sábado, 31 de janeiro de 2015

A História Natural e o Expansionismo Europeu

Por:  LUIZA VALERIA CANALES BECERRA

Figura 01: Systema Naturae de Carl Linneo. Fonte: wikimedia.org


Em 1735, ocorreram dois importantes eventos que indicam importantes mudanças na forma como as elites europeias compreendiam suas relações com o resto do mundo. Foram eles: a publicação de Systema Naturae de Carl Linneo, que propôs a classificação das espécies vegetais do planeta e a primeira grande expedição científica da Europa, denominada La Condamine. A partir desse momento o que se viu foi o surgimento da consciência planetária da Europa, caracterizada pela exploração interior e pela construção de seu significado em escala global, através das ferramentas descritivas da história natural.

Em meados dos últimos anos do século XVIII, a exploração interior chegou a ser objetivo mais importante da imaginação expansionista. Esta mudança teve importantes consequências para a literatura de viagens, ao propiciar o surgimento de novas formas de conhecimento e autoconhecimento europeu, novos modelos de contato além das fronteiras da Europa e também novas maneiras de codificar suas ambições imperiais.

Na segunda metade do século XVIII, todas as expedições científicas ou não e todos os viajantes, cientistas ou não, tiveram alguma relação com a História Natural. A coleta de exemplares, a criação de coleções, a denominação de novas espécies, o reconhecimento das já conhecidas chegou a ser um tema obrigatório em viagens e nos livros de viagens. Pois com o estabelecimento do projeto global de classificação, a observação e catalogação de espécies se tornaram narráveis.

A ciência operou como um multifacetado espelho com o qual toda a Europa podia refletir-se como um “processo planetário” em expansão, sem a competição, exploração e violência acarretadas pela expansão comercial e política e pela dominação colonial dos três séculos anteriores. Comparado ao navegante ou ao conquistador, o naturalista coletor é uma figura benigna cujos poderes transformadores atuam nos contextos domésticos do jardim ou da sala de coleções, visto que a História Natural não se propõe a causar efeito algum no mundo.

Em resumo os naturalistas eram considerados servidores das aspirações de expansão comercial europeia. Já que a História Natural trouxe meios para narrar viagens e explorações terra adentro que não objetivavam o descobrimento de rotas comerciais, mas a vigilância territorial, a apropriação de recursos e o controle administrativo. Assim, em troca de viagens gratuitas com companhias comerciais e outros benefícios, os naturalistas produziam conhecimento comercialmente explorável.

Portanto, a História Natural como forma de pensar rompeu as redes existentes de relações históricas e materiais entre pessoas, plantas e animais.

REFERÊNCIAS:


PRATT, Marie Louise. Ojos Imperiales: Litertura de viajes y transculturación. México: Ed. Fondo de Cultura Económica, 2010.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

COMO ECONOMIZAR ENERGIA EM NOSSA CASA?

Por: Anelissa Carinne Dos Santos Silva

Figura 01 – Uso Residencial de Energia. Fonte: Copel.

Em nosso cotidiano – direta e indiretamente – poluímos, destruímos florestas e causamos outros problemas a natureza e a nossa própria espécie. Parte destes impactos é causado devido ao nosso intenso consumo de energia elétrica.
De acordo com Miller (2005, p. 45):

“Em média, uma família americana [E.U.A.] produz cerca de 70 quilos de CO2 por dia ao realizar coisas corriqueiras como ligar o ar-condicionado ou andar de carro. Isso é mais que o dobro da média europeia e quase o quíntuplo da média mundial, em grande parte porque os americanos usam o automóvel em demasia e vivem em casas maiores”.

A média brasileira de consumo de CO2 é de 4 toneladas por ano. Entretanto, o maior vilão da poluição no Brasil é o desmatamento na floresta amazônica (aproximadamente 70%). Em 2005, nosso país lançou cerca de 1,1 bilhão de toneladas de CO2 na atmosfera. Em termos de consumo de eletricidade, uma família brasileira de 5 pessoas gasta em torno de 220 Kw/h ao mês.

Crescimento econômico não significa impactos negativos ao ambiente. Podemos adotar medidas de economia de energia, por exemplo, e ainda assim apoiar o crescimento econômico do Brasil.

Figura 02 – PIB e Energia. Fonte: GOLDEMBERG, 2007.


