domingo, 20 de janeiro de 2013

Ônibus do Parque da Ciência é tematizado!

O ônibus do programa de itinerância "Parque da Ciência vai à escola" também está de cara nova. O projeto de customização feito pelos professores Ana Caroline Pscheidt e Rafael Gama Vieira, ambos integrantes da equipe do Parque, buscou retratar e relacionar diversas áreas do conhecimento científico e artístico. 

O programa "Parque da Ciência vai à escola" objetiva despertar e estimular o interesse pela Ciência e Tecnologia, através do desenvolvimento de atividades de divulgação científica nas escolas que apresentaram os menores índices no IDEB, abrangendo, inicialmente, a APA do Iraí e a microrregião de Cerro Azul no vale do Rio Ribeira, sendo posteriormente expandido para outras regiões. 

Novo ano, novo informativo Ciência e Diversão!

O informativo Ciência e Diversão ganhou um novo visual e novas seções, trazendo não só o que foi destaque no Parque da Ciência mas, também, novidades e curiosidades sobre pesquisas e descobertas científicas. 

Além das tradicionais seções "Ciência em foco" (textos e publicações dos professores do Parque da Ciência) e "De olho no céu" (principais fenômenos astronômicos do mês), o informativo agora conta com as seções "Marcou época", que exibe alguns fatos marcantes no mundo científico ocorridos no mês em questão e "Fatos rápidos", que contém informações e dados curiosos sobre diversos assuntos. 

Visite o Parque da Ciência nas férias!

O Parque da Ciência está disponivel para receber você e sua família no período de férias escolares. Venha fazer uma instigante viagem pelo mundo das descobertas científicas. São 5 pavilhões temáticos falando sobre universo, planejamento urbano, vida e meio ambiente, energia, paleontologia, botânica, entre outras áreas. 

Os principais destaques são o Planetário Indígena, onde o visitante conhece um pouco mais sobre os fenômenos celestes e as constelações ocidentais e indígenas e a Sala 3D Milton Santos, munida de um sistema de projeção e óculos especiais que permitem contemplar a Terra em 3 dimensões! 

A visitação ao Parque é gratuita, porém é necessário agendá-la através do telefone (41) 3666 6156 em horário comercial. 





Será que realmente há um baú de ouro no final do Arco-íris?

Por Elisiane Campos


Você já se perguntou se existe um tesouro escondido no final de um arco-íris, ou até mesmo será que há um jeito de chegar ao final dele? Será que estes mitos são realmente verdadeiros? Na Ciência sempre existe uma resposta, porém, as respostas que iremos encontrar não são para estas perguntas, mas sim como o arco-íris se forma, ou por que o arco-íris é um arco e não um retângulo, entre outras.

O arco-íris ocorre devido a dois tipos de fenômenos ópticos: a refração, com a decomposição da luz branca, seguida da reflexão total dela no interior de uma gotícula de água em suspensão na atmosfera. A refração é o processo de desvio do feixe de luz que, ao passar de um meio material para outro (o ar, para a água da gota de chuva) sofre uma variação em sua velocidade. Ao sofrer refração a luz se decompõe em um leque multicor de luzes monocráticas, pois cada cor tem um ângulo de refração especifico. Na parede interna da gota, as cores sofrem reflexão total e emergem, passando por nova refração, formando outro feixe.

Uma pessoa só conseguirá observar um arco-íris se estiver de costas para o sol e se houver gotas de água no ar. É por isso que quando o Sol aparece logo após uma garoa, conseguimos ver um belo fenômeno da natureza: o Arco-íris.

Algumas pessoas já tiveram o prazer de presenciar um arco-íris duplo. Esses são formados devido a dupla reflexão da luz nas gotas da chuva e suas as cores estão dispostas em sentido oposto às do primeiro.

E por que o arco-íris possui uma forma de arco? Uma gota de chuva típica é esférica e, portanto seu efeito sobre a luz do sol é simétrica ao redor de um eixo através do centro da gota e o caminho da luz. Ao pôr do sol o Arco-íris apresenta o maior arco, só não é visto um círculo completo porque o horizonte da terra o impede. Quanto mais alto o sol, durante o Arco-íris, menor será o semicírculo formado. Assim agora é só esperarmos uma chuva de verão, onde logo após a garoa temos alguns raios de luz, para quem sabe termos a oportunidade de admirarmos um maravilhoso arco-íris.




quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Notas sobre Inteligência Artificial: Gödel

Piergiorgio Odifreddi                                                                       Tradução: Sergio Faria

Na postagem anterior sobre este assunto,  apresentamos a primeira de três partes do artigo de Piergiorgio Odifreddi na qual ele apresenta dois livros sobre a inteligência artificial que se apoiam no teorema de Gödel. Aqui vai a segunda parte onde o autor expõe considerações sobre esse teorema.

O teorema de Gödel

Nas discussões filosóficas, tais como aquela sobre a Inteligência Artificial, os aspectos técnicos do teorema de Gödel são ao mesmo tempo um obstáculo, uma diversão e uma cobertura. 

Trata-se de um obstáculo, porque, enquanto a demonstração do teorema de Gödel é um apenas um jogo para os matemáticos por sua simplicidade é, para uma pessoa de fora, complicado e requer técnicas 'novas' e por esta razão Hofstadter e Penrose são obrigados a longas explicações, para serem convincentes.

