terça-feira, 17 de maio de 2016

Hecatombe nuclear - diante do risco: O Terrível Caso de Hiroshima/Nagasaki

Figura 01 – Sadako Sasaki e os tsurus pela paz.
Fonte: nebula.wsimg.com 
Prosseguindo nossa discussão acerca das formas de energia e seus impactos sobre o ambiente e saúde, vamos tratar hoje a respeito da energia nuclear com uma pequena introdução sobre sua descoberta e, em seguida, discutiremos o delicado assunto do efeito das bombas nucleares sobre o corpo humano. Ao final, sugestões de vídeos (atenção, cenas fortes).

FISSÃO NUCLEAR


A descoberta da fissão nuclear ocorreu em 1938 na Alemanha, mas vários cientistas haviam deixado este país na época, por causa do Partido Nazista, refugiando-se nos Estados Unidos da América.

Com receio que pesquisas sobre fissão nuclear dessem aos nazistas armas letais, cientistas nos EUA – principalmente o húngaro Leo Szilard (1898 – 1964) – conseguem, em outubro de 1939, apoio governamental para desenvolver suas pesquisas em energia nuclear. Até o fim da guerra, cerca de 2 bilhões de dólares foram gastos com o projeto Manhattan Engineering District, além de envolver o trabalho de aproximadamente 130 mil pessoas (sendo 21 premiados com o Nobel). A bomba atômica foi concluída em janeiro de 1945.

OS ALVOS E AS EXPLOSÕES

“Para que nunca mais se repita a hecatombe nuclear repleta de destruição, devastação, terror, dor e tristeza, é preciso rememorar o que aconteceu no Japão há 70 anos!” (EMICO, 2015).
“Não existe argumento mais forte em favor da paz, do que as imagens de Hiroshima devastada” - relatório de analistas militares (NATGEO, s.d.).

A primeira bomba, Little Boy (“Pequeno Garoto”) foi lançada pelo avião bombardeiro norte-americano B-29 Enola Gay (nome da mãe do piloto, coronel Paul Warfield Tibbets Jr.). Este avião foi escoltado por outras três aeronaves, equipadas com instrumentos de medição e fotografia. O avião não causou temor nas pessoas abaixo, acostumadas a grandes grupos de aviões bombardeiros sobrevoando a região; portanto, não fugiram para os abrigos subterrâneos.

Embora a defesa japonesa já estivesse bastante enfraquecida, a bomba de 50 quilos de urânio 235 foi lançada. Explodiu a 580 metros acima de Hiroshima, às 8h17min de 06 de agosto de 1945. Esta cidade foi escolhida por ser a única de importância industrial ainda atuante e sua população era, aproximadamente, de 350 mil pessoas (hoje possui cerca de 1,17 milhão de habitantes), dentre as quais, 85% eram civis. As condições climáticas também ajudaram na escolha da cidade como alvo da bomba.

Figura 02 – Hiroshima após a bomba atômica. Fonte: BBC.

A explosão se deu acima de um hospital, causando uma bola de fogo de cerca de 28 metros de diâmetro e liberando calor de 1.000.000° C, além de ventos de 1.500 km/h no local e onda dupla de choque, provocando a morte de aproximadamente 140.000 civis. O cogumelo atômico se ergueu a 16 quilômetros de altura, se alastrando por cinco quilômetros sobre a cidade.

“Num raio de 1 km, tudo foi instantaneamente vaporizado e reduzido a cinzas; até 4 km do epicentro os prédios e os seres humanos sofreram combustão instantânea e espontânea; num raio de 8 km, as pessoas sofreram queimaduras de 3º grau. (…) Dos 90 mil prédios da cidade, 62 mil foram completamente destruídos” (MOURÃO, 2005).

Três dias depois, o B-29 Bock´s Car lançou a bomba Fat man (“Homem Gordo”) sobre Nagasaki (cuja população era de 263 mil pessoas), levando à morte cerca de 70.000 civis. 

“[...] numa explosão nuclear pouca gente morre de radiação. A grande maioria das vítimas morre pelos efeitos do calor e da força dos ventos sobre as edificações da cidade” (HUKAI, 2013).

