sexta-feira, 28 de setembro de 2012

100 Anos de Contestado!

Por Jeffrey Cássio de Toledo e Vinícius Prado


Há cem anos atrás, a construção de uma estrada de ferro, que ligaria os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, seria responsável por um dos maiores conflitos armados no Brasil: a Guerra do  Contestado (1912-1916). A região, rica em erva-mate e madeira, era alvo de disputa entre os estados de Paraná e Santa Catarina. O Brasil encontrava-se neste momento em um período de consolidação da Republica, que fora proclamada a pouco mais de duas décadas, o presidente então era o Marechal Hermes da Fonseca, sobrinho do primeiro presidente da republica, Marechal Deodoro da Fonseca, e primeiro militar eleito. Neste período eclodiam em várias regiões do pais revoltas e movimentos que contestavam a instalação do regime republicano, e defendiam o retorno da monarquia, e é neste cenário que o movimento que ficou conhecido como Guerra do Contestado surge.
           
No contexto do conflito podemos, também, perceber a figura messiânica do monge José Maria, considerado por muitos como um homem santo. José Maria conseguiu reunir milhares seguidores, dentre a sua maioria, camponeses que, após ficarem desempregados com o fim da construção da estrada de ferro. O monge pregava idéias de mundo novo, regido pelas leis de Deus. “Para ele a República era a 'lei do diabo'. Por isso, nomeou como 'Imperador do Brasil' um fazendeiro que não sabia ler nem escrever, criou a comunidade de 'Quadro Santo' e montou uma guarda de honra de 24 cavaleiros que ele intitulou de 'Doze Pares de França', fazendo uma alusão à cavalaria de Carlos Magno na Idade Média.”¹

Além da questão religiosa, outro aspecto determinante para o início do conflito foi a instalação da empresa estadunidense que construiria a estrada de ferro na região. A Brasil Railway Company, comprou uma extensa área de terras entre os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul podendo, assim, aproveitar-se dos usos da terra na região. Foi concedida a empresa, uma faixa de terra de 15 quilômetros de cada lado da ferrovia para exploração de erva-mate e madeira. Assim, progressivamente, ao longo dos anos, os moradores acabaram sendo desalojados, dando inicio a uma série de conflitos entre a população e o governo federal.

Hoje, uma série de reportagens e encontros debatendo o assunto podem ser vistos pelo país inteiro. Podemos perceber que a importância deste acontecimento não está restrita ao sul do país. Um exemplo disso é a série publicada pelo portal Estadão.com.br. Na série de reportagens podemos acompanhar a trajetória de vida de três “crianças” que sobreviveram a rebelião. Para conhecer um pouco mais sobre o conflito e sobre a história do Brasil durante a Republica Velha confira a reportagem no site http://topicos.estadao.com.br/contestado.
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