É uma diversão, porque a formulação técnica que se refere a precisas propriedades de determinados sistemas matemáticos, pode ser usada fora da matemática somente depois de ser despojada de tais  precisões e propriedades, e, portanto, apenas de uma forma na qual os aspectos técnicos tenham  desaparecido.

E é uma cobertura quando, inclinando-se sob o poder avassalador da ciência moderna, chega-se a pensar que é somente através  do método científico que se pode alcançar uma "verdade", e então  cobre-se  com fórmulas um argumento filosófico apenas para fazê-lo parecer respeitável.

Em primeiro lugar, o princípio fundamental do Teorema Gödel já havia sido claramente indicado por Kant, tanto sua “Crítica da Razão Pura” como nos “Prolegômenos a toda Metafísica Futura”. Isto não é surpreendente, dado que Gödel apontaria como a razão do seu sucesso a seguinte receita: "focar apropriadas noções filosóficas tradicionais  e, se possível,  adicionar uma pitada de precisão". 

O sistema de Kant pode agora ser descrito brevemente, dizendo que as categorias ("conceitos intelectuais", por exemplo) são simplesmente as noções primitivas de uma formulação de cálculo de predicados. As idéias transcendentais ("conceitos da razão") são obtidas por uma passagem ao limite de algumas dessas categorias. Em particular, o limite da implicação - que corresponde à categoria de causalidade - é alcançado indo-se o mais  para trás possível na busca das premissas (ou causas), e é dito causa primeira; o limite de disjunção - que corresponde à categoria de comunidade -  consiste em considerar  uma disjunção tão abrangente que engloba todas as coisas, e é chamado de Deus; e, finalmente, até o limite de predicado atômico - que corresponde à categoria de substância - que chega à noção de individualidade e é chamado de alma.

Os racionalistas, como Descartes e Leibniz, que fizeram da razão  base adequada de suas filosofias, aceitaram não só considerar estas idéias transcendentais como sensatas, como tentaram provar a sua existência mediante argumentos racionais. Seus trabalhos coroaram em certo sentido uma tradição patrística e escolástica, em que se abandonava a 'prova' da existência de deus (escrevemos "deus" e não "Deus" de acordo com Tomás de Aquino, que havia advertido que um deus cuja  existência fosse provada não poderia ser o Deus da revelação, de cuja existência se devia crer por fé, e não por motivos racionais).

Kant não se limitou a observar o fracasso dessas tentativas de "demonstração", foi muito além disso. Ele mostrou, através de quatro antinomias, que as idéias transcendentais são contraditórias, e apresentou a seguinte conclusão:  se você precisar de completude da razão, permitindo a consideração de ideias "até o limite", você cai na inconsistência. Em particular, as idéias transcendentais são As Colunas  de Hércules do intelecto, e todo aquele que tente superá-las esta destinado a se afogar em contradição.

A conclusão de Kant pode ser reformulada, dizendo que se a razão quer ser coerente, não pode ser completa (no sentido de poder decidir sobre todo problema que esta coloca). Se se substituir a 'razão' por 'sistema matemático", você tem uma formulação precisa do Teorema de Gödel. E a prova de Gödel procede, em essência, como a de Kant: dado um sistema matemático, Gödel considera ideia transcendental aquela obtida como o limite da não demonstrabilidade no sistema (uma fórmula que diga de si mesma que não é demonstrável no sistema) , e mostra que, se o sistema é completo (ou seja, decide cada fórmula, demostrando ou a si mesma ou a sua negação), então você acaba caindo em contradição.

O resultado que do acabamos de discutir é frequentemente chamado ‘primeiro’ Teorema Gödel para distingui-lo de sua consequência,  que é chamada de "segundo" teorema de Gödel. Esta é, simplesmente, uma formulação precisa da seguinte intuição psiquiátrica. Quando alguém diz, provavelmente em uma voz agitada e gestos: "Olha, eu não sou louco", a nossa reação natural é dar um passo atrás e colocarmo-nos em guarda: quem não é louco de fato não tem, geralmente, necessidade de declarar isso, essas declarações bastante suspeitas, ao contrário, são frequentemente gritadas por alguém sendo levado para um manicômio, numa camisa de força. Por outro lado, de um louco bem podemos esperar qualquer afirmação, inclusive  aquela de, não ser louco (desde que, é claro, ele tenha um nível mínimo de expressão).

De um ponto de vista lógico, Gödel descobriu que a mesma situação surge para sistemas matemáticos. Um sistema é inconsistente (matematicamente "louco"), se dele se pode esperar qualquer afirmação (ou seja, se ele demonstra  qualquer fórmula). E os únicos sistemas que comprovam a sua consistência (isto é, que não afirmam serem "loucos") são precisamente os que são inconsistentes (desde que, é claro, tenham um nível mínimo de expressão) . 

Gödel apresentou este teorema, no final do seu trabalho de 1931, como  uma “merkwürdig", (em alemão, ‘curiosidade’). Mas isso excitou as mentes, e a prova disso, foi a tradução para notável (em inglês, remarkable), ou seja, "significativo" e mais tarde até mesmo “surpreendente” (surprising). A reação de Gödel quando leu a tradução foi: 'Se eles acham que é incrível, o que eu posso fazer?'.

