domingo, 9 de junho de 2013

Coleta Seletiva 2!

Por Anelissa Carinne dos Santos

1) O QUE É RECICLAR?

Transformar determinados materiais usados em novo produto, embalagem, etc.


2) POR QUÊ RECICLAR?

O material torna-se novamente matéria-prima; indústrias economizam energia elétrica; reduz-se o impacto ambiental quando da disposição final dos rejeitos, etc.

* Importante lembrar:
Não se deve misturar materiais recicláveis e não recicláveis com rejeitos orgânicos.

 Padrão para Recipientes de Materiais Recicláveis


Ao descartar o material reciclável na lixeira apropriada, não se esqueça de lavar e secar as embalagens do tipo longa vida, além das latas, garrafas e frascos de vidro e plástico. Caso contrário, e principalmente se estiver sujo com gordura, o material não poderá ser reciclado.

Embalagens sujas com produtos tóxicos não devem ser colocadas junto aos demais materiais para reciclagem.

E antes de depositar o rejeito na lixeira de material reciclável, verifique se seguiu os 3 R´s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar! (Ex.: Vai jogar um brinquedo fora? Será que não seria útil para outra criança?)

Referências:
Ministério do Meio Ambiente
Instituto de Biociências - USP

Questões de convivência em áreas naturais!

Por Ararê Vilanova Júnior

A consciência humana não é ecológica. Não se enquadra no pensamento de preservação porque supõe um ambiente perfeito para lhe servir. Na atual conjuntura, o mundo sofre mudanças por causa da interferência do homem na natureza, que busca as exigências humanas, e sua essência lhe ensina que tudo está a sua disposição, para ser usado como lhe for conveniente. A consequente luta desesperada pela sobrevivência degrada tanto o meio ambiente quanto o luxo e a riqueza dos povos desenvolvidos. Portanto, é necessário que se compreenda que a questão ambiental é, antes de mais nada, uma questão social. Toda ação que busca igualdade social de oportunidades, a democracia e a liberdade é uma ação ambiental sustentável. Quem encara a dinâmica ambiental apenas como uma questão técnica, comete um erro irreparável.

Práticas de mínimo impacto para convivência em ambientes naturais.

As maneiras através das quais um visitante pode exercer o cuidado com as áreas naturais e mais importantes, apontam para a formação de uma ética ambiental são:

1. Planeje com antecedência e prepare-se;
2. Caminhe e acampe em superfícies resistentes;
3. Trate apropriadamente seus resíduos;
4. Deixe na natureza o que você encontrar;
5. Minimize o impacto de fogueiras;
6. Respeite os animais silvestres;
7. Tenha consideração pelos moradores e demais visitantes.

Conjunto de elementos para possibilitar a pratica segura e responsável das modalidades recreativas em áreas naturais. 

Informações; 
Tenha o equipamento adequado;
Organize corretamente o grupo;
Entre em harmonia com a natureza;
Evite fazer barulho;
Faça como os gatos;
Cuide do seu lixo;
Não corte a vegetação sem necessidade;
Respeite os animais;

Quando acampado:

Evite fazer fogueiras;
Cuidado com as águas;
Cause o menor impacto possível;
Respeito e civilidade.

BOO, Elisabeth. La explosión del ecoturismo. Programa de Áreas Silvestres y 
Necessidades Humanas. Série documentos técnicos. Washington: WWF,1992.

CORIOLANO, Luzia N. M. T. O ecoturismo  e os hóspedes da natureza. Educs,2002.





Criminosos Nazistas são procurados no Brasil!

Por Vinícius Prado Alves

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, milhares de soldados que serviam aos interesses de Adolf Hitler e da manutenção do regime Nazista fugiram da Alemanha e se refugiaram em vários países ao redor do mundo. Diferente do que a justiça brasileira faz com os criminosos da Ditadura Militar, a justiça alemã não esqueceu de seus criminosos, muitos já foram presos e condenados, e a busca por torturadores nazistas continua não só em território alemão.

Com intuito de investigar a possibilidade de o Brasil ter se tornado refúgio para nazistas durante as ondas migratórias das décadas de 1940 e 1950, o Itamaraty e o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha firmaram acordo e autorizaram a investigação por parte de promotores da justiça alemã nos arquivos da Polícia Federal, do Ministério da Justiça e órgãos estaduais que, neste período, foram montados para receber imigrantes. Os promotores cruzam os dados do governo alemão com nome de possíveis fugitivos nazistas com os dados fornecidos pelos imigrantes nos órgãos brasileiros.

A investigação é comandada pelo Escritório Central para a Investigação dos Crimes do Nazismo, com sede na cidade de Ludwigsburg. Um primeiro levantamento apontou suspeita sobre 50 guardas que atuavam nos campos de concentração de Auschwitz e Birkenau, onde 1 milhão de pessoas foram assassinadas entre 1942 e 1945. Todos são acusados pelo crime de assassinato, 70 anos após o massacre. O escritório de Ludwigsburg foi criado pelo governo alemão em 1958 e já conduziu investigações contra 7.485 pessoas.

Este processo de investigação ocorre também em outros países da América do Sul, como Uruguai, Argentina e Chile porém, os promotores têm maiores expectativas com a investigação no Brasil, pois devido ao grande número de registros de imigrantes neste período, a possibilidade de encontrar possíveis criminosos nazistas é maior. Além do exposto, no Uruguai, mesmo com a abertura dos arquivos, os passaportes de imigrantes foram destruídos, dificultando a investigação. Na Argentina não houve liberação aos arquivos e, no Chile, a investigação que começou em 2003 identificou 4 nazistas mas todos já estavam mortos.

Tais investigações são importantes para o processo de construção de identidade histórica e cultural do povo alemão. Ninguém nunca vai conseguir apagar a danos que a ascensão de Hitler e do regime nazista trouxeram para a história da Alemanha e do mundo, porém, pesquisas  como essas são essenciais para que esse passado seja superado, sem que se mantenham fantasmas ou sombras sobre ele.

Saiba mais em:

http://pessoas.hsw.uol.com.br/nazistas-espalhados.htm

http://www.natgeo.com.br/br/especiais/cacadores-de-nazistas-na-america-latina

http://www.youtube.com/watch?v=5lzEzMoZtn4


Você tem coragem de fazer uma pilha em casa?

