas condições atmosféricas;

f) O propelente deve ter sua temperatura de auto-ignição  relativamente alta e ser estável ao impacto;

g) O propelente deve apresentar alta resistência mecânica em particular as de tração, compressão e cisalhamento, qualidades adesivas e módulo de elasticidade e alongamento;

h) Um coeficiente de expansão térmica que combine com o material da câmara ira minimizar a movimentação relativa entre os dois componentes e a tensão térmica do propelente estocado;

i) A composição do propelente deve ser quimicamente inerte durante a estocagem e operação.

REFERÊNCIAS

Artigo: PORTO, Bruno Ferreira. TEORIA, METODOLOGIA DE PROJETO E DESENVOLVIMENTO DE MOTORES FOGUETE A PROPELENTE SÓLIDO E FOGUETES EXPERIMENTAIS, Curitiba – 2007;

http://www.lcp.inpe.br/Plone/LCP/linhas-de-pesquisa/propulsao-1<09-2014>;

http://www.cdcc.sc.usp.br/cda/sessao-astronomia/seculoxx/textos/foguetes-e-satelites.htm <09-2014>;

www.astro.iag.usp.br <09-2014>;

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

DINOSSAUROS: SENHORES DO MESOZÓICO - TRIGONOSAURUS

Por Marcelo Domingos Leal


 Figura 01 – Trigonosaurus pricei. Fonte: http://www.uftm.edu.br.


O Trigonosaurus pricei tem seu nome derivado da região onde foi achado na década de 40, o triângulo mineiro. E o epíteto price é uma homenagem ao seu descobridor, o paleontólogo gaúcho Llewellyn Ivor Price.

Esta espécie foi coletada na década de 40, juntamente com outra, o Baurutitan, na região de Peirópolis, perto da cidade de Uberaba no Triângulo Mineiro, após as dicas dadas a Ivor Price em 1947 pelo pesquisador do Instituto Geológico de São Paulo, Jesuíno Felicíssimo Junior, dizendo: “Na região de Peirópolis, em Minas Gerais, há muitos fósseis de dinossauros.”

Na ocasião, Price, que inaugurou as escavações na região de Peirópolis, recolheu diversas vértebras e ossos, entre elas as dos novos dinossauros (Trigonosaurus e Baurutitan), que só seriam descritos oficialmente 60 anos mais tarde. Estes fragmentos pertencem a bacia sedimentar denominada de Bacia Bauru, na formação Marília. O Trigonosaurus pricei só foi conhecido mundialmente como nova espécie em 2005, quando os pesquisadores do Museu Nacional do Rio de Janeiro publicaram artigos sobre a espécie. Alexander Kellner, pesquisador dessa instituição, e Diogenes de Almeida Campos, do Departamento Nacional de Produção Mineral, participaram dos estudos. O artigo sobre o T. pricei teve também como autores Reinaldo Bertini e Rodrigo Santuci, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro. Como todos os outros dinossauros, o Trigonosaurus viveu na Era Mesozóica, mas em um período chamado de Cretáceo Superior, a cerca de 70 milhões de anos atrás.

O Trigonosaurus pertencia a uma classe de dinossauros denominada Saurópodes (os famosos dinossauros Geográfico pescoçudos), e parentes próximos dos Terápodes. Os Saurópodes possuíam características como pescoço alongado, cabeça pequena, corpo volumoso e cauda longa, além da garra no polegar das patas dianteiras. Era uma espécie de porte médio, com aproximadamente 9,5 m de comprimento, até 4 m de altura, e uma massa de 8 a 12 toneladas. Apesar de ser um parente próximo dos Terápodes (carnívoros), era um dinossauro essencialmente herbívoro, então seus hábitos alimentares incluíam a ingestão de folhas, principalmente de gimnospermas, as espécies dominantes na época.


PARA SABER MAIS:


ANELLI, L. E. O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil. Ilustrações de Felipe Alves Elias. São Paulo: Peirópolis, 2010.

