quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

TRÉGUA DE NATAL NA PRIMEIRA GRANDE GUERRA – 100 ANOS

Por Tiago Henrique da Luz



Figura 01: Ilustração do London News sobre a 
confraternização entre britânicos e alemães.
Fonte: Wikimedia

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Após vários meses de conflitos e muitos mortos, em meio às trincheiras, ao sangue e ao arame farpado, soldados ingleses e alemães se encontram na véspera de Natal... para uma trégua!
Trégua não oficial, claro.

O DIA EM QUE A GUERRA PAROU

Figura 02: Fotografia de alguns soldados de ambos os lados, confraternizando.
Fonte: Wikimedia



Neste dia, os alemães começam um coro de Natal e até montam árvores natalinas, cujas lâmpadas são suas lanternas.
De acordo com um informante da imprensa britânica, “suas trincheiras estavam flamejantes com árvores de natal e nossos sentinelas se maravilharam por horas com canções natalinas tradicionais da “Fatherland” [Alemanha]. Seus oficiais até expressaram incômodo no dia seguinte, quando algumas das árvores levaram tiros, e insistiram que elas eram quase parte do rito sagrado”. Este episódio também é narrado por cartas pelos soldados.
E a situação mais inusitada ocorre quando começa uma conversa entre os soldados rivais em suas trincheiras e eles aceitam se encontrar no meio da “terra de ninguém”, isto é, transpõem a distância que separa os dois lados (que podia ser de apenas 30 metros). Ali, trocam presentes (cigarros por queijo, por exemplo), conversam e estendem a trégua não oficial para também poderem enterrar seus mortos. Conta-se, inclusive, que os rivais jogaram futebol...

De acordo com o fusileiro J. Reading: “(...) Nós não atiramos naquele dia e tudo estava tão quieto que parecia um sonho. Nós aproveitamos o dia calmo e recolhemos nossos mortos”.

Figura 03: Fotografia de descendentes de
 veteranos, rememorando a trégua.
Fonte: Wikimedia
Em um dos episódios, relatado pelo fusileiro C. H. Brazier, os ingleses foram até uma das casas bombardeadas e de lá apanharam chapéus de palha, sombrinhas, cartolas e até bicicletas, e saíram vestidos e brincando com tais objetos, numa cena bastante cômica que fez até os alemães rirem.

A trégua, em alguns casos, foi rigidamente acertada entre as partes, com duração média de um ou dois dias, entretanto a trégua não chegou a todas as trincheiras.

De acordo com um correspondente do jornal Manchester Guardian, o que aconteceu em seguida à trégua foi ainda mais surpreendente: “os soldados franceses e alemães que haviam confraternizado e se recusavam a atirar uns nos outros, tiveram de ser afastados das trincheiras e substituídos por outros homens”.

Em alguns casos a trégua se estendeu até o Ano Novo, mas em janeiro, a guerra havia sido retomada. E as tréguas não se repetiram nos natais seguintes...




REFERÊNCIAS

http://www.christmastruce.co.uk/article.html (em inglês). Acessado em Novembro de 2014.

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