Por Marcos Diego Lopes

Fonte: Brasil Escola.
Caso a resposta à pergunta seja sim, consiga limão, placas de cobre e zinco, uma lâmpada ou voltímetro e fios elétricos com garras nas pontas. Conecte a placa de cobre com um, dos terminais do voltímetro ou da lâmpada com um dos fios e, com o outro, a placa de zinco com o terminal restante do voltímetro ou da lâmpada. Espete os eletrodos (placas de zinco e cobre) no limão tomando cuidado para que não encostem um no outro. Se o limão não estiver estragado provavelmente o voltímetro indicará uma voltagem de 1V ou poderá até acender a lâmpada (Será?)

Histórico


Em 1800, Alessandro Giusseppe Antonio Anastasio Volta (1745-1827), físico e professor  universitário italiano produz  a primeira pilha, empilhando alternadamente placas de zinco e cobre, separadas por papelão embebido em ácido diluído, e conectando as duas extremidades por um arco de metal pelo qual passou a corrente elétrica.

A pilha Voltaíca tinha o zinco como elemento ânodo da reação,  Zn(s)  → Zn(2+) + 2e–  (o elemento oxidável) e o cobre o elemento cátodo da reação, Cu(2+) + 2e–  → Cu(s) (elemento redutor). Mas por que ocorre essa reação?

O zinco é mais reativo que o cobre e tem a tendência de doar elétrons para o cobre. Assim, se ligarmos esse dois condutores por meio de um fio condutor externo, ocorrerá a transferência de elétrons e, consequentemente, a passagem de corrente elétrica. Isso pode ser verificado pelo aumento de massa na lâmina de cobre e a corrosão na lâmina de zinco após um tempo.

Hoje existem vários tipos de pilhas com diferentes aspectos. Porém as mais utilizadas hoje são as pilhas secas, que não utilizam soluções aquosas, mas que funcionam com o mesmo princípio (transferência de elétrons do ânodo para o cátodo), sendo descobertas pelo químico francês George Leclanché em 1866.

Fonte: Brasil Escola.
Desde estão pesquisas com novos elementos e reações têm sido realizadas, objetivando a busca da melhor forma e desempenho das pilhas para atender às necessidades emergentes.

Atualmente as baterias de Lítio são as mais usadas, por ser um metal bem leve e de produzir uma voltagem de 2,8V a 3,5V e ter durabilidade maior que as outras pilhas ou baterias.

Fonte: Mundo Educação.

Referências
http://educador.brasilescola.com/estrategias-ensino/pilhas-caseiras.htm
http://www.mundoeducacao.com.br/quimica/pilhas-baterias-litio.htm
http://www.apilhas.com/index.html




Resenha: “A pesquisa educacional e a produção de saberes nos museus de ciências”.

Por Pedro Monteiro Bittencourt
Revisão: Jeffrey de Cássio Toledo

O texto analisado é de Martha Marandino, graduada em biologia pela Universidade Santa Úrsula e com mestrado e doutorado em educação pela PUC-RJ e USP, respectivamente. Especializada em educação não formal, sua principal área de pesquisa está relacionada à educação em museus e divulgação científica. Seu texto “A pesquisa educacional e a produção de saberes nos museus de ciência” foi publicado na revista “História, Ciências, Saúde – Manguinhos”, editada pela Casa Oswaldo Cruz.

A autora inicia seu trabalho refletindo sobre os debates quando à divulgação da ciência. De um lado, vê-se esta divulgação como uma excessiva 'simplificação' do conhecimento científico, visão esta, como recorda a Marandino, que mantém o status quo dos cientistas e dos pesquisadores, ao dizerem que o público de uma maneira geral não está apto à conhecer ciência. Enquanto por outro lado, se tem a noção de que o maior acesso ao conhecimento científico é fundamental, afinal uma das finalidades deste conhecimento ao ser apropriado pela população geral funciona como “forma de inclusão social” [1]. A ciência – e naturalmente a divulgação científica –, deve ser entendida como fruto das relações de poder historicamente construídas.

Um problema relatado por Marandino, frequentemente debatido quanto à divulgação, é a tendência a este conhecimento ser repassado de uma maneira onde estas relações de poder são ignoradas, “descolando” então a ciência de seu contexto sócio-cultural de produção. Tanto em um ambiente escolar ou em um local de educação não-formal, como um museu de ciência com suas particularidades, é importante recordar que “toda mensagem educativa é sempre algo mais que transmissão de conhecimento, uma vez que é também uma mensagem política e moral”. [2]

O meio de ensino deve ser entendido também em sua capacidade de produzir conhecimento, não apenas divulgá-lo. O conhecimento escolar e o científico são áreas separadas, cada uma com suas particularidades, ou seja:

“Entendemos que os objetivos de ensino são diferentes dos objetivos de produção da ciência e que, portanto, não se pode exigir que a escola – ou qualquer outra instância de ensino e divulgação da ciência – tenha de reproduzir a lógica e a estrutura do conhecimento científico.” [3]

A autora posiciona-se então neste debate, ao reafirmar a importância do entendimento da “cultura escolar”, que, ao adaptar o conhecimento científico forma também saberes “intermediários”, que são então particulares a este meio, e não necessariamente inferiores ao conhecimento científico. Por realçar a questão da diferença entre o meio acadêmico e o escolar, Marandino inicia então uma análise de algumas propostas de autores quanto a maneira com que esse conhecimento é apropriado e passa por transformações na escola.

A transposição didática de Chevallard, que relata então esta transformação no âmbito escolar, realizada pela “noosfera”, que seriam os personagens – professores, universidades, secretarias de ensino, etc. -, que exercem essa adaptação no discurso, passando do “saber sábio” - o científico – ao “saber ensinado”. Mesmo caracterizando a noosfera, a autora recorda que Chevallard não se dedicou à questão das relações de poder presentes na própria noosfera, problema este que, para Marandino, encontra respostas mais satisfatórias com o conceito de recontextualização de Bernstein. O discurso recontextualizador seria o meio pelo qual a produção científica é adaptada pelo discurso pedagógico.

