sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O BELO


Por: Huellington Robert Vargas da Silva



Figura 1: Vênus de Willendorf

Fonte: Infoescola
Não há como dar uma definição exata do que é o belo. O homem é o único ser vivo capaz de experimentar emoções estéticas bem como compreender e apreciar o belo e as coisas belas. Na filosofia tem uma disciplina que estuda e se ocupa com a investigação deste tema, analisa os sentimentos por ele provocado.
Etimologicamente, estética vem do grego aesthesis, e designa conhecimento efetivado pelos sentidos, sensibilidade, experiência. Por esta razão o gosto é muito pessoal e muito se escuta falar: “Quem ama o feio, bonito lhe parece”.

Para Platão, a idéia de beleza é a mais evidente e aquela que mais atrai o homem. Por meio dela, do encantamento e do amor que ela produz, o homem se movimenta em busca do conhecimento das demais idéias... o belo é o bem, a verdade, a perfeição; existe em si mesma, apartada do mundo sensível, residindo, portanto, no mundo das idéias. Esta noção era vigente no Classicismo, que defendia a existência de uma idéia ou essência do belo. 
Para Aristóteles o belo é entendido como simetria, ordem e grandeza, coordenadas harmonicamente entre si.   O belo também é conceituado como manifestação da verdade.
Para Kant, não há idéia de belo, como defendia Platão. O belo é aquilo que agrada independentemente de qualquer interesse sensível ou racional, e o critério para se julgar algo pelo é o prazer que ele desperta.
Já antes de Cristo existia uma preocupação de conceder artisticamente esta simetria de forma matemática e lógica. Dois escultores gregos, Policleto e Lisipo, eram representantes desse estudo aprofundado de um padrão, o Cânone.  Cânone ou cânon é um termo que deriva da palavra gregakanon, que designa uma vara utilizada como instrumento de medida. Outro estudioso de uma medida perfeita foi Leonardo da Vinci com o Homem Vitruviano, “o conceito é considerado um cânone das proporções do corpo humano, segundo um determinado raciocínio matemático e baseando-se, em parte, na proporção áurea. Desta forma, o homem descrito por Vitrúvio apresenta-se como um modelo ideal para o ser humano, cujas proporções são perfeitas, segundo o ideal clássico de beleza“.
Hoje em dia a mídia tenta influenciar-nos pelo bombardeamento de imagens de uma beleza que é sinônimo de “felicidade”. Este modelo de Belo construído muitas vezes cria uma busca incessante pela beleza externa, gera uma autocrítica resultando em depressões, pré-julgamentos ou julgamentos. São frutos dessa busca de beleza: o bullying (assedio físico ou psicológico), bulimia (comer em excesso e reações inadequadas para evitar ganho de peso, tais como indução de vômitos, uso de laxativos e diuréticos, jejum prolongado e prática exaustiva de atividade física), Aneroxia (medo de ganhar peso). Há também o Narcisista (Narciso, personagem da mitologia grega, que definhou-se na beira de um lago, pois estava admirado, apaixonado por sua própria imagem). O ato de não se amar esta diretamente ligada à auto estima. 
Nas pinturas Renascentistas existe um retorno dos ideais das culturas clássicas greco-romana na arte. Assim sendo “os artistas do Renascimento não vêem mais o homem como simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus”. A figura humana com todo seu esplendor aparece muitas vezes desnuda. O corpo feminino como exemplo de sua representação, com formas mais volumosas. Demonstrando uma mulher que evitava pegar sol, praticar atividades físicas intensas, mas se alimentava bem. Assim como a Vênus de Willendorf, uma mulher com ancas largas, simbolizava uma excelente parideira, seios fartos para alimentar essa prole e fora do peso, para demonstrar uma “mulher forte” e saudável . Este era o ideal de beleza da época, porém, mesmo representadas desnudas, essas mulheres aparentavam uma ingenuidade e também uma sensualidade sem ser vulgar, assim como as pin-ups(década de 30 e 40).
O conceito de Beleza é muito pessoal e também sofre influências pela época, cultura, mídia, tendências, moda, local, praticidade, pessoas que nos são importantes, entre muitos outros motivos. 


Referências:

SOUZA, S. M. R. de. Um outro olhar: filosofia. São Paulo: FTD, 1995.

COLEÇÃO FOLHA. Grandes Mestres da Pintura: Leonardo Da Vinci. Coleção Folha de São Paulo. Org. Tradução Martín Ernesto Russo. Baueri, SP: Editorial Sol 90, 2007.

http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2none

http://drauziovarella.com.br/mulher-2/bulimia-nervosa/

http://www.minhavida.com.br/saude/temas/anorexia

http://www.girafamania.com.br/historia_arte/historia_arterenascentista.html




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