EXEMPLOS DE CONSUMO

Acompanhe alguns dados relacionando consumo de energia e produção de poluentes:

-Cada litro de gasolina lança à atmosfera 2,34 litros de CO2;
-A silvicultura e agricultura respondem, juntas, pela emissão de 12,4 milhões de toneladas de CO2 ao ano. O consumo de energia elétrica em geral lança 10 milhões de toneladas; as indústrias e resíduos, 8,8 milhões de toneladas; e o transporte, emite cerca de 3,2 milhões de toneladas de  CO2;
-“Somente o Brasil, com uma produção anual de 38 milhões de toneladas de cimento Portland (comum), libera para a atmosfera aproximadamente 22,8 milhões de toneladas/ano de gás carbônico” (TOLEDO, 2004 in STACHERA, 2008).
REDUÇÃO DE ENERGIA – ALGUMAS DICAS

Vale lembrar que em nosso cotidiano podemos ter atitudes para reduzir nosso consumo de eletricidade. Seguem alguns exemplos:

-Verifique periodicamente a situação da fiação elétrica de sua residência;
-Manter aparelhos na tomada através de adaptadores consome energia, mesmo quando os equipamentos estão desligados! “Segundo um estudo, a energia ´vampirizada´ por aparelhos eletrônicos em modo de espera pode chegar a 8% da conta de eletricidade de uma casa” (MILLER, 2009, p. 50);
-Rodando 32 km a menos de carro, por semana, podemos reduzir em 9% a média de emissão de CO2, isto é, 107 milhões de toneladas deixarão de ser lançadas na atmosfera por ano. Ou, melhor ainda, podemos seguir o bom exemplo da Holanda, que investe bastante no transporte por bicicletas.
-Pinte o interior de sua residência com cores claras; assim, economizará energia elétrica através de menor uso de iluminação interior;
-Verifique a vedação da porta da geladeira, colocando um papel entre a porta e o aparelho. Se, ao puxar, o papel sair facilmente, talvez seja hora de trocar a borracha de vedação;
-Ainda sobre a geladeira, evite abri-la desnecessariamente. Retire os produtos de uma única vez sempre que possível. E faça o degelo periodicamente;
-Aproveite a luz do sol, abra as cortinas e mantenha as luzes da casa apagadas durante o dia. Mantenha as luminárias limpas; isto ajuda a melhorar a iluminação na casa;
-Feche portas e janelas ao utilizar o ar condicionado;
-Reduza o tempo de banho. No verão, reduza a temperatura do chuveiro.

PARA SABER MAIS:

Universidade Federal Santa Catarina. Dicas para Economizar Energia. Disponível em: http://www.ufscar.br/~perene/dicas.htm

REFERÊNCIAS

COPEL. Uso Eficiente de Energia na Sua Casa. Acessado em Out. 2014. Disponível em: <http://www.copel.com/hpcopel/root/nivel2.jsp?endereco=%2Fhpcopel%2Froot%2Fpagcopel2.nsf%2F0%2F9C83B5131AF54B1B032573EC005D8B0D>.

GOLDEMBERG, J.; LUCON, O. Energia e meio ambiente no Brasil. Estudos Avançados, Jan./Apr. 2007. Acessado em Out. 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142007000100003&lang=pt>.

MILLER, Peter. Economia de Energia: Tudo Começa em Casa. In: National Geographic Brasil. Março, 2009. Pág. 42-61.

STACHERA Jr., T. Avaliação de Emissões de CO2 na Construção Civil: Um Estudo de Caso da Habitação de Interesse Social no Paraná. ENEGEP, 2008. Acessado em Set. 2014. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2008_tn_sto_090_554_12351.pdf>.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Segregação Urbana

Por: Aline Veiga

Figura 1: Ocupação irregular na cidade de São Paulo. 
Fonte: www.imagens.usp.br



Ao longo dos anos muitas cidades brasileiras tornaram-se pólos atrativos, em relação principalmente à oferta de trabalho, infraestrutura urbana, serviços e proximidade com lugares e regiões de importância econômica. É o caso, por exemplo, das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, importantes metrópoles do país.

Por oferecer vantagens em relação a outras localidades, muitas pessoas se deslocam em busca de melhores condições de vida. Mas nem sempre essa expectativa é atendida, o que acaba por gerar uma classe de excluídos dentro das cidades.

Apesar de estar inserida em um centro urbano, parte da população não usufrui dos direitos básicos que as cidades devem oferecer, como moradia adequada, saneamento, educação e áreas de lazer. O acesso a esses direitos é desigual, e acaba por se destinar àqueles que podem pagar para tê-los. Assim o território das cidades é divido em áreas destinadas a classes sociais distintas, ou seja, surgem bairros ricos e bairros pobres.

Figura 1: Vista do limite entre ocupação da Rocinha e bairro da Gávea, Rio de Janeiro – RJ. 
Fonte: GoogleEarth, 2009.

Áreas com mais infraestrutura são valorizadas, tornando-se caro a moradia nesses locais; assim como ocorre o desenvolvimento de infraestrutura em locais que passam a ser habitados por uma classe social mais favorecida. Escolas, hospitais, áreas de lazer, saneamento básico, são alguns dos itens que fazem o solo urbano se tornar uma mercadoria, disponível para poucos.

