quarta-feira, 27 de março de 2013

Parque da Ciência: uma viagem pelo conhecimento!

Por Eduardo Cordeiro Uhlmann

Ao entrar no pavilhão introdução do Parque da Ciência, encontramos Sócrates recebendo os visitantes com o adágio “conhece-te a ti mesmo”. Ao seu lado, um painel conta a história do universo, do Big Bang ao surgimento do Homo Sapiens Sapiens. Esta é a viagem proposta aos que se aventuram no Parque Newton Freire Maia, uma viagem que parte do auto-conhecimento, do reconhecimento da própria ignorância e vai até os confins do espaço-tempo e retorna, ciente da sua situação e da responsabilidade enquanto espécie capaz de transformações de âmbito planetário.

Desde que as colônias gregas no Mediterrâneo oriental se tornaram importantes entrepostos comerciais, o pluralismo cultural se estabeleceu, com a presença de diversas línguas, tradições, cultos e mitos. Pelo próprio contraste entre as tradições, esse ambiente pode ter levado a uma relativização dos mitos com os quais cada cultura explicava o mundo. Para Aristóteles, é ali, em Mileto, uma cidade cosmopolita, que surge Tales, o primeiro filósofo.

O termo filósofo, teria sido usado por Pitágoras e por Sócrates, em oposição ao termo sábio (que não caberia a nenhum ser humano, mas somente à divindade). O filósofo é aquele que ao caminhar por uma grande feira, não se deixaria levar pelos jogos, pelos comércios e pelos espetáculos, mas andaria a considerar com afinco a natureza das coisas. O filósofo não é um detentor do conhecimento, mas um amigo da sabedoria.

Neste espírito, surgem com os filósofos gregos algumas noções que constituem um ponto de partida para uma visão de mundo que mesmo profundamente transformada no decorrer dos séculos ainda permanece parte da nossa maneira de compreender a realidade. Entre essas noções, Danilo Marcondes destaca:
  • a physis: o mundo natural, objeto de investigação dos primeiros filósofos (até que Sócrates volta a sua atenção para o ser humano e suas ações);
  • a causalidade: a busca pela explicação da natureza através da elucidação do nexo causal entre os fenômenos naturais;
  • a arqué: o elemento primordial, que daria unidade à natureza;
  • o cosmo: a ordem, a harmonia e a beleza, a realidade ordenada de acordo com princípios racionais, o que tornaria essa realidade compreensível a razão humana;
  • o logos: discurso racional, argumentativo, em que as explicações são justificadas;
  • o caráter crítico: as teorias são apresentadas enquanto “passíveis de serem discutidas, de suscitarem divergências e discordâncias e de permitirem formulações e propostas alternativas”.
Ao trilhar pelos caminhos abertos pelos filósofos, a humanidade aguça suas observações e descortina passo a passo a história do universo, cujo devir fez da Terra o palco perfeito para o surgimento da vida. Aqui, a poeira de estrelas se auto-organizou e se desdobrou em uma miríade de seres que, em um oceano de colaboração proveu o solo fértil e a atmosfera necessária para que surgíssemos.

Seguindo esse caminho, nos deparamos com Isaac Newton, que em sua juventude alquimista buscou  a pedra filosofal e o elixir da longa vida, que ao passar a luz por um prisma abriu um leque de possibilidades e ao se encantar com os teoremas dos Elementos de Euclides derivou por cálculos que descortinaram a natureza exata de mecanismos naturais e impulsionaram gerações na busca da verdade nos mais diversos campos do conhecimento.

Mas os caminhos da ciência não são pavimentados em certezas e aqui no PNFM somos levados a transitar por labirintos onde por vezes encontramos pedras no meio do caminho, e as retas paralelas de Euclides desembocam no espaço curvo através do qual a luz de estrelas distantes viaja ziguezagueando as massas e relativizando os observadores.

E aprendemos a transformar a força dos nossos braços em energia elétrica e vemos a humanidade agigantar o seu poder para transformar o mundo e enquanto a incerteza se insere na própria essência do nosso conhecimento e a matemática anseia descrever o caos.

Aqui, vemos que o mundo é um sistema, que a água que flui por esse sistema é pouca, e que ela é nossa , não da humanidade, mas da comunidade viva, à qual pertencemos e da qual dependemos para existir. Então, quando no jogo do certo/errado nos colocamos mais no errado, percebemos que a maravilha da existência humana é frágil, e que a nossa permanência não pode ser dada como certa, mas que depende da nossa consciência e, principalmente, das nossas escolhas e  das nossas ações.

Então o visitante do PNFM, ainda que se depare aqui e ali com algumas respostas, encontrará fundamentalmente perguntas e a sensação de que urge respondê-las. E lá no centro, o poeta avisa a estas pessoas que andar depressa é devagar demais, que é preciso andar como quem já chegou!

Volte sempre!

O motor de Faraday!

Por Elisiane Campos de Oliveira Albrech

Hans Christian Oersted
Desde muito se conhece os fenômenos elétricos e magnéticos, mas apenas no século XIX, com uma demonstração do dinamarquês Hans Christian Oersted (1777-1851), professor de física da universidade de Copenhague, foi possível perceber que estes fenômenos não eram tão independentes como se supunha até então. No ano de 1820, Hans Oersted mostrou experimentalmente que um fio percorrido por corrente elétrica, colocado próximo de uma bússola, era capaz de provocar desvio na agulha magnética. Dessa forma, comprovou-se a ligação existente entre eletricidade e magnetismo.

