segunda-feira, 25 de novembro de 2013

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Cadeia produtiva local do Turismo!

Por Ararê de Azambuja Vilanova Junior


A análise de cadeias é uma ferramenta que permite identificar, dentro de determinados processos produtivos, os principais pontos de agregação de valor ao produto final. Com isso, podem-se distinguir os pontos críticos que freiam a competitividade dos produtos, bem como os que a dinamizam, para estabelecer e impulsionar estratégias de consenso entre os principais atores envolvidos visando a superação dos gargalos inerentes ao processo produtivo. Cadeia produtiva é o sistema constituído por atores e atividades inter-relacionadas em uma sucessão de operações de produção, transformação, comercialização e consumo em um entorno determinado. Pela sua visão prospectiva, Castro, Lima e Cristo (2002) apontam que o enfoque de cadeia é pertinente no contexto atual de evolução da economia mundial globalizada, em que temas como competitividade, inovação tecnológica e sistemas de produção são discutidos de forma sistêmica em todos os âmbitos da economia, desde as atividades produtivas agroalimentares até o setor de Serviços, no qual se inclui o turismo. Uma atividade econômica tão dinâmica e complexa como o turismo encontra no enfoque sistêmico de cadeia uma importante ferramenta para o diagnóstico e a formulação de estratégias de competitividade.

Sachs (1986), afirma que a distinção entre desenvolvimento e mau desenvolvimento é que, embora ambos possam sustentar-se pela mesma taxa de crescimento econômico, estes se diferenciam nitidamente em termos da composição do produto final, das “taxas de exploração da natureza”, e dos tipos da intensidade e da distribuição de custos sociais.

Sob o prisma do mau desenvolvimento, a chamada “indústria do turismo”, coloca a questão econômica acima das questões socioambientais. Assim, prima-se o sujeito chamado turista e sua demanda por necessidades, ao invés da população receptiva que, nas poucas ocasiões que é relevada, é analisada sob a perspectiva de sua oferta de bens e serviços (SAMPAIO, 2005).

O termo “cadeia produtiva” vem sendo muito utilizado para definir certos aspectos relacionados a um conjunto de negócios e firmas. Isso se deve, de um lado, à rápida evolução das relações entre empresas nas últimas décadas no que se refere às transações produtivas e comerciais a jusante e a montante – que são a base para a definição de cadeia produtiva, e, de outro, ao fato de o termo poder simplificar discussões a respeito da organização de uma indústria. Por isso, pode haver uma vasta gama de significados e de aplicações do termo, o que exige cuidado quando de sua utilização em contexto específico. Pode-se afirmar que uma cadeia produtiva é um conjunto de atividades econômicas, articuladas de forma seqüencial no processo produtivo, em que um produto é crescentemente elaborado na tentativa de agregação de valor. Essas atividades podem ser organizadas em ou entre firmas, a partir do que são estabelecidas relações de compra e de venda.

Como o material para pesquisa na área de cadeia produtiva é limitado, a pesquisa também permeia pela área do arranjo produtivo local (APL) e pelos clusters que possuem semelhanças em suas definições e aplicabilidade. Podendo assim colaborar para a análise e formatação do artigo.

SUZIGAN, GARCIA e FURTADO (2005) salientam que a definição de APLs não é tarefa trivial e nem isenta de controvérsia, uma vez que eles podem assumir diversas características que dependem de sua história, evolução, organização institucional, contextos culturais e sociais, localização da sua estrutura produtiva, organização industrial, formas de governança, associativismo, cooperação entre os atores, formas de aprendizado e grau de difusão do conhecimento especializado local.

Apesar das dificuldades, Cassiolato e Lastres (2003, p. 27) definiram os APLs como:

[...] aglomerações territoriais de agentes econômicos, políticos e sociais – com foco em um conjunto específico de atividades econômicas – que apresentam vínculos mesmo que incipientes. Geralmente envolvem a participação e a interação de empresas – que podem ser produtoras de bens e serviços finais até fornecedoras de insumos e equipamentos, prestadoras de consultoria e serviços, comercializadoras, clientes, entre outros – e suas variadas formas de representação e associação. Incluem também diversas outras instituições públicas e privadas voltadas para: formação e capacitação de recursos humanos (como escolas técnicas e universidades); pesquisa, desenvolvimento e engenharia; política, promoção e financiamento.