O processo de divisão territorial dentro de uma cidade, a partir de diferenciações sociais é chamado de segregação urbana, evidenciado pelo modo desigual com que as sociedades se organizam. Por muito tempo este termo esteve relacionado às periferias, que aglomeravam as classes mais pobres ao entorno dos grandes centros urbanos. Atualmente há uma modificação dessa tendência e “centro” e “periferia” tornaram-se geograficamente mais próximos.

Figura 03 Edifício de luxo localizado ao lado da comunidade de Paraisópolis, na cidade de São Paulo – SP.
Fonte: GoogleEarth, 2008.


Um problema resultante desta separação dentro das cidades é a ocupação de áreas irregulares, principalmente aquelas destinadas à preservação ambiental, como encostas íngremes e áreas de mananciais. Não podendo pagar por um local adequado, parte de população instala-se irregularmente. Podemos tomar como exemplo a ocupação em áreas de mananciais, que pode gerar problemas para toda a sociedade, não apenas aos grupos que as ocupam, uma vez que são de grande importância para a manutenção de necessidades sociais básicas, como abastecimento público de água.

Mas se essa tendência de separação dentro de um mesmo território pode gerar tantos problemas sociais, por que as mantemos? Alguém se beneficia com essa divisão? Se pensarmos o solo urbano como uma mercadoria, que pode ser parcelado e vendido e é valorizado a partir de alguns instrumentos, podemos perceber que muitos setores se interessam por essa divisão, principalmente aqueles ligados ao mercado imobiliário.

Figura 04. Área do condomínio Alphaville, no município de Pinhais, 
em frente às ocupações Vila Zumbi e Vila Liberdade.
Fonte: Ritter, 2011.


REFERÊNCIAS:

MOREIRA, O. Cidade partida: segregação induzida e auto-segregação. Caminhos de Geografia, Uberlândia, v. 13, n. 33 mar/2010. Disponível em: <http://www.seer.ufu.br/index.php/caminhosdegeografia/article/view/15899> Acesso em: Nov. 2014.

RITTER, C. Os processos de periferização, desperiferização e reperiferização e as transformações socioespaciais no aglomerado metroplitano de Curitiba. Disponível em: <http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/handle/1884/26402/Tese%2026out.pdf?sequence=1> Acesso em: Nov. 2014.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

APRENDER CIÊNCIA POR MEIO DO FAZER ARTÍSTICO

Por João Marcos Alberton
Figura 01 - Anêmona, foto feita por João Luiz de Fraga Carraro foi a vencedora de 2012
fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br/



Considerada muitas vezes como algo de muita complexidade e atribuído a talentos específicos para sua realização, a Arte ainda tem muito que ser explorada dentro do âmbito escolar e na sociedade. Vale ressaltar que varias escolas e professores de arte ou de outra disciplina incrementam seus planejamentos incluindo experiências artísticas tanto nos conceitos de estética quanto no processo criativo, na formação de seus alunos e no desenvolvimento da educação como um todo.

Por meio das linguagens artísticas temos a possibilidade de deslumbrar caminhos desconhecidos e inimagináveis onde o mistério da transformação da matéria educa nossos sentidos e amplia nossa percepção sistêmica do mundo em que vivemos e da sociedade.

Os conceitos básicos das ciências como parte do processo criativo resultam em reações, efeitos: em acasos interessantes e divertidos para as conclusões, indagações e experiências científicas.

Todas as áreas do conhecimento podem ser inclusas nas experiências com Arte e Ciência, enriquecendo a aprendizagem e a compreensão tanto para o aluno, individualmente, quanto em atividade em grupo. Nas escolas vemos relatos de professores com as dificuldades de aquisição de material disponível e recursos didáticos para executar experiências com as expressões artísticas, porem sabem que o desafio em arranjar elementos que compõem parte de uma atividade artística é sempre e necessário à manifestação da criatividade.

Nesta perspectiva, esta ação delibera as artes uma contribuição que vai alem de disciplina de currículo escolar, mas sim, de um produto intrínseco da condição humana. O aluno integra a sensibilidade da humanidade quando tem a Arte como fator de representação, simbolização na educação.

As sugestões que serão descritas abaixo foram elaboradas pela autora Mary Ann F. Kohl e o autor Jean Potter,no livro intitulado “ Descobrindo a Ciência pela Arte: Propostas de Experiências”, com muita simplicidade na interlocução entre Ciência e Arte, e, sobretudo com material de fácil acesso e de custo baixo.