Museu dos Dinossauros. Trigonosaurus pricei. Disponível em: http://www.uftm.edu.br/museudosdinossauros/index.php/fosseis?showall=&start=15

REFERÊNCIAS


ANELLI, L. E. O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil. Ilustrações de Felipe Alves Elias. São Paulo: Peirópolis, 2010.

LEAL, M. D. Apostila Procurando os Dinossauros. Pinhais: PNFM, 2007.

Museu dos Dinossauros. Trigonosaurus pricei. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.uftm.edu.br/museudosdinossauros/index.php/fosseis?showall=&start=15

Prehistoric Wildlife. Trigonosaurus (a.k.a.‭ ‬Peirópolis titanosaur‭). Acesso em 2014. Disponível em: http://www.prehistoric-wildlife.com/species/t/trigonosaurus.html

Ciência Hoje das Crianças. Conheça os Novos Dinossauros Brasileiros. Acesso em: 2014. Disponível em: http://chc.cienciahoje.uol.com.br/conheca-os-novos-dinossauros-brasileiros/

Instituto Ciência Hoje. Já são 14 os dinossauros brasileiros. Acesso em: 2014. Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/arqueologia-e-paleontologia/ja-sao-14-os-dinossauros-brasileiros/

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Rifle de Gaus - Acelerador magnético linear.


Por: Elisiane C. O. Albrecht

Rifle de Gauss- “Acelerador de Partículas” Magnético.

O funcionamento de um acelerador de partículas pode ser demonstrado através de um experimento simples. O Rifle de Gauss é constituído de forma linear, montado sobre uma bancada reta, com um trilho no qual se tem ímãs fortes, onde as bolinhas de metal se movimentam, com isso é possível aplicar campo magnético dando uma energia mecânica às bolinhas. Estas são dispostas sobre o trilho à frente dos ímãs de tal forma que durante o movimento das primeiras, as próximas sejam “aceleradas”.

Figura 1: Representação Gráfica do Acelerador de partícula linear. Fonte: Science.


Com este dispositivo podemos perceber uma reação magnética em cadeia que causa o aumento da energia cinética do sistema. Para realizar a experiência é necessário colocar, no mínimo, duas bolinhas à frente de cada ímã, armando assim o também conhecido Rifle de Gauss. Para ocorrer o disparo é essencial que se empurre uma esfera do lado contrario ao que se encontram as outras. Assim, essa adquirirá uma energia cinética através do empurrão, que podemos adotar como inicial. Quando o projétil (a bolinha) se aproximar do ímã ele sofrerá uma interação com seu campo magnético aumentando sua energia cinética, ou seja, sua velocidade aumentará, quando esse colidir com o anteparo (ímã) ele transferirá sua energia cinética às esferas que estão à sua frente. A segunda bolinha (mais afastada do ímã) é disparada e continua o ciclo. Com isso, as próximas bolinhas sairão com maior velocidade e, em consequência, a última bolinha irá se mover com uma velocidade relativamente maior do que a da primeira que foi empurrada em direção ao primeiro ímã.

Figura 2: Experimento rifle de Gauss. Fonte: SCI-Toys.



Se imaginarmos que o sistema é ideal, ou seja, considerando que todas as bolas possuam o mesmo diâmetro, que os ímãs tenham o mesmo tamanho e mesma magnetização, que o trilho não exerça atrito sobre as esferas e que as colisões sejam elásticas (a energia cinética e o momento linear se mantem iguais antes e depois da colisão) o aumento da energia cinética será linear.

Este experimento possui um análogo no meio microscópico são os aceleradores de partículas. Existem diversos laboratórios com este tipo de tecnologia espalhados pelo mundo. A diferença primordial é que ao invés de se usarem esferas metálicas, empregam-se luz ou pacotes de partículas elementares, tais como prótons, elétrons, nêutrons, fótons e etc. Estas são aceleradas com a interação do campo magnético. Vale ressaltar que não existem apenas aceleradores lineares, há também dispositivos circulares.

