domingo, 4 de agosto de 2013

Rochas sedimentares!

Por Alan Eduardo Wolinski

Este tipo de rocha ocupa aproximadamente 75% da superfície do planeta e é formado a partir da compactação e/ou cimentação de sedimentos ou detritos, ou por acumulação química na superfície da crosta terrestre sob condições de baixa temperatura (~250ºC) e baixa pressão (peso dos sedimentos posteriores).

Os sedimentos são produtos dos processos de Erosão, Desintegração e Decomposição de rochas pré-existentes (ígneas, sedimentares ou metamórficas), sendo o Intemperismo (conjunto de processos mecânicos, químicos e biológicos) o principal responsável na transformação destas rochas em sedimentos. Após ocorrer a formação dos sedimentos, estes são transportados por gravidade, vento, água, organismos ou geleiras até o ponto de deposição. Nesse processo, normalmente os sedimentos sofrem ainda mais desgaste: quanto maior a distância de transporte, mais será desgastado, tornando se mais arredondado.

Figura 1 – Retrabalhamento dos sedimentos: após o transporte, o sedimento inicialmente grande, anguloso e facetado, se torna menor, mais arredondado e esférico.

Através da ação dos agentes de transporte, os sedimentos chegam a regiões mais estáveis, chamadas de bacias de sedimentação. As rochas originadas desta forma são conhecidas como rochas sedimentares clásticas ou mecânicas, pois são constituídas por partículas (clastos) preexistentes. São classificadas conforme o diâmetro de suas partículas (cascalho, areia, silte ou argila, do maior para o menor, respectivamente). Com o passar do tempo, os sedimentos vão se depositando em camadas sobre a superfície e as partículas vão se unindo pelo conjunto de processos de compactação e cimentação desse material, conhecido como Litificação ou Diagênese.

Figura 2: Exemplo de Rochas Sedimentares Clásticas - Conglomerado em matriz de arenito grosso
Figura 3: Exemplo de Rochas Sedimentares Clásticas - Arenito.
Os processos mais conhecidos que levam à litificação de sedimentos são:

  • Compactação;
  • Dissolução;
  • Cimentação;
  • Recristalização diagenética.


Existem também algumas rochas que apresentam origem diferenciada, como as rochas sedimentares Orgânicas e Químicas. As orgânicas são formadas pelo transporte, deposição e litificação de restos orgânicos (restos de vegetais, excrementos de aves, conchas, etc.), como por exemplo, os depósitos de carvão (litificação de restos de vegetais). Como suas partículas agregadas não são minerais, são chamadas de pseudo-rochas. 

Figura 4: Exemplo de rocha sedimentar orgânica - carvão mineral.
Figura 5: Exemplo de rocha sedimentar orgânica - coquina.

As rochas sedimentares químicas ocorrem pela precipitação dos radicais salinos produzidos pelo intemperismo químico, e que agora encontram-se dissolvidos nas águas de rios, lagos e mares.

Figura 6: Exemplo de rocha sedimentar química - calcário.
As rochas sedimentares geralmente são caracterizadas pela presença de estratificação, que resulta da formação de camadas horizontais e paralelas pela deposição contínua de partículas no fundo de um oceano, de um lago, de um rio ou numa superfície continental.

A ordenação temporal também constitui uma característica dessas rochas, ou seja, um estrato (camada) que está por baixo, é mais antigo do que aquele que está acima, e mais recente do que está abaixo (quando não houver perturbação tectônica, falhas, dobras, etc.).

Figura 7 – Sedimentação das partículas em camadas (ou estratos), gerando estrutura do tipo “Estratificação”.

Outra questão de grande importância na estraficação é que cada uma dessas camadas possui características específicas, que refletem as condições predominantes quando as rochas foram originalmente depositadas. São nas rochas sedimentares onde se encontram a maioria dos Fósseis.
 
REFERÊNCIAS

www.mineropar.pr.gov.br 

http://www.rc.unesp.br/museudpm/rochas/sedimentares/sedimentares.html

http://fossil.uc.pt/pags/sedime.dwt

http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Solo/Solo5.php

http://www.ufrgs.br/paleodigital/Rochas_sedimentares.html

http://www.cprm.gov.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1107&sid=129#sedimentar

Dilatação térmica: o que é, o que causa!

Por Ana Caroline Pscheidt


A dilatação térmica é a variação das dimensões de um material, causada pela mudança de temperatura. Para compreender porque isso acontece, precisamos do conceito de temperatura.

Temperatura é a medida da agitação das moléculas. Ao aquecermos uma substância, aumentamos a agitação de suas moléculas, a qual causa um acréscimo no tamanho do objeto aquecido.Caso a resfriemos, acontece o processo inverso. Neste caso a agitação das moléculas diminui e o objeto contrai. Existem algumas exceções, porém a maioria dos materiais se comporta desta maneira.

Cada substância reage de uma forma à mudança de temperatura, alguns dilatam mais, outros menos. Dizemos então que cada material tem um coeficiente de dilatação, a qual pode ser classificada em três tipos:

Linear: Quando levamos em conta a dilatação em uma dimensão, variação de comprimento, largura ou altura. Ex: Dilatação de fios ou colunas de líquido.

Superficial: Quando levamos em conta a dilatação em duas dimensões, variando assim a área. Ex: Dilatação de placas ou chapas de metal.

Volumétrica: Quando levamos em conta a dilatação em 3 dimensões, ou seja, a variação de volume. Ex: Dilatação de gases, sólidos de volume consideravelmente grande, líquido em recipientes, etc.

Para cada tipo de dilatação existe um coeficiente relacionado: coeficiente de dilatação linear, superficial e volumétrico representados respectivamente pelas letras  α, β e γ. Toda dilatação é volumétrica, mas em alguns casos podemos considerar apenas uma ou duas dimensões  para facilitar o estudo. Por exemplo, em um fio a dilatação linear é muito mais importante do que a dilatação volumétrica então, para efeito de simplificação, consideramos apenas sua dilatação linear.

A dilatação de um material é definida por:


Δl = l0.α.ΔT



ou seja, a variação de comprimento ∆l é igual ao produto do comprimento inicial l0, do coeficiente de dilatação linear α e variação de temperatura ∆T. A relação é análoga para dilatação superficial e volumétrica.

