terça-feira, 30 de outubro de 2012

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Fantasma na Máquina - notas sobre inteligência artificial.

Por Sérgio Faria

O título do artigo é uma expressão de Gilbert Ryle, “The concept of mind”, no qual ele faz uma crítica devastadora à separação cartesiana entre corpo e alma.

A primeira questão a ser colocada é se as máquinas podem, em relação ao pensamento, conhecimento e ação, simular um ser indistinguível do humano. Isto é, ir além da máquina realizadora de atividades programadas através de algoritmos previamente estabelecidos pelo homem.

Tentando aclarar este tema busco na cinematografia, que tem apresentado questões instigantes sobre este tema, dois filmes emblemáticos sobre esta questão. Primeiro, “Eu, robot” de Alex Proyas apresenta a possibilidade da máquina simular humanos, isto é, ser dotada de inteligência artificial forte – AIF, em oposição à inteligência artificial fraca – aif, que só confere a capacidade de realizar tarefas pré-progamadas. AIF só se manifestaria, no filme, como “trechos de códigos randômicos que se uniram para formar protocolos inesperados. De forma não esperada, esses radicais livres elaboram perguntas sobre livre arbítrio, criatividade, e até mesmo sobre a natureza daquilo que chamamos alma. Por que será que quando armazenados no escuro eles [os robôs] se agrupam ao invés de ficarem sós? Como explicar tal comportamento? Segmentos de códigos randômicos? Ou algo a mais? Quando um esquema de percepção se torna uma consciência? Quando calcular probabilidades começa a busca da verdade? Quando é que uma simulação de personalidade se torna o doloroso átomo de uma alma?”

As questões aí colocadas remetem para a possibilidade da AIF a partir de ventos incertos não previstos na programação que poderiam resultar na autocriação da consciência e, portanto, de identidade pelas máquinas.

Deixando de lado o problema da alma, que se encontra no terreno do sobrenatural, e que, portanto, não é verificável pela ciência, pode-se dizer que a criatura, máquina, traria em si o germe da condição ontológica do seu criador, o homem, na medida em que este só se erigiu da natureza como animal gregário. Por outro lado, a consciência não é um mecanismo de redes lógicas, é antes o resultado de um longo e doloroso processo de interação com o mundo junto e através de outros homens. Neste processo, desejos, frustrações e repreensões têm um papel decisivo.

Lembrando Ryle, “o sujeito é um agente que se constrói pela interação com o meio-ambiente através do conjunto de suas ações.” Podemos afirmar que há um mundo de ações além das estruturas formais de pensamento onde a aprendizagem da língua tem um papel destacado. Ocorre, porém, que a linguagem não é apenas um conjunto de significantes, normas e formas de uso, isto é, não se trata apenas de uma sintaxe, é antes um conjunto de estruturas vivas em constante transformação que precede os indivíduos. Para a construção do robô humanizado, o grande obstáculo a superar é a necessidade de uma completa linguagem artificial que comportasse todas as infinitas possibilidades de significação, que abriga em cada situação o dito, o não-dito, a forma com que é dito incluindo o gestual que acompanha. Isto inclui o piscar com um olho só do detetive Spooner, na busca de articulação de uma cumplicidade com o robô Sony.

Outro filme instigante é “Blade Runner” de Ridley Scott, no qual a Los Angeles de 2019 é invadida por seis replicantes. Replicantes são uma fusão entre homem e máquina produzidos por intervenções de biotecnologia e eletrônica que só podem ser diferenciados dos humanos através de um teste científico-psicológico, sofisticado, aplicado por um especialista bem treinado. Os replicantes são programados para terem somente quatro anos de vida e são banidos da Terra para realizarem tarefas no espaço. Os seis replicantes rompem o banimento e por isso devem ser caçados e exterminados. Eles vêm à Terra em busca de suas origens e de mais vida. Ao final, o último replicante, Roy, em combate mortal com o seu caçador, Dick Deckark (Harisson Ford) começa a morrer e num gesto final, salva o seu caçador e diz que viu “coisas inimagináveis para além de Orion e que todos os momentos são como lágrimas na chuva. É hora de morrer”. Pouco antes ele havia pedido para Deckark : “ Mostre-me do que você é feito!” Em seguida, Deckark declara aos que vêm resgatá-lo: “Eu não sei por que ele salvou a minha vida, talvez porque naqueles últimos momentos ele tenha amado a vida mais do que nunca. Afinal, tudo o que ele queria era as mesmas respostas que o resto de nós: de onde eu vim? Para onde eu vou? Quanto tempo eu tenho? E tudo o que eu pude fazer era sentar-me lá e vê-lo morrer.”

Estas questões, embora fictícias, remetem para o fato de que todos somos blade runners, pois estamos correndo sobre a lâmina que separa homens e máquinas, cuja espessura diminui a cada dia.

Vem aí a V FACE e a I Mostra Artística, Científica e Cultural da SEED!



