terça-feira, 24 de novembro de 2015

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

ECOLOGIA: VOCÊ SABE DO QUE SE TRATA ISTO!!!

Figura 01 – Ecologia. Fonte: Envolverde.
A ecologia é a ciência que estuda as interações entre os organismos e seu ambiente, ou seja, é o estudo científico da distribuição e abundância dos seres vivos e das interações que determinam a sua distribuição. As interações podem ser entre seres vivos e/ou com o meio ambiente. A palavra ecologia tem origem no grego "oikos", que significa casa, e "logos", estudo. Logo, por extensão seria o estudo da casa, ou, de forma mais genérica, do lugar onde se vive.

Hoje utilizamos muitos artifícios tecnológicos para estudar nosso planeta, para “fazer” ecologia. Podemos pensar que satélites têm a mera função de registrar conversas ou localizar pessoas, e muitos deles realmente fazem isso, mas alguns estão a serviço dos ecólogos, registrando e transmitindo dados das migrações anuais das baleias-cinzentas. A Eschrichtiu robustus, ou a baleia-cinzenta, após o nascimento de seus filhotes nadam lado a lado com os mesmos e outras centenas de baleias em uma jornada de 8.000 Km em direção ao Oceano Ártico, a procura de alimento: poliquetas, crustáceos, tubícolas e outros seres vivos que cresceram durante o verão ártico. Estes satélites também ajudam os biólogos a traçarem outra rota, ainda mais importante que a de migração das baleias-cinzentas: a sua rota para longe da extinção, já que seu número vem crescendo após anos de proteção a estes seres vivos.

Que fatores ambientais determinam a distribuição geográfica das espécies? Como a variação da quantidade de alimento afeta o tamanho da população dos seres vivos? Como estes interagem entre si, e com o meio físico que os rodeiam? Questões como estas são enfoque da ecologia, e estas interações ocorrem em uma hierarquia de escalas que os ecólogos estudam, desde o organismo até a biosfera. Podemos entender um pouco mais disso no quadro a seguir: a amplitude da pesquisa ecológica.


Ecologia do Organismo
Inclui as subdisciplinas da ecologia comportamental, e fisiológica, e esta se preocupa com a forma como a estrutura, a fisiologia e (para os animais) o comportamento destes enfrentam os desafios impostos pelo ambiente.

Ecologia de Populações
População é um grupo de indivíduos da mesma espécie que vive em uma área em um mesmo intervalo de tempo. A ecologia das populações analisa os fatores que afetam o tamanho populacional e como e por que isso muda ao longo do tempo.

Ecologia de Comunidades
Comunidade é um grupo de populações de diferentes espécies que habitam uma área em um mesmo intervalo de tempo. A ecologia de comunidades examina como as interações entre as espécies, como a predação e a competição, afetam a estrutura e a organização das comunidades.

Ecologia de Ecossistemas
Ecossistema é um conjunto composto pela comunidade de seres vivos de uma área e fatores físicos com as quais eles interagem. A ecologia de ecossistemas enfatiza o fluxo de energia e os ciclos químicos entre os seres vivos e o ambiente.

Ecologia de Paisagem
Paisagem (terrestre ou marinha) é um mosaico de ecossistemas conectados. As pesquisas em ecologia de paisagem enfocam os fatores que controlam as trocas de energia, de material e de seres vivos entre múltiplos ecossistemas.

Ecologia Global
A biosfera é o ecossistema global – a soma de todas as paisagens e ecossistemas do planeta. A ecologia global examina como a troca regional de energia e de materiais influencia o funcionamento e distribuição dos seres vivos na biosfera.

Os últimos anos do século XX estão sendo marcados por uma progressiva tomada de consciência do homem no que diz respeito à necessidade de conservação do ambiente. Mais que nunca, dissemina-se a ideia de que a continuidade da vida em nosso planeta depende de políticas efetivas no sentido de serem evitados, entre outros, problemas como desmatamento, queimadas, desaparecimento de espécies, crescimento populacional desenfreado e – o grande mal dos nossos tempos – a poluição. A ecologia deixa de ser um conhecimento meramente teórico e passa a ser um problema do cotidiano. Mas estamos apenas no começo. Pelo menos no Brasil, ainda não se pode falar em uma política que leve realmente a sério a conservação do ambiente. Mais cedo ou mais tarde, porém, as coisas terão de mudar, pois disso depende a continuidade da vida na Terra. Não se espere, contudo, que, subitamente, todos os homens entrem em consenso e passem a defender o ponto de vista ecológico, pois a adoção de muitas das medidas visando à preservação ambiental exige, além de conscientização, fortes doses de renúncia.

Por Marcelo Domingos Leal


REFERÊNCIAS


ODUM, E. P.; Ecologia. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1988.

