domingo, 4 de agosto de 2013

OS PRIMEIROS FILÓSOFOS E A BUSCA DO PRINCÍPIO DE TODAS AS COISAS!

Por Elaine Barbosa



A grande aventura intelectual dos gregos não começou propriamente na Grécia continental, mas nas colônias da Jônia e da Magna Grécia, onde florescia o comércio. Os primeiros filósofos viveram por volta dos séculos VII e VI a.C., classificados como pré-socráticos, quando a divisão da filosofia grega centralizou-se na figura de Sócrates.

PERÍODOS DA FILOSOFIA GREGA:



  • Pré-Socráticos (séc. VII e VI a.C.), os primeiros filósofos ocupavam-se com questões cosmológicas, iniciando a separação entre a filosofia e o pensamento mítico;
  • Socrático ou Clássico (séc. V e VI a.C.), ênfase nas questões antropológicas e maior sistematização do pensamento. Desse período fazem parte os sofistas, o próprio Sócrates, seu discípulo Platão e Aristóteles, discípulo de Platão;
  • Pós-Socráticos (séc. III e II a.C.), durante o helenismo, preponderou o interesse pela física e pela ética. Surgiram as correntes filosóficas do estoicismo (Zenão de Cítio), do hedonismo (Epicuro) e do Ceticismo (Pirro de Élida).

O PRINCÍPIO DE TODAS AS COISAS:



Os primeiros pensadores centraram a atenção na natureza e elaboraram diversas concepções de cosmologia (procurar a racionalidade constitutiva do universo), explicar, diante da mudança (do devir) a estabilidade, o uno. Ao perguntarem como seria possível emergir o cosmo do caos (da confusão inicial surge o mundo ordenado), os pré-socráticos buscam o princípio (em grego, arkhé) de todas as coisas, entendido não como aquilo que antecede no tempo, mas como fundamento do ser. Buscar a arkhé é explicar qual o elemento constitutivo de todas as coisas. 

As respostas à questão do fundamento das coisas, da unidade que pode explicar a multiplicidade são:

Tales de Mileto (640-548 a.C.): astrônomo, matemático e primeiro filósofo, a arkhé é a água, afirmava que o mundo teria evoluído da água por processos naturais.  Jostein Gaarder observa que provavelmente ao visitar o Egito, Tales observou que os campos ficavam fecundos após serem inundados pelo Nilo. Tales, então, viu que o calor necessita de água, que o morto resseca, que a natureza é úmida, que os germens são úmidos, que os alimentos contêm seiva, e concluiu que o princípio de tudo era a água. É preciso observar que Tales não considerava a arché água como nosso pensamento de água líquida, e sim, na água em todos os seus estados físicos. Tudo, então, seria a alteração dos diferentes graus desta. Aristóteles atribuiu a Tales a ideia de uma causa material como origem de todo o universo: “... a água é o princípio de todas as coisas...”.

Pitágoras (séc. VI a.C.): filósofo e matemático, o número é a essência de tudo, todo o cosmo é harmonia, porque é ordenado pelos números. Esse é entendido tanto no sentido quantitativo, isto é, matemático, como no sentido qualitativo, ou seja, metafísico. Nos números são distintos os pares (ilimitado) e o ímpar (limitado). Eles são entre si opostos e esta oposição se encontra em toda a natureza, explicando assim os seus contrastes. Os números, desta forma, são a razão do dever e da harmonia. Por este motivo, nas coisas há um princípio de ordem e harmonia.