CONTAMINAÇÃO


Os sobreviventes ao momento da explosão sofreram com ferimentos devido aos estilhaços de vidro e com a síndrome aguda da radiação (queda de cabelo, manchas na pele, hemorragia, vômito, diarreia, inflamação, febre, leucemia, aterosclerose…). Minutos após a explosão, houve a Kuroi Ame, “chuva negra”, com poeira e fuligem contaminados que, segundo relatos, possuía água muito fria - apesar de estarem em pleno verão -, e contaminou pessoas, terra, rios e lagos da região. Outro fenômeno ocorrido foram as estranhas “sombras atômicas” deixadas pela energia ao atingir pessoas (cujos corpos não deixaram outros vestígios) e objetos. Mais de 90% dos médicos da cidade haviam morrido ou estavam muito feridos, impossibilitados de ajudar as outras vítimas. Dos 45 hospitais da cidade, somente três tinham condições de oferecer alguma ajuda.

Figura 03 – Nagasaki. Fonte: Japão em foco
Dias depois da rendição do Japão, o presidente dos EUA solicitou relatórios sobre os efeitos das bombas, recrutando cientistas, engenheiros e militares para a tarefa, a qual durou dez semanas.

Os sobreviventes da bomba, conhecidos como hibakusha, viveram sob a censura dos EUA e discriminação do restante da população pelo medo dos possíveis efeitos da bomba. De acordo com a Cruz Vermelha, mais de dez mil pessoas foram atendidas em 2015 ainda com sequelas da radiação e estão vivos 200 mil hibakusha, 106 deles atualmente no Brasil.

“Como qualquer ser humano, no início o que sentiam era ódio e vontade de vingança. Não mudaram de opinião facilmente. Mas com o tempo concluíram que continuar com ódio não faz sentido, que a paz é algo que cabe a cada ser humano, e querem dar seu testemunho para que nunca mais se repita um ataque nuclear”, narrou Yasuyoshi Komizo, da Fundação para a Cultura da Paz de Hiroshima (KIY, 2015).

OUTROS ATAQUES AO JAPÃO


Mas o Japão vinha tendo enormes baixas já há vários meses. O General americano Curtis Emerson LeMay (1906-1990) comandou ataques sobre 16 cidades japonesas, incluindo Tóquio. Como resultado, mais de 100.000 mortos na noite entre 09 e 10 de março de 1945.

Este General teria afirmado, após a guerra: "Acredito que se nós tivéssemos perdido a guerra eu teria sido enforcado como criminoso de guerra. Felizmente, estou do lado dos vencedores” (MOURÃO, 2005).

Figura 04 – Hiroshima hoje. Fonte: Japão em foco.

Brevemente, discutiremos os efeitos da energia nuclear sobre saúde e ambiente, nos eventos de Tchernobil, Fukushima e Goiânia.


PARA SABER MAIS

Animação da BBC, com entrevista a sobrevivente - https://www.youtube.com/watch?v=9iogzOuKmpQ


Hiroshima Depois da Bomba (cenas fortes) - https://www.youtube.com/watch?v=0eVahk6yW78

Os mangás/animes (quadrinhos/animações japonesas) Hadashi no Gen e Hotaru no Haka retratam a Segunda Guerra e citam as bombas lançadas no Japão. Hadashi no Gen, por exemplo, é a história do próprio autor, sobrevivente da bomba (Hibakusha).


Por Anelissa Carinne dos Santos Silva


REFERÊNCIAS


EMICO, O. As Bombas Atômicas Podem Dizimar a Humanidade – Hiroshima e Nagasaki, há 70 anos. Estud. av., vol.29, no.84, São Paulo, May/Aug. 2015. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142015000200209>. Acessado em Mar 2016.

EXAME. Cruz Vermelha Ainda Trata Vítimas da Bomba de Hiroshima. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/cruz-vermelha-ainda-trata-vitimas-da-bomba-de-hiroshima>. Acessado em Mar 2016.

HUKAI, R. Y. Lições do Japão Sobre Energia Nuclear. Estud. av. Vol. 27, no. 78. São Paulo, 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142013000200017&lang=pt>. Acessado em Mar 2016.

LIY, M V. Sobrevivente de Hiroshima: “Um exército de fantasmas veio até mim”. Disponível em: <http://brasil.elpais.com/brasil/2015/08/05/internacional/1438781224_790907.html>. Acessado em Mar 2016.

MOURÃO, R. R. F. Hiroshima e Nagazaki: razões para experimentar a nova arma. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-31662005000400011&lng=pt&nrm=iso>. Acessado em Mar 2016.

NATIONAL GEOGRAPHIC. Hiroshima Depois da Bomba. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=0eVahk6yW78>. Acessado em Mar 2016.

NIPPOBRASIL. 68 anos da bomba atômica no Japão. Disponível em: <http://www.nippo.com.br/4.hiroshima/index.shtml>. Acessado em Mar 2016.
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