quarta-feira, 19 de março de 2014

Senhores do Mesozóico: Saturnalia tupiniquim!

Por Marcelo Domingos Leal

Figura 1: Saturnalia tupiniquim. Fonte: veja.abril.com

O Saturnalia tupiniquim tem seu primeiro nome derivado do latim saturnalia, que significa “carnaval”, pois foi no período dessa festa que o esqueleto foi encontrado. O nome tupiniquim, que vem da linguagem guarani, refere-se a uma maneira de se caracterizar fatos ou objetos tipicamente brasileiros.

Foi descoberto no estado do Rio Grande do Sul, no Sítio Paleontológico Sanga da Alemoa na região da paleorrota (também conhecido como geoparque da Paleorrota, ou Rota Paleontológica), que está situado no centro do estado do Rio Grande do Sul. Esta Paleorrota contém diversos fósseis do tempo em que havia apenas o super continente Pangeia (alguns escrevem e pronunciam Pangea), sendo a principal área de Geoturismo do estado riograndense. A descoberta e descrição científica dos três exemplares se deu pelas mãos do famoso paleontólogo mineiro Max Cardoso Langer (professor do Departamento de Biologia da Universidade de São Paulo, campus Ribeirão Preto, e vice-diretor da Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP)) e de uma equipe de paleontólogos do Museu de Ciências e Tecnologia da PUC do Rio Grande do Sul, no ano de 1998. Max Langer, ao observar a natureza primitiva do espécime combinada à sua mistura de Saurópode com características de Terópode, classificou a nova espécie como uma forma basal dos prossaurópodes e, consequentemente dos saurópodes. O local onde o fóssil foi encontrado está situado na área do município de Santa Maria, localizada na Bacia do Paraná, na formação Santa Maria. Seu esqueleto está exposto no Museu de Ciências e Tecnologia da PUC do Rio Grande do Sul, na capital Porto Alegre.

Para a identificação do animal os cientistas contaram com parte de sua caixa torácica, coluna vertebral, um fragmento da mandíbula, bacia e uma pata dianteira e uma traseira. Como todos os outros dinossauros, o Saturnalia viveu na Era Mesozóica, mas em um período chamado de triássico superior, a cerca de 225 milhões de anos atrás.

Esta espécie de dinossauro era de proporções pequenas, tendo pouco mais de 50 cm de altura, aproximadamente 2 m de comprimento, e uma massa que não passava de possíveis 50 Kg. Era um dinossauro quadrúpede, e seus hábitos alimentares incluiam a ingestão de folhas, brotos e raízes, uma tpípica dieta hebívora. A equipe que descobriu esta espécie notou que as características de seu crânio e de sua “mão” eram mais semelhantes ao do grupo irmão dos Sauropodomorfos, os terópodes e que levaria o Saturnália a ser considerado um membro da linhagem-tronco da Sauropodomorpha, e não um verdadeiro membro do grupo.

José Fernando Bonaparte (exímio paleontólogo argentino) e seus colegas, em um estudo de 2007, concluíram que o Saturnália é muito semelhante ao primitivo Saurischia Guaibassauro. Partindo então desta análise, Bonaparte colocou os dois na mesma família, Guaibasauridae e, como Langer, concluiu que essas formas podem ter sido Sauropodomorphas primitivos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

http://www.clickciencia.ufscar.br/portal/edicao23/entrevista1_detalhe.php
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u14228.shtml
http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/cacadores-de-fosseis/imagens/ferasbrasileiras03.jpg/view

Livro: O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil.
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