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Nesta quarta-feira (09/11) tem Noites no Parque!

A partir das 19:30h nossos telescópios estarão disponíveis para observação dos planetas visíveis, da nossa Lua e de outros astros!

Traga seus familiares e amigos para aprender um pouco mais sobre o céu e as constelações!

A atividade é gratuita e não há necessidade de agendar, basta comparecer na Portaria do Globo de Madeira do Parque da Ciência entre 19:30h e 22:00h!

MAS ATENÇÃO: CASO O TEMPO ESTEJA NUBLADO OU CHUVOSO A ATIVIDADE SERÁ CANCELADA! ACOMPANHEM O FACEBOOK DO PARQUE PARA MAIORES 
INFORMAÇÕES, OU VIA TELEFONE (41) 3666 - 6156.

Parque da Ciência
Endereço: Estrada da Graciosa 7400 - km 20.
Jd Boa Vista - Pinhais - PR
CEP: 83.327-000
Informações: (41) 3666-6156
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Figura 1: Representação metafórica do processo de seleção natural.

Um filósofo de grande influência em sua época, Aristóteles (384-322 a.C) levou em consideração que as espécies eram unidades fixas por meio de suas próprias observações da natureza, determinando que as espécies seriam incapazes de sofrerem alterações. Ele reconheceu uma certa afinidade entre as espécies existentes, e que estas poderiam ser organizadas em uma escada com aumento de complexidade, onde cada ser vivo teria o seu lugar.

Tais ideias tinham uma semelhança muito grande com o criacionismo, mencionado no Velho Testamento, onde as espécies teriam sido individualmente desenhadas por Deus. Muitos cientistas no período do século XVIII interpretaram a adaptação entre organismos e ambiente como sendo uma evidência de que Deus teria desenhado cada espécie com uma finalidade. Carolus Linnaeus (1707- 1778), físico e botânico foi um do que procurou classificar essa diversidade da vida, baseado nestes pressupostos, ou seja, não relacionando a semelhança entre as espécies por um parentesco evolutivo mas sim, através de um padrão de criação.

Um século mais tarde, o naturalista inglês Charles Darwin (1809 – 1882) criou argumentos para que a classificação fosse baseada em relações evolutivas. Varias foram as fontes de informação que Darwin utilizou mas, em particular, os registros fósseis tiveram fundamental importância na estruturação de suas ideias.

Em contraste ao pensamento de Cuvier, outros cientistas como James Hutton (1726-1797) e Charles Lyell (1797-1875) sugeriram que profundas mudanças seriam sim possíveis de ocorrer, por conta de um efeito lento e cumulativo. Essas ideias tiveram importante influência nos pensamentos de Darwin, levando em consideração esses efeitos Darwin concordou que as mudanças geológicas são lentas, portanto ele chegou a conclusão de que o planeta seria muito mais velho do que se acreditava na época – apenas alguns milhares de anos. Um tempo depois, Darwin sugeriu que processos lentos e sutis poderiam produzir também, mudanças biológicas. Devemos lembrar que Darwin não foi o primeiro a citar mudança gradual ligada a evolução biológica.

Figura 2: Jean-Baptiste, cavaleiro de Lamarck.
Fonte: Portal do professor - MEC.
No decorrer do século XVIII, naturalistas sugeriam que existia uma evolução da vida diretamente ligada a mudança de ambientes. Somente um propôs um mecanismo para tentar explicar a mudança da vida ao longo do tempo: o biólogo Jean-Baptiste, cavaleiro de Lamarck (1744-1829). Portanto, devemos lembrar de Lamarck por sua visão pioneira, onde mudanças evolutivas explicariam a adaptação dos organismos aos ambientes e as semelhanças fósseis, e não pelo mecanismo incorreto proposto por ele.


A PESQUISA DE CHARLES DARWIN

Charles Darwin (1809-1882) nascido em Shrewsbury na Inglaterra, apresentou, desde menino, interesse por assuntos ambientais. O pai de Darwin o orientou a fazer medicina mas não se adaptou, abandonando-o e ingressando na Universidade de Crambridge com a intenção de ser um clérigo.

Após sua formação, Darwin partiu para uma viagem ao redor do mundo  no navio do jovem capitão Robert FitzRoy.

