sexta-feira, 20 de março de 2015

Uma história do Design e da Arquitetura à época do funcionalismo - Parte II

El Lissitzky, cartaz em litografia, 1919, "Beat the Whites with the Red Wedge". Com o tema da Revolução Russa de 1917, a seta vermelha simboliza os bolcheviques "furando" o movimento branco opositor no poder.
Fonte: História do design Senai.
Sobre o racionalismo ideológico formulado sobre o construtivismo soviético, Argan apresenta limitações e qualidades. As qualidades dizem respeito às soluções formais, das quais a comunicação é instantaneamente apreendida e as limitações surgem da impossibilidade de realização dos projetos.

Parte das inovações e ideias, inclusive as não realizáveis no campo da arquitetura, tem relação, em primeiro lugar, a uma indústria incipiente que não fornecia os elementos necessários ao desenvolvimento técnico dos arquitetos e a integração destes artistas arquitetos pelo teatro os quais desenvolveram soluções formais “... ousadas, dinâmicas, intensamente emotivas” (ARGAN, 1992. p. 283). O expressionismo alemão também foi um agente contemporâneo que compartilhou a expressão do movimento da revolução: tudo na cidade é igualmente importante e são símbolos do socialismo e como tal, altamente comunicativo.

Surge um racionalismo formalista na Holanda onde foi criado o neoplasticismo (der Stijl). Sua origem se encontra na reflexão sobre as barbáries da guerra, por isso então a razão seria o meio pelo qual as transformações na sociedade deveriam ocorrer e não pela violência. Deveriam, então, ser eliminados preceitos historicamente construídos, dando lugar à racionalidade. O racionalismo é submetido aos princípios da arte "metafísica" os quais devem provar uma estética originária, remetendo à constituição fundamental das ideias de espaço e de forma. À frente de tais concepções figura o artista Theo Van Doesbur.
Fig. 1: Theo van Doesburg. Estudo para uma composição aritmética 1929,  23.5 X 23.5 cmFonte: Wikimedia.
A geometria foi a forma pela qual foi possível pensar a eliminação da história, a fim de encontrar a pureza na Arte. O foco principal da experiência estética neoplástica é a ação na esfera da consciência. Como, por exemplo, Gerrit Rietveld - a construção a partir da geometria (elementaridade construtiva) a “nenhuma forma existe em si, a priori: obtém-se a forma com a ação do construir, juntar, compor.” (ARGAN, 1992.p. 288)

Figura 2: Cadeira Vermelho e Azul, Gerrit Rietveld, projeto 1917.Fonte: Wikipedia

Segundo Argan, a arquitetura moderna precisou enfrentar o problema sobre qual é o destino da coexistência entre natureza e história. Ele explica que este problema deve ser investigado através do conhecimento da realidade. Partindo de um pensamento mais concreto, Alvar Aalto, arquiteto escandinavo, passou a pensar o espaço a partir do interior que sofre as intervenções da luz, do ar, da natureza, enfim. Objetos passam a fazer parte da vida como instrumentos cotidianos e conhecidos. Argan afirma que a contribuição escandinava se deu no campo do desenho industrial, que permitiu sua concretização “num verdadeiro esclarecimento linguístico: a máquina executa com maior precisão; logo exige maior precisão no projeto.” (ARGAN, 1992. p. 294).

Alvar Aalto 1949–1952: Sport hall for the Helsinki university of Technology in Otaniemi, Espoo. Photo Heikki Havas / Alvar Aalto Museum.Fonte: Design Escandinavo

Quanto a arquitetura moderna nos Estados Unidos, Argan enumera questões que vem das pesquisas de Wright e que após a segunda guerra mundial se consolidam e se desenvolvem amplamente em solo americano:

“1) a concepção do espaço como criação humana, dimensão da existência, que a própria existência determina com sua atuação; 2) a concepção da arte como gesto, com a qual se firma simultaneamente a existência indissociável do sujeito e da realidade; 3) a adoção na imagem artística de materiais ou elementos extraídos diretamente da realidade; 4)a tensão entre operação artística e operação tecnológica; 5) o poder, que o artista se atribui, de impor às coisas um significado diferente daquele que lhe é habitualmente conferido e de transformar a obra de arte num ato que intensifica e aumenta o valor da existência.”(ARGAN, p.300).

 Fig. 4 Frank Lloyd Wright (arquiteto), Capela metodista,  1941.
Fonte: Florida Southern College and the Architecture of Frank Lloyd Wright

Por: Eloana Santos Chaves, Huellingnton Robert da Silva, João Marcos Alberton

REFERÊNCIAS: 

ARGAN, Giulio Carlo. A época do funcionalismo. In: Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo: Cia das Letras, 1992, (p.263-300).

DENIS, Rafael Cardoso. Uma introdução à história do design. São Paulo: Blucher, 2008, capit. 4 e 5 (p.75 até a pág.135)
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