segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Futebol é pra "macho"?

Por Jéffrey Cássio de Toledo

O esporte número um do brasileiro é o futebol? Pode-se dizer que sim. Contudo, todos os amantes deste esporte podem praticá-lo? Existe alguma regra oficial que exige que futebol “seja coisa pra macho”? Ou ainda, há algum tipo de incentivo para que outros grupos sociais, como o das mulheres, possam praticá-lo de forma ampla e convicta? O objetivo deste artigo é proporcionar uma reflexão sobre a prática do futebol feminino no Brasil, bem como, analisar as relações de gênero presentes neste campo da vida social de muitos brasileiros diariamente.

Figura 1: Marta – Jogadora brasileira,
escolhida cinco vezes a melhor do mundo.
É fácil constatar que a presença feminina nas arquibancadas dos estádios de todo o mundo é maciça. Isso é ainda mais evidente quando se percebe a quantidade de torcidas organizadas femininas que circulam pelos palcos deste esporte. Hoje, homens e mulheres dividem as suas posições de forma igualitária deste espetáculo. Mas, essas ações de interação entre diferentes gêneros é mascarada por uma série de atitudes de afirmação da masculinidade dos torcedores.

Considerando o estádio um ambiente de educação informal, percebemos que nele se estabelece uma instituição onde o iniciado, aprenderá a ser “torcedor”. Assim, no convívio com os indivíduos que frequentam esse ambiente a mais tempo é que se aprende as práticas comuns deste espaço. Segundo Bandeira (2010, p. 344), “estar em um estádio de futebol significa passar por diferentes pedagogias. É necessário aprender quando gritar, quando calar, o que gritar, o que calar, o que e como sentir”. 
Além da prática cultural do futebol, existe, claro a prática do esporte profissional. O futebol feminino profissional é praticado com muitas dificuldades em vários países, inclusive no Brasil. Um dos motivos que o põe na margem do futebol masculino é a falta de incentivo para tal. Historicamente, as mulheres são vistas como frágeis, dóceis, e outros tantos esteriótipos incompatíveis à pratica do bom futebol. 

A preocupação com a prática do esporte por parte das mulheres foi tão grande que médicos especialistas na área proibiam as “moças” de faze-lo. Podemos perceber isso pela opinião do doutor Leite de Castro, expressa ao jornal A Gazeta Esportiva afirmando que “não é no futebol que a juventude feminina se aperfeiçoará”. Segundo ele, “é o futebol o esporte que lhe trará defeitos e vícios; alterações gerais para a própria fisiologia delicada da mulher, além de outras consequências de ordem traumática.” (Franzini, 2005, p. 321)

Por fim, as tentativas de inserir a mulher no centro das ações afirmativas referentes ao futebol sempre acabam por enaltecer o machismo predominante na sociedade. As atitudes, por parte dos organizadores de eventos é sempre enaltecer a beleza e a sensualidade da jogadora para atrair o público masculino. Mas, ainda que não possamos fazer eventos de futebol feminino tão grandiosos como os do futebol  masculino, estamos evoluindo e temos de ser otimistas para que o esporte não seja mais o reflexo da própria sociedade.

REFERÊNCIAS

SALVINI, Leila; SOUZA, Juliano de; MARCHI JUNIOR, Wanderley. A violência simbólica e a dominação masculina no campo esportivo: algumas notas e digressões teóricas. Rev. bras. educ. fís. esporte, São Paulo , v. 26,n. 3,Set. 2012 . Disponível em  <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1807-55092012000300006&lng=en&nrm=iso> Acessado em 14 Out. 2013.

FRANZINI, Fábio. Futebol é "coisa para macho"?: Pequeno esboço para uma história das mulheres no país do futebol. Rev. Bras. Hist., São Paulo , v. 25, n. 50, Dez. 2005 .  Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882005000200012&lng=en&nrm=iso>. Acessado em 14 Out. 2013.

BANDEIRA, Gustavo Andrada. Um currículo de masculinidades nos estádios de futebol. Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro, v. 15, n. 44, Ago. 2010 .Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782010000200010&lng=en&nrm=iso> Acessado em: 14 Out. 2013.
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