quinta-feira, 24 de outubro de 2013

As crianças que realmente não querem aprender?

Por Evelise Gaio


Comumente pais e professores defrontam-se com a realidade de crianças que não conseguem, por algum motivo desconhecido, adquirir o conhecimento ou realizar determinadas atividades propostas, como ler, escrever e operações simples. Dentre os diversos fatores que proporcionam deficiências e dificuldades de aprendizagem, tratar-se-á dos transtornos de aprendizagem, que se diferenciam das dificuldades, uma vez que esta última caracteriza-se por deficiências físicas, emocionais e ambientais.

Gabbard (2009) aponta que transtornos de aprendizagem consistem em fracassos inesperados em áreas do conhecimento distintas, podendo ser transtornos da leitura, da expressão escrita e da matemática.

A expressão transtorno específico de aprendizagem significa distúrbio em um ou mais dos processos psicológicos básicos envolvidos na compreensão ou no uso da linguagem, falada ou escrita que pode se manifestar em uma capacidade imperfeita de ouvir, de falar, de ler, de escrever, de soletrar ou de efetuar cálculos matemáticos. A expressão compreende condições como deficiências perceptivas, lesões cerebrais, disfunções cerebrais mínimas, dislexia e afasia evolutiva. A expressão não compreende crianças com transtornos de aprendizagem que resultam principalmente de deficiências visuais, auditivas ou motoras, ou de retardo mental, ou de distúrbios emocionais, ou de desvantagens ambientais, culturais ou econômicas. (U.S. Office of Education, 1968, apud FLETCHER et al, 2009).

É possível perceber com a visão dos autores acima que os TA's (transtornos de aprendizagem) são caracterizados por dificuldades e/ou fracassos em determinadas áreas, como linguagem, fala, escrita e cálculos. Entretanto, é necessário ressaltar que nem todo problema ou dificuldade de aprendizagem é caracterizado como um transtorno, no entanto, todo transtorno traz problemas e dificuldades de aprendizagem.

Os principais transtornos de aprendizagem são de articulação, ritmo, leitura, escrita e cálculo.

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM DE ARTICULAÇÃO:


DISLALIA

Segundo Cezar (2004), a dislalia consiste na omissão, substituição e/ou acréscimo de sons na palavra falada. As falhas de articulação podem ter origens orgânicas (arcada dentária, lábio leporino) e funcionais (a criança não sabe mudar a posição da língua e lábios).

Alguns tipos principais de dislalia podem ser: omissão (não pronuncia alguns sons – “Omei ao ola”: tomei cola cola) e rotacismo (substitui o R, exemplo o “Cebolinha”) .

Figura 2: Exemplo de dislalia pela substituição de letras.

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM DE RITMO


DISFEMIA (GAGUEIRA)

É um distúrbio no ritmo da fala, no qual o indivíduo sabe exatamente o que deseja falar mas, ao mesmo tempo, é incapaz de pronunciar corretamente devido a um prolongamento involuntário repetitivo ou à cassação de um som.


Figura 3: Exemplo de disfemia.

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM DA LEITURA


DISLEXIA

Cezar (2004) afirma que a dislexia consiste em dificuldades apresentadas pelo indivíduo na identificação de símbolos gráficos no início da alfabetização, acarretando fracasso em outras áreas que dependem da leitura e escrita, “embora a criança apresente inteligência normal, integridade sensorial e receba estimulação e ensino adequados” (CEZAR, 2004, p.66). 

De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD) apud Cezar (2004) as dificuldades apresentadas pelas crianças disléxicas:
  • Demoram a aprender a falar, a fazer laço nos sapatos, a reconhecer as horas, a pegar e chutar bola, a pular corda; 
  • Têm dificuldade pra escrever números e letras corretamente;
  • Ordenar letras do alfabeto, meses do ano e sílabas de palavras compridas;
  • Distinguir a esquerda da direita;
  • Necessita usar blocos, dedos ou anotações para fazer cálculos;
  • Apresentam dificuldade incomum para lembrar a tabuada;
  • Apresentam compreensão de leitura mais lenta do que o esperado para a idade.

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM DA ESCRITA


DISGRAFIA

Cezar (2004) afirma que a disgrafia consiste na dificuldade em transcrever o estímulo visual da palavra impressa. Tem como características o traço lento das letras, as quais geralmente se apresentam ilegíveis.

Segundo a autora, os principais tipos de erro que a criança disgráfica apresenta são:

  • Apresentação desordenada do texto;
  • Margens mal feitas ou inexistentes; a criança ultrapassa ou pára muito antes da margem, não respeita limites, amontoa letras na borda da folha;
  • Espaço irregular entre palavras, linhas e entrelinhas;
  • [...]
  • Distorção da forma das letras a e o;
  • Dificuldade na escrita e no alinhamento dos números na página.

DISORTOGRAFIA

Consiste na incapacidade de escrever de maneira correta a linguagem oral, ocorrendo trocas ortográficas e confusão de letras. Cezar (2004) ressalta que esta dificuldade não diminui a qualidade do traçado das letras. Ocorrem confusão de letras, sílabas e palavras.

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM DO CÁLCULO


DISCALCULIA

Silva (2008) aponta alguns estudos sobre discalculia, definindo a mesma como:

[...] inabilidade de executar operações matemáticas ou aritméticas. É, pois, um distúrbio neuropsicológico caracterizado pela dificuldade no processo de aprendizagem do cálculo e que se observa, geralmente, em indivíduos de inteligência normal, que apresentam inabilidades para a realização das operações matemáticas e falhas no raciocínio lógico-matemático. (SILVA, 2008, p. 16)
Ainda na perspectiva do autor, alguns pesquisadores apontam que as maiores dificuldades apresentadas pelas crianças que possuem discalculia são:

  1. Visualizar conjuntos de objetos dentro de um conjunto maior; 
  2. Conservar a quantidade, o que a impede de compreender que 1 quilo é igual a quatro pacotes de 250 gramas; 
  3. Compreender os sinais de soma, subtração, divisão e multiplicação (+, –, ÷ e x); 
  4. Seqüenciar números, como, por exemplo, o que vem antes do 11 e depois do 15 (antecessor e sucessor); 
  5.  Classificar números; 
  6. Montar operações; 
  7. Entender os princípios de medida; 
  8. Lembrar as seqüências dos passos para realizar as operações matemáticas; 
  9. Estabelecer correspondência um a um, ou seja, não relaciona o número de alunos de uma sala à quantidade de carteiras; 
  10. Contar através de cardinais e ordinais. (SILVA, 2008, p. 17)
Figura 4.

REFERÊNCIAS

CEZAR, Monique Augusto. Distúrbios na Aprendizagem. 2004. Disponível em: http://www.avm.edu.br/monopdf/7/MONIQUE%20AUGUSTO%20CEZAR.pdf. Acesso em: 09 out. 2013.

FLETCHER, J.M. LYONS, G.R., FUCHS, L.S. BARNES, M.A. Transtornos de aprendizagem: da identificação à intervenção. SP: Artmed, 2009.

GABBARD, Glen O. Tratamento dos transtornos psiquiátricos. São Paulo: Artmed, 2009. Disponível em: 
http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=9sJxoKh7NJUC&oi=fnd&pg=PA133&dq=transtorno+de+aprendizagem&ots=a-tLYfP7rR&sig=rA36KTcjmjjl0KDSLPkBKZZ5h38#v=onepage&q=transtorno%20de%20aprendizagem%20da%20leitura&f=true. Acesso em: 08 out. 2013

SILVA, Eva de Jesus. GOMES, Ivanete Pereira. As dificuldades de aprendizagem no período das  operações concretas das crianças do I ciclo do ensino fundamental na escola – 2010. Disponível em: http://www.fecra.edu.br/admin/arquivos/monografia_corrigida.pdf. Acesso em: 05 out. 2013.

SILVA, Wiliam Rodrigues Cardoso da. Discalculia: Uma Abordagem à Luz da Educação Matemática. Bauru, SP: EDUSC, 2011. Disponível em: http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/MATEMATICA/Monografia_Silva.pdf. Acesso em: 09 out. 2013.

SOUZA, Evanira Maria de, Ir. Problemas de aprendizagem: crianças de 8 a 11 anos. 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Cartografia pessoal: os mapas mentais!

Por Lawrence Mayer Malanski

Os mapas são tidos como as mais antigas representações do pensamento geográfico. Eles se configuram como representações adaptadas da realidade que proporcionam noções de conjunto dos elementos espaciais. Estima-se que os primeiros mapas datam de cerca de seis mil anos antes de Cristo, sendo que a evolução cartográfica conta a história e as mudanças do conhecimento humano de mundo, suas técnicas, práticas socioculturais e valores (KOZEL, 2007).

