sexta-feira, 1 de novembro de 2013

ENEM 2013: a polêmica charge e desenvolvimentismo!

Por Vinícius Prado Alves



No último dia 26 de outubro estudantes de todo o Brasil fizeram as provas de ciências humanas (história, geografia, filosofia e sociologia) e de ciências da natureza (química, física e biologia) do Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) e, dentre as várias questões, uma em especial chamou a atenção. Continha uma charge, onde o presidente Juscelino Kubistchek contracenava com um personagem chamado Jeca e nela ocorre o seguinte diálogo:

JK - Você agora tem automóvel brasileiro, para correr em estradas pavimentadas com asfalto brasileiro, com gazolina brasileira. Que mais quer?

JECA - Um prato de feijão brasileiro, seu douto!

A polêmica que tomou conta das redes sociais deu-se em torno da grafia da palavra “gazolina” escrita com a letra Z no lugar de S. Logo após aprova comentários como "Aprendi no ENEM que escrevi 'gazolina' errado a minha vida toda!" e "#AprendiNoEnem que se baixarem minha nota na redação porque eu coloquei gazolina com 'z' eu armo um barraco!". 

Utilizando-se das próprias redes sociais, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), respondeu aos questionamentos através de seu Twitter oficial, informando a grafia de “gazolina” assim como a da palavra “doutô”, respeitam integralmente os direitos autorais da charge publicada, e por isso foram mantidas.

A charge é de autoria do chargista Théo e foi retirada do livro Uma História do Brasil através da Caricatura (1840-2001) e retrata um questionamento ao modelo desenvolvimentista implementado por JK em sua gestão frente a presidência da repúblic. Este é o ponto mais interessante e que deve ser analisado e discutido.

O modelo desenvolvimento econômico denominado como desenvolvimentismo caracteriza-se por um projeto alicerçado em uma política econômica baseada na meta de crescimento da produção industrial e da infra-estrutura, com participação ativa do estado como base da economia e o consequente aumento do consumo.

A opção pelo desenvolvimentismo é feita na história do Brasil a partir do governo de JK e com sua política “cinquenta anos em cinco” e teve continuidade nos 20 anos de “milagre econômico” do período militar. Ambos enfrentaram dificuldades: JK com o crescimento da divida externa devido aos altos empréstimos internacionais para garantir a implementação de indústrias (principalmente multinacionais) a qual foi aumentada ainda mais pelo militares. Porém com a crise do petróleo na década de 70, o capital financeiro mundial foi abalado e nesta onda o Brasil que estava altamente endividado sofreu grandes consequências como, por exemplo, os grandes índices de inflação nas décadas de 70 e 80.

Toda essa instabilidade nos períodos em que o modelo desenvolvimentista esteve em alta no Brasil não é mera coincidência, pois não se trata de um modelo sustentável, tanto ambientalmente como socialmente. Ele nos coloca refém de um mercado financeiro especulatório internacional. 

Essa deve ser reflexão a ser feita sobre o referido tema pois, para compreendermos a situação econômica, política e social do Brasil atual é fundamental que compreendamos o processo de construção histórica de nossa realidade e, neste sentido, o desenvolvimentismo de JK e posteriormente dos militares são centrais neste processo.
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