terça-feira, 24 de setembro de 2013

O que é lugar?

Por Lawrence Mayer Malanski

Mais do que uma simples localização ou uma coordenada espacial, a ideia de lugar perpassa pela subjetividade e a simbologia.

A Geografia é comumente conhecida como a ciência que estuda o espaço geográfico, no entanto, o conceito de espaço é bastante abstrato. Uma forma possível de estudar o espaço é a partir das ideias da Geografia Humanista, que busca aporte na História, Filosofia e Psicologia para o pensar geográfico. A partir dessa corrente, o espaço é tido como essencialmente antropocêntrico e leva em consideração a experiência espacial das pessoas. Da relação entre pessoas e espaços emerge o conceito de lugar, que será explanado nesse texto.

Pessoas se relacionam com os espaços a partir de seus cinco sentidos e de suas mentes simultaneamente. Além disso, inserem-se nesse contexto as relações sociais e a cultura. A mente é responsável por transformar os estímulos espaciais em sentimentos, sendo que a ideia de lugar está pautada nessa relação. Espaços que despertam os mais diferentes sentimentos nas pessoas que os vivem podem ser chamados de lugar. Assim, conforme Tuan (1980), uma fração do espaço que permite ser apropriado simbolicamente por pessoas pode ser considerada um lugar. Lugares são, então, centros de significados e possuem muitos símbolos aparentes.

Centro de Curitiba. As cidades, por concentrarem grande quantidade de pessoas, são centros de lugares e possuem muitos símbolos aparentes. 

O modo como as pessoas se relacionam com os lugares varia e avaliar como isso acontece necessita conhecer os tipos de atividades que neles se desenvolvem. Assim, pode haver laços de afeto ou de recusa, pertencimento ou não para com lugares. À relação afetiva e estética entre pessoas e lugares Yi-Fu Tuan (1980) denominou topofilia. Para a ideia contrária, ou seja, a aversão ou medo entre pessoas e lugares, esse autor adotou o termo topofobia (TUAN, 1983), originalmente criado por Gaston Bachelard e divulgado em sua obra “A poética do espaço”, de 1957.

Como são subjetivos, os lugares não possuem delimitação espacial rígida e podem envolver diferentes escalas geográficas. Assim, desde uma fração do espaço de uma sala de aula até todo o Planeta Terra poderiam ser considerados lugares diante de determinados contextos sociais. A importância da valorização da ideia de lugar pode repercutir em melhorias na qualidade de vida das pessoas. Espaços que são considerados lugares geralmente recebem mais atenção e são melhores cuidados. Se os humanos compreendessem que todo o Planeta Terra é o lugar deles, por exemplo, muito provavelmente não se teriam tantos descasos com o meio ambiente e os benefícios seriam de todos. 

REFERÊNCIAS: 

TUAN, Yi-Fu. Espaço e lugar: a perspectiva da experiência. São Paulo: Difel, 1983.

TUAN, Yi-Fu. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. São Paulo: Difel, 1980.
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