Conhecendo o coeficiente de dilatação de um material, a variação de comprimento e o comprimento inicial, podemos usar a dilatação para medir uma variação de temperatura, ou seja, esse efeito pode ser usado para construir termômetros. 

Termômetro de álcool.
Termômetro é todo equipamento capaz de medir variação de temperatura. Pelo menos um tipo de termômetro você deve conhecer: o termômetro de mercúrio. É aquele normalmente usado para medir a temperatura corporal. Este instrumento é composto por uma coluna de mercúrio que, ao ser aquecido, sofre uma dilatação quase linear. A partir dessa variação de altura, criamos uma escala para descobrir a temperatura corporal ou de outro material.

Outro conceito importante para o funcionamento do termômetro é o equilíbrio térmico. Quando dois corpos com temperaturas diferentes são colocados em contato, estes trocam trocar calor até que estejam na mesma temperatura. Nesse momento, dizemos que os corpos atingiram o equilíbrio térmico. Lembrando que o calor é a energia em transito e passa do corpo mais quente para o mais frio.

Na imagem ao lado temos um termômetro de álcool colorido. Este funciona da mesma maneira que o de mercúrio. O liquido dentro do tubo de vidro tem uma altura inicial. e quando o colocamos  em contato com o corpo, temos que esperar certo tempo até que se atinja o equilíbrio térmico, ou seja, a temperatura do seu corpo seja igual à do termômetro. A variação da desta irá causar a dilatação térmica do liquido, alterando assim, sua altura, que indicará a temperatura na escala do termômetro. Se não houvesse essa escala, teríamos que calcular a variação de temperatura a cada uso. Porém, este cálculo já foi feito pelo fabricante!


A DILATAÇÃO NAS FERROVIAS


A dilatação térmica também pode causar problemas. Ferrovias podem ser fortemente danificadas se não forem planejadas adequadamente. 

Os trilhos são feitos de metais que normalmente têm coeficiente de dilatação bem elevado, ou seja, com uma pequena variação de temperatura podem variar bastante seu volume. Neste caso, a oscilação da temperatura durante o dia podem entortá-los. Por isso as ferrovias são construídas com juntas de dilatação que, nesse caso, podem ser folgas planejadas para essas variações.

A imagem que abre este texto ilustra o o resultado de uma ferrovia construída sem esse cuidado. Em um dia muito quente o trilho pode ficar bem curvado e até causar acidentes. 

Parta amenizar os impactos deste fenômeno, existem diferentes tipos de juntas de dilatação, sendo importantes em qualquer tipo de construção, pois impedem rachaduras nas estruturas causadas pela expansão do concreto. 

Exemplo de junta de dilatação para trilhos.
Na imagem acima vemos a junção de dois trilhos de trem com o espaçamento proposital deixado para que eles dilatem sem entortar a linha férrea.  

O estudo sobre a dilatação térmica trouxe varias possibilidades para a Ciência. A própria invenção do termômetro foi muito importante para a comprovação de diversas teorias. Esse conhecimento também nos acarretou melhorias nas grandes construções que encontramos nas cidades, aumentando a confiabilidade das estruturas e a prevenção de acidentes.

REFERÊNCIAS

N. S. DJALMA. Física Paraná, 2000, p. 150 – 151. 

HALLIDAY, D. & RESNICK, R. Fundamentos de Física. RJ, Livros Técnicos e Científicos, v. 2.
http://www.sofisica.com.br/

Terra, planeta água?

Por Rafael Briones Matheus

Figura 1.
"A Terra é azul" relatou o cosmonauta russo Yuri Gagarin (figura 01) ao observar o planeta visto do espaço, a bordo da nave espacial Vostok I em 1961.  

Ao vermos imagens produzidas pelos modernos satélites de observação da Terra (figura 02), percebemos que a maior parte da sua superfície é coberta por água, e também temos a sensação que o planeta é uma esfera. Mas devemos lembrar que ele é formado por rochas e minerais, e somente em sua superfície é composto por água (cerca de 70%). Sua forma real é totalmente irregular, não existindo até o momento, definições matemáticas precisas capazes de representá-lo sem deformá-lo. 

Figura 02.

Existem modelos que se aproximam da realidade, o geoide é o que representa com mais precisão as deformidades e é determinado através de medidas gravimétricas (relativo ao campo gravitacional) (figura 03).

Figura 03.

Figura 4.
Já o elipsoide (forma semelhante de uma elipse)(figuras 04 e 05) é definido matematicamente, havendo um achatamento nos polos, semelhante à Terra, com raio equatorial de aproximadamente 23 km maior que o polar. E a partir deste modelo, são definidas as coordenadas geográficas(latitude e longitude), sendo utilizado na cartografia como base para projeções cartográficas e produção de cartas.

Figura 5.

REFERÊNCIAS:

http://www.professores.uff.br/cristiane/Estudodirigido/Cartografia.htm

http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/geodesia/oquee_geoide.shtm

http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/cartografia/glossario/glossario_cartografico.shtm


A educação ambiental nas atividades ecoturísticas!

Por Ararê de Azambuja Vilanova Junior


As possíveis condições de se aplicar metodologias de educação ambiental em conjunto com atividades turísticas de base comunitária podem gerar o desenvolvimento sustentável de uma determinada localidade. É possível, com esta ação e com práticas de integração com o meio ambiente, sensibilizar, conscientizar e aperfeiçoar os profissionais da área, os empreendedores e a comunidade, para que estes tenham conhecimento da realidade das condições ambientais locais, regionais e até globais. O homem, ao invés de se adequar ao meio em que vive, exige e faz com que o meio tenha que se adequar à sua vontade. 

Utilizando-se de seguimentos do turismo como: ecoturismo, turismo de base comunitária e ações de educação ambiental, pode-se relacionar os impactos do turismo e encontrar assim, alternativas sustentáveis para o desenvolvimento da atividade. É através de técnicas inovadoras que se estimula a interação entre o meio ambiente, o turista e a comunidade, resultando em uma reflexão racional e preservadora para a proteção da natureza.