Algumas das críticas aos trabalhos de Chevallard também se dão quanto à importância do “saber sábio” como referência para o “saber ensinado”, e mesmo à sua concepção do que é o “saber sábio”. Ele levou em consideração especialmente a matemática ao determinar o “saber sábio”, no entanto cada disciplina também possui suas especificidades e este saber não é sempre necessariamente consensual entre os pesquisadores, havendo debates e discordâncias dentro da própria academia. Além disso, há temas em comum entre disciplinas diferentes, sendo que cada uma os aborda seguindo a sua própria metodologia, ou seja, especialmente quando se trata do conhecimento produzido e transmitido nos museus de ciência “o fato de os conceitos escolhidos serem tratados por diferentes áreas da ciência aponta para a interdisciplinaridade de determinados conteúdos […] tornando ainda mais difícil analisar a origem desses conceitos no saber sábio”.[4] 

Para a autora, esses debates sobre a divulgação científica devem, logicamente, serem estendidos também à museus de ciência e outros meios de educação informal, levando sempre em consideração também suas particularidades. O discurso produzido para uma exposição deve ser entendido como linguagem e está sob suas três lógicas, levantadas por Davallon; seriam a lógica do discurso, do espaço e do gesto. Estas três características estariam presentes primeiro na produção e preparação da exposição a serem realizadas; o segundo momento é o da montagem da exposição segundo trabalho coletivo; e o terceiro é a chegada e compreensão do visitante. Assim como a autora entendia a existência de uma “cultura escolar”, os museus também possuem uma própria:

“Herrero propõe que o museu seja considerado uma casa da cultura científica, a englobar fatores como a história de criação do conhecimento científico, seu contexto acadêmico-político e a seleção e priorização do conteúdo científico por uma comunidade que tem um marco interpretativo particular, constituindo o discurso museográfico pelo qual o conhecimento científico é transmitido.” [5]

Marandino reflete então, mais uma vez, sobre o caráter sócio-cultural da produção científica, que não está ausente nos museus de ciência, já que estes contém também sua própria noosfera, com suas próprias relações de poder. A adaptação do discurso expositivo acontece então de maneira semelhante ao do pedagógico, partindo do princípio de recontextualização de Bernstein, no entanto “as finalidades de divulgação/comunicação/educação definem o modo de produção desse discurso”[6] .  Por isso, para a autora, o destaque final se dá quanto à participação dos educadores na produção do discurso dentro do museu, entendendo esta produção em toda sua complexidade.

[1]  MARANDINO, Martha. A pesquisa educacional e a produção de saberes nos museus de ciência. In: História, Ciência, Saúde – Manguinhos, v. 12, 2005. p. 162

[2] MARANDINO, Martha. A pesquisa educacional e a produção de saberes nos museus de ciência. In: História, Ciência, Saúde – Manguinhos, v. 12, 2005. p. 163

[3] MARANDINO, Martha. A pesquisa educacional e a produção de saberes nos museus de ciência. In: História, Ciência, Saúde – Manguinhos, v. 12, 2005. p. 165

[4] MARANDINO, Martha. A pesquisa educacional e a produção de saberes nos museus de ciência. In: História, Ciência, Saúde – Manguinhos, v. 12, 2005. p. 170

[5] MARANDINO, Martha. A pesquisa educacional e a produção de saberes nos museus de ciência. In: História, Ciência, Saúde – Manguinhos, v. 12, 2005. p. 175

[6] MARANDINO, Martha. A pesquisa educacional e a produção de saberes nos museus de ciência. In: História, Ciência, Saúde – Manguinhos, v. 12, 2005. p. 177

segunda-feira, 3 de junho de 2013

segunda-feira, 27 de maio de 2013

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Fraturamento hidráulico: uma técnica e suas conseqüências no mundo globalizado!

Por Eduardo Cordeiro Uhlmann

Fonte: Manutenção e suprimentos.

Nos últimos anos, uma nova técnica de extração de gás do xisto reduziu o custo deste recurso natural nos Estados Unidos e vem provocando uma onda de otimismo e até a promessa de autossuficiência energética para o país.

Na região nordeste dos Estados Unidos, mais precisamente sob os estados de Nova York, Pensilvânia, Ohio e Virgínia Ocidental, há no subsolo uma camada de xisto chamada de Marcellus, que pode conter cerca de 1,5 trilhão de metros cúbicos de gás recuperável.

Quatrocentos milhões de anos atrás, Marcellus era lama no fundo do oceano. Hoje é uma profunda e extensa camada de xisto, uma rocha metamórfica cujo interior aprisiona moléculas de gás de xisto.

A nova técnica, chamada de fraturamento hidráulico consiste em bombear com alta pressão água com areia e solventes para dentro do xisto. Quando isso é feito, o gás de xisto, inicialmente preso nas camadas de xisto é liberado e flui para a superfície, a areia se aloja entre essas camadas, mantendo-as abertas.

Isso gerou uma super oferta de gás de xisto, também chamado de gás não convencional, o que fez o seu preço em 2008 nos EUA cair de US$ 9 para menos de US$ 2. Para as indústrias que usam o gás como matéria-prima (caso da fabricação de fertilizantes), para aquelas que usam o gás para mover máquinas e também aquelas que dependem de altas temperaturas em seus processos, esse barateamento do gás é bastante significativo.

No Brasil, onde o gás custa cerca de cinco vezes mais, os efeitos são claros. Indústrias de cerâmica e vidro, petroquímica e química, que podem ter no gás até 35% do seu custo, têm perdido competitividade no mercado internacional, o que vem reduzindo drasticamente as perspectivas de crescimento e investimentos no setor.

Isso está sendo alardeado por parte da mídia brasileira como um sinal de que é premente a utilização desta técnica no país. Porém, os efeitos do hydraulic frackturing (nome da técnica em inglês) no meio ambiente ainda não são completamente conhecidos.

Além dos riscos comuns a todo tipo de perfuração do solo, durante o fraturamento hidráulico, um terço do que está no poço vem à tona, incluindo a água, solventes, rochas e petróleo, criando um risco considerável de contaminação do lençol freático, do solo e de águas superficiais.

