segunda-feira, 24 de novembro de 2014

EBOLA: DE ONDE VEM E COMO TRATAR UMA DOENÇA QUE MATA ATÉ 90% DOS PACIENTES


Marcelo Domingos Leal
OUTUBRO 2014, PINHAIS-PR


Figura 01 – Virion do Vírus Ebola. Fonte: www.news-medical.net

 A HISTÓRIA DO VÍRUS EBOLA

A primeira vez que o vírus Ebola surgiu foi em 1976, em surtos simultâneos em Nzara, no Sudão, e em Yambuku, na República Democrática do Congo, em uma região situada próximo do Rio Ebola, que dá nome à doença. O ebola foi descoberto em 1976 por uma equipe comandada por Guido van Der Groen, chefe do laboratório de Microbiologia do Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia, na Bélgica, que juntamente com seu colega Peter Piot foi o primeiro a identificar o vírus em um missionário que trabalhava no Zaire.

A Primeira evidência de que o vírus Ebola tenha causado um surto, ocorreu em 1976, no Zaire (hoje República Democrática do Congo), onde 318 pessoas foram acometidas por uma doença hemorrágica. Das 318, cerca de 280 pessoas morreram, ou seja, uma taxa de mortalidade acima dos 80%. Um fato muito grave. No mesmo ano no território sudanês, 284 pessoas também foram infectadas com o vírus e 156 morreram. Mais uma vez uma taxa de mortalidade alta, acima de 50%.

Hoje, existem cinco espécies do vírus Ebola, e seus nomes são indicações dos locais de origem destes: Bundibugyo (cidade a oeste de Uganda), Costa do Marfim, Reston (Estado de Vírginia, EUA – o Reston é uma mutação do vírus descoberta nos laboratórios deste estado norte-americano), Sudão e Zaire. Destas cinco cepas, apenas quatro tem mortes confirmadas em seres humanos, e a cepa Reston, o vírus mutante, mesmo que possa infectar humanos, até hoje não causou óbito a nenhum paciente.


 HOSPEDEIROS NATURAIS

Considera-se como hospedeiro, o homem ou outro animal vivo, inclusive aves e artrópodes, que ofereçam, em condições naturais, subsistência ou alojamento a um agente infeccioso. No caso do vírus Ebola, acredita-se que o hospedeiro natural da cepa sejam morcegos frugívoros, como o Hypsignathus monstrosus, Epomops franqueti e o Myonycteris torquata. Mas não apenas morcegos podem ser os hospedeiros naturais do vírus, e estudos vêm considerando plantas, artrópodes, aves, primatas e antílopes como possíveis alojamentos para o Ebola.

Na época de sua descoberta em 1976, por Guido van Der Groen, o vírus foi rastreado até uma fábrica de algodão, que coincidentemente era o habitat de vários espécimes de morcegos frugívoros. Testes em morcegos da região da República Democrática do Congo confirmaram que estes são os portadores naturais do vírus, e a ausência de sinais clínicos das espécies os denuncia como reservatórios naturais. Mas não apenas na África foram encontrados morcegos como hospedeiros. Em Bangladesh morcegos examinados carregavam anticorpos contra o Ebola Zaire e o Reston, identificando-se assim potenciais hospedeiros na Ásia. 

Durante os surtos de 2001 (Gabão e Uganda) e 2003 (Congo) foram detectados vestígios do Ebola nas carcaças de gorilas e chimpanzés, que mais tarde se tornaram a fonte de infecções em seres humanos. Mas este dado não representa que estes animais como os morcegos sejam os hospedeiros, e sim que foram também infectados.

Geralmente, a transmissão entre o reservatório natural e os seres humanos é rara, e em cada surto é possível identificar o caso de origem. No caso de 2001 e 2003 citados acima, carcaças de gorilas, chimpanzés e antílopes (como os duikers) foram a origem do surto. O contágio destes animais pode ter se dado a partir da ingestão de frutas parcialmente ingeridas por morcegos. Ao estarem contaminados com cepas do vírus, estes animais vieram a falecer e humanos podem ter entrado em contato com seus fluidos corporais. Esta cadeia de eventos constitui um possível meio de transmissão indireta entre o hospedeiro natural e as populações animais e humanos, e a investigação tem focado na saliva dos morcegos frugívoros.

Porém o contato inicial com a doença, na década de 70, possa ter sido através dos morcegos frugívoros, que servem de alimento em muitas regiões da África Ocidental, onde são grelhados, cozidos, assados e preparados como sopa.