TURISMO


Turismo é movimento de pessoas, um fenômeno social, econômico e cultural que as envolve. É um ramo das ciências sociais e não das ciências econômicas, apesar de que esta última pode ser sua razão. O turismo transcende as esferas das meras relações da balança comercial.

Mas a definição acadêmica de Turismo, segundo a Organização Mundial de Turismo (OMT), 2003 é: "Movimento de pessoas a lugar diverso do qual habite por tempo inferior a 360 dias, desde que esta não realize atividades econômicas".

Portanto, turismo é a realização de viagens para local diverso do qual a pessoa não resida, seja a lazer, passeio, negócio, religião ou outra atividade diversa da econômica.

O ECO TURISMO


O eco turismo é uma atividade comercial que colabora na preservação ambiental e, que deve abranger, em sua conceituação, a dimensão do conhecimento da natureza, a experiência educacional interpretativa, a valorização das culturas tradicionais locais e a promoção do desenvolvimento sustentável.

"Eco turismo é a viagem responsável a áreas naturais, visando preservar o meio ambiente e promover o bem estar da população local" (The Ecotourism Society).

Trata-se de um seguimento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas. 

Ao mesmo tempo em que aumentam as preocupações sobre as questões ambientais, elevam-se as expectativas sobre soluções que não exijam mudanças comportamentais na humanidade. Ao ecoturismo, por exemplo, atribui-se a incumbência de melhorar o aproveitamento dos recursos naturais, minimizando os impactos negativos e maximizando  os  benefícios  gerados  com a  exploração  de  áreas  naturais.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL


Segundo o artigo 1º da lei 9.795, que dispõe sobre a educação ambiental e institui a Política Nacional de Educação Ambiental, “Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade controlem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade”.

Ou seja, a educação ambiental consiste em permitir que o ser humano compreenda a natureza complexa do meio ambiente resultante de suas interações, levando-o a promover uma ação reflexiva e prudente dos recursos naturais, satisfazendo as necessidades da humanidade.

CONCLUSÕES



A relação entre o turismo e a atividade educacional, generalizada como educação ambiental, tem por objetivo gerar uma maior consciência ambiental. Na verdade, o turismo encerra muitas oportunidades de contribuição para que o indivíduo tome contato com o ambiente natural, perceba sua importância e significado para si mesmo e para a sociedade, passando a ter a natureza como um elemento próximo de suas ações. 

Tudo isso leva o ser humano a redescobrir o lugar que lhe corresponde dentro do conjunto harmonioso do universo. Entretanto, trata-se de um processo que muitas vezes não acontece por si só mas sim, necessita que haja preparação, sentido, estudo, especialização, mediação e produtos, componentes que levam a enxergá-lo como um processo educativo.

Seguindo esta esteira de raciocínio, verifica-se que a educação ambiental pode contribuir, agregando à atividade turística, a possibilidade do desenvolvimento de processos educativos. Para tanto, é necessário encorajar os profissionais de turismo e os educadores ambientais a re-avaliarem as razões pelas quais se levam as pessoas para conhecer a natureza, além de apresentar a metodologia da educação ambiental como uma alternativa para promover a união entre a atividade turística e comunidade, especialmente ligada ao componente aventura e educação ambiental.

REFERÊNCIAS

Embratur Ecoturismo, disponível no site: www.ambientebrasil.com.br, acesso em 03/07/2013.

LEI No 9.795, DE 27 DE ABRIL DE 1999., disponível no site: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm, acesso em 16/07/2013.

ALEGRETTI, Alexandro. Explicando o Meio Ambiente. Ed. Memory, RJ. 2001

BOO, Elisabeth. La explosión del ecoturismo. Programa de Áreas Silvestres y Necessidades Humanas. Série documentos técnicos. Washington: WWF,1992.

OMT, Organização Mundial do Turismo. Guia de desenvolvimento sustentável. Porto Alegre:Booknan, 2003.

Resenha da obra: "Emílio, ou da educação" de Jean Jacques Rousseau!

Por Evelise Gaio


No século XVIII, Jean Jacques Rousseau publicou Emílio, ou da Educação, que se trata de um romance pedagógico, contando a educação de Emílio. Rousseau partia do pressuposto de que o homem nascia naturalmente bom e que a sociedade é quem o corrompia, tornando-o mau. Seu principal objetivo é evitar que a criança se torne má e fazer com seja um adulto bom.

Na época em que Rousseau vivia não se tinha a ideia de criança, apenas de que essas eram “pequenos” adultos; a punição era a mesma para ambos. De acordo com seu texto, não se conhecia a infância, “eles (homens) procuram o homem na criança, sem ao menos pensar no que ela é antes de ser homem”. Para ele, a criança deveria ser entendida em sua complexidade, ou seja, por suas próprias características.

Sob esta perspectiva, para Rousseau, quem separa o adulto da criança é a educação. Seu principal foco é a valorização da criança como criança e, para ele, a educação é o principal meio de valoriza-la. Ela deve ser tratada como criança, porém não em excesso, pois o excesso para ele é “manha”.

Rousseau defende a ideia de se educar diferentemente os homens das mulheres. Para representar isso em seu texto, propõe exemplos e Emílio e Sofia, em que as mulheres devem ser criadas foras dos preceitos da razão, pois estas nasceram para serem submissas ao marido, criadas para o casamento e maternidade, não apresentando possibilidades de aprender conceitos científicos. Já o homem fora criado para ser forte e rico, devendo receber instrução científica. Educado desta forma, Emílio será um cidadão capaz de assumir e aceitar as exigências impostas pela sociedade sem que se sinta oprimido.

Em Emílio, Rousseau critica fortemente a educação tradicional da época, pois esta era muito racionalizada, muito técnica e muito impositiva. Devido a isso, nota-se o porquê de Rousseau ser considerado o pai da educação, uma vez que este realmente leva a sério a criança e reconhece a importância desse estágio. Inicia-se então, uma pedagogia voltada e centrada na criança, não mais reconhecendo-a como adulto, mas sim na sua essência, na  sua felicidade e na sua liberdade como criança.

