segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Segregação Urbana

Por: Aline Veiga

Figura 1: Ocupação irregular na cidade de São Paulo. 
Fonte: www.imagens.usp.br



Ao longo dos anos muitas cidades brasileiras tornaram-se pólos atrativos, em relação principalmente à oferta de trabalho, infraestrutura urbana, serviços e proximidade com lugares e regiões de importância econômica. É o caso, por exemplo, das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, importantes metrópoles do país.

Por oferecer vantagens em relação a outras localidades, muitas pessoas se deslocam em busca de melhores condições de vida. Mas nem sempre essa expectativa é atendida, o que acaba por gerar uma classe de excluídos dentro das cidades.

Apesar de estar inserida em um centro urbano, parte da população não usufrui dos direitos básicos que as cidades devem oferecer, como moradia adequada, saneamento, educação e áreas de lazer. O acesso a esses direitos é desigual, e acaba por se destinar àqueles que podem pagar para tê-los. Assim o território das cidades é divido em áreas destinadas a classes sociais distintas, ou seja, surgem bairros ricos e bairros pobres.

Figura 1: Vista do limite entre ocupação da Rocinha e bairro da Gávea, Rio de Janeiro – RJ. 
Fonte: GoogleEarth, 2009.

Áreas com mais infraestrutura são valorizadas, tornando-se caro a moradia nesses locais; assim como ocorre o desenvolvimento de infraestrutura em locais que passam a ser habitados por uma classe social mais favorecida. Escolas, hospitais, áreas de lazer, saneamento básico, são alguns dos itens que fazem o solo urbano se tornar uma mercadoria, disponível para poucos.

O processo de divisão territorial dentro de uma cidade, a partir de diferenciações sociais é chamado de segregação urbana, evidenciado pelo modo desigual com que as sociedades se organizam. Por muito tempo este termo esteve relacionado às periferias, que aglomeravam as classes mais pobres ao entorno dos grandes centros urbanos. Atualmente há uma modificação dessa tendência e “centro” e “periferia” tornaram-se geograficamente mais próximos.

Figura 03 Edifício de luxo localizado ao lado da comunidade de Paraisópolis, na cidade de São Paulo – SP.
Fonte: GoogleEarth, 2008.


Um problema resultante desta separação dentro das cidades é a ocupação de áreas irregulares, principalmente aquelas destinadas à preservação ambiental, como encostas íngremes e áreas de mananciais. Não podendo pagar por um local adequado, parte de população instala-se irregularmente. Podemos tomar como exemplo a ocupação em áreas de mananciais, que pode gerar problemas para toda a sociedade, não apenas aos grupos que as ocupam, uma vez que são de grande importância para a manutenção de necessidades sociais básicas, como abastecimento público de água.

Mas se essa tendência de separação dentro de um mesmo território pode gerar tantos problemas sociais, por que as mantemos? Alguém se beneficia com essa divisão? Se pensarmos o solo urbano como uma mercadoria, que pode ser parcelado e vendido e é valorizado a partir de alguns instrumentos, podemos perceber que muitos setores se interessam por essa divisão, principalmente aqueles ligados ao mercado imobiliário.

Figura 04. Área do condomínio Alphaville, no município de Pinhais, 
em frente às ocupações Vila Zumbi e Vila Liberdade.
Fonte: Ritter, 2011.


REFERÊNCIAS:

MOREIRA, O. Cidade partida: segregação induzida e auto-segregação. Caminhos de Geografia, Uberlândia, v. 13, n. 33 mar/2010. Disponível em: <http://www.seer.ufu.br/index.php/caminhosdegeografia/article/view/15899> Acesso em: Nov. 2014.

RITTER, C. Os processos de periferização, desperiferização e reperiferização e as transformações socioespaciais no aglomerado metroplitano de Curitiba. Disponível em: <http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/handle/1884/26402/Tese%2026out.pdf?sequence=1> Acesso em: Nov. 2014.


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