Figura 3: Roteiro da viagem feita por Darwin ao redor do mundo. Fonte: Wikimedia.
Por Rafael Vitorino de Oliveira

REFERÊNCIAS

http://www.ib.usp.br/evosite/evo101/IIIENaturalSelection.shtml
Até pouco tempo acreditava-se que a chegada dos primeiros seres humanos a América do Sul havia ocorrido apenas no começo do holoceno ou no pleistoceno tardio, sugerindo uma dispersão súbita e uma adaptação notável capaz de explicar a diversidade cultural até então catalogadas. Todavia, considerações e datações recentes discutidas por Araújo (2008), situaram a provável chegada e dispersão dos primeiros seres humanos na América do Sul a um período entre 33000 a 14000 anos atrás, o que implica em um processo de ocupação mais gradativo e de evolução cultural e social mais realista.

Na Amazônia, as mais antigas datações foram realizadas no sítio arqueológico da Pedra Pintada (PA), onde foi encontrado um volumoso sinal de indústria lítica e de pintura rupestre, sugerindo uma provável ocupação entre 10000 e 11200 anos atrás. Alguns pesquisadores chegam a especular datações mais antigas, considerando a raridade de sítios arqueológicos preservados. Acredita-se que por conta da intensa atividade orgânica e do clima absolutamente úmido dos últimos 3000 anos, as possibilidades de vestígios arqueológicos anteriores ao médio holoceno sejam mínimas na Amazônia, assim, a maioria dos sítios arqueológicos observados hoje nessa região, com raras exceções, são relativamente recentes, remontando aos últimos dois milênios (PROUS, 2006).

Outra ideia questionada pelos estudos arqueológicos mais recentes é a de que a Amazônia, enquanto uma região hostil pela dimensão e intensidade de sua natureza e pelas condições inférteis dos solos, não poderia conter agrupamentos humanos elaborados e fixos, dotados de conhecimento técnico e em pleno exercício cultural e político capazes de coalizar uma sociedade complexa e numerosa. Aceitava-se que as populações amazônicas estariam niveladas como caçadores-coletores marginalizados das regiões mais favoráveis à vida, em sua maioria nômades que não praticavam dedicadamente a domesticação das plantas e animais e as inovações tecnológicas ali manifestadas, como a cerâmica, eram oriundos da mesoamérica ou dos Andes. 

Pinturas rupestres no Parque Nacional de Monte Alegre (PA), onde já foram registrados mais de 100 sítios arqueológicos, inclusive o da Pedra Pintada, com pinturas datadas de até 11200 anos. Fonte: SEMAS-PA.

Entretanto, em 1991 a arqueóloga Anna C. Roosevelt destrinchou alguns sítios arqueológicos amazônicos (Taperinha e Caverna da Pedra Pintada), e evidenciou sinais arqueológicos que admitem a presença humana já há pelo menos 11200 anos atrás e uma complexidade técnica das populações pré-colombianas, exemplificada com cerâmicas para armazenamento e cozimento de alimentos e artefatos líticos datados em até 9000 anos, admitindo a capacidade agrícola e técnica dos povos ancestrais. Outros pesquisadores, como Robert Carneiro (2007), também demonstraram que as tecnologias e métodos evidenciados arqueologicamente na Amazônia, inclusive a agricultura, desenvolveram-se localmente, não sendo apenas uma derivação intrusiva. Além disso, segundo André Prous em seu livro O Brasil Antes dos Brasileiros, o principal elemento que veio a consolidar a ideia de que a Amazônia compreendeu povos numerosos, vastos e complexos foi a constatação da quilométrica presença de terras pretas com até 1,5m de espessura nas várzeas dos principais rios, especialmente o Amazonas. As terras pretas são solos elaborados pela ação humana através da compostagem e do acúmulo de lodo trazido pelas eventuais inundações. Altamente férteis e indiferentes à rotatividade, as terras pretas podem ter amparado agricultura intensiva de sociedades organizadas e populosas.