No texto, Rousseau afirma que tudo o que não se tem quando se nasce (juízo, força, assistência) e do que se necessita quando crescidos, é dado pela educação e que apenas essa pode modificar o homem.~

Percebe-se que o principal foco da obra Emílio é o de como educar uma criança. Para Rousseau, deve se dar ênfase à educação desde o nascimento, pois ela nasce “pura” quem o modifica é a sociedade, e como dito acima, apenas a educação tem esse poder.

REFERÊNCIAS:

ROUSSEAU, J.–J. Emílio ou da educação. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1968. p.60-2 apud PILETTI, C. & PILETTI N. História da educação. 7. ed. São Paulo: Ática, 1997. p.94.

Senhores do Mesozóico: Angaturama!

Por Marcelo Domingos Leal


O Angaturama limai ou dinossauro nobre (angaturama na linguagem Tupi significa “nobre”, e faz referência a um espírito protetor), é uma espécie de dinossauro terápode, ou seja, bípede (locomove-se sobre apenas duas patas) e carnívoro. Foi descrito cientificamente em 1996 pelos paleontólogos Kellner e Campos, mas pode ter sido encontrado décadas antes por trabalhadores que retiravam lajes de pedreiras para calçamento de passeio e piscinas. Para a identificação do animal, os cientistas contaram apenas com ossos do crânio. Como todos os outros dinossauros, o Angaturama viveu na Era Mesozóica, mas em um período chamado de cretáceo inferior, há cerca de 110 milhões de anos atrás. Seu local de descoberta foi a Bacia do Araripe, na formação Santana, no extremo sul do estado do Ceará.

É um dinossauro de proporções medianas, medindo até 3,0 m de altura e 8 m de comprimento, chegando a 500 Kg de massa. É da família dos espinossaurídeos, possuindo, então, algumas características comuns deste grupo de animais: cabeça longa, muito parecida com a de um crocodilo e braços longos e fortes – algo incomum entre os terápodes como os tiranossaurídeos. Não se sabe se ele possuía uma vela nas costas, como o seu parente o Spinosaurus aegyptiacus (encontrado no continente africano) mas, seu crânio possuía uma crista, com as narinas posicionadas exatamente à frente dos olhos, como encontrado hoje nas aves. Seus hábitos alimentares incluíam a ingestão de peixes, ou seja, um dinossauro piscívoro, e de outros pequenos animais.

REFERÊNCIAS

http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=22&sid=9

Livro: O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil

A tecnologia GPS - Parte II!

Por Rafael Gama Vieira

Vimos no texto Tecnologia GPS – Parte I que podemos utilizar o céu como orientação. Porém, este procedimento induzir a erros se não for feito corretamente.

Para solucionar este problema, foi inventado um equipamento chamado Bússola. Este instrumento utiliza o campo magnético da Terra e uma agulha imantada para apontar sempre para o lado Norte. Porém, utilizando uma bússola, temos apenas a orientação quanto aos pontos cardeais, não sendo possível dizer qual a sua localização na Terra ou que caminhos seguir para chegar a algum lugar.

Tal problema foi solucionado com a invenção, pelos norte americanos, do GPS, sigla em inglês para Global Positioning System, ou em português, Sistema de Posicionamento Global. Com ele, conseguimos por exemplo, saber qual a nossa localização na Terra, encontrar rotas para algum destino e medir tempo de deslocamento e velocidade com maior precisão.

A HISTÓRIA DO GPS:


Durante a Segunda Guerra Mundial os alemães utilizaram foguetes de longo alcance chamados de V2 para bombardear seus alvos.
Modelo de Foguete V2.

A utilização destes foguetes despertou nos Estados Unidos o interesse em utilizá-los no estudo espacial. Nesta mesma época a URSS também decide iniciar a exploração espacial. Começa então a guerra fria. 

Em outubro e 1957 os Russos colocam em órbita o satélite Sputnik. Dois meses depois os norte americanos chegam ao espaço com a Explorer 1.

Foguete Explorer 1.

Estes acontecimentos deixaram claro a possibilidade de utilizar satélites para auxiliar a orientação na Terra.

O GPS


Em 1960 o Departamento de Defesa dos Estados Unidos começa a desenvolver o NAVSTAR - GPS - Navigation Satellite With Time and Ranging – Global Positioning System, lançando seu primeiro satélite em 1978.

Em 1994 o sistema atingiu plena capacidade de 24 satélites. Hoje o sistema conta com 24 satélites em uso e mais 7 de reserva.

Este sistema foi desenvolvido para uso militar, tendo como principal função a localização e orientação de tropas e de mísseis e aeronaves. Porém sua utilização tornou–se também civil. Hoje qualquer pessoa pode colocar um aparelho de GPS no painel do seu carro e obter rotas alternativas para seu destino. 

FUNCIONAMENTO DO GPS


O princípio de funcionamento do GPS é bastante simples, pois utiliza basicamente a Física estudada no Ensino Médio. Para entendê-lo, precisaremos do conceito de velocidade média.

Movimento retilíneo uniforme.
Na imagem acima temos um carro de fórmula 1 se deslocando sobre uma trajetória retilínea. O carro parte do ponto S0 e se desloca durante certo tempo até a posição final S. Para saber a velocidade do carro no percurso, basta medir a distância que ele percorreu  e dividi-la pelo tempo.

Vm = ΔS/Δt = (S - S0) / (t - t0)                 (1) 

Podemos também, utilizar o procedimento contrário, ou seja, sabendo a velocidade com que um móvel se desloca, medimos o tempo de deslocamento e assim encontramos a distância percorrida. Neste caso, basta isolar o ∆S na equação acima:

ΔS = Vm. Δt                 (2) 

No caso do GPS, o satélite envia um sinal de rádio para o aparelho com a informação da hora em que o sinal foi enviado. Ao recebê-lo, o aparelho compara a hora de envio com a hora de recebimento e calcula o tempo de deslocamento.

Como o sinal é enviado por uma onda eletromagnética, sabemos que sua velocidade é igual à da Luz, ou seja, aproximadamente 3x108m/s. Basta então, utilizar a equação 2 para calcular a distância entre o satélite e o aparelho.

