quinta-feira, 24 de outubro de 2013

As crianças que realmente não querem aprender?

Por Evelise Gaio


Comumente pais e professores defrontam-se com a realidade de crianças que não conseguem, por algum motivo desconhecido, adquirir o conhecimento ou realizar determinadas atividades propostas, como ler, escrever e operações simples. Dentre os diversos fatores que proporcionam deficiências e dificuldades de aprendizagem, tratar-se-á dos transtornos de aprendizagem, que se diferenciam das dificuldades, uma vez que esta última caracteriza-se por deficiências físicas, emocionais e ambientais.

Gabbard (2009) aponta que transtornos de aprendizagem consistem em fracassos inesperados em áreas do conhecimento distintas, podendo ser transtornos da leitura, da expressão escrita e da matemática.

A expressão transtorno específico de aprendizagem significa distúrbio em um ou mais dos processos psicológicos básicos envolvidos na compreensão ou no uso da linguagem, falada ou escrita que pode se manifestar em uma capacidade imperfeita de ouvir, de falar, de ler, de escrever, de soletrar ou de efetuar cálculos matemáticos. A expressão compreende condições como deficiências perceptivas, lesões cerebrais, disfunções cerebrais mínimas, dislexia e afasia evolutiva. A expressão não compreende crianças com transtornos de aprendizagem que resultam principalmente de deficiências visuais, auditivas ou motoras, ou de retardo mental, ou de distúrbios emocionais, ou de desvantagens ambientais, culturais ou econômicas. (U.S. Office of Education, 1968, apud FLETCHER et al, 2009).

É possível perceber com a visão dos autores acima que os TA's (transtornos de aprendizagem) são caracterizados por dificuldades e/ou fracassos em determinadas áreas, como linguagem, fala, escrita e cálculos. Entretanto, é necessário ressaltar que nem todo problema ou dificuldade de aprendizagem é caracterizado como um transtorno, no entanto, todo transtorno traz problemas e dificuldades de aprendizagem.

Os principais transtornos de aprendizagem são de articulação, ritmo, leitura, escrita e cálculo.

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM DE ARTICULAÇÃO:


DISLALIA

Segundo Cezar (2004), a dislalia consiste na omissão, substituição e/ou acréscimo de sons na palavra falada. As falhas de articulação podem ter origens orgânicas (arcada dentária, lábio leporino) e funcionais (a criança não sabe mudar a posição da língua e lábios).

Alguns tipos principais de dislalia podem ser: omissão (não pronuncia alguns sons – “Omei ao ola”: tomei cola cola) e rotacismo (substitui o R, exemplo o “Cebolinha”) .

Figura 2: Exemplo de dislalia pela substituição de letras.

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM DE RITMO


DISFEMIA (GAGUEIRA)

É um distúrbio no ritmo da fala, no qual o indivíduo sabe exatamente o que deseja falar mas, ao mesmo tempo, é incapaz de pronunciar corretamente devido a um prolongamento involuntário repetitivo ou à cassação de um som.


Figura 3: Exemplo de disfemia.

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM DA LEITURA


DISLEXIA

Cezar (2004) afirma que a dislexia consiste em dificuldades apresentadas pelo indivíduo na identificação de símbolos gráficos no início da alfabetização, acarretando fracasso em outras áreas que dependem da leitura e escrita, “embora a criança apresente inteligência normal, integridade sensorial e receba estimulação e ensino adequados” (CEZAR, 2004, p.66). 

De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD) apud Cezar (2004) as dificuldades apresentadas pelas crianças disléxicas:
  • Demoram a aprender a falar, a fazer laço nos sapatos, a reconhecer as horas, a pegar e chutar bola, a pular corda; 
  • Têm dificuldade pra escrever números e letras corretamente;
  • Ordenar letras do alfabeto, meses do ano e sílabas de palavras compridas;
  • Distinguir a esquerda da direita;
  • Necessita usar blocos, dedos ou anotações para fazer cálculos;
  • Apresentam dificuldade incomum para lembrar a tabuada;
  • Apresentam compreensão de leitura mais lenta do que o esperado para a idade.