Anaximandro (610 – 547 a.C.): o fundamento dos seres é uma matéria indeterminada e ilimitada (Àpeiron), que daria origem a todos os seres materiais. Àpeiron, termo grego que indica o ilimitado, o infinito, uma realidade originária e indiferenciada, sem limites e sem fronteiras, “de onde provêm todos os céus e os mundos neles contidos”. Aparentemente, Anaximandro considera que cada parte do universo é resultado de uma oposição entre forças antagônicas (a terra, a água, o ar, o fogo) - ou seja, todos os elementos naturais são efeitos (em uma situação de momentâneo equilíbrio) de pares opostos: o quente opõe-se ao frio, o seco opõe-se ao úmido. Mas também o cosmo, em seu conjunto, deve ser produto de um antagonismo fundamental; e como o universo se mostra definido, limitado, determinado em cada um dos seus componentes, deve-se pensar que ele se tenha originado e seja sustentado por um princípio diametralmente contrário: o Àpeíron.

Anaxímenes (588-524 a.C.): coloca que o ar, pela rarefação e condensação, faz nascer e transformar todas as coisas. O ar, melhor que qualquer outra coisa, se presta à variações e também pelo fato de que é imprescindível para os seres vivos. A alma é ar, o fogo é ar rarefeito; quando acontece uma condensação, o ar se transforma em água, se condensa ainda mais e se transforma em terra, e por fim em pedra. Destacou-se por ser o primeiro a fornecer a causa dinâmica que faz todas as coisas derivarem do princípio uno (condensação e rarefação). “... do ar dizia que nascem todas as coisas existentes, as que foram e as que serão, os deuses e as coisas divinas...”.

Parmênides de Eleia (c. 544 – 450 a.C.) e Heráclito de Éfeso (séc. VI e V a.c.) desenvolveram teorias que entraram em conflito e instigaram os filósofos do período clássico. Para Parmênides, o ser real é imóvel, imutável e o movimento é uma ilusão. Ele afirma que o ser é; e de maneira muito simples, justifica essa afirmação. Ele diz que "tudo aquilo que alguém pensa e diz é. Não se pode pensar senão naquilo que é. Pensar o nada significa não pensar absolutamente, e dizer o nada significa não dizer nada. Portanto, o nada é impensável e indizível" (REALE, 1990, 51). Parmênides também atribui ao ser algumas características: ele é eterno, imutável, uno incorruptível, incorruptível e indivisível. Afirma que o ser não pode ser gerado, nem corrompido, pois se ele for gerado, existirá dois seres, o que é impossível pois ele diz que o ser é, logo não pode ser criado. Também afirma que o ser não poder se corruptível, caso o seja, significa que ele é finito, ou seja, logo morrerá. Com isso, o ser terá que nascer, contradizendo assim a afirmação anterior. Parmênides tem como principio de sua filosofia a ontologia, que é o estudo do ser enquanto ser. A partir do momento que ele deixa de estudar a phýsis, enquanto uma causa de origem, e passa a estudar o ser enquanto ser, rompe com os demais pré-socráticos e passa da cosmologia para a ontologia. Já para Heráclito, tudo flui e tudo que é fixo é ilusão. O principio universal de Heráclito é: tudo se move e que nada permanece estático. Panta Rhei, sua "máxima", significa " tudo flui" , tudo se move, exceto o próprio movimento. A designação mais exata que podemos usar é o devir. Ele exemplifica dizendo que, não podemos entrar duas vezes no mesmo rio, porque ao entrarmos pela segunda vez, não serão as mesmas águas que lá estarão, e a própria pessoa já será diferente. Mas a doutrina de Heráclito vai além. O devir, a mudança que acontece em todas as coisas, é sempre uma alternância entre os contrários: coisas quentes esfriam e coisas frias esquentam, etc. A realidade acontece então, não em uma das alternativas, que são apenas partes da realidade, e sim mudanças, ou como ele chama, guerra dos opostos. Tal guerra é que permite a harmonia e mesmo a paz, já que assim os contrários passam a existir: a doença faz da saúde algo agradável e bom, ou seja, se não existisse a doença não teria porque valorizar a saúde.