ARGILA DE AREIA – AGLUTINAÇÃO DA MATERIA

Material:
Um copo de areia da praia ou bem fina.
½ copo de amido de milho
½ copo (talvez um pouco mais) de água fervente
Boiler duplo (panela para banho-maria)
Fogão
Assadeira
-Ajuda de um adulto
Experiência artística:
1 - Um adulto pode misturar muito bem a areia e o amido de milho no alto do boiler duplo, no fogão.
2 – Em seguida, um adulto pode despejar a mistura na água fervente e misturar bem.
3 – Cozinhe esta mistura de argila de areia brevemente no boiler duplo até que ela engrosse. (se ficar muito grossa, acrescente um pouco de água fervente.).
4 – Esfrie um pouco a argila de areia antes de modelar. Crie quaisquer formas ou objetos.
5 – Em seguida, coloque o objeto de argila de areia em uma assadeira em um forno na temperatura de 140°C até secar. Ou seque o objeto feito com argila de areia durante vários dias sobre uma prateleira ou mesa.
Variações:
1 – Use argila de areia para fazer objetos de praia, como uma concha, um caranguejo, um barco, um castelo ou um peixe.
2 – Esta receita é facilmente dobrável para se fazer mais argila de areia.

OBSERVAÇÕES:

O amido de milho é usado em culinária como um engrossante. Quando o amido de milho é misturado com areia e água e aquecido no fogo, o amido de milho atua como um cimento e engrossa a mistura, AGLUTINANDO os ingredientes como uma argila de modelar, que é diferente da areia sozinha ou do amido de milho sozinho. Quando um objeto feito com argila de areia é secado no forno ou deixado para secar em uma prateleira, devido ao fato de o amido de milho ter se aglutinado com a areia, o objeto seca e assume uma consistência de rocha dura.

QUADROS SECRETOS – ÓPTICA

Material:
Suco de limão coado
Copo
Pincel
Papel sulfite branco
Ferro de passar
Jornal
- Ajuda de um adulto.
Experiência artística:
1 – Esprema o suco de limão em um copo
2 – Mergulhe um pincel no suco de limão e pinte no papel sulfite branco
3 – Deixe a pintura secar completamente.
4 – Um adulto pode colocar o desenho entre o jornal e passá-lo até aparecer um desenho marrom.
Variações:
Pinte um quadro secreto para um amigo ou membro da família. Deixe-os fazerem o quadro aparecer passando-o com o ferro, como uma surpresa.
Use quadros secretos para escrever uma mensagem secreta ou dar dicas para um tesouro escondido.

OBSERVAÇÕES:

Quando um quadro é pintado com suco de limão, ele seca e se torna um desenho INVISÍVEL. Então, quando o ferro elétrico aquece as marcas do suco de limão, o açúcar natural existente no suco queima e se transforma em uma substância de carbono marrom. Esse suco marrom, queimado, é então visto como a pintura ou quadro secreto.

REPOLHO MÁGICO – ÁCIDO/BASE

Material:
Repolho roxo frresco
Faca
Panela
Fogão
Água
Coador
Tigela
Pincel
Papel branco
Vinagre
- Ajuda de um adulto
Experiência artística:
1 – Corte o repolho em pequenos pedaços com uma faca.
2 – Coloque água até a metade de uma panela com os pedaços de repolho dentro.
3 – Com ajuda de um adulto, coloque a panela no fogo e ferva durante cerca de um minuto. Depois, retire-o do fogo.
4 – Deixe a panela descansar durante aproximadamente 20 minutos.
5 – Coe a água colorida do repolho em uma tigela. Reserve o repolho para comer mais tarde.
6 – Com um pincel, use o suco colorido do repolho para fazer uma pintura sobre o papel.
7 – Deixe a pintura com o suco de repolho secar completamente.
8 – Em seguida, esfregue um pouco de vinagre sobre a pintura para revelar a pintura mágica. A cor da pintura vai passar de roxo a cor-de-rosa.

OBSERVAÇÕES:
Muitos alimentos comuns como o vinagre e limão têm um gosto azedo e são chamados de ÁCIDOS. Outros alimentos como leite e bicarbonato de sódio são chamados BASES. O suco de repolho é um INDICADOR ÁCIDO/BASE, o que significa que ele vai determinar o nível ácido/base de uma substância mudando a sua cor. Quando o vinagre toca a pintura feita com suco de repolho, a pinturas passa de roxo a cor-de-rosa, indicando que o vinagre é um ácido.
Referência Bibliográfica:
Kohl, Maryann F. Descobrindo a ciência pela arte: propostas de experiências/MaryAnn Fohl e Jean Potter; trad. Magda França Lopes. – Porto Alegre : Artmed, 2003.


Referências: 

Fonte: pesquisa FAPESP



sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

COMO A POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA AFETA NOSSO ORGANISMO

Por: Marcelo Domingos Leal


 Figura 01 – Poluição em Cidade Chinesa. Fonte: http://soumaisenem.com.br


1 - O QUE É POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA

Antes do período de industrialização, já se conheciam os problemas causados pela falta de água potável, de alimento, e do excesso de lixo despejado nos grandes e médios centros urbanos. Mas, julgava-se que o ar, necessário para a respiração dos seres humanos e de outros seres vivos, nunca deixaria de estar disponível de forma adequada à manutenção da vida. Contudo, esta realidade mudou drasticamente com o advento das fábricas, e com a transformação do espaço urbano.