RICKLEFS, Robert E.; A economia da Natureza 5º edição. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2003.

SÃO PAULO, 1997. Glossário de Ecologia. 2ª ed. ACIESP. Nº 103. 352 p.

AB’SABER, A. et alii (eds.) 1987. Glossário de Ecologia. São Paulo, Publicação ACIESP nº57: 271pp.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O GERADOR DE VAN DE GRAAFF SÓ SERVE PRA ARREPIAR OS CABELOS?

O gerador de Van de Graaff é utilizado em escolas, feiras de ciência, centros de divulgação científica e outros lugares para demonstrar princípios da eletrostática. É um experimento muito conhecido pelas inúmeras atividades divertidas que podem ser realizadas, por exemplo, arrepiar os cabelos, conduzir latinhas de alumínio sem tocá-las, dentre outras. Entretanto, por que ele tem esse nome estranho? E para qual finalidade ele foi construído?

O responsável por construir essa máquina foi Robert Jemison van de Graaff, físico e engenheiro mecânico estadunidense nascido em Tuscaloosa, Alabama. Van de Graaff bacharelou-se em engenharia mecânica na Universidade do Alabama, obtendo o título de mestre no ano seguinte na mesma universidade. Em 1924 foi para Paris, onde participou de conferências com Marie Curie sobre radiação. Em 1925 entrou para a Universidade de Oxford, na Inglaterra, onde obteve os títulos de Bacharel e Doutor em Física em 1926 e 1928, respectivamente. Van de Graff se interessou muito pela área de Física Nuclear, querendo saber mais sobre as partículas que formam o átomo.

Assim, ao retornar para os Estados Unidos, dedicou-se a construir um acelerador eletrostático, ou seja, um acelerador de partículas. Os aceleradores impulsionam partículas subatômicas para que colidam com núcleos atômicos para poder estudá-los. O primeiro protótipo do gerador eletrostático de Van de Graaff foi construído no final de 1929 e alcançou 80.000 volts, enquanto trabalhava na Universidade de Princeton, Nova Jérsei. Em 1931, Van de Graaff conseguiu 1.000.000 de volts.
Figura 1: Ilustração simples mostrando o interior do Acelerador Eletrostático construído por Van de Graaff. Fonte: Adaptado de www.if.ufrj.br/~mms/lab4/Capitulo_08_Aceleradores.pdf
Já trabalhando no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), apresentou um modelo em 28 de novembro de 1933 que alcançou 7.000.000 volts, acontecimento reportado pelo jornal New York Times, no outro dia, com o título "Man Hurls Bolt of 7.000.000 Volts". O princípio de funcionamento do acelerador de Van de Graaff era o seguinte: uma partícula carregada negativamente é direcionada a um terminal carregado positivamente. Enquanto a partícula passa pelo terminal, elétrons são retirados desta partícula. Isso faz com que a partícula torne-se positivamente carregada e então caminhe no sentido contrário do terminal que está carregado positivamente também.

Figura 2 Gerador de Van de Graaff como o utilizado em demonstrações. Fonte: Site Feiras de Ciências.


Como dito, atualmente o Van de Graaff é mais utilizado para fazer demonstrações de efeitos da Energia Eletrostática. Apesar de já existirem modernos aceleradores de partículas com outras tecnologias, os aceleradores eletrostáticos ainda são utilizados por sua grande precisão.

Por Alan Henrique Abreu Dias


REFERÊNCIAS:

SALA, Oscar – O gerador eletrostático e suas aplicações. Disponível em: <http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252010000500003&script=sci_arttext>

Robert Jemison van de Graaff – Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Jemison_van_de_Graaff>

Aceleradores Eletrostáticos – Aula de Laboratório IF-UFRJ. Disponível em: <www.if.ufrj.br/~mms/lab4/Capitulo_08_Aceleradores.pdf>

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

DESMISTIFICANDO O SABER GEOGRÁFICO COM YVES LACOSTE

Yves Lacoste. Fonte: Wikimedia.
O francês Yves Lacoste foi um dos vanguardistas responsáveis por uma transição epistemológica na Geografia, sobretudo nos anos 1970, culminando na Geografia Nova ou Crítica. Tal transição se baseou numa reaproximação à sociologia e a história (em menor grau também à filosofia), especialmente às ideias e aos questionamentos de caráter marxista desenvolvidos por essas disciplinas ao longo do século XX. Consistindo, essa geografia renovada, como um verdadeiro esforço em reinterpretar a realidade espacial do mundo pela ótica dos conflitos sociais e econômicos nas suas mais variegadas formas e escalas (GODOY, 2010). 