John Hanger, ex secretário do meio ambiente da Pensilvânia diz que os casos de contaminação são isolados, e que a utilização do gás não convencional é mais limpa e benéfica ao meio ambiente. Já para Yuri Gorby, cientista que pesquisa a contaminação da água, a extração deveria ser interrompida imediatamente, pois o que está ocorrendo no nordeste dos EUA é uma tragédia.

Terry Greenwood, por exemplo, dono de uma fazenda nas imediações de onde o gás vem sendo extraído (a fazenda foi comprada quando com os direitos de exploração do subsolo já cedidos), teve muitos dos seus bezerros nascidos mortos, ele relata que a água das fontes da região agora apresenta odor insuportável e pega fogo, bolhas de gás metano estão presentes nessa água.

O caso do gás do xisto é um exemplo nítido da complexidade da sociedade mundial globalizada, em que fluxos de investimentos podem determinar a recessão ou o aquecimento de amplos setores da indústria, com todas as suas consequências sociais, econômicas e políticas. Se estes fluxos podem ser direcionados por uma técnica com alto grau de impacto ambiental (o que é provável, ainda que não tenha sido confirmado pelas pesquisas) gerando inclusive lobbys para a sua utilização alhures, que chance tem o meio ambiente?

Em meio aos discursos tão diversos por parte de setores industriais e ambientais, urge que nos tornemos conscientes das relações existem entre a tecnologia, a indústria, o meio ambiente, a economia, a política para que possamos nos situar e decidir conscientemente sobre como agir enquanto cidadãos e consumidores. Esse papel cabe à educação, formal e informal, que para nos preparar para lidar com essas novas questões, deve abraçar a complexidade e a transdisciplinaridade. Só assim, deixaremos de ser como folhas levadas ao vento pelos ditames econômicos e passaremos a ter voz e vez enquanto participantes ativos das ações humanas na história da vida na Terra.


REFERÊNCIAS/PARA SABER MAIS


terça-feira, 14 de maio de 2013

Resenha: "Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá".

Por Luiza Canales Becerra
Revisão: Rafael da Silva Tangerina


Resenha do documentário de Silvio Tendler, Caliban Produções, Rio de Janeiro, 2006.

O documentário, baseado na obra do geógrafo brasileiro Milton Santos, nos traz um recorte singular sobre a globalização. As crises econômicas, as divisões da sociedade e do território, o papel da mídia e as revoltas populares são retratados como consequência da globalização desigual em que estamos inseridos atualmente.

Apresenta-nos as faces do mundo globalizado, estabelecidas por Milton Santos em seu livro “Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal”. A primeira face caracteriza-se pelo que chamamos de globalização como fábula, aqui estariam agrupados os fatores que nos fazem crer que o mundo globalizado tal como é hoje, beneficiaria uniformemente todos os indivíduos. Fatores estes, como o encurtamento de distâncias, facilitado pelo desenvolvimento dos meios de transporte e o acesso à informação. Neste último fator, há uma enorme crítica ao papel da mídia exercendo forte influência sobre a opinião da população, trazendo até nós somente o que querem que vejamos.

A segunda face seria a globalização tal como ela é. Aqui, a globalização mostra a sua face mais cruel, principalmente no que se refere aos países pobres, onde as diferenças entre classes sociais são mais nítidas. No decorrer do documentário são apresentados acontecimentos no mundo inteiro que focam a atenção na sociedade capitalista que, a fim de obter benefícios próprios em detrimento da apropriação de bens comuns e do uso privado de riquezas mundiais por parte de uma minoria, efetua apropriações indevidas que geraram tensões por tentar deter grandes bens nas mãos de pequenos grupos, enquanto se consolida o estado de miséria para todo o resto.

A tentativa de privatização da água potável em Cochabamba, Bolívia em 2000 e o 3º Fórum Mundial da Água em Kioto, Japão em 2003, foram eventos que chamaram a atenção do mundo para os efeitos da globalização frente à sociedade capitalista na qual estamos inseridos. Em meio à crise financeira, tem-se o crescimento crônico do desemprego e da fome. É o que chamamos de segundo efeito da globalização, ou globalização da perversidade, em que a pobreza é vista com naturalidade.

Contudo, os grupos que são massacrados e postos à margem deste processo desenfreado de desenvolvimento global ganham força com seus movimentos e buscam reverter a ordem imposta. A África e a América Latina são os gigantes despertando para os problemas que lhe são causados, e que são promovidos pelos grandes investidores de mercado que ambicionam ganhar espaços para depois explorá-los.

Milton Santos deixa evidente que estas ações não são promovidas unicamente pelo Estado, e afirma que: “As fontes criadoras de diferenças e desigualdades são mais fortes que as ações do Estado. Para isto, é necessário um Estado socializante.” Não há somente um Estado socializante a ser construído, há também uma sociedade e Milton Santos afirma que esta sociedade na qual vivemos ainda é um ensaio, da que está por vir.

Ozônio: o protetor solar do nosso planeta!

Por Elizabeth Cristina Marucci

Fonte: Nasa

Para compreendermos melhor a camada de ozônio, precisamos ter em mente que partículas gasosas mais leves tendem a se dispersar num ambiente mais rapidamente que as com maior massa. A dispersão explica o porquê de sentirmos odores de comidas e perfumes através do ar (fenômeno que chamamos de difusão gasosa) e que ajuda a manter a composição da atmosfera aproximadamente constante.

Um caso de difusão gasosa que gera problemas é o que acontece em altitudes elevadas com gases baseados em clorofluorcarbonetos (CFC) que, ao sofrerem decomposição pela radiação solar, atacam o ozônio presente em nossa atmosfera.

Dentre os vários gases que compõem a atmosfera de nosso planeta, o ozônio vem sendo motivo de grande preocupação para os cientistas que estudam o meio ambiente. O ozônio é um gás azul escuro que se concentra em uma região chamada estratosfera, situada entre 20  e 40 Km de altitude. À primeira vista, a diferença entre gás oxigênio e gás ozônio é insignificante, haja vista que o primeiro é constituído por 2 átomos de oxigênio (O2) e o segundo por 3 átomos (O3). Mas essa diferença é fundamental para a vida na Terra, porque o ozônio protege o planeta da radiação ultravioleta proveniente do Sol, a qual pode causar sérias lesões nos seres humanos, tais como queimaduras solares graves e câncer de pele.