O acelerador de partículas mais conhecido é o LHC (Large Hadron Collider - O Grande Colisor de Hádrons) que fica localizado em Genebra, Suíça no CERN. Este é, atualmente, o maior acelerador de partículas do mundo, e tem como um de seus objetivos reproduzir uma situação molecular e micro espacial semelhante o que aconteceu após o inicio do big bang. O Brasil também possui essa tecnologia, o Laboratório Nacional de Luz Sincrotron esta situado na cidade de Campinas, em São Paulo e faz pesquisa em diversas áreas da ciência.

Figura 3: Visão geral do LNLS em Campinas. Fonte: Autor.



PARA SABER MAIS:

Com nosso projeto, Brasil celebra 25 anos de acelerador de partícula. http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/05/com-novo-projeto-brasil-celebra-25-anos-de-acelerador-de-particulas.html


REFERENCIAS:

Acelerador linear Magnético. Disponível em:
http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/bitstream/handle/mec/10512/Acelerador_linear_magn%C3%A9tico.pdf?sequence=1. Acesso em outubro de 2014.

Rifle de Gauss- (Acelerador linear Magnético). Disponível em : 
http://www.cienciamao.usp.br/tudo/exibir.php?midia=pmd&cod=_pmd2005_0505. Acesso em outubro de 2014.

Dois experimentos do Eletromagnetismo na Mecânica: Movimento de uma haste metálica e Rifle de Gauss. Disponível em :
http://www.ifi.unicamp.br/~lunazzi/F530_F590_F690_F809_F895/F809/F809_sem1_2007/PauloF-Newton_RF1.pdf . Acesso em outubro de 2014.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

POLUIÇÃO DA ÁGUA, TOXICOLOGIA E SAÚDE AMBIENTAL

Por: Anelissa Carinne Dos Santos Silva

Figura 01– Poluição de um Rio. Fonte: fronteirageografica.blogspot.com

Os ambientes aquáticos vêm sofrendo constantes pressões por parte do ser humano, onde muitos indivíduos conservam o pensamento de que a água é um bem privado e infinito. “Nos últimos 60 anos, a população mundial duplicou, enquanto o consumo de água multiplicou-se por sete” (MORAES, 2002).

São três os principais grupos das possíveis fontes de contaminação das águas: esgotos, resíduos de origem agropecuária e de origem industrial.


ESGOTOS

Os esgotos domésticos possuem detritos orgânicos, restos de alimentos, gorduras, fosfatos, etc. Grandes centros urbanos necessitam de um maior fornecimento de água, produzindo assim uma maior quantidade de resíduos líquidos. Esta maior quantidade de detritos (principalmente fosfatos presentes em detergentes) pode significar mais alimento para certas algas, que ao se reproduzirem em excesso, consomem todo o alimento, morrendo logo a seguir. Assim, a quantidade de algas presentes na superfície de água aumenta consideravelmente, causando um efeito denominado eutrofização. Este aumento considerável da quantidade de algas faz com que o consumo de oxigênio aumente em muito, prejudicando assim os organismos aquáticos, que morrem por asfixia. Estas algas também podem produzir toxinas que atacam o fígado e o sistema nervoso dos seres humanos, e além disso:

Inúmeras pesquisas têm detectado freqüência anormalmente alta de neoplasias em peixes em regiões industrializadas. (…) Aumento estatisticamente significativo de mutações cromossômicas foi verificado em plantas coletadas ao longo de um rio contaminado, quando comparadas a plantas crescendo em região não contaminada. (…) Foram encontradas, também, elevadas freqüências de células aberrantes em sistema-teste vegetal (Allium cepa) tratado com águas de efluente municipal que desemboca às margens do rio Paraguai, no pantanal sul-matogrossense, comprovando a genotoxicidade dessas águas (MORAES, 2002).
Figura 02 – Esgoto sem Tratamento. Fonte: www.vivaterra.org.br


AGROPECUÁRIA

O uso de fertilizantes de modo desordenado apenas vem contribuir para o aumento da poluição dos recursos hídricos.