Um dos marcos desse momento histórico acontece com a publicação da obra A Geografia, Isso Serve em Primeiro Lugar Para Fazer a Guerra de Yves Lacoste, em 1976. Tal obra escandalizou e atordoou a comunidade acadêmica da época com título tão provocativo e com um conteúdo verdadeiramente revelador e ousado, tornando-se uma das bases das discussões sobre o papel e os objetivos do geógrafo até os dias de hoje. Um dos temas nucleares dessa obra trata, justamente, de discutir para que serve, de fato, a geografia e é exatamente nessa questão que se revela a face oculta desse saber, seu papel político-ideológico...

Figura 1: Heródoto aponta um revólver com silenciador para o globo terrestre. Ilustração de Wiaz para a capa da 9ª edição do livro A Geografia, Isso Serve em Primeiro Lugar Para Fazer a Guerra. Fonte: Livraria Leitura.





















Para Yves Lacoste (2005), a Geografia, é uma área do conhecimento (científico ou não, isso, para ele, pouco importa) que aparece ao longo da história como instrumento de exercício e manutenção do poder. Ela é levada ao seu paroxismo e exagero pela expressão da guerra. Nesse sentido, o geógrafo incorpora um papel político-estratégico subordinado ao Estado ou a qualquer outra instituição/estrutura significativamente influente, onde o território e a sociedade são compreendidos com o objetivo final de dominação, controle, previsão e estabilização.

Esse saber geográfico de caráter político-estratégico foi ao longo do tempo considerado como uma técnica e um saber privilegiado, que proporcionaria vantagens, políticas, econômicas e militares, de uns (Estados, corporações, etc.) sobre outros. Portanto a verdadeira natureza dessa geografia não poderia ser massificada, mantendo-se tal conhecimento como um sigiloso monopólio das elites. Trata-se do que o autor chamará de a “Geografia dos Estados-maiores” e que existe há milhares de anos, desde as formações dos primeiros conglomerados políticos dotados de instrumentos militares e de desejos de dominação e extensão do poder (LACOSTE, 2005). 

Por outro lado, uma segunda forma de geografia passou a ser reproduzida nas instâncias educativas da sociedade, sobretudo em estados autoritários e totalitários. Tratava-se de uma geografia meramente enciclopédica e descritiva que servia, em um primeiro momento, como um dispositivo mistificador do espaço e de seus conflitos latentes, culminando em um discurso ideológico de viés nacionalista, que favorecia a manutenção hegemônica de determinado grupo político. Uma geografia que aparentemente se mostrava ingênua e mesmo enfadonha, mas que, em essência, era totalmente estratégica, pois neutralizava o seu verdadeiro valor, além de dissimular as possibilidades políticas a qual poderia servir. Essa aparência de neutralidade e inutilidade a qual se revestia a geografia lhe tornava incólume a qualquer forma de crítica: assim, segundo Lacoste, um discurso ideológico, político e bastante delicado era transmitido como um discurso pedagógico inofensivo e grácil.

Essa geografia, fazendo-se uso da cartografia e das paisagens, servia para exaltar a nação, suas fronteiras, conquistas, riquezas, benesses e potencialidades, ao passo que menosprezava ou simplificava outras culturas e nações, tornando-as exóticas e carentes de ajuda, o auge disso pode ser observado nos Estados Unidos do século XX, especialmente nos períodos das grandes guerras e da Guerra Fria (LACOSTE, 2005). Tal momento está especialmente associado com a expansão do neocolonialismo, onde uma intensa “propaganda geográfica” foi popularizada para justificar a ação militar, política e ideológica dos Estados Unidos pelo mundo a fora. Essa geografia, portanto, justificava a supremacia de determinada nação ou grupo de nações sobre outras e ao mesmo tempo apresentava argumentos que naturalizavam a guerra como um mal necessário, e a colonização e dominação como uma virtude que favorecia os dominados a se civilizarem e a se desenvolverem nos virtuosos moldes ocidentais, de modo a torná-los passíveis da influência externa. 

Tal propaganda ideológica foi também semeada meticulosamente nos países explorados junto a um amplo conjunto simbólico disseminado pelas potências a fim de se domesticar cultural e politicamente tais nações, tornando-as passivas e tolerantes a influência imperialista, facilitando a branda exploração dessas nações em prol das novas potências mundiais. Trata-se do que veio a se chamar de neocolonialismo (DORFMAN; MATTELART, p. 66, 1977).

Por Anderson Rodrigo Pereira da Graça


REFERÊNCIAS:


DORFMAN, Ariel; MATTELART, Armand. Para ler o Pato Donald: comunicação de massa e colonialismo. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1977. Tradução de Alvaro de Moya.

GODOY, Paulo R. Teixeira de (Org.). História do Pensamento Geográfico e Epistemologia em Geografia. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010.

LACOSTE, Yves. A geografia - isso serve em primeiro lugar para fazer a guerra. 9. ed. Campinas: Papirus, 2005. Tradução de Marília Cecília 
França.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015