Algo que era impensável a cerca de 150 anos atrás, tornou-se realidade: a poluição atmosférica. Mas o que é poluição atmosférica ou do ar? Entende-se como poluição do ar, a mudança em sua composição ou em suas propriedades, decorrentes das emissões de poluentes, tornando-o impróprio, nocivo ou inconveniente à saúde, ao bem-estar público, à vida animal e vegetal e, até mesmo, ao estado de conservação de determinados materiais. Agentes naturais e artificiais podem ser percebidos como contaminantes atmosféricos. Entre os de origem natural podemos destacar as brumas marinhas (bactérias e microcristais de cloreto e brometos alcalinos), produtos vegetais (grãos de pólen, hidrocarbonetos e alérgenos), produtos de erupções vulcânicas (enxofre, óxidos de enxofre, vários tipos de partículas, ácido sulfúrico, dentre outros) e poeiras extraterrestres (material pulverizado de meteoritos que chegam à atmosfera). No que diz respeito aos de origem artificial, este podem ser representados pelo Gás ou Dióxido de Carbono (CO2), monóxido de carbono (CO), composto de enxofre, chumbo, sílica, CFC (clorofluorcarboneto) e outros.

AYOADE (1998: 309) alerta que a poluição do ar afeta o clima das áreas urbanas de diversas formas. O próprio balanço energético das cidades sofre interferência, pois os poluentes refletem, dispersam e absorvem radiação solar. Muitos poluentes também servem de núcleos de condensação, sendo, portanto, abundantes no ar das cidades, cuja umidade já é substancialmente abastecida através da evaporação, dos processos industriais e dos automóveis, que emitem grandes quantidades de vapor d'água. Consequentemente, a tendência da precipitação é aumentar sobre as áreas urbanas. Contudo, os efeitos mais alarmantes da poluição atmosférica ocorrem na saúde da população urbana.


2 – EFEITOS DA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA SOBRE O CORPO HUMANO

A poluição atmosférica gera uma enorme degradação da qualidade de vida da população, provocando uma série de doenças respiratórias, cardiovasculares e neoplasias. Deve-se ressaltar que essas três categorias de morbidade compõem as principais causas de morte nos grandes centros urbanos (Barbosa, 1990). Além disso, ainda acarretam um decréscimo no sistema imunológico do indivíduo, tornando-o mais susceptível às infecções agudas. 

Os mais afetados pela baixa qualidade do ar são as crianças, os idosos e as pessoas com problemas respiratórios (bronquite, asma e alergias). Hoje vale mencionar que boa parte da população dos grandes e médios centros urbanos é composta por idosos e crianças, justamente o grupo mais suscetível aos efeitos nocivos da poluição. Em crianças, a poluição atmosférica pode resultar em significativas ausências à escola, diminuição nas taxas de peak flow (Eficácia da função pulmonar, indicando quão abertas estão as vias respiratórias ou quão difícil é respirar), e aumento do uso de medicamentos em indivíduos que sofrem de asma. Nas pessoas normais, sejam elas adultas, crianças, ou idosos, a poluição ocasionara mudanças no sistema imunológico (Martins, 2002), além da deterioração da qualidade de vida, ocasionando mais idas a centros médicos, faltas na escola e/ou trabalho, além da restrição a prática de atividades físicas ao ar livre.

Mas quais doenças e/ou sintomas em específico podemos adquirir ao estarmos diariamente expostos ao ar poluído dos grandes centros urbanos. Veja alguns deles listados abaixo:


  • Espirro, Tosse e ativação do aparelho muco-ciliar – ocorre quando inalamos material particulado, que atinge as vias aéreas inferiores, por ser uma partícula inalável. É um tipo de poluente com capacidade de transportar gases adsorvidos até as porções mais distas das vias, onde são efetuadas as trocas de gases no pulmão. Os mecanismos de defesa próprio dos organismos são o espirro, tosse e o aparelho muco-ciliar, causando assim um mal estar ao indivíduo; 
  • · Lesões nas células das Vias Aéreas – Causadas pelo Ozônio (O3), que é um potente oxidante, estas lesões se dão nas mais distas porções das vias respiratórias, gerando três respostas pulmonares: tosse, dor retroesteral à inspiração e decréscimo da capacidade ventilatória forçada; 
  • Irritações do Trato Respiratório – Causadas pelos aerossóis ácidos, ocasionam dor, tosse e desconforto ao indivídui; 
  • Altos Níveis de Carboxihemoglobina – Causado pelo acúmulo de monóxido de carbono, tem como sua principal fonte o transito urbano. É comumente associado à intoxicações, focando seus efeitos principalmente sobre o coração (Freitas, 2003). 
  • Câncer do Pulmão – Ocasionado não apenas pelo hábito de fumar, mas também pelo simples fato de viver em locais onde os índices de poluição atmosférica são acima do suportado pelo organismo. É uma das doenças com maiores índices de mortalidade e também um dos tipos de câncer mais comuns em todo o mundo; 
  • Asma – Asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas. O pulmão do asmático é diferente de um pulmão saudável, como se os brônquios dele fossem mais sensíveis e inflamados - reagindo ao menor sinal de irritação; 
  • Rinite e Bronquite – Rinite é um tipo de alergia que se manifesta no nariz e nos olhos, enquanto que a bronquite, que pode ser aguda ou crônica, é uma inflamação dos brônquios; 
  •  Distúrbios de Ansiedade, Mal de Parkinson e Alzheimer – A inalação a longo prazo de partículas de metais poluentes e tóxicos, como mercúrio, cádmio e compostos de chumbo, podem dar origem a distúrbios de ansiedade e doenças como Alzheimer e Parkinson; 
  •  Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) – Os pacientes com DPOC grave têm falta de ar ao praticarem atividades físicas, necessitando de internação hospitalar com certa frequência. Entre as complicações da doença estão o desenvolvimento de arritmias, necessidade de máquina de respiração e oxigenoterapia, insuficiência cardíaca no lado direito ou cor pulmonale (inchaço do coração ou insuficiência cardíaca devido à doença pulmonar crônica), pneumonia, pneumotórax, perda de peso ou desnutrição grave e osteoporose.


3 – COMO COMBATER A POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA

Junto com a violência e a corrupção, o que mais se destaca em nossos noticiários são matérias relacionadas com poluição, desmatamento, extinção de espécies, etc. No caso da poluição, a atmosférica está sempre em foco, principalmente pelos altos índices de poluentes encontrados no ar das cidades de porte médio e grande, de todo o mundo.

Essa poluição é causada basicamente pela emissão de gases provenientes de motores a combustão, como nossos carros, motos, caminhões, ônibus, aviões navios, ou de nossas fábricas, de queimadas realizadas ao entorno das cidades ou dentro delas, a mineração, a agricultura com suas pulverizações, etc.

Todas estas formas de emissão de poluentes têm trazido sérias consequências á saúde humana e do meio ambiente em geral, pois não só nós humanos somos afetados com a poluição atmosférica, e sim toda a teia da vida, desde os microrganismos até os maiores habitantes do planeta.

Diante desta situação, é preciso que a sociedade atual tome atitudes rigorosas em relação à poluição do ar, estabelecendo metas de redução, conscientização da população em geral, dos empresários, cobrando dos políticos ações claras e objetivas, entre outras. Abaixo, podemos listar algumas dicas corretivas e preventivas para tentar amenizar esse problema, dentre elas:

  • Estipular limites dos níveis de poluição nos ambientes urbanos e rurais; 
  • Estabelecer critérios rigorosos quanto às normas de emissão de gases; 
  • Monitoramento periódico das fontes poluidoras; 
  • Incentivar o uso de tecnologias menos poluentes, com menores impostos e incentivos fiscais; 
  • Uso de equipamentos que reduzem os níveis de gases emitidos, dos quais podemos citar: catalisadores automotivos, filtros despoluidores nas chaminés das indústrias, além de outros; 
  • Monitorar constantemente lugares onde são depositados resíduos sólidos, para que não haja incêndios; 
  • Controle diário da qualidade do ar; 
  • Promover o reflorestamento de áreas degradadas; 
  • Elaboração de projetos de caráter preventivo contra possíveis poluições atmosféricas de grande proporção; 
  • Controlar as queimadas (lavouras, pastagens e florestas); 
  • Evitar o uso de agrotóxicos, dando preferência para o controle biológico; 
  • Preservação de florestas naturais; 
  • Implantação de sistema de transporte coletivo de qualidade, alimentado principalmente com biodiesel ou com eletricidade; 
  • Criação e expansão de áreas verdes nas áreas urbanas, como praças arborizadas, parques ecológicos, jardins, etc; 
  • Incentivar a troca de veículos velhos por mais novos, que gastam menos combustível e consequentemente poluem menos. Dentro destes incentivos, baratear a produção do carro elétrico, estimulando assim sua compra; 
  • Trocar a matriz de transporte: de caminhões, para trens, balsas e navios; 
  • Fiscalizar a porcentagem de mistura de biodiesel no diesel; 
  • Incentivar o uso de GNV, e de álcool; 
  • Tornar obrigatória a regularização de emissões do veículo; 
  • Incentivar a partilha do automóvel; 
  • Fomentar as jornadas de trabalho contínuas e os horários flexíveis, para evitar aglomerações nas horas do rush e atrasos frequentes; 
  • Repensar o ordenamento das cidades e novas urbanizações, para reduzir os grandes deslocamentos; 
  • Evitar a concentração de atividades (residencial e empresarial) em áreas muito separadas, que obrigam constantes deslocamentos; 
  • Criar ciclovias que liguem áreas de grande circulação de pessoas; 
  • Construir estacionamentos e bicicletários próximos às estações metrô e das principais ligações de transportes públicos com preço diário convidativo.