Murrieta et. al. em Assim Caminhou a Humanidade (2015), admite que a forma econômica que provavelmente vigorou na Amazônia pré-histórica era baseada na pesca, na coleta, na caça e no cultivo de baixa intensidade, no entanto, tais características econômicas não foram empecilhos para o florescimento de civilizações complexas, dotadas de estruturas políticas como os Cacicados, e nem mesmo impossibilitou a domesticação e seleção artificial de plantas comestíveis e medicinais, como a mandioca, o amendoim, a pimenta, o abacaxi, o guaraná e a pupunha (datados entre 4000 a.C. a 10000 a.C.) e que exprimem, junto as caças de animais terrestres e fluviais, a grande variedade dietética dos povos amazônicos.

Os Cacicados representaram o mais completo sistema político e de organização social da Amazônia. Consistiam na coesão política, cultural e até linguística de vários vilarejos, cada qual com até milhares de habitantes, que floresceram principalmente na calha do rio Amazonas, do Rio Madeira e Orenoco. Tais vilarejos ou aldeias possuíam líderes particulares que estavam subordinados a uma chefatura geral específica, que organizava a coesão de tais grupos. Os Cacicados enquanto sistema de organização política e social provavelmente perduraram até o século XVIII ou XIX, sendo gradativamente mirrados à medida que a expansão colonial invadia os territórios amazônicos e carregava consigo violências e doenças que definhavam rapidamente com os povos locais. Todavia, estes cacicados representaram a forma política estruturalmente adaptada, endêmica, às condições ecológicas da Amazônia, desencadeando manifestações simbólicas, culturais, sociais e religiosas particulares que até hoje resistem nos povos indígenas remanescentes. 

Por Anderson Rodrigo Pereira da Graça

REFERÊNCIAS:


PROUS, André. O Brasil antes dos Brasileiros: a pré-história do nosso país. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.

CARNEIRO, Robert L. A base ecológica dos cacicados amazônicos. Revista de Arqueologia, v. 20, p.117-154, jan. 2007. Disponível em: <http://revista.sabnet.com.br/index.php/revista-de-arqueologia/article/view/397/399>. Acesso em: 07 dez. 2015.

NEVES, Walter Alves; RANGEL JUNIOR, Miguel José; MURRIETA, Rui Sérgio S. (Org.). Assim caminhou a humanidade. São Paulo: Palas Athena, 2015.

ARAUJO, Astolfo Gomes de Mello. Geomorfologia e paleoambientes no leste da América do Sul: implicações arqueológicas. In: RUBIN, J.C.R., SILVA, R.T. Geoarqueologia: teoria e prática. Goiânia: UCG, 2008. Cap. 7. p. 135-180.
Figura1: Oxalaia  quilombensis. Fonte: Mundo Pré-Histórico

O Oxalaia quilombensis, um nome tipicamente tupiniquim, com origem na rica matriz cultural africana e nos locais de estabelecimentos de escravos que fugiam de seus malfeitores. Oxalaia é o nome da mais respeitada divindade africana – Oxalá, e o epíteto quilombensis, está relacionado ao local onde foi encontrado, um antigo quilombo. Porém, não é apenas no nome que este dinossauro traz uma forte ligação com o continente africano, pois, a descoberta de animais da classe dos espinossaurídeos é mais comum neste continente. E, se lembrarmos de nossas aulas de geografia, sabemos que os continentes eram unidos – África e América do Sul – e nesta divisão os ancestrais do Oxalaia quilombensis vieram parar aqui.

Esta espécie foi coletada em Laje do Coringa, na praia mais oriental da Ilha do Cajual, Estado do Maranhão, Nordeste do Brasil em 2004. Ela foi descrita por Alexander Kellner, Sérgio Azevedo, Elaine Machado, Luciana Carvalho e Deise Henriques, sendo o resultado deste estudo publicado nos Anais da Academia Brasileira de Ciências em 2011. As rochas deste sítio pertencem à Formação Alcântara, Itapecuru, Grupo da Bacia de São Luis, cuja idade remete ao Cretáceo Superior (±95 milhões de anos atrás)