As diferentes abordagens geográficas do espaço proporcionam diversas práticas cartográficas, como os tradicionais mapas temáticos impressos, os mapas digitais e a cartografia mental. Os estudos de percepção e representação do espaço realizados pela Geografia Humanista necessitam de instrumentos e estratégias capazes de materializar subjetividades como sentimentos, opiniões e atitudes sobre o espaço vivido e imaginado. Nesse contexto os mapas mentais ganham importância.

Kozel (2007) entende os mapas mentais como enunciados (textos) elaborados por pessoas e grupos e que representam suas “visões de mundo” (ver figura 1). A partir desta reflexão, a pesquisadora define mapas mentais como “uma representação do mundo real visto através do olhar particular de um ser humano, passando pelo aporte cognitivo, pela visão de mundo e pela intencionalidade” (KOZEL, 2007, p. 121). 

Figura 1: Exemplo de mapa mental elaborado a partir de paisagens sonoras. Fonte: MALANSKI, 2011.

Convém diferenciar mapas mentais de mapas conceituais, elementos que são comumente confundidos. Os mapas conceituais se desenvolveram a partir do conceito de aprendizagem significativa, referindo-se a uma técnica desenvolvida por Joseph Novak na década de 1970 que tem por objetivo relacionar e hierarquizar conceitos (ver figura 2). De outro modo, os mapas mentais se desenvolvem livremente, são associacionistas e não se atém a relações entre conceitos (MOREIRA, 2005).

Figura 2: Exemplo de mapa conceitual. Esse tipo de mapa se diferencia dos mapas mentais por relacionar e hierarquizar conceitos. Fonte: NUNES, 2009
Diferentemente da cartografia tradicional, os mapas mentais não são representações espaciais sujeitas às regras cartográficas de projeção, escala ou precisão, mas representações da mente humana e que precisam ser lidas como processos e não como produtos estáticos (SEEMANN, 2003b). A leitura de todo material cartográfico envolve o processo inverso de sua construção, pois com ela se busca a decodificação dos conteúdos de forma expressiva. Para leitura de mapas mentais, pode-se utilizar uma metodologia criada a partir de aspectos propostos por Simielli (1999) e Kozel (2007) composta por quatro fases:

  • Forma de representação e distribuição dos elementos mapeados: forma de representação dos elementos em ícones, linhas, polígonos, letras, palavras, números etc. e distribuição desses elementos em quadros, com ou sem perspectiva, isolados, na horizontal ou vertical, na parte superior ou inferior no mapa;
  • Análise dos elementos mapeados: especificidade dos elementos (representação dos elementos da paisagem natural, da paisagem construída, elementos móveis e humanos etc.) e outros aspectos ou particularidade representados no mapa;
  • Correlação dos elementos mapeados: estabelece a codificação das mensagens veiculadas ao mapa a partir da análise das representações e do referencial teórico;
  • Sintetização dos elementos mapeados: a partir da correlação estabelecida, sintetizam-se as informações obtidas de modo a resumir as mensagens mapeadas.

Por fim, convém destacar que o desenvolvimento de mapas mentais pode ser interessante em trabalhos nos quais desvendar a relação entre pessoas e espaços receba importância, como na educação ambiental, arquitetura e orientação espacial, por exemplo (ver figura 3).

Figura 3: Mapa mental do Estado do Ceará. Notam-se as semelhanças entre as representações e o mapa tradicional do estado. Fonte: SEEMANN, 2003a. 
REFERÊNCIAS

KOZEL, Salete Teixeira. Mapas mentais - uma forma de linguagem: perspectivas metodológicas. In: KOZEL, S; FILHO, S. F. (orgs) Da percepção e cognição à representação: reconstruções teóricas da Geografia Cultural e Humanista. São Paulo: Terceira Margem – EDUFRO, 2007.

MALANSKI, Lawrence Mayer. Geografia escolar e paisagem sonora. RA ‘E GA, Curitiba: n. 22, 2011. p. 252-273.
Disponível em: http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/raega/article/view/21775
Acesso em: 08 out. 2013.

MOREIRA, Marco Antonio. Mapas conceituais e aprendizagem significativa. Revista Chilena de Educação Científica, San Tiago: n. 4, v. 2, 2005. p. 38-44.

NUNES, Juliana Souza. O uso pedagógico dos mapas conceituais no contexto das novas tecnologias. International Journal of Collaborative Open Learning, 01 jul. 2009.
Disponível em: http://labspace.open.ac.uk/mod/resource/view.php?id=365568
Acesso em: 08 out. 2013.

SEEMANN, Jörn. Mapas e percepção ambiental: do mental ao material e vice-versa. OLAM: Ciência e Tecnologia, Rio Claro: n. 1, v. 3, 2003. p. 200 – 223.

SIMIELLI, Maria Elena Ramos. Cartografia no ensino fundamental e médio. In: CARLOS, A. F. (Org). A geografia na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1999, p. 92-108.

Ícones femininos na História!

Por Elaine Barbosa


IDADE ANTIGA


As mulheres na idade antiga seguem uma trajetória onde se tornam deusas e são adoradas ou, em outros casos, a própria personificação do mal, situação que terá perspectiva de mudança somente na Idade Moderna, quando sua longa jornada em  busca de reconhecimento social começa a render resultados.

As deusas na antigüidade tinham o papel de demonstrar ao homem na terra como agir. Elas poderiam ter desde a guarda das estações do ano e o crescimento das vegetações como, também, o poder da paz, da disciplina e da justiça, a estas denominadas Horas.

Nas mãos das Erínias ou Furias (para os Romanos) ficava a punição dos mortais, por meio de castigo, vingança e rancor. Com as Moiras (3 irmãs) permanecia a decisão do destino do homem, determinando a época de morte de cada um. E, para as Musas, era atribuída a inspiração e a criação artística e científica. 

Muitas mulheres destacaram-se como sábias, filósofas e matemáticas na Idade Antiga, sendo agentes de grande importância para o desenvolvimento do pensamento atual. Entre destacam-se:


  • Diotima de Mantinea: Filósofa e sacerdotisa grega; 
  • Temistocléia: Filósofa e matemática. Tornou-se a primeira mulher na história a qual o termo FILÓSOFA foi aplicado. É considerada a mestre de Pitágoras;
  • Teano: (séc. VI a.C.): Filósofa e matemática grega. Foi aluna de Pitágoras. Criou a Teoria do Meio-Termo (todos os excessos são considerados vícios); 
  • Asioteia de Filos (393 – 270 a C): Ensinava física na Academia de Platão ao lado de outras mulheres que a frequentavam ;
  • Hipárquia de Maroneia: Aristocrata, é elogiada pela sua cultura e raciocínio, sendo comparada a Platão. Escreveu: “Cartas e Tragédias”; 
  • Maria, a judia, ou Miriam (séc. I d C): Viveu em Alexandria, é considerada como a fundadora da alquimia. Entre seus escritos figura livro de Magia Prática. Atribui-se a ela a descoberta do ácido clorídrico e, em homenagem às suas descobertas, batizou-se o processo de aquecimento conhecido como banho-maria. Dentre as invenções de Maria está o Tribikos (uma espécie de alambique com três braços que foi utilizado para obter as substâncias purificadas por destilação), o Kerotakis (dispositivo usado para aquecer substâncias utilizadas na alquimia e recolher os vapores. É um recipiente hermético com uma folha de cobre suspensa no topo); 
  • Hipátia de Alexandria: Matemática e filósofa, nascida aproximadamente em 355 e assassinada em 415. O fato de Hipátia ser uma filósofa pagã é tido como um dos fatores que contribuíram para o seu assassinato. Em 415, quando regressava do Museu, Hipátia foi atacada por uma turba de cristãos enfurecidos. Foi arrastada pelas ruas até uma igreja, onde foi cruelmente torturada até a morte. Depois de morta, o corpo foi lançado à fogueira. Entre suas obras: - Comentário a Aritmética de Diofanto; Sobre as cônicas de Apolônio de Perga; Corpus Astronômico e inventou o densímetro (aparelho que mede a massa específica de um líquido).


IDADE MÉDIA


As duas visões antagônicas da Idade Antiga ainda persistem, mas recebem uma nova interpretação, pautadas pela ascensão do Cristianismo. A mulher vista como personificação do mal foi comparada à Eva, que induziu Adão a comer a maçã e permitiu ser enganada pela serpente (personagem que representa o diabo). Através deste prisma, muitas mulheres são denominadas bruxas, sendo queimadas, enforcadas, afogadas, além de outras punições pois qualquer manifestação de atos que iriam contra a crença cristã era considerada heresia. 

Abaixo, cita-se alguns nomes femininos associados a esta visão presentes no Antigo Testamento pois, por meio de suas atitudes ambiciosas, desobedientes, vaidosas e não submissas a Deus ou a seus esposos, consistem em exemplos negativos e que não devem ser seguidos.