 PARA SABER MAIS:


AMDA – Associação Mineira de Defesa do Ambiente. Estimativa dos efeitos da Poluição Atmosférica sobre a Saúde Humana: algumas possibilidades metodológicas e teóricas para a cidade de São Paulo. Disponível em: http://www.amda.org.br/imgs/up/Artigo_13.pdf


REFERÊNCIAS


Educação Pública – Rio de Janeiro. Poluição atmosférica: Refletindo sobre a qualidade ambiental em áreas urbanas. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/geografia/0005.html

USP – Universidade de São Paulo. Educação Ambiental e Cidadania. Poluição Atmosférica & Chuva ácida. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.usp.br/qambiental/chuva_acidafront.html

AMDA – Associação Mineira de Defesa do Ambiente. Estimativa dos efeitos da Poluição Atmosférica sobre a Saúde Humana: algumas possibilidades metodológicas e teóricas para a cidade de São Paulo. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.amda.org.br/imgs/up/Artigo_13.pdf

Para que Não Lhe Falte o Ar. Peak-Flow Meter – o que é, como e quando se deve usar? Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.paraquenaolhefalteoar.com/articles.php?id=83

Um Como. Quais as Doenças Causadas Pela Poluição do Ar. Acesso em: 2014. Disponível em: http://saude.umcomo.com.br/articulo/quais-as-doencas-causadas-pela-poluicao-do-ar-9477.html

Minha Vida. Doença Pulmonar – DPOC. Acesso em 2014. Disponível em: http://www.minhavida.com.br/saude/temas/dpoc

Saúde Total. Poluição Atmosférica: Doenças causadas pela poluição atmosférica. Acesso em: 2014. Disponível em: http://saudetotal.org.br/artigos/meioambiente/poluicao/spdoencas.asp

Brasil Escola. Como diminuir a poluição do ar. Acesso em 2014. Disponível em: http://www.brasilescola.com/geografia/como-diminuir-poluicao-ar.htm

Proteste. Medidas para diminuir a poluição do ar. Acesso em 2014. Disponível em: http://www.proteste.org.br/saude/nc/noticia/medidas-para-diminuir-a-poluicao-do-ar

Partido Verde – Espírito Santo. Algumas Propostas para a redução da Poluição Atmosférica. Acesso em 2014. Disponível em: http://pves.org.br/artigos/8-algumas-propostas-para-a-reducao-da-poluicao-atmosferica


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

GRANDES MATEMÁTICOS: KEPLER


Por Wellington Schühli De Carvalho


Eu media os céus, e agora medirei as sombras da terra. Apesar de minha alma vir dos céus a sombra de meu corpo descansa aqui.
 Epitáfio de Kepler

A frase acima foi colocada no túmulo de Kepler. Escrita por ele mesmo, traz a sua natureza para marcar a história. Nascido, em dezembro de 1571 em um território que hoje faz parte da Alemanha, Johannes Kepler advinha de família humilde e pobre, mas desde jovem se mostrou uma mente brilhante. Como seu antecessor Copérnico, que o inspirou em seus trabalhos, Kepler era profundamente religioso e buscava obsessivamente compreender a origem do universo e suas propriedades essenciais.

A sua busca por uma precisão absoluta de seus cálculos tornou os seus trabalhos de pesquisa um ponto crucial para a aceitação da teoria heliocêntrica- centrada no sol- do sistema planetário. Foi também a Terceira Lei de Kepler que levou Issac Newton (e não uma maçã como muitos pensam) a descobrir a Lei da Gravidade. 

Sua importância histórica para áreas como a matemática, a astronomia e a física são inegáveis. Entretanto, a vida deste grande gênio foi marcada por grandes tragédias, como a morte de seus filhos, guerras e períodos conturbados. O julgamento de sua mãe como bruxa o fez desistir por anos de suas pesquisas. Por estes motivos recorreu muitas vezes a publicações de calendários astrológicos e horóscopos para obter recursos e, apesar de sua descrença nestas áreas, seus resultados eram bastante precisos. 

Figura 01 - Johannes Kepler.
 Fonte: en.wikipedia.org
Muitas de suas obras são de tamanha importância que até hoje são ensinadas nas aulas de física como, por exemplo, as três Leis que governam o universo: 1ª Lei de Kepler- Lei das Órbitas: os planetas descrevem órbitas elípticas em torno do Sol, que ocupa um dos focos da elipse. 2ª Lei de Kepler - Lei das Áreas: o segmento que une o sol a um planeta descreve áreas iguais em intervalos de tempo iguais. 3ª Lei de Kepler - Lei dos Períodos: o quociente dos quadrados dos períodos e o cubo de suas distâncias médias do sol são igual a uma constante k, igual a todos os planetas. A descoberta que permitiu a elaboração destas leis foi que as órbitas planetárias não eram círculos, mas elipses.

