segunda-feira, 30 de junho de 2014

terça-feira, 24 de junho de 2014

AS COSMOGRAFIAS DA AMÉRICA!

Por: Luiza Valeria Canales Becerra

Os descobrimentos geográficos realizados por navegantes portugueses na segunda metade do século XV e o descobrimento da América em 1492 transformaram completamente o imaginário geográfico europeu. As fronteiras do mundo conhecido se alargaram rapidamente e traduziram-se em uma impressionante obra cartográfica, que no curso de algumas décadas transformou-se de maneira vertiginosa, abrindo a cosmovisão europeia sobre o mundo e trazendo consigo a modernidade ao Ocidente.

Figura 01 - AmericasiveIndia Nova etMagnae Gerard Mercator –
Michael Mercator, 1602.  Fonte: raremaps.com


O progresso cartográfico esteve intimamente relacionado ao aperfeiçoamento das técnicas de navegação, base necessária para viagens interoceânicas. A obra de Ptolomeu, redescoberta em meados do século XV e difundida através da imprensa, foi de particular importância ao fixar métodos de cálculo de latitudes e longitudes, e por enfatizar a importância de se estabelecer as bases do sistema de coordenadas, permitindo a navegação em mar aberto através da observação astronômica, técnica difundida pelos livros de cosmografia durante o século XVI. A projeção plana de Gerard Mercator significou um importante avanço, transformando completamente os métodos de confecção cartográfica.

Os descobrimentos geográficos realizados por exploradores e soldados espanhóis no novo mundo foram logo centralizados nas mãos da Casa de Contratação, instituição criada pela monarquia espanhola para supervisionar e controlar a navegação para as Índias. Durante o século XVI foi a organização de investigação cartográfica mais importante da Europa, contudo, o caráter empírico de sua cartografia e a confidencialidade em que se manteve, limitou seu impacto na sociedade.

O trabalho de difusão dos novos conhecimentos geográficos ficou a cargo dos impressores centroeuropeus, em particular dos Países Baixos, centro mercantil e financeiro da Europa setentrional, que no final do século XVI e início do século XVII se converteu no principal centro cartográfico do continente. A popularização da imprensa e o uso da gravação em madeira e posteriormente no cobre tornaram os custos da confecção e reprodução de mapas mais acessíveis, gerando uma verdadeira idade do ouro da cartografia. Em 1570, Abraham Ortelius publicou o primeiro atlas moderno da história, dando início a época de auge dos editores holandeses. Nas décadas posteriores, seu trabalho foi imitado por outros importantes cartógrafos, como o próprio Gerard Mercator, Cornelis de Jode, Willem Janszoon Blaeu, Johannes Janssonius, Frederick de Wit e Nicolas Sanson D’Abbeville.

A descoberta de novos territórios obrigou a revisão da figura do mundo que propuseram Ptolomeu e outros clássicos da antiguidade. Aceitou-se a existência de um novo continente e a sua representação sofreu numerosas variações através do tempo. Em 1507, este foi batizado de América pelo editor alemão Martin Waldseemüller, nome consagrado pouco tempo depois por Gerard Mercator.


Figura 02 - Americae Nova Tabula – Willem JanszoonBlaeu, 1621. Fonte: raremaps.com
Em 1597, CorneliusWyytfliet publicou uma das primeiras descrições do novo mundo, em que sem dúvida, abundavam detalhes fantasiosos. As utopias que gerou o descobrimento da América traduziram-se em constantes referencias a lugares míticos, como a Cidade dos Césares, El Dorado ou o fabuloso país de Quivira. Devido a isso, o início da cartografia americana esteve marcado por inúmeras imperfeiçoes, muitas das quais foram somente esclarecidas durante o século XVIII, graças as grandes explorações científicas realizadas por franceses e ingleses. A era da razão derrubou os últimos vestígios de utopia na cartografia americana, e abriu caminho para a representação científica do território.

REFERÊNCIAS:

Molinari, Diego Luis. El nacimientodelnuevo mundo: 1492-1534: historia y cartografía. Buenos Aires: Kapeluz,1941.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

terça-feira, 17 de junho de 2014

A RELAÇÃO ENTRE RECURSOS NATURAIS E MATRIZ ENERGÉTICA

Por: Lawrence Mayer Malanski


Figura 1- Mina de carvão na China.
Fonte: mineracionempesquisa.blogs
pot.com
 
A busca por fontes de energia sempre foi uma preocupação das sociedades humanas. Ao longo do tempo, o desenvolvimento dessas sociedades sempre esteve associado às formas de obtenção de energia. A partir da Revolução Industrial (1760-1840) o consumo de energia aumentou significativamente, sobretudo as produzidas a partir de hidrocarbonetos, e, atualmente, com questões ambientais em debate, buscam-se formas “limpas” de obtenção de energia a partir de recursos renováveis.




O conjunto de fontes de energia possíveis de serem extraídas e distribuídas denomina-se matriz energética. A matriz energética de uma região ou país depende da disponibilidade de recursos naturais ou de acordos econômicos de importação de matérias primas. A disponibilidade de recursos muda no espaço e dentro de um mesmo país pode variar de uma região para outra. Algumas regiões possuem rios com grande volume d’água, outras estão mais sujeitas a ação dos ventos, enquanto outras ainda possuem grandes reservas de petróleo, carvão mineral e gás, por exemplo. Comparando as matrizes energéticas do Brasil, Japão, China e Dinamarca nota-seque esses países possuem diversos recursos naturais e se apropriam deles de modo diferente para a produção de eletricidade e de combustíveis.
Figura 2: Gráfico da matriz energética mundial, 2004.
Fonte: /www.revistaopinioes.com.br

A matriz energética brasileira

Devido a sua grande extensão territorial e diversidade de paisagens, o Brasilé um país com ampla variedade de recursos energéticos. No entanto, para a transformação desses recursos em energia elétrica, utiliza-se, sobretudo, a força dos rios, responsáveis por aproximadamente 65% da eletricidade gerada no país. As bacias hidrográficas brasileiras oferecem grande potencial hidrelétrico que ainda pode ser explorado, pois seus rios correm principalmente sobre planaltos e possuem volume e velocidade de escoamento adequados à geração de eletricidade. Contudo, o regime dos rios está sujeito às condições do clima e as interferências humanas. Assim, pode ocorrer durante determinadas épocas de seca a diminuição da produção de eletricidade, ocasionando apagões. Para amenizar esse problema, vem se investindo no Brasil em usinas termoelétricas a base de petróleo, carvão mineral e álcool que são acionadas durante o período de estiagem, mas com custo ambiental e financeiro muito mais elevado. Está em obras também o terceiro reator nuclear de Angra dos Reis, comprado da Siemens na década de 1970, com previsão para entrar em operação apenas em 2018. No entanto, a energia nuclear corresponde a uma pequena parcela da matriz energética brasileira.

Figura 3: Hidrelétrica de Itaipu, no Rio Paraná.
Fonte: www.iguassuexpresshotel.com.br
Além da produção de eletricidade, os recursos energéticos são utilizados nos transportes e, nesse ponto, o Brasil ainda é muito dependente do petróleo. Pouco se investe em energias alternativas como a eletricidade, sendo que o próprio etanol e o biodiesel deixaram de ser economicamente vantajosos frente à gasolina e ao diesel tradicional. Outras alternativas de transporte nas cidades, como o uso da bicicleta e o transporte público de massa, também recebem poucos investimentos diante do transporte individual (carros). O resultado disso é a dependência de combustíveis fósseis para a mobilidade urbana e a poluição atmosférica, sobretudo, das grandes cidades.


A matriz energética japonesa

Com uma grande densidade demográfica e grande quantidade de indústrias, o Japão se localiza em um arquipélago vulcânico no Oceano Pacífico. A origem vulcânica tornou o subsolo japonês pobre em recursos energéticos como o petróleo e o gás natural. Além disso, nos poucos rios com potencial hidrelétrico do país já foram construídos usinas para a geração de eletricidade e não há mais potencial para a instalação de novas usinas. Nesse contexto, o dilema japonês é como produzir energia suficiente para abastecer sua grande demanda de modo contínuo e barato em um local carente de recursos energéticos. A solução encontrada foi a geração de eletricidade por meio de usinas nucleares a base de plutônio e urânio e termoelétricas que funcionam com derivados do petróleo e carvão mineral importados. As usinas nucleares japonesas produzem muita energia a um preço relativamente baixo e são consideradas seguras em situações normais, sendo que por lá existem mais de cinquenta reatores nucleares em funcionamento atualmente. 

No entanto, após fevereiro de 2011, quando um grande tsunami atingiu a central nuclear de Fukushima, o uso da energia nuclear no país vem sendo discutido. O governo japonês se comprometeu, a princípio, a substituir grande parte das usinas nucleares por outras fontes menos perigosas, como a eólica e a maremotriz, o que não aconteceu até hoje. Ainda, o governo chegou a conclusão de que a energia nuclear é de fundamental importância para o abastecimento básico da população e autorizou a construção de novos reatores seguindo critérios mais rígidos de segurança. O problema é que no Japão, essas usinas nucleares precisam resistir a constantes terremotos e estão sujeitas a eventos catastróficos como grandes tsunamis, o que não faz não parecer lógico a construção de várias delas em um país pequeno, com grande densidade demográfica e geologicamente instável. No entanto, fatores econômicos e a necessidade superam o medo de um grande desastre, ao menos no pensamento do governo japonês.

Figura 4: Central Nuclear de Fukushima, Japão.
Fonte: ipressglobal.com.

Com relação aos transportes, o Japão é um dos países que mais investem em veículos elétricos e híbridos no mundo. Contudo, essa eletricidade ainda provém de centrais nucleares ou termoelétricas. 

Quase todo o petróleo utilizado no Japão é importado, principalmente, do Irã, e o uranio e plutônio usados nas usinas nucleares vêm do Canadá, da África do Sul, França e Austrália, o que torna o país dependente economicamente e frágil do ponto de vista estratégico e geopolítico.

Figura 5: Distribuição dos reatores nucleares pelo mundo.
Fonte: www.terra.com.br. Acesso em:12 mai. 2014.

A matriz energética chinesa

Aproveitando-se de suas enormes reservas de carvão mineral extraídos de minas por todo o país, a China sustentou seu excepcional crescimento econômico das últimas décadas e o abastecimento de sua gigantesca população nesse combustível fóssil. O problema é que a queima do carvão mineral é extremamente poluente e os níveis de poluição nas cidades chinesas alcançaram níveis insuportáveis. Isso colocou os chineses em primeiro lugar no ranking mundial de países poluidores, com quase 20% de toda a poluição anual. No entanto, a China, assim como o Brasil, possui grande variedade de recursos energéticos disponíveis, incluindo hidrelétrico. Cientes dos problemas ambientais causados pela queima do carvão mineral, os chineses tornaram-se os maiores investidores em energias limpas e renováveis da Terra, como a solar e a eólica. Além disso, construíram a maior hidrelétrica do mundo no rio Yang-Tsé, superando em tamanho a binacional Itaipu. Mas o desafio de reduzir a emissão de poluentes é difícil e ainda está longe de ser superado por lá.

Figura 6: Poluição do ar em Harbin, China.
Fonte: www.noticias.terra.com.br. 

Além do investimento em energias “limpas” na matriz energética do país, os chineses são os maiores exportadores de painéis solares e turbinas eólicas do mundo, conseguindo vender esses equipamentos no mercado internacional com preço até 30% mais barato do que os concorrentes americanos e europeus. Contudo, essa tecnologia “limpa” ainda não chegou aos veículos chineses, que utilizam quase que em sua totalidade derivados do petróleo como combustível e são responsáveis pela maior parte da poluição das cidades. A ideia chinesapara reduzir esse problema é diminuir os índices de poluição dos carros novos e a quantidade de enxofre na gasolina, além de ampliar as pesquisas em biocombustíveis, inclusive, com parceria com empresas brasileiras. 


A matriz energética dinamarquesa

A Dinamarca é um pequeno país europeu um pouco maior do que o Estado do Espírito Santo e apenas 5 milhões e 600 mil habitantes (aproximadamente), mas sua matriz energética “limpa” é modelo para a Europa e todo o mundo. A meta do país é que até 2050 100% da energia produzida tenha origem “limpa” e renovável, eliminando as emissões de dióxido de carbono no setor. Atualmente, cerca de 45% da energia dinamarquesa é considerada “limpa” e proveniente de fontes renováveis. A principal aposta do país é na produção eólica offshore, ou seja, com as centrais eólicas instaladas no mar, além da energia solar. Por se localizar em uma Península (da Jutlândia), a Dinamarca possui extenso litoral (7.300 km), com grande incidência de ventos e, portanto, sua localização é extremamente favorável à geração de energia eólica.

Nos transportes, onde a necessidade de combustíveis fósseis ainda é grande, os incentivos são dados aos veículos movidos a eletricidade. O excesso de energia pode ser armazenado nos carros, que podem fornecê-la ao sistema elétrico em épocas de pouco vento.

Figura 7 – Estação eólica na costa dinamarquesa.
Fonte: http://www.dw.de 

Conclusão

A matriz energética de um país é o reflexo da disponibilidade dos recursos naturais e investimentos econômicos no setor de energia. No caso brasileiro, a matriz energética é variada, mas ainda predominam as hidrelétricas e os combustíveis fósseis. Um país com possibilidades diversas de produção de energia destaca-se dos demais por não ser dependente de apenas alguns recursos, como é o caso do Japão, que gasta muito para importar petróleo, gás natural, urânio e plutônio a fim de suprir sua carência de recursos energéticos. No entanto, é preciso investimentos econômicos em fontes variadas de energia para que possam ser aproveitadas. Já a China possui enormes reservas de carvão mineral, mas é consciente de que sua queima é altamente poluente. Assim, os chineses vêm investindo muito em fontes energéticas consideradas “limpas” e renováveis, mas ainda tem um grande desafio em alterar sua matriz energética diante de sua grande demanda. A Dinamarca, por sua vez, aparece como um país modelo em matriz energética “limpa”, pois tem um plano ambicioso de produzir toda sua energia a partir de fontes renováveis e pouco poluentes. No entanto, cabe ressaltar que a Dinamarca é um país pequeno e com pouca população se comparado ao Brasil e à China, por exemplo.


Referências


Deutsche Welle. Dinamarca estabelece meta de energia 100% limpa até 2050.
Disponível em: http://www.dw.de/dinamarca-estabelece-meta-de-energia-100-limpa-até-2050/a-17613274.
Acesso em: 09 mai. 2014.

Nova Escola. Entenda a matriz energética brasileira.
Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/geografia/pratica-pedagogica/energia-brasil-pais-presente-matriz-energetica-586688.shtml
Acesso em: 09 mai. 2014.

Opera Mundi. Japão enfrenta dilemas para adotar matriz energética renovável. 
Disponível em: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/24207/japao+enfrenta+dilemas+para+adotar+matriz+energetica+renovavel.shtml
Acesso em: 09 mai. 2014.

Revista Planeta. O poluidor mor se torna líder das energias renováveis.
Disponível em: http://revistaplaneta.terra.com.br/secao/meio-ambiente/china-o-poluidor-mor-se-torna-lider-das-energias-renovaveis.
Acesso em: 09 mai. 2014.


segunda-feira, 16 de junho de 2014

A MAIS CARA FORMA DE ENERGIA – O Desafio Químico das Pilhas

Por: Leandro Bossy Schip

Pequenas notáveis
Figura1:. Pilha de Alessandro Volta.
 Fonte: vintageephemera.blogspot.com

Quando utilizamos um controle remoto para ligar a TV ou trocamos as pilhas daquele despertador com barulho irritante que nos acorda todas as manhãs, nem sempre nos damos conta do fascínio que estas fontes de eletricidade despertaram na sociedade do século XIX. Se o físico italiano Alessandro Volta (1745-1827) estivesse vivo para vislumbrar o resultado que sua rústica pilha trouxe, depois de inúmeras melhorias que conferiram aos geradores químicos de eletricidade um formato muito mais compacto e robusto, certamente ficaria maravilhado com as possibilidades inimagináveis para seu invento.
Embora exista uma infinidade de configurações de matérias aplicáveis na construção das pilhas químicas o principio básico de todas é fundamentalmente o mesmo. Criar uma diferença de potencial elétrico entre dois materiais condutores diferentes, forçando o movimento de cargas entre eles a partir de uma reação química.





Desafio ambiental 

Nem sempre é possível aliar grande desempenho com um caráter inofensivo. Nos últimos anos os diversos aprimoramentos introduzidos ao processo de fabricação e as matérias primas empregadas na construção destas compactas fontes de energia conferiram a elas também um caráter venenoso para o meio ambiente. Como é o caso das pilhas recarregáveis que levam na sua composição o cádmio. Um modelo de pilha recarregável que vem substituindo as antigas pilhas de níquel-cádmio são as chamadas níquel-hidreto metálico (Ni-MH), que possui uma maior vida útil sendo também menos nocivo ao meio ambiente e possui uma densidade de energia superior a sua antecessora, mas também não está isenta de impacto ambiental se pensarmos que todo o manejo das matérias primas e os processos industriais empregados até que a pilha esteja montada e pronta para ser utilizada, toda essa cadeia de produção emprega um grande consumo de energia e também produz uma quantidade de resíduos diversos que devem ser contabilizados quando pensamos no custo benefício destas fontes de energia.
No caso das pilhas secas comuns e das pilhas alcalinas, embora a maioria delas tenha uma composição menos tóxica, sua principal desvantagem está no caráter descartável após a primeira descarga, uma vez que estas não podem ser recarregadas.

Figura2:. Comparação entre tamanhos das pilhas secas comuns com destaque para o tamanho AA.
Fonte: Rightbattery.com

Quanto custa uma pilha?

Quando pensamos em impacto ambiental é preciso tomar o cuidado para não simplificar o problema apenas ao resíduo descartado depois que o produto não tem mais utilidade, ou seja, quando nossas pilhas estão descarregadas ou inutilizadas. Isso porque as pilhas já poluíram e consumiram muita energia antes mesmo de saírem da fábrica. Em todo o processo de fabricação, desde a extração e manejo das matérias primas, até sua fabricação e distribuição ao consumidor a energia total gasta para fazer uma pilha é imensamente maior do que a energia que ela devolve ao longo de sua vida útil.
Entretanto é impossível estimar de maneira confiável todos os custos e perdas envolvidos no processo, mas podemos comparar alguns dados levantados pela empresa de tecnologia cadex.


AAA
AA
C
D
9 Volt
Capacidade (alcalina)
1.100 mAh
2.500 mAh
7.000 mAh
14.000 mAh
600 mAh
Energia (única célula)
1.4 Wh
3 Wh
9 Wh
18 Wh
4.2 Wh
Custo por célula (EUA $)
$1,25
$1,00
$1,60
$1,60
$3,10
Custo por KW/h (EUA $)
$ 890
$ 330
$ 180
$ 90
$ 730
Tabela 1:. Energia e custo comparado de pilhas primárias alcalinas. Fonte: batteryuniversity


Os custos estão expressos em dólar por conta de o estudo ter sido realizado nos EUA, mas para fins comparativos servem perfeitamente para percebermos que o custo das pilhas primárias, que são aquelas que não podem ser recarregadas, aumenta quanto mais compacta é sua construção. Como o é o caso do modelo AAA, comumente utilizada em aplicações de baixa potência como controle remoto de TV. Claro que o custo da energia diminui quando comparamos da mesma forma as baterias recarregáveis.



Chumbo Ácido
NiCd
NiMH
Li-ion
Capacidade
2.000 mAh
600 mAh
1.000 mAh
1.200 mAh
Tensão
12V
7.2V
7.2V
7.2V
Energia por ciclo
24 Wh
4.5 Wh
7.5 Wh
8.6 Wh
Numero de ciclos
250
1000
500
500
Custo da bateria
$ 50
$ 50
$ 70
$ 100
Custo por kW/h
$ 8,50
$ 11,00
$ 18,50
$ 24,00
Tabela 2: Energia e custo comparado de baterias recarregáveis. Fonte: batteryuniversity

As pilhas e baterias recarregáveis apresentam um custo-benefício muito superior, mas em termos da densidade de energia, empregar fontes químicas de eletricidade ainda pode ser pouco vantajoso em alguns casos. Este tem sido o grande desafio da indústria automobilística que em alguns anos tem lançado novos veículos elétricos como uma alternativa de mobilidade, mas eles ainda esbarram no custo das baterias que apresentam limitações muito maiores para funcionar em condições extremas de temperatura e possuem uma vida útil muito mais curta que um motor a explosão. Mesmo com os motores de combustível fóssil sendo maquinas extremamente ineficientes, aproveitando não muito mais que 25% da energia liberada na queima do combustível, contra os quase 100% de eficiência de recarga das baterias. Os velhos mal e cheirosos motores ainda são mais vantajosos em aplicações de grande escala, como maquinas pesadas. 
A densidade de energia refere-se a relação entre o peso de uma fonte qualquer com a capacidade de energia que ela pode fornecer. No caso das baterias de chumbo-ácido, apesar de elas terem uma capacidade de armazenamento superior e maior vida útil que outros modelos de baterias listados, estas são também as baterias mais pesadas do mercado, o que torna impraticável seu uso para aplicações como a aviação. E mesmo se fossem utilizadas baterias de lítio, como as usadas em alguns modelos de carro elétrico, se imaginar uma bateria destas com 100 kg ela produziria cerca de 10 kW de energia a um custo de 10.000 dólares, sem considerar o gasto com recarga e substituição já que sua vida útil de apenas 2.500h - um motor de combustão com o mesmo peso fornece 100 kW, sendo que o motor tem uma vida útil da ordem de 4.000h a um custo de aproximadamente 3.000 dólares.


Um passo para o futuro

As baterias já evoluíram muito, mas ainda faltam alguns passos para que alcancem um patamar de destaque na tecnologia ocupando completamente o espaço de outras fontes de energia menos eficientes.
Uma notícia animadora foi publicada recentemente no diário Nature Communications por uma equipe de cientistas dos laboratórios do Departamento de Energia dos EUA – incluindo Lawrence Berkeley, Brookhaven, SLAC e o National Renewable Energy Laboratory. Os pesquisadores analisaram exaustivamente com uso de microscopia eletrônica o comportamento da deterioração dos eletrodos que levam as baterias de lítio a perder sua capacidade de recarga com o passar do tempo e encontraram finalmente uma explicação detalhada do fenômeno que acontece para tal degradação. Essa pesquisa pode em alguns anos permitir construir baterias que previnam o fenômeno da cristalização envolvida com tal deterioração permitindo aumentar a vida útil das baterias recarregáveis.

PARA SABER MAIS:

http://parquedaciencia.blogspot.com.br/2013/08/a-melhor-bateria-descoberta.html
http://parquedaciencia.blogspot.com.br/2013/06/voce-tem-coragem-de-fazer-uma-pilha-em.html
http://parquedaciencia.blogspot.com.br/2013/08/pilhas-e-baterias-reaproveita-las-ou-nao.html

REFERÊNCIAS:

Renato Canha Ambrosio e Edson Antonio Ticianelli, Baterias de níquel-hidreto metálico, uma alternativa para as baterias de níquel-cádmio, Instituto de Química de São Carlos, USP, CP 780, 13560-970 São Carlos – SP. Quím. Nova vol.24 no.2 São Paulo Mar./Apr. 2001- 
Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422001000200015

Comparing the Battery with other Power Sources
Batteries against Fossil Fuel
Comparing Battery Power
Primary Batteries
Disponíveis em:  http://batteryuniversity.com/

Pilhas recarregáveis mais eficientes. 
Disponível em: http://www.dicasverdes.com/2008/12/pilhas-recarregaveis-mais-eficientes/

How to choose the best battery for your specific needs.
 Disponível em:  http://rightbattery.com/tag/battery-types/

Scientists pinpoint the creeping nanocrystals behind lithium-ion battery degradation. 
Disponível em: http://www.rdmag.com/news/2014/05/scientists-pinpoint-creeping-nanocrystals-behind-lithium-ion-battery-degradation


sábado, 14 de junho de 2014

ENERGIA – DEFINIÇÃO E APLICAÇÕES

Por  Rafael Gama Vieira  e Elisiane C. O. Albrecht              

O que você pensa quando escuta a palavra energia? Provavelmente associe à eletricidade, uma vez que utilizamos esta forma de energia diariamente. Porém, você consegue encontrar uma definição geral para este termo?

Energia vem da palavra grega “ergos", que quer dizer trabalho. Na Física dizemos então que a energia está associada à capacidade de um corpo realizar trabalho. Logo, não existe apenas a elétrica, mas também diversas formas de energia.

Ao nos movimentarmos, por exemplo, estamos utilizando a energia que conseguimos armazenar em nossos corpos a partir do consumo de alimentos. Por isso devemos nos alimentar todos os dias, caso contrário não teremos energia suficiente para realizar as tarefas diárias.

Um fator importante quando falamos em energia é que esta não pode ser gerada, mas sim transformada, ou seja, para obtermos uma forma de energia, precisamos fornecer outra para ser transformada. No caso citado acima, transformamos a energia química dos alimentos em energia mecânica ao nos movimentarmos.

A quantidade de energia fornecida por um alimento vem especificada em sua embalagem, na tabela nutricional, em Kcal (quilo calorias). Podemos também utilizar este Link, para calcular a energia.

Imagine que uma pessoa precisa subir uma escada de 3m. Considerando que ela tem uma massa de 70kg, esta gastará aproximadamente 2100J, ou 0,5Kcal.

Ao consultar o site vemos que 1g de alface, por exemplo, fornece 600J ou 0,14Kcal. Se considerarmos que toda a energia fornecida pelo alimento será utilizada para subir a escada, a pessoa deverá comer então aproximadamente 3,5g de alface para conseguir chegar ao topo. 

A seguir você verá diversas formas de transformação de energia e quais impactos causam no meio ambiente. 
Como já foi citado anteriormente quando se fala em energia a primeira coisa que pensamos é energia elétrica, porém sabemos que este não é o único tipo de energia. Mas não se deve esquecer que essa é uma das formas mais utilizadas pelas pessoas nos últimos tempos, e para se obtê-la a humanidade esta cada vez mais buscando adquirir meios renováveis de energia.

Podemos dividir as fontes de energia em dois tipos: as renováveis ou alternativas e as não renováveis ou fosseis. As renováveis, como o nome já deixa claro, são aquelas que podem ser regeneradas, sendo assim, não é possível estabelecer um fim temporal para a sua utilização. Estão associadas a recursos naturais tais como o sol, vento, chuva, mares e outros. Já as fontes não renováveis são aquelas encontradas na natureza de forma limitada e que acabam com seu uso.


Figura 01: Fontes de Energia. Fonte: Click Escolar.

Além das fontes de energia podemos também classificá-las através de suas formas, tais como: elétrica, térmica, mecânica, eletromagnética, química e nuclear. Vale ressaltar que a energia não é gerada do nada, mas sim transformada de uma forma em outra. É a partir desta transformação que podemos ter um impacto maior ou menor ao meio. 

Como fontes de energia não renováveis temos as que são transformadas em calor através da queima, como por exemplo do carvão,  petróleo e gás natural. Mas este método de transformação de energia trás muitos impactos ambientais, tais como dióxido de carbono, dióxido de enxofre e óxidos de azoto, entre outros. Também no caso do petróleo há risco durante sua extração, refinação e até mesmo durante o seu transporte pode trazer problemas para a natureza. Não devemos esquecer que a energia nuclear também é uma energia não renovável e um dos maiores problema deste tipo são os resíduos radioativos gerados. Tem-se também o risco de contaminação radioativa e os altos preços para construção de usinas nucleares podem dificultar o maior uso desta.




Figura 02: Usina Nuclear. Fonte: Site Teo Maria

Nos últimos tempos é possível observar um aumento na utilização de energia renováveis tais como energia solar, eólica, hídrica, biomassa e outras. São diversas as vantagens de se usar estes tipos, como a não emissão de gases para o meio, fontes que não se esgotam e contribuição no incentivo de novas tecnologias. Isso quer dizer então que não há desvantagem em usar estas energias? Não. Também temos algumas desvantagens, tais como:altos custos, algumas podem causar um impacto visual negativo, baixo rendimento no caso da energia solar em dias não ensolarados, desmatamento durante a construção, entre outros.

O que deve ficar claro é que qualquer transformação de energia irá gerar algum tipo de impacto, com menor ou maior grau. Porem há também a necessidade de termos consciência de que são nossas atitudes que podem contribuir para um mundo melhor.  


REFERÊNCIAS

Fontes de Energia. Site: www.brasilescola.com. Acesso em maio de 2014.

ROCHA, Laís Schiavon Da. E COSTA, Rozanda Guedes Da Silva. As Vantagens e Desvantagens das Energias Renováveis e Não Renováveis. Disponível no site: www.unigranrio.br, acessado em maio de 2014.

TORRES, Carlos Magno A., FERRARO, Nicolau Gilberto, SOARES, Paulo Antonio de Toledo. Física – Ciência e Tecnologia. 2ª Edição, São Paulo, Editora Moderna, 2010. 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

CONTINENTES E RAÇAS – PARTE 2

Por: Marcelo Domingos Leal

Legenda: Figura 01 – Diversidade Humana
Fonte: http://mensagens.culturamix.com

DIVERSIDADE BIOLÓGICA

O conceito de diversidade biológica esteve inicialmente associado ao número de espécies que habitavam determinado espaço geográfico, sendo sinônimo de riqueza específica. Com o passar do tempo, a abundância dessas espécies no ambiente, a variação entre os organismos da mesma espécie, entre outros aspectos, foram somando-se ao conceito, alterando-o profundamente. 

Dessa forma, o conceito contemporâneo de diversidade biológica procura referir e integrar toda a variedade e variabilidade que encontramos em organismos vivos, nos seus diferentes níveis, e os ambientes nos quais estão inseridos.

DIVERSIDADE BIOLÓGICA HUMANA

Com certeza você que está lendo este texto trabalha, estuda ou convive com uma série de pessoas, e supondo isto posso lançar a você um experimento simples. Observe com cuidado as pessoas ao seu redor.

Primeiramente você observará que dentro de um plano corporal básico somos iguais, por pertencermos à mesma espécie, ou seja, temos características intrínsecas a nossa espécie como: dois membros locomotores superiores, dois inferiores apoiados verticalmente abaixo de nossa bacia, o que nos confere a prática do bipedalismo, a posição ereta de locomoção, olhos em número de dois, localizados a frente de nossa face, cérebro com aproximadamente 1.350cm3 de massa, ausência quase que total de pelos, uma pele fina, dedo polegar opositor, e dedos terminando em estruturas formadas basicamente por queratina (unhas), entre outras.
Porém, são evidentes as extraordinárias variações morfológicas entre as diferentes pessoas: sexo, idade, altura, peso, massa muscular e distribuição de gordura corporal, comprimento, cor e textura dos cabelos (ou ausência deles), cor e formato dos olhos, formatos do nariz e lábios, cor da pele etc. 

Essas variações são quantitativas, contínuas e graduais, e estão ligadas a carga gênica e às condições ambientais ao qual o indivíduo ou as que seus antepassados foram expostos. Dentro destas variações fisionômicas podemos obter informações sobre a origem geográfica ancestral das pessoas: uma pele negra pode nos levar a inferir que a pessoa tenha ancestrais africanos, olhos puxados evocam ancestralidade oriental, narizes longos e afilados juntamente a uma pele clara nos levam a uma ancestralidade europeia, etc. E aliando estas informações fisionômicas as regiões geográficas, podemos observar a existência não de raças, mas de seres humanos adaptados de formas diferentes. Entre os três tipos básicos de seres humanos, encontramos os negróides (origem africana), os caucasianos (origem europeia) e os mongoloides (origem asiática). Veja abaixo algumas características que identificam estes três tipos de seres humanos:

Negróides – Grupo formado pelas populações que permaneceram no continente africano. Suas características são: pele escura, cabelos e olhos escuros, cabelo crespo, sistema piloso do rosto e corpo pouco desenvolvido, largura da face pequena, nariz achatado e de abas largas, lábios grossos, membros inferiores longos, etc.

Caucasóides – O nome refere-se à região do Cáucaso, no sul da Rússia, onde as primeiras populações desse grupo teriam vivido. Acabaram desenvolvendo uma pele mais clara porque se espalharam pela Europa, onde a pele escura prejudicava a absorção dos raios do Sol, bem mais raros que na África. Além disso, apresentam uma maior propensão a acúmulo de tecido adiposo (combate ao frio), nariz mais longo e afilado, pelos faciais e corporais bem desenvolvidos, olhos claros e estatura mediana. 

Mongolóides – Surgiram em regiões da Ásia de baixas temperaturas. Isso explicaria características físicas como o nariz mais achatado – adaptação adequada para evitar o congelamento que atinge principalmente as extremidades do corpo. Outras características são cabelos com textura lisa, escuros e de fios espessos, rosto largo, com desenho bem marcado que muitas vezes apresenta a região das bochechas mais recuada do que a parte superior e inferior do rosto, pele com tom amarelado, pelos corporais praticamente inexistentes, estatura baixa e a característica mais marcante, os olhos com fenda palpebral menor, que tem a função de proteger os olhos e o sentido da visão das baixas temperaturas e da grande luminosidade provocada pelo reflexo do sol na neve. A população humana que se espalhou pelo continente americano seria um subgrupo dos mongoloides.


REFERÊNCIAS

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]Gates, H. L., "The Science of Racism". Acesso em: 2014. Disponível em: 
www.theroot.com/id/46680/output/print

Revista Espaço Acadêmico. Acesso em: 2014. Disponível em:
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Canal do Estudante – Centro de Estudos – “Raça” Negróide.
Acesso em: 2014. Disponível em: 

http://www.canaldoestudante.com.br/templates/estudante/publicacao/publicacao.asp?cod_Canal=9&cod_Publicacao=1334&cod_grupo=9

UFRGS – Diversidade Biológica. Acesso em: 2014. Disponível em: 
http://www.ufrgs.br/patrimoniogenetico/conceitos-e-definicoes/diversidade-Biologica

Diversidade Biológica. Acesso em: 2014. Disponível em: 
http://www.ghente.org/ciencia/diversidade/div_biologica.htm

UOL Ciências – Raças humanas não existem como entidades biológicas, diz geneticista. Acesso em: 2014. Disponível em: http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2013/02/05/racas-humanas-nao-existem-como-entidades-biologicas-diz-geneticista.htm

Revista Espaço Acadêmico – Sobre Raças Humanas. Acesso em: 2014. Disponível em: 
http://www.espacoacademico.com.br/060/60carvalho.htm