domingo, 30 de novembro de 2014

DINOSSAUROS: SENHORES DO MESOZÓICO ESPÉCIE DO MÊS: GONDWANATITAN


Por: Marcelo Domingos Leal

Figura 01 – Gondwanatitan faustoi. Fonte: http://th03.deviantart.net/

O Gondwanatitan faustoi tem seu nome derivado do grande continente Gondwana, que daria origem a áreas do planeta hoje conhecidas como América do Sul, África, Austrália e Índia. O epíteto titan, está relacionado ao tamanho do animal, uma menção aos gigantes da mitologia grega, apesar de não ser o maior do gênero, e estar muito longe dos maiores Saurópodes conhecidos. O nome faustoi é uma homenagem ao paleontólogo que o coletou, Fausto L. de Souza Cunha do Museu Nacional do Rio de Janeiro, juntamente com José Soares da Universidade Paulista.

Esta espécie foi descoberta em 1983, em uma fazenda, por um agricultor chamado Myzobuchi Yoshitoshino Mysobuchi, no interior de São Paulo, na cidade de Álvares Machado. Era uma manhã como outra qualquer na fazenda do Sr. Mzobuchi, onde o mesmo estava a lavrar a terra para o plantio de macaxeira, feijão e milho, quando se deparou com uma ossada muito diferente das quais ele já tinha observado antes. Eram ossos de tamanho e formato diferentes, e embora não pudessem supor, tinham realizado a descoberta de um dos maiores dinossauros brasileiros.

Seus fragmentos foram coletados em uma fazenda na cidade de Álvares Machado, no interior do Estado de São Paulo, na bacia sedimentar denominada de Bacia Bauru, provavelmente na formação Adamantina. A ossada deste grande dinossauro está hoje armazenada no Museu Nacional do Rio de Janeiro, ainda em fase de estudos, e apesar de ter sido coletado por completo em meados de 1986, o fóssil só foi descrito cientificamente pelos pesquisadores do Museu Nacional, Alexander Kellner e Sérgio Alex de Azevedo, a partir de sua “redescoberta” no acervo do mesmo em 1996. Os ossos ainda continham sedimentos, e a retirada destes levou em torno de um ano, quando enfim os paleontólogos e a equipe do Museu desconfiaram que estavam prestes a comunicar à comunidade científica internacional a descoberta de um novo dinossauro. Em sigilo, passaram a compará-lo aos fósseis de 15 diferentes herbívoros encontrados na Argentina e também a restos de titanossauros brasileiros. Seus traços anatômicos foram comparados a ossos de dinossauros da Faculdade de Ciências Naturais de Tucumán, do Museu de La Plata e do Museu Argentino de Ciências Naturais, em Buenos Aires. A conclusão foi surpreendente: "Descobrimos que Titã apresenta alguns traços inexistentes em qualquer outro dinossauro herbívoro conhecido, tanto na Argentina, quanto em qualquer outra parte do mundo", conta Kellner. Em escala mundial, o trabalho de descrição da espécie está sendo divulgado pela revista de paleontologia do Museu Nacional de Ciências de Tóquio.

Para a identificação desta nova espécie os paleontólogos contaram com 24 vértebras da cauda, púbis, úmeros, tíbias, ossos das patas traseiras, várias costelas, vértebras do pescoço e outras partes do corpo. "É o mais completo esqueleto de um dinossauro encontrado no Brasil até o momento", anunciou Kellner. Como todos os outros dinossauros, o Gondwanatitan viveu na Era Mesozóica, mas em um período chamado de Cretáceo Inferior, a cerca de 93 milhões de anos atrás.

O Gondwanatitan pertencia a uma classe de dinossauros denominada Saurópodes (os famosos dinossauros pescoçudos), e parentes próximos dos Terápodes. Os Saurópodes possuíam características como pescoço alongado, cabeça pequena, corpo volumoso e cauda longa, além da garra no polegar das patas dianteiras. Era uma espécie de porte pequeno, se comparado com outros Saurópodes, com cerca de 8 m de comprimento, por até 2 m de altura, e uma massa de aproximadamente 10 toneladas. O Titã possuía um caminhar arrastado como os elefantes, ele se deslocava em grandes manadas, trilhando caminhos à beira de lagos, alagados e vales de rios, muito comuns na região central do Brasil pré-histórico.  Apesar de ser um parente próximo dos Terápodes (carnívoros), era um dinossauro essencialmente herbívoro, então seus hábitos alimentares incluíam a ingestão de folhas, principalmente de gimnospermas, as espécies dominantes na época.


PARA SABER MAIS:


ANELLI, L. E. O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil. Ilustrações de Felipe Alves Elias. São Paulo: Peirópolis, 2010.

Museu Nacional UFRJ. Dinos Virtuais – Gondwanatitan faustoi. Disponível em: http://www.latec.ufrj.br/dinosvirtuais/catalogo/gondwanatitan_faustoi.html

REFERÊNCIAS

ANELLI, L. E. O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil. Ilustrações de Felipe Alves Elias. São Paulo: Peirópolis, 2010.

LEAL, M. D. Apostila Procurando os Dinossauros. Pinhais: PNFM, 2007.

Museu Nacional UFRJ. Dinos Virtuais – Exposição de Paleovertebtrados. Gondwanatitan faustoi. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.latec.ufrj.br/dinosvirtuais/catalogo/gondwanatitan_faustoi.html

Fundação Oswaldo Cruz – FioCrus INVIVO. Gondwanatitan – um gigante herbívoro. Acesso em 2014. Disponível em: http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=23&sid=9
Folha de São Paulo.  Dinos: Gondwanatitan viveu no Sudeste brasileiro. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u14224.shtml

Galileu. Titã: Um novo dinossauro é descoberto no Brasil. Acesso em: 2014. Disponível em: http://galileu.globo.com/edic/100/con_dino1.htm

Share:

0 comentários:

Postar um comentário