Durante sua carreira, Kepler foi professor de matemática em uma escola seminarista em Graz, Áustria e assistente do astrônomo Tycho Brahe, o matemático imperial de Rodolfo II e de seus dois sucessores, Matias I e Fernando II. Também foi professor de matemática em Linz, Áustria, e conselheiro do general Wallenstein. Adicionalmente, fez um trabalho fundamental no campo da óptica, inventou uma versão melhorada do telescópio refrator (o telescópio de Kepler) e ajudou a legitimar as descobertas telescópicas de seu contemporâneo Galileu Galilei.

Todos estes feitos ajudaram a tornar Kepler um dos gênios da matemática e deste modo suas descobertas nortearam diversos outros cientistas que, com suas teorias, moldaram uma verdadeira imagem do universo. 



REFERÊNCIAS

HAWKING, Stephen. Os Gênios da Ciência. 1ª Edição, Rio de Janeiro, Editora: Campus - BB, 2005.

História da Astronomia. Johannes Kepler. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Johannes_Kepler.  Acceso em 10/10/2014.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Tensão Elétrica, Diferença de Potencial ou Potência Elétrica?

Por Elisiane C. O. Albrecht



Ao pensamos nestes conceitos, podemos as vezes ter certa dificuldade em distinguir qual é a diferença entre eles. Então vamos tentar compreende-los melhor.

Figura 01: Charge sobre energia elétrica.
Fonte: Conheça Energia Geotérmica.

O Potencial elétrico é considerado uma grandeza escalar, a qual depende do meio material, da carga elétrica que produz o campo elétrico e a distância do ponto considerado até a carga.  Pode ser calculado através da equação matemática k.Q/d, onde k é a constante eletrostática, Q é o valor da carga elétrica e d a distância do ponto considerado. Se imaginarmos que existe uma carga elétrica de prova q que é transportada pelo campo elétrico gerado pela carga Q de um ponto A para um ponto B, pode-se determinar então os potencias elétricos em cada ponto, dados por k.Q/ dA e k.Q/dB respectivamente, onde estas relações são consideradas VA e VB . Quando se faz a diferença entre os potenciais elétricos entre os pontos temos o que chamamos de Diferença de Potencial (abreviado por ddp) entre os pontos A e B ou também conhecida com Tensão Elétrica, descrita como U. Como a ddp está relacionada com o trabalho realizado sobre a carga q, a unidade desta no SI é o Joule (unidade de energia) por Coulomb (unidade da carga elétrica) [J/C]. Em homenagem ao físico italiano Alessandro Volta (1745- 1827) foi convencionado a esta unidade o nome Volt (V).

Figura 02: Potencial Elétrico. Fonte: Mundo Educação.


E o que se diz de potência elétrica? Pra explicar, vamos entender primeiramente o que é corrente elétrica. Lembremo-nos da definição de materiais condutores: são aqueles que possuem uma grande quantidade de elétrons livres, ou seja, podem se mover com  facilidade. Assim sendo, corrente elétrica é o movimento ordenado destes pelo material. Se considerarmos um trecho de certo circuito elétrico, no qual é ligado uma fonte de energia, quando este sistema esta ligado haverá um trabalho realizado pela força elétrica sobre a carga elétrica que irá mover-se pelo circuito, sob a tensão, entre os pontos do trecho. Teremos então a seguinte relação: τ = ΔQ. U, onde tau (τ) é o trabalho , delta(Δ) Q diferença de quantidade de carga e U a tensão elétrica, desta forma temos que a potência elétrica será o trabalho motor realizado para deslocar a carga num intervalo de tempo, dada por:  P= τ/Δt , podendo também ser escrita da seguinte forma: P= ΔQ. U / Δt; mas como  i = ΔQ / Δt  (intensidade de corrente elétrica), temos então P= U.i . A unidade deste conceito no SI é o Watts (W), em homenagem a James Watt. Um Watt equivale a um Joule por segundo (J/s).       

Tabela 01: Relação potência elétrica e consumo. Fonte: Risconil.


REFERÊNCIAS:

Torres, Carlos Magno A. Ferraro, Nicolau Gilberto. Soares, Paulo Antonio de Toledo. Física – Ciência e Tecnologia. Vol 3. Eletromagnetismo, Física Moderna. 2° Edição, São Paulo, Editora Moderna, 2010.

Filho, Benigno Barreto. Silva, Claudio Xavier. Física aula por aula. Vol 3. Eletromagnetismo, Ondulatória e Física Moderna. 2° Edição, São Paulo, Editora FTD, 2013.