O gás de amônia, presente no esterco, irrita olhos e vias respiratórias, lesiona células nervosas e sanguíneas – podendo levar o indivíduo a óbito, sendo que os seres mais atingidos são os peixes. O estrume, ao chegar aos lençóis freáticos, também aumenta a contaminação das águas. O ideal seria usá-lo para compostagem.

Fertilizantes, facilmente arrastados da lavoura para os rios através das águas das chuvas, contribuem para o processo de eutrofização, além de provocar males à saúde humana, como intoxicação, diarreia e dores de cabeça.

Para reduzir a poluição, deve-se diminuir a quantidade e frequência de uso de fertilizantes, evitar plantações em locais inclinados e esperar as raízes das plantas estarem desenvolvidas para utilizar tais compostos.

O uso de praguicidas para combater insetos, fungos e ervas daninhas também contaminam as águas. Estes tóxicos podem ser propagados pelo vento, limpeza incorreta dos materiais de aplicação, pela chuva, etc.

As águas contaminadas por praguicidas afetam os peixes, o alimento que será consumido por outros animais, inclusive pelo ser humano, causando nestes alergias, feridas expostas, câncer, problemas no fígado e rins, dentre outros. A fiscalização para o limite de uso destas substâncias e campanhas para a correta aplicação são de extrema importância.


O CASO DA CONTAMINAÇÃO DE BOVINOS

A bactéria Clostridium botulinum produz as toxinas botulínicas, das quais os tipos C e D são as mais frequentes como causa da morte de bovinos.

Estas bactérias são propagadas principalmente por cadáveres de outros bovinos contaminados que estejam em contato com a água utilizada por outros animais. Dutra et al. (2001) analisa as amostras retiradas de certas fazendas, chegando ao seguinte resultado: “O coeficiente médio de mortalidade nos surtos descritos foi de 20,1%, oscilando de 1,7 a 52,5%, com letalidade de 99,92%. A morbidade foi de 31,62%.”

Assim, percebe-se que o descuido em relação à contaminação da água (aliada à deficiência de fósforo nas pastagens) favorece a transmissão da bactéria, uma das principais causas de morte de bovinos no Brasil.


INDÚSTRIAS

Compostos orgânicos e inorgânicos despejados de modo incorreto pelas indústrias aumentam a poluição da água.


Figura 03 – Resíduo Industrial Pega Fogo na China : Fonte: noticias.r7.com

Em casos de despejo de petróleo, o qual forma uma película sobre a superfície da água, as plantas aquáticas não conseguem fazer trocas gasosas, peixes e caranguejos são impedidos de respirar, aves perdem a impermeabilidade das penas, plantas terrestres não absorvem nutrientes do solo e o Homem além de outros animais terrestres tem o aparelho digestivo afetado.

Os detergentes, especialmente emulsionantes e desinfetantes, são muito tóxicos para os peixes. Sugere-se o uso de detergentes biodegradáveis.

Outros produtos muito tóxicos para humanos e peixes são os fenóis, compostos encontrados nos resíduos de indústrias e hospitais. Plantas aquáticas e bactérias podem ajudar a degradar estes compostos.

Entretanto, derivados de naftalenos e difenilos policlorados não são degradados naturalmente e causam sérias intoxicações no ser humano, além de lesões em sua pele.

Metais pesados (mercúrio, cádmio, zinco, níquel, cobalto, etc.) provocam quadro clínico próprio, que pode demorar a aparecer, com sintomas como: paralisação progressiva dos órgãos dos sentidos, redução do número de glóbulos vermelhos, redução do cálcio dos ossos, pouca resistência a infecções e até mesmo levar a óbito. Tal distúrbio ambiental eleva o nível de eutrofização nos corpos d´água. Necessita-se de fiscalização mais rigorosa e campanhas de conscientização acerca dos riscos em usar tais elementos químicos.

Um exemplo de contaminação por mercúrio é relatado por DIAS (2002, pág. 12):

“Em 1968, apareceram os efeitos mais dramáticos da poluição. Crianças nasceram cegas, mudas e deformadas por causa do mercúrio despejado por indústrias químicas, na Baía de Minamata (Japão). O mercúrio atingiu a população humana por meio da cadeia alimentar (mariscos e peixes absorveram o mercúrio e transmitiram para as pessoas que deles se alimentaram). Encontrava-se mercúrio até no leite materno.”