*Este artigo publicado oiriginalmente em italiano, em “La rivista dei libri” (edição Italiana do “New York Rewiew of Books”), por Piergiorgio Odifreddi, matemático e logicista italiano, apaixonado por História da Ciência, é composto de três partes. As duas outras aparecerão em números posteriores deste informativo. (Sergio A. B. Faria)


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Arte, Ciência e Meio Ambiente.

Por João Marcos Alberton

O reconhecimento e a importância na expressão da arte, certamente anterior à fala e a escrita, remontam nossa história em diversas ações existenciais que fecundam a realidade e essencializam nossos conhecimentos.

A arte e o prazer da vida, independentemente de classe social ou meio em que se viva, são inerentes ao ser humano. O ser humano produz a partir de questões fundamentais que lhe dizem respeito. Tal questionamento constante se faz sob a perspectiva de seu lugar no mundo. Tanto a ciência como as artes respondem a essa necessidade mediante a construção de objetos do conhecimento, na particularidade do sujeito e no âmbito de suas relações sociais.

Quanto à aprendizagem, conforme preconizou HEIDEGGER, citado por MORIN (2000, p. 55) “o corpo de ensino tem de chegar aos postos avançados do mais extremo perigo, que é constituído pela permanente incerteza do mundo”.

O próprio conceito de verdade, sua flexibilidade, torna-se verdade provisória, o que muito se aproxima estruturalmente dos produtos da ciência e da arte na busca do significado da vida no Planeta. Assim, ao objetivar sentimentos, a arte permite ao espectador uma melhor compreensão de si próprio, dos padrões e da natureza dos sentimentos. “Isto está de acordo com a importância intelectual e, efetivamente, biológica da arte: somos impelidos à simbolização e articulação do sentimento quando temos de compreende-lo a fim de nos mantermos orientados na sociedade e na natureza” ( LANGER, p. 262 ). A busca de significações, movida por necessidades subjetivas, faz que o ser humano encontre ordenações nos fenômenos vivenciados, os quais, talvez em última instância, correspondam à busca de determinados estados de equilíbrio interno  (FAYGA OSTROWER, P.51).

As expressões apreendidas da realidade do mundo e de cada um são elaboradas na mente por meio de imagens, constituindo o aspecto fundamental da imaginação humana: percebemos, compreendemos, criamos e nos comunicamos, sempre por intermédio de imagens, formas.

Na arte, as formas expressivas são sempre formas de estilo, formas de linguagem, formas de condensação de experiências, formas poéticas e, neste sentido, também as palavras das poesias, ou de níveis poéticos, devem ser entendidas como formas verbais. Nelas, fundem-se a uma só vez o particular e o geral, a visão individual do artista e a da cultura em que vive, expressando assim certas vivências pessoais que se tornam possíveis em seu contexto cultural.

Na conversão de imagens e significados, fundamentam-se as linguagens simbólicas. Como seres conscientes, temos a capacidade de vivenciar o próprio ser e, ainda, de tomar conhecimento do conteúdo de nossas vivências. (FAYGA OSTROWER, 1990, p.51).

O estudo da linguagem, sob as formas mais consumadas – literária e poética-, leva-nos diretamente ao caráter mais original da condição humana, pois, como afirmou BONNEFOY, citado por MORIN (2000, P.55) “são as palavras, com seu poder de antecipação, que nos distinguem da condição animal” . O mesmo autor enfatiza que a importância da linguagem está em seus poderes, e não em suas leis fundamentais.

A poesia faz parte da literatura, mas, ao mesmo tempo, é mais que literatura porque nos remete à dimensão poética da existência humana. Revela que habitamos a terra não apenas prosaicamente – sujeitos à utilidade e à funcionalidade -, mas também poeticamente, destinados ao deslumbramento, ao amor, ao êxtase. Pelo poder da linguagem, a poesia nos põe em comunicação com o mistério, que está além do dizível.

As artes levam à dimensão estética da existência – conforme o adágio que diz que a natureza imita a obra de arte -: ensinam a ver o mundo esteticamente.

Trata-se, enfim, de demonstrar que, em toda grande obra, de literatura, de cinema, de poesia, de pintura, de escultura, há necessariamente um pensamento profundo sobre a condição humana (MORIN, 2000, p. 43-45).

Nesse contexto da compreensão dos crescentes desafios da humanidade, como o das relações entre as sociedades humanas e a natureza, destaca-se a urgência da conscientização de valores e ações sensibilizando atitudes para o reconhecimento do meio ambiente, objetivando tanto quanto possível a harmonia entre o ser humano, a sociedade e a natureza (GUIMARÃES, 1995, p. 28).

O tema meio ambiente trata de questões relativas ao ambiente em que vivem os seres humanos e as demais espécies do Planeta, o que envolve além dos elementos físicos e biológicos, os modos como a humanidade interage com esses elementos, como parte dessa natureza, por meio dos processos vitais do trabalho, da ciência, da arte e da tecnologia.

Esse tema em especial da busca de caminhos pessoais e coletivos que levem ao estabelecimento de descobertas nas relações econômicas, sociais e culturais, cada vez mais adequadas à promoção de uma boa qualidade de vida para todos, tanto no presente quanto no futuro. Tal transformação implica a exigência de profundas mudanças na visão que ainda prevalece, neste inicio de milênio, acerca da natureza e das relações entre sociedades humanas e seu ambiente de vida.