Mas o que isto tem a vez com o nosso cotidiano? 

Michael Faraday
Foi através desta descoberta que Michael Faraday (1791- 1867) desenvolveu os motores elétricos. Faraday foi um físico-químico inglês e um dos maiores experimentadores da ciência, e através dos experimentos de Faraday foi possível o desenvolvimento de diversos equipamentos eletrônicos. Você seria capaz de imaginar o mundo sem estes motores elétricos, ou os transtornos causados pela falta desses equipamentos? Não haveria eletrodomésticos, como liquidificadores, batedeiras, nem ferramentas, nem tampouco varias maquinas industriais e meios de transportes que facilitam a vida do homem moderno.

Como foi que Michael Faraday conseguiu tamanha façanha? Após estudar a experiência de Oersted, ele fez um questionamento: se um fio percorrido por uma corrente elétrica era capaz de provar um desvio em uma agulha magnética, será que o oposto também aconteceria? Ou seja, será que um imã exerceria alguma influência sobre um material condutor. Oersted contatou que quando a corrente elétrica passa pelo interior do fio ela gera entorno deste um campo magnético. Faraday através de vários experimentos conseguiu demostrar que um campo magnético gera um campo elétrico. Como? O campo magnético do imã gera uma força sobre as cargas elétricas do material condutor, essas então sofrem uma ação gerando assim uma corrente elétrica, lembrando que é necessário que haja um movimento relativo entre o imã e o material condutor, ou seja, que exista um fluxo variado no campo magnético. Faraday utilizou esta descoberta muito mais como forma de entretenimento como forma de utilidade para o homem. Foi com o desenvolvimento da tecnologia que houve o surgimento de diversos equipamentos eletrônicos.

Indução Magnética

Então você pode agradecer a Faraday e ao Oersted por existirem objetos como os eletroímãs, motores elétricos, eletrodomésticos, ferramentas, usinas elétricas, alto-falantes, alternadores de carros, maquinas como os maglev que são os transportes por levitação magnética, utilizados na China. Dínamos, transformadores e muitos outros objetos que poderiam ser citados. Aqui vale ressaltar que não devemos nos esquecer de que a ciência ele não é feita apenas de um, ou dois cientistas, mas de muitos um geralmente completa o trabalho do outro. A ciência é feita de um todo, não de partes fragmentadas.

O tema é muito extenso porém, paremos por aqui por dois motivos: o primeiro para não deixar nossos leitores entediados e o outro é que teremos muitas oportunidades para  retornamos a este tema.



segunda-feira, 25 de março de 2013

domingo, 24 de março de 2013

Uma história das constelações ocidentais: Novas terras, novas estrelas

Por Anisio Lasievicz

Seguindo nossa viagem pela história das constelações ocidentais, chegamos à época das grandes navegações, onde bravos homens aventuraram-se por águas desconhecidas, deparando-se com novas civilizações, fauna, flora e outras riquezas.

"Novas estrelas" aparecem no céu

O cenário da Astronomia permanece o mesmo até o período das grandes navegações, em que acontecimentos como a descoberta da América em 1492, revolucionam o mundo conhecido até então. Viagens para a busca de especiarias na Índia, que muitas vezes foram feitas contornando-se o continente africano, obrigou os navegantes a “descerem” para o hemisfério sul da Terra, o que lhes permitiu a observação de um “novo” céu, com novos objetos e novas estrelas. 

Figura 1: Tycho Brahe.

O astrônomo dinamarquês Tycho Brahe (1546 – 1601), representado na figura 1, inclui a constelação da “Comma Berenices” (Cabeleira da Berenice), relata por Eratóstenes de Alexandria, cerca de 250 a.C.

Em 1624, o astrônomo alemão Jakob Bartsch (1600 – 1633) nomeia a constelação Columba, a pomba. Bartsch era genro de Johannes Kepler e o auxiliou com os cálculos das chamadas Três Leis de Kepler.

O astrônomo holandês Johannes Bayer (1542 – 1625), publica sua obra intitulada Uranometria, na qual inclui mais 12 constelações, descritas na tabela abaixo.


Apus
Ave do Paraíso
Chamaleon
Camaleão
Dorado
Dourado
Grus
Grou
Musca
Mosca
Triangulum Australe
Triângulo Austral
Hydrus
Hidra Macho
Pavo
Pavão
Phoenix
Fênix
Indus
Índio
Tucana
Tucano
Volans
Peixe Voador


Figura 2: Johannes Höwelcke
Johannes Höwelcke  (1611 – 1687), mais conhecido como Hevelius (figura 2), inclui mais 9 constelações, em sua obra Sete Cartas Celestes, datada de 1680. A relação das constelações acrescidas por Hevelius está na tabela a seguir:

Camelopardalis
Girafa
Canis Venatici
Cães de Caça
Lacerta
Lagarto
Lynx
Lince
Leo Minor
Leão Menor
Monoceros
Unicórnio
Scutum
Escudo
Sextans
Sextante
Vulpecula
Raposa

Em 1697, Austin Royer, arquiteto do rei Luís XV, desmembra a Crux Australis da constelação do Centauro, surgindo o Cruzeiro do Sul.