OUTRA FONTE DE CONTAMINAÇÃO: A RADIAÇÃO

A poluição ambiental por radiação deve-se principalmente a testes e acidentes, ocorridas principalmente nas décadas de 1950 e 1960. Dos materiais, os que se destacam são césio-137, estrôncio-90 e plutônio-239.

A forma mais comum de dispersão destes materiais se dá por fatores biológicos, além de fatores químicos e físicos.

“O estrôncio-90, em adição, poderá participar no equilíbrio com carbonato e devido a similaridade química com o cálcio, sofrer uma ação de fixação no meio marinho, podendo ser adsorvido nos sedimentos, ossos e carapaças de animais marinhos e corais, e no homem, este elemento estará presente nos ossos (…) No Brasil existem dados sobre a concentração de césio-137 em água de mar e peixes em vários pontos da costa, do Pará até o Rio Grande do Sul” (FIGUEIRA, 1998).


PARA SABER MAIS:

Embaixada do Japão no Brasil. O caso de contaminação por mercúrio na baía de Minamata: http://www.br.emb-japan.go.jp/cultura/ambiente.html

REFERÊNCIAS

DIAS, G. F. Iniciação à Temática Ambiental. SP: Gaia, 2002.

FELLENBERG, G. Introdução aos Problemas da Poluição Ambiental. SP: EPU, 1980.

FIGUEIRA, R. C. L.; CUNHA, I. I. L. A Contaminação dos Oceanos por Radionuclídeos Antropogênicos. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40421998000100012&lang=pt>. Acessado em Set 2014.

MEC, MMA. Consumo Sustentável: Manual de educação. Brasília: Consumers International/ MMA/ MEC/IDEC, 2005.
MORAES, D. S. L.; JORDÃO, B. Q. Degradação de Recursos Hídricos e Seus Efeitos Sobre a Saúde Humana. Disponível em:

<http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102002000300018&lang=pt>. Acessado em Out 2014.
DUTRA, I. S., DÖBEREINER, J., ROSA, I. V., SOUZA, L. A. A., NONATO, M. Surtos de botulismo em bovinos no Brasil associados à ingestão de água contaminada. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-736X2001000200002&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em Jun 2014.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Niels Bohr e a idéia do modelo atômico.

Por: Marcos Diego Lopes


Figura 1: Niels Bohr.
 Fonte: 
www.physics.umd.edu
Niels Henrik David Bohr, filho de Christian Bohr, e de Ellen Adler, nasceu a 7 de Outubro de 1885 em Copenhague, Dinamarca. 

Criado em um ambiente favorável para o seu desenvolvimento intelectual, pois seu pai, que era professor de fisiologia na Universidade de Copenhague, desde cedo o incentivou a estudar física e matemática e proporcionou-lhe o acesso à leitura e à cultura. 

Bohr entrou para a Universidade de Copenhague, onde foi influenciado pelo Professor Christiansen, um físico bastante reconhecido e prestigiado na época. Com 21 anos ele se tornava mestre em física e com 26 anos obteve o grau de doutor com a tese "Studies on the electron theory of metals"(a teoria do elétron de metais).

Estudando essa teoria que ele começou a elaborar e relacionar com a teoria de Max Planck, a energia como minúscula partícula (ou quanta). Em 1912, foi trabalhar com J.J. Thompson (que desenvolveu o modelo atômico pudim de passas). Logo após foi apresentado a Ernest Rutherford (modelo atômico de Rutherford ou modelo atômico planetário).

A partir da influência desse três grandes cientistas, que ele desenvolveu a Teoria do seu Modelo atômico que lhe rendeu um prêmio Nobel (1922).

O modelo Atômico de Bohr mostra o átomo como um pequeno núcleo, carregado positivamente cercado por elétrons em sua órbita.


