segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Carro a álcool: um dia você vai ter um!

Por Rafael Oliveira Vitorino

Em 1973 o mundo passou pela primeira crise do petróleo. O preço do barril do combustível natural subiu significativamente, gerando um efeito arrasador na economia mundial, com impactos que deixaram graves conseqüências econômicas. 

No Brasil, vivia-se os anos da Ditadura Militar, que começara em 1964. Entre 1968 e 1973, o país passou por um momento de grande crescimento econômico que o colocou entre as economias mais desenvolvidas do planeta. Esse período é chamado de Milagre Econômico, momento que coincide com a fase de maior repressão da Ditadura Militar. Com a crise mundial do petróleo em 1973 essa fase próspera terminou e a ditadura passou a ser questionada de forma mais aberta, refletindo no início, embora muito lento, da abertura do sistema.

PRÓALCOOL


O Proálcool (Programa Nacional do Álcool) consistiu em uma iniciativa do governo brasileiro visando intensificar a produção de álcool combustível (etanol) para substituir a gasolina. Essa atitude teve como fator determinante a crise mundial do petróleo, durante a década de 1970, que onerou a importação do produto para os países que dela dependiam.

Em contrapartida, o governo brasileiro criou um programa de incentivo a produção de cana-de-açúcar, onde foram oferecidos vários incentivos fiscais e empréstimos bancários com juros abaixo da taxa de mercado para os produtores. A indústria automobilística também foi envolvida no processo,desenvolvendo motores propelidos álcool. Esse programa ganhou o nome de PROÁLCOOL  e teve início em 1975. A escolha da cana-de-açúcar para produção do novo combustível foi decorrente da queda nos preços do açúcar, o que levou o Brasil a produzir mais de 15 bilhões de litros do combustível nos dez anos seguintes ao início do Pró-Álcool.

A proposta foi um sucesso, visto que os consumidores davam preferência a veículos movidos a etanol. Em 1991, aproximadamente 60% da frota brasileira era movida por essa fonte energética, correspondendo a 6 milhões de veículos movidos a etanol.

Porém, o Programa Nacional do Álcool promoveu alguns problemas futuros decorrentes de sua criação, tais como: elevação da dívida pública em consequência dos benefícios concedidos; aumento dos latifúndios monocultores de cana-de-açúcar; elevação dos preços de alguns gêneros alimentícios face à redução do cultivo de alimentos em substituição à cana-de-açúcar, entre outros.

Agravando ainda mais a situação, durante a década de 1990, houve a redução do preço do barril de petróleo. Esse fato fez com que a diferença entre a gasolina e o álcool diminuísse, levando os usineiros a destinar a produção de açúcar para o mercado internacional, pois o interno tornou-se menos lucrativo. Todos esses aspectos contribuíram para que os consumidores e fabricantes de veículos voltassem a priorizar automóveis movidos a gasolina.

Em 2003, um novo momento de turbulência envolvendo o preço do petróleo faz com que as indústrias voltem a apostar no etanol mas, dessa vez, criando veículos Bicombustíveis, onde o consumidor escolhe com qual quer abastecer.

A chegada do carro Bicombustível ao mercado brasileiro em 2003 vem produzindo importantes resultados ambientais. O uso do etanol nesses veículos evitou a emissão de quase 190 milhões de toneladas (189.849.294) de CO2 na atmosfera. Para atingir essa redução com o plantio de árvores nativas, seriam necessárias mais de 1,3 bilhão (1.355.523.962) de árvores.


DOS 14 AUTOMÓVEIS MAIS POLUIDORES A VENDA NO BRASIL, 8 SÃO MOVIDOS A ETANOL!

O título acima pode parecer contraditório em relação ao exposto acima mas, à medida que os resultados das pesquisas vão surgindo, o Etanol parece deixar de ser o salvador. Mas onde está o real problema: no combustível ou no veículo que faz a queima do mesmo?

Um relatório divulgado em setembro pelo Ministério do Meio Ambiente deixou todo mundo confuso. Segundo o documento, 8 dos 14 carros mais poluentes a venda no Brasil são movidos à álcool. Como assim? O etanol brasileiro não ia salvar o mundo? Ele não era considerado um combustível limpo, bem menos agressivo?

Sim, o etanol é mais limpo que a gasolina. Afinal, trata-se de um combustível renovável - suas emissões de CO2 (gás carbônico, que provoca o efeito estufa) são neutralizadas pela cana-de-açúcar plantada. O problema, em parte, está no motor que equipa a maioria dos carros novos. Ele sai da fábrica melhor regulado para a queima da gasolina, já que o mercado internacional não utiliza etanol. Resultado: com tanque cheio de álcool e combustão menos eficiente, um carro Bicombustível acaba lançando no ar mais monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de hidrogênio.

"Embora a queima do etanol reduza as emissões de dois poluentes cancerígenos, os níveis de outros gases aumentariam", afirma o cientista Marc Jacobson, da Universidade Stanford, um dos responsáveis pelo estudo. "Portanto, alguns tipos de câncer teriam a mesma incidência se a poluição fosse causada por fumaça de veículos movidos a gasolina." A solução, segundo Jacobson, não está no álcool, muito menos na gasolina, mas na conversão dos veículos em elétricos. "Isso eliminaria 10 mil mortes anuais por poluição do ar."

É muito provável que proprietários de carros com motor Bicombustível poluam menos ao usar gasolina do que etanol. Os números variam de acordo com o modelo do veículo. Mas, na média, ao verificar a emissão da frota de 2008, os carros Bicombustível que usam álcool emitem mais monóxido de carbono (0,71 grama por quilômetro) do que os que utilizam gasolina (0,51 grama por quilômetro).

SAIBA MAIS:

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,carro-flex-abastecido-com-gasolina-polui-menos,436426,0.htm


REFERÊNCIAS:

http://www.infoescola.com/combustiveis/proalcool/

http://www.biodieselbr.com/proalcool/pro-alcool/programa-etanol.htm

http://www.unica.com.br/noticia/21375871920313606276/-por-centoE2-por-cento80-por-cento98carbonometro-por-centoE2-por-cento80-por-cento99-aponta-por-cento3A-etanol-em-veiculos-flex-ja-reduziu-quase-190-milhoes-de-toneladas-de-co2/

www.br.com.br
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