TRANSMISSÃO

O Ebola pode ser contraído tanto de humanos como de animais (chimpanzés, gorilas, morcegos frugívoros, macacos, antílopes selvagens e porcos-espinhos contaminados encontrados mortos ou doentes), através do contato com sangue, secreções ou outros fluídos corporais. Não há possibilidade de o vírus ser contraído pelo ar, como muitos veiculam em sites e blogs sensacionalistas, a transmissão como descrito acima é apenas através dos fluidos corporais.

Agentes de saúde frequentemente são infectados enquanto tratam pacientes com Ebola. Isso pode ocorrer devido ao contato sem o uso de luvas, máscaras ou óculos de proteção apropriados, caracterizando assim a transmissão por fluidos corporais.

Outra fonte de contaminação são os enterros das vítimas do vírus, onde os familiares ou pessoas que venham a preparar os corpos para os rituais fúnebres, tenham tido contato direto com o corpo. Além disso, a transmissão por meio de sêmen infectado pode ocorrer até sete semanas após a recuperação clínica.


SINTOMAS E TRATAMENTO

Apesar de ser uma doença extremamente grave, e quase sempre fatal, o vírus Ebola pode ser confundido com uma simples gripe ou um resfriado, pois seus sintomas iniciais são febre, dor de cabeça, mal-estar geral, cansaço e dor de garganta. Esta confusão está relacionada ao seu período de incubação, que dura de 2 a 21 dias, conforme o paciente. Depois de passado o tempo de incubação, surgem outros sintomas como:

Náuseas;

Tosse;

Vômito frequente, que pode conter sangue;

Diarréia frequente,que pode conter sangue;

Dor no peito e no estômago;

Insuficiência renal e hepática;

Hemorragia interna, que se manifesta através de sangramentos nos olhos, nariz, gengiva, ouvido e partes íntimas; 

Na fase mais grave da doença podem aparecer manchas e bolhas de sangue na pele, em vários locais do corpo.

Quando existe suspeita de infecção pelo Ebola, o indivíduo deve ser mantido sob observação e a sua temperatura corporal deve ser avaliada, no mínimo, 4 vezes ao dia, durante 21 dias. Se nesse período apresentar febre superior a 38,3º, deve-se realizar testes para confirmar a infecção pelo Ebola.

Não existe um tratamento para o vírus, que pode infectar adultos e crianças sem distinção, o que dificulta e muito o tratamento. Não existe também uma vacina contra a doença, mas já foi testada uma fórmula em macacos, morcegos e porcos-espinhos que mostrou resultados positivos nesses animais.

O único recurso terapêutico contra o Ebola é oferecer medidas de suporte, como reposição de fluidos e eletrólitos, hidratação, controle da pressão arterial e dos níveis de oxigenação do sangue, além do tratamento das complicações infecciosas que possam surgir.


PARA SABER MAIS:

Médicos sem Fronteiras. Ebola. Disponível em: http://www.latec.ufrj.br/dinosvirtuais/catalogo/gondwanatitan_faustoi.html

REFERÊNCIAS

Médicos sem Fronteiras. Ebola. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.latec.ufrj.br/dinosvirtuais/catalogo/gondwanatitan_faustoi.html

DW – Deustche Welle. OMS afirma que vírus ebola já causou mais de 2.400 mortes. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.dw.de/oms-afirma-que-v%C3%ADrus-ebola-j%C3%A1-causou-mais-de-2400-mortes/a-17918872

BBC Brasil. Entenda o que é o Ebola, e como a doença mortal se espalha. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140805_ebola_entenda_lgb.shtml

FURB – Universidade de Blumenau. Hospedeiro. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.inf.furb.br/sias/saude/Textos/hospedeiro.htm

Dr. Draúzio. Ebola (Doenças e Sintomas). Acesso em: 2014. Disponível em: http://drauziovarella.com.br/letras/e/ebola/

Tua Saúde. Sintomas do Vírus Ebola. Acesso em 2014. Disponível em: http://www.tuasaude.com/sintomas-do-virus-ebola/

Revista Fórum Semanal. A PERTURBADORA VERDADE POR TRÁS DO SURTO DE EBOLA NA ÁFRICA. Acesso em: 2014. Disponível em: http://revistaforum.com.br/digital/143/perturbadora-verdade-por-tras-surto-de-ebola-na-africa/

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