  • Dalila: Filistéia amada por Sansão, a quem traiu, revelando a origem de sua força, entregando-o nas mãos de seu povo;
  • Jezabel: Idólatra, dominadora, perversa e perseguidora de santos;
  • Vasti: Rainha, insubmissa ao marido e ao Rei, perdeu a coroa e o marido;
  • Herodias: adúltera e assassina de santos, através de sua filha, Salomé, obteve autorização de Herodes e mandou matar João Batista. 

Na segunda visão a figura feminina é colocada como santificada, face ao papel imaculado de uma mulher que dá a luz ao salvador do mundo, o qual inicia sua jornada na terra e pratica os milagres especificados na Bíblia. Desta forma, a mulher torna-se um ser puro e muitas são santificadas e beatificadas em prol de uma nova visão da interpretação bíblica. 

  • Maria: a mais forte personalidade feminina do Novo Testamento. É a Santíssima Mãe dos católicos e, escolhida por Deus para ser mãe de seu filho Jesus; 
  • Isabel: a mulher humilde, mãe de João Batista e prima de Maria; 
  • Madalena: a mulher transformada e a quem o Nazareno apareceu; 
  • Cananéia:  mulher gentia-grega, siro-fenícia de sangue. Mulher de fé e perseverança, que leva Jesus a modificar seu plano de ação, curando a sua filha, muito embora as Escrituras dissessem da vinda do Salvador para sarar os filhos doentes de  Israel;  
  • Tabita: a viúva generosa, rica em boas obras e esmolas que dava, foi ressuscitada por Pedro em Jope. 

Longe das personalidades bíblicas, a Igreja teve em sua história heroínas que lutaram pela sua fé, seja auxiliando na educação de seus filhos, seja empunhando a espada, dedicando-se cada qual a seu modo, à causa cristã.

  • Santa Mônica: mãe de Santo Agostinho. Responsável pela formação da conduta moral e religiosa do filho, o modelo da tarefa pedagógica vital de incutir pudor, mansidão e todas as condutas cristãs. Torna-se exemplo de comportamento virtuoso. 
  • Santa Genoveva Genezieve: dedicou-se aos Cristianismo desde os 7 anos.  Aos 28, pela sua virtude e força de caráter, convenceu os habitantes de Paris a não abandonarem a cidade nem a entregarem aos pagãos. É a padroeira da Cidade Luz. 
  • Joana D'arc: aos 13 anos, afirma ouvir vozes divinas pedirem-lhe que salvasse a França. É presa em Maio de 1430 e entregue aos ingleses que a acusam de bruxarias. Mártir francesa, canonizada em 1920, foi a heroína da Guerra dos Cem Anos, que ajudou a libertar a França do domínio inglês. Submetida a um tribunal católico, é condenada à morte e queimada viva, com 19 anos. A revisão de seu processo começa a partir de 1456 e a Igreja Católica beatifica-a em 1909. Em 1920, é declarada Santa.  

IDADE MODERNA


Na Idade Moderna, as mulheres ainda continuavam sob a submissão masculina, não eram reconhecidas ainda como participantes da sociedade mas sim, apenas como um objeto útil para os deleites masculinos, sendo-lhes negado o conhecimento e a literatura. O lar era o local de seus domínios e os afazeres domésticos, educação dos filhos e cuidados com seu esposo, suas tarefas primordiais. Mas, mesmo assim, algumas se destacam dentro desta paisagem como inovadoras, tornando-se pensadoras, eruditas e soberanas, incutindo o início de uma nova visão da posição da mulher na sociedade.  Surgem textos, livros e manifestações em apoio à liberdade feminina e a conscientização da sociedade da época de que deve-se valorizar a mulher como ser humano capaz de pensar, agir e escolher o seu destino. Demonstrando que havia na fragilidade uma grande capacidade de mudança e liderança destacam-se:

  • Isabel de Castela: Em 1474 é coroada rainha de Castela. No ano de 1469 se casa com Fernando II, segundo na linha de sucessão pelo trono de Aragão; no seu reinado foi publicada a Primeira Gramática Castelhana pela escola palaciana criada pela Rainha e foi realizada a primeira viagem de Colombo. Estabeleceu o Tribunal da Santa Inquisição e morreu, deixando a coroa para sua filha Joana, a Louca. 
  • Teresa de Jesus (de Ávila): A partir de 1562 começa a fundar monastérios das carmelitas descalças. Ao longo de sua vida funda 32 monastérios, sendo 17 femininos e 15 masculinos. Santa Teresa morreu em 1582. Logo após sua morte, o corpo da Santa exalava um suave  perfume de rosas. 
  • Catarina de Medicis: Foi mãe de 3 reis da França, Francisco II, Carlos IX e Henrique III e influente na vida política por mais de trinta anos. Foi nomeada regente de Carlos IX, portando-se com desmando e tirania. Favorável aos católicos, declarou-se contraria aos huguenotes, protestantes franceses e levando seu filho a promover o massacre da “noite de São Bartolomeu”. Ordenou a ampliação do Louvre e contribuiu para o engrandecimento da cidade. Ampliou o acervo da Biblioteca de Paris com manuscritos da Grécia e da Itália. 
  • Louise Labé: Poetisa francesa cuja principal obra é o "Debate da Loucura e do Amor" de 1555, na qual defende uma pauta "feminista": direito das mulheres à educação, à liberdade de pensamento e a escolha de parceiros. 
  • Oliva Sabuco Nantes Barrera: Espanhola, Filósofa da Renascença e precursora na medicina psicossomática. Entendeu o quão importante seria reunir conceito e práticas filosóficas à medicina, sinalizando que a cosmologia teria a faculdade de comprometer a saúde humana.
  • Elizabeth I: Filha de Henry VIII e Ana Bolena. Seu reinado foi de paz e prosperidade, comercial e culturalmente. Ficou conhecida como “a rainha virgem”. Seu governo foi denominado Período Elisabetano ou Era Dourada, caracterizando-se por crescimento e pela efervescente criatividade artística, principalmente na dramaturgia, com Christopher Marlowe e William Shakespeare. Na navegação, houve avanço e vitórias, principalmente com o capitão Francis Drake, primeiro inglês a dar a volta ao mundo. 
  • Dandara: Guerreira negra do período colonial do Brasil, esposa de ZUMBI. Lutou ao lado do marido pela libertação dos escravos. Suicidou-se depois de presa, para não voltar a posição de escrava.
  • Maria Gaetana Agnesi: Matemática, filósofa e linguista italiana. Escreveu o primeiro livro que englobou cálculo diferencial e integral, além de ter escrito, em latim, a obra Proposições Filosóficas, publicada em Milão em 1738.  É chamada de notável por uma suma densa e ao mesmo tempo clara de análise algébrica e infinitesimal na obra Instituições Analíticas.
  • Mary Wollstonecraft: Escritora influenciada por Locke e Rousseau. Redigiu “Pensamentos sobre a Educação das Filhas”. Em 1792, escreve “A Reivindicação dos Direitos das Mulheres” extraordinário tratado político-filosófico.
  • Olímpia de Gouges: Se colocou em defesa das minorias, redigindo mais de quatro mil páginas de textos revolucionários, peças de teatro, panfletos, novelas, sátiras, utopias e filosofia. Em sua obra ressaltam-se: “Carta ao Povo”, “Os Direitos da Mulher e Cidadã”. Protestou contra a escravidão negra; colocou-se a favor dos direitos da mulher (divórcio, maternidade, educação e liberdade religiosa). Foi presa por defender os abusados  e degradados, agindo com afinco e maestria, foi condenada a morte na guilhotina
  • Bárbara Heliodora: Foi a primeira poetisa brasileira. Culta e revolucionária, mostrou-se com brio e coragem. Aos 20 anos apaixona-se pelo poeta Alvarenga Peixoto. Bárbara e Alvarenga participaram da organização da inconfidência do país.

REFERÊNCIAS

Clemente de Alexandria, Stromata, Livro IV, Capítulo XIX, Mulheres, assim como homens, são capazes de perfeição.

Lynn M. Osen. Women in Mathematics. [S.l.]: MIT Press, 1975. ISBN 9780262650090 

Mulheres que Mudaram o Mundo.

Spinelli, Miguel. "Filósofos Pré-Socráticos. Primeiros mestres da filosofia e da ciência grega". 2ª ed., Porto Alegre: Edipucrs, 2003, pp.116-117 

WAITHE, Mary Ellen. The history of women philosophers. Volume I. Londres: Kluwer. 

www.brasilescola.com/sociologia/mulher-moderna. 

www.cafehistoria.ning.com/.../as-lutas-e-conquistas-das -mulheres.

www.colegioweb.com.br/historia/periodo neolitico.

www.cristinadepizan.com 

www.revista história viva, edição especial, nº 3, p. 13.

www.sca.org.br/biografias/stahildegarda.pdf 

www.webartigos.com/articles/3781/1mulher-o-feminino-atraves-dos-tempos/pagina1-html

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Saúde alimentar: alguns comentários!

