terça-feira, 20 de agosto de 2013

O Darwinismo e a Antropologia!

Por Pedro Monteiro Bittencourt
Orientação e revisão: Jeffrey Cássio de Toledo

O desenvolvimento da ciência europeia no século XIX se estendeu pelos seus mais variados campos. A antropologia, dividida em diversas áreas (como a antropologia cultural ou a biológica), não permaneceu imune a estas mudanças e a influências legadas pela produção científica de outros ramos, notavelmente da biologia, com a apropriação das ideias darwinistas de evolução sob uma perspectiva imperialista. Esta apropriação deu origem ao chamado Darwinismo Social, apesar de não ter sido um campo pensado por Charles Darwin, suas ideias sobre seleção natural atraíram a atenção de diversos pesquisadores que desejavam aplicá-la não somente aos animais, mas também aos homens e às sociedades. Apesar de o pensamento racialista já existir anteriormente na Europa, como entre filósofos como Kant e Hegel, as ideias de “sobrevivência do mais apto” - termo cunhado por Herbert Spencer -, foram muito influentes entre diversos antropólogos. 

Alavancado pelos interesses das nações imperialistas europeias, e financiada pela exploração dos bens africanos durante o processo de colonização, o avanço da ciência ao mesmo tempo em que era fruto deste processo, ajudava a financiá-lo, tendo sido possível graças, entre outros, à industrialização europeia. O racismo científico se constituiu sob este contexto de dominação europeia na África, em parte para também justificar as próprias atrocidades cometidas durante o imperialismo. As explicações (supostamente) científicas desqualificavam diferentes povos de acordo com sua suposta raça; tendo sido produzida por brancos europeus, este pensamento colocava-os no topo da escala evolutiva, em oposição à outros povos supostamente não “civilizados”, sendo então o “fardo do homem branco” - em termo cunhado por Kipling – levar a civilização à outros povos. Este pensamento foi divulgado em grande parte pela antropologia, como Edward Tylor e James Frazer, explicando o processo de evolução das sociedades humanas desde estágios primitivos até os mais evoluídos. 

Naturalmente não pensavam dessa maneira todos os antropólogos do período. Dentre estes merece destaque Franz Boas que, nascido na Alemanha, migrou para os Estados Unidos e se dedicou à antropologia. Considerado por muitos como o “pai” da antropologia americana, era opositor do racismo científico, e realizou estudos comprovando que as diferenças entre as sociedades não eram biológicas, e sim culturais. Partindo deste princípio então, Boas elaborou o conceito de relativismo cultural, onde nenhuma cultura pode ser considerada superior à outra.

Apesar de há muito desacreditado entre o meio acadêmico, o legado deixado por este racismo pseudocientífico não é digno de orgulho. O princípio e a ideologia de superioridade racial causaram destruição jamais vista, cujos exemplos vão desde o Holocausto judeu, até o violento imperialismo europeu na África – que, não nos esqueçamos, durou até poucas décadas atrás. Não é necessário ir longe para encontrar ainda legados deste pensamento, através das diferentes formas de racismo presentes até hoje em diversas partes do mundo.

SAIBA MAIS

Spencer e o Darwinismo Social - fabiopestanaramos.blogspot.com.br/2011/03/spencer-e-o-darwinismo-social.html

FRANZ BOAS – críticas aos métodos da antropologia evolucionista, reação às teorias racialistas e objetivos da pesquisa antropológica www.consciencia.org/franz-boas-pesquisa-antropologica

imagohistoria.blogspot.com.br/2009/10/imperialismo.html
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