segunda-feira, 10 de junho de 2013

A belle époque na Amazônia!

Por Luiza Canales Becerra
Revisão: Jeffrey Cássio de Toledo


A Amazônia viveu um sonho transitório de riqueza graças à borracha. O avanço da produção que vinha ocorrendo em décadas anteriores, tomou grande impulso a partir de 1880. A verdadeira mania pela bicicleta nos anos 1890 e a gradativa popularização do automóvel, a partir da virada do século, incentivaram ainda mais a produção.

Em toda a época de seu apogeu, a borracha ocupou folgadamente o segundo lugar entre os produtos brasileiros de exportação, alcançando o ponto máximo entre 1898 e 1910. Nesse período, correspondeu a cerca de 26% do valor das exportações, sendo superada apenas pelo café (53%).

A economia da borracha trouxe como consequência o crescimento da população urbana e melhora nas condições de vida de pelo menos uma parte dela, em Belém e Manaus. As duas maiores cidades da Amazônia contaram com linhas elétricas de bonde, serviços de telefone, água encanada, iluminação elétrica, quando tudo isso, em muitas cidades brasileiras, ainda era um luxo. Entretanto, essas mudanças não conduziram à modificação das miseráveis condições de vida dos seringueiros que extraíam borracha no interior. Não levaram também a uma diversificação das atividades econômicas, capaz de sustentar o crescimento em uma situação de crise.

A crise veio a partir de 1910, tendo como sintoma a forte queda de preços, fruto da forte concorrência internacional. A borracha nativa do Brasil sempre sofrera a concorrência da exportada pela América Central e a África, que era porém, de qualidade inferior. No entanto, as plantações de ingleses e holandeses em suas colônias na Ásia mudaram esse quadro, já que sua borracha era de alta qualidade e de baixo custo. Enquanto isso, tornava-se cada vez mais custoso extrair borracha nativa nas regiões distantes da Amazônia.


As tentativas de plantio da borracha na Amazônia não deram resultado, sendo as plantas atingidas pelas pragas. Um exemplo disso foi a experiência realizada pela Ford, na Fordlândia em fins da década de 1920, que resultou em um imenso fracasso.


REFERÊNCIAS:

LINHARES, Maria Yedda. História Geral do Brasil. 9º ed. Rio de Janeiro: Campus, 2010.



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