Por Anelissa Carinne dos Santos Silva

Há uma preocupação constante com a comida que vamos ingerir: se ela engorda, faz mal, é saborosa, atrativa, etc... Entretanto esquecemos que, mais importante do que a ingestão de alimentos coloridos e que duram mais tempo nas prateleiras dos mercados ou no armário da nossa cozinha, é alimentar-se de comida que contenha os nutrientes essenciais para o bom funcionamento de nosso organismo.

A desnutrição nem sempre é visível. Pode ocorrer de forma mais sorrateira, quando o alimento ingerido é destituído dos nutrientes que serão transformados em energia para que nosso corpo “trabalhe” adequadamente. Como resultado, surgem processos inflamatórios, fraqueza, dentre outros problemas de saúde.

A nutricionista Luciana Ayer sugere que reflitamos um pouco mais diante de uma refeição, para saber se esta nos fornecerá “matéria-prima” energética. Assim, é interessante que evitemos os produtos industrializados, pois estes não dispõem de todos os nutrientes que precisamos, além de apresentarem alta concentração de produtos químicos que podem ser nocivos à saúde quando ingeridos com frequência.

Ainda a esse respeito, o Ministério da Saúde nos lembra que ingerir comprimidos de vitaminas não substitui uma alimentação adequada com frutas, verduras, legumes e cereais integrais, tampouco é recomendável para a prevenção do câncer.

ALGUMAS DICAS DO GUIA ALIMENTAR DO MINISTÉRIO DA SAÚDE


  • Uma refeição adequada consiste em um prato com alimentos naturalmente coloridos;
  • Cereais, legumes e frutas devem fornecer mais da metade da energia diária de alimentação;
  • É importante diminuir o consumo de açúcares, gorduras, álcool e sal;
  • Tomar água frequentemente: em média 2 litros por dia;
  • Praticar exercícios físicos regularmente;
  • A criança que não ingere os nutrientes necessários para a sua formação pode apresentar problemas de crescimento e desenvolvimento, além de aumentar o risco de contrair certas doenças.

Figura 01 – Dicas para uma Alimentação Saudável. Fonte: Ministério da Saúde.

Por falar em saúde alimentar...


Está em votação o projeto de lei do Senado (PLS) 406/2005 que altera o decreto-lei 986/69, o qual institui normas básicas sobre alimentos comercializados nas escolas. O objetivo é combater a obesidade infantil e buscar garantias de alimentação saudável no ambiente escolar, proibindo as cantinas de comercializar alimentos com baixo teor nutricional ou ricos em açúcar, sal e gordura.

Como está a qualidade de suas refeições?

Faça um teste no seguinte site:



REFERÊNCIAS

BRASIL, Ministério da Saúde. Guia Alimentar. Disponível em: <http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/guia_alimentar_bolso.pdf> Acesso em: Setembro 2013

IFAN. Projeto proíbe alimentos com baixo valor nutricional ou ricos em gordura e sódio em escolas. Disponível em: <http://primeirainfancia.org.br/?p=15113&utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=projeto-proibe-alimentos-com-baixo-valor-nutricional-ou-ricos-em-gordura-e-sodio-em-escolas> Acesso em: Setembro 2013

AYER, Luciana. Conhecer para Transformar. Disponível em: <http://www.lucianaayer.com/#!conhecer-para-transformar> Acesso em: Setembro 2013.

De quem é a cidade? - Parte II

Por Rafael da Silva Tangerina

No texto anterior, fiz uma breve contextualização sobre a construção e desconstrução de territorialidades urbanas, evidenciando as relações de poder que alguns grupos exercem, em especial, nas grandes cidades. Farei agora, um apanhado de considerações de alguns cientistas sociais que se debruçaram em pesquisas e análises sobre os chamados “territórios da prostituição”.

RIBEIRO e MATTOS (1996) destacam que na prostituição feminina de rua, existe uma relação constante entre as mulheres, clientes, vizinhança, comércio, transeuntes, etc. Desta forma, este contato mais amplo com o espaço é fundamental para refletirmos sobre o espaço da cidade em sua diversidade, tanto de pessoas quanto de histórias, sobre um espaço específico, concreto, histórico, político e cultural.

A atividade das mulheres de rua é essencialmente urbana para alguns autores (RAGO, 1991 e 1996; ENGEL, 1986; ROBERTS, 1998) Estes consideram fundamental a relação entre capital, circulação de pessoas e prostituição. Para eles, as cidades favorecem tanto o anonimato quanto os encontros, além de diversas formas de atuação e de controle. 

ENGEL (1986) mostra que o lidar com a prostituição no Rio de Janeiro, no período de 1845 a 1890, incluía fatores políticos, ideológicos e culturais. A maneira de se ver as prostitutas envolvia não só o ideário feminino da época, a dicotomia entre as "boas moças e as outras" como, também, produzia uma série de normas e legislações que procuravam controlar a prostituição.

SOARES (1992) ao estudar em arquivos médicos e policiais da segunda metade do século XIX no Rio de Janeiro, concluiu que, independentemente do motivo a levar as mulheres à prostituição, era decisivo o crescimento da cidade, a ampliação de seus limites, inclusive para antigas zonas de mangue antes desvalorizadas. Essas mudanças no espaço urbano provocavam, também, mudanças no comportamento dos homens e mulheres a viverem nos centros urbanos.

SOARES (1992) nos esclarece que a reorganização e a modernização do espaço urbano envolviam um processo de mudança ideológica e cultural, no qual a necessidade de controle da prostituição era apenas mais um fator. E, para sustentar este ideário, a atitude mais conveniente seria a intervenção, muito mais do que sobre os corpos, sobre os discursos e sobre as práticas relacionadas aos discursos. Nesse contexto, o discurso médico seria um importante aliado, pois, através do médico, a prostituição passaria a ser tratada como doença. E, em um espaço que tem a higienização como meta, deveria ser controlada e aniquilada.

RAGO (1991) estudou a prostituição na cidade de São Paulo, no período de 1890 e 1930. São Paulo aparece como uma cidade em franco desenvolvimento, e a prostituição como um fenômeno urbano de uma sociedade baseada em um sistema de trocas. Neste contexto, a figura da prostituta seria, segundo os registros do início do século, uma imagem da modernidade, pois mostrava que as mudanças sociais no espaço urbano interferiam também nos papéis atribuídos às mulheres, as quais até então, enclausuradas no universo doméstico. Essa revolução no espaço permitia tanto a valorização da prostituta como representante das noites e das festas em bares e cafés, quanto uma leitura da degeneração feminina.

Diante deste panorama, a ebulição da cidade favoreceria a criação de não-lugares, em oposição a lugares (ler texto de Lawrence Malanski “O que é lugar?” neste mesmo blog), com vantagens e desvantagens para o sujeito. 

Em contrapartida, a existência de não-lugares representados por espaços de circulação - como rodoviárias, aeroportos, lanchonetes, clubes, hotéis - comuns em todas as cidades, traria a ameaça de um não-lugar sem sentido ou história. O não-lugar é um risco de aniquilamento para o sujeito visto que, o estatuto de sujeito implica a definição de lugares, de nomes, de histórias que limitam caminhos (CARVALHO 2000).

A cidade seria um lugar de perdições e de fuga, a impor à pessoa o risco de um não-sentido, de se perder. Ou, ao contrário, ao deparar-se com o lugar nenhum, criar um lugar para ser e povoá-lo de afetos. Ao fazerem um mapeamento das áreas de prostituição na cidade do Rio de Janeiro, RIBEIRO e MATTOS (1996) mostram como os afetos interferem na dimensão do espaço e resistem ao tempo e às mudanças de contexto. Os pontos que, no Rio antigo, constituíam locais de circulação de capital e pessoas e eram considerados de grande importância para a economia da cidade, atualmente são pontos de prostituição. Como por exemplo: as Ruas Mem de Sá, Frei Caneca, Praça Tiradentes, Passeio Público, Central do Brasil e Praça Mauá. 

CARVALHO (2000) salienta que os profissionais do sexo (mulheres, homens e travestis) detêm um poder e uma autonomia sobre o espaço e constituem uma territorialidade própria, territorialidade cujos códigos delegam poder a seus ocupantes e permitem o controle de presenças e de ausências, nestes trechos da cidade.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, A.J.P. da S. Regulamentação Sanitária da Prostituição. In: Anais da Academia de Medicina do Rio de Janeiro. Rio, Laemmert, 1890, t. LV, p. 237. Apud: ENGEL, M. Meretrizes e doutores: saber médico e prostituição no Rio de Janeiro (1840 - 1890). São Paulo: Brasiliense, 1989, p. 112. 

