quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

sábado, 5 de dezembro de 2015

terça-feira, 24 de novembro de 2015

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

ECOLOGIA: VOCÊ SABE DO QUE SE TRATA ISTO!!!

Figura 01 – Ecologia. Fonte: Envolverde.
A ecologia é a ciência que estuda as interações entre os organismos e seu ambiente, ou seja, é o estudo científico da distribuição e abundância dos seres vivos e das interações que determinam a sua distribuição. As interações podem ser entre seres vivos e/ou com o meio ambiente. A palavra ecologia tem origem no grego "oikos", que significa casa, e "logos", estudo. Logo, por extensão seria o estudo da casa, ou, de forma mais genérica, do lugar onde se vive.

Hoje utilizamos muitos artifícios tecnológicos para estudar nosso planeta, para “fazer” ecologia. Podemos pensar que satélites têm a mera função de registrar conversas ou localizar pessoas, e muitos deles realmente fazem isso, mas alguns estão a serviço dos ecólogos, registrando e transmitindo dados das migrações anuais das baleias-cinzentas. A Eschrichtiu robustus, ou a baleia-cinzenta, após o nascimento de seus filhotes nadam lado a lado com os mesmos e outras centenas de baleias em uma jornada de 8.000 Km em direção ao Oceano Ártico, a procura de alimento: poliquetas, crustáceos, tubícolas e outros seres vivos que cresceram durante o verão ártico. Estes satélites também ajudam os biólogos a traçarem outra rota, ainda mais importante que a de migração das baleias-cinzentas: a sua rota para longe da extinção, já que seu número vem crescendo após anos de proteção a estes seres vivos.

Que fatores ambientais determinam a distribuição geográfica das espécies? Como a variação da quantidade de alimento afeta o tamanho da população dos seres vivos? Como estes interagem entre si, e com o meio físico que os rodeiam? Questões como estas são enfoque da ecologia, e estas interações ocorrem em uma hierarquia de escalas que os ecólogos estudam, desde o organismo até a biosfera. Podemos entender um pouco mais disso no quadro a seguir: a amplitude da pesquisa ecológica.


Ecologia do Organismo
Inclui as subdisciplinas da ecologia comportamental, e fisiológica, e esta se preocupa com a forma como a estrutura, a fisiologia e (para os animais) o comportamento destes enfrentam os desafios impostos pelo ambiente.

Ecologia de Populações
População é um grupo de indivíduos da mesma espécie que vive em uma área em um mesmo intervalo de tempo. A ecologia das populações analisa os fatores que afetam o tamanho populacional e como e por que isso muda ao longo do tempo.

Ecologia de Comunidades
Comunidade é um grupo de populações de diferentes espécies que habitam uma área em um mesmo intervalo de tempo. A ecologia de comunidades examina como as interações entre as espécies, como a predação e a competição, afetam a estrutura e a organização das comunidades.

Ecologia de Ecossistemas
Ecossistema é um conjunto composto pela comunidade de seres vivos de uma área e fatores físicos com as quais eles interagem. A ecologia de ecossistemas enfatiza o fluxo de energia e os ciclos químicos entre os seres vivos e o ambiente.

Ecologia de Paisagem
Paisagem (terrestre ou marinha) é um mosaico de ecossistemas conectados. As pesquisas em ecologia de paisagem enfocam os fatores que controlam as trocas de energia, de material e de seres vivos entre múltiplos ecossistemas.

Ecologia Global
A biosfera é o ecossistema global – a soma de todas as paisagens e ecossistemas do planeta. A ecologia global examina como a troca regional de energia e de materiais influencia o funcionamento e distribuição dos seres vivos na biosfera.

Os últimos anos do século XX estão sendo marcados por uma progressiva tomada de consciência do homem no que diz respeito à necessidade de conservação do ambiente. Mais que nunca, dissemina-se a ideia de que a continuidade da vida em nosso planeta depende de políticas efetivas no sentido de serem evitados, entre outros, problemas como desmatamento, queimadas, desaparecimento de espécies, crescimento populacional desenfreado e – o grande mal dos nossos tempos – a poluição. A ecologia deixa de ser um conhecimento meramente teórico e passa a ser um problema do cotidiano. Mas estamos apenas no começo. Pelo menos no Brasil, ainda não se pode falar em uma política que leve realmente a sério a conservação do ambiente. Mais cedo ou mais tarde, porém, as coisas terão de mudar, pois disso depende a continuidade da vida na Terra. Não se espere, contudo, que, subitamente, todos os homens entrem em consenso e passem a defender o ponto de vista ecológico, pois a adoção de muitas das medidas visando à preservação ambiental exige, além de conscientização, fortes doses de renúncia.

Por Marcelo Domingos Leal


REFERÊNCIAS


ODUM, E. P.; Ecologia. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1988.

RICKLEFS, Robert E.; A economia da Natureza 5º edição. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2003.

SÃO PAULO, 1997. Glossário de Ecologia. 2ª ed. ACIESP. Nº 103. 352 p.

AB’SABER, A. et alii (eds.) 1987. Glossário de Ecologia. São Paulo, Publicação ACIESP nº57: 271pp.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O GERADOR DE VAN DE GRAAFF SÓ SERVE PRA ARREPIAR OS CABELOS?

O gerador de Van de Graaff é utilizado em escolas, feiras de ciência, centros de divulgação científica e outros lugares para demonstrar princípios da eletrostática. É um experimento muito conhecido pelas inúmeras atividades divertidas que podem ser realizadas, por exemplo, arrepiar os cabelos, conduzir latinhas de alumínio sem tocá-las, dentre outras. Entretanto, por que ele tem esse nome estranho? E para qual finalidade ele foi construído?

O responsável por construir essa máquina foi Robert Jemison van de Graaff, físico e engenheiro mecânico estadunidense nascido em Tuscaloosa, Alabama. Van de Graaff bacharelou-se em engenharia mecânica na Universidade do Alabama, obtendo o título de mestre no ano seguinte na mesma universidade. Em 1924 foi para Paris, onde participou de conferências com Marie Curie sobre radiação. Em 1925 entrou para a Universidade de Oxford, na Inglaterra, onde obteve os títulos de Bacharel e Doutor em Física em 1926 e 1928, respectivamente. Van de Graff se interessou muito pela área de Física Nuclear, querendo saber mais sobre as partículas que formam o átomo.

Assim, ao retornar para os Estados Unidos, dedicou-se a construir um acelerador eletrostático, ou seja, um acelerador de partículas. Os aceleradores impulsionam partículas subatômicas para que colidam com núcleos atômicos para poder estudá-los. O primeiro protótipo do gerador eletrostático de Van de Graaff foi construído no final de 1929 e alcançou 80.000 volts, enquanto trabalhava na Universidade de Princeton, Nova Jérsei. Em 1931, Van de Graaff conseguiu 1.000.000 de volts.
Figura 1: Ilustração simples mostrando o interior do Acelerador Eletrostático construído por Van de Graaff. Fonte: Adaptado de www.if.ufrj.br/~mms/lab4/Capitulo_08_Aceleradores.pdf
Já trabalhando no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), apresentou um modelo em 28 de novembro de 1933 que alcançou 7.000.000 volts, acontecimento reportado pelo jornal New York Times, no outro dia, com o título "Man Hurls Bolt of 7.000.000 Volts". O princípio de funcionamento do acelerador de Van de Graaff era o seguinte: uma partícula carregada negativamente é direcionada a um terminal carregado positivamente. Enquanto a partícula passa pelo terminal, elétrons são retirados desta partícula. Isso faz com que a partícula torne-se positivamente carregada e então caminhe no sentido contrário do terminal que está carregado positivamente também.

Figura 2 Gerador de Van de Graaff como o utilizado em demonstrações. Fonte: Site Feiras de Ciências.


Como dito, atualmente o Van de Graaff é mais utilizado para fazer demonstrações de efeitos da Energia Eletrostática. Apesar de já existirem modernos aceleradores de partículas com outras tecnologias, os aceleradores eletrostáticos ainda são utilizados por sua grande precisão.

Por Alan Henrique Abreu Dias


REFERÊNCIAS:

SALA, Oscar – O gerador eletrostático e suas aplicações. Disponível em: <http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252010000500003&script=sci_arttext>

Robert Jemison van de Graaff – Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Jemison_van_de_Graaff>

Aceleradores Eletrostáticos – Aula de Laboratório IF-UFRJ. Disponível em: <www.if.ufrj.br/~mms/lab4/Capitulo_08_Aceleradores.pdf>

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

DESMISTIFICANDO O SABER GEOGRÁFICO COM YVES LACOSTE

Yves Lacoste. Fonte: Wikimedia.
O francês Yves Lacoste foi um dos vanguardistas responsáveis por uma transição epistemológica na Geografia, sobretudo nos anos 1970, culminando na Geografia Nova ou Crítica. Tal transição se baseou numa reaproximação à sociologia e a história (em menor grau também à filosofia), especialmente às ideias e aos questionamentos de caráter marxista desenvolvidos por essas disciplinas ao longo do século XX. Consistindo, essa geografia renovada, como um verdadeiro esforço em reinterpretar a realidade espacial do mundo pela ótica dos conflitos sociais e econômicos nas suas mais variegadas formas e escalas (GODOY, 2010). 

Um dos marcos desse momento histórico acontece com a publicação da obra A Geografia, Isso Serve em Primeiro Lugar Para Fazer a Guerra de Yves Lacoste, em 1976. Tal obra escandalizou e atordoou a comunidade acadêmica da época com título tão provocativo e com um conteúdo verdadeiramente revelador e ousado, tornando-se uma das bases das discussões sobre o papel e os objetivos do geógrafo até os dias de hoje. Um dos temas nucleares dessa obra trata, justamente, de discutir para que serve, de fato, a geografia e é exatamente nessa questão que se revela a face oculta desse saber, seu papel político-ideológico...

Figura 1: Heródoto aponta um revólver com silenciador para o globo terrestre. Ilustração de Wiaz para a capa da 9ª edição do livro A Geografia, Isso Serve em Primeiro Lugar Para Fazer a Guerra. Fonte: Livraria Leitura.





















Para Yves Lacoste (2005), a Geografia, é uma área do conhecimento (científico ou não, isso, para ele, pouco importa) que aparece ao longo da história como instrumento de exercício e manutenção do poder. Ela é levada ao seu paroxismo e exagero pela expressão da guerra. Nesse sentido, o geógrafo incorpora um papel político-estratégico subordinado ao Estado ou a qualquer outra instituição/estrutura significativamente influente, onde o território e a sociedade são compreendidos com o objetivo final de dominação, controle, previsão e estabilização.

Esse saber geográfico de caráter político-estratégico foi ao longo do tempo considerado como uma técnica e um saber privilegiado, que proporcionaria vantagens, políticas, econômicas e militares, de uns (Estados, corporações, etc.) sobre outros. Portanto a verdadeira natureza dessa geografia não poderia ser massificada, mantendo-se tal conhecimento como um sigiloso monopólio das elites. Trata-se do que o autor chamará de a “Geografia dos Estados-maiores” e que existe há milhares de anos, desde as formações dos primeiros conglomerados políticos dotados de instrumentos militares e de desejos de dominação e extensão do poder (LACOSTE, 2005). 

Por outro lado, uma segunda forma de geografia passou a ser reproduzida nas instâncias educativas da sociedade, sobretudo em estados autoritários e totalitários. Tratava-se de uma geografia meramente enciclopédica e descritiva que servia, em um primeiro momento, como um dispositivo mistificador do espaço e de seus conflitos latentes, culminando em um discurso ideológico de viés nacionalista, que favorecia a manutenção hegemônica de determinado grupo político. Uma geografia que aparentemente se mostrava ingênua e mesmo enfadonha, mas que, em essência, era totalmente estratégica, pois neutralizava o seu verdadeiro valor, além de dissimular as possibilidades políticas a qual poderia servir. Essa aparência de neutralidade e inutilidade a qual se revestia a geografia lhe tornava incólume a qualquer forma de crítica: assim, segundo Lacoste, um discurso ideológico, político e bastante delicado era transmitido como um discurso pedagógico inofensivo e grácil.

Essa geografia, fazendo-se uso da cartografia e das paisagens, servia para exaltar a nação, suas fronteiras, conquistas, riquezas, benesses e potencialidades, ao passo que menosprezava ou simplificava outras culturas e nações, tornando-as exóticas e carentes de ajuda, o auge disso pode ser observado nos Estados Unidos do século XX, especialmente nos períodos das grandes guerras e da Guerra Fria (LACOSTE, 2005). Tal momento está especialmente associado com a expansão do neocolonialismo, onde uma intensa “propaganda geográfica” foi popularizada para justificar a ação militar, política e ideológica dos Estados Unidos pelo mundo a fora. Essa geografia, portanto, justificava a supremacia de determinada nação ou grupo de nações sobre outras e ao mesmo tempo apresentava argumentos que naturalizavam a guerra como um mal necessário, e a colonização e dominação como uma virtude que favorecia os dominados a se civilizarem e a se desenvolverem nos virtuosos moldes ocidentais, de modo a torná-los passíveis da influência externa. 

Tal propaganda ideológica foi também semeada meticulosamente nos países explorados junto a um amplo conjunto simbólico disseminado pelas potências a fim de se domesticar cultural e politicamente tais nações, tornando-as passivas e tolerantes a influência imperialista, facilitando a branda exploração dessas nações em prol das novas potências mundiais. Trata-se do que veio a se chamar de neocolonialismo (DORFMAN; MATTELART, p. 66, 1977).

Por Anderson Rodrigo Pereira da Graça


REFERÊNCIAS:


DORFMAN, Ariel; MATTELART, Armand. Para ler o Pato Donald: comunicação de massa e colonialismo. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1977. Tradução de Alvaro de Moya.

GODOY, Paulo R. Teixeira de (Org.). História do Pensamento Geográfico e Epistemologia em Geografia. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010.

LACOSTE, Yves. A geografia - isso serve em primeiro lugar para fazer a guerra. 9. ed. Campinas: Papirus, 2005. Tradução de Marília Cecília 
França.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

ATIVIDADE DE ASTRONOMIA REÚNE MAIS DE 200 PARTICIPANTES NO PARQUE DA CIÊNCIA!

Apesar do tempo chuvoso, mais de 200 pessoas compareceram ao Parque da Ciência na expectativa de contemplar a Superlua e o Eclipse Lunar total na noite do dia 27/09/2015. 

Para este evento raro, a equipe do Parque organizou uma programação especial iniciando às 20:00h, a qual envolvia sessões de planetário, observação do céu com telescópios e identificação das principais constelações e estrelas até às 23:30h.

Infelizmente, as condições climáticas não permitiram a observação direta destes e outros fenômenos e objetos celestes, mas acreditamos que as sessões de planetário tenham preenchido esta lacuna, por mais que a expectativa de todos era presenciar o fenômeno ao vivo.

Outras atividades semelhantes estão programadas até o final do ano. Para manter-se informado, siga a página do Parque no Facebook (www.facebook.com/parquedaciencia) ou visite o site ou blog do Parque da Ciência! 

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

PARQUE DA CIÊNCIA PROMOVERÁ OBSERVAÇÃO DO ECLIPSE LUNAR NESTE DOMINGO!


Parque da Ciência estará com uma programação especial neste domingo dia 27/09/2015, a partir das 20:00h, disponibilizando seus telescópios à população para que possa contemplar o Eclipse Lunar total e a Superlua, entre outros astros e fenômenos celestes até as 23:30h. 

O Eclipse Lunar ocorre em função da Lua atravessar o cone de sombra da Terra, ou seja, nosso planeta bloqueia a luz proveniente do Sol que é responsável por iluminar a a Lua. Tal fenômeno deveria deixá-la com um aspecto escuro porém, uma pequena parcela da luz solar que atravessa a atmosfera de nosso planeta perde energia neste processo e atinge a superfície lunar com uma tonalidade próxima do vermelho, dando-lhe o aspecto da famosa "Lua de Sangue".

Já a superlua é a coincidência da Lua Cheia ocorrer quando esta encontra-se no ponto de sua órbita de menor distância em relação à Terra, chamado de perigeu, conferindo-lhe tamanho  e brilho ligeiramente maior do que o normal.

O eclipse deste domingo é particularmente raro porque coincide com o fenômeno da Superlua, fato que só se repetirá em 2033.

Então, venha observar a Lua, Saturno, constelações e outros objetos curiosos do céu!

Não há limite de idade e as atividades são gratuitas! Em caso de tempo fechado, serão ministradas sessões de Planetário.


EVENTO: OBSERVAÇÃO DO CÉU EM GERAL E DO ECLIPSE LUNAR TOTAL


QUANDO: 27/09/2015, A PARTIR DAS 20:00h.

ONDE: PARQUE DA CIÊNCIA NEWTON FREIRE MAIA (ANTIGO PARQUE CASTELO BRANCO)
ESTRADA DA GRACIOSA 7400 - KM 20 - JD. BOA VISTA - PINHAIS

INFORMAÇÕES: (41) 3666 - 6156

ATIVIDADE GRATUITA!

COMO CHEGAR:


VIA TRANSPORTE PÚBLICO:

1) LINHA 073 - CTBA/Q BARRAS (GRACIOSA)

Deslocar-se até o Terminal do Guadalupe no centro de Curitiba e pegar a linha 073 - Curitiba / Quatro Barras (Graciosa). Descer no ponto em frente à Portaria do Globo de Madeira do Parque da Ciência.

VIA AUTOMÓVEL:

Partindo de Curitiba, deslocar-se até a BR 116, pista sentido São Paulo. Passando o Clube de Campo Santa Mônica e o Posto Colina, atentar para as placas indicativas à direita da pista. Após o Posto Colina, seguir pela saída à direita observando as placas com o nome "Parque Newton Freire Maia". Seguir cerca de 2km pela Rua Luis Berlesi até trecho novo da Estrada da Graciosa devendo, então, virar à esquerda e seguir até a Portaria do Globo de Madeira.


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

sábado, 5 de setembro de 2015

ROBÔS COM INSTINTO ANIMAL. SERÁ?

Figura 1 – Robô Águia. Fonte: Technology Blog

Acredito que a maioria dos leitores deste texto já assistiu ou, pelo menos, ouviu falar dos filmes “Exterminador do Futuro”, “Star Wars”, “Blade Runner”, “Matrix”, “Robocop” ou “Gigantes de Aço”. Nesses filmes, os robôs que faziam parte da ficção científica ganharam “vida” e se tornaram presentes na Terra.

O fato real é que a robótica já está presente em nosso cotidiano. Desde máquinas high-tech funcionando em fábricas e indústrias, passando por robôs que desarmam bombas e minas terrestres, chegando até aos robôs minúsculos que podem entrar em nosso corpo e detectar doenças.

Figura 2 – Robô industrial. Fonte: fgv-eaesp.blogspot.com.br
Figura 3 – Robô desarmando bomba. Fonte: inovacaotecnologica.com.br
Figura 4 – Nano robô . Fonte: Nanomedicina.webnode.
Entre os vários aspectos da robótica na atualidade, quero destacar neste texto uma nova conquista em relação à inteligência artificial. 

Um dos principais elementos que permitiu ao homem realizar suas conquistas como espécie foi a capacidade de planejar e de se adaptar. E isso é um dos principais desafios ao se construir um robô. Até hoje, qualquer robô do mundo, por mais sofisticado que seja, é incapaz de prever algo inesperado que não tenha sido previamente programado em sua central de comando.

Neste contexto, o trabalho publicado por cientistas da França e dos Estados Unidos na revista Nature descrevendo o experimento de um robô de seis pernas que conseguiu se adaptar para manter sua trajetória mesmo após algumas avarias foi considerado um grande feito na Ciência.

Figura 5 – Robô com “instinto animal”. Fonte: Fonte: www.lanacion.com.ar. 

Estes cientistas inspiraram-se na excelente capacidade dos animais para adaptar-se a lesões e ferimentos e desenvolveram um algoritmo que permite aos robôs se adaptarem a falhas e problemas em poucos minutos, voltando sozinhos a executar as tarefas originais. Esse algoritmo foi nomeado de Tentativa e Erro Inteligente e, de acordo com os cientistas idealizadores, esse algoritmo permite ao robô danificado selecionar a melhor estratégia com base em experiências e simulações de um robô sem avaria.

Dessa maneira, o robô usa uma simulação computacional de si mesmo para elaborar um mapa detalhado do espaço onde deve desempenhar suas ações e esse mapa representa, então, as intuições do robô, como uma espécie de “instinto” assim como observado em animais. 

No experimento realizado, o robô antes do problema sofrido havia armazenado em seu cérebro informático milhares de possibilidades de movimentos que eram possíveis pelo seu corpo e pelo espaço no qual se movia, semelhantemente aos seres humanos e aos outros animais. Assim, quando o robô perde uma pata ou sofre um dano em uma de suas articulações (conforme o experimento executado pelos cientistas), o algoritmo revê as melhores opções disponíveis e, em poucos minutos, o robô consegue se adaptar e realizar a tarefa que estava inicialmente prevista. Veja o esquema abaixo:

Figura 6 – Infográfico sobre o experimento do robô com “instinto”. Fonte: Jornal Estadão.

Os autores ressaltam que esse projeto foi possível devido à simplicidade do robô e também do número reduzido de opções que o robô deveria avaliar. Entretanto, esta técnica ajudará a desenvolver no futuro novos robôs mais robustos, eficientes e autônomos. O tipo de inteligência utilizado nesse experimento ajudará na construção de robôs capazes, por exemplo, de sobreviver a avarias depois de catástrofes nucleares, terremotos ou incêndios florestais, assim como melhorar os algoritmos que são usados em veículos sem motoristas e em robôs que realizam tarefas domésticas. 

Finalmente, essa inovação é importante, pois representa um passo em direção a robôs capazes de atuar fora de ambientes fechados e controlados como laboratórios e fábricas, e colocá-los no mundo imprevisível da vida real.

Por: Ednilson Rotini


REFERÊNCIAS

CASTRO, Fábio de. Robôs se adaptam sozinhos a defeitos para continuar funcionando. Jornal O Estado de São Paulo, seção Ciência. Disponível em: <http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,robos-se-adaptam-sozinhos-a-defeitos-para-continuar-funcionando,1695444>. Acesso em: 05/06/2015.

DOMINGUEZ, N. Robôs com instinto animal é a nova conquista da inteligência articifial. Site Uol Notícias, seção Ciência. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2015/05/28/robo-com-instinto-animal-e-a-nova-conquista-da-inteligencia-artificial.htm>. Acesso em: 13/07/2015.

GARCIA, Marcelo. Admirável mundo das máquinas. Site Ciência Hoje. Disponível em: <http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/09/admiravel-mundo-das-maquinas/?searchterm=Admir%C3%A1vel%20mundo%20das%20m%C3%A1quinas>. Acesso em: 13/07/2015.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O QUE É MODERNIZAÇÃO CONSERVADORA?

Figura 01: Pintura comemorativa, representando a proclamação do Segundo Império (Reich) Alemão. Fonte: Wikimedia.

O CAMINHO PARA A MODERNIZAÇÃO


Qual é o caminho para a modernidade? De fato, pode-se dizer que existe mais de uma forma de levar adiante o desenvolvimento. O pesquisador Barrington Moore Jr. (1913-2005) investigou a trajetória de diversos países rumo ao desenvolvimento industrial, apontando alguns fatores importantes na passagem das sociedades que a população dependia principalmente do campo e da agricultura para um estágio em que as cidades e a indústria passam a ser um elemento preponderante para a referida sociedade como um todo.

Assim, seu estudo indica que alguns países, tendo passado por agitações que poderíamos chamar de “revoluções burguesas”, colocaram em xeque as tendências centralizadoras do poder, favorecendo o florescer de experiências democráticas com maior participação da população na substituição de leis arbitrárias e na elaboração de leis mais justas (MOORE, p. 478). Este seria o caso de países como os Estados Unidos, a França e a Inglaterra que, através de conflitos bastante violentos, como a guerra Civil Americana, a Revolução Francesa e a Revolução Puritana, viram crescer a influência de grupos sociais com bases econômicas independentes.

Estes grupos, mais favoráveis ao capitalismo e à democracia, conduziam a sociedade de maneira que, à medida que a economia no molde capitalista ia se estabelecendo, ocorria o desmantelamento da sociedade rústica anterior.

Em outros países, como a Rússia, a nobreza não se direcionou ao desenvolvimento de uma agricultura comercial, conservando “suas propriedades e seu poder sobre os servos” (MOORE, 482), assim, ao mesmo tempo que se distanciava do czarismo, evitava também uma revolução de caráter burguês. De maneira análoga, a sociedade chinesa ficou, também, impedida de se organizar mais democraticamente, acumulando as tensões das massas camponesas de forma a eclodirem em revoluções que levariam ao estabelecimento de ditaduras comunistas.

Um terceiro conjunto de países experimentou um certo crescimento das atividades comerciais e industriais sem que houvesse uma ampla modificação das estruturas sociais, no sentido de uma democracia parlamentar. Neste grupo estariam, por exemplo, a Alemanha e o Japão, que tiveram um grande avanço industrial no início do século XX, contando com uma aproximação entre parcelas das seculares elites proprietárias de terras (como os Junkers alemães ou os samurais japoneses) e os comerciantes e industriais que conquistavam importância.

Figura 02: Aproximação entre samurais e soldados do exército imperial no período final do Xogunato. Fonte: Wikimedia.

A convergência dos interesses destes grupos sociais elevados contra camponeses e operários teve um efeito reacionário – enfatizado pela lealdade para com os superiores, pelas noções tradicionais de honra e pelo repúdio ao trabalho e às atividades geradoras de lucro. A preservação destes elementos da ética militar entre a nobreza foi um obstáculo à criação de uma sociedade livre formada por pessoas teoricamente iguais, o que levou à passagem por um período democrático instável que culminaria em regimes de orientação fascista.

No caso alemão, a “revolução vinda de cima” contou com o apelos patrióticos contra inimigos estrangeiros para, através da exaltação das tradições militares aristocráticas, canalizar a lealdade das populações em direção ao Estado unificado em torno da fortalecida monarquia prussiana dos Hohenzollern. (MOORE, p. 503-506)

Soma-se ao estímulo à indústria de armamentos, a formação de uma estrutura burocrática e repressiva, em que os militares e a polícia mantém em xeque os grupos que podem oferecer resistência à centralização dos poderes, ocasionando uma separação entre “governo e sociedade”. Como sugeria um ditado alemão, mencionado por Barrington Moore Jr., “contra os democratas só os soldados” (MOORE, p. 508).

Os japoneses, por outro lado, perceberam que seria inevitável aderir aos novos processos industriais para preservar o país diante de ameaças estrangeiras. A Restauração Meiji contou com a separação de uma parcela dos samurais, que passaram a se opor ao Xogunato Tokugawa, aliando-se ao imperador.

Algumas das medidas estabelecidas durante o Xogunato exigiam que os poderosos samurais – os daimyo – residissem com suas famílias na capital Edo, aumentando suas despesas e, como eram proibidos de exercer qualquer atividade comercial, os menores deles foram ficando à margem da sociedade. Alguns destes samurais empobrecidos adotavam e tornavam herdeiro algum filho de rico mercador; outros, acabaram por cortara seus vínculos, se tornando ronin que vagabundeavam dispostos a empreendimentos violentos; outros ainda se tornaram comerciantes eles próprios.

A região de Choshu se tornou um refúgio para os ronin, enquanto a região de Satsuma – a “Prússia do Japão” – mantiveram mais fortes os laços feudais e, com o enfraquecimento do Xogunato, acabaram por se aproximar do imperador. De maneira semelhante ao que ocorreu na Alemanha, esta aproximação levou ao à preservação de antigas estruturas de privilégios das antigas elites.

Por Tiago Henrique da Luz

PARA SABER MAIS...

E o Brasil, em qual destes modelos de desenvolvimento se enquadraria?

DOMINGUES, José Maurício. A dialética da modernização conservadora e a nova história do Brasil
Dados, Rio de Janeiro, v. 45, n. 3, p. 459-482, 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0011-52582002000300005&lng=en&nrm=iso>. Acessado em:  Julho de 2015. 

Diniz, E. (2010). Estado, variedades de capitalismo e desenvolvimento em países emergentes. Desenvolvimento em Debate, 1(1), 7-27. Disponível em <http://www.ideiad.com.br/seminariointernacional/arquivo7.pdf>  Acessado em Julho de 2015.


REFERÊNCIAS

MOORE, Barrington, Jr. As origens sociais da ditadura e da democracia : senhores e camponeses na construção do mundo moderno. Santos: Martins Fontes, 1967.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

UMA TRAPAÇA NAS PLANTAS

Figura 01 – Orquídea. Fonte: Biologia da Polinização.

Nas plantas pertencentes ao grupo Angiospermae, a reprodução sexuada é feita pela flor. A flor é considerada um ramo profundamente transformado, constituído de um eixo caulinar e folhas diversamente modificadas, algumas estéreis e outras férteis. As folhas estéreis auxiliam no processo de reprodução, exercendo a função de proteção dos órgãos reprodutivos ou de atração para agentes polinizadores como insetos, pássaros e morcegos. As folhas férteis formam verdadeiros órgãos sexuais masculinos (estames formados pela antera, conectivo e filete) e femininos os carpelos (formados por estigma, estilete e ovário).

A polinização é considerada como a transferência dos grãos de pólen das anteras para o estigma das flores. Dentre as estratégias das plantas para atrair os polinizadores estão os odores, a cor das flores, o tamanho, a morfologia da corola e o tipo de recursos oferecidos (óleos, pólen, néctar). Existem visitantes florais que coletam recursos em flores sem realizar a polinização, e também há espécies de plantas que atraem polinizadores sem oferecer qualquer recurso. Este tipo de associação é denominado polinização por engodo, sendo particularmente comum em plantas polinizadas por insetos. A maioria das espécies polinizadas por engodo simula a presença de recursos florais, como néctar, pólen e local de desova. Em casos extremos, algumas flores simulam características de insetos fêmeas, atraindo machos da mesma espécie que tentam copular com a flor efetuando, assim a polinização. Neste caso, os polinizadores são atraídos por estímulos visuais e olfativos exagerados dos quais se valem as plantas. Existem casos específicos em que plantas produzem aromas extremamente específicos que atraem apenas uma espécie de polinizador.

A literatura registra cerca de 33 famílias e 146 gêneros de plantas com este tipo de polinização. As flores nestes grupos apresentam características que simulam a existência de diversos recursos, utilizados pelos polinizadores como: restos de animais em decomposição procurados por moscas e besouros saprófagos para ovoposição e alimentação, local de abrigo e sinais associados à existência de um parceiro sexual, que atraem principalmente vespas e abelhas do sexo masculino que tentam copular com determinadas estruturas florais. 

Figura 2: Stapeia sp. Fonte:Asclepidarium.
Nas plantas que simulam locais de ovoposição e alimentação, as flores possuem coloração que lembra carcaças em decomposição, mas o odor é a principal fonte de atração dos polinizadores. Os odores lembram esterco, corpos de frutificação de fungos e carne em decomposição. Os polinizadores procuram este tipo de planta para depositar seus ovos na expectativa que suas larvas terão alimento quando eclodirem ou para própria alimentação. Espécies de Stapelia (Apocynaceae) utilizam este tipo de recurso para garantia de polinização.

Já nas plantas que simulam locais de abrigo encontramos o curioso exemplo da orquídea do gênero Serapias da região do Mediterrâneo. As flores simulam locais de abrigo utilizados por espécies de besouros, vespas e abelhas solitárias. Sépalas e pétalas formam um tubo floral que se assemelha a entrada de ninhos e abrigo destes insetos, e a temperatura no interior das flores é superior àquela encontrada no ambiente. 
 
Figura 3: Serapias sp. Fonte: Orchid Species.

Dentre os tipos de polinização por engodo, a simulação de parceiros sexuais, é o mais interessante. Neste tipo de polinização os insetos do sexo masculino são os principais polinizadores, uma vez que as flores simulam a presença de fêmeas. Os machos são atraídos pelas flores á procura de fêmeas e, assim, efetuam a polinização. A polinização por pseudocópula é um caso em que a simulação do parceiro sexual atinge graus elevados de especificidade, uma vez que o inseto macho efetua a polinização quando tenta se acasalar com determinadas partes da flor, a qual simula a presença de uma fêmea. A origem deste tipo de polinização pode estar associada ao surgimento de aromas florais que foram selecionados pelas plantas para defesa contra herbivoria. Estes aromas se assemelhavam aos feromônios de insetos agressivos, os quais passaram a ser atraídos pelas flores e atuar como polinizadores. Na polinização por pseudocópula, os compostos mimetizam feromônios sexuais emitidos por insetos fêmeas, atraindo desta forma indivíduos machos que atuam como polinizadores.
 
Os casos mais famosos podem ser observados em espécies do gênero Ophrys (Orchidaceae), nas quais o labelo das flores mimetiza diversas características dos insetos fêmeas. Os machos confundem-as com fêmeas e pousa roçando seu dorso nas polínias (massas de grãos de pólen) onde as mesmas aderem-se ao inseto e este passa a outras flores fecundando o estigma contido em uma invaginação da coluna. A atração dos zangões se dá por meio visual como também por meio bioquímico, sendo que este gênero secreta a mesma substância das fêmeas de himenópteros. A fecundação é facilitada devido à emergência das ninfas dos machos antes das fêmeas, os machos após um tempo aprendem a diferença e passam a não mais polinizar as flores, portanto são favorecidas aquelas que florescem cedo. O tamanho do labelo é um modo de seleção do polinizador.

Por Tamara Francislaine Santana


REFERÊNCIAS

Boletim CAOB Coordenadoria das Associações Orquidófilas do Brasil. Nº58 Abr/ Jun, 2005. Fonte: file:///C:/Users/Herbario/Downloads/Sistemas%20de%20poliniza%C3%A7%C3%A3o%20em%20orqu%C3%ADdeas.pdf. Visitado no dia 10/08/2015 às 10:45.

DRESSLER, R. L. The Orchids, Natural History and Classification. Harvard University Press. Harvard, 1981.

GLOVER, B.J. Understanding flowers and flowering na integrated Apporoach. Oxfor press, 2007.

PERCIVAL, M. Biology floral. Pergamon Press, 1965.

RECH, A.R., AGOSTINI. K., OLIVEIRA EP.E., MACHADO I.C. Biologia da Polinização. 1ºed. Editora Projeto Cultural, 2014.

SOUZA, L.A. Morfologia e Anatomia Vegetal: Células, Tecidos, Órgãos e Plântulas. Editora UEPG, 2003.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

PAISAGENS DO MEDO E FRAGMENTAÇÃO DO ESPAÇO URBANO


As cidades representam a grande aspiração humana em relação a uma ordem perfeita e harmônica, tanto no que se refere a suas estruturas arquitetônicas quanto nos laços sociais que nelas existem, opondo a aparente desordem e caos da natureza (TUAN, 2005). Assim, à medida que as pessoas aumentaram seus poderes sobre a natureza, o medo que sentiam dela diminuiu exponencialmente (TUAN, 2005). No entanto, ao longo de suas histórias, as cidades deixaram de ser esses modelos ideais e tornaram-se espaços físicos desorientadores e amedrontadores (TUAN, 2005). 

Além dos espaços físicos, o medo nas cidades não pode ser nitidamente isolado do medo de seus habitantes. De acordo com Yi-Fu Tuan (2005, p. 10), o medo é um sentimento complexo experimentado por pessoas, sendo, portanto, subjetivo, no qual se distinguem dois componentes: o sinal de alarme, detonado por um evento inesperado impeditivo no meio ambiente cuja resposta da pessoa é enfrentar ou fugir; e a ansiedade, sensação difusa de medo que pressupõe uma habilidade de antecipação. Nesse contexto, o autor destaca que nas cidades, a principal forma de medo é a ansiedade, causadora do sentimento de insegurança. 

Daniel Innerarity (2010) despende o papel das mídias no sentido de emoldurar o sentimento de insegurança geral que toma conta dos espaços das cidades, mantendo o terror numa dose aceitável. Assim, conforme Zygmunt Bauman (2009, p. 15), “a aguda e crônica experiência da insegurança é um efeito colateral da convicção de que, com as capacidades adequadas e os esforços necessários, é possível obter uma segurança completa.”. 

Então, espalham-se pelas cidades contemporâneas, sobretudo na interface entre o espaço público e o privado, edificações que lembram os fossos, as torres e as seteiras das muralhas das cidades antigas, caracterizando uma verdadeira arquitetura do medo e da intimidação que transforma esses espaços em áreas extremamente fortificadas e vigiadas dia e noite (BAUMAN, 2009). No entanto, se nas cidades antigas tais edificações serviam para proteger os espaços urbanos e seus habitantes de inimigos externos, nas cidades contemporâneas elas servem para dividir e manter separados seus próprios habitantes (BAUMAN, 2009).

Figura 1: residência com muro alto, concertina, cerca elétrica e câmeras de vigilância. Disponível em: <http://goo.gl/xG6XjF>. Acesso em 10/06/2015

Conforme Teresa Caldeira (2005, p. 211), “as regras que organizam o espaço urbano são basicamente padrões de diferenciação social e de separação”, que variam culturalmente e historicamente, mas que revelam como grupos sociais distintos se inter-relacionam nos espaços das cidades. Por este motivo, a tendência nas cidades contemporâneas é que as pessoas se isolem em “enclaves fortificados”, ou “guetos voluntários” segundo (BAUMAN, 2009), caracterizados como propriedades privadas, fisicamente demarcados e isolados, controlados por guardas e sistemas de segurança e que, principalmente, tendem a ser socialmente homogêneos (CALDEIRA, 2011). Desse modo, as pessoas buscam defender a própria segurança procurando a companhia dos semelhantes, afastando os estrangeiros (BAUMAN, 2009). Assim, entende-se que, conforme Tuan (2005), a heterogeneidade social é uma condição que incentiva o conflito, sendo que nas cidades isto coexiste no tempo e no espaço. 

Figura 2: casas em condomínio. Comumente, as casas localizadas em condomínios não têm muros internos, mas grandes muros cercam todas as extensões de seus perímetros, Já as pessoas que neles moram tendem a ter padrões sociais semelhantes. Disponível em: <http://goo.gl/uQa24b>. Acesso em: 10/06/2015.
Figura 3: arquitetura antimendigo. No caso, as pedras pontiagudas colocadas embaixo do viaduto impedem que moradores de rua ocupem o espaço. Disponível em: <http://goo.gl/Uxtl6F>. Acesso em: 10/06/2015.

Por fim, diante do contexto apresentado de fragmentação dos espaços das cidades e da representação do medo em suas paisagens, pode-se refletir sobre a afirmação de Innerarity (2010, p. 119) de que “para que a urbanidade se realize tem de haver integração social, sem a qual a tolerância estará sempre a um passo de se transformar em preconceito e segregação”. Nesse sentido, no contexto das cidade contemporâneas, infere-se que as cidades estão cada vez mais vazias de urbanidade, porém cheias de preconceito e segregação.


Por Lawrence Mayer Malanski


REFERÊNCIAS

BAUMAN, Zygmunt. Vigilância e medo na cidade. Petrópolis: Ed. Zahar, 2009.

CALDEIRA, Teresa P. R. Cidade de muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: EDUSP, 2011.

CARMONA, Matthew. Contemporary public space: critique and classification, part one: critique. In: Journal of Urban Design, v. 15, n. 1. fev. 2010, p. 123-148.

GOMES, Paulo C. C. A condição urbana: ensaios de geopolítica da cidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.

INNERARITY, Daniel. O novo espaço público. Lisboa: Textos Editores, 2010.

TUAN, Yi-Fu. Paisagens do medo.  São Paulo: Editora da UNESP, 2005. 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

FÓSSEIS: O QUE SÃO, COMO SE FORMAM

Figura 01 – Fóssil Giganotosaurus: "Giganotosaurus AustMus email". Licenciado sob Domínio público, via Wikimedia Commons.

O QUE SÃO FÓSSEIS


A palavra fóssil é derivada do latim fossilis que significa extraído da terra, mas possui uma designação ampla e abrangente:

Reúne restos de organismos pré-históricos, impressões deixadas por restos de organismos e estruturas biogênicas que se originaram de certos tipos de atividade de antigos animais e vegetais.

Os fósseis normalmente são encontrados em rochas sedimentares ou metassedimentares, em âmbar ou no gelo. Além disso, também podemos considerar os "fósseis vivos" como achados particularmente interessantes.

História dos Fósseis de Dinossauros


O estudo dos seres vivos e a busca por informação sobre quem são, de onde vieram, sua forma de vida, entre outros aspectos, é algo intrínseco a espécie humana, e vem sendo cultivado por séculos desde que formaram-se as primeiras sociedades organizadas. Filósofos, matemáticos e mais tarde químicos e cientistas naturais (naturalistas) sempre se encantaram com a biodiversidade que os rodeava, e tentavam de toda forma explicá-la, sistematizando-a para um maior entendimento.

Além do estudo e da sistematização das espécies atuais, muitos filósofos e eruditos antigos, principalmente gregos, depararam-se com estruturas magníficas, as vezes colossais, que fugiam ao seu conhecimento, e iam mui além da imaginação dos homens da época. Muitas destas estruturas vieram a dar origem a mitos relacionados com heróis, gigantes e criaturas colossais. De acordo com MAYOR (2000, p.361) o mito grego consiste numa mistura complexa de contos sobre a origem do mundo natural e a história de seus primeiros habitantes. Essas associações mitológicas com o inexplicável resultaram na criação do termo “geomitologia”, proposto por VITALIANO (1968, p.5-30, 1973, p.305), o qual se refere às lendas que explicam através de metáforas poéticas e do imaginário mitológico, a existência de eventos geológicos como terremotos e grandes atividades vulcânicas.

Os achados eram normalmente considerados pelos gregos como ossos de dragões, ciclopes ou centauros, mas também atribuídos a gigantes ou a esqueletos de seus heróis, os quais os gregos imaginavam serem dotados de uma maior estatura (MAYOR, 2000, p.361). Estas estruturas que hoje chamamos de fósseis, foram pouco compreendidas em sua época de descoberta, mas passados os anos, com o avanço científico e o conhecimento adquirido pelos então cientistas, vem mais tarde a dar origem a uma promissora área do conhecimento, a Paleontologia. 

Os relatos mais antigos sobre fósseis datam de manuscritos chineses com mais de 1.700 anos de existência. Este povo ao entrar em contato com estas antigas ossadas achava ser de dragões, e usavam estas para fins medicinais e afrodisíacos. Um dos seres mitológicos mais famosos, o grifo, provavelmente teve sua origem histórica a partir do contato entre gregos e povos asiáticos a mais de 2.500 anos atrás. Povos que vinham comercializar com os gregos e que passavam pelo deserto de Góbi na Mongólia, contavam aos helenos histórias sobre uma criatura aterrorizante que guardava um pote de ouro. Esta criatura possivelmente eram ossadas de Protoceratops, e seu bico córneo (típico desta classe de animal) foi confundido com o bico de uma grande águia.

Os fósseis de dinossauros e outras espécies animais só começaram a ser entendidos como restos de animais que já tinham entrado em extinção, em meados do século 17, pelas mãos de cientistas como Willian Buckland, Robert Plot e Richard Owen.

Fossilização


Quando um organismo morre, é submetido a um ataque rápido de organismos como fungos e bactérias necrófagas, além de animais comedores de carniça e desmembradores. Estes atacam principalmente as partes moles dos cadáveres, e com o desaparecimento das partes moles o desmembramento do esqueleto que antes estava articulado, torna-se mais fácil. Além dos desmembradores, fatores como chuva, ação de rios, desmoronamentos, entre outras causas naturais contribuem para desarticular os cadáveres.

Então em paleontologia, o normal é que os paleontólogos encontrem partes de seres vivos, ou seja, pedaços de ossos, presas, dentes, etc..., partes estas que são mais resistentes à ação do tempo. Quando esqueletos completos, ou parcialmente articulados são encontrados, muito há para ser comemorado, pois estes são achados extremamente raros.

A fossilização é uma sequência de eventos que vai permitir a transformação de um organismo em um fóssil. Para que ocorra esta transformação, o primeiro evento deve ser o soterramento imediato da carcaça, para que a mesma fique inserida em um meio redutor (sem a presença de oxigênio), para que o corpo fique livre do ar, e conseqüentemente da ação dos necrófagos. Ocorrendo isso, o tempo de decomposição da matéria orgânica cai drasticamente, e assim os ossos ou partes duras podem sofrer a impregnação de minerais trazidos pela água de percolação.

Um fator importante é em relação à natureza do sedimento, pois sedimentos de granulometria mais fina como argila e siltes auxiliam no processo de fossilização, enquanto sedimentos de grãos mais grosseiros como areias e conglomerados permitem à circulação da água e consequentemente a decomposição da matéria orgânica. Ambientes lacustres, flúvio-deltaicos e marinhos profundos favorecem muito esse tipo de soterramento, não à toa, uma grande parte dos fósseis são achados em locais onde antes existiam rios, lagos e oceanos. Outra forma de soterramento é o relacionado com erupções vulcânicas. Neste caso não estamos falando da lava, que pode atingir mais de 1000C, mas das cinzas lançadas pelos vulcões.

Porém, mesmo que o espécime tenha sido soterrado rapidamente, e esteja depositado em um ambiente redutor, isto não é uma garantia de que o esqueleto ou tronco vegetal se manterá unido. Devemos considerar que a camada de sedimento onde este animal ou vegetal está depositado pode sofrer a influência de eventos geodinâmicos importantes, que podem vir a separa as partes do conjunto, ou até mesmo deformá-los durante os milhares ou milhões de anos.

Durante o processo de fossilização, a camada de sedimentos que se formou sob a carcaça, com o passar dos milhares e milhões de anos também será coberta por outras camadas superiores, e então a pressão exercida por este pacote de estratos, formará o que chamamos de rochas sedimentares. Estas deverão ter características parecidas, pois fizeram parte de um mesmo ambiente de deposição e sedimentação. Este processo de formação de rochas sedimentares também ocorre em ambientes como desertos e áreas glaciais, mas nestes locais devido às severas condições ambientais, a ocorrência de fósseis é muito menor. Então locais com formação de rochas sedimentares são essenciais para a procura de fósseis por paleontólogos.

Os fósseis nos dão uma noção de como era o passado na Terra, sua Biota e como esta interagia com o meio ambiente a sua volta. Estima-se que cerca de 0,1% de todas as espécies tenham deixado suas marcas como remanescente, o restante virou pó. Então é muito importante o trabalho de procura, coleta e estudos dos fósseis, para que conheçamos melhor o mundo em que vivemos, observando como ele foi e como poderá ser no futuro.

Fóssil Vivo


Quando falamos em fósseis, pensamos em estruturas de animais ou plantas que viveram a milhares, ou milhões de anos atrás. Porém, quando nos deparamos com o termo fóssil vivo, nos questionamos: O que é um fóssil vivo?

Bem, "Fóssil vivo" é um termo utilizado para espécies ainda existentes em nosso meio, e que lembram uma espécie já supostamente extinta e encontrada apenas em registros fósseis. "Fóssil vivo" é um termo informal, frequentemente utilizado em textos não científicos e em manuais escolares, para designar seres pertencentes a grupos biológicos atuais que são os únicos representantes de grupos que foram bem mais abundantes e diversificados no passado geológico da Terra. Por essa mesma razão, os seres apelidados de "fósseis vivos" apresentam frequentemente aspectos morfológicos muito similares aos dos seus parentes mais antigos preservados sob a forma de fósseis no registro geológico. Entretanto, os "fósseis vivos" não devem ser entendidos como espécies que não evoluíram, pois não são seres "parados no tempo". São seres distintos daqueles do passado, pertencendo a espécies distintas das representadas no registro fóssil, mas com as quais são diretamente aparentados e, portanto, morfologicamente muito similares. 

O caso mais famoso de um fóssil vivo é o peixe crossopterígeo celacanto, de nome científico Latimeria chalumnae. Em 1938, Marjory Courtenay-Latimer procurava em um mercado ribeirinho próximo de East London na África do Sul, espécimes para o museu onde trabalhava, até que deparou-se com um achado assombroso. A jovem ictiologista dava ao mundo um fóssil vivo, o celacanto Latimeria chalumnae o único representante vivo da subclasse Crossopterigi, supostamente extinta há 50 m.a.

Outra forma de fóssil vivo seria no caso de uma espécie viva, porém sem nenhum parentesco com outras espécies contemporâneas, mas que é a única sobrevivente de um largo grupo no registro fóssil (o melhor exemplo é a árvore ginkgo, Ginkgo biloba). Outros "fósseis vivos" são Ennucula superba; Lingula anatina, um braquiópode inarticulado; O tuatara (Sphenodon punctatus); O Limulus polyphemus que se assemelha a um trilobita; A Sequoia-gigante (Sequoiadendron gigantea); O Pinheiro-de-Wollemi (Wollemia nobilis); A “traça dos livros” (Thysanura); O Ornitorrinco e a Équidna (Monotremata).

PROCESSOS DE FOSSILIZAÇÃO


O processo de fossilização ilustrado acima, é uma descrição genérica dos vários processos que podemos encontrar na natureza, pois a fossilização ocorre de forma muito variada, conforme forem as características do ambiente. Estas características são: relevo, geologia, clima, química dos sedimentos, e da água de percolação, intensidade de ação do tempo geológico, etc.

Quando falamos em fósseis na paleontologia, a primeira imagem que nos vem a cabeça são os ossos, dentes e garras. Porém, não podemos nos referir apenas a estas estruturas como fósseis, já que existem vários tipos de fossilização, tipos estes descritos abaixo:

  • Incarbonização – quando ocorre a incorporação de carbono substituindo os outros elementos químicos da matéria orgânica. Isso ocorre normalmente em vegetais e insetos com esqueleto a base de quitina, como besouros, por exemplo.
  • Mumificação – ocorre quando o fóssil é aprisionado em um meio fossilizante com o mínimo possível de decomposição da matéria orgânica. Isto pode ocorrer pela ação do âmbar (resina das antigas coníferas), asfalto, betume ou gelo. No caso do gelo pode ocorrer por soterramento. Este processo pode se dar por vias humanas, no famoso processo de mumificação exercido pelos egípcios e pelos povos sul-americanos antigos como maias e incas.
  • Moldagem – nesta forma de fossilização, são produzidos moldes da parte interna ou externa do ser vivo pelo material sedimentar que o envolve. Existem três tipos de moldagem:
    1. Moldes externos – quando a impressão corresponde ao exterior do organismo;
    2. Moldes internos – quando a impressão corresponde à parte interna do organismo;
    3. Contra-molde – quando o molde externo é coberto por sedimentos.
  • Mineralização – quando as partes orgânicas dos seres são substituídas molécula a molécula por substâncias minerais, trazidas por água de percolação. Estas substâncias são comumente sílica, carbonato e pirita. As madeiras petrificadas são exemplos de mineralização por sílica. Outros mais raros como os fósseis opalizados da Austrália geram grande cobiça.
  • Impressão – a impressão é como se fosse um molde externo. Neste tipo de fossilização o indivíduo deixa uma espécie de carimbo da sua estrutura sob o sedimento mole, que depois de sofrer compactação e se transformar em rocha, conserva a marca do fóssil. Muito comum para folhas e penas.
  • Icnofósseis – são marcas ou vestígios da atividade dos seres vivos. Estas podem ser pegadas, coprólitos e urólitos (excrementos fossilizados), rastros, vestígios, ou qualquer forma de mudança no ambiente provocada por algum ser vivo.
  • Réplicas de fósseis – Réplicas de fósseis são cópias produzidas a partir de materiais originais ou de outras réplicas. É um recurso didático capaz de transmitir o mesmo conteúdo incluído em um fóssil original, estando revestidas da mesma importância.  Deve-se fazer o máximo para preservar o fóssil, por isso são feitas cópias e, geralmente, elas é que são expostas em museus. Esta técnica permite que um fóssil possa ser exposto em vários museus, além de preservar o original. Também é recomendável fazer uma cópia matriz que será usada como base para fazer futuras reproduções. Antigamente as cópias eram feitas de gesso e os moldes, de borracha. Hoje é costume usar silicone como molde e as cópias são feitas de poliuretano.

Por Marcelo Domingos Leal

PARA SABER MAIS:

a) Livros
BARRET, P. Dinossauros – Uma História Natural. Ilustrações de Raul Martín; introdução de Kevin Padian; [tradução Carlos S. Mendes Rosa] – São Paulo: Martins Fontes, 2002.

b) Sites
Site de Artigos Científicos. Acesso em: 2015. Disponível em: http://www.anuario.igeo.ufrj.br/anuario_2005_1/Anuario_2005v01_101_115.pdf

Laboratório de Paleontologia de Ribeirão Preto – USP. Acesso em: 2015. Disponível em: http://www.paleolab.com.br/

REFERÊNCIAS

a) Livros
BARRET, P. Dinossauros – Uma História Natural. Ilustrações de Raul Martín; introdução de Kevin Padian; [tradução Carlos S. Mendes Rosa] – São Paulo: Martins Fontes, 2002.

MANZIG, P. C.; WEINSCHUTZ, L. C. Museus & Fósseis da Região Sul do Brasil. Marechal Cândido Rondon – PR. Ed: Germânica, 2012.

Artigo “As Práticas Envolvendo Paleontologia Como Estratégias Pedagógicas em Museus de Ciências” – Autor Marcelo Domingos Leal, 2012.

MAYOR A. 2000. The first fossil hunters. Paleontology in greek and Roman times. Princeton, Princeton University Press. p. 361.

VITALIANO, D. 1973. Legends of the Earth: their geologic origins. Bloomington, Indiana University. p.305.

b) Sites
Site de Artigos Científicos. Acesso em: 2015. Disponível em: http://www.anuario.igeo.ufrj.br/anuario_2005_1/Anuario_2005v01_101_115.pdf

Laboratório de Paleontologia de Ribeirão Preto – USP. Acesso em: 2015. Disponível em: http://www.paleolab.com.br/

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A história da Arte como uma disciplina humanística

O Pensador, de Rodin.
O presente texto pretende trazer a parte inicial das ideias do pensador Erwin Panofsky, sobre como se estrutura o processo de significação nas artes partindo da discussão sobre as diferenças e semelhanças entre a Ciência e as Humanidades. 

Erwin Panofsky. Fonte: Gurupedia.

Panofsky fala sobre possíveis significados da palavra Humanität (Humanidade). O primeiro oriundo do contraste do homem e o que é menos que ele, e o outro do que é mais que ele. No primeiro caso humanitas significa um valor, no segundo, uma limitação.  No princípio com a filosofia de Cipião, o significado de humanitas como valor separa o homem do animal e também dos que não merecem ser chamados de homem. Mais tarde no medievo surge um entendimento sobre humanidade como algo oposto a divindade associado à fragilidade e transitoriedade. No renascimento existia um aspecto duplo, uma junção dos dois anteriores. A teologia e a Natureza podem ser encaradas como as duas faces de uma mesma moeda, pois as coisas passavam a ser explicadas tanto pelo aspecto divino quanto pelo da natureza. É daí que surge o Humanismo, como explica Panofsky: “... a convicção da dignidade do homem, baseada, ao mesmo tempo, na insistência sobre os valores humanos (racionalidade e liberdade) e na aceitação das limitações humanas (falibilidade e fragilidade).” (PANOFSKY, 2014. P. 20)

A Escola de Atenas de Rafael, CA 1500. Fonte Revista Vila Nova.
A partir dai surgem várias vertentes de pensamento sobre humanidades, por exemplo, a dos deterministas, dos insetólatras e os partidários do autoritarismo, além dos que negam as limitações humanas. Ou seja, “... do ponto de vista do determinismo o humanista é ou uma alma penada ou um ideólogo. Do ponto de vista do autoritarismo ou é um herético ou um revolucionário (ou um contra revolucionário). Do ponto de vista da insetolatria é um individualista inútil e, do ponto de vista do libertinismo, um burguês tímido.” (PANOFSKY, 2014. P. 21)

No medievo o que entendemos hoje por ciência natural e humanidades não sofria distinção, ambas eram englobadas pelo que era chamado de Filosofia. Sobre isso Panofsky faz um paralelo sobre a incapacidade do homem medieval de desenvolver uma concepção de disciplinas históricas, para o autor no medievo a perspectiva que é percebida de uma distância fixa entre o olho e o objeto não é entendível, assim, para a Idade Média era impossível perceber uma distância fixa entre o presente e o passado Clássico.

Giovanni Francesco Barbieri,
personificação da astrologia, 1650. 
No campo da criação passou-se a se fazer a distinção entre o que órbita na esfera da natureza e o que orbita na esfera da cultura. Permeando o tempo-espaço da natureza, a ciência busca conter a variedade dos fenômenos naturais; Da órbita da cultura, as humanidades buscam conter as variedades dos registros humanos. O homem usa os signos percebendo a relação das suas significações e ideiam estruturas percebendo a relação de construção de uma ideia. Para Panofsky um historiador é o estudioso humanista que recorre aos registros humanos que emergem da corrente do tempo. Os registros são signos e estruturas do próprio homem na medida em que expressam ideias que permeiam os processos de assinalamento da construção do pensamento.

Do ponto de vista humanístico, a investigação é realizada pelo estudo dos registros humanos. Um cientista interessa-se humanisticamente por um assunto,quando trata dos registros humanos, não como algo a ser investigado e sim como algo que o ajuda na investigação. Aproximando os cientistas dos humanistas, Panofsky delibera sobre as analogias metodológicas das duas esferas de conhecimento:
“Talvez seja verdade que “nada está na mente a não ser o que estava nos sentidos”; mas é pelo menos igualmente verdadeiro que muita coisa está nos sentidos sem nunca penetrar na mente. Somos afetados principalmente por aquilo que permitimos que nos afete; e, assim como a ciência natural involuntariamente seleciona aquilo que chama de fenômeno, as humanidades selecionam, involuntariamente, o que chamam de fatos históricos.” (PANOFSKY, 2014. P. 25)
Para o cientista cabe a observação dos fenômenos, para o humanista cabe a investigação dos registros humanos; daí tanto o cientista quanto o humanista precisam interpretar, por ordem, os registros e os acontecimentos da natureza; tendo os resultados eles precisam ser classificados e sistematizados coerentemente.

Georges Seurat.  Uma Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte - 1884.
Dentre as diferenças entre as ciências naturais e as humanidades, a mais fundamental para Panofsky é que:

“a ciência natural observa os processos forçosamente temporais da natureza e tenta apreender as leis intemporais pelas quais se revelam. A observação física só é possível quando algo “acontece”, ou seja, quando uma mudança ocorre ou é levada a ocorrer por meio de experiências. E são essas mudanças que, no fim, são simbolizadas pelas fórmulas matemáticas. As humanidades, por outro lado não se defrontam com a tarefa de prender o que de outro modo fugiria, mas de avivar o que, de outro modo, estaria morto. Em vez de tratarem de fenômenos temporais e fazerem o tempo parar, penetram numa área em que o tempo parou, de moto próprio, e tentam reativá-lo. Fitando esses registros, congelados, estacionários, que segundo disse, “emergem de uma corrente do tempo”, as humanidades tentam capturar os processos em cujo decurso esses registros foram produzidos e se tornaram o que são.” (PANOFSKY, 2014. P. 44)
Em vista destes esclarecimentos, temos que o desenvolvimento da história da arte como disciplina vem sendo construído pela necessidade da historiografia em destacar os métodos de conhecimento da realidade seja pelo campo da Ciência ou pelo das Humanidades. O significado da Vida percorre o Campo da Historia da Arte, pois o tempo do homem dura tanto quanto se tem conhecimento sobre ele.

Cartaz representativo da História da Arte.

Por Eloana Santos Chaves , João Marcos Alberton, Huellington da Silva.


REFERÊNCIAS:


PANOFSKY, Erwin. Significado nas artes visuais. São Paulo: perspectiva, 2014. Introdução.