Em 1957, quando as medições dos níveis de ozônio começaram a ser feitas até 1982, pesquisadores perceberam que os índices sofreram uma diminuição de cerca de 20%. A continuada medição do ozônio em nossa atmosfera nos anos seguintes mostrou um decréscimo contínuo e, cada vez, a uma taxa maior.
Tal fato mobilizou a comunidade científica e, em 1995, os químicos Mário Molina, Paul Crutzen e F. Sherwood descobriram que os compostos clofluorcarbonetos (CFC), usados em geladeiras, aparelhos de ar condicionado e propelentes nos aerossóis, por exemplo, são fontes de átomos de cloro, que catalisam a destruição do ozônio.

A humanidade encontra-se diante de um grave problema, e sua solução torna-se cada vez mais urgente, pois dela depende a continuidade da vida saudável no nosso planeta.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Possibilidades do Controle Biológico!

Por Silvana Regina de Souza


Atualmente, mais de 87.000 substâncias tóxicas são produzidas pelo homem e, potencialmente, podem atingir os ecossistemas e organismos aquáticos, com impactos para a saúde humana, podendo ser: cancerígenas, mutagênicas, teratogênicas e mimetizadoras de hormônios. Substâncias como, por exemplo, o pesticida DDT (diclorodifeniltricloetano) causou o surgimento de pragas mais resistentes a inseticidas e eliminou insetos úteis e inimigos naturais de organismos danosos, além do envenenamento de rios (através de deriva, escoamento superficial ou lixiviação), colocando em risco a vida do homem e outros animais.

Há uma crescente preocupação associada à sua presença no meio ambiente, haja vista os possíveis impactos na qualidade das águas superficiais e subterrâneas e do solo. O maior risco de efeitos indesejados dos agrotóxicos ocorre por meio da contaminação do sistema hidrológico, que mantém a vida aquática e as cadeias alimentares a ele relacionadas. 

Movimento dos agrotóxicos em ecossistemas aquáticos. Fonte: Abrapoa

Políticas internacionais demandam fortemente de alternativas para os agrotóxicos, e a utilização de inimigos naturais de pragas é uma alternativa promissora. Em um país como o Brasil, que despeja, por ano, cerca de 260 mil toneladas de agroquímicos nas lavouras e onde o consumo de praguicidas cresceu 60% nos últimos quinze anos, o controle biológico parece ser uma alternativa não apenas ecologicamente correta, mas também economicamente justificável. 

O Brasil é um dos poucos países do mundo detentores da chamada megadiversidade biológica, ou seja, de ecossistemas importantes ainda íntegros. Essa biodiversidade pode oferecer uma oportunidade ímpar para o controle biológico de pragas no país, como também, em outros países do mundo, com a identificação de novos organismos vivos com potencial de serem utilizados no controle biológico. Na natureza, toda espécie de planta ou de animal possui algum organismo que dela se alimenta em algum estágio de seu desenvolvimento. Esses organismos são chamados de inimigos naturais, os quais são agentes de controle populacional. Esse fenômeno é conhecido como controle biológico e ocorre naturalmente nos ecossistemas.

Em comparação ao controle químico o controle biológico apresenta vantagens e desvantagens. Entre as vantagens pode-se citar que é uma medida atóxica, não provoca desequilíbrio, não possui contra-indicações, propicia um controle mais extenso e é eficiente quando não existe maneira de se utilizar o controle químico. Em compensação requer mais tecnologia, possui um efeito mais lento, não é de tão fácil aquisição, nem sempre pode ser aplicado em qualquer época do ano e, geralmente, é mais caro. Dentre tais inimigos naturais existem grupos bastante diversificados, como insetos, vírus, fungos, bactérias, aranhas, peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. A forma mais conhecida de controle biológico é o controle de insetos por outros insetos. Isto acontece o tempo todo nos sistemas agrícolas de forma natural, independentemente da ação do homem. No entanto, em alguns casos, a interferência do homem passa a ser necessária e são introduzidos ou manipulados insetos ou outros organismos para controlar quaisquer outras espécies que possam prejudicar os cultivos, sendo que os mais utilizados no controle biológico artificial são fungos, bactérias e vírus. 

Fonte: Portal São Francisco.

Fonte: Portal São Francisco.

Os animais insetívoros (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos), por serem inespecíficos, apesar de destruírem um grande número de insetos, não são usados em controle biológico pelo homem. Neste grupo incluem-se, por exemplo, lagartixas, sapos, rãs, tamanduás, tatus, etc. 

Referências / Para saber mais:

http://sitebiologico.blogspot.com.br/2007/10/controle-biolgico.html

www.agrosoft.org.bro

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente-controle-biologico/controle-biologico-10.php

http://www.biologico.sp.gov.br/artigos_ok.php?id_artigo=124

http://www.abrapoa.org.br/boletimeletronico/n23/index.html





segunda-feira, 6 de maio de 2013

Césare Mansueto Giulio Lattes!

Por Elisiane Campos de Oliveira Albrecht


Você provavelmente não deve ter reconhecido o nome que está no titulo deste texto, porém o dono dele foi muito importante para a Física brasileira ou, melhor ainda, para Física mundial. Cesar Lattes descobriu, junto com outros cientistas, a partícula subatômica méson pi. Esta descoberta foi importante para a compressão do mundo subatômico.

Lattes nasceu em Curitiba no dia 11 de junho de 1924. Fez parte de seus estudos nesta cidade, formando-se em Matemática e Física na Universidade de São Paulo. Com apenas 23 anos de idade, entrou no cenário mundial da Física, com a participação da descoberta do mesón pi em 1947, impulsionando a Física de Partículas. Até então muito se falava das partículas indivisíveis, que a matéria era formada por átomos, a parte indivisível da matéria. Com a descoberta do grupo de Cesar Lattes as portas para um novo mundo foram abertas. Existiam teorias que previam a existência de partículas além daquelas que se conheciam como cargas elementares, porém estas não haviam sido detectadas até então.