CARVALHO, S. As virtudes do pecado: narrativas de mulheres a "fazer a vida no centro da Cidade". [Mestrado] Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública; 2000. 89 p.
RAGO, M. Do Cabaré ao lar, a utopia da cidade disciplinada. Rio de Janeiro, Paz e terra 1997.

_________. Os prazeres da noite: Prostituição e códigos da sexualidade feminina em São Paulo, São Paulo Paz e Terra, 1991.

SOARES, Luiz Carlos. Tentativas de controle da prostituição carioca no séc. XIX, Rio de Janeiro, ed. Brasil, 1985.

RIBEIRO, M. Prostituição de rua e turismo: a procura do prazer na cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, GEOUERJ - Revista do Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, n.3, junho de 1988, p. 53 - 65. 

__________. Territórios da Prostituição de Rua na Área Central do Rio de Janeiro. IN: RIBEIRO,  Miguel Ângelo (Org.). Território e Prostituição na Metrópole Carioca. São João do Meriti, Rio de Janeiro: Ecomuseu Fluminense, 2002.

ROBERTS, N. As Prostitutas na História. RJ. Tradução de Magda Lopes. Record: Rosa dos Tempos, 1998.
SILVA, H. R. S. Travesti – a Invenção do Feminino – etnografia. Rio de Janeiro, Relume-Dumará, Iser, 1993, p.16.

SILVA, B., de. Apud PERLONGHER, N. O negócio do michê: prostituição viril em São Paulo. São Paulo: Brasiliense, 1987, p. 69.

SILVA, J. C. O conceito de território na Geografia e a territorialidade da prostituição. IN: RIBEIRO, Miguel Ângelo (Org.). Território e Prostituição na Metrópole Carioca. São João do Meriti, Rio de Janeiro: Ecomuseu Fluminense, 2002.

A TEORIA DE JOGOS: o eu e o nós, o Big Brother e a campanha eleitoral!

Por Ednilson Rotini


Este texto é sobre uma importante e curiosa ferramenta de aplicação da Matemática denominada Teoria de Jogos, muito utilizada, por exemplo, na tomada de decisões na economia, na política e até mesmo na guerra.
Para facilitar a compreensão sobre esse tema, considere as duas situações a seguir:


1) Você está estacionando seu carro quando, sem querer, esbarra e amassa o pára-choque de um lindo automóvel importado que está ao lado. Ninguém viu mas, sendo você uma pessoa honesta, pensa em deixar um bilhete se identificando e assumindo a responsabilidade. Mas, o seguinte pensamento vem a sua cabeça: “É um carro importado. O dono certamente tem dinheiro e não estaria dirigindo um carro como esse se não tivesse seguro. Esse pequeno amassado para ele não será nada...”


2) Já são altas horas da noite, você está na estação do metrô e não há ninguém por perto. Você pensa: “Por que não saltar a catraca e ir sem pagar? A companhia do metrô não vai falir se eu fizer isso. Os trens circulam com ou sem passageiros mesmo...”

Pois é. Em um grande número de situações em nosso cotidiano o interesse individual se coloca frente à frente com o interesse coletivo. Assim, no caso do carro em que você bateu, o seguro paga e repassa o custo para os prêmios que cobra. Não assumindo o prejuízo, você acaba penalizando outras pessoas que não tem nada a ver com isso. Algo semelhante ocorre na situação do metrô, em que aumentando as estatísticas daqueles que não pagam a passagem, você contribui para o aumento do custo do sistema e afeta os que pagam.  

Esse tipo de dilema acontece frenquentemente nas organizações sociais como na família, nas empresas e, até mesmo, entre as nações. E é nesse tipo de situação que a Teoria de Jogos apresenta-se como uma ferramenta que procura modelar os fenômenos que podem ser observados quando dois ou mais indivíduos que tem o poder de decisão interagem entre si.

O objetivo da Teoria de Jogos é lançar luz sobre conflitos de interesse e procurar fornecer subsídios para responder a seguinte questão: o que é preciso para haver colaboração? Em quais circunstâncias o mais racional é colaborar? Que políticas devem ser adotadas para garantir a colaboração? 

Assim, a Teoria de Jogos busca entender a lógica na hora da decisão e, por meio da matemática, equaciona os conflitos onde o foco são as estratégias utilizadas pelos jogadores. Num mundo cada vez mais conectado - onde as situações em que conflitos devem ser equacionados - essa teoria mostra-se eficiente. Por exemplo, os insights que se obtêm a partir da Teoria de Jogos auxiliam a entender alguns casos brasileiros mais recentes, como os apagões da rede elétrica em algumas regiões, as disputas durante as campanhas eleitorais e as estratégias dos participantes dos programas de reality show como o Big Brother e A Fazenda. 

Além dessas, outras aplicações da Teoria de Jogos aparecem no comportamento das ações em bolsas de valores, nos lances em leilões, nos estudos de comportamento animal de acordo com a seleção das espécies e, também, no desenvolvimento de pesquisas em inteligência artificial.

No próximo texto, farei um breve histórico dessa importante ferramenta matemática e darei alguns exemplos. Então, continue acompanhando as novidades do blog Ciência e Diversão.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Alecsandra Neri de. Teoria dos Jogos: As origens e os fundamentos da Teoria dos Jogos. Disponível em:
<http://www.slinestorsantos.seed.pr.gov.br/redeescola/escolas/11/2590/17/arquivos/File/as_origens_e_os_fundamentos_da_teoria_dos_jogos.pdf>. Acesso em out. 2013

NOBREGA, Clemente e KALKO, Alessandra. Tudo está em jogo: A fascinante Teoria dos Jogos usa a solidez da matemática para compreender e antecipar o insólito e imprevisível comportamento humano. Disponível em: <http://super.abril.com.br/ciencia/tudo-esta-jogo-442854.shtml>. Acesso em out. 2013. 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

terça-feira, 8 de outubro de 2013

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A Voyager e as fronteiras da humanidade!

Por Anisio Lasievicz

Figura 1.
O término da II Guerra Mundial em 1945 marcou a polarização do planeta, tendo como protagonistas a ex-União Soviética e os Estados Unidos, cada um na tentativa de propagar seus ideiais (comunistas e capitalistas, respectivamente) para o mundo e mostrar a superioridade de um em relação ao outro.  Essa disputa deu-se em campos políticos, econômicos, culturais e, especialmente, militares, científicos e tecnológicos, sendo conhecida historicamente como Guerra Fria.

No que se refere à Ciência e Tecnologia, sobressai-se a chamada corrida espacial, onde as duas potências competiam pelo pioneirismo na expansão das fronteiras do domínio humano. A Terra já não era mais suficiente diante de todo um universo a ser explorado. 

Nessa contenda, as primeiras batalhas foram vencidas pelas União Soviética (atual Rússia): foi a primeira a lançar um objeto ao espaço - o satélite Sputnik, a pôr em órbita um ser vivo (a cadela Laika) e a colocar um ser humano em órbita e trazê-lo em segurança (Yuri Gagarin). Entretanto, alguns anos mais tarde, os Estados Unidos conduzem os primeiros homens à Lua, nossa vizinha mais próxima do Sistema Solar, numa façanha acompanhada por mais de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo. Novamente, os limites da presença humana foram expandidos.

Neste cenário os investimentos crescem e, com eles, a ambição de ir mais longe. Diversas sondas são enviadas à Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno, cometas e asteróides, atuando na coleta de dados e como batedores e emissários da raça humana.

Um dos exemplos mais icônicos da exploração espacial são as sondas I e II que integram o Programa Voyager (figura 2) lançadas em 1977, visando aproveitar um alinhamento favorável do Sistema Solar para a obtenção de dados sobre os gigantes gasosos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) e, posteriormente, sobre os limites de nosso sistema. 

Figura 2. Design da Sonda Voyager. Fonte: NASA.
Após uma viagem de quase dois anos, a sonda Voyager I encontra-se com Júpiter em 5 de março de 1979, seguido do encontro com Saturno em 12 de novembro de 1980. Já a Voyager II tem sua aproximação máxima com Júpiter em 09 de julho de 1979, com Saturno em 25 de agosto de 1981, com Urano em 24 de janeiro de 1986 e com Netuno em 25 de agosto de 1989 (figura 3).

Figura 3. Trajetória do Programa Voyager.

Voltemos à imagem de destaque desse post (figura 1). Ela representa algo muito importante. Mas é um ponto borrado em meio a uma faixa clara! O que ele teria de importante você diria...