Por exemplo: o tempo calculado pelo aparelho foi de 80ms (0,08s) e a velocidade do sinal é de 3x108m/s. Logo, basta multiplicar estes dois valores para encontrar a distância entre o satélite e o aparelho. Neste caso: 24.000km.

Porém, utilizando apenas um satélite teremos apenas uma distância, ou seja, o aparelho pode estar em qualquer ponto de um circulo de 24.000km de raio, como mostra a figura abaixo:

Possíveis localizações usando apenas 1 satélite.
Para obter a localização exata são usados, então, 3 satélites. Neste caso, o aparelho calcula a distância entre ele e cada um dos três satélites e consegue saber sua localização.

Triangulação.


Neste caso, sabemos que o aparelho está localizado no ponto P da terceira imagem. Este processo é chamado de triangulação. Para garantir que o aparelho consiga se comunicar com os satélites a partir de qualquer lugar na Terra, os 24 satélites orbitam o planeta em 6 planos com 4 satélites cada. Isso faz com que sempre haja pelo menos 4 satélites voltados para qualquer ponto do planeta, como mostra a animação a seguir:


Alguns erros devem ser levados em consideração na hora dos cálculos para assim obtermos uma melhor orientação.

Um deles é decorrente da diferença nos relógios situados nos satélites e nos aparelhos. Cada satélite possui um relógio atômico que marca a hora com bastante precisão. Porém, não é possível colocar estes relógios também nos aparelhos. Logo, o aparelho irá marcar a hora com certo erro em relação aos satélites. Este erro é corrigido utilizando um quarto satélite no sistema mostrado acima. 

Outro erro é decorrente dos efeitos relativísticos. Isto ocorre porque os satélites se deslocam com uma velocidade bem maior que a velocidade dos aparelhos se movimentando na Terra. Outro efeito relativístico aparece devido à diferença de potencial entre o aparelho na superfície da Terra e o satélite com altura média de 24.000km.

REFERÊNCIAS:

www.scielo.br/scielo.php?pid=S1806-11172011000200014&script=sci_arttext

www.vaztolentino.com.br/conteudo/562-TECNOLOGIA-GPS-SEGMENTO-ESPACIAL-
SEGMENTODE-CONTROLE-SEGMENTO-DO-USUaRIO

www.gps.gov

A nova resolução e o tráfico de animais!

Por Rafael Vitorino de Oliveira

Um dos mais lucrativos comércios ilegais do mundo é o tráfico de animais e o Brasil, devido a sua biodiversidade, tem um lugar de destaque dentro desse "grande negócio", contribuindo com aproximadamente 10% do volume dessa fortuna gerada anualmente. Fatores que contribuem para esta representatividade é a falta de fiscalização e a ausência de punições severas.

Esse comercio movimenta cerca de 20 bilhões de dólares ao ano, tornando-se a 3° atividade criminosa mais rentável do mundo, ficando atras apenas do tráfico de Drogas e Armas. Segundo o IBAMA, cerda de 90% dos animais silvestres morrem logo depois de retirados de seu habitat natural. Os animais considerados amigáveis são os preferidos e têm um maior valor, que pode variar de acordo com a peculiaridade da espécie. O que mais chama a atenção é que cerca de 90% dos animais capturados são comercializados no Brasil. Dentro dessa realidade, veio à tona uma nova resolução, a qual é  considerada um retrocesso por pessoas do meio. 

Trata-se da Resolução 457 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, publicada em 25 de junho de 2013, a qual:

"Dispõe sobre o depósito e a guarda provisórios de animais silvestres apreendidos ou resgatados pelos órgãos ambientais integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente, como também oriundos de entrega espontânea, quando houver justificada impossibilidade das destinações previstas no §1o do art. 25, da Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, e dá outras providências".

De maneira geral, a nova resolução tem criado manifestações contrárias entre as pessoas envolvidas. O Conselho Nacional de Biologia - CFBio demonstrou ser contra essa nova normativa, a qual considera que incentiva o aumento no tráfico de animais silvestres. Para maiores informações acesse: www.cfbio.gov.br/

A seguir estão elencados alguns pontos polêmicos:

Art 2.
V - Termo de Depósito de Animal Silvestre-TDAS: termo de caráter provisório pelo qual o autuado assume voluntariamente o dever de prestar a devida manutenção e manejo do animal apreendido, objeto da infração, enquanto não houver a destinação nos termos da lei; 

VI - Termo de depósito preliminar: termo de caráter provisório, pelo qual o agente fiscalizador, no momento da lavratura do Auto de Infração, mediante justificativa, confia excepcionalmente o animal ao autuado, até outra destinação, nos termos desta Resolução;

VII - Termo de Guarda de Animal Silvestre-TGAS: termo de caráter provisório pelo qual o interessado, que não detinha o espécime, devidamente cadastrado no órgão ambiental competente, assume voluntariamente o dever de guarda do animal resgatado, entregue espontaneamente ou apreendido, enquanto não houver destinação nos termos da lei;

CAPÍTULO IV
DO TERMO DE GUARDA DE ANIMAIS SILVESTRES

Art. 11. Não será concedido TGAS à pessoa com condenação penal ou administrativa, decorrente de crime ou infração ambiental contra a fauna, nos últimos 5 (cinco) anos.

Parágrafo único. Fica a critério do órgão ambiental conceder ou não o TGAS à pessoa física ou jurídica autuada ou com condenação penal ou administrativa, decorrente de crime ou infração ambiental.

CAPÍTULO V
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 12. O transporte do espécime em depósito ou em guarda dependerá de emissão de autorização de transporte, sem prejuízo das demais documentações exigidas pelos órgãos competentes.
§ 1o Excepcionalmente será permitido o transporte do espécime, sem autorização de transporte, para atendimento médico veterinário, em caso de urgência.
§ 2o Não será concedida autorização de transporte para o exterior.
§ 3o Não será concedida autorização para trânsito.


REFERÊNCIAS:

www.ipaq.org.br/vb/showthread.php?100904-Resolu%E7%E3o-457-do-CONAMA

www.cfbio.gov.br/

www.brasilescola.com/geografia/trafico-animais.htm

OS PRIMEIROS FILÓSOFOS E A BUSCA DO PRINCÍPIO DE TODAS AS COISAS!