Em 1937 Carl D. Anderson e Seth H. Neddermeyer encontraram na “radiação cósmica” os sinais de algo que parecia ser a partícula prevista na teoria de Yukawa. Ele acreditava que era necessário existir uma partícula maior que elétron, que poderia ser absorvida por prótons e nêutrons, e com isso poderia haver uma explicação para as forças nucleares existentes entre estas partículas. No entanto, em 1947 descobriu-se que a partícula de Anderson e Neddermeyer não tinha o comportamento previsto pela teoria. É aí que temos a entrada do grupo de Cesar Lattes. Eles conseguiram verificar em seus experimentos a existência de outra partícula. E com isso temos a abertura para novas descobertas. Depois da observação destas partículas, foram possíveis novas teorias e, consequentemente, um novo ramo na física: o das partículas subatômicas. Mais do que análise de uma partícula, estes experimentos possibilitaram uma revisão dos conceitos físicos da matéria.


Além da contribuição mundial de Cesar Lattes os brasileiros também tiveram outra contribuição, com a ajuda de outros pesquisadores criaram o Centro Brasileiro de Pesquisas Física (CBPF). 

Cesar Lattes morreu em 2005 vítima de parada cardíaca, deixando um legado imenso na historia da física nuclear.


quarta-feira, 1 de maio de 2013

quinta-feira, 25 de abril de 2013

EULER: O Grande Escritor de Matemática!

Por Ednilson Rotini


Quem acessou o site Google no último dia 15 de abril, percebeu um grafismo diferente, que foi uma homenagem ao grande matemático e físico Leonard Euler que completaria nesta data 306 anos.

O Doodle da Google elabora grafismos em homenagem a personalidades ou datas comemorativas e neste grafismo, em especial, foi feito referências aos estudos do pesquisador Euler na área de geometria, cálculo e grafos.

Leonard Euler, que era suíço, viveu a maior parte de sua vida na Rússia e na Alemanha, onde desenvolveu inúmeros trabalhos na Matemática e na Física. Entrou na universidade aos 14 anos e já aos 16 obteve o título de mestre em Filosofia, com uma dissertação na qual comparava Renè Descartes com Isaac Newton. 

No início de sua carreira estudantil, por vontade de seu pai em vê-lo pastor, Euler estudou teologia, grego e hebreu. Entretanto, um matemático muito importante nessa época, Johann Bernoulli, percebeu seu talento e conseguiu convencer o pai de Euler que seu filho teria um futuro muito mais promissor na Matemática do que na religião.

Euler teve uma vida pessoal um tanto quanto conturbada, pois aos 31 anos perdeu a visão do olho direito, devido ao excesso de trabalho. A partir de 1766, Euler começa a perceber que devido à doença catarata, começa a perder a visão do olho esquerdo e, a partir disso, começa a preparar-se para a cegueira treinando escrever com giz em ardósia ou ditando para algum de seus filhos. Anos depois, perdeu todos os seus bens em um incêndio, restando apenas os seus manuscritos de Matemática. Em 1773, morreu sua esposa com apenas 40 anos e dez anos depois, na Rússia, morre Euler vítima de um acidente vascular cerebral.

Em relação ao legado de Euler, considera-se ele como o escritor de Matemática mais produtivo de todos os tempos. Tanto é verdade que, mesmo durante 50 anos após sua morte muitos trabalhos ainda foram publicados pela Academia de Ciências de São Petersburgo. 

Uma das suas grandes contribuições foi na área de notações, onde podemos citar como exemplos: 
  • f(x) para denotar função;
  • e para denotar a base do logaritmo natural;
  • i para denotar a unidade imaginária, onde i é igual a raiz quadrada de -1;
  • å para denotar somatório;
  • p  para denotar a razão entre o comprimento e o diâmetro de uma circunferência;
  • a, b, c para representar os lados de um triângulo e A, B, C para os respectivos ângulos opostos.
Além disso, Euler foi o primeiro matemático a tratar o seno e o cosseno não apenas como razões entre os lados de um triângulo retângulo, mas sim como funções podendo ser representadas no plano cartesiano. Nessa área, desenvolveu, ainda, uma fórmula que relaciona as funções trigonométricas e a função exponencial, utilizando a unidade imaginária i.



Outra relação importante e conhecida é a relação entre as arestas, as faces e os vértices de um poliedro qualquer:

V + F = A +2

onde V = número de vértices, A = número de arestas e F = número de faces.

Veja a tabela a seguir considerando os sólidos de Platão:



V
A
F
V – A + F = 2
TETRAEDRO
4
6
4
2
CUBO
8
12
6
2
OCTAEDRO
6
12
8
2
DODECAEDRO
20
30
12
2
ISOSAEDRO
12
30
20
2


Euler também desenvolveu trabalhos que contribuíram para o cálculo, análise, probabilidades e geometria, baseando-se nas descobertas e estudos de Newton, Leibniz, Bernoulli, d’Alembert, Fermat entre outros.

Além da Matemática, há registros de proezas científicas conquistadas por Euler em outras áreas do conhecimento. Como exemplos, podem ser citados projetos acerca da cartografia, do magnetismo, dos motores à combustão, da montagem de máquinas e da construção naval.

Finalmente, através de sua aptidão matemática, Euler também conseguiu avanços importantes na Astronomia, como a determinação da órbita de cometas e planetas, o desenvolvimento de métodos para o cálculo da paralaxe do Sol e estudos sobre a teoria da refração.









O pai da química: Antonie Laurent Lavoisier!

Por Alan Eduardo Wolinski


Considerado por muitos como o “Pai da Química”, Lavoisier nasceu no dia 26 de Agosto de 1743, em Paris. Nascido em familia rica, estudou em um dos melhores colégios da França, Collège des Quatre –Nations (também conhecido como Collège Mazarin), onde teve aulas nas áreas de química, astronomia, matemática, botânica e geologia. 

Com 18 anos, sob influência do pai, começou a cursar a faculdade de Direito, se formou em 1764, entretanto nunca chegou a exercer a profissão. E com muito interesse nas diferentes áreas da Ciência, mesmo cursando Direito, assitia aula de professores renomados na época como o matemático Nicolas Louis de Lacaille, o botânico Bernanrd de Jussieu, o químico Guillaume François Rouelle, e do Geólogo Jean-Etienne Guettard, um amigo da família, qual foi um dos maiores responsáveis por despertar o interesse de Lavoisier na Química. De junho a novembro de 1767, acompanhou Guettard numa expedição que estabeleceria o Atlas mineralógico da França. Lavoisier foi encarregado de fazer observações meteorológicas diárias.