Ele é o único que conhecemos a abrigar vida. Você, eu, seus pais, familiares, amigos, inimigos, seus ídolos, as coisas que você gosta e que não gosta, enfim, toda a história da raça humana e da vida como conhecemos está nesse ponto, apelidado de pálido ponto azul pelo Astrônomo Carl Sagan (1934 - 1996) - um dos incentivadores do programa. Esta imagem foi tirada pela sonda Voyager I em 1990 a cerca de 6,4 bilhões de quilômetros de distância de nós e revela que, por mais expandamos nossas fronteiras, nossa origem está vinculada ao pequeno diante do universo.

As Voyager guardam mais uma surpresa. Cada uma carrega um disco de ouro (figura 4), contendo informações (fotos, sons, etc.) sobre os construtores daquele objeto, com o intuito de, caso elas encontrem (ou sejam encontradas por) civilizações inteligentes, estas saberão que, naquele ponto da imagem acima, de alguma forma, a vida também prosperou. 


Figura 4. Disco de Ouro das Voyager. Fonte: NASA.

Recentemente, a Voyager I expandiu ainda mais nossa fronteira. Em 13 de setembro de 2013 a NASA anunciou que a sonda cruzou os limites da Heliosfera e, desta forma, sofre mais influência de outras estrelas da Via-Láctea do que do Sol. Tal fato ocorreu, na verdade, em 25 de agosto de 2012 mas, diante do tempo de análise dos dados, os resultados foram publicados apenas agora e a tornam o objeto mais distante feito pelo homem (mais de 18 bilhões de quilômetros) e o primeiro a deixar o Sistema Solar.

Estima-se que a vida útil da Voyager I estenda-se até 2025, quando seus geradores termonucleares deixarão de prover energia suficiente para o funcionamento de seus sistemas.

No site "Where are the Voyagers" você pode conferir em tempo real a posição das duas sondas!


Para saber mais sobre exploração espacial:





REFERÊNCIAS:

Site do programa Voyager. Acessado em 19/09/2013. http://voyager.jpl.nasa.gov/

MOURÃO, Ronaldo R. de F. O Livro de Ouro do Universo. Editora: Ediouro. São Paulo: 2012.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A disciplina de Geografia e a compreensão do meio!

Por Eduardo Cordeiro Uhlmann

A disciplina de geografia no ensino fundamental e médio apresenta o meio-ambiente como resultado da interação de múltiplos agentes (físicos, vegetais, animais, incluindo o ser humano). Para isso, são apresentados os fatores que influenciam o meio, desde a forma da Terra, seus movimentos, a influência do Sol, da Lua, a vegetação, a fauna, até o ser humano, a sociedade e a maneira dessa sociedade construir o espaço no decorrer de seu próprio desenvolvimento.

Os conceitos fundamentais da Geografia que auxiliam nessa compreensão do meio e norteiam a apresentação da disciplina são:


  • Paisagem: através da observação da paisagem podemos perceber a interação complexa dos múltiplos agentes que formam aquele espaço. A disciplina de geografia busca aprimorar a observação do espaço e possibilitar que o aluno tenha o discernimento da dinâmica que o origina e mantém.
  • Lugar: perceber que o espaço de vida de uma comunidade se torna um lugar à medida que esta, através da sua vivência, das experiências do dia-a-dia, vê esse espaço como único, em que cada uma de suas partes adquire o valor emocional das experiências vividas.
  • Território: à apropriação de um lugar por uma comunidade, segue a noção de territorialidade, em que as dinâmicas e regras que caracterizam a comunidade adquirem também uma conotação espacial. Aí, o espaço não é apenas o substrato onde a comunidade se desenvolve, mas é parte integrante da mesma, em que aquela comunidade pertence àquele lugar assim como aquele lugar pertence àquela comunidade.
  • Espaço geográfico: inclui as dinâmicas da sociedade e a materialização, no espaço, dessas dinâmicas. Assim, uma sociedade em cuja dinâmica ocorre a separação das pessoas em classes sociais, terá essa separação materializada no espaço em que vive (bairros ricos e pobres). Uma sociedade em que o futebol é um esporte popular terá em seu espaço inúmeros campos para a sua prática (desde um Maracanã até dois tijolos marcando o gol em um terreno baldio).

A compreensão do espaço geográfico permite perceber a relação de uma sociedade com o meio e as suas dinâmicas internas na forma como se materializam no espaço.

Compreender o meio em que vive é a principal contribuição da disciplina de Geografia. Ao completar os anos do ensino fundamental e médio, o estudante deve estar apto para realizar uma leitura do ambiente que o circunda, sabendo identificar as forças sociais e naturais que concorrem para formar as dinâmicas ali existentes. A partir dessa leitura, deve o estudante, estar apto a perceber as potencialidades do seu meio e contextualizar a importância de suas ações para a continuidade das dinâmicas que ali ocorrem.

Além destes, outros conceitos auxiliam no entendimento do meio em que vivemos, entre eles estão a região, a escala, a globalização, as redes, etc.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Araneídeos!

Por Anelissa Carinne dos Santos Silva

MITOLOGIA GREGA - ARACNE

Na Grécia contava-se a lenda de Aracne, a artesã que gabava-se ser melhor que as deusas olímpicas tecelãs. Atena, deusa da guerra estratégica, decidiu alertá-la em vão. Ocorreu um embate e Aracne, tecendo cenas dos erros dos deuses, foi castigada por Atena, que transformou-a em um ser que passaria o resto de seus dias tecendo.

A tecelã Aracne recebe o castigo
 da deusa grega Atena.
Hoje, entretanto, o nome Aracne faz referência à Classe dos aracnídeos – e nem todas as espécies desta Classe fazem teia. As aranhas, em específico, são pertencentes à Ordem Araneae.

AS ARANHAS

A Ordem Araneae possui atualmente mais de 42000 espécies descritas. Contudo, estimativas indicam que esta diversidade é ainda maior, variando de 80 a 170 mil espécies.

O maior número de fósseis da Classe pertencem a Era Cenozóica (930), enquanto foram encontrados 18 fósseis que datam da Era Paleozóica e 31 da Era Mesozóica.

Principais diferenças da Ordem em relação às demais da Classe Arachnida:

  • Fiandeiras;
  • Glândulas de veneno conectadas às quelíceras;
  • Pedipalpos dos machos modificados em órgãos copuladores;
  • Corpo dividido em prosoma e opistosoma – separados pelo pedicelo.

As aranhas são animais sem esqueleto interno. A sustentação e a proteção de seu corpo são feitas por uma carapaça externa composta por uma substância chamada quitina. Essa proteção é extremamente importante para evitar a perda de água, o que permite que as aranhas e outros animais do grupo dos artrópodos (escorpiões, insetos, crustáceos) consigam sobreviver em ambientes muito variados. Gonzaga et. al. (2007) citam duas funções comunicativas do exoesqueleto: contém órgãos receptores e transmite as vibrações das imediações.

Aranha Golias.
São carnívoras, sendo que algumas espécies de aranhas são especializadas na construção de armadilhas (teias), outras caçam ativamente (aranhas errantes). Alimentam-se basicamente de insetos contudo, espécies maiores podem consumir inclusive vertebrados; outras podem se alimentar de néctar e/ou pólen em situações de escassez de presas.

Exemplo de teia.
Algumas espécies possuem a capacidade de atravessar áreas ao flutuar no ar com auxílio de sua seda – dispersão chamada de balonismo. Para caçar, aranhas Deinopoidea, por exemplo, fazem uma “rede” de teia, a qual é segura nas patas dianteiras a fim de capturar a presa mais facilmente.

Gonzaga et al. (2007) citam as seguintes etapas para captura de presas por aranhas: Localização da presa; deslocamento rápido até a presa; imobilização, transporte e ingestão da presa.

O número de olhos e percepção do meio variam conforme a espécie (aranhas geralmente possuem 6 ou 8 ocelos). Entretanto, aranhas Salticidae possuem acuidade visual superior aos olhos compostos dos insetos (GONZAGA et. al., 2007).

Aranha Salticidae.

As aranhas podem ser alvo de fungos patógenos, ácaros, himenópteros, etc. Dentre seus predadores, pode-se citar: formigas, aves, lagartos, sagüis, musaranhos, morcegos, anfíbios, répteis e peixes, além de outras espécies de aranhas.

Espécie de Sagui predadora de aranhas.

Espécie de musaranho.

Em um agroecossistema, para fins de controle biológico natural de pragas, podem ser realizados estudos e manejo de certas espécies de aranhas como predadoras.

Em ambientes urbanos, devem-se ter certos cuidados a fim de evitar picadas das espécies que ofereçam risco (aranha marrom, viúva-negra e armadeira), tais como: manter o quintal limpo, sem entulho; vedar frestas da casa; manter forros limpos; verificar a presença destes animais antes de vestir roupas e calçar sapatos.