Por Elaine Barbosa



A grande aventura intelectual dos gregos não começou propriamente na Grécia continental, mas nas colônias da Jônia e da Magna Grécia, onde florescia o comércio. Os primeiros filósofos viveram por volta dos séculos VII e VI a.C., classificados como pré-socráticos, quando a divisão da filosofia grega centralizou-se na figura de Sócrates.

PERÍODOS DA FILOSOFIA GREGA:



  • Pré-Socráticos (séc. VII e VI a.C.), os primeiros filósofos ocupavam-se com questões cosmológicas, iniciando a separação entre a filosofia e o pensamento mítico;
  • Socrático ou Clássico (séc. V e VI a.C.), ênfase nas questões antropológicas e maior sistematização do pensamento. Desse período fazem parte os sofistas, o próprio Sócrates, seu discípulo Platão e Aristóteles, discípulo de Platão;
  • Pós-Socráticos (séc. III e II a.C.), durante o helenismo, preponderou o interesse pela física e pela ética. Surgiram as correntes filosóficas do estoicismo (Zenão de Cítio), do hedonismo (Epicuro) e do Ceticismo (Pirro de Élida).

O PRINCÍPIO DE TODAS AS COISAS:



Os primeiros pensadores centraram a atenção na natureza e elaboraram diversas concepções de cosmologia (procurar a racionalidade constitutiva do universo), explicar, diante da mudança (do devir) a estabilidade, o uno. Ao perguntarem como seria possível emergir o cosmo do caos (da confusão inicial surge o mundo ordenado), os pré-socráticos buscam o princípio (em grego, arkhé) de todas as coisas, entendido não como aquilo que antecede no tempo, mas como fundamento do ser. Buscar a arkhé é explicar qual o elemento constitutivo de todas as coisas. 

As respostas à questão do fundamento das coisas, da unidade que pode explicar a multiplicidade são:

Tales de Mileto (640-548 a.C.): astrônomo, matemático e primeiro filósofo, a arkhé é a água, afirmava que o mundo teria evoluído da água por processos naturais.  Jostein Gaarder observa que provavelmente ao visitar o Egito, Tales observou que os campos ficavam fecundos após serem inundados pelo Nilo. Tales, então, viu que o calor necessita de água, que o morto resseca, que a natureza é úmida, que os germens são úmidos, que os alimentos contêm seiva, e concluiu que o princípio de tudo era a água. É preciso observar que Tales não considerava a arché água como nosso pensamento de água líquida, e sim, na água em todos os seus estados físicos. Tudo, então, seria a alteração dos diferentes graus desta. Aristóteles atribuiu a Tales a ideia de uma causa material como origem de todo o universo: “... a água é o princípio de todas as coisas...”.

Pitágoras (séc. VI a.C.): filósofo e matemático, o número é a essência de tudo, todo o cosmo é harmonia, porque é ordenado pelos números. Esse é entendido tanto no sentido quantitativo, isto é, matemático, como no sentido qualitativo, ou seja, metafísico. Nos números são distintos os pares (ilimitado) e o ímpar (limitado). Eles são entre si opostos e esta oposição se encontra em toda a natureza, explicando assim os seus contrastes. Os números, desta forma, são a razão do dever e da harmonia. Por este motivo, nas coisas há um princípio de ordem e harmonia.

Anaximandro (610 – 547 a.C.): o fundamento dos seres é uma matéria indeterminada e ilimitada (Àpeiron), que daria origem a todos os seres materiais. Àpeiron, termo grego que indica o ilimitado, o infinito, uma realidade originária e indiferenciada, sem limites e sem fronteiras, “de onde provêm todos os céus e os mundos neles contidos”. Aparentemente, Anaximandro considera que cada parte do universo é resultado de uma oposição entre forças antagônicas (a terra, a água, o ar, o fogo) - ou seja, todos os elementos naturais são efeitos (em uma situação de momentâneo equilíbrio) de pares opostos: o quente opõe-se ao frio, o seco opõe-se ao úmido. Mas também o cosmo, em seu conjunto, deve ser produto de um antagonismo fundamental; e como o universo se mostra definido, limitado, determinado em cada um dos seus componentes, deve-se pensar que ele se tenha originado e seja sustentado por um princípio diametralmente contrário: o Àpeíron.

Anaxímenes (588-524 a.C.): coloca que o ar, pela rarefação e condensação, faz nascer e transformar todas as coisas. O ar, melhor que qualquer outra coisa, se presta à variações e também pelo fato de que é imprescindível para os seres vivos. A alma é ar, o fogo é ar rarefeito; quando acontece uma condensação, o ar se transforma em água, se condensa ainda mais e se transforma em terra, e por fim em pedra. Destacou-se por ser o primeiro a fornecer a causa dinâmica que faz todas as coisas derivarem do princípio uno (condensação e rarefação). “... do ar dizia que nascem todas as coisas existentes, as que foram e as que serão, os deuses e as coisas divinas...”.