Em 1765, a Academia Francesa de Ciências abriu um concurso sobre o “melhor meio de iluminar, durante a noite, as ruas de uma grande cidade”. E Lavoisier testando vários tipos de lanterna e combustíveis, escreveu um projeto que foi premiado com medalha de Ouro. Podemos perceber ai, a dedicação e preocupação de dele com a Ciência, que iria acompanha-lo por toda sua vida.

Em 1768 Lavoisier conseguiu, a após algumas tentativas, se tornar membro da Academia de Ciências. Porém nesse mesmo ano, com a morte de sua avó materna herdou uma grande fortuna, que investiu no empreendimento que lhe traria uma grande riqueza, mas também sua condenação à morte, Lavoisier associou-se à Ferme Générale ou “Fazenda Geral”, uma organização de financistas que, através de um convênio com o governo, possuía o direito recolher impostos sobre um grande número de produtos comerciais. Essa Associação era mal vista pela população, pois o clero e a nobreza estavam isentos, isto é, não eram obrigados a pagar impostos, apenas as classes sociais inferiores pagavam, num sistema opressivo e corrupto.

Lavoisier se dedicou ao mesmo tempo à política e à ciência. A partir da Academia e de seu laboratório particular, Lavoisier desenvolveu uma carreira que culminaria no estabelecimento de uma nova ordem para a Química.

Em 1771, Aos 29 anos se casou com a filha de um dos sócios majoritários da Ferme, Marie Anne Pierrette, que tinha apenas 13 anos de idade. A jovem Marie Anne veio a se tornar grande colaboradora científica do marido, tomando parte efetiva em muitos de seus experimentos de laboratório e sendo a responsável por muitos desenhos e ilustrações em seus livros, além de traduzir livros e artigos dos químicos ingleses. 


Ainda na vida política, em 1778, passou a ocupar o cargo pensionista, onde melhorou a qualidade da pólvora francesa e acabou com a Lei que permitia ao rei o privilégio de sequestrar o salitre do celeiro de qualquer súdito, usado ao mesmo tempo como adubo e matéria-prima para a pólvora. Em 1787 elegeu-se deputado pela assembleia provincial de Orleans. 

Lavoisier defendeu a liberdade de imprensa e os direitos do cidadão. Apoiou a revolução francesa (1789), tendo sido nomeado secretário do tesouro em 1791. Porém, à medida que a Revolução Francesa foi ganhando força, os membros da Ferme foram colocados como inimigos do povo, seu prestígio acabou entrando em declínio, e devido também sua ligação com a monarquia, acabou sendo visto como corrupto pela população. Em 1793, foi preso ficando num prédio localizado às margens do Rio Sena, e por ter posses e ser nobre possuía privilégios em sua cela de prisão, como estar sozinho, ter mesa, cadeira e cama. Foi levado ao tribunal, acusado de peculato, isto é, desvio de dinheiro público. Julgado e condenado culpado, foi guilhotinado na tarde de 8 de maio de 1794. Conta-se que, no dia seguinte o grande matemático Joseph-Louis Lagrange teria afirmado: "Não necessitaram senão de um momento para fazer cair essa cabeça e cem anos não serão suficientes para reproduzir outra semelhante".

Lavoisier é conhecido como o “Pai da Química Moderna”, revolucionou a química e suas contribuições foram fundamentais. No início de sua carreira, ele pôs fim à ideia da Transmutação Elementar proposta pelo químico belga Jan Baptist van Helmont. Foi o início das ideias da conservação da matéria. 

Publicou em 1787, o Méthode de nomenclature chimique com os franceses Louis Bernard Guyton de Morveau, Antoine de Fourcroy e Claude Louis Berthollet propondo uma nova nomenclatura química sistemática e racional para essa ciência. E em 1789, publicou o Traité elementaire de chimie (Tratado Elementar de Química), no qual define e apresenta sob forma lógica suas novas ideias e a primeira lista de "substâncias simples". Nesse tratado estava escrito: 

“... podemos estabelecer como axioma que, em todas as operações da arte e da natureza, nada se cria; uma quantidade igual de matéria existe antes e depois do experimento; a qualidade e a quantidade dos elementos permanecem precisamente as mesmas; nada ocorre além de variações e modificações na combinação dos elementos. Deste princípio depende toda a arte de executar experimentos químicos: devemos sempre supor uma igualdade exata entre os elementos do corpo examinado e aqueles dos produtos de sua análise.”

Ou seja, a Lei da Conservação da Massa,  célebre Lei que ficou conhecida como “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

É atribuída à Lavoisier a descoberta do oxigênio, foi ele o criador deste nome, e quem descreveu sua função na respiração, nas oxidações, nas reações químicas. Acabando assim, com as teorias flogísticas da combustão metálica.

Em 1783, sugeriu o nome hidrogênio, do grego "gerador de água". Simplesmente, durante a combustão o hidrogênio se combina com oxigênio, dando água. Aliás, foi ele que fez a primeira análise quantitativa da composição da água.

Os trabalhos de Lavoisier foram de extrema importância, abordando temas de grande relevância. Não promoveu apenas a mudança no pensamento químico, mas mostrou também, uma característica fundamental da química, a de uma ciência básica cujas descobertas têm imensa importância prática e imediata aplicação.



A poluição que ninguém vê: plástico e poluentes orgânicos persistentes!

Por Felipe Veiga

Nos mares de todo o mundo encontramos um lixo quase invisível, o lixo plástico. Esses resíduos não chegam a formar necessariamente ilhas flutuantes, mas sim uma fina camada de fragmentos. Esses fragmentos estão presentes em todo o mundo, variando apenas a sua densidade em locais diferentes. Esse tipo de lixo é muito mais nocivo do que aparenta. Esse plástico quando entra em contato com poluentes orgânicos persistentes (POPs) acaba aderindo-se a estes. 