Anaxágoras (499-428 a.C.): foi mestre de Péricles. Sustentava que as “sementes” de todas as coisas foram ordenadas por um princípio inteligente, uma Inteligência Cósmica (nous). Cada coisa surge quando vários elementos se agregam, e desaparecem quando esses se separam. Ele pensava que as coisas ou seres eram compostos com qualidades semelhantes que, ao serem divididas ao infinito, se repetiam em cada porção. A esses elementos-qualidades, que associadas geram o ser, Anaxágoras chamou de Noûs (espírito, pensamento, inteligência). É ele que fornece as leis do pensamento que se sobrepõe aos sentidos para conhecer e governar o universo. É preciso entender que o pensamento está nas coisas, e não como algo separado delas. Tudo tem causa e essa é sempre natural, física, ainda que o espírito aqui seja concebido materialmente.

Empédocles (483-430 a.C.): os quatro elementos terra, ar, água e fogo constituem tudo. Tais elementos, tinham a característica de subsistir diante da geração, da alteração e da destruição. Para Empédocles, todas as coisas que existem, apresentam, em alguma proporção, os quatro elementos. A diversidade de coisas existentes decorre da diversidade de proporções de elementos, conforme uma mistura e troca. Empédocles defende que todas as coisas sujeitam-se ao devir, ao movimento.

Leucipo (séc. V a.C.) e Demócrito (c. 460-c. 370 a.c.) são atomistas, por considerem o elemento primordial constituído por átomos, partículas indivisíveis. Como para eles também a alma era formada por átomos, estamos diante de uma concepção materialista e determinista. O átomo (do grego a-tomos, o não divisível, não mais cortável) é, para esses filósofos, o elemento primordial da Natureza. São indivisíveis, maciços, indestrutíveis, eternos e invisíveis, podendo ser concebidos somente pelo pensamento, nunca percebidos pelos sentidos. A phýsis (natureza) é composta por um número ilimitado de átomos. Os átomos podem existir de formas variadas e habitam uma outra forma de infinitude: o vazio. Neste, os átomos se agregam, se desagregam, se deslocam, formando os seres que percebemos pelos sentidos (movimento). Significa dizer que segundo a teoria atomística, só existem átomos e vazio. Significa também, que nossos sentidos percebem uma realidade transitória, mutável, mas ilusória, porque mesmo que apreendamos as mutações das coisas, no fundo, os elementos primordiais que constituem essa realidade jamais se alteram. Assim, as mudanças, as mutações, as transformações são explicadas pela agregação ou desagregação de elementos primordiais que somente conseguimos conhecer pelo pensamento. Não se trata de dizer que os sentidos provocam, então, uma ilusão mas, que o que sabemos pela percepção, por ser transitório, não se refere ao conhecimento, uma vez que o saber estaria em conhecer as formas dos átomos (se quadrada, redonda, triangular, etc.) para se compreender como cada umas destas designam uma qualidade dos objetos que percebemos (como por exemplo, um átomo triangular determinar uma cor ou um sabor).

REFERÊNCIAS:

www.brasilescola.com/filosofia/leucipo-democrito.htm

www.infoescola.com › Filosofia‎

www.brasilescola.com/filosofia/tales-mileto.htm

br.monografias.com/trabalhos3/pitagoras/pitagoras.shtml‎

www.webartigos.com/artigos/heraclito-e-parmenides/28399/#ixzz2Vw9IFfC4
www.brasilescola.com/filosofia/anaxagoras.htm
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6 comentários:

  1. Vemos então que sempre haverá uma busca daquilo que nao presenciamos a busca do principio das coisas. Acredito que mesmo se soubéssemos todos os detalhes da origem de tudo que nos rodeia ainda teríamos duvidas que exigiriam reflexões complexas deve se pensar que os primeiros pensadores em seu tempo procuravam esse "principio" porem somente muitas eras depois teremos um "rascunho" nos tempos atuais. No meu ponto de vista procurar esse principio so resultara em mais duvidas porem quanto mais perto ficamos da verdade mais evoluímos nosso pensamento foi isso que impulsionou muitos dos pensadores gregos.

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