quinta-feira, 29 de maio de 2014

EXTRA! EXTRA! GARANTA JÁ SUA ÁGUA RADIOATIVA.

Por: Letícia Patricio Christopholi


E a história começa por volta do ano de 1895, quando Wilhelm Conrad Roentgen se encontra ocupado e muito atento diante de um Tubo de Crookes (tubo, geralmente de vidro, dentro do qual se faz vácuo, com a finalidade de analisar fenômenos físicos da condutividade elétrica), quando de repente seu servente chama sua atenção para uma tela. Era uma placa coberta por Platinocianeto de Bário em que ele observou luminosidade devido a fluorescência do material, e mesmo virando a placa para o lado contrário, continuou a observar o fenômeno. Foi então que resolveu colocar a sua mão entre a placa e o tubo e, surpreendentemente, viu seus ossos projetados naquela tela! E assim finalmente fora descoberto o Raio X.

A descoberta do Raio X desencadeou uma onda fantástica de estudos nos levando a descoberta da radioatividade e, apesar de Antoine Becquerel ganhar destaque pela mesma, na verdade ele apenas repetiu alguns experimentos antes realizados por outros cientistas que procuravam relação entre o Raio X e a fosforescia, no caso de Becquerel, especificamente do urânio. Por conseguinte, outros cientistas passaram a estudar os Raios de Becquerel, Marie Curie foi um deles. A ideia de Marie era localizar outros materiais que emitissem o mesmo tipo de radiação que o urânio, o primeiro elemento foi o Tório, descoberto juntamente com outro cientista, e os próximos foram o Polônio e o Rádio, descobertos com seu marido Pierre Curie. Marie acabou por descobrir que este fenômeno ocorria com outros materiais e lhe deu o nome de "radioatividade".

Diante de todas as descobertas e de tanto artigos publicados, a sociedade ficou atônita, os meios de comunicação espalhavam a notícia da descoberta da radioatividade, destacando o novo elemento Rádio e suas possíveis aplicações comerciais. Como era algo novo, não se tinha o conhecimento necessário para saber os efeitos do uso destes elementos radioativos.

Figura 01 – Propaganda de água radioativa.  
Fonte: http://restosdecoleccao.blogspot.com.br/
Um dos absurdos comerciais resultantes dessa descoberta foi a venda de água radioativa, além de filtros e talhas que prometiam proporcionar radioatividade à água. Tudo começou com a publicação de um artigo por Joseph John Thompson, relatando a presença de radioatividade em águas medicinais que eram provenientes das rochas por onde a água passava, encontrada em Spas e centros de tratamento

Pelo fato de algumas pessoas não terem acesso a esses lugares uma das opções seria água engarrafada, o problema é que a água logo perdia sua propriedade terapêutica devido a desintegração do Radônio e por isso começaram com a venda de talhas e filtros que deveriam garantir a radioatividade da água. A justificativa utilizada era que a água era "desnaturada" por causa do processo de tratamento, os produtos oferecidos, então, restaurariam as suas propriedades terapêuticas. Os benefícios prometidos eram: aumento do número de hemácias, eliminação de venenos do sangue e uma melhor digestão dos alimentos (Mcklis,1990 apud Lima, 2011). 




Além da água, medicamentos, produtos de beleza, dentre outros produtos, foram comercializados. Alguns exemplos se encontram na tabela 01:

Tabela 01 – Tabela de Produtos com Radioatividade adicionada
Fonte: Sociedade Brasileira de 
Química


REFERÊNCIAS:


LIMA, Rodrigo da Silva. O despertar da Radioatividade ao alvorecer do século XX. Disponível em: http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc33_2/04-HQ10509.pdf. Acesso em: 2014.

UFRGS. A descoberta da Radioatividade. Disponível em:
http://www.if.ufrgs.br/tex/fis142/fismod/mod06/m_s02.html. Acesso em 2014.

UFRGS. A descoberta do Raio X. Disponível em: 
http://www.if.ufrgs.br/tex/fis142/fismod/mod06/m_s01.html. Acesso em 2014.

RESTOS DE COLEÇÃO. Águas das pedras salgadas de Vidago.
Disponível em :http://restosdecoleccao.blogspot.com.br/2010/07/aguas-das-pedras-salgadas-e-de-vidago.html. Acesso em: 2014.
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