quinta-feira, 16 de julho de 2015

MERCADO FINANCEIRO: BOLSA DE VALORES

Quando se trata de dinheiro todos possuem uma opinião: “invista em imóveis”; “não adianta comprar carro, pois desvaloriza”; “gosto de deixar o meu dinheiro na poupança”; “comprei ações da Petrobrás e me dei mal”. Carros, casas e poupança são formas de investimento bem conhecidos, mas e ações? Como entender estes índices e noticias sem fim sobre empresas e investimentos no jornal? Na verdade, o mercado de capitais, como é chamado quando se trabalha com valores mobiliários-ações, debentures, comercial papers, etc-, é de entendimento mais simples do que se espera. 

Para começar, vamos imaginar que possuímos uma empresa x. Esta empresa está indo de vento em popa, obtivemos lucros e estamos crescendo porém, gostaríamos de expandir nosso mercado e fazer novos investimentos com o intuito de crescer mais e, para isso, precisamos de 1 milhão de reais. 

Temos duas opções: a primeira é ir até um banco e pedir um empréstimo neste valor, a segunda é abrir nosso capital e vender ações na bolsa. Na primeira opção temos alguns problemas: como nossa empresa é nova, o banco cobra juros altíssimos para realizar este empréstimo (o valor dos juros aumenta ou diminui conforme o risco de crédito da operação, quanto maior o valor emprestado mais risco e, portanto, mais altos os juros cobrados). Então, como concretizar a segunda opção?

Quando uma empresa precisa de valores para investir diretamente com os chamados investidores, ela abre o seu capital e transforma dinheiro em pequenas cotas chamadas ações. Deste modo quando você adquire uma ação você está comprando parte de uma empresa e se torna sócio dela.

Figura 1: Ações e a empresa. 
Assim, a empresa abre o seu capital, ou seja, emite e vende ações na bolsa de valores. Desta forma, ela também se abre, tornando-se mais transparente para a sociedade e o mercado financeiro. Suas informações passam a ser públicas e de fácil acesso para todos.

Quando uma empresa coloca suas ações pela primeira vez no mercado ela esta fazendo um a IPO, initial public offfering, em português, uma oferta publica primária. Tal procedimento só é possível quando ela já for cadastrada na bolsa. Esta primeira venda de ações é feita no mercado primário, o investidor compra a ação e o dinheiro vai direto para o caixa da empresa. A qualquer momento o comprador pode revender suas ações para terceiros no mercado secundário da bolsa. Observando que estas só podem ser negociadas por meio de corretoras e distribuidoras de valores que, além de intermediar estas vendas, ainda orientam os investimentos de seus clientes. 

E a famosa bolsa de valores, em que entra nesta história? É na bolsa, que no Brasil se chama BM&F BOVESPA, que são realizados todos os negócios envolvendo ações, e é sua função fiscalizar e acompanhar todas as negociações realizadas.

Figura 2: Índice BOVESPA
Na bolsa também é calculado o índice Bovespa, aquele que você sempre escuta nos noticiários quando a bolsa brasileira fecha em alta ou em baixa. Este não é o único, mas é o principal índice. Ele serve para mostrar o desempenho médio do mercado de ações e faz isso por meio dos papéis mais negociados na bolsa, este conjunto ou carteira de ações é atualizado a cada quatro meses. Esta carteira engloba cerca de 80% de tudo que é negociado na bolsa diariamente. Portanto, quando o noticiário diz que a bolsa caiu, não quer dizer que todas as ações caíram, apenas que as negociações ficaram abaixo do índice do dia anterior. E vale o mesmo para o índice em alta, as empresas que compõe o índice tiveram uma valorização sobre o dia anterior.

Até aí tudo bem, mas como se ganha dinheiro na compra de ações? Quando uma pessoa adquire ações, ela pode ter rendimentos basicamente de duas formas: na valorização do preço do papel ou na distribuição de dividendos da empresa. Os dividendos são os lucros da empresa e são pagos em dinheiro na proporção do número de ações que cada investidor possui. Outra forma de distribuição dos lucros da empresa é a bonificação. Isto acontece quando o lucro da empresa é incorporado ao seu patrimônio, aumentando desta forma o capital e distribuindo novas ações aos seus sócios.

As ações podem ser de dois tipos: as ordinárias –ON que dão direito a voto em assembleias e distribuição de dividendos e as ações preferenciais –PN que dão prioridade no recebimento de dividendos. Por lei as empresas são obrigadas a distribuir o mínimo de 25% do lucro para os seus acionistas.

A valorização das ações para a venda depende do mercado e do desempenho de cada empresa. Se o cenário econômico é bom e a empresa tem um bom desempenho, suas ações se valorizam. Agora, se a economia vai mal e, com ela, a expectativa de desempenho da empresa diminui, as ações tendem a desvalorizar. Diante destas características, este mercado é considerado com risco para investidores mais conservadores e não é recomendado para aqueles que querem fazer investimentos de curto prazo. O mais indicado são investimentos de médio (de 5 a 10 anos) e longo prazo (acima de 10 anos). 

Diferente do que muitos pensam, a ação não é um patrimônio que pode sumir no espaço. O acionista só irá saber se ganhou ou perdeu dinheiro quando fizer a venda destas ações.

Portanto, o investimento na bolsa de valores não é complicado, basta procurar uma corretora ou distribuidora de sua preferência, a qual pode te dar uma analise de investimento adequada ao seu perfil e se manter bem informado para aproveitar no longo prazo os seus investimentos.

Por Wellington Schühli de Carvalho

REFERÊNCIAS

Banco central. Disponível em: http://www.bcb.gov.br/Pre/composicao/bmf.asp
Acesso: 09/05/2015.

BM&FBovesta. Disponível em: http://www.bmfbovespa.com.br/como-investir-na-bolsa.aspx?idioma=pt-br
Acesso em: 09/05/2015.

CVM. Disponível em: http://www.portaldoinvestidor.gov.br/menu/primeiros_passos/Investindo/quem_pode_ajudar_investir.html
Acesso em 09/05/2015
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