Dentre todas as modificações/inclusões feitas ao longo do tempo, certamente uma das mais influentes foi de promovida por Nicolas-Louis Lacaille (1713 – 1762), mostrado na figura 3. Em 1751, Lacaille viaja até o Cabo da Boa Esperança (sul do continente africano), com o intuito de estudar o céu do hemisfério sul. Nestes trabalhos, ele inclui mais 14 constelações, onde procurava prestar homenagens aos avanços da ciência e da tecnologia, como, por exemplo, o relógio, o telescópio, o compasso e etc. Outra contribuição sua foi a divisão da constelação Argus, o barco, em 4 partes: Carina (Quilha), Vela (Vela), Puppis (Popa) e Pyxis (Bússola), pois tratava-se de uma configuração muito grande. As contribuições de Lacaille estão descritas na tabela abaixo:

Antlia
Máquina Pneumática
Mensa
Mesa
Pyxis
Bússola
Microscopium
Microscópio
Reticulum
Retículo
Circinus
Compasso
Norma
Esquadro
Sculptor
Escultor
Fornax
Forno
Octans
Oitante
Pictor
Pintor
Telescopium
Telescópio
Horologium
Relógio
Caelum
Buril


Em paralelo a essas histórias, aconteceram algumas tentativas frustradas de incluir novas constelações. O mesmo Augustin Royer que desmembrara o Cruzeiro do Sul da constelação do Centauro, tentou modificar a constelação do Lacerta (Lagarto) para Mão da Justiça, não obtendo êxito. Já Edmond Halley (1656 – 1742), sugeriu a constelação “O Roble de Jorge”, no intuito de homenagear seu soberano Jorge II. Finalmente, em 1787 o astrônomo Johan Bode decidiu que a constelação do Lagarto deveria se chamar “Glória de Frederico”, em homenagem a Frederico II, da Prússia.

Atualmente, temos 88 constelações, divididas em 12 zodiacais, 27 boreais (ou do hemisfério norte), 49 austrais (ou do hemisfério sul). Alguns preferem a divisão de 18 boreais, 34 equatoriais e 36 austrais. No entanto, a noção de constelação passou de um padrão, ou conjunto de estrelas, para uma região do céu, semelhante à divisão do Brasil em estados. Esta modificação ocorreu em 1929, quando a IAU (União Internacional Astronômica) definiu as 88 regiões do céu, baseada em dados de declinação e ascensão reta.

LIVROS

MILONE, André de Castro. Introdução à Astronomia e a Astrofísica. INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. São José dos Campos, 2003.

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Livro de Ouro do Universo.  Rio de Janeiro. Ediouro, 2001.

SAGAN, Carl. Cosmos. Tradução: Angela do Nascimento Machado; revisão técnica de Airton Lugarinho de Lima. Francisco Alves Editora. Rio de Janeiro, 1992.

SITES

http://astro.if.ufrgs.br

http://www.aao.gov.au/

http://www.iau.org/

http://www.nasa.gov/

http://www.zenite.nu/



René Descartes e o método científico!

Por Luiza Becerra
Revisão: Jeffrey Cássio de Toledo


A Revolução Científica

A transformação do nosso entendimento do mundo físico decorrente da Revolução Científica do século XVII, também ocorreu na forma como compreendemos o indivíduo, a sociedade e o propósito da vida. A Revolução Científica foi um marco decisivo na construção do mundo moderno. Destruindo a visão de mundo medieval e descartando a ideia de propósitos divinos, a ciência moderna passa a examinar a natureza física através de relações matemáticas e composições químicas.

A concepção de razão proposta por pensadores do período divergia completamente da defendida pelos escolásticos do período medieval. Para estes, a razão era um instrumento para contemplação da verdade divina, ou seja, deveria estar a serviço da teologia. Influenciados pelo espírito científico, os pensadores agora viam a investigação da natureza como principal atividade da razão.

A Revolução Científica estimulou o desenvolvimento de um espírito crítico e racional entre a elite intelectual. Os pensadores passam a considerar a magia, a alquimia e astrologia como simples superstições e vêem os fenômenos que anteriormente eram atribuídos à forças ocultas, como passíveis de análise, recorrendo-se às forças naturais. Assim, abriu-se um enorme abismo entre a elite intelectual e as massas, que continuavam mergulhadas nas superstições populares.

Repudiando a confiança depositada em pensadores como Ptolomeu, Aristóteles e outras autoridades antigas em assuntos relacionados à natureza, a Revolução Científica passa a valorizar o conhecimento derivado da observação, da experimentação e do raciocínio matemático. Mencionar uma autoridade antiga não era mais suficiente para atestar um ponto de vista, o novo modelo de conhecimento prezava pela experiência com o mundo.

Ampliando a confiança dos pensadores no poder da razão, a Revolução Científica fortaleceu a confiança 
nas capacidades humanas expressas anteriormente pelos humanistas renascentistas. Acreditava-se que, o método científico revelaria os segredos da natureza e a humanidade, adquirindo mais conhecimento e controle sobre a natureza, avançaria rapidamente.

