sexta-feira, 18 de abril de 2014

A FORMAÇÃO DA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA

Por: Aline Veiga

Figura 01: Imagem de Curitiba. Fonte: www.g1.globo.com

Com o desenvolvimento urbano e industrial das cidades, muitas passam a ter funções agregadoras, centralizando fluxo de pessoas, bens, serviços e riquezas. Determinada cidade pode se caracterizar como pólo principal de uma região, tornando a dinâmica de outros territórios dependente deste pólo, assim como exercendo influência econômica e política. A partir destes processos de influência, surgem as metrópoles.

As regiões metropolitanas são definidas principalmente através da conurbação, ou seja, quando ocorre a ocupação urbana de determinadas porções do território, em detrimento da proximidade de um pólo principal, ocorrendo a extensão de influências para além dos limites e fronteiras territoriais.

A partir da grande concentração de processos em um pólo principal da metrópole, ocorre a tendência ao inverso: a desconcentração, devido a saturação da ocupação do solo urbano e a alta especulação imobiliária. Buscam-se territórios que ofereçam vantagens econômicas e estejam diretamente relacionados à dinâmica do pólo principal.

A conurbação também pode ter como conseqüência a segregação espacial, ocorrendo a divisão de porções do território entre classes sociais mais favorecidas e classes menos favorecidas. Esta segregação também é ditada pela especulação imobiliária, que valoriza o solo urbano, dotando algumas porções com funções específicas.


Figura 02. Ocupação irregular na RMC, próximo às margens do Rio Atuba.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br

No Paraná, os processos de industrialização e urbanização ocorreram a partir de ciclos econômicos. Cada ciclo gera migrações de pessoas buscando trabalho. Destacam-se ciclos como o do café, responsável por grande parte da ocupação do norte paranaense, com ligação à economia paulista. A migração para a região norte (principalmente Norte Novo) tem grande crescimento com a criação da Companhia de Terras Norte do Paraná, que em 1927 comprou alqueires do Estado, e vendeu lotes de terras para pequenos e médios produtores.

O ciclo do café foi sucedido pelo cultivo da soja, que trouxe mudanças na base da economia do Paraná.

Inicialmente a economia paranaense estava voltada para a agricultura tradicional (com exemplo do cultivo do mate, café e extração madeireira). Com a implementação da cultura de soja no Estado, ocorre a modernização das bases da produção agrícola. A partir desta modernização, têm-se o êxodo rural, pois o numero de mão de obra necessária para trabalho no campo diminui; assim como pequenos e médios proprietários de terra não conseguem acompanhar a modernização da produção agrícola.

Estas mudanças ocorrem principalmente a partir dos anos de 1970, quando a dinâmica de ocupação dos territórios passa a ser orientado pelo desenvolvimento industrial, e não mais por ciclos da agricultura.

Em 1973 começa a ser implementada a Cidade Industrial de Curitiba (CIC), projeto pertencente ao Plano Diretor de Curitiba, criado em 1966 com o objetivo de organizar a ocupação da malha urbana da região. Porém, cabe ressaltar que em 1943 já existia um plano voltado para a organização e zoneamento do uso do solo em Curitiba, o Plano Agache.
Com a definição de uma parte do território de Curitiba voltado para a ocupação industrial, foram vendidos terrenos à empresas e industrias, que se instalavam com grandes incentivos fiscais, como a isenção de alguns impostos. Esta tendência também ocorre nos demais municípios próximos a Curitiba, que para atrair investimentos privados para seus territórios, aderem a uma política de grandes incentivos fiscais, favorecendo os interesses do capital. Destaca-se a instalação de multinacionais, principalmente as montadoras de automóveis.

Figura 03. Complexo Ayrton Senna, montadoras Renault e Nissan,
em São José dos Pinhais. Fonte: www.carplace.virgula.uol.com.br

Todos esses processos contribuem para a formação da Região Metropolitana de Curitiba, que é criada oficialmente em 1973, com 14 municípios. A partir dos anos de 1990 ocorrem desmembramentos municipais, e outras cidades passam a fazer parte da RMC, que atualmente é composta por 29 municípios, com população total de 3.223.836 habitantes (IBGE, 2006 in MOURA, 2009). 



Dentre os 29 municípios, aqueles com maior população são Curitiba (1.848.946 habitantes), São José dos Pinhais (287.792 habitantes), Colombo (227.220 habitantes) e Araucária (129.209 habitantes) (IBGE, 2010); sendo Curitiba, São José dos Pinhais e Araucária os municípios com as maiores taxas de participação no PIB estadual (IBGE, IPARDES, 2011).


REFERÊNCIAS

MOURA, Rosa. Arranjos urbano-regionais no Brasil: uma análise com foco em Curitiba. Curitiba, 2009. Disponível em: <http://www.ipardes.pr.gov.br/biblioteca/docs/Rosa_Moura_doutorado.pdf>. Acesso em: Abril - 2014.

COMEC – Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba.
<http://www.comec.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=30>. Acesso em: Abril – 2014.

IPARDES – Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social.
<http://www.ipardes.gov.br/index.php?pg_conteudo=1&cod_conteudo=1>. Acesso em: Abril – 2014.


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