Para a identificação desta nova espécie, os paleontólogos contaram com apenas um fragmento do focinho e uma porção da mandíbula superior. Porém, apesar de pouquíssimas peças encontradas, estas duas partes já dão a entender que o Oxalaia quilombensis foi um dinossauro predador, de uma classe peculiar conhecida como espinossaurídeos. Porém, a quantidade de peças escassa torna difícil a tarefa de saber como é o animal por inteiro. Por exemplo, ainda não sabemos se este possui a famosa vela que tanto chama a atenção no dorso traseiro do espinossauro africano mais famoso, o Spinosaurus aegyptiacus. Mas, apesar de não sabermos realmente o quanto o Oxalaia se parecia com os espinossauros africanos, temos a certeza de que este era um gigante entre os dinossauros brasileiros. Em comparação com os fósseis de espinossauros anteriormente encontrados em rochas mais velhas do Brasil, como o Irritator e Angaturama, nosso Oxalaia é certamente o maior deste tipo de dinossauro não só do Brasil, como da América do Sul, sendo ultrapassado em peso e tamanho apenas pelos espinossauros africanos como o Suchomimus tenerensis (imitação de crocodilo) e o Spinosaurus aegyptiacus (lagarto-espinho). Como todos os outros dinossauros, o Oxalaia viveu na Era Mesozóica, mas em um período chamado de Cretáceo Superior, a cerca de 95 milhões de anos atrás.

O Oxalaia pertencia a uma classe de dinossauros denominada Terápodes, sendo da família dos espinossaurídeos, possuindo então algumas características comuns deste grupo de animais: cabeça longa, muito parecida com a de um crocodilo e braços longos e fortes – algo incomum entre os terópodes como os tiranossaurídeos. Seu tamanho pode ser comparado ao do Tiranossauro rex, com cerca de 12 a 14 metros de altura, 5,5 metros de altura e massa aproximada em torno de 5 a 7 toneladas.

Segundo Elaine Machado do Museu Nacional do Rio de Janeiro, UFRJ, este animal não alimentava-se apenas de peixe como se imaginava ser comum a esta classe de dinossauros. Há alguns anos atrás pesquisadores encontraram um dente de espinossaurídeo preso a uma vértebra de pescoço de pterossauro (réptil voador), denunciando sua atividade alimentar mais variada.

Era um animal de vida solitária, comportamento comum a maioria dos grandes predadores daquela época, diferente de animais como o velociraptor e o deinonychus que caçavam e andavam em grupos. Sua dentição, como em crocodilianos e tubarões, era trocada frequentemente e isto ficou evidenciado, pois pesquisadores encontraram dois dentes de substituição já prontos para tomar o lugar de um outro caso fosse quebrado ou perdido.


PARA SABER MAIS:


Smithsonian. Oxalaia: Brazil's New, Giant Spinosaur. Disponível em: http://www.smithsonianma g.com/science-nature/oxalaia-brazils-new-giant-spinosaur-97929249/?no-ist

Ciência Hoje. Descoberto o Maior Animal Carnívoro do Brasil. Disponível em: http://chc.cienciahoje.uol.com.br/extra-extra/.

Por Marcelo Domingos Leal

REFERÊNCIAS:

IEIJ – Instituto de Educação Infantil e Juvenil. Conheça os 21 Dinossauros Descobertos no Brasil. Acesso em: 2016. Disponível em: http://ieij.com.br/CULTieij.2014/27/CULTieij.2014.27.Texto.GrupoAlfa.pdf

Scielo Brasil – Anais da Academia Brasileira de Ciências. A new dinosaur (Theropoda, Spinosauridae) from the Cretaceous (Cenomanian) Alcântara Formation, Cajual Island, Brazil. Acesso em: 2016. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0001-37652011000100006

Smithsonian. Oxalaia: Brazil's New, Giant Spinosaur. Disponível em: http://www.smithsonianma g.com/science-nature/oxalaia-brazils-new-giant-spinosaur-97929249/?no-ist

Figura 1: Reator de Chernobyl. Fonte: Veja.


Acidentes envolvendo usinas nucleares já ocorreram algumas vezes em nossa história recente. A título de informação, seguem alguns dos mais representativos:

  • Kyshtym (URSS), 1957 – explosão, com nuvem de gás, com 200 mortes e evacuação sem explicações de dez mil pessoas;
  • Bohunice (Tchecoslováquia), 1977 – superaquecimento do combustível, sem dados sobre número de vítimas;
  • Three Mile Island (EUA), 1979 – Por falha humana, que resultou em evacuação de cerca de 140 mil pessoas;
  • Erwin (EUA), 1979 – vazamento de urânio, o qual contaminou cerca de mil pessoas.
  • Tsuruga (Japão), 1981 – contaminou 278 pessoas;
  • Tomsk-7/Seversk (Rússia), 1993 – cidade que na época não constava nos mapas (devido à importância nuclear) e atualmente isolada, com número desconhecido de contaminados na época do acidente;
  • Tokai (Japão), 1997 – acidente com 37 pessoas contaminadas. Outro acidente, no mesmo local, ocorreu em 1999, resultando na contaminação de mais de 600 pessoas;
  • Mihama (Japão), 2004 – vazamento que resultou em cinco funcionários mortos;
  • Tricastin (França), 2008 – contaminação leve de 100 pessoas.

Além destes, também temos os casos mais emblemáticos em Chernobyl e Fukushima, discutidos a seguir.


O ACIDENTE NA ESTAÇÃO ELÉTRICA ATÔMICA DE TCHERNOBIL


O incêndio na usina da URSS em abril de 1986 lançou materiais radioativos a até um quilômetro e meio de altura. Caso a situação se agravasse, poderia acontecer uma reação termonuclear dezenas de vezes maior que a bomba atômica lançada em Hiroshima. Milhares de trabalhadores foram deslocados para tentar conter o incêndio e, mesmo expostos poucos minutos à radiação, “muitos homens receberam cargas radioativas e mais tarde foram vítimas de doenças que muitas vezes se revelaram mortais” (GORBACHEV, 2003, p. 39).

Com a desintegração da União Soviética, seu território deu origem a três repúblicas: Rússia, Bielo-Rússia e Ucrânia. “A Bielo-Rússia foi a que mais sofreu, pois recebeu 70% das precipitações da nuvem radioativa” (GORBACHEV, 2003, p. 40).

“A catástrofe de Chernobyl produziu uma radioatividade considerável: centenas de vezes mais matérias radioativas lançadas do que em Hiroxima. Médicos e geneticistas nos falaram longamente sobre os efeitos das doses fracas de radio-atividade em dezenas de milhões de pessoas que vivem, bebem, se alimentam e se reproduzem em um meio contaminado: tumores cancerígenos, cardiopatias, fadigas crônicas, doenças inéditas e sentimento de desamparo afetam uma população imensa, e, no meio dessa, sobretudo crianças e jovens. E temem-se efeitos irreversíveis sobre o genoma humano” (DUPUY, 2007).

Em 27 de abril de 1988, o químico soviético Valery Alexeyevich Legasov, um dos encarregados de fazer relatório acerca do vazamento no reator, cometeu suicídio, provavelmente afetado pela depressão diante do episódio.

Além disso:

“Cerca de uma década após o acidente de Chernobil, em 1986, foi registrado um aumento de mais de 10 vezes na incidência de câncer de tireóide, resultando cumulativamente em mais de mil novos casos diagnosticados em crianças que viviam nos territórios da Bielorrússia, Rússia, e Ucrânia, afetadas pela chuva radioativa” (DEMIDCHIK; SAENKO; YAMASHITA, 2007).

TSUNAMI E OS DANOS NO COMPLEXO DAIICHI-FUKUSHIMA


Desde a década de 1960, foram registrados, ao menos, sete acidentes nucleares de grandes proporções, sendo o mais recente em 11 de março de 2011, onde a ocorrência de um tsunami de cerca de 15 metros de altura (ocasionado por um terremoto de 9 graus na escala Richter) danificou os diques de proteção, afetando o funcionamento dos reatores das usinas nucleares da região. A onda gigante inviabilizou o impediu o acionamento do sistema de emergência (a diesel) que resfriava os reatores após o terremoto, ocorrendo o derretimento de seus núcleos e liberando radioatividade para o ambiente, forçando a evacuação de cerca de cem mil pessoas, além de provocar discussão mundial acerca dos perigos do uso deste tipo de fonte de energia elétrica.

Figura 02 – Monges budistas rezam por vítimas (estimadas em 19 mil) do terremoto. Fonte: Yuriko Nakao, Reuters.

