domingo, 4 de agosto de 2013

Do meio natural ao meio técnico-científico informacional!

Por Rafael da Silva Tangerina

A história do território brasileiro é a soma e a síntese das histórias de suas regiões no contexto da política nacional e internacional. Milton Santos nos esclarece que o espaço geográfico acumula defasagens e superposições de divisões do trabalho no âmbito social e territorial. De um ponto de vista genético, as variáveis do espaço são assincrônicas, mas em cada lugar elas funcionam sincronicamente e tendem a ser assim também quanto ao todo. Daí as descontinuidades que permitiriam explicar as diversidades regionais ou seus desequilíbrios.

Para Santos e Silveira, períodos são pedaços de tempo definidos por características que interagem e asseguram o movimento do tempo. Periodizações de economistas e sociólogos podem ser ricas e inspiradoras, mas com freqüência são insuficientes, pois raramente tomam em consideração a materialidade e o dinamismo do território. A base das periodizações não é constituída apenas pelas relações sociais. Estas não bastam como dado explicativo, porque não se dão num vácuo. É preciso pensar paralelamente às técnicas como formas de fazer e de regular a vida, mas ao mesmo tempo, como cristalização em objetos geográficos, pois estes também têm um papel de controle devido ao seu tempo próprio, que modula os demais tempos.

Santos e Silveira destacam  ainda que, ao longo da história da organização do território brasileiro, três grandes momentos poderiam ser identificados: os meios naturais, os meios técnicos e o meio técnico-cientifico-informacional. Por intermédio de suas técnicas diversas no tempo e nos lugares, a sociedade foi construindo uma história dos usos do território nacional.

Divisão regional do Brasil por Milton Santos.
O primeiro período é marcado pelos tempos lentos da natureza comandando as ações humanas de diversos grupos indígenas e pela instalação dos europeus. A unidade, então, era dada pela natureza, e a presença humana buscava adaptar-se aos sistemas naturais.

Uma segunda fase é a dos diversos meios técnicos, que gradualmente buscam atenuar o “império” da natureza. Esta segunda fase foi caracterizada pelas técnicas pré-máquina e as técnicas da máquina, assim como  pelos primórdios da urbanização interior e pela formação de uma “Região Concentrada” – região constituída pelos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
As indústrias no Brasil.
O terceiro grande período é a construção e a difusão do meio técnico-cientifico-informacional. Cabe aqui, diferenciar uma primeira fase na década de 70, com a revolução das telecomunicações, pois é nesse momento que o meio técnico-cientifico-informacional se difunde. Mas esse novo meio geográfico permanece circunscrito a algumas áreas. Já com a globalização atual, informação e finanças passam a configurar a nova geografia, distinguindo os lugares segundo a presença ou escassez das novas variáveis-chave.


Com o meio técnico-cientifico-informacional, agravam-se as diferenças regionais e aumenta a importância da Região Concentrada com a hegemonia paulista, contudo, estamos verificando nos últimos anos a ocupação de áreas periféricas com produções modernas.

REFERÊNCIAS:

SANTOS, Milton, SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001.
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