Sugestão de Site: 

www.aranhamarrom.net – de autoria do Prof. Dr. Eduardo Novaes Ramires.

REFERÊNCIAS:

GONZAGA, M. O. ; SANTOS, A. J.; JAPYASSÚ, H. F. Ecologia e Comportamento de Aranhas. RJ: Interciência, 2007.

SATURNINO, R.; TOURINHO, A. L. Apostila curso de treinamento em “Aracnologia: Sistemática, Coleta, Fixação e Gerenciamento de Dados”. Sinop: MCT, 2011.

Instituto Butantan

Instituto Vital Brazil

Fiocruz

Tem Química na festa?

Por Elizabeth Cristina Marucci Lemos


Fogos de artifício deixam milhões de pessoas impressionadas graças às suas lindas cores brilhantes. Mas você já se perguntou como os fogos de artifício funcionam? Como transformam uma simples combustão em luzes multicoloridas? De onde saem todas aquelas cores?


Os fogos de artifício são feitos de substâncias químicas, cujos átomos acumulam energia quando os elétrons se movimentam. Os elétrons são partículas presentes nos átomos e ocupam diferentes posições ou níveis energéticos, como dizem os químicos. Quando a substância é aquecida através da explosão de um combustível, a energia liberada aquece os átomos dos elementos contidos nesses fogos e, ao receber essa energia, os elétrons saltam para camadas mais externas ou  para outro nível energético. Quando estes retornam para sua camada de origem, devolvem a energia recebida na forma de luz. E é justamente essa luz que nossos olhos conseguem captar. 

Mas você já deve ter visto fogos de artifício de várias cores, não é mesmo? 

Isso acontece porque são utilizadas diferentes substâncias, que emitem determinadas cores quando seus elétrons voltam ao estado inicial. Veja alguns exemplos de substâncias e quais cores produzem: cloreto de sódio (amarelo), sais de cobre (azul), sais de cálcio (laranja), sais de lítio (vermelho), sais de bário (verde), mistura de sais de estrôncio e cobre (lilás), alumínio e magnésio metálicos ou na forma de sais (branco). 

Atualmente existem diversos tipos de fogos de artifício e seus efeitos dependem da composição ou da estrutura da peça. Agora você já sabe que os fogos de artifício não são simples bombinhas coloridas, e sim química enfeitando nossas festas e comemorações!

REFERÊNCIAS

Livro Química e Sociedade, vol. Único

Senhores do Mesozóico: Pycnonemosaurus!

Por Marcelo Domingos Leal

O Pycnonemosaurus nevesi do grego pycnós, “denso”, nêmos, “mata", significa lagarto de mata densa. Este nome não faz referência ao seu hábitat, já que dinossauros de grande porte preferiam pastagens abertas à matas fechadas. Ele faz referência ao local onde o animal foi encontrado, uma área de mata densa no Mato Grosso. O nome nevesi é uma homenagem ao advogado Iedo Batista Neves, que incentivou o trabalho de pesquisa referente a esta espécie. O Pycnonemosaurus foi um dinossauro terápode, bípede e carnívoro, classificado no grupo Abelisauridae. Foi descoberto em 1950 por um grupo de trabalhadores da Fazenda Roncador, próxima à cidade de Paulo Creek no Mato Grosso, Norte do Brasil. O local onde o fóssil foi encontrado faz parte da Bacia Bauru, formação Marília ou Adamantina. Seu esqueleto está exposto no Museu de Ciências da Terra do Departamento Nacional de Produção Mineral, no município do Rio de Janeiro. Para a identificação do animal, os cientistas contaram com poucas partes como vértebras caudais, dentes isolados, púbis e tíbia. Viveu durante o Cretáceo Superior, há 70 milhões de anos, na Era Mesozóica.

Foi um dinossauro de proporções medianas, com no máximo 7 metros de comprimento e 3 m de altura. Sua massa é estimada em 2 toneladas. É um dinossauro da família dos terápodes, possuindo então, algumas características comuns deste grupo de animais: Cabeça grande, com pescoço curto e musculoso, praticante do bipedalismo (bípede), dentes fortes e afiados, garras afiadas nas terminações de seus artelhos, olhos voltados para frente e cauda não tão longa mas musculosa. Seus hábitos alimentares incluíam a ingestão única e exclusiva de carne, sendo que, alguns cientistas cogitam a possibilidade de serem predadores do Maxakalisaurus topai, um saurópode também encontrado no Brasil.


Para saber mais:

Site: http://www.latec.ufrj.br/dinosvirtuais/catalogo/pycnonemosaurus_nevesi.html
       
Livro: O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil

De quem é a cidade?

Por Rafael da Silva Tangerina

O debate acerca do território e da territorialidade, no seio da “problemática urbana”, vem sendo colocado em relevo pelos geógrafos. Enquanto categoria de análise da Geografia, o território tem se constituído, nos últimos anos, como um dos seus conceitos-chave (CORRÊA, 1995). Para HAESBAERT (1997), a retomada desse conceito, por autores de outras áreas do conhecimento, trouxe importantes contribuições ao debate e tem sido uma demonstração de sua relevância na atualidade. 

O termo território possui vários significados,  podendo denominar um espaço social qualquer, como é entendido no senso comum e, entre alguns geógrafos, como um espaço delimitado enquanto um espaço de sobrevivência. Pode, ainda, ter um sentido totalmente abstrato, como o “território da filosofia”, quanto muito concreto, o “território dos Estado-nações”, (HAESBAERT, 1997).

RIBEIRO (2002, p.10) nos esclarece que, a partir dos anos 80, a noção de território “foi resgatado na Geografia, em diferentes escalas, mas principalmente na escala interna da cidade em decorrência da identidade das minorias étnicas, religiosas e sexuais, entre outras, conformando novos arranjos espaciais, tendo como matriz as diferenças culturais”. 

O especialista no tema, Rogério Haesbaert, destaca que todo grupo se define essencialmente pelas ligações que estabelece no campo, tecendo seu laços de identidade na historia e no espaço, apropriando-se de um território (concreto e/ou simbólico), onde se distribuem os marcos que orientam suas práticas sociais. 

Para nós, o fundamental é discutir a variabilidade e a conjunção desta dinâmica identitária espacial no contexto da modernidade. Assim, se os diferentes grupos (e/ou classes) sociais que formam o tecido da metrópole necessitam de um território como base de afirmação, como isto acontece nesta realidade de permanente mudança? (HAESBAERT 2002, p.93).
Segundo o autor, cada grupo se faz seguindo seus signos de referência, que são, ao mesmo tempo, excludentes dos demais, de tal modo que seria possível imaginar o estabelecimento de matrizes interconectadas que associassem códigos sociais e determinados códigos urbanos. Nem só em guetos, portanto, cria-se a segmentação. Mesmo que dispersos em determinada área geográfica e sem a conotação explícita da segregação, podem-se formar grupos identitários na metrópole. Vivendo sob determinados signos como o vestuário, o código verbal, as aspirações sociais etc. Seus atributos não só uma controlada e relativa dispersão espacial, como também indicam que esta dispersão constitui a própria afirmação de seu prestígio (HAESBAERT 2002 p.94-5).

Além de garantir o espaço da reprodução social, é preciso conquistar e/ou garantir outros, como em uma estratégia de guerra. A grande arma das metrópoles são as áreas ainda efetivamente comuns, públicas, “desocupadas”. Nestas são traçadas as verdadeiras campanhas táticas informais de ocupação e domínio. Praças, ruas e equipamentos diversos de lazer e serviços são o território onde ocorrem ofensivas e retiradas, onde se alternam controles e normas próprias a cada grupo (HAESBAERT, 2002 p.98). Para SANTOS (1994, p. 10) “a grande cidade se torna o lugar de todos os trabalhos, isto é, o teatro de numerosas atividades “marginais”(...).

Nesta mesma linha de raciocínio SOUZA (1995, p. 87) afirma que:

As grandes metrópoles modernas mundiais com suas complexidades contêm exemplos desse tipo de “territorialidades flexíveis”. Podemos citar os territórios da prostituição feminina ou masculina (prostitutas, travestis, michês), onde os “outros” tanto podem estar no mundo exterior em geral  (de onde vêm os clientes em potencial) quanto, em muitos casos, em um grupo concorrente (prostitutas x travestis), com os quais se pode entrar em conflito.

Segundo SOUZA (1995), um outro exemplo de formação de territórios é encontrado nas cidades - as feiras livres ou camelôs. O mesmo autor cita outro tipo de territorialidade extremamente importante: o domínio de territórios pelo tráfico de drogas no Rio de Janeiro. 