A empresa responsável montou uma escala de trabalho para limpeza e descontaminação com quase 6 mil pessoas. Outra das medidas de contenção foi a pintura dos prédios dos reatores, para “fixar a poeira radioativa nas fachadas” e construção de enorme andaime de aço para evitar que o reator quatro desabasse (WELLE, 2014). Também mantém constante o bombeamento de água a fim de resfriar as barras de combustível derretidas. No final do ano passado, o governo japonês divulgou que um funcionário da Central de Fukushima foi diagnosticado com câncer, o que pode estar relacionado ao acidente. Em fevereiro, a empresa veio a público se desculpar por ocultar por dois meses o fato dos reatores terem entrado em fusão logo após o tsunami.

Schmidt, Horta & Pereira (2014) observam que o apoio público a esta tecnologia “é influenciado por múltiplos fatores, incluindo o conhecimento pré-existente, atitudes, emoções, valores, normas, crenças, opiniões dos pares, confiança e informação veiculada pela mídia”. Estes autores investigam a imprensa internacional entre 2008 e 2012 e mostram que, neste período, a mídia deu pouca atenção à pesquisa de fusão nuclear; entretanto, fissão nuclear foi um assunto frequente, em especial na época do acidente de Fukushima – e em geral sob o caráter político, em detrimento ao caráter ambiental (principalmente na participação de ativistas ambientais) e sob ponto de vista negativo no período do referido acidente. Os pesquisadores consideram que:

“O principal efeito de Fukushima no enquadramento temático da energia nuclear consistiu em uma mudança de foco dos assuntos de rotina a respeito desta tecnologia (tais como o uso militar, resíduos, política energética, etc.), para o tópico dos acidentes e crises, segurança, gestão de risco e riscos ambientais associados aos desastres nucleares (…) após o desastre de Fukushima, a imagem da fissão nuclear transmitida pela mídia deteriorou-se substancialmente” (SCHIMIDT; HORTA; PEREIRA, 2014).


PARA SABER MAIS:


Montagem acelerada dos testes nucleares realizados ao redor do mundo no séc. XX:



Por Anelissa Carinne dos Santos Silva


REFERÊNCIAS


BRASIL, Eletrobras. O acidente nuclear na Central de Fukushima Daiichi. Disponível em: <http://www.eletronuclear.gov.br/Saibamais/Perguntasfrequentes/TemasgeraisoacidentenaCentraldeFukushima.aspx>. Acessado em Mar 2016.

DEMIDCHIK, Y. E.; SAENKO, V. A.; YAMASHITA, S. Câncer de tiróide na infância na Bielorússia, Rússia, e na Ucrânia, após Chernobil e atualmente. Arq Bras Endocrinol Metab, vol.51, no. 5. São Paulo, jul. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302007000500012&lang=pt>. Acessado em Mar 2016.

DUPUY, J-P. A catástrofe de Chernobyl vinte anos depois. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142007000100019&lang=pt>. Acessado em Mar 2016.

GAZETA DO POVO. Operadora admite ter escondido gravidade de desastre em Fukushima. Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/operadora-admite-ter-escondido-gravidade-de-desastre-em-fukushima-3zq2d4dadech19tgse5jq0xha>. Acessado em Mar 2016.

GLOBO. Maiores acidentes nucleares da história. Disponível em: <http://educacao.globo.com/artigo/maiores-acidentes-nucleares-da-historia.html>. Acesso em Mar 2016.

GORBACHEV, M. Meu Manifesto pela Terra. SP: Planeta, 2003.

HUKAI, R. Y. Lições do Japão Sobre Energia Nuclear. Estud. av. Vol. 27, no. 78. São Paulo, 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142013000200017&lang=pt>. Acessado em Mar 2016.

SCHMIDT, Luísa; HORTA, Ana; PEREIRA, Sérgio. O desastre nuclear de Fukushima e os seus impactos no enquadramento midiático das tecnologias de fissão e fuso nuclear. Ambiente & Sociedade, vol. 17, no. 4, São Paulo Oct/Dec. 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-753X2014000400017&lang=pt>. Acessado em Abril 2016.

UOL. Top 10: piores acidentes nucleares. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/internacional/listas/top-10-os-maiores-acidentes-nucleares.jhtm>. Acessado em Mar 2016.

WELLE, Deutsche. Fukushima ainda luta contra sequelas do acidente. Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/internacional/fukushima-ainda-luta-contra-sequãelas-do-acidente-nuclear-4990.html>. Acessado em Mar 2016.
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