sexta-feira, 2 de maio de 2014

EGITO ANTIGO - SEGUNDA PARTE: A PRIMEIRA BATALHA REGISTRADA

Por: Tiago Henrique Da Luz


Figura 01 - Relevo em Karnak, Tutmés III executa prisioneiros da Batalha de Megido. 
Fonte: wikipedia.org

Seguindo-se ao período relativamente pacífico sob a administração da faraó Hatshepsout, o governo de seu sobrinho Tutmés III (1504-1450 a.C.) foi constantemente agitado pelas campanhas militares empreendidas pelo novo soberano. De fato, ele teria conduzido suas tropas quase todos os anos, ao longo de 20 anos, rumo às fronteiras orientais dos domínios egípcios, no norte da atual Palestina. O escriba Tjaneni o acompanharia durante todo este percurso, fazendo anotações dos acontecimentos, para que fossem registrados definitivamente em inscrições no templo de Karnak.

Chegando àquela região, onde estavam organizados vários inimigos do Egito sob o comando dos hicsos, o faraó se deparou com três caminhos possíveis, optando pelo mais difícil – a marcha de aproximação teria durado três dias, tendo o último deles sendo gasto para atravessar uma passagem com “menos de duas bigas de largura” (KEEGAN, p. 192).

Figura 02 - Ilustração a partir do relevo no Templo em Tebas, mostrando Ramsés II em batalha sobre biga.
 Fonte: wikipedia.org
Essa é uma observação interessante, afinal a biga era uma das armas mais importantes e decisivas nos combates daquele período, e exigia grandes áreas planas para sua mobilidade Isso tornava este caminho uma escolha bastante arriscada: a tentativa de ataque repentino poderia resultar numa surpresa bastante desagradável para os próprios egípcios. Tendo acampado durante a noite na planície próxima à cidade de Megido, o faraó reuniu suas tropas para o confronto. Os inimigos também avançaram mas, vendo a extensão das linhas egípcias, o pânico os faz recuar para a proteção das próprias muralhas. Tutmés ordena que suas tropas ataquem os fugitivos, mas “os soldados param no meio do caminho para saquear o acampamento abandonado do inimigo” (KEEGAN, p. 192). 
Apesar de os egípcios se apoderarem de diversos carros de guerra, milhares de cavalos e centenas de armaduras de bronze inimigas, apenas “83 defensores de Megido foram mortos e 340 foram feridos”, exigindo que os egípcios sitiassem a cidade, para impedi-la de receber suprimentos de fora. Ainda assim, essa operação de cerco durou sete meses, até que os reis sitiados se rendessem (KEEGAN, p. 193).
Pouco tempo mais tarde, o soberano egípcio avança para oeste, submetendo o rei de Kadesh, impondo a força egípcia de tal forma na região que outros povos decidem lhe pagar tributos, dentre eles os assírios, os babilônios e os hititas. A seguir, o faraó derrota o rei de Mitani, aliado do rei de Kadesh.
Tutmés III teria levado as fronteiras ainda mais para o leste, mas a região permaneceria como palco de conflitos por muito tempo, sendo que dois séculos mais tarde, no ano de 1294 a.C., o faraó Ramsés II tornaria a enfrentar os hititas em Kadesh, próximo ao rio Oronte.
A batalha de Megido é um marco muito importante para os historiadores, pois seu relato é rico em detalhes e nos permite compreender qual o papel da força das armas na afirmação do poderio egípcio em territórios e sobre povos distantes. É considerada a primeira batalha documentada da história, já que é possível “datá-la, situar seu local, identificar seus combatentes, e seguir seu desenrolar” (KEEGAN, p. 192).

PARA SABER MAIS

Museu Egípcio e Rosacruz em Curitiba, clique aqui

REFERÊNCIAS

BRISSAUD, Jean-Marc. O Egito dos faraós. Tradução de Luiza Tertulino Vieira. Rio de Janeiro: Otto Pierre, 1978.

FERREIRA, L. S. Cronologias – Dinastias. Disponível em: <http://antigoegito.org/cronologia-dinastias/>. Acesso em: Março 2014.

FUNARI, P. P. A., Org; GLAYDSON, J., Org,; MARTINS, A. L., Org. História Antiga: Contribuições Brasileiras. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2008

KEEGAN, John. Uma história da guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.


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