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM DA ESCRITA


DISGRAFIA

Cezar (2004) afirma que a disgrafia consiste na dificuldade em transcrever o estímulo visual da palavra impressa. Tem como características o traço lento das letras, as quais geralmente se apresentam ilegíveis.

Segundo a autora, os principais tipos de erro que a criança disgráfica apresenta são:

  • Apresentação desordenada do texto;
  • Margens mal feitas ou inexistentes; a criança ultrapassa ou pára muito antes da margem, não respeita limites, amontoa letras na borda da folha;
  • Espaço irregular entre palavras, linhas e entrelinhas;
  • [...]
  • Distorção da forma das letras a e o;
  • Dificuldade na escrita e no alinhamento dos números na página.

DISORTOGRAFIA

Consiste na incapacidade de escrever de maneira correta a linguagem oral, ocorrendo trocas ortográficas e confusão de letras. Cezar (2004) ressalta que esta dificuldade não diminui a qualidade do traçado das letras. Ocorrem confusão de letras, sílabas e palavras.

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM DO CÁLCULO


DISCALCULIA

Silva (2008) aponta alguns estudos sobre discalculia, definindo a mesma como:

[...] inabilidade de executar operações matemáticas ou aritméticas. É, pois, um distúrbio neuropsicológico caracterizado pela dificuldade no processo de aprendizagem do cálculo e que se observa, geralmente, em indivíduos de inteligência normal, que apresentam inabilidades para a realização das operações matemáticas e falhas no raciocínio lógico-matemático. (SILVA, 2008, p. 16)
Ainda na perspectiva do autor, alguns pesquisadores apontam que as maiores dificuldades apresentadas pelas crianças que possuem discalculia são:

  1. Visualizar conjuntos de objetos dentro de um conjunto maior; 
  2. Conservar a quantidade, o que a impede de compreender que 1 quilo é igual a quatro pacotes de 250 gramas; 
  3. Compreender os sinais de soma, subtração, divisão e multiplicação (+, –, ÷ e x); 
  4. Seqüenciar números, como, por exemplo, o que vem antes do 11 e depois do 15 (antecessor e sucessor); 
  5.  Classificar números; 
  6. Montar operações; 
  7. Entender os princípios de medida; 
  8. Lembrar as seqüências dos passos para realizar as operações matemáticas; 
  9. Estabelecer correspondência um a um, ou seja, não relaciona o número de alunos de uma sala à quantidade de carteiras; 
  10. Contar através de cardinais e ordinais. (SILVA, 2008, p. 17)
Figura 4.

REFERÊNCIAS

CEZAR, Monique Augusto. Distúrbios na Aprendizagem. 2004. Disponível em: http://www.avm.edu.br/monopdf/7/MONIQUE%20AUGUSTO%20CEZAR.pdf. Acesso em: 09 out. 2013.

FLETCHER, J.M. LYONS, G.R., FUCHS, L.S. BARNES, M.A. Transtornos de aprendizagem: da identificação à intervenção. SP: Artmed, 2009.

GABBARD, Glen O. Tratamento dos transtornos psiquiátricos. São Paulo: Artmed, 2009. Disponível em: 
http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=9sJxoKh7NJUC&oi=fnd&pg=PA133&dq=transtorno+de+aprendizagem&ots=a-tLYfP7rR&sig=rA36KTcjmjjl0KDSLPkBKZZ5h38#v=onepage&q=transtorno%20de%20aprendizagem%20da%20leitura&f=true. Acesso em: 08 out. 2013

SILVA, Eva de Jesus. GOMES, Ivanete Pereira. As dificuldades de aprendizagem no período das  operações concretas das crianças do I ciclo do ensino fundamental na escola – 2010. Disponível em: http://www.fecra.edu.br/admin/arquivos/monografia_corrigida.pdf. Acesso em: 05 out. 2013.

SILVA, Wiliam Rodrigues Cardoso da. Discalculia: Uma Abordagem à Luz da Educação Matemática. Bauru, SP: EDUSC, 2011. Disponível em: http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/MATEMATICA/Monografia_Silva.pdf. Acesso em: 09 out. 2013.

SOUZA, Evanira Maria de, Ir. Problemas de aprendizagem: crianças de 8 a 11 anos. 
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