René Descartes e o Método Dedutivo


Fonte: Wikipédia.
O método científico compreende duas abordagens do conhecimento complementares: a empírica (indutiva) e a racional (dedutiva). Na abordagem indutiva, empregada em ciências descritivas como biologia, anatomia e geologia, extraem-se princípios gerais a partir da análise de dados coligidos através da observação e da experimentação. As principais características do método indutivo foram defendidas pelo inglês Francis Bacon, que considerava os dados provenientes da experiência sensória como bases do conhecimento. Na abordagem dedutiva, empregada na matemática e na física teórica, as verdades são derivadas de princípios elementares. O método dedutivo foi formulado no século XVII por René Descartes (1596-1650), matemático e filósofo francês, considerado fundador da filosofia moderna.

Em Discurso do método, sua principal obra, Descartes expressou seu desapontamento com o saber de sua época. Grande parte daquilo em que ele acreditava se revelara falso. Descartes resolveu então, buscar somente o conhecimento que pudesse encontrar dentro de si mesmo ou na natureza. Empenhou-se em encontrar uma verdade irrefutável que servisse como princípio elementar do conhecimento.

Descartes foi considerado o fundador da filosofia moderna por ter incentivado os indivíduos a questionarem todas as crenças tradicionais e por ter proclamado a inviolável autonomia da mente, sua habilidade e direito de compreender a verdade. Suas declarações conscientizaram as pessoas de sua capacidade de entender o mundo através de suas próprias faculdades mentais.

René Descartes considerava o método matemático como o caminho mais seguro para se chegar ao conhecimento. Aplicando o raciocínio matemático aos problemas filosóficos, podemos alcançar a mesma certeza e clareza evidenciadas na geometria. O método dedutivo cartesiano complementa com perfeição a abordagem indutiva de Bacon, que ressalta a observação e a experimentação. As realizações cientificas dos tempos modernos tiveram origem na habilidosa sincronização dos métodos indutivo e dedutivo.

Referências:

PERRY, Marvin. Civilização Ocidental: uma história concisa. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

DELUMEAU, Jean. A civilização do Renascimento. Lisboa: Edições 70, 2004.



Como surgiu a Lua?

Por Rafael Gama Vieira

Sabemos que a Terra possui um satélite natural, chamado Lua. Este satélite orbita nosso planeta em ciclos de aproximadamente 29 dias, passando por quatro fases: Cheia, Quarto Minguante, Nova e Quarto Crescente.

Mas, qual é a origem deste satélite? Como surgiu a Lua e quais os efeitos que ela causa em nosso planeta?

Os cientistas não têm certeza absoluta quanto à origem da Lua, porém a teoria mais aceita hoje é a chamada “Big Splash”. Segundo esta teoria, há aproximadamente 4 bilhões de anos (Período Hadeano) um objeto do tamanho de Marte denominado Theia colidiu com nosso planeta, fazendo com que parte dele fosse lançado no espaço. A colisão fez com que o planeta Theia vaporizasse completamente, assim como a atmosfera da Terra. Toda essa matéria deslocada forma anéis parecidos com os de Saturno que, após um longo tempo começa a obter uma forma esférica que fica presa no campo gravitacional Terrestre. Surge então a nossa Lua.

Agora a Terra e a Lua formam um sistema. Logo que nosso satélite foi formado ele estava mais próximo do planeta e isso fazia com que a velocidade de rotação dos dois fosse maior. Há mais ou menos 400 milhões de anos (Período Devoniano), a duração de um dia era aproximadamente 21h. Conforme a distância entre os dois aumenta, a velocidade de rotação diminui devido à conservação de momento angular. 

Hoje a Lua encontra-se a aproximadamente 385 mil Km da Terra, tendo como periélio a distância aproximada de 356 mil km e de afélio aproximadamente 406 mil Km. Tem aproximadamente 1/4 do tamanho da Terra e 1/6 da sua gravidade. 

Devido sua massa e distância da Terra, a Lua exerce uma força de atração sobre o planeta, causando então os efeitos de marés. Porém, não é apenas a Lua que causa este efeito, mas também a atração gravitacional exercida pelo Sol. Na figura 1 podemos ver como se formam as marés:

Figura 1: Maré Alta e Maré Baixa.

A Lua é o único astro visitado pelo homem até hoje. Em 1969 o astronauta Neil Armstrong, tripulante da Apolo 11 foi o primeiro homem a pisar em solo lunar. Esta missão fez parte das 73 realizadas na Lua, tanto pelos EUA quanto pela Rússia. Destas 73, apenas 6 foram tripuladas.

O site da revista National Geografic (http://books.nationalgeographic.com/map/map-day/) mostra um resumo de todas as missões espaciais realizadas até hoje.

Curiosidades

Crateras da Lua: Com um telescópio simples podemos olhar para a Lua e notar que esta é cheia de crateras. Estas crateras são causadas por impactos de meteoros que atingem nosso satélite a todo o momento. As crateras maiores foram formadas há cerca de 4 bilhões de anos, quando uma chuva de meteoros atingiu todo o Sistema Solar. Crateras semelhantes foram causadas nas luas de Júpiter e Saturno. 
Mas, porque isso acontece apenas com a Lua? Porque a Terra não possui diversas crateras como seu satélite natural? 

Isto acontece com a Lua porque esta não possui atmosfera. O planeta Terra possui em sua volta uma camada formada por diferentes gases, chamada camada atmosférica. Esta camada ajuda a proteger o planeta de objetos vindo de fora dele. Muitos destes corpos são destruídos antes mesmo de atingirem o solo. Como a Lua não possui esta proteção, acaba sendo atingida por meteoros que formam suas crateras.

O lado oculto da Lua: Não importa a época do ano e nem a hora, ao olhar para a Lua estaremos vendo sempre sua mesma face. Isto acontece porque o período de rotação da Lua é igual ao seu período de translação, ou seja, ao mesmo tempo em que translada a Terra ela também rotaciona sobre seu eixo, ficando sempre com o mesmo lado voltado para o planeta.

Como seria se os planetas do Sistema Solar estivessem no lugar da Lua? Na figura 2 vemos um exemplo de Saturno no lugar da Lua. Mais imagens podem ser vistas no site: http://noticias.uol.com.br/ciencia/album/2013/03/08/site-simula-como-seria-se-os-planetas-estivessem-no-lugar-da-lua.htm#fotoNav=6

Figura 2: Se Saturno  fosse posicionado no lugar da Lua.

Referências:

http://www.infoescola.com/astronomia

http://books.nationalgeographic.com

http://astro.if.ufrgs.br/lua

http://mundoestranho.abril.com.br





Você já levou um choque?

Por Ana Caroline Pscheidt

Certamente você já encostou em um fio ligado à uma tomada e sentiu um desconforto ou formigamento. Esta sensação é o que chamamos de choque elétrico. Mas, qual a intensidade desse choque?

É muito difícil mensurar o quanto forte ou fraco foi um choque elétrico. Isto porque o choque depende de diversos fatores como, por exemplo, a resistência elétrica do corpo. Essa resistência é diferente em cada pessoa e em cada situação. 

Mas o que é um choque elétrico e quando podemos receber um?

O choque elétrico é o estimulo rápido causado pela passagem de corrente elétrica pelo corpo. Só vai ocorrer choque se houver uma diferença de potencial entre dois pontos do corpo e se essa diferença de potencial for suficiente para vencer a resistência oferecida por ele. Assim, a corrente irá circular de um ponto a outro, fazendo com que o corpo faça parte do circuito elétrico.

Quando isso acontece sentimos desconforto, contrações musculares e formigamentos. Isso tudo é causado pela interferência da corrente elétrica no nosso sistema nervoso que também funciona com estímulos elétricos. Porém, este choque pode causar mais do que um desconforto, dependendo da intensidade ele pode até causar a morte. 

Apesar de saber que a diferença de potencial aplicada no corpo deve ser grande o suficiente para vencer a resistência oferecida por ele, o dano causado pelo choque não depende dessa diferença de potencial, mas sim da corrente elétrica que atravessa o corpo. A resistência do corpo humano é, em maior parte, devida à camada externa da pele, a qual é constituída de células mortas. Esta resistência está situada entre 100.000 e 600.000 ohms, mas varia em dependendo de vários fatores.

Abaixo podemos ver uma tabela que mostra os efeitos da corrente elétrica no organismo humano.


Valor da corrente
Efeitos
100µA a 1mA
Limiar da sensação
1mA a 5mA
Formigamento
5mA a 10mA
Sensação desagradável
10mA a 20mA
Pânico, sensação muito desagradável
20mA a 30mA
Paralisia muscular
30mA a 50mA
A respiração é afetada
50mA a 100mA
Dificuldade extrema em respirar, fibrilação ventricular
100mA a 200mA
Morte
200mA
Queimaduras severas


Obs.: 1µA = 0,000001A
            1mA = 0,001A

Quais fatores podem alterar a resistência do corpo humano?

A resistência oferecida pelo corpo humano depende de alguns fatores, dentre eles podemos citar: espessura da pele, machucados e umidade da pele.

Citamos anteriormente que a resistência do corpo humano está entre 100.000 e 600.000 ohms, porém, este valor pode diminuir consideravelmente (cerca de 15.000 ohms) quando a pele estiver molhada.

A relação entre tensão, resistência e corrente é dada pela equação matemática:

U = R.i

onde U é a tensão aplicada (diferença de potencial), R é a resistência e i a intensidade da corrente.

Comparando os valores de corrente para pele seca e úmida quando submetida a uma tensão de 127V, temos:

i = 127 V / 200.000 ohms = 0,6mA

i = 127 V / 15.000 ohms - 8,5mA

Vemos então que a corrente elétrica aumenta bastante no caso de uma pele molhada, tornando assim o choque muito mais perigoso.

Muitas pessoas acreditam que podem evitar choques elétricos utilizando calçados de borracha. Isto não é verdade. Para haver corrente elétrica em um circuito, este precisa ser fechado, ou seja, deve haver um ponto de entrada e um de saída para a corrente elétrica. Um ponto de saída para a corrente é a Terra e, caso você não esteja em contato com ela não haverá um caminho para a corrente seguir em seu corpo. Porém não podemos dizer se um calçado é ou não totalmente isolante apenas olhando para ele. 
Outro problema neste caso é que podemos também fechar um circuito com outros pontos que não sejam os pés. Se você segurar um fio com uma das mãos e com a outra encostar em um ponto que esteja ligado à Terra poderá sim ocorrer um choque elétrico.

Corrente Elétrica Gruda?

Você já deve ter escutado pessoas falando sobre alguém que ficou grudado num fio condutor de eletricidade, por exemplo. Mas, será que a corrente elétrica realmente faz a pessoa grudar no fio? Isso obviamente não acontece. O que acontece é que a corrente elétrica ao passar pelo nosso corpo faz com que nossos músculos se contraiam e podemos então acabar fechando a mão e assim ficar segurando o fio condutor. 

No caso de uma pessoa passar por esta situação, a última coisa que devemos fazer é encostar nela, pois, caso isso seja feito, também levaremos um choque. A primeira coisa a se fazer então é desligar a chave que fornece energia elétrica para este fio. Caso isso não seja possível devemos então utilizar um material não condutor (madeira, por exemplo) e com ele tentar afastar a pessoa da fonte de corrente elétrica. 

Conclusão

Sempre tenha cuidado ao lidar com corrente elétrica. Vimos que mesmo um valor baixo de corrente pode ser bastante prejudicial ao nosso organismo. Use sempre equipamentos de segurança e, de preferência, desligue o disjuntor ao realizar manutenção na instalação elétrica da sua casa ou trocar lâmpadas e chuveiro. Nunca trabalhe com eletricidade em locai úmidos, pois, como vimos, a umidade diminui consideravelmente a resistência elétrica do nosso corpo e também pode conduzir corrente elétrica até nós.

Referências:

http://www.fundacentro.gov.br

http://www.newtoncbraga.com.br


Antoni Gaudi e a Basílica da Sagrada Família!

Por Pedro Monteiro Bittencourt
Revisão: Jéffrey Cássio de Toledo

Fonte: Wikipédia.
Antoni Gaudi (1852 – 1926) foi um marco da arquitetura ocidental, e seu principal trabalho permanece, até hoje, inacabado. A Basílica da Sagrada Família, em Barcelona na Espanha, começou a ser construída em 1882, e já no ano seguinte Gaudi assumiu a responsabilidade pelo projeto. Cristão devoto, Gaudi tentou retratar “a Bíblia talhada na pedra”, e buscou elementos que refletissem sua fé como as colunas internas que se assemelham a árvores, já que para ele era nas florestas que o homem se encontrava mais próximo de Deus.


Apesar de ter dedicado tanto tempo ao projeto, Gaudi sabia que não teria tempo de terminá-lo, então construiu modelos que pudessem servir de base para que futuros arquitetos pudessem terminar seu trabalho. Estes modelos acabaram sendo destruídos durante a Guerra Civil Espanhola, o que iniciou um período de estagnação no término da construção. O trabalho dos arquitetos e dos engenheiros estava agora em descobrir como Gaudi pretendia que fosse terminada a sua obra.

No entanto, graças a diversos avanços tecnológicos, é possível agora reorganizar os restos encontrados das maquetes para poder terminar a Sagrada Família da maneira que o seu idealizador pretendia. Mark Burry e um grupo de arquitetos estão utilizando um software aeronáutico para conseguir entender o projeto de Gaudi. É curioso perceber como o desenvolvimento tecnológico não acompanha a criatividade humana; somente com tecnologia atual está se concluindo um projeto idealizado por um arquiteto do século XVIII. A data prevista para o término da Sagrada Família é em 2026, para o centenário da morte de Antoni Gaudi.

Descoberta de fóssil único de camarão de 100 milhões de anos no Ceará!

Por Ana Paula Otto Nadolny e Valéria Aragão
Revisão: Rafael de Oliveira Vitorino

Um grupo de pesquisadores exibiu um fóssil único em todo o mundo de um camarão de 100 milhões de anos. O paleontólogo responsável pela pesquisa, Álamo Feitosa, conta que a descoberta foi feita em março de 2012, e confirmada como única no mundo em janeiro deste ano por revista que registra espécies, a revista de biodiversidade Zootaxa.

Feitosa afirma que o fóssil foi comparado a trabalhos já publicados em revistas científicas o que resultou na confirmação do ineditismo da espécie, não sendo esta encontrada em outro lugar. O cientista declarou ainda que o fóssil ajudará muito no estudo da evolução do camarão e na melhor compreensão das espécies que até hoje estão vivas.

A região onde o fóssil inédito foi encontrado é o Araripe, Sul do Ceará, região considerada como favorável à descoberta de fósseis, devido à riqueza e a preservação destes.

 O camarão foi  encontrado em uma contração e tinha a forma tridimensional, ou seja, conservou a forma e o aspecto que tinha quando vivia. Este foi o primeiro fóssil da espécie Kellnerius jamacaruenses, em referência ao distrito onde foi encontrado, Jamacaru.

Referências:

Fonte: http://g1.globo.com/ceara/noticia/2013/01/no-ce-grupo-descobre-fossil-unico-de-camarao-de-100-milhoes-de-anos.html

A Origem dos Mamíferos Placentários.

Por Allyson Felipe
Revisão: Anelissa Carinnne dos Santos

Um grupo de cientistas de diversos países conseguiu mapear a origem de todos os mamíferos placentários. Trata-se de um pequeno animal peludo que se alimentava de insetos e possivelmente tenha surgido pouco após o desaparecimento dos dinossauros.

Os pesquisadores reuniram um conjunto de dados físicos e genéticos, reunidos em aproximadamente seis anos, para chegar a este resultado. Foram 4.500 detalhes de fenótipo (físico), tais como: comprimento de membros, formato de dentes, comprimento de pelagem, dentre outros, de 86 diferentes espécies vivas e 40 fósseis de animais extintos.

Fonte: Carl Buell - BBC Brasil.

Os mamíferos placentários (se desenvolvem dentro de um útero, alimentados por meio de uma placenta), ao contrário dos que botam ovos (monotremados) e dos marsupiais, compõem um grupo muito diverso, atualmente com mais de 5 mil espécies. Elas incluem animais que podem voar, nadar e correr, e pesam entre alguns gramas e centenas de toneladas.


Referências:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/02/130208_mamiferos_placentarios_pesquisa_jp.shtml

Senhores do Mesozóico: Amazonsauro

Por Marcelo Domingos Leal

O Amazonsaurus maranhensis foi um saurópode encontrado em 1991 pelo paleontólogo Cândido Simões, na Bacia Sedimentar São Luis-Grajaú, formação Itapecuru, no município de Itapecuru-mirim, Maranhão. Seu nome refere-se a formação vegetacional onde foi encontrado, a Floresta Amazônica, que cobre mais de 90% do estado do Maranhão. Ele é considerado um dos menores saurópodes já encontrados no Brasil e no mundo, sendo que tinha cerca de 10 metros de comprimento e aproximadamente 2 a 2,5 de altura. Seus hábitos alimentares são os mesmos de todos os saurópodes encontrados até hoje, alimentando-se de folhas, sendo então um herbívoro. Como todo saurópode possuía um longo pescoço e, no dorso do animal, possivelmente uma série de pequenos espinhos. Poucas partes do animal foram encontradas, como ossos da bacia e da coluna vertebral. Seus ossos estão expostos no Museu Nacional e Departamento de Geologia da UFRJ.

Concepção Artística: Fonte: Revista FAPERJ

terça-feira, 19 de março de 2013

domingo, 17 de março de 2013

O Número pi e a probabilidade: um caso curioso!

Por Anisio Lasievicz

O número 3,1415.... figura entre as mais importantes constantes matemáticas. É obtido pela razão entre o comprimento (perímetro) de uma circunferência pelo seu respectivo diâmetro, não importando se a circunferência é do tamanho de um botão de roupa ou do equador terrestre. O Matemático Leonard Euler batizou esta constante com a letra grega pi minúsculo (π).

Os primeiros registros desta relação entre perímetro e diâmetro estão presentes nos versículos da Bíblia que narram a construção do Templo de Salomão, onde é adotado o valor de 3. Desde então vários matemáticos dedicaram seus esforços para desvendar os segredos e obter métodos que fornecessem mais e mais casas após a vírgula, visto que π é um número irracional (não pode ser obtido pela divisão de dois números inteiros).

Figura 1 - Conde de Buffon
Uma das descobertas mais curiosas desta história pertence ao naturalista e matemático francês George Louis Leclerc (1707 – 1788), conde de Buffon, famoso pela obra de 44 volumes intitulada “História Natural”, cujas ideias vão influenciar Lamarck e Darwin anos mais tarde.

Em 1777 Buffon propôs um problema que relacionou a probabilidade (campo em ascensão na época) à geometria:

Suponha que uma agulha com comprimento l seja lançada o acaso em um chão formado por tábuas paralelas de largura t, sendo t > l. Qual é a probabilidade (P) de que a agulha caia entre duas tábuas (figura 2)?

Figura 2. Agulha em (a) cruza a junção. Agulha em (b) não cruza.
A resposta para esta pergunta é P = 2.t / π.l

Caso realizemos este experimento e anotemos os casos em que a agulha cruzar a junção entre as tábuas, podemos usar a expressão acima para encontrar um valor empírico para pi. Em 1901 o italiano Lazzerini obteve pi corretamente até a 6ª casa decimal lançando a agulha 3048 vezes.

Outro fato curioso envolvendo π e probabilidade é que se escrevermos dois números inteiros positivos, a probabilidade que que eles sejam primos entre si (sejam divisíveis simultaneamente apenas por 1) é 6/π2!

REFERÊNCIAS

EVES, H. Introdução à história da Matemática. Tradução Hygino H. Domingues. - Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2004.


Uma história das Constelações Ocidentais - Parte I!

Por Anisio Lasievicz

O fascínio do ser humano diante do céu estrelado faz parte de nossa natureza. Através do hábito de observar o céu, o ser humano primitivo constatou uma série de fenômenos que, mais tarde, possibilitou prever os ciclos naturais, as épocas de coleta, de plantio e colheita. Para facilitar a transmissão deste conhecimento para seus descendentes e na tentativa de explicar o porquê destes fenômenos, o homem desenhou o céu, colocando seus deuses, objetos sagrados, heróis, vilões e etc, através de um “jogo” de ligue os pontos. Cada civilização tinha sua cultura particular e também sua própria maneira de retratar o céu. Farei aqui um breve relato histórico sobre os desenhos da astronomia tradicional, deixando as discussões sobre outras culturas para outros textos. 