Parmênides de Eleia (c. 544 – 450 a.C.) e Heráclito de Éfeso (séc. VI e V a.c.) desenvolveram teorias que entraram em conflito e instigaram os filósofos do período clássico. Para Parmênides, o ser real é imóvel, imutável e o movimento é uma ilusão. Ele afirma que o ser é; e de maneira muito simples, justifica essa afirmação. Ele diz que "tudo aquilo que alguém pensa e diz é. Não se pode pensar senão naquilo que é. Pensar o nada significa não pensar absolutamente, e dizer o nada significa não dizer nada. Portanto, o nada é impensável e indizível" (REALE, 1990, 51). Parmênides também atribui ao ser algumas características: ele é eterno, imutável, uno incorruptível, incorruptível e indivisível. Afirma que o ser não pode ser gerado, nem corrompido, pois se ele for gerado, existirá dois seres, o que é impossível pois ele diz que o ser é, logo não pode ser criado. Também afirma que o ser não poder se corruptível, caso o seja, significa que ele é finito, ou seja, logo morrerá. Com isso, o ser terá que nascer, contradizendo assim a afirmação anterior. Parmênides tem como principio de sua filosofia a ontologia, que é o estudo do ser enquanto ser. A partir do momento que ele deixa de estudar a phýsis, enquanto uma causa de origem, e passa a estudar o ser enquanto ser, rompe com os demais pré-socráticos e passa da cosmologia para a ontologia. Já para Heráclito, tudo flui e tudo que é fixo é ilusão. O principio universal de Heráclito é: tudo se move e que nada permanece estático. Panta Rhei, sua "máxima", significa " tudo flui" , tudo se move, exceto o próprio movimento. A designação mais exata que podemos usar é o devir. Ele exemplifica dizendo que, não podemos entrar duas vezes no mesmo rio, porque ao entrarmos pela segunda vez, não serão as mesmas águas que lá estarão, e a própria pessoa já será diferente. Mas a doutrina de Heráclito vai além. O devir, a mudança que acontece em todas as coisas, é sempre uma alternância entre os contrários: coisas quentes esfriam e coisas frias esquentam, etc. A realidade acontece então, não em uma das alternativas, que são apenas partes da realidade, e sim mudanças, ou como ele chama, guerra dos opostos. Tal guerra é que permite a harmonia e mesmo a paz, já que assim os contrários passam a existir: a doença faz da saúde algo agradável e bom, ou seja, se não existisse a doença não teria porque valorizar a saúde.

Anaxágoras (499-428 a.C.): foi mestre de Péricles. Sustentava que as “sementes” de todas as coisas foram ordenadas por um princípio inteligente, uma Inteligência Cósmica (nous). Cada coisa surge quando vários elementos se agregam, e desaparecem quando esses se separam. Ele pensava que as coisas ou seres eram compostos com qualidades semelhantes que, ao serem divididas ao infinito, se repetiam em cada porção. A esses elementos-qualidades, que associadas geram o ser, Anaxágoras chamou de Noûs (espírito, pensamento, inteligência). É ele que fornece as leis do pensamento que se sobrepõe aos sentidos para conhecer e governar o universo. É preciso entender que o pensamento está nas coisas, e não como algo separado delas. Tudo tem causa e essa é sempre natural, física, ainda que o espírito aqui seja concebido materialmente.

Empédocles (483-430 a.C.): os quatro elementos terra, ar, água e fogo constituem tudo. Tais elementos, tinham a característica de subsistir diante da geração, da alteração e da destruição. Para Empédocles, todas as coisas que existem, apresentam, em alguma proporção, os quatro elementos. A diversidade de coisas existentes decorre da diversidade de proporções de elementos, conforme uma mistura e troca. Empédocles defende que todas as coisas sujeitam-se ao devir, ao movimento.

Leucipo (séc. V a.C.) e Demócrito (c. 460-c. 370 a.c.) são atomistas, por considerem o elemento primordial constituído por átomos, partículas indivisíveis. Como para eles também a alma era formada por átomos, estamos diante de uma concepção materialista e determinista. O átomo (do grego a-tomos, o não divisível, não mais cortável) é, para esses filósofos, o elemento primordial da Natureza. São indivisíveis, maciços, indestrutíveis, eternos e invisíveis, podendo ser concebidos somente pelo pensamento, nunca percebidos pelos sentidos. A phýsis (natureza) é composta por um número ilimitado de átomos. Os átomos podem existir de formas variadas e habitam uma outra forma de infinitude: o vazio. Neste, os átomos se agregam, se desagregam, se deslocam, formando os seres que percebemos pelos sentidos (movimento). Significa dizer que segundo a teoria atomística, só existem átomos e vazio. Significa também, que nossos sentidos percebem uma realidade transitória, mutável, mas ilusória, porque mesmo que apreendamos as mutações das coisas, no fundo, os elementos primordiais que constituem essa realidade jamais se alteram. Assim, as mudanças, as mutações, as transformações são explicadas pela agregação ou desagregação de elementos primordiais que somente conseguimos conhecer pelo pensamento. Não se trata de dizer que os sentidos provocam, então, uma ilusão mas, que o que sabemos pela percepção, por ser transitório, não se refere ao conhecimento, uma vez que o saber estaria em conhecer as formas dos átomos (se quadrada, redonda, triangular, etc.) para se compreender como cada umas destas designam uma qualidade dos objetos que percebemos (como por exemplo, um átomo triangular determinar uma cor ou um sabor).

REFERÊNCIAS:

www.brasilescola.com/filosofia/leucipo-democrito.htm

www.infoescola.com › Filosofia‎

www.brasilescola.com/filosofia/tales-mileto.htm

br.monografias.com/trabalhos3/pitagoras/pitagoras.shtml‎

www.webartigos.com/artigos/heraclito-e-parmenides/28399/#ixzz2Vw9IFfC4
www.brasilescola.com/filosofia/anaxagoras.htm

quarta-feira, 24 de julho de 2013

terça-feira, 9 de julho de 2013

Como funciona e para quê serve o sensoriamento remoto?

Por Rafael Briones Matheus

Introdução


O sensoriamento remoto é um conjunto de atividades que permitem a obtenção de informações da superfície da Terra. Tal ferramenta vem influenciando de maneira crescente as áreas de Cartografia, Análise de Recursos Naturais, Transportes, Comunicações, Energia e Planejamento Urbano e Rural. 

O que é o sensoriamento remoto?


Segundo ZEILHOFER "Sensoriamento Remoto descreve técnicas e métodos para aquisição de informações sobre objetos ou fenômenos sem que haja contato direto entre eles através de sensores. Estes sensores remotos podem ser sistemas fotográficos (fotos aéreas) ou óptico-eletrônicos (imagens de satélite)". Para MORAES "Sensoriamento Remoto pode ser entendido como um conjunto de atividades que permitem a obtenção de informações dos objetos que compõem a superfície terrestre sem a necessidade de contato direto com os mesmos". 

As técnicas utilizadas no desenvolvimento do sensoriamento remoto estão ligadas a evolução da fotografia e das tecnologias espaciais. As fotografias aéreas foram o primeiro produto do sensoriamento remoto, os métodos e técnicas referentes a fotogrametria e a fotointerpretação são muito antigos e portanto anteriores ao termo sensoriamento remoto. Com o avanço da ciência espacial, as tecnologias empregadas se modificaram, permitindo a construção de satélites artificiais. Estes possibilitaram aperfeiçoar a captação e interpretação das informações contidas na superfície da terrestre, através de imagens produzidas por sensores.

