quinta-feira, 14 de março de 2013

A Era Ratzinger chega ao fim.

Por Jeffrey Cássio de Toledo


A renúncia do Papa Bento XVI, o alemão Josef Ratzinger, foi recebida por muitos com espanto. Afinal, apenas oito anos após assumir o pontificado, em 28 de fevereiro de 2013, o Papa renuncia ao cargo alegando desgaste físico e espiritual. 

Defendendo uma das linha mais conservadoras do catolicismo, esteve à frente, por 24 anos, da Congregação para a Doutrina da Fé. Este órgão da Igreja Católica tem como função básica promover e defender a moral e a fé católica em todo o mundo. Assim sendo, esta é uma versão moderna do antigo Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, chamado, quando da sua criação, em 1542, de Suprema e Sacra Congregação da Inquisição Universal. O objetivo principal do Tribunal da Inquisição no período moderno era combater os desvios de fé dos católicos, apostasias (afastamento da fé), heterodoxias e outros crimes relacionados às doutrinas católicas estabelecidas. 

O protestantismo crescente do século XVI fez com que a Igreja Católica se preocupasse ainda mais com a forma como o catolicismo era praticado. No Concílio de Trento de 1545 a 1563, foram estabelecidas medidas para barrar o avanço desses “inovadores” e criar métodos de reorganização da instituição. A criação do Index Librorum Phoihitorum (conhecido por muitos apenas como “Índex”), é um exemplo disso. O objetivo desta lista era classificar livros como impróprios para a leitura do fiel católico. Entre outras medidas adotadas pela Igreja Católica, temos o fortalecimento do próprio Tribunal do Santo Ofício e a manutenção e propagação da ideia de Purgatório.

Se analisarmos a trajetória a Igreja Católica, podemos perceber um mar de contradições e disputas de poder. Entretanto, essas contradições parecem não terem terminado. Um documento publicado recentemente batizado de VatiLeaks, contém 300 páginas de informações que vazaram do Vaticano. Segundo o jornal italiano “La Reppublica”, esse foi um dos motivos reais da renúncia do Papa Bento XVI. O documento contém denuncias de prostituição de jovens seminaristas em 2010. Assim, a pressão exercida sobre a figura do Papa Bento XVI tornou-se insustentável forçando a sua saída do cargo no começo do ano de 2013.

O objetivo deste artigo não é criticar nenhuma forma de expressão espiritual ou manifestação de fé, e sim, analisar como os acontecimentos recentes dentro de instituições como a Igreja Católica refletem na sociedade e formam opiniões de grupos envolvidos ou não na disputa pelo cargo mais importante do Vaticano. Independentemente dos alinhamentos religiosos de cada um de nós, temos que reconhecer a importância destes fatos para as tomadas de decisão das políticas públicas e das representações e mudanças governamentais que ocorrerão ao longo dos próximos anos.

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