Não há como estabelecer uma origem para o hábito humano de “desenhar” no céu. O que podemos fazer, mesmo que grosseiramente, é estimar um período para o início desta atividade, baseados em fontes muito escassas, que muitas vezes aparentam ser um enorme quebra-cabeças com muitas peças ainda não encontradas.

Figura 1 - Ursa Maior. Fonte: Parque da Ciência.
As investigações realizadas nos levam à cerca de 20.000 a.C., nos primórdios da civilização humana que, nesta época, era nômade, vivendo à base da pesca, caça e coleta de alimentos. Algumas pinturas rupestres e marcações em relevo datadas desta época (e o mais interessante, em várias partes do mundo), exibem uma figura semelhante a um urso junto de uma configuração de pontos. Tal disposição sugere que o desenho mais antigo imaginado no céu era a atual Ursa Maior (figura 1). Outros, à procura de evidências mais concretas, consideram a ilustração chamada Boötes (figura 2) ou, Boieiro, como a mais antiga das atuais, sendo citada pela primeira vez na obra do poeta grego Homero, A Odisséia, por volta do século XI a.C. 

Figura 2 - Boötes. Fonte: Parque da Ciência.
Por volta de 3000 a.C. povos da mesopotâmia (região entre os rios Tigre e Eufrates, sendo que atualmente é território do Iraque), mais especificamente os sumérios e babilônios, idealizaram um grupo de doze desenhos localizados no “caminho do Sol”. Este conjunto recebeu o nome de zodíaco (caminho de animais) ou faixa zodiacal. Acreditavam que estas ilustrações influenciariam as características físicas, sociais e financeiras das pessoas, pois cada um estaria, através de sua data de nascimento, vinculado a uma determinada figura.

Figura 3 - Zodíaco de Denderah.
Os egípcios também imaginaram seus desenhos, herdando alguns das culturas suméria e babilônica, mas também com influência grega, em torno de 1000 a.C. Alguns exemplos de ilustrações egípcias estão no teto do Templo de Esneh, em Denderah, durante as incursões de Napoleão Bonaparte. É chamado de zodíaco de Denderah (figura 3).

A partir do poeta grego Arauto de Solos (310 – 240 a.C), os desenhos imaginados no céu receberam o nome de constelação. Este vocábulo deriva do latim constellatione, que significa reunião de astros, segundo o dicionário Aurélio.

Figura 4 - Claudius Ptolomeu.
Por volta de 150 a.C., o astrônomo egípcio Claudius Ptolomeu (figura 4), que viveu entre 100 e 170 depois de Cristo, criou a primeira compilação significativa a respeito da Astronomia e, em particular, das constelações, chamada de O Almagesto. Nos 13 volumes de sua obra, Ptolomeu descreve seu modelo de sistema solar, embasado nas idéias heliocêntricas propostas por Aristóteles, cerca de 300 anos antes, além de relacionar 1022 estrelas e 48 constelações ligadas às culturas babilônica, egípcia e grega. Tal composição tornou-se um dos pilares da Astronomia por cerca de 1400 anos, sendo superada somente com a revolução promovida por Copérnico, Kepler, Galileu e Newton. As 48 constelações estão descritas na tabela 1, de acordo com seus nomes em latim e em português.


Andrômeda
Andrômeda
Aquarius
Aquário
Áquila
Águia
Ara
Altar
Argus
Argos
Áries
Áries
Auriga
Cocheiro
Boötes
Boieiro
Cancer
Câncer
Canis Major
Cão Maior
Canis Minor
Cão Menor
Capricornius
Capricórnio
Cassiopeia
Cassiopéia
Centaurus
Centauro
Cepheus
Cefeu
Cetus
Baleia
Corona Autralis
Coroa Austral
Corona Borealis
Coroa Boreal
Equuleus
Cavalo Menor
Crater
Taça
Cygnus
Cisne
Corvus
Corvo
Delphinus
Golfinho
Draco
Dragão
Hydra
Hidra Fêmea
Gemini
Gêmeos
Hercules
Hércules
Eridanus
Eridano
Leo
Leão
Lepus
Lebre
Pegasus
Pégasus
Lupus
Lobo
Lyra
Lira
Ophiucus
Ofíuco
Orion
Órion
Libra
Balança
Piscis Austrinos
Peixe Austral
Perseus
Perseu
Scorpius
Escorpião
Sagitta
Flecha
Sagittarius
Sagitário
Pisces
Peixes
Taurus
Touro
Serpens
Serpente
Triangulum
Triângulo
Virgo
Virgem
Ursa Minor
Ursa Menor
Ursa Major
Ursa Maior

Na próxima parte, daremos um salto para a época das grandes navegações, onde um "novo céu" servirá de tela de pintura para novas constelações!


REFERÊNCIAS:

MILONE, André de Castro. Introdução à Astronomia e a Astrofísica. INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. São José dos Campos, 2003.

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Livro de Ouro do Universo.  Rio de Janeiro. Ediouro, 2001.

SAGAN, Carl. Cosmos. Tradução: Angela do Nascimento Machado; revisão técnica de Airton Lugarinho de Lima. Francisco Alves Editora. Rio de Janeiro, 1992.

http://astro.if.ufrgs.br

http://www.aao.gov.au/

http://www.iau.org/

http://www.nasa.gov/

http://www.zenite.nu/