Referências:
ALBERTON, J. M. "Um olhar sobre o mar" - Atividades de Arte-educação como temática ambiental na comunidade da Ilha de Superagui - Guaraqueçaba - PR. Dissertação de Mestrado. PPGE-UFPR.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Química e a datação dos fósseis.

Por Alan Eduardo Wolisnki


Fósseis são vestígios ou restos de seres vivos, animais ou vegetais, preservados em vários tipos de matérias. São encontrados principalmente nas rochas, porém, gelo, piche natural e resinas também podem servir para a preservação desses elementos. Paleontologia é a ciência que usa os fósseis como objetos de estudo.

Porém como saber em que parte da história aquele animal ou vegetal existiu? Quantos anos têm um fóssil?

O método mais utilizado hoje em dia é a Datação Radioativa. No final do século XIX, o físico Francês Antoine Henri Becquerel, percebeu que um sal de Urânio emitia raios que impressionavam uma chapa fotográfica coberta por um papel escuro. Assim, começaram os estudos da Radioatividade.

No método de datação de um fóssil, são utilizados elementos denominados Radioisótopos. O fenômeno de isotopia ocorre quando um elemento químico apresenta o mesmo número de prótons, porém diferente número de nêutrons. Por exemplo, Carbono-12 e Carbono-14, onde 12 e 14 são os números de massa atômica dos respectivos elementos. E para este elemento, os dois nêutrons a mais fazem com que o 14C torne-se instável e Radioativo.

Um Isótopo radioativo pode emitir três formas de Radiação: Alfa, Beta e Gama. Neste processo de desintegração, os produtos formados podem continuar sendo instáveis, desintegrando posteriormente até alcançar um equilíbrio.

Sabe-se que o 14C forma-se naturalmente nas camadas superiores da atmosfera, quando átomos de Nitrogênio-14 são bombardeados por nêutrons presentes nos raios cósmicos.
Após sua formação, este reage com o Oxigênio do ar, dando origem ao 14CO2 , o qual entra no metabolismo dos seres vivos juntamente com o 12CO2 (normal), e por toda sua vida, esta  relação entre 12C e 14C será constante. Porém, com a morte, não ocorre mais absorção do 14C, diminuindo sua concentração no organismo devido à sua desintegração radioativa, através da emissão de uma partícula Beta.
O decaimento radiativo ocorre constantemente, e o tempo necessário para que metade dos núcleos radioativos de certo elemento possam se transformar em outros mais estáveis, é conhecido como tempo de semidesintegração ou meia-vida (t1\2).

Cada elemento apresenta um tempo de decaimento próprio. Para o 14C  esse período é 5730 anos, e dessa forma, essa técnica utilizando o carbono, é confiável apenas para fósseis de até 60 mil anos. 

Comparando a relação entre 12C e 14C de um fóssil encontrado e essa mesma relação em um ser vivo, é possível saber de forma precisa há quantos anos aquele animal existiu.

Outros radioisótopos úteis para a datação radioativa são:

- Urânio-235 (t1\2 = 700 milhões de anos);
- Potássio-40 (t1\2 = 1,25 bilhões de anos);
- Urânio-238 (t1\2 = 4,5 bilhões de anos).

Referências

Carneiro, C.D.R, Mizusaki, A.M.P., Almeida, F.F.M. 2005. A determinação da idade das rochas. TERRÆ DIDATICA p.6-35.








Acidentes Hidrológicos e Geológicos Urbanos.

Por Anelissa Carinne dos Santos


A ocupação do solo nas cidades “vem se caracterizando por não obedecer a qualquer critério de planejamento em relação aos recursos naturais existentes e ao interesse maior de bem-estar da coletividade.” (OLIVEIRA, p. 9)

Este uso inadequado pode causar: voçorocas, erosão, afundamentos cársticos, assoreamentos, erosão marinha, inundações, destruição de habitações, desvalorização imobiliária, transmissão de doenças, entre outros.

De que forma o ser humano altera as características do ambiente, prejudicando-o?

- Retirada de cobertura vegetal do terreno;
- Obras que propiciam a impermeabilização do solo (construção de casas, ruas, rodovias e estradas)
- Despejo de resíduos sólidos urbanos, esgotos, aterros, canalização dos córregos;
- Ocupação urbana irregular, mineração sem controle ambiental, exploração intensiva de água subterrânea, agricultura intensiva, etc;

Algumas formas de mitigar estes problemas ambientais:

- Não ocupar as áreas de inundação;
- Não alterar (ou alterar o menos possível) as características da bacia hidrográfica;
- Zoneamento das áreas de várzeas;
- Evitar canalizações;
- Minimização da geração de efluentes;
- Recomposição das matas ciliares;
- Diminuição de bombeamento de água no subsolo;
- Disciplinamento das atividades de mineração;
- Campanhas de informação;
- Programas de desenvolvimento de áreas de carste, minimizando riscos;
- Estudos das áreas litorâneas.

Apoio bibliográfico
OLIVEIRA, L. M. Acidentes Geológicos Urbanos. Curitiba: Mineropar, 2010. 1. ed.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Adeus Niemeyer, arquiteto centenário!