Fonte: Global Garbage.
Os poluentes orgânicos persistentes têm propriedades tóxicas, são resistentes à degradação, bioacumulam-se, são transportados pelo ar, pela água e pelas espécies migratórias através das fronteiras internacionais e depositados distantes do local de sua liberação, onde se acumulam em ecossistemas terrestres e aquáticos. Um único fragmento de plástico viajando circulando há alguns anos no mar chega a ter uma concentração de POPs um milhão de vezes maior que a água ao seu redor. Isso acontece porque esse lixo e os poluentes têm origem orgânica – o petróleo – e possuem afinidade química. E quando um animal engole a mistura de plástico e POPs, não consegue metabolizar o plástico e sofre os efeitos da contaminação. Vazamentos e naufrágios são fontes de lixo e POPs, mas apenas de uma ínfima parte. 

A maior parte dos resíduos é proveniente de cidades e lixões em terra. Eles são despejados diariamente nos rios até chegarem ao mar. Os POPs produzem uma ampla gama de efeitos tóxicos em animais e seres humanos, inclusive nos sistemas reprodutivos, nervoso e imunológico, além de causarem câncer. Muitos destes efeitos ocorrem porque alguns poluentes são capazes de mimetizar ou bloquear determinados hormônios, particularmente hormônios sexuais. Além de afetar enzimas que controlam as reações bioquímicas no organismo. Existem POPs que também atingem os neurotransmissores, substâncias químicas do sistema nervoso, assim como as células do sistema imunológico. Expor uma gestante a estas substâncias pode provocar a morte do feto e aborto espontâneo, diminuição de peso e tamanho ao nascimento, alterações de comportamento e rebaixamento da inteligência. Outras conseqüências são depressão do sistema imunológico, redução da resistência óssea e efeitos no sistema reprodutivo. Muitos poluentes estão associados ao surgimento de alguns tipos de câncer, como câncer de fígado, no trato digestivo, no pâncreas, no pulmão, na mama, entre outros. 

Referências:

LIANA, John. “Mar plastificado”. National Geographic. Abril, 2011. Ano 11. Nº 133.

ECOA. Conheça os Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs). Acesso em: 16/04/2013. < http://www.riosvivos.org.br/canal.php?mat=2342>.

O Efeito Estroboscópico e o Desenho Animado!

Por Ana Caroline Pscheidt


Um estroboscópio é num dispositivo óptico que permite estudar e registrar o movimento contínuo ou periódico de corpos em alta velocidade. Esse equipamento tem uma lâmpada e o efeito estroboscópico é conseguido através da alternância entre a iluminação com uma luz intensa e o bloqueio dessa iluminação, de forma mais simples é uma lâmpada capaz de piscar numa determinada freqüência variável.

Observando algo com uma luz estroboscópica obtemos um conjunto de imagens discretas, mas que representam o movimento do corpo observado. Por exemplo: observando um ventilador ligado com uma lâmpada comum, podemos perceber sua hélice girando em alta velocidade. Normalmente não é possível perceber o sentido em que a hélice gira nem quantas pás a compõem. Mas se ao invés da lâmpada comum utilizarmos um estroboscópio para iluminar o ventilador, podemos ver a hélice girando no sentido horário, anti horário e até mesmo parada dependendo da freqüência com que a luz pisca. Mas é claro que o ventilador está girando apenas em um sentido. O que acontece neste caso é que o  estroboscópio causa uma ilusão de óptica. Se as e as frequências do estroboscópio e do ventilador coincidirem, vemos a hélice do ventilador parada. Quando as frequências não coincidem, ela pode parecer girar no sentido horário ou anti-horário. Sendo a freqüência do estroboscópio maior que a do ventilador ele parecerá girando no sentido contrario ao que realmente gira, já se a freqüência do estroboscópio for menor que a do ventilador então o veremos girando no sentido correto.  

Dependendo do objeto observado com  podemos ver efeitos bem interessantes como o mostrado no vídeo a seguir feito pelo DEPARTAMENTO DE FÍSICA Y QUÍMICA DEL IES "Antonio Mª Calero" de Pozoblanco (CÓRDOBA) ESPAÑA: 



As lâmpadas que usamos em casa parecem ter a luz totalmente constante, bem diferente do estroboscópio. Mas não é bem assim. As lâmpadas fluorescentes também piscam, porém numa freqüência fixa de 60Hz, ou seja, 60 vezes por segundo. Esta é a freqüência da corrente elétrica alternada que nos é fornecida. Não percebemos este efeito pois a freqüência com que ela pisca é bem maior do que o olho humano consegue perceber.

Esse “defeito” do olho humano foi aproveitado para produzir os primeiros desenhos animados. Os desenhos são feitos de imagens estáticas que são exibidas numa freqüência alta, fazendo parecer um movimento continuo e o que eram apenas desenhos estáticos tronam-se um filme animado aos nossos olhos. 

Você mesmo pode produzir um desenho animado. Para isto, basta ter um bloco de papel e em cada folha do bloco desenhar uma cena, pode ser bonecos ou qualquer outra coisa, use sua criatividade! O segredo é desenhar o mesmo cenário em cada uma das folhas do bloco, porém variando um pouco a posição do desenho que quer movimentar, por exemplo, o boneco ele pode estar levantando a mão como se estivesse acenando, em cada folha a mão deve estar um pouco mais levantada, assim quando folhear rapidamente, como na imagem abaixo, o boneco vai parecer acenar para você.



Um procedimento parecido com este era usando em filmes antigos, onde estes eram filmados em 24 quadros por segundo, ou seja, em um segundo eram exibidos 24 imagens. A filmagem era feita desta maneira devido ao fato de a tecnologia disponível permitir registrar apenas esta quantidade de imagens neste intervalo de tempo. Esta característica dos filmes antigos tornou comum a informação de que o olho humano é capaz de ver apenas 24 imagens por segundo. Neste caso, movimento com freqüência abaixo desta tornaria possível a percepção de imagens estáticas e acima dela veríamos apenas o movimento. Porém estudos mostram que acima de 16 imagens por segundo nosso cérebro já começa a perceber um movimento, e quanto mais imagens são utilizadas melhor fica a sensação de realidade quando vemos um filme. Hoje temos filmes e desenhos com bem mais do que 24 quadros por segundo.

A luz estroboscópica também já foi utilizada para simular o efeito de movimento dos desenhos animados, você pode ver um exemplo neste vídeo: