segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Venha observar o céu no Parque da Ciência!

Nesta quarta-feira (09/11) tem Noites no Parque!

A partir das 19:30h nossos telescópios estarão disponíveis para observação dos planetas visíveis, da nossa Lua e de outros astros!

Traga seus familiares e amigos para aprender um pouco mais sobre o céu e as constelações!

A atividade é gratuita e não há necessidade de agendar, basta comparecer na Portaria do Globo de Madeira do Parque da Ciência entre 19:30h e 22:00h!

MAS ATENÇÃO: CASO O TEMPO ESTEJA NUBLADO OU CHUVOSO A ATIVIDADE SERÁ CANCELADA! ACOMPANHEM O FACEBOOK DO PARQUE PARA MAIORES 
INFORMAÇÕES, OU VIA TELEFONE (41) 3666 - 6156.

Parque da Ciência
Endereço: Estrada da Graciosa 7400 - km 20.
Jd Boa Vista - Pinhais - PR
CEP: 83.327-000
Informações: (41) 3666-6156

terça-feira, 1 de novembro de 2016

domingo, 30 de outubro de 2016

SELEÇÃO NATURAL: UMA VISÃO REVOLUCIONÁRIA DA VIDA

Figura 1: Representação metafórica do processo de seleção natural.

Um filósofo de grande influência em sua época, Aristóteles (384-322 a.C) levou em consideração que as espécies eram unidades fixas por meio de suas próprias observações da natureza, determinando que as espécies seriam incapazes de sofrerem alterações. Ele reconheceu uma certa afinidade entre as espécies existentes, e que estas poderiam ser organizadas em uma escada com aumento de complexidade, onde cada ser vivo teria o seu lugar.

Tais ideias tinham uma semelhança muito grande com o criacionismo, mencionado no Velho Testamento, onde as espécies teriam sido individualmente desenhadas por Deus. Muitos cientistas no período do século XVIII interpretaram a adaptação entre organismos e ambiente como sendo uma evidência de que Deus teria desenhado cada espécie com uma finalidade. Carolus Linnaeus (1707- 1778), físico e botânico foi um do que procurou classificar essa diversidade da vida, baseado nestes pressupostos, ou seja, não relacionando a semelhança entre as espécies por um parentesco evolutivo mas sim, através de um padrão de criação.

Um século mais tarde, o naturalista inglês Charles Darwin (1809 – 1882) criou argumentos para que a classificação fosse baseada em relações evolutivas. Varias foram as fontes de informação que Darwin utilizou mas, em particular, os registros fósseis tiveram fundamental importância na estruturação de suas ideias.

Em contraste ao pensamento de Cuvier, outros cientistas como James Hutton (1726-1797) e Charles Lyell (1797-1875) sugeriram que profundas mudanças seriam sim possíveis de ocorrer, por conta de um efeito lento e cumulativo. Essas ideias tiveram importante influência nos pensamentos de Darwin, levando em consideração esses efeitos Darwin concordou que as mudanças geológicas são lentas, portanto ele chegou a conclusão de que o planeta seria muito mais velho do que se acreditava na época – apenas alguns milhares de anos. Um tempo depois, Darwin sugeriu que processos lentos e sutis poderiam produzir também, mudanças biológicas. Devemos lembrar que Darwin não foi o primeiro a citar mudança gradual ligada a evolução biológica.

Figura 2: Jean-Baptiste, cavaleiro de Lamarck.
Fonte: Portal do professor - MEC.
No decorrer do século XVIII, naturalistas sugeriam que existia uma evolução da vida diretamente ligada a mudança de ambientes. Somente um propôs um mecanismo para tentar explicar a mudança da vida ao longo do tempo: o biólogo Jean-Baptiste, cavaleiro de Lamarck (1744-1829). Portanto, devemos lembrar de Lamarck por sua visão pioneira, onde mudanças evolutivas explicariam a adaptação dos organismos aos ambientes e as semelhanças fósseis, e não pelo mecanismo incorreto proposto por ele.


A PESQUISA DE CHARLES DARWIN

Charles Darwin (1809-1882) nascido em Shrewsbury na Inglaterra, apresentou, desde menino, interesse por assuntos ambientais. O pai de Darwin o orientou a fazer medicina mas não se adaptou, abandonando-o e ingressando na Universidade de Crambridge com a intenção de ser um clérigo.

Após sua formação, Darwin partiu para uma viagem ao redor do mundo  no navio do jovem capitão Robert FitzRoy.

Figura 3: Roteiro da viagem feita por Darwin ao redor do mundo. Fonte: Wikimedia.
Por Rafael Vitorino de Oliveira

REFERÊNCIAS

http://www.ib.usp.br/evosite/evo101/IIIENaturalSelection.shtml

sábado, 29 de outubro de 2016

NOVIDADES SOBRE A PRÉ-HISTÓRIA DA AMAZÔNIA

Até pouco tempo acreditava-se que a chegada dos primeiros seres humanos a América do Sul havia ocorrido apenas no começo do holoceno ou no pleistoceno tardio, sugerindo uma dispersão súbita e uma adaptação notável capaz de explicar a diversidade cultural até então catalogadas. Todavia, considerações e datações recentes discutidas por Araújo (2008), situaram a provável chegada e dispersão dos primeiros seres humanos na América do Sul a um período entre 33000 a 14000 anos atrás, o que implica em um processo de ocupação mais gradativo e de evolução cultural e social mais realista.

Na Amazônia, as mais antigas datações foram realizadas no sítio arqueológico da Pedra Pintada (PA), onde foi encontrado um volumoso sinal de indústria lítica e de pintura rupestre, sugerindo uma provável ocupação entre 10000 e 11200 anos atrás. Alguns pesquisadores chegam a especular datações mais antigas, considerando a raridade de sítios arqueológicos preservados. Acredita-se que por conta da intensa atividade orgânica e do clima absolutamente úmido dos últimos 3000 anos, as possibilidades de vestígios arqueológicos anteriores ao médio holoceno sejam mínimas na Amazônia, assim, a maioria dos sítios arqueológicos observados hoje nessa região, com raras exceções, são relativamente recentes, remontando aos últimos dois milênios (PROUS, 2006).

Outra ideia questionada pelos estudos arqueológicos mais recentes é a de que a Amazônia, enquanto uma região hostil pela dimensão e intensidade de sua natureza e pelas condições inférteis dos solos, não poderia conter agrupamentos humanos elaborados e fixos, dotados de conhecimento técnico e em pleno exercício cultural e político capazes de coalizar uma sociedade complexa e numerosa. Aceitava-se que as populações amazônicas estariam niveladas como caçadores-coletores marginalizados das regiões mais favoráveis à vida, em sua maioria nômades que não praticavam dedicadamente a domesticação das plantas e animais e as inovações tecnológicas ali manifestadas, como a cerâmica, eram oriundos da mesoamérica ou dos Andes. 

Pinturas rupestres no Parque Nacional de Monte Alegre (PA), onde já foram registrados mais de 100 sítios arqueológicos, inclusive o da Pedra Pintada, com pinturas datadas de até 11200 anos. Fonte: SEMAS-PA.

Entretanto, em 1991 a arqueóloga Anna C. Roosevelt destrinchou alguns sítios arqueológicos amazônicos (Taperinha e Caverna da Pedra Pintada), e evidenciou sinais arqueológicos que admitem a presença humana já há pelo menos 11200 anos atrás e uma complexidade técnica das populações pré-colombianas, exemplificada com cerâmicas para armazenamento e cozimento de alimentos e artefatos líticos datados em até 9000 anos, admitindo a capacidade agrícola e técnica dos povos ancestrais. Outros pesquisadores, como Robert Carneiro (2007), também demonstraram que as tecnologias e métodos evidenciados arqueologicamente na Amazônia, inclusive a agricultura, desenvolveram-se localmente, não sendo apenas uma derivação intrusiva. Além disso, segundo André Prous em seu livro O Brasil Antes dos Brasileiros, o principal elemento que veio a consolidar a ideia de que a Amazônia compreendeu povos numerosos, vastos e complexos foi a constatação da quilométrica presença de terras pretas com até 1,5m de espessura nas várzeas dos principais rios, especialmente o Amazonas. As terras pretas são solos elaborados pela ação humana através da compostagem e do acúmulo de lodo trazido pelas eventuais inundações. Altamente férteis e indiferentes à rotatividade, as terras pretas podem ter amparado agricultura intensiva de sociedades organizadas e populosas.

Murrieta et. al. em Assim Caminhou a Humanidade (2015), admite que a forma econômica que provavelmente vigorou na Amazônia pré-histórica era baseada na pesca, na coleta, na caça e no cultivo de baixa intensidade, no entanto, tais características econômicas não foram empecilhos para o florescimento de civilizações complexas, dotadas de estruturas políticas como os Cacicados, e nem mesmo impossibilitou a domesticação e seleção artificial de plantas comestíveis e medicinais, como a mandioca, o amendoim, a pimenta, o abacaxi, o guaraná e a pupunha (datados entre 4000 a.C. a 10000 a.C.) e que exprimem, junto as caças de animais terrestres e fluviais, a grande variedade dietética dos povos amazônicos.

Os Cacicados representaram o mais completo sistema político e de organização social da Amazônia. Consistiam na coesão política, cultural e até linguística de vários vilarejos, cada qual com até milhares de habitantes, que floresceram principalmente na calha do rio Amazonas, do Rio Madeira e Orenoco. Tais vilarejos ou aldeias possuíam líderes particulares que estavam subordinados a uma chefatura geral específica, que organizava a coesão de tais grupos. Os Cacicados enquanto sistema de organização política e social provavelmente perduraram até o século XVIII ou XIX, sendo gradativamente mirrados à medida que a expansão colonial invadia os territórios amazônicos e carregava consigo violências e doenças que definhavam rapidamente com os povos locais. Todavia, estes cacicados representaram a forma política estruturalmente adaptada, endêmica, às condições ecológicas da Amazônia, desencadeando manifestações simbólicas, culturais, sociais e religiosas particulares que até hoje resistem nos povos indígenas remanescentes. 

Por Anderson Rodrigo Pereira da Graça

REFERÊNCIAS:


PROUS, André. O Brasil antes dos Brasileiros: a pré-história do nosso país. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.

CARNEIRO, Robert L. A base ecológica dos cacicados amazônicos. Revista de Arqueologia, v. 20, p.117-154, jan. 2007. Disponível em: <http://revista.sabnet.com.br/index.php/revista-de-arqueologia/article/view/397/399>. Acesso em: 07 dez. 2015.

NEVES, Walter Alves; RANGEL JUNIOR, Miguel José; MURRIETA, Rui Sérgio S. (Org.). Assim caminhou a humanidade. São Paulo: Palas Athena, 2015.

ARAUJO, Astolfo Gomes de Mello. Geomorfologia e paleoambientes no leste da América do Sul: implicações arqueológicas. In: RUBIN, J.C.R., SILVA, R.T. Geoarqueologia: teoria e prática. Goiânia: UCG, 2008. Cap. 7. p. 135-180.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

DINOSSAUROS - SENHORES DO MESOZÓICO ESPÉCIE DO MÊS: OXALAIA

Figura1: Oxalaia  quilombensis. Fonte: Mundo Pré-Histórico

O Oxalaia quilombensis, um nome tipicamente tupiniquim, com origem na rica matriz cultural africana e nos locais de estabelecimentos de escravos que fugiam de seus malfeitores. Oxalaia é o nome da mais respeitada divindade africana – Oxalá, e o epíteto quilombensis, está relacionado ao local onde foi encontrado, um antigo quilombo. Porém, não é apenas no nome que este dinossauro traz uma forte ligação com o continente africano, pois, a descoberta de animais da classe dos espinossaurídeos é mais comum neste continente. E, se lembrarmos de nossas aulas de geografia, sabemos que os continentes eram unidos – África e América do Sul – e nesta divisão os ancestrais do Oxalaia quilombensis vieram parar aqui.

Esta espécie foi coletada em Laje do Coringa, na praia mais oriental da Ilha do Cajual, Estado do Maranhão, Nordeste do Brasil em 2004. Ela foi descrita por Alexander Kellner, Sérgio Azevedo, Elaine Machado, Luciana Carvalho e Deise Henriques, sendo o resultado deste estudo publicado nos Anais da Academia Brasileira de Ciências em 2011. As rochas deste sítio pertencem à Formação Alcântara, Itapecuru, Grupo da Bacia de São Luis, cuja idade remete ao Cretáceo Superior (±95 milhões de anos atrás)

Para a identificação desta nova espécie, os paleontólogos contaram com apenas um fragmento do focinho e uma porção da mandíbula superior. Porém, apesar de pouquíssimas peças encontradas, estas duas partes já dão a entender que o Oxalaia quilombensis foi um dinossauro predador, de uma classe peculiar conhecida como espinossaurídeos. Porém, a quantidade de peças escassa torna difícil a tarefa de saber como é o animal por inteiro. Por exemplo, ainda não sabemos se este possui a famosa vela que tanto chama a atenção no dorso traseiro do espinossauro africano mais famoso, o Spinosaurus aegyptiacus. Mas, apesar de não sabermos realmente o quanto o Oxalaia se parecia com os espinossauros africanos, temos a certeza de que este era um gigante entre os dinossauros brasileiros. Em comparação com os fósseis de espinossauros anteriormente encontrados em rochas mais velhas do Brasil, como o Irritator e Angaturama, nosso Oxalaia é certamente o maior deste tipo de dinossauro não só do Brasil, como da América do Sul, sendo ultrapassado em peso e tamanho apenas pelos espinossauros africanos como o Suchomimus tenerensis (imitação de crocodilo) e o Spinosaurus aegyptiacus (lagarto-espinho). Como todos os outros dinossauros, o Oxalaia viveu na Era Mesozóica, mas em um período chamado de Cretáceo Superior, a cerca de 95 milhões de anos atrás.

O Oxalaia pertencia a uma classe de dinossauros denominada Terápodes, sendo da família dos espinossaurídeos, possuindo então algumas características comuns deste grupo de animais: cabeça longa, muito parecida com a de um crocodilo e braços longos e fortes – algo incomum entre os terópodes como os tiranossaurídeos. Seu tamanho pode ser comparado ao do Tiranossauro rex, com cerca de 12 a 14 metros de altura, 5,5 metros de altura e massa aproximada em torno de 5 a 7 toneladas.

Segundo Elaine Machado do Museu Nacional do Rio de Janeiro, UFRJ, este animal não alimentava-se apenas de peixe como se imaginava ser comum a esta classe de dinossauros. Há alguns anos atrás pesquisadores encontraram um dente de espinossaurídeo preso a uma vértebra de pescoço de pterossauro (réptil voador), denunciando sua atividade alimentar mais variada.

Era um animal de vida solitária, comportamento comum a maioria dos grandes predadores daquela época, diferente de animais como o velociraptor e o deinonychus que caçavam e andavam em grupos. Sua dentição, como em crocodilianos e tubarões, era trocada frequentemente e isto ficou evidenciado, pois pesquisadores encontraram dois dentes de substituição já prontos para tomar o lugar de um outro caso fosse quebrado ou perdido.


PARA SABER MAIS:


Smithsonian. Oxalaia: Brazil's New, Giant Spinosaur. Disponível em: http://www.smithsonianma g.com/science-nature/oxalaia-brazils-new-giant-spinosaur-97929249/?no-ist

Ciência Hoje. Descoberto o Maior Animal Carnívoro do Brasil. Disponível em: http://chc.cienciahoje.uol.com.br/extra-extra/.

Por Marcelo Domingos Leal

REFERÊNCIAS:

IEIJ – Instituto de Educação Infantil e Juvenil. Conheça os 21 Dinossauros Descobertos no Brasil. Acesso em: 2016. Disponível em: http://ieij.com.br/CULTieij.2014/27/CULTieij.2014.27.Texto.GrupoAlfa.pdf

Scielo Brasil – Anais da Academia Brasileira de Ciências. A new dinosaur (Theropoda, Spinosauridae) from the Cretaceous (Cenomanian) Alcântara Formation, Cajual Island, Brazil. Acesso em: 2016. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0001-37652011000100006

Smithsonian. Oxalaia: Brazil's New, Giant Spinosaur. Disponível em: http://www.smithsonianma g.com/science-nature/oxalaia-brazils-new-giant-spinosaur-97929249/?no-ist

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

HECATOMBE NUCLEAR – DIANTE DO RISCO: OS EVENTOS EM CHERNOBYL E FUKUSHIMA

Figura 1: Reator de Chernobyl. Fonte: Veja.


Acidentes envolvendo usinas nucleares já ocorreram algumas vezes em nossa história recente. A título de informação, seguem alguns dos mais representativos:

  • Kyshtym (URSS), 1957 – explosão, com nuvem de gás, com 200 mortes e evacuação sem explicações de dez mil pessoas;
  • Bohunice (Tchecoslováquia), 1977 – superaquecimento do combustível, sem dados sobre número de vítimas;
  • Three Mile Island (EUA), 1979 – Por falha humana, que resultou em evacuação de cerca de 140 mil pessoas;
  • Erwin (EUA), 1979 – vazamento de urânio, o qual contaminou cerca de mil pessoas.
  • Tsuruga (Japão), 1981 – contaminou 278 pessoas;
  • Tomsk-7/Seversk (Rússia), 1993 – cidade que na época não constava nos mapas (devido à importância nuclear) e atualmente isolada, com número desconhecido de contaminados na época do acidente;
  • Tokai (Japão), 1997 – acidente com 37 pessoas contaminadas. Outro acidente, no mesmo local, ocorreu em 1999, resultando na contaminação de mais de 600 pessoas;
  • Mihama (Japão), 2004 – vazamento que resultou em cinco funcionários mortos;
  • Tricastin (França), 2008 – contaminação leve de 100 pessoas.

Além destes, também temos os casos mais emblemáticos em Chernobyl e Fukushima, discutidos a seguir.


O ACIDENTE NA ESTAÇÃO ELÉTRICA ATÔMICA DE TCHERNOBIL


O incêndio na usina da URSS em abril de 1986 lançou materiais radioativos a até um quilômetro e meio de altura. Caso a situação se agravasse, poderia acontecer uma reação termonuclear dezenas de vezes maior que a bomba atômica lançada em Hiroshima. Milhares de trabalhadores foram deslocados para tentar conter o incêndio e, mesmo expostos poucos minutos à radiação, “muitos homens receberam cargas radioativas e mais tarde foram vítimas de doenças que muitas vezes se revelaram mortais” (GORBACHEV, 2003, p. 39).

Com a desintegração da União Soviética, seu território deu origem a três repúblicas: Rússia, Bielo-Rússia e Ucrânia. “A Bielo-Rússia foi a que mais sofreu, pois recebeu 70% das precipitações da nuvem radioativa” (GORBACHEV, 2003, p. 40).

“A catástrofe de Chernobyl produziu uma radioatividade considerável: centenas de vezes mais matérias radioativas lançadas do que em Hiroxima. Médicos e geneticistas nos falaram longamente sobre os efeitos das doses fracas de radio-atividade em dezenas de milhões de pessoas que vivem, bebem, se alimentam e se reproduzem em um meio contaminado: tumores cancerígenos, cardiopatias, fadigas crônicas, doenças inéditas e sentimento de desamparo afetam uma população imensa, e, no meio dessa, sobretudo crianças e jovens. E temem-se efeitos irreversíveis sobre o genoma humano” (DUPUY, 2007).

Em 27 de abril de 1988, o químico soviético Valery Alexeyevich Legasov, um dos encarregados de fazer relatório acerca do vazamento no reator, cometeu suicídio, provavelmente afetado pela depressão diante do episódio.

Além disso:

“Cerca de uma década após o acidente de Chernobil, em 1986, foi registrado um aumento de mais de 10 vezes na incidência de câncer de tireóide, resultando cumulativamente em mais de mil novos casos diagnosticados em crianças que viviam nos territórios da Bielorrússia, Rússia, e Ucrânia, afetadas pela chuva radioativa” (DEMIDCHIK; SAENKO; YAMASHITA, 2007).

TSUNAMI E OS DANOS NO COMPLEXO DAIICHI-FUKUSHIMA


Desde a década de 1960, foram registrados, ao menos, sete acidentes nucleares de grandes proporções, sendo o mais recente em 11 de março de 2011, onde a ocorrência de um tsunami de cerca de 15 metros de altura (ocasionado por um terremoto de 9 graus na escala Richter) danificou os diques de proteção, afetando o funcionamento dos reatores das usinas nucleares da região. A onda gigante inviabilizou o impediu o acionamento do sistema de emergência (a diesel) que resfriava os reatores após o terremoto, ocorrendo o derretimento de seus núcleos e liberando radioatividade para o ambiente, forçando a evacuação de cerca de cem mil pessoas, além de provocar discussão mundial acerca dos perigos do uso deste tipo de fonte de energia elétrica.

Figura 02 – Monges budistas rezam por vítimas (estimadas em 19 mil) do terremoto. Fonte: Yuriko Nakao, Reuters.

A empresa responsável montou uma escala de trabalho para limpeza e descontaminação com quase 6 mil pessoas. Outra das medidas de contenção foi a pintura dos prédios dos reatores, para “fixar a poeira radioativa nas fachadas” e construção de enorme andaime de aço para evitar que o reator quatro desabasse (WELLE, 2014). Também mantém constante o bombeamento de água a fim de resfriar as barras de combustível derretidas. No final do ano passado, o governo japonês divulgou que um funcionário da Central de Fukushima foi diagnosticado com câncer, o que pode estar relacionado ao acidente. Em fevereiro, a empresa veio a público se desculpar por ocultar por dois meses o fato dos reatores terem entrado em fusão logo após o tsunami.

Schmidt, Horta & Pereira (2014) observam que o apoio público a esta tecnologia “é influenciado por múltiplos fatores, incluindo o conhecimento pré-existente, atitudes, emoções, valores, normas, crenças, opiniões dos pares, confiança e informação veiculada pela mídia”. Estes autores investigam a imprensa internacional entre 2008 e 2012 e mostram que, neste período, a mídia deu pouca atenção à pesquisa de fusão nuclear; entretanto, fissão nuclear foi um assunto frequente, em especial na época do acidente de Fukushima – e em geral sob o caráter político, em detrimento ao caráter ambiental (principalmente na participação de ativistas ambientais) e sob ponto de vista negativo no período do referido acidente. Os pesquisadores consideram que:

“O principal efeito de Fukushima no enquadramento temático da energia nuclear consistiu em uma mudança de foco dos assuntos de rotina a respeito desta tecnologia (tais como o uso militar, resíduos, política energética, etc.), para o tópico dos acidentes e crises, segurança, gestão de risco e riscos ambientais associados aos desastres nucleares (…) após o desastre de Fukushima, a imagem da fissão nuclear transmitida pela mídia deteriorou-se substancialmente” (SCHIMIDT; HORTA; PEREIRA, 2014).


PARA SABER MAIS:


Montagem acelerada dos testes nucleares realizados ao redor do mundo no séc. XX:



Por Anelissa Carinne dos Santos Silva


REFERÊNCIAS


BRASIL, Eletrobras. O acidente nuclear na Central de Fukushima Daiichi. Disponível em: <http://www.eletronuclear.gov.br/Saibamais/Perguntasfrequentes/TemasgeraisoacidentenaCentraldeFukushima.aspx>. Acessado em Mar 2016.

DEMIDCHIK, Y. E.; SAENKO, V. A.; YAMASHITA, S. Câncer de tiróide na infância na Bielorússia, Rússia, e na Ucrânia, após Chernobil e atualmente. Arq Bras Endocrinol Metab, vol.51, no. 5. São Paulo, jul. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302007000500012&lang=pt>. Acessado em Mar 2016.

DUPUY, J-P. A catástrofe de Chernobyl vinte anos depois. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142007000100019&lang=pt>. Acessado em Mar 2016.

GAZETA DO POVO. Operadora admite ter escondido gravidade de desastre em Fukushima. Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/operadora-admite-ter-escondido-gravidade-de-desastre-em-fukushima-3zq2d4dadech19tgse5jq0xha>. Acessado em Mar 2016.

GLOBO. Maiores acidentes nucleares da história. Disponível em: <http://educacao.globo.com/artigo/maiores-acidentes-nucleares-da-historia.html>. Acesso em Mar 2016.

GORBACHEV, M. Meu Manifesto pela Terra. SP: Planeta, 2003.

HUKAI, R. Y. Lições do Japão Sobre Energia Nuclear. Estud. av. Vol. 27, no. 78. São Paulo, 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142013000200017&lang=pt>. Acessado em Mar 2016.

SCHMIDT, Luísa; HORTA, Ana; PEREIRA, Sérgio. O desastre nuclear de Fukushima e os seus impactos no enquadramento midiático das tecnologias de fissão e fuso nuclear. Ambiente & Sociedade, vol. 17, no. 4, São Paulo Oct/Dec. 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-753X2014000400017&lang=pt>. Acessado em Abril 2016.

UOL. Top 10: piores acidentes nucleares. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/internacional/listas/top-10-os-maiores-acidentes-nucleares.jhtm>. Acessado em Mar 2016.

WELLE, Deutsche. Fukushima ainda luta contra sequelas do acidente. Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/internacional/fukushima-ainda-luta-contra-sequãelas-do-acidente-nuclear-4990.html>. Acessado em Mar 2016.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

terça-feira, 4 de outubro de 2016

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

terça-feira, 30 de agosto de 2016

terça-feira, 23 de agosto de 2016

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Noites no Parque! Programação para o segundo semestre de 2016!



As duas edições do programa "Noites no Parque" reuniram mais de 800 pessoas que compareceram no Parque da Ciência para conhecer um pouco mais sobre os planetas, constelações e outros fenômenos celestes. Os participantes puderam contemplar Júpiter, Saturno, Marte e a Lua através de telescópios, além das principais constelações visíveis neste época do ano.

Diante do sucesso, o Parque da Ciência informa que a atividade foi prorrogada até o final de 2016 e será realizada na segunda quarta-feira de cada mês, conforme o cronograma abaixo:

MÊS
DATA:
Setembro
14/09/2016
Outubro
05/10/2016 (antecipada devido ao feriado de 12/10)
Novembro
09/11/2016
Dezembro
14/11/2016

Para participar não é necessário agendar, basta comparecer ao Parque da Ciência a partir das 19:00h, conforme o cronograma. A atividade é gratuita e e recomendada para toda a família!

ATENÇÃO: Atividade sujeita às condições meteorológicas!

Informações: (41) 3666 - 6156 ou
www.facebook.com/parquedaciencia
Parque da Ciência Newton Freire Maia 
Estrada da Graciosa 7400 - km 20
Jd Boa Vista - Pinhais/PR
CEP.: 83.327-000
www.parquedaciencia.pr.gov.br

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

quinta-feira, 28 de julho de 2016

segunda-feira, 11 de julho de 2016

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Venha observar Júpiter, Saturno, Marte e outros objetos no Parque da Ciência!


No mês de julho o Parque da Ciência terá uma programação especial nas noites de quarta-feira!

Trata-se das "Noites no Parque" onde, a partir das 19:00h, o público poderá contemplar Júpiter, Marte, Saturno e outros objetos celestes através de telescópios montados na entrada do Parque, bem como aprenderá a identificar as principais constelações presentes no céu de inverno!

Para participar não é necessário agendar, basta comparecer ao Parque da Ciência a partir das 19:00h, sempre às quartas-feiras. A atividade é gratuita e não há limite de idade.

ATENÇÃO: Em caso de céu nublado, a atividade não será realizada, uma vez que a observação não será possível.

Informações: (41) 3666 - 6156 ou
Parque da Ciência Newton Freire Maia 
Estrada da Graciosa 7400 - km 20
Jd Boa Vista - Pinhais/PR
CEP.: 83.327-000

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Estão abertas as inscrições para as turmas do segundo semestre dos cursos de Desenho Básico e Cerâmica Básica do Parque da Ciência!


O Parque da Ciência informa que estão abertas as inscrições para as turmas do segundo semestre dos cursos de Desenho Básico e Cerâmica Básica promovidos pela instituição. 

O curso de Desenho Básico será ministrado as quartas-feiras pela manhã, do dia 04/08 a 30/11/2016, das 09:00h as 11:00h e abordará desde os principais fundamentos do desenho, noções de perspectiva e sombreamento, tipos de materiais, entre outros conteúdos pertinentes.

O curso de Cerâmica Básica também será desenvolvido às quartas-feiras, de 04/08/2016 a 30/11/2016 porém, no período da tarde, das 14:00h as 16:00h. Nele o participante conhecerá os diferentes tipos de argila, como construir e utilizar ferramentas para modelagem, processos de queima e decoração das peças.

Ambos são gratuitos e destinam-se a maiores de 14 anos. Inscrições e informações via telefone do Parque da Ciência: (41) 3666 - 6156.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

segunda-feira, 20 de junho de 2016

segunda-feira, 13 de junho de 2016

segunda-feira, 6 de junho de 2016

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Inge Lehmann: a mulher que desvendou o Núcleo da Terra

Figura 1 – Inge Lehmann. Fonte: Terra Tecnologia
Nascida em 1888, no distrito de Østerbro, na Dinamarca, filha do psicólogo experimental Alfred Lehmann, estudou em uma escola considerada progressista, onde não havia a separação entre meninos e meninas nas classes. Quem dirigia o colégio era Hanna Adler, tia do físico dinamarquês Niels Bohr. Cursou matemática nas universidades de Copenhague (Dinamarca) e Cambridge (Inglaterra) e tem o interesse despertado para os estudos em sismolgia e geofísica após começar a trabalhar como auxiliar do sismólogo Niels Erik Nørlund.

Em 1936, analisando dados sísmicos, percebeu que um tipo de ondas denominadas ondas P (ondas primárias), que são geradas por terremotos, estavam sendo por vezes detectadas nas chamadas zonas de sombra, ou seja, áreas onde não deveriam ser detectadas esse tipo de ondas sísmicas. Lehmann sugere, então, que haveria um núcleo sólido mais interno envolvido por um núcleo líquido e a existência de uma área de descontinuidade entre esses dois núcleos seria a responsável pela reflexão dessas ondas.

Em datas comemorativas ou épocas de grandes eventos, o site de buscas Google modifica seu logotipo - essas versões modificadas são chamadas de doodles. Em 13 de maio de 2015 o doodle do dia foi em homenagem a Inge Lehmann, em lembrança do seu 127º aniversário.

Figura 2 – Doodle do Google em 13 de maio de 2015. Fonte: Google.

Suas hipóteses foram confirmadas mais tarde por outros sismólogos, e a descontinuidade entre os núcleos passou a ser denominada Descontinuidade de Lehmann. Foi a primeira mulher a receber a Medalha de Bowie Willian em 1971, concedida pela União Geofísica Americana, além de receber inúmeros outros prêmios e presidir importantes associações de geofísica e sismologia. Lehmann, que era uma grande defensora da igualdade entre os gêneros, faleceu em 1993, quatro meses antes de completar 105 anos de idade!

Por Alan Henrique Abreu Dias


REFERÊNCIAS


Portal G1: Inge Lehmann, cientista que estudou terremotos, vira doodle do Google. Disponível em: <http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2015/05/inge-lehmann-cientista-que-estudou-terremotos-vira-doodle-do-google.html>. Acesso em: maio de 2015.

Portal A Gambiarra: Terremotos, núcleos e Doodle do dia: quem é Inge Lehmann? Disponível em: <http://agambiarra.com/doodle-inge-lehmann/>. Acesso em: maio de 2015.

HypeScience: Inge Lehmann: geodesista que desvendou o núcleo da Terra é homenageada com Google Doodle. Disponível em: <http://hypescience.com/inge-lehmann-google-doodle/>. Acesso em: maio de 2015.

Portal Terra: Inge Lehmann é homenageada em doodle por 127º aniversário. Disponível em: <http://tecnologia.terra.com.br/inge-lehmann-e-homenageada-em-doodle-por-127-aniversario,406fc4654117c5dee21710ff35d54d90bazvRCRD.html>. Acesso em: maio de 2015.

terça-feira, 31 de maio de 2016

O que faz da República um regime “Moderno”?

Detalhe da obra de Aleijadinho (1738-1814), Minas Gerais.
Fonte: museus.gov
Em se tratando de política, o mote que insere o Brasil no cenário modernista na metade do século XIX e no decorrer do século XX foi a Monarquia Constitucional e, mais tarde a República, no sentido de construir uma nacionalidade. Nesse intermédio ebule no Brasil uma veia Barroca no que diz respeito à trama de ambiguidades, movimentos, flutuações, simulações e aproximações transitórias no âmbito político e social no Brasil.

Especificamente no campo político, o Brasil sofria um embate com ideais liberais desencadeados principalmente pela revolução de 1789, onde pensamentos como os de Rosseau, cujo pressuposto maior era o de igualdade fundamental entre os homens - ou seja, a liberdade é o atributo essencial próprio do ser humano - são alicerces da instituição de um novo regime político.

Coexistiam no país diferentes pensamentos e interesses políticos, e em menor medida - em se tratando de organização e “representação” - as frentes sociais. As congruências e incongruências de uma elite imperial e outra oligárquica, um proletariado, os escravos e ex-escravos e o povo em geral; que eram assistidos pela estrutura monárquica enleada pelos ideais abolicionistas, militares (positivistas), republicanos; escravistas e liberais que borbulhavam no período em questão.

Estes eram os componentes formadores da política brasileira. Eles eram permeáveis, mutáveis e dicotômicos entre si, uma vez que partidários liberais e conservadores de um mesmo “nicho” aglutinam-se em campos opostos. Coexistiam, pois, republicanos abolicionistas, republicanos escravistas, republicanos escravistas ligados às ideais liberais, republicanos radicais e conservadores, entre outras vertentes minoritárias.

Já no início do processo de mudança política de um regime ao outro, nota-se a tenuidade com que ela foi forjada, como nos mostra o Manifesto republicano de 1871 escrito por Paulo Bonavides e Roberto Amaral que, embora repudiasse a politica centralizadora em detrimento do progresso do país, dos ideais liberais e de obtenção dos meios de direito, não levantou nem aventou a questão (de fato espinhosa) da abolição, ou seja da liberdade dos escravos. Em defesa da liberdade não se lê sobre a liberdade dos escravos:

“A liberdade de consciência nulificada por uma Igreja privilegiada; a liberdade econômica suprimida por uma legislação restritiva; a liberdade de imprensa subordinada à jurisdição de funcionários do governo; a liberdade de associação dependente do beneplácito do poder; a liberdade do ensino suprimida pela inspeção arbitrária do governo e pelo monopólio oficial; a liberdade individual sujeita à prisão preventiva, ao recrutamento, à disciplina da guarda nacional, privada da própria garantia do habeas-corpus pela limitação estabelecida, tais são praticamente as condições reais do atual sistema de governo” (Manifesto do Partido Republicano apud PESSOA, 1973, p. 47).

Decorre que a questão liberal e modernista concorre com o tema da escravidão instalada no Brasil. Não se conciliava a construção de uma nacionalidade brasileira sem o prejuízo de reformas que dessem conta da compatibilidade entre os então donos de escravos, os escravos e seus meios de direito. Daí o motivo dos republicanos se firmarem com mais consistência sobre o Abolicionismo no Brasil se postando ao final do Regime Monárquico contra o escravismo.

Um ponto significativo que se deu no intermédio do regime monarca para o republicano foi a aproximação e interpelação da estrutura monárquica na base doutrinária dos republicanos e o consequente afastamento desses com a classe de que eram a princípio representantes – o povo. Causa do caráter muito pouco popular e portanto democrático do regime “moderno”.


Por Eloana Santos Chaves


REFERÊNCIAS:


BONAVIDES, Paulo; Amaral, Roberto. Textos políticos da História do Brasil- volume III – Império Segundo Reinado (1840-1889) 3° ed. Brasília: Senado Federal, 2002.

FERNANDES, Maria Fernanda L. Os Republicanos e a Abolição. Rev. Sociol. Políti., Curitiba, 27, p.181-195, nov. 2006.

PESSOA, R. C. 1973. A idéia republicana através dos documentos. São Paulo : Alfa-Ômega.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Fita de Möebius

Em 1858 o matemático alemão Augustus Ferdinand Möbius estudou uma superfície com uma propriedade muito interessante. Para entender essa superfície você pode fazer duas construções semelhantes a essas.

Figura 01: Fita de Möbius e fita cilíndrica. Fonte: pizadas.com
Para construir as duas fitas são necessárias duas tiras de papel com 2 cm de largura e 20 cm de comprimento. Na primeira, junte as extremidades porém, antes de colar, é necessário fazer um giro de 180º em uma das pontas. Na segunda apenas cole sem fazer o giro. Agora você tem uma fita de Möbius e uma fita cilíndrica.

A fita cilíndrica possui duas superfícies, uma no interior e outra no exterior. Você pode verificar isso pintando cada uma delas de uma cor diferente. A segunda carrega a propriedade curiosa que Möbius estudou, ela tem apenas uma superfície, isso mesmo, não existe dentro ou fora nesta fita, a isso chamamos de superfície não orientável. Para comprovar esta propriedade, basta colocar uma caneta num determinado ponto e construir uma linha sem tirar a caneta da fita. É fácil perceber que a linha desenhada pela caneta irá cobrir toda a área da fita voltando no mesmo lugar. Esta área e igual às áreas interna e externa da fita cilíndrica. É muito comum ao se explicar a propriedade da fita imaginar uma formiga caminhando nela. Ao caminhar pela fita de Möbius a formiga irá cobrir toda a área sem a necessidade de passar pelas bordas, enquanto que se a formiga caminhar pela fita cilíndrica ela cobrirá apenas a metade da superfície, ou seja, para cobrir os dois lados ela terá que passar pela borda da fita.

Figura 2: A formiga percorre por toda a área da fita. Fonte: Blog: Mara educare

Além de contribuir nos estudos de topologia, a fita de Möbius é aplicada em vários instrumentos que utilizam fitas e correias em instrumentos mecânicos. Como não existe orientação nela a duração deste equipamento será o dobro de uma fita cilíndrica. As fitas cilíndricas possuem uma orientação então, se utilizadas para os mesmos fins, terão apenas um lado gasto pelo equipamento.

Um fato curioso, apesar da fita levar o nome de Möbius, ele não foi o primeiro a estuda-la. Alguns meses antes o arquiteto e matemático Johann Benedict Listing (1808-1882) já havia estudado a fita.

Figura 3: Augustus Ferdinand Möbius (1790 – 1868). Fonte: Wikimedia

Por Wellington Schühli de Carvalho


REFERÊNCIAS


Stewart, Ian. Será que Deus Joga Dados?. 2ª Edição, Rio de Janeiro, Editora Zahar, 2011.

domingo, 29 de maio de 2016

J1407b e seu colossal sistema de anéis

Você deve ter visto aqui o texto sobre Phoebe, o anel gigante ‘invisível’ do planeta Saturno, que definitivamente o consagra como o “Senhor dos Anéis” do Sistema Solar. 


Além de Saturno, os outros gigantes gasosos – Júpiter, Urano e Netuno – possuem anéis. Aliás, em 2008, cogitou-se a possibilidade de Reia, a segunda maior lua de Saturno, também possuir anéis e, em 2014, uma equipe de astrônomos brasileiros (em conjunto com equipes de outros países da América do Sul e Europa) anunciaram a descoberta de um asteroide com um sistema de anéis.

Contudo, apesar de ostentar seu título – e seus anéis – aqui no nosso sistema, Saturno perde feio para J1407b, planeta de um sistema vizinho.

Esse nome estranho, J1407b, indica que o planeta orbita a estrela J1407, uma jovem anã laranja que fica localizada na região da constelação do Centauro. Dados de 2007 do projeto SuperWASP mostravam uma variação incomum no brilho dessa estrela. 

Novas análises dos dados em 2012 feitas por astrônomos da Universidade de Rochester (EUA) e do Observatório da Universidade de Leiden (Holanda do Sul), e um modelamento matemático indicam que esses “eclipses” que foram observados poderiam ser causados por um sistema de anéis em torno de um planeta gigante gasoso. Os resultados foram publicados na revista The Astrophysical Journal em janeiro do ano passado.

A Figura 1 e o vídeo abaixo ilustram a relação entre o gráfico da variação no brilho da estrela e a representação dos anéis de J1407b:

Figura 1 – Gráfico da variação da intensidade do brilho da estrela J1407 e a representação do sistema de anéis de J1407b. Fonte: Astronomia On-line. Centro Ciência Viva de Algarve.



O sistema de anéis de J1407b tem um diâmetro de quase 120 milhões de quilômetros, equivalente a mais de duzentas vezes o tamanho dos anéis de Saturno e contém aproximadamente o equivalente a massa da Terra inteira em partículas de poeira e rochas! Se seus mais de 30 espessos anéis fossem colocados em Saturno poderíamos vê-los facilmente no céu perto do início da noite ou do início da manhã, seriam maiores até que a Lua cheia!

Figura 2 – Representação artística de como os anéis [se colocados ao redor de Saturno] seriam vistos a partir do Observatório de Leiden. Observe a Lua no canto direito da foto. Fonte: Astronomia On-line. Centro Ciência Viva de Algarve.

Essa descoberta lança luz às teorias da formação do Sistema Solar e da formação dos anéis e satélites naturais dos planetas. Segundo Eric Mamajek, da Universidade de Rochester, há muito os cientistas esperavam por ver algo assim, corroborando para a hipótese de que Saturno e Júpiter tiveram, em seu estágio inicial um sistema de anéis bem diferente de hoje, que foram dando origem a seus inúmeros satélites naturais.

Figura 3 – Representação artística dos anéis de J1407b eclipsando a estrela J1407. Fonte: Astronomia On-line. Centro Ciência Viva de Algarve.
Por Alan Henrique Abreu Dias


REFERÊNCIAS


Astronomia On-line. Centro Ciência Viva de Algarve. Disponível em: <http://www.ccvalg.pt/astronomia/noticias/2015/01/27_j1407b.htm>. Acesso em: abril de 2016.

KENWORTHY, M. A. MAMAJEK, E. E. Modeling giant extrasolar ring systems in eclipse and the case of J1407b: sculpting by exomoons?. Arquivo on-line da Biblioteca da Universidade Cornell. Disponível em: <http://arxiv.org/abs/1501.05652>. Acesso em: abril de 2016.

Universidade de Rochester (NY – EUA). Disponível em: <http://www.rochester.edu/newscenter/gigantic-ring-system-around-j1407b/>. Acesso em: abril de 2016.

sábado, 28 de maio de 2016

Direito e educação ambiental pressupostos para conscientizar, ordenar, incentivar e mitigar impactos causados pelo lixo em conglomerados urbanos e rurais - Parte II

Figura 1: Aterro sanitário Aurá. Fonte: Blog Adrielson Furtado.

Antigamente a produção de lixo quase não apresentava problema, uma vez que, grande parte de sua composição química era de produtos orgânicos os quais se biodegradavam facilmente. Hoje, além do aumento de volume de produtos descartáveis suas composições químicas apresentam produtos perigosos, altamente impactantes ao meio natural entre esses, metais pesados, radioativos, poli-persistentes, plásticos, entre outros. Vale registrar, que nem todo o lixo gerado é coletado, observe-se o que eles impactam bueiros, terrenos baldios, fundos de vale,entorno de rios, lagos, represas e estações de captação de água para consumo humano.

Tome-se como referencia a cidade de Curitiba, conhecida como capital ecológica por focar-se na proteção ambiental. A capital dos paranaenses e sua Região Metropolitana geram aproximadamente dois milhões e quatrocentos mil quilos de lixo ao dia. Apresenta razoável gestão de seus resíduos, pois dos 25 Municípios que a integram, 15 são consorciados para a disposição temporária de seus resíduos no aterro sanitário denominado aterro da Caximba. Esse aterro dispõe somente de 1ano de vida útil e até o momento não existem alternativas locacionais para futura disposição residual dos 15 Municípios, tampouco dispõem de plano de redução ou contingenciamento. Nos 10 Municípios restantes, paira a desordem na cadeia residual, proliferam lixões a céu aberto em considerável aumento do passivo ambiental (áreas degradadas, emissão de gases de efeito estufa e produção de chorume), e com isso possibilitando possível contaminação de futuros mananciais de abastecimento público e forte contribuição para as mudanças climáticas. Desde 2003, existe um quadro emergencial para o aterro da Caximba em Curitiba, caracterizado pela formalização de um Termo de Ajuste de Conduta – (TAC) junto ao Ministério Público[2], fato, que por si só, demonstra os riscos socioambientais vivenciados pela população.

Assim, torna-se imperiosa a implantação de alternativas de gestão e processamento com forte respaldo numa tecnologia jurídica que possa contemplar um ordenamento legal da cadeia residual, na racionalidade operacional, redutibilidade da carga tributária para os recicláveis, inclusão social de catadores. Com isso, poder-se-á obter diminuição dos volumes lixo gerado, bem como, dos gases de efeito estufa –GEE, fatores essenciais à obtenção de reflexos positivos.Vale argüir: a cidade referência brasileira, conhecida como capital ecológica está a apresentar problemas com seu gerenciamento residual, como estarão as demais grandes, pequenas e médias cidades do país?

Por esse, e outros motivos relativos à gestão do lixo, elege-se o tema de pesquisa para a elaboração de estudos que contemplem ferramentas legais norteadoras à instrumentalização e operação dos Resíduos Sólidos Urbanos – RSU’s, ordenando, de fato, toda a cadeia residual mediante a adoção das fases de pré e pós-consumo, bem como, criando duas leis, uma ordenatória da cadeia residual desde o fato gerador do lixo até a sua disposição final, passando pela coleta, transporte público e privado, pela inclusão social dos catadores, logística reversa, processamento e compostagem a outra criando incentivos e benefícios a todos os que labutarem no segmento do lixo urbano.

Para que se obtenham efetivos ganhos sociais, ambientais econômicos e jurídicos é preciso contar com a participação comunitária e com o fornecimento de informações necessárias à estrutura para a gestão normatizada. É preciso que a lei contemple, além da inclusão social de agentes ecológicos, a redução ou a extinção de áreas degradadas criando mecanismos incentivadores facilitadores a ocorrência para  novos projetos de processamento, inclusive os que se caracterizarem como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL e conseqüente obtenção de Royalties Ecológicos.

Os macro-problemas, oriundos dos conglomerados urbanos sejam de abastecimento de água, esgoto, gás, energia elétrica, entre eles os de geração, coleta, transporte, processamento e disposição do lixo urbano existentes na sociedade humana, merecem estudos e aprofundamentos, pois as cidades conurbadas, principalmenteas integrantes das Regiões Metropolitanas brasileiras, poderão num futuro próximo abrigar passivos ambientais irreversíveis e insanáveis.

A segunda Conferência das Nações Unidas sobre os Assentamentos Humanos (Habitat II)[3], tratou dos temas da habitação adequada para todos e desenvolvimento sustentável em processo de urbanização. O desenvolvimento social, e a proteção ao meio ambiente, respeitando todos os direitos humanos e as liberdades fundamentais, necessárias ao oferecimento de meios para a construção de um mundo mais estável, mais limpo e pacífico com uma visão ética espiritual (ORGANIZAÇÃO ...,  1996).

As exuberantes e bucólicas as áreas rurais existentes no entorno das chamadas  Regiões Metropolitanas ao serem impactadas obrigam-se a conviver com processo continuado de degradação do meio natural, com grave onerosidade para a qualidade de vida local, sofrendo, portanto uma revolução urbana, Lefebvre, (1983).

Notas:

[2] Matéria do jornal A Gazeta do Povo: Caximba pára de receber lixo da RMC nesta terça-feira. Aniela Almeida – Curitiba 11/05/2004;

[3] O Habitat II realizou-se em Istambul, na Turquia, entre 03 e 14 de junho de 1996. Movimento também chamado de Agenda Habitat. Tratou do fortalecimento do papel do poder local para enfrentar os problemas urbanos como a degradação ambiental, assentamentos humanos, a exclusão social, o desemprego, a favelização, tornando-se um paradigma no processo de globalização para a promoção do desenvolvimento sustentável nas cidades. 

Por João Marcos Alberton e Antonio Villaca Torres


REFERÊNCIAS

DE OLIVEIRA, Selene - Gerenciamento e Caracterização Física dos Resíduos Sólidos Urbanos de Botucatu/SP. Tese (Mestrado - Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista. 1997. 127 p.

HELLER, L. & MÖLLER, L. M. Saneamento e Saúde Pública. In: Manual de Saneamento e Proteção Ambiental para os Municípios. v.2. Belo Horizonte: Escola de Engenharia da UFMG, 1995. p. 51 – 61.

DALY, Herman E. – Sustentabilidade em um mundo lotado – Scientific American Brasil – Edição n° 41 – outubro de 2005. Disponível em: www2.uol.com.br/sciam/conteudo/materia/materia_imprimir_81.html – acesso: 14/02/2006.

IBGE 2000 (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 2000, Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios 1999. Microdados. Disponível  http://www.ibge.gov.br/caovida/indicadoresminimos/ tabela3.shtm, acesso 11/05/2005.

INSTITUTO POLIS, Consórcio de Tratamento de Resíduos Sólidos - Jornal Desenvolvimento Urbano, Idéias para Ação Municipal - DU n° 166 - 2000 São Paulo - SP.

MCidades (Ministério das Cidades). Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental – Programa de Modernização do Setor de Saneamento – PMSS,Edital n° 17/BRA/99/03 e PNUD – Projeto 
BRA/99/030 - Brasília – DF. 2005

MEIRELLES, Hely Lopes, Direito Administrativo Brasileiro - ed. Revista dos Tribunais, 7ª. ed São Paulo.,1979

MONTEIRO, José Henrique Penido ... [et al.]; - Manual de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos – Coordenação Técnica Victor Zular Zveibil – Rio de Janeiro; IBAM, 2001

ROCCA, [et al.] Resíduos Sólidos Industriais. 2 ed. SP. Cetesb, 1993. 234 p.

SEROA DA MOTTA, R - CLERMONT, L - Aspectos Econômicos de gestão integrada de resíduos. Rio de Janeiro, maio de 1996, IPEA/DIPES, texto para discussão 416.

TORRES, A. V.; OLIVEIRA, M.; SILVA, M.; Ordenamento Legal da Cadeia dos Resíduos Sólidos Urbanos – V Congresso Ibero-Americano - A Contribuição da Educação Ambiental para a Sustentabilidade Planetária Anais do Congresso pg 23 – Resumo expandido, indicação para apresentação oral, apresentação de pôster, Joinville – Brasil – 2006

TORRES, A. V., Meio Ambiente e Progresso: Resíduos Sólidos Urbanos, Soluções Ambientais. Métodos de processamento de resíduos, MDL e Ordenamento da Cadeia – IV Conferência Municipal do Meio Ambiente de São José dos Pinhais – PR Coordenador de Grupo junto para sugerir medidas sobre gestão de resíduos ao Município. Câmara Municipal – São José dos Pinhais - 2005.