Por Sergio A. B. Faria

Aos 104 anos morreu, quarta-feira 5 de dezembro, no Rio de Janeiro, Oscar Niemeyer, o expoente maior da arquitetura brasileira. O Parque da Ciência Newton Freire Maia, como instituição pública dedicada à divulgação da ciência e da tecnologia.

Com obras em vários países como França, Itália, Espanha, Portugal, Inglaterra, Estados Unidos, Noruega,Russia, etc., Niemeyer sofreu forte influencia do arquiteto suíço Le Corbusier, com o qual colaborou no projeto Edifício das Nações Unidas em Nova York.

No início dos anos quarenta, tornou-se respeitado quando projetou, convidado por Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha. Nesta obra, sua criação mais significativa, é a Igreja de São Francisco de Assis. Sua forma inovadora e a presença de pinturas de Portinari fortemente influenciadas pelo cubismo e pelo surrealismo, impediu que fosse consagrada durante 17 anos, por decisão das autoridades das autoridades eclesiásticas. 





Em 1956, foi convidado pelo então presidente da República para projetar os prédios públicos da nova capital que seria construída no planalto Central dos quais se destaca a maravilhosa Catedral de Brasília. Após atravessar o túnel de acesso de pouca luminosidade, chega-se ao seu interior onde se descortina a imensa abóboda iluminada de vitrais, com seus enormes anjos pendendo do teto. Tem-se, então, uma sensação de paz. É aí que se pode verificar a grandeza e humanidade do gênio que mesmo sendo ateu criou um templo cuja funcionalidade está no fato de ser um lugar onde os que creem podem sentir-se em contato com a sua divindade.

Em Curitiba, temos um belo exemplo de sua produção  no edifício do Museu Oscar Niemeyer.

Como projetista ele levou a tecnologia do concreto ao extremo da perfeição estética.

Ao completar 100 anos, Niemeyer explicou como escreveria um verbete sobre si mesmo em uma enciclopédia.


"Diria que é um ser humano como outro qualquer – que nasceu, viveu e morreu. Sou um homem comum – que trabalhou como todos os outros. Passou a vida debruçado sobre uma prancheta. Interessou-se pelos mais pobres. Amou os amigos e a família. Nada de especial. Não tenho nada de extraordinário. É ridículo esse negócio de se dar importância".

Ave Niemeyer! Os que permanecem vivos te saúdam!


Fonte das imagens: Matosinhos Andrade, giulienymatos.blogspot.com,  wmblog.blogspot.com.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O que são os Halos lunares?

Por Aline Veiga

A observação de objetos celestes sempre fascinou e intrigou a humanidade, causando até mesmo temor em povos antigos, que buscavam em lendas e mitos a explicação para fenômenos naturais observados em seu cotidiano. Estes mitos carregavam muito de suas crenças religiosas, e serviriam – por exemplo – para demarcar épocas do ano.

A Lua fazia parte destes mitos. Se tomarmos como exemplo a concepção da cultura Guarani, temos o céu como uma representação perfeita de tudo que existe na Terra; e a Lua como Jaci, criadora dos vegetais e de frutos cintilantes do céu (Jaci-tata) – as estrelas.

Durante algumas noites, quando observamos a Lua, é possível perceber ao seu redor a presença de alguns “círculos”.

Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap121203.html

Muitas explicações do senso comum baseiam-se em mitos para explicar a existência destes arcos em volta Lua. Mas afinal, como e por que eles se formam?

http://nautilus.fis.uc.pt/personal/dario/astro/halos.jpg
Estes círculos são chamados de “halos”, e formam-se pela presença de minúsculos cristais de gelo suspensos na atmosfera terrestre.

Quando a luz emitida pelo  Sol e refletida pela Lua, passa pelos cristais de gelo ocorre o fenômeno da refração; ou seja, os cristais de gelo comportam-se como prismas, mudando a angulação da luz quando esta muda de meio. O resultado é a formação dos círculos ao redor da Lua que podemos observar.


A formação do Halo Lunar é um fenômeno óptico, assim como o arco-íris, e também pode formar-se em torno do Sol – Halo Solar.
http://apod.nasa.gov/apod/image/1202/rafael_schmall_lunar_halo_2012_02_02_2_600c.JPG

O universo na forma de um relógio: as sociedades industriais e a criação de uma visão de mundo à sua forma e semelhança.

Por Eduardo Cordeiro Ulhmann
 
Em “O Tao da libertação: explorando a ecologia da transformação”  Mark Hathaway e Leonardo Boff defendem a ideia de que a maneira como compreendemos o universo influencia a forma de nos relacionarmos com o que há ao nosso redor.

Eles dizem que muitos dos problemas que enfrentamos atualmente, sejam eles ambientais como a extinção de espécies, a poluição, a destruição das florestas, os processos de desertificação, sejam eles sociais, tais como a priorização  do homem em detrimento da participação da mulher, a má distribuição dos recursos, a opressão de uns povos por outros, tem por base uma visão de mundo que permite, justifica e incentiva ações que geram estes problemas.

Cada um de nós tem uma visão de mundo, todos aprendemos a ver o mundo de uma certa maneira e mesmo que possamos não pensar conscientemente nela, essa “cosmovisão” nos dá um entendimento básico da realidade.