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 A 5ª edição da  Feira Anual do Conhecimento Escolar (FACE) e a I Mostra Artística, Científica e Cultural da Secretaria de Estado da Educação trarão ao Parque da Ciência as produções científicas e artísticas dos estudantes e professores, as quais serão apresentadas durante os dias 24 a 26 de outubro

A FACE consiste em uma oportunidade para estudantes e professores  apresentarem suas produções científicas, artísticas e culturais realizadas em suas instituições.

Nestaedição, a FACE  terá como público alvo os estudantes e educadores da educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental, visto que é um evento integrado à I Mostra  Artística, Científica e Cultural promovida pela SEED, que contará com a apresentação de trabalhos científicos e diversas apresentações culturais, de estudantes dos anos finais do ensino fundamental, médio e técnico dos 32 Núcleos Regionais de Educação do Paraná.

Abertas as inscrições para novos cursos do Atelie de Arte do Parque da Ciência!


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Estão abertas as inscrições para os cursos de Cestaria e Artesanato em bambu, ofertados pelo Atelie de Arte do Parque da Ciência em parceria com o SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). Ambos os cursos são voltados aos educadores das disciplinas de Arte, Ciências e Biologia da rede estadual, atuantes nos Núcleos Regionais de Curitiba, Área Metropolitana Norte e Área Metropolitana Sul. Confira as datas:

  • Curso de Cestaria: 1ª Fase (56 horas): 12 e 13/11/2012; 2ª Fase: 26 a 30/11/2012;
  •  Artesanato em Bambu (16 horas): 03 e 04/12/2012.

Os interessados deverão inscrever-se de acordo com o procedimento padrão da SEED com os técnicos responsáveis de cada NRE.
 

Docentes Indígenas visitam o Parque da Ciência!


Os participantes do Curso de Formação Docente Indígena da SEED de 16 aldeias do Paraná visitaram o Parque da Ciência no dia 02/10/2012. Durante aproximadamente duas horas, eles conheceram os principais espaços do Parque, como a Sala 3D Milton Santos e o Planetário Indígena, que é um dos poucos no Brasil a apresentar um modo diferente de interpretar o céu e os fenômenos celestes, baseado na cosmogonia Kaingang e Guarani.

O Curso de Formação Docente Indígena é uma iniciativa da SEED e visa fortalecer a atuação do educador indígena em suas comunidades, através do respeito à diversidade e à cultura indígena.
 
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Centro Cívico, Bairro Novo e Cidade Industrial receberam o programa Paraná em Ação em Curitiba!


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Em setembro a capital paranaense recebeu três etapas do programa Paraná em Ação, executadas no Centro Cívico, no Bairro Novo e na Cidade Industrial. Nelas, a população teve acesso a serviços como confecção de diversos  documentos, orientações e abertura de processos jurídicos, diversos tipos de exames de saúde, além de conhecer programas e projetos de diversas instuições e participar de atividades educativas, lúdicas e recreativas. 

O Parque da Ciência marcou presença com experimentos interativos sobre Ciência e com a apresentação de sessões de Planetário, atendendo mais de 2.000 pessoas nas três etapas.

O programa Paraná em Ação é coordenado pela Secretaria Especial de Relações Com a Comunidade e visa ofertar serviços que promovam a cidadania e a  inclusão social.  Para saber mais, consulte o site www.serc.pr.gov.br.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Morre Eric Hobsbawm!

Por Pedro Monteiro Bittencourt

Faleceu nesta segunda-feira, dia 1º, devido a uma pneumonia, o historiador britânico Eric J. Hobsbawm. Nascido no Egito em 1917, é considerado um dos maiores historiadores do século XX e continuou produzindo até recentemente, escreveu inclusive um livro que ainda está em revisão, e deve ser lançado em 2013. Sua visão política marxista (sendo membro do partido desde os 14 anos de idade) influenciou bastante sua produção acadêmica e ele deu destaque à história social e cultural.

Dentre suas muitas obras, a que recebeu mais destaque foi “A Era dos Extremos”, que cobre o período da Primeira Guerra Mundial até a queda da URSS, chamado por ele de “o breve século XX”. As outras “Eras” de Hobsbawm cobrem o “longo” século XIX, em três volumes ele contextualiza o período entre a Revolução Francesa e o início da Primeira Guerra. Merece destaque também a “História Social do Jazz”, que trata de uma as outras paixões dele, a música.

As diversas manifestações após sua morte, em especial na Inglaterra, mostram como ele foi respeitado, mesmo por pessoas que discordam de sua visão marxista. Interessado também em política e na conjuntura atual, ele se mantinha constantemente atualizado, concedia entrevistas e participava de reuniões com diversas pessoas influentes e estadistas. Entre esses, vale ressaltar sua relação com Lula, Hobsbawm chegou a afirmar que ele “ajudou a mudar o equilíbrio do mundo ao trazer os países em desenvolvimento para o centro das coisas”.

Eric Hobsbawm pensou o século XX de maneira diferente, viveu esse século de maneira intensa, fala com propriedade sobre o século dos extremos, o “século mais extraordinário e terrível da história humana".