quarta-feira, 2 de abril de 2014

A ARTE DA TATUAGEM

Por: Huellington Robert Vargas Da Silva

O Corpo e a forma humana sempre foram motivos de inspirações aos artistas. Estudadas e retratadas em vários jeitos, seja ela através do desenho, escultura, pintura entre outros.  Com a Vênus de “Willendorf” temos uma ideia dos padrões corporais daquela época. Ao longo da história percebe-se que esses padrões de beleza foram se transformando, no caso das mulheres em foco, de formas volumosas, para os dias de hoje ao culto à medidas menores.

Figura 1 : Vênus de “Willendorf”.  fonte: Wikimedia

Antes, notava-se que mulheres como formas maiores demonstravam que estavam bem alimentadas e que não faziam tarefas que envolviam maiores esforços físicos.  Esse conceito de beleza é inserido dentro da Estética, onde estuda a ciência do Belo, sendo o termo empregado pela primeira vez pelo alemão Alexandre Gottlieb Baumgarten (1714-1762), com priori para referir-se às artes.

E assim como os padrões de beleza foram se modificando, por causa da época, cultura e influências religiosas, o suporte onde é aplicada essa Arte também ocorre essas modificações. Assim como papeis, telas, murais, pedras (escultura), temos entre muitos suportes também as paredes (grafite) e também o corpo. Com pinturas externas (maquilagem ou aerografia, por exemplo) ou de modo interno, no caso da tatuagem (ou tattoo como é mais conhecida), essa aplicação é feita na epiderme, que é a segunda camada da pele.

A tatuagem já era feita no Antigo Egito, múmias foram encontradas no Vale do Rio Nilo e segundo especialistas, eram feitas em prisioneiros, para que não fugissem. Nativos da Polinésia, Filipinas, Indonésia e Nova Zelândia (maori), europeus durante suas navegações pelo Pacífico Sul, já constataram esses nativos tatuados.  No caso dos Maoris tatuavam suas faces, pois, acreditavam que isso os faria lutar com maior ferocidade, bem como atrair mulheres. Na Idade Média, na Inquisição os “pagãos” eram marcados por desenhos no corpo, assim sendo perseguidos.

No Japão, as tatuagens eram utilizadas para identificar as pessoas da família Yakuza (máfia japonesa).
Na Índia, é muito comum a tatuagem de henna, que é feita com um tipo de tinta extraída de uma semente chamada “merrandi”, sendo ela uma pintura externa, em alguns dias essa tinta sai.

No Brasil, a tatuagem já era feita pelos nossos índios antes da chegada de Pedro Álvares Cabral, em 1500. As tatuagens para algumas tribos determinam hierarquia, como por exemplo, os índios da tribo Tupinambás, que recebiam uma tatuagem depois de abaterem os inimigos capturados nas batalhas contra outras tribos. Tendo um intuito de hierarquia e não só estético.

Há algumas técnicas de aplicação da tatuagem, no caso dos Tupinambás, eram feitos cortes na pele, sendo estes cortes simples ou dois riscos cruzados, após aberto a pele, era aplicado as tintura, onde era esfregada até o ferimento ficar inchado para ser bem absorvida e os sinais se tornassem permanentes. Os sulcos na pele eram feitos com dente de cotia ou com osso afiado. A tinta feita de goma queimada transformada em carvão e de seiva de plantas. As moças dessa tribo também eram tatuadas após a primeira menstruação.

Hoje em dia no Brasil, poucas tribos indígenas ainda praticam a tatuagem definitiva, a mais comum são desenhos superficiais na pele, feitas a partir do vermelho do urucum misturado ao óleo vegetal e a tintura preto-azulada do jenipapo (geralmente com carvão), que fica impregnada na pele por vários dias, como as tatuagens de henna.

Figura 2 :  Tatuagem peixes. fonte: www.offthemaptattoo.com
Nos dias atuais a tatuagem vem sendo vista com bons olhos pela sociedade, num sentido mais estético e como arte também. Pois vemos na TV atores, atrizes e pessoas da mídia em geral, que demonstram uma nova realidade. Fazendo diminuir um pouco do preconceito criado ao longo da história, que só pessoas criminosas, pagãs ou desmerecidas de confiança tinham seus corpos marcados.

REFERÊNCIAS: 

SEED, Secretaria de Estado da Educação do Paraná. Arte – Ensino Médio, 2006.

SOUZA, Sonia Maria Ribeiro de. Um outro olhar Filosofia. São Paulo, Editora FTD, 1995.

Revista Arte e Comportamento, Ano 1, nº 5, edição e produção Empório Editorial,  (s∕data).
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