domingo, 18 de maio de 2014

TRANSPORTE NO CONTINENTE AFRICANO

Por: Marcelo Domingos Leal


Figura 01 – Sistema Transporte Africano:
Fonte: http://upload.wikimedia.org
Quando pensamos em transporte para ligar um imenso continente como o africano, logo imaginamos trens (bala ou convencional), um belo transporte marítimo, estradas cortando todo o continente e aeroportos grandes e eficientes. Porém, esta não é a realidade do continente mais pobre (não de recursos, mas de investimentos) do planeta. Na África, o transporte é voltado basicamente para a indústria e o comércio, sendo que o transporte público voltado para trabalho ou lazer praticamente não existe, e esta situação agrava mais a precária situação econômica do continente.

INDÚSTRIA E TRANSPORTE

Como o transporte no continente africano está ligado diretamente ao setor industrial e de exportação, não podemos deixar de falar da indústria africana antes de falar no transporte. Todos os países do continente, exceto a África do Sul, fazem parte do Terceiro Mundo, exibem os mesmos problemas que caracterizam os integrantes desse bloco, agravados ainda pelo fato de que em boa parte da África a descolonização ocorreu recentemente.

A indústria africana é uma das mais pobres do mundo, e sua participação na economia do continente se limita a cerca de 26% do PIB, sendo que o setor mais proeminente é o da mineração. Mesmo a grande variedade de matérias-primas, sobretudo minerais, que poderia ser utilizada para promover a indústria africana, é destinada basicamente ao mercado externo.

Atuando nesse panorama, as modestas indústrias africanas dedicam-se, em geral, ao beneficiamento de matérias-primas, como madeiras, óleos comestíveis, açúcar e algodão, ou ao beneficiamento de minérios para exportação. As poucas cidades que apresentam algumas indústrias estão quase sempre no litoral.

As indústrias têxteis e alimentícias, voltadas para o mercado interno, encontram-se em todos os países do continente, enquanto na África do Sul, no Egito e na República Democrática do Congo estão instaladas as principais indústrias de base (siderúrgicas, metalúrgicas, usinas hidrelétricas etc.). Essa circunstância justifica o fato de a África do Sul e o Egito serem os países mais industrializados do continente.

Agora, o sistema de transporte. Este é bastante precário, e constitui um entrave ao desenvolvimento industrial. Este sistema foi implantado pelos colonizadores, e tinha como principal finalidade possibilitar o escoamento de matérias-primas e gêneros agrícolas para os portos marítimos, de onde os produtos seguiam para as metrópoles européias e americanas. Por isso, hoje a África ressente-se da falta de uma rede rodoviária e ferroviária que interligue de forma eficaz suas regiões.

O transporte mais utilizado pela população em geral, é o aéreo, e isto se dá pelo simples fato das distâncias serem exorbitantes, e de que não existem outras formas eficientes de transporte para cobrir estas distâncias. Mas o sistema aéreo africano ainda conta com uma série de problemas, como má gestão dos aeroportos, ou a precariedade dos mesmos, falta de opções de rotas para dentro do continente (a  Europa ainda é o principal destino dos voos e concentra 56% do tráfego aéreo), além da falta de segurança em algumas regiões apontada por alguns especialistas. Apesar dos problemas, a percentagem de acidentes aéreos no continente diminuiu nos últimos anos, tendo passado de 15.68%, em 2010, para 6.17% em 2011, e vem caindo continuadamente.

A respeito do sistema ferroviário, foi implantado na época da colonização do continente pelos europeus, e tinha como principal objetivo escoar matéria-prima (carvão, minerais, madeira, produtos agrícolas, etc...) para os portos. Grande parte das linhas de trem estão próximas ao litoral, demonstrando ainda mais sua vocação para o tráfego de mercadorias aos portos. No interior do continente encontram-se poucas opções para este tipo de transporte, e então viagens a lazer ou mesmo a trabalho entre estados e países, tornan-se difíceis de serem realizadas. Além disso, este sistema conta com mais de 100 anos de operação, pois como já escrito, foi implantado ainda na época da colonização.

O sistema rodoviário é um dos mais precários do continente, contando com poucas estradas para ligar os países, e consequentemente o continente. Um dos motivos da não utilização deste meio de transporte pelos africanos, além da falta de estradas, é o valor dos automóveis, que são muito caros e fora dos padrões de grande parte da população. As poucas estradas que existem ligam quase que exclusivamente as regiões produtoras e fornecedoras de matéria prima aos portos.

Porém, atualmente um grande plano vida mudar esta situação, pelo menos no quesito transporte rodoviário. A Rede Rodoviária Transafricana (figura 02 abaixo) visa ser um conjunto de projetos rodoviários transcontinentais que estão sendo desenvolvidos pela Comissão Econômica da ONU para a África (UNECA), o Banco Africano de Desenvolvimento, e a União Africana em conjunto com comunidades internacionais regionais, como a União do Magreb Árabe, a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental e a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral. Esta infraestrutura rodoviária visa promover o comércio e diminuir a pobreza na África, mediante o desenvolvimento da infraestrutura das rodovias e a administração de corredores comerciais inter-africanos. O comprimento total das nove rodovias compreendidas na rede será de 5.668,30 km, e esta rede como está planeada conectará todas as nações do continente africano, com as exceções de Eritreia, Somália, Guiné Equatorial, Malauí, Lesoto e Suazilândia. Destes países, Malauí, Lesoto e Suazilândia contam com caminhos pavimentados que se conectam com a rede transafricana.

O sistema hidroviário africano conta com grande tráfego de navios de portos para portos, localizados nos Oceanos Atlântico e Índico, porém com pouca infraestrutura no que diz respeito ao transporte por rios, e isso devido a geografia do continente. O relevo africano caracteriza-se pelo predomínio de grandes tabuleiros, ou seja, praticamente todo o continente é composto por planaltos bastante planos. Sendo assim, a maioria dos rios africanos percorre área planálticas, ganhando assim velocidade nos aclives do terreno, impossibilitando a implantação de um sistema hidroviário continental eficiente. Além desta situação, a África conta com grandes áreas desérticas, e consequentemente poucos rios, sendo que os que existem são mais apropriados para a construção de hidroelétricas do que para transporte.

Então, apesar de existir um sistema de transporte pelos oceanos, este dedicasse quase que exclusivamente à exportação, sendo que o transporte de passageiros é quase inexistente.


Figura 02 – Rede Rodoviária Transafricana - Fonte: http://upload.wikimedia.org

REFERÊNCIAS

África – Geografia Humana: População, Organização Social, Economia, Indústria e Transporte. Acesso em: 2014. Disponível em: http://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/africa---geografia-humana-populacao-organizacao-social-economia-industria-e-transportes.htm

Jornal Economia e Finanças – Investimento nos Transportes é Desafio dos Países Africanos. Acesso em: 2014. Disponível em: http://jornaldeeconomia.sapo.ao/infraestrutura/investimento-nos-transportes-e-desafio-dos-paises-africanos

ANG Notícias. Africanos Preocupados com Segurança da Aviação Civil. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.angonoticias.com/Artigos/item/35269/africanos-preocupados-com-seguranca-da-aviacao-civil

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3 comentários:

  1. então ok so queria sabe isso, gostei muito mesmo do texto os transportes e a vida nos africanos na africa nunca foi facil uma crueldade bastante triste de acompanhar

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  2. Agradeço imenso pelo texto. Ajudou me muito na percepção do sistema de transportes em África. Ele ainda é pedra no sapato!

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