O conceito de APLs é amplo o suficiente para abranger qualquer tipo de indústria ou especialização. Ele não aponta para a intensidade das especializações das empresas, para as atividades que estão sendo incluídas e nem para a abrangência geográfica onde as empresas estão operando. CASSIOLATO e LASTRES (2003, p 33) salientam que:

O argumento básico do conceito adotado pela Rede é que onde houver produção de qualquer bem ou serviço haverá sempre um arranjo em torno da mesma [...]. Tais arranjos variarão desde aqueles mais rudimentares àqueles mais complexos e articulados. Desta forma consideramos que o número de arranjos produtivos locais existentes no Brasil seja tão grande quanto à capacidade produtiva nacional permita.

Um aspecto importante de ser sublinhado é o fato de que os APLs, na visão de LASTRES e CASSIOLATO (2003), também contemplam as pequenas e médias empresas, que poderão, dependendo da sua integração ou organização e da existência de cooperação relacionada à atividade principal do conjunto dessas empresas, vir a se constituir num APL. A lógica desse processo está na obtenção local de economias de escala, fruto do aumento da capacidade produtiva e competitiva das empresas, e na busca pela redução de custos dos insumos.

Para esclarecer algumas dúvidas conceituais, vamos iniciar definindo dois conceitos básicos: clusters e arranjo produtivo local (APL). 

Clusters são concentrações geográficas de firmas setorialmente especializadas, principalmente de pequeno e médio porte (PMEs), onde a produção tende a ocorrer verticalmente desintegrada. Esses ambientes contêm serviços especializados, tanto de apoio às atividades produtivas como voltados à comercialização em mercados distantes [...], e redes de instituições públicas e privadas que sustentam as ações dos agentes, tendo em vista que representam e envolvem a organização de auto-ajuda (self help). Em muitos casos, observa-se a presença de identidade sociocultural, relacionada ao passado comum dos membros das sociedades locais, que contribui para galvanizar as relações entre os atores (LINS, 2000). 

Aglomerações territoriais de agentes econômicos, políticos e sociais – com foco em um conjunto específico de atividades econômicas – que apresentam vínculos mesmo que incipientes. Geralmente envolvem a participação e a interação de empresas – que podem ser desde produtoras de bens e serviços finais até fornecedores de insumos e equipamentos, prestadoras de consultoria e serviços, comercializadoras, cliente, entre outros – e suas variadas formas de representação e associação. Incluem também, diversas outras instituições públicas e privadas voltadas para: formação e capacitação de recursos humanos, como escolas técnicas e universidades; pesquisa, desenvolvimento e engenharia; política, promoção e financiamento (ALBAGI; BRITO apud HIRATA, 2005, p. 56).

Não é difícil encontrar na literatura os termos cluster e APL definidos como rede de cooperação. No entanto, Kremer e Kovaleski explicam a diferença entre esses dois conceitos da seguinte forma:

Cluster – rede de empresas com forte poder cooperativo, associativo e muitas vezes consorciado, situado em uma determinada região geográfica, podendo ou não pertencer a um mesmo setor e conversando intensamente entre si e com entidades governamentais e não governamentais acrescidas de pesquisa e desenvolvimento constante.

Arranjo produtivo local (APL) – trata-se de um cluster que absorve questões da área social e cultural (KREMER; KOVALESKI, 2005, p. 192).

Arranjos Produtivos Locais – são aglomerações de empresas com a mesma especialização produtiva e que se localizam em um mesmo espaço geográfico. As empresas dos APLs mantêm vínculos de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si, contando também com apoio de instituições locais como Governo, associações empresariais, instituições de crédito, ensino e pesquisa.

É interessante lembrar que a ideia de cooperação não é nova. Segundo Hirata (2005), Marshall em 1982 já defendia que a proximidade geográfica das empresas possibilitava o surgimento de outras atividades subsidiárias, gerando um processo de conhecimento por meio das relações entre elas e seus fornecedores, criando condições para uma interação cooperativa no sentido da superação de problemas em comum. De toda forma, parece que a confiança entre os envolvidos tem fator importante para a busca de fortalecimento das relações entre as empresas.