Fotografias aéreas


  • Em 1860 o norte-americano James Wallace Black foi o primeiro a ter sucesso com fotos aéreas de qualidade com uso de balões (figura 1);

Figura 1: Fotografia área da cidade de Boston em 1860 através de uma balão de ar quente. Fonte: The Metropolitan Museum of Art - New York.

  • Em maio de 1888, o fotógrafo inglês Arthur Batut (figura 2) acoplou uma câmera em uma pipa e montou um sistema improvisado que avisava a conclusão do disparo;

Figura 2: Labruguière, França através de uma máquina acoplada a uma pipa. Fonte: Studio Batut .
  • Utilizando pombos correio em 1908, o alemão Julio Neubronner (figura 3) patenteia o uso de pombos fotógrafos;

Figura 3: Julio Neubronner e pombo fotógrafo. Fonte: Photography News.

Com o advento do avião, os processos e a dinâmica nos levantamentos aerofotográficos foram transformados de modo que, o uso de balões, pipas e pombos se tornaram tecnologias ultrapassadas. 

  • As fotografias coloridas se tornaram disponíveis a partir de 1930;
  • Com o início da 2ª Grande Guerra (1939 - 1945), teve início o uso de filmes sensíveis ao infravermelho para a detecção de camuflagem;
  • Em 1956 foram iniciadas as primeiras aplicações de fotografias aéreas para o mapeamento de formações vegetais nos Estados Unidos;
  • No Brasil datam de 1958 as primeiras fotografias aéreas com o propósito de levantar as características da Bacia do Rio Paraíba.
Mesmo com a invenção do satélite de imageamento terrestre, as técnicas e ferramentas utilizadas para levantamentos aerofotogramétricos continuaram evoluindo, sendo ainda utilizados em larga escala para diversas aplicações.

Imagens de Satélite


A constante evolução da tecnologia espacial permitiu o desenvolvimento de satélites de diversos tipos para uma infinidade de aplicações. Entre eles estão os satélites de comunicação, navegação, meteorologia, militar, exploração do universo e observação da Terra. 

Os satélites de observação da Terra são utilizados para uma infinidade de aplicações, sendo seus principais usos para fins de imageamento terrestre e meteorologia. 

Não há cobertura aerofotográfica total da superfície do planeta e, para obtenção de fotografias de regiões ainda não levantadas, é necessária a contratação de empresas particulares especializadas no ramo. No caso das imagens de satélite, dependendo da resolução pretendida, podem ser obtidas gratuitamente via Internet. Por isso as imagens produzidas pelo sensor/satélite são mais interessantes do ponto de vista econômico.  

Princípios e aplicações do sensoriamento remoto


A gravura mostra a interação que há entre a energia do Sol, a superfície terrestre e o sensor do satélite (figura 4). A fonte de energia é o Sol e a superfície da Terra funciona como um meio por onde esta energia é refletida ou reemitida até o satélite.

Figura 4: Interação Sol - Terra - Satélite.

A maior parte dos sensores de imageamento terrestre tem a capacidade de "enxergar" o espectro eletromagnético da luz visível e o infravermelho. Por isso, o sensor do satélite pode captar mais informações quando comparado às máquinas fotográficas que captam basicamente o espectro da luz visível. A quantidade de energia refletida ou emitida varia de acordo com a natureza dos objetos e se dá em diversos comprimentos de onda (figura 5). Cada comprimento de onda será captado em áreas distintas do sensor, que são chamadas Bandas (figura 6). Ou seja, cada elemento da superfície terrestre deve ser mais, ou menos nítido na imagem, possibilitando a interpretação de cada objeto na superfície.

Figura 5. Curvas espectrais e comprimentos de onda.
Figura 6: Bandas do satélite.

As imagens aéreas são aplicadas em diversas áreas, como por exemplo: estudos de urbanização, agricultura, meteorologia, monitoramento, estudos ambientais (geologia, solos, vegetação, bacias hidrográficas, climatologia, oceanografia) e etc.

A seguir veremos algumas aplicações do Sensoriamento Remoto.


ANÁLISES TEMPORAIS (TRANSFORMAÇÃO DA PAISAGEM)

Mar de Aral em 1971 - LandSat 1 (à esquerda) e em 2009 - LandSat 5 (à direita).

Região de Altamira no Pará em 1973 (à esquerda) e em 2008 (à direita). Fonte: INPE

ESTUDOS METEOROLÓGICOS (PREVISÃO DO TEMPO)

Furacão Katrina - Golfo do México

ESTUDO DE BACIAS HIDROGRÁFICAS

Chile 2003.

Pucallpa, Perú (à esquerda) e Reservatório do Iraí, Pinhais-PR (à direita).

AGRICULTURA (SOLOS)

Agricultura Argentina (à esquerda) e em Chiquitania - Bolívia (à direita).

ESTUDOS DE URBANIZAÇÃO (PLANEJAMENTO URBANO)


Litoral Catarinense (à esquerda) e Porto Alegre (à direita).

ESTUDOS DE VEGETAÇÃO (MONITORAMENTO DE FLORESTAS E BIOMAS)

Manaus (à esquerda) e incêndios florestais (à direita).

ESTUDOS GEOLÓGICOS (PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO, EXPLORAÇÃO MINERAL)

Intrusão de Magma.

OCEANOGRAFIA E ESTUDOS MARINHOS / ESTUDOS DE AMBIENTES COSTEIROS



Golfo de Biscaia - Plantas Marinhas Microscópicas

ESTUDOS CLIMATOLÓGICOS

Derretimento de geleiras na Antártica.

MONITORAMENTO DE DESASTRES AMBIENTAIS

Golfo do México - Derramamento de petróleo.

MAPEAMENTO DE ÁREAS (POLUIÇÃO LUMINOSA)

Mapa Mundi - Luminosidade e opacidade.





segunda-feira, 8 de julho de 2013