A metrópole é, nesse sentido, o lócus das disputas territoriais das distintas “tribos” que compõem (MAFFESOLI, 1987 apud in HAESBAERT 2002 p.99). Essa variabilidade espacial e temporal de usos e a ambigüidade daí decorrente são os maiores motivos do fracasso dos planos urbanísticos e das grandes cirurgias “organizativas”. O autor salienta que os espaços assim projetados apresentam “um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar”. 

Para RIBEIRO (2002, p. 89) a cidade se fragmenta em diversas territorialidades de excluídos pela sociedade, formando um verdadeiro “caleidoscópio”, onde coexistem diferentes territórios: de catadores de papel, dos sem-teto, das crianças de rua, dos guardadores de carro, conhecidos como “flanelinhas” (ver vídeo abaixo), entre outros, superpostos, na maioria das vezes, com os da prostituição, constituindo verdadeiros “territórios do medo”, em decorrência da violência praticada pelos diversos grupos atuantes nesses territórios, bem como da ação da polícia. 






REFERÊNCIAS:

CORRÊA, Roberto Lobato. Espaço: um conceito-chave da Geografia. In: CASTRO, Iná Elias de. et alli. (Orgs.). Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro:Bertrand Brasil, 1995.

HAESBAERT, R. Territórios Alternativos. Niterói: EDUFF; São Paulo: CONTEXTO, 2002. 

MAFFESOLI, M. O tempo das tribos: o declínio do indivíduo nas sociedades de massa. 2.ed. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1998. 232p.

RIBEIRO, M. Territórios da Prostituição de Rua na Área Central do Rio de Janeiro. IN: RIBEIRO,  Miguel Ângelo (Org.). Território e Prostituição na Metrópole Carioca. São João do Meriti, Rio de Janeiro: Ecomuseu Fluminense, 2002.

SANTOS, M. A urbanização brasileira. 2 ed. São Paulo, Hucitec, 1994.

SOUZA, M.J. L. O território: sobre espaço e poder, autonomia e desenvolvimento. In: CASTRO, Iná Elias de. GOMES, Paulo Cesar da Costa e CORRÊA, Roberto Lobato (Orgs.). Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995.

Qual combustível uso hoje?

Por Rafael Vitorino de Oliveira

Se você pudesse proteger a atmosfera contra a poluição apenas fazendo a escolha correta do combustível de seu carro, mesmo este apresentando um custo maior, você o faria?

Partindo dessa ideia, vamos conhecer melhor os combustíveis mais comuns o Etanol e a Gasolina.

ETANOL


Produzido através da fermentação de amido e de outros açúcares o etanol, também chamado de álcool etílico, é um biocombustível altamente inflamável e incolor, sendo muito utilizado em automóveis. Essa substância é renovável, pois sua fonte é obtida através de plantas cultivadas pelo homem.

O etanol pode ser obtido através da cana-de-açúcar, milho, beterraba, mandioca, batata, etc. A matéria-prima é submetida a uma fermentação alcoólica, com atuação do micro-organismo Sacchromyces cerevisiae e, no Brasil, é mais comum o uso da cana-de-açúcar, pois apresenta maior produtividade. Após processado, o etanol pode ser utilizado como combustível em sua forma pura (em motores adaptados) ou misturado com gasolina.

O Brasil se destaca no cenário global como sendo o país com tecnologia mais avançada na fabricação de etanol. A produção mundial desse combustível é da ordem de 40 bilhões de litros, dos quais 15 bilhões correspondem ao Brasil. Para cada tonelada de cana-de-açúcar são produzidos 66 litros de álcool e 700 a 800 litros de vinhaça ou restilo.

Visando a autonomia energética, o Brasil desenvolveu o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) em 1975, permitindo, em um primeiro momento, a mistura do etanol à gasolina consumida no país e, anos mais tarde, o uso total do etanol como combustível. E, de fato, em 1979 surgiu o carro a álcool brasileiro, dando origem a um parque produtor com grande capacidade.

A mistura do etanol anidro à gasolina, hoje utilizado na proporção de 25%, contribui significativamente na redução de poluentes, como o ozônio nos centros urbanos.

Numa tentativa de reduzir a utilização do petróleo, o etanol surge como uma alternativa eficiente, limpa (emite menos gases poluentes) e mais barata. Porém, seu uso sem o devido planejamento pode gerar uma série de transtornos socioeconômicos: aumentos dos latifúndios monocultores de cana-de-açúcar, elevação dos valores de alguns gêneros alimentícios, esgotamento do solo, erosão, etc.

Os veículos que circularem pelo Brasil a partir do primeiro trimestre de 2014 vão poder usar um novo combustível. A notícia vem de uma multinacional com sede em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná. A primeira usina a começar a produzir o etanol de segunda geração em larga escala é do estado de Alagoas, no nordeste do país. Outras quatro empresas já anunciaram publicamente que devem produzir o combustível a partir do ano que vem.

O gerente conta que, na safra 2012/2013, a produção de álcool comum no país foi de 22 bilhões de litros. "A vantagem é que o produtor não vai precisar aumentar a área de plantação e vai utilizar apenas os resíduos que sobram na usina", esclarece. Rasmussen complementa que o custo logístico será mínimo com um incremento de 30% no resultado da produção da usina.

Com a economia, é esperado também o benefício para o consumidor. Blandy conta que o custo de produção será de 10% a 15% mais barato do que o etanol de primeira geração, o que deve refletir no preço final do novo combustível.

Algumas vantagens do uso do etanol para o meio ambiente:

  • Substitui aditivos com metais pesados(como o chumbo e o manganês) e MTBE;
  • Não contém enxofre (menores emissões de óxidos de enxofre e sulfatos);
  • Não inibe uso de conversores catalíticos;
  • Tem estrutura molecular simples e emissão desprezível de partículas;
  • Reduz emissão de monóxido de carbono e hidrocarbonetos;
  • Produz hidrocarbonetos com menor toxidez e reatividade fotoquímica.



GASOLINA


A gasolina é o derivado de petróleo mais popular em nosso país e o seu consumo tem aumentado significativamente nos últimos anos. É um combustível constituído basicamente por hidrocarbonetos e, em menor quantidade, por produtos oxigenados. Esses hidrocarbonetos são, em geral, mais "leves" do que aqueles que compõem o óleo diesel, pois são formados por moléculas de menor cadeia carbônica (normalmente de 4 a 12 átomos de carbono). Além dos hidrocarbonetos e dos oxigenados, a gasolina também pode conter compostos de enxofre e compostos de nitrogênio. A faixa de destilação da gasolina automotiva varia de 30 a 220 °C.



Os tipos de gasolina são oferecidos de acordo com as principais características de projeto dos motores, em função da taxa de compressão do motor e outras variáveis que afetam a temperatura e pressão dentro do motor e do tipo de sistema de injeção do combustível.

A escolha do tipo de combustível mais adequado para cada veículo deve ser feita de acordo com a orientação do fabricante, através de consultas ao manual do proprietário ou ao serviço de atendimento ao cliente, nos casos em que estas informações não estejam claras. Alguns fabricantes, principalmente de veículos importados, informam o valor da octanagem (RON), cabendo ao usuário a escolha do tipo de gasolina mais adequado dentre as opções disponíveis no país.

A gasolina básica (sem oxigenados) possui uma composição complexa. A sua formulação pode demandar a utilização de diversas correntes nobres oriundas do processamento do petróleo como nafta DD (produto obtido a partir da destilação direta do petróleo), nafta craqueada que é obtida a partir da quebra de moléculas de hidrocarbonetos mais pesados (gasóleos), nafta reformada (obtida de um processo que aumenta a quantidade de substâncias aromáticas) e nafta de coque, obtida através do processo de coqueamento, nafta alquilada (de um processo que produz iso-parafinas de alta octanagem a partir de iso-butanos e olefinas), etc.

A gasolina é classifica de acordo com seu Índice de Octano, mas do que se trata este índice? Do número de octanos (C8H18) presentes em sua composição, que iremos representar pela sigla NO. Quanto maior esse parâmetro, maior será a resistência do combustível à explosão espontânea. Abaixo, seguem alguns tripos de gasolina:


  1. Gasolina amarela: tipo A, NO = 73; 
  2. Gasolina azul: é a do tipo B com NO = 82; 
  3. Mistura de gasolina e álcool: se encontra entre as gasolinas adulteradas e possui NO = 76. Ela se classifica como Gasolina do tipo C.
  4. Gasolina verde: este combustível somente é utilizado em aeronaves. NO = 110 – 130.

EMISSÃO DE CO2 DE UM CARRO:

GASOLINA ETANOL
Litros / kg CO2 0,8 0,82
Carro / kg CO2/ Ano 1529,786 1905,488