Para Hathaway e Boff, as modernas sociedades industrialistas adotam uma cosmovisão da qual podemos delinear algumas características-chave:

1)    “Há uma realidade objetiva que existe fora de nossas próprias mentes;(...)
2)    A mente e a matéria são entidades separadas.
3)    O universo é composto de matéria, uma substância sem vida formada por minúsculos átomos (...) e por outras partículas que são ainda menores, imutáveis e elementares.
4)    Todo verdadeiro fenômeno pode ser percebido pelos sentidos, e muitas vezes isso ocorre com a ajuda de instrumentos. (...) O espírito e a alma são assim descartados, ignorados e marginalizados como coisas subjetivas. O mundo real é reduzido ao mundo material, o qual pode ser medido e quantificado. Nas palavras de Galileu: “O livro da natureza é escrito na linguagem da matemática” (apud ROSZAK, 1999:9).
5)    A maneira de pensar preferida é por natureza a argumentativa e analítica; ou seja, o pensar com um enfoque que caracterize, identifique elementos e defina. (...) Quanto mais objetivo e imparcial o observador, mais acuradas serão suas observações.
6)    A natureza e o cosmo são entendidos em termos mecânicos. O universo se parece com um maquinário gigantesco exemplificado pelos movimentos dos planetas e das estrelas.
7)    Visto que a natureza da realidade é mecânica, podemos entendê-la por completo se identificarmos suas partes (ou reduzi-la a seus componentes) e estudá-las uma por vez. (E esse enfoque é geralmente chamado de “reducionismo”).
8)    A natureza e o cosmo não tem um propósito. Mas há leis eternas e fixas que governam tudo e por todo o tempo. Assim, se as condições forem idênticas, um experimento irá sempre dar os mesmos resultados.
9)    O tempo é entendido como sendo linear. Assim, causas sempre precedem efeitos e todo efeito tem uma causa ou um grupo de causas.
10)    O determinismo e  e as leis mecânicas imperam no cosmo. Se pudéssemos ter um conhecimento absoluto do atual estado da matéria, seria possível prever o futuro com toda a certeza. Qualquer coisa de novo é algo essencialmente impossível.
11)    O Universo é eterno é imutável por natureza, e suas leis são evidência disso. Se considerado em grande escala, sua estrutura não muda com o tempo; a evolução da Terra deve ser entendida como uma anomalia isolada e não como a norma.
12)    Toda a vida na Terra está envolvida numa contínua competição pela sobrevivência. A evolução é movida pelo impulso da dominação, pela “sobrevivência do mais forte”. A mudança, quando ocorre (é só dentro dos limites do determinismo), é causada pela competição ou mesmo pela violência.”

    Os autores afirmam essas suposições são aceitas como verdade sem muita crítica, mas “quando quando começamos a examinar a nova cosmologia que vem surgindo das ciências durante o último século, fica cada vez mais claro que  aquelas suposições podem ser questionadas e que algumas são na verdade extremamente falsas. Contudo (…) continuam a dominar e moldar o entendimento da realidade da maioria das pessoas nas sociedades modernas”.

     O Tao da libertação: explorando a ecologia da transformação / Mark Hathaway, Leonardo Boff – Petrópolis, RJ: Vozes, 2012

Notas sobre inteligência artificial - O teorema de Gödel e a Inteligência Artificial

Piergiorgio Odifreddi                                                        Tradução: Sergio A B Faria

Fonte: lucasamorim.net.br
 Dois livros - “Gödel, Escher e Bach” de Douglas Höfstadter, e “A Nova Mente do Imperador” de Roger Penrose – contribuíram para manter vivo, nos anos 80, o debate sobre inteligência artificial. O sucesso de público, num campo não muito familiar ao grande público tal como a divulgação científica, mostra como os seus autores são mestres na arte de atrair a atenção.

Ambos produzem um espetáculo de fogos de artifício. Höfstadter dispara no ar paradoxos lógicos, cânones com tentáculos, geometrias não euclidianas, cromossomos, neurônios, pedra da roseta, cristais aperiódicos, supercondutores, aforismos zen e formigueiros.  Penrose, com paradoxos quânticos, relatividade geral, mundos paralelos, fresta do tempo, fractais, fótons, a torre de Pisa, o Big Bang, buracos negros e brancos, tessitura periódica do plano, quase-cristais e um número binário que ocupa duas páginas.

Como todo programa de auditório que se preze, os dois autores apresentam convidados famosos ao seu lado. A sala de visitas colorida de Höfstadter recebe Frederico, O Grande, Bach e família, Aquiles e a tartaruga, Lewis Carroll e Alice, Euclides e Ramanujan, Escher e Magritte. A de Penrose, mais austera, acolhe Galileu e Newton, Schröodinger e seu gato, e Mandelbrot, Platão e Einstein, e certamente o criador.

Disputado por ambos os autores, o verdadeiro visitante de honra é o lógico matemático Kurt Gödel, cujo resultado nos anos 30, conhecido como ‘teorema de Gödel’, já havia atraído a atenção de filósofos, jornalistas, e (por que não?) poetas, inspirando até um poema para a música. Os dois não são assim, particularmente originais, desse ponto de vista. O aspecto interessante está no fato de que suas teses são opostas: ambos usam o teorema de Gödel para argumentar sobre a inteligência artificial, só que Höfstadter a favor e Penrose contra. Para entender de que lado está a razão, é necessário apresentar os termos do debate e enunciar o teorema de Gödel.