Figura 2: representação de um átomo que ilustra modelo atômico de Niels Bohr, que um átomo é um pequeno núcleo, carregado positivamente cercado por elétrons em órbita.  Fonte: http://www.notapositiva.com


No início do século XX era fato conhecido que a luz branca  podia ser decomposta em diversas cores (utilizando-se um prisma) . Essa decomposição da luz solar obtém um espectro chamado espectro contínuo. Este é formado por ondas eletromagnéticas visíveis e invisíveis (radiação ultravioleta e infravermelho). Na parte visível desse espectro  não ocorre distinção entre as diferentes cores, mas uma gradual passagem de uma para outra. Como a cada onda eletromagnética está associada certa quantidade de energia, a decomposição da luz branca produz ondas eletromagnéticas com toda e qualquer quantidade de energia.


Figura 3: Espectros das substâncias. Fonte: adolcros.com


Porém, se a luz atravessar um prisma contendo substância como hidrogênio, sódio, neônio, etc. será obtido um espectro descontínuo. Este é caracterizado por apresentar linhas coloridas separadas. Em outras palavras, somente alguns tipos de radiações luminosas são emitidas, isto é, somente radiações com valores determinados de energia são emitidas.

Baseado nessas observações experimentais, Bohr elaborou um novo modelo atômico cujos postulados são:

Os elétrons não se encontram em qualquer posição, eles giram ao redor no núcleo em orbitas fixas e com energia definida. As órbitas são chamadas camadas eletrônicas, representadas pelas letras K, L, M, N, O, P e Q a partir do núcleo, ou níveis de energia representados pelos números 1, 2, 3, 4...;

Os elétrons ao se movimentarem numa camada eletrônica não absorvem nem emitem energia;

Os elétrons de um átomo tendem a ocupar as camadas eletrônicas mais próximas do núcleo, isto é, as que apresentam menor quantidade de energia;

Um átomo está no estado fundamental quando seus elétrons ocupam as camadas menos energéticas;

Quando um átomo recebe energia (térmica ou elétrica), o elétron pode saltar para uma camada mais externa (mais energética). Nessas condições o átomo se torna instável. Dizemos que o átomo se encontra num estado excitado;

Os elétrons de um átomo excitado tendem a voltar para as camadas de origem. Quando isso ocorre, ele devolve, sob a forma de onda eletromagnética, a energia que foi recebida na forma de calor ou eletricidade.

Esses postulados explicam a existência dos espectros de emissão descontínuos: como o elétron só pode ocupar determinadas órbitas, as transições eletrônicas (ida e volta do elétron) ocorrem em números restritos, o que produz somente alguns tipos de radiação eletromagnética e não todas como no espectro contínuo. 

Outro conceito de Bohr importante foi o da complementaridade, que descreve que o elétron pode ser onda ou partícula, não os dois ao mesmo tempo. Conceito importantíssimo para a Teoria Quântica.

Trabalhou para o projeto de Energia Atômica dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, fundamentando a significativamente para os estudos científicos sobre fissão nuclear. Porém defendia a aplicação pacífica da física atômica.

 Tudo o que chamamos de real é feito de coisas que não podem ser considerados como real (Niels Bohr).

REFERÊNCIAS

Silva, Roberto da Silva; Hashimoto, Ruth R.; Novo Manual Nova Cultural Química. São Paulo, SP. Editora Nova Cultural, edição: 1999;

<http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/physics/laureates/1922/bohr-bio.html> Acesso em: 06/2014;

<http://www.livescience.com/32016-niels-bohr-atomic-theory.html> acesso 06/2014;

<https://encryptedbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTXZg0Z2mEC4ZZzPwuUtQ1E5HqHc6cfIB7OgvfMSQVv-SnrHEt_> Acesso em: 10/2014;

<https://encryptedtbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR5TJyOC6UhdTojGsQP8Es2KbRhjG1tezeTDw9yawM53NCKy5fI> Acesso 10/2014;

<http://www.notapositiva.com/trab_estudantes/trab_estudantes/fisico_quimica/10historiadoatomo/10historiadoatomo3.jpg> Acesso em: 10/2014.