De acordo com Tribe (2003), o ambiente econômico afeta as organizações no setor do turismo de dois modos principais. Primeiro, as mudanças no ambiente econômico podem interferir na demanda dos produtos de uma organização e, em segundo, elas podem afetar os custos da organização. Além disso, fatores de segundo plano, como preços de propriedades também podem impactar de forma significativa.

A cada dia aumenta a quantidade de grupos que começam a se organizar para gestão e comercialização de novos produtos turísticos, buscando participar mais fortemente do mercado. Comunidades e grupos associados começam a trilhar oportunidades de inclusão nos roteiros turísticos, fortalecendo seus movimentos culturais, gastronômicos e folclóricos. Desta forma, os que se vêem menos beneficiados pelo modelo tradicional de turismo – onde predomina a falta de comprometimento com os princípios do turismo sustentável – encontram nesta lacuna oportunidades que permitem adaptar as condições econômicas dos pequenos rendimentos, na tentativa de incluir-se no circuito do consumo e da geração de renda. 

Esta forma de comercialização caracteriza uma rede de economia solidária, onde o conjunto de etapas necessárias para a transformação e transferência de insumos – o que envolve produção, distribuição e comercialização de bens e serviços – é realizado por empreendimentos econômicos que necessitam encontrar mecanismos de assegurar a tomada de decisão democrática – que já é realizado internamente aos empreendimentos – no conjunto da cadeia. Tal gestão participativa fortalece as comunidades envolvidas de forma social, cultural e econômica.  

REFERÊNCIAS

CASSIOLATO, J. E.; LASTRES, H. M. M. Arranjos e Sistemas Produtivos Locais na Indústria Brasileira. 2000. Disponível em: <http://www.ie.ufrj.br/revista/pdfs/arranjos _ e _ sistemas _produtivos _locais _na_ industria_brasileira.pdf>. Acesso em: 21 jan. 2008.

CASTRO, Antônio M. G. de; LIMA, Suzana M. V.; CRISTO, Carlos M. P. N. Cadeia produtiva: marco conceitual para apoiar a prospecção tecnológica. Salvador, 2002. Apresentado ao 22º Simpósio de Gestão da Inovação Tecnológica, Salvador, 2002. Disponível em: <www.desenvolvimento.gov.br/arquivos/dwnl1197031881.pdf>. Acesso em: jul./2004.

HIRATA, N. Relações Universidade-Empresas e lições dos APLs de Cianorte e Apucarana. In: Arranjos Produtivos Locais no Paraná. Curitiba: IEL, 2006.

TRIBE, J. Economia do Lazer e do Turismo. São Paulo, Ed. Manole, 2003. 

KREMER, A.; KOVALESKI, J. L. De uma rede de empresas a um arranjo produtivo local: o estudo da vocação do município de Ponta Grossa para o segmento de confecções. In: Arranjos Produtivos Locais no Paraná. Curitiba: IEL, 2006.

LINS, H. N. Clusters industriais, competitividade e desenvolvimento regional: da experiência à necessidade de produção. Estado Econômico, São Paulo, v. 30, n.2, pp. 233- 265, abr./jun. 2000.

SACHS, Ignacy. Ecodesenvolvimento: crescer sem destruir. São Paulo: Vértice, 1986.

SAMPAIO, C. A. C. Turismo como fenômeno humano: princípios para se pensar a socioeconomia. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2005.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Telescópio: um olhar para o horizonte!

Por Elisiane Campos de Oliveira Albrecht

Figura 1: Telescópio de Galileu.
Ao olhar o céu estrelado, muitas pessoas tentam imaginar o que há além do limite de nossa visão. Hoje, com o avanço tecnológico, temos ao nosso dispor vários instrumentos que nos auxiliam e transmitem informações sobre o universo. Vale ressaltar que a humanidade, de certa forma, está “engatinhando” no que tange ao conhecimento referente ao mundo. Porém, tudo o que já foi descoberto e estudado é o que temos. 

Desde antiguidade, o homem tem o habito em observar o céu mas, foi apenas o com o desenvolvimento de muitos aparatos é que pudemos compreender melhor este contexto. Um utensilio muito importante na pesquisa dos astros é o telescópio. De uma forma simplificada, pode dizer-se que um telescópio é um instrumento que serve para ver as coisas maiores. Não sabemos ao certo quem o inventou porém, temos Galileu Galilei (