A inteligência artificial

Em 1936, o matemático inglês Alan Turing desenvolveu as bases teóricas da informática, introduzindo um modelo abstrato de máquina de calcular programável, atualmente chamada apenas máquina de Turing. Ele inspirou-se na análise do processo mental do cálculo e, ainda que seu trabalho fosse puramente matemático, Turing usou várias vezes uma terminologia antropomórfica, falando especificamente de ‘estados mentais’ para se referir a configurações internas da máquina. Poucos anos depois ele começou a acalentar o sonho de construir fisicamente tal máquina e continuou a usar a analogia original, falando do seu projeto como da construção de um cérebro. Tais expressões não eram mais que analogias estimulantes, mas superficiais, e deste modo, eram vistas por aqueles que conheciam Turing, como, por exemplo, Max Newmann, orientador de sua tese de mestrado, teve um papel de destaque na construção do primeiro computador inglês. No necrológio de Turing Newmann disse que Turing tinha um grande talento para analogias cômicas, mas brilhantes, como aquela que introduziu as discussões sobre cérebros e máquinas.

Em seguida, a analogia de Turing ficou perdida e, quando os computadores se tornaram disponíveis, a analogia entre eles e o cérebro começou a ser levada a sério. Em certo sentido, isso era previsível: ao longo da evolução científica, muitas vezes, tentou-se assimilar o cérebro à última maravilha tecnológica. Por exemplo, Descartes descreveu-o como um sistema hidráulico que permite o fluxo periódico de espíritos vitais de uma bacia central para os músculos, e Pearson viu como um sistema de telefone, composto de fios fixos e conexões móveis. Chegou-se mesmo a propor o computador avançado como um modelo para todo o universo, do mesmo modo que no século XVII, o universo foi comparado a um relógio mecânico, e no século XIX a uma máquina a vapor.

Claro que não estamos negando o fato de que a novidade tecnológica pode ser útil para o entendimento do mundo em geral, ou do cérebro, em particular. Por exemplo, o modelo de Pearson foi aplicado no estudo da resposta dos reflexos espinhais, e Arbib está usando há muitos anos computadores para modelar funções cerebrais específicas. O que está em discussão é o reducionismo exagerado daqueles que acreditam ter atingido as fronteiras do conhecimento. Em relação a isso, nos advertem as “Investigações Filosóficas” de Wittgenstein com o lema: "o progresso parece sempre maior do que realmente é."

No estado actual do conhecimento, as relações entre cérebro e computador são apenas superficiais: o cérebro é um órgão eletroquímico com um grande número de conexões, que trabalham com ações maciçamente paralelas e globais (holística) a baixa velocidade, e de baixo consumo de energia, capaz de gerar continuamente novos elementos e novas conexões; o computador é, ao contrário, um sistema eletrônico de ligações fixas, operando quase sequencialmente e apenas localmente, em alta velocidade.

Não se coloca, portanto, o problema de identificar o cérebro e os computadores como máquinas, mas sim de compará-los em relação aos seus comportamento e desempenho. Na verdade, quando o computador se tornou disponível, começou-se a usá-lo não só para cálculos matemáticos para os quais foi concebido, mas também para simular diferentes aspectos da atividade mental humana. Por exemplo, Turing começou a escrever programas para jogar xadrez e, gradualmente, mudou para projetos mais ambiciosos, tais como: a resolução de problemas, prova de teoremas, representação do conhecimento, análise de linguagem, reconhecimento de imagem, capacidade de aprender com a experiência etc..

Sucessos, ainda que parciais, não faltam: basta lembrar dos sistemas em que o conhecimento de especialistas em um determinado campo está codificado num conjunto de regras e tornam-se capazes de responder a perguntas relacionadas com os dados de campo, substituindo assim os especialistas. Ou da robótica, onde a atividade de uma máquina é programada, para que ela possa substituir operadores humanos.
Mas, como acontece muitas vezes, o sucesso sobe à cabeça. Aquilo que impulsionava Turing para construir um cérebro, tornou-se o programa da Inteligência Artificial (na esperança de recuperar, se não a cabeça, pelo menos, o seu conteúdo). Porém aquilo que para Turing significava somente  construir um computador, é agora reinterpretado com a irreverência de Prometeu, como a construção de um programa capaz de simular a atividade do cérebro humano e isso mudou todo sentido da questão, deixando de lado o problema discutido anteriormente, se o cérebro é ou não é, realmente, um computador.

Falamos até aqui de atividade cerebral e não de pensamento, para permanecer no campo científico e assim evitar discussões metafísicas, das quais, nem o debate sobre a Inteligência Artificial, nem Hofstadter, nem Penrose, permaneceram imunes. Citamos apenas, a título de exemplo, o problema de saber se é possível falar de "inteligência" de um programa (perguntas  semelhantes podem ser feitas sobre "criatividade", "autoconsciência", e assim por diante).

É claro que se inteligência é definida como uma qualidade humana, um programa não pode ser inteligente. Turing - pensando que este problema era demasiado sem sentido para merecer uma discussão - simplesmente propôs considerar inteligente qualquer programa cujo comportamento seja indistinguível do dos seres humanos (ou seja, se define, de modo operativo: tudo o que se comporta de maneira inteligente), e sugeriu também como provocação inserir no referido programa um elemento aleatório, tal como uma roleta, de modo a imitar a imprevisibilidade do comportamento humano.

Voltando à questão do cérebro, a pesquisa de Sperry (que lhe valeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1981) mostrou que as atividades dos dois hemisférios são complementares e absolutamente diferenciadas. O hemisfério esquerdo é responsável pelo pensamento abstrato e atividades de comunicação, escrita e cálculo. O direito é mudo, mas responsável pelas atividades de reconhecimento, de percepção, de criatividade. Enquanto o primeiro grupo de atividades é precisamente aquele em que os computadores sobressairam-se, o segundo é aquele no qual está se batendo a Inteligência Artificial.

Este debate não é mais que uma reencarnação de um confronto semelhante que ocorreu na década de 20 entre formalistas e intuicionistas, comandados respectivamente por Hilbert e Brouwer, sobre a posssibilidade ou não de se comprimir o raciocínio matemático dentro de sistemas formais que consistem de axiomas e regras rígidas de dedução. A versão moderna simplesmente substituiu "programas" por "sistemas formais". Agora, a disputa, longe de limitar-se aos aspectos científicos, envolve questões pessoais, acadêmicas e até mesmo legais, e degenerou a tal ponto que Einstein a comparou com a guerra dos ratos e sapos contada em um grego anônimo.

Hilbert, que via em Brouwer um perigo mortal do qual a matemática tinha de ser defendida a todo o custo, conseguiu, em 1928, removê-lo de sua posição de editor do jornal matemático mais prestigioso do seu tempo, Mathematische Annalen, resultando em uma vitória temporária para o camundongos (e a derrota final de Brouwer, que virtualmente parou de trabalhar e ter seguidores). Mas em socorro das rãs em debandada vem, em 1931, o caranguejo Gödel com seus teoremas. Desde então, esses resultados têm sido tomados por ambas as partes em litígio, como argumentos em seu favor.

 *Este artigo publicado oiriginalmente em italiano, em “La rivista dei libri” (edição Italiana do “New York Rewiew of Books”), por Piergiorgio Odifreddi, matemático e logicista italiano, apaixonado por História da Ciência, é composto de três partes. As duas outras aparecerão em números posteriores deste informativo. (Sergio A. B. Faria)

Brasil na vanguarda da pesquisa em neurociência!

Por Leandro B. Schip

Muitas vezes a expressão – pesquisa científica no Brasil, desperta pessimismo ou certa desconfiança em algumas pessoas. A ciência brasileira tem atraído cada vez mais atenção internacional por sua criatividade e eficiência. Nesse boletim o Parque da Ciência destaca os trabalhos conduzidos pelo Instituto do Cérebro (ICE) em Natal/ RN.
Existe uma corrida desenfreada travada por laboratórios altamente tecnológicos em todo o mundo, buscando uma cura para doenças neurodegenerativas como o Alzheimer e o mal de Parkinson e, nesse cenário altamente competitivo, o ICE tem promovido avanços significativos. Um exemplo é o trabalho recente publicado na revista Nature Neuroscience, que identificou um grupo especial de neurônios chamado OLM. A pesquisa conduzida pelo neurocientista brasileiro Richardson Leão, em colaboração com pesquisadores da Suécia, aponta um importante mecanismo para o funcionamento da memória e do aprendizado. Segundo Leão, quando estas células são ativadas, elas fazem com que as memórias sejam evocadas, ou seja, elas te ajudam a lembrar. E quando elas estão inativadas, elas desligam essa via da lembrança e te ajudam a aprender.
As pesquisas com camundongos transgênicos demonstraram que as células OLM são sensíveis a nicotina. Um próximo passo da pesquisa agora é desenvolver medicamentos que desempenhem a mesma função, mas sem os efeitos nocivos da nicotina para que possam ser empregados no tratamento de doenças da memória como o mal de Alzheimer.

Mais informações:
http://www.neuro.ufrn.br

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Abertas as inscrições para o V Encontro da Consciência Negra do Parque da Ciência!

O Parque da Ciência Newton Freire Maia convida a todos a participarem do V Encontro da Consciência Negra, realizado em alusão ao Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Este ano o evento terá como tema “O Negro na História do Paraná”, e será realizado no dia 24/11.
O objetivo do evento é propiciar a educadores, estudantes e comunidade em geral um momento de reflexão sobre as questões étnico-raciais em nossa sociedade, e contará com a participação de estudiosos e militantes desta área entre nossos convidados.
 As inscrições podem ser feitas gratuitamente por telefone (41-3666-6156) ou no próprio Parque da Ciência até o dia 16/11/2012.

PROGRAMAÇÃO

09:00 – 09:30 – Credenciamento
09:30 – 10:00 – Abertura
10:00 – 12:00 – Palestra – “A contribuição da população Negra na História do Paraná”
Prof. MSc. Luiz Carlos Paixão
12:00 – 13:30 -  Almoço (Feijoada por Adesão)
13:30 – 14:00 – Apresentação Cultural
14:00 – 15:30 – Exibição comentada do Documentário  - “Preto no Branco: O negro em Curitiba”  - Com o cineasta Luciano Coelho
15:30 – 15:45 – Café
15:45 – 17:00 – Mesa Redonda – “ O Negro na História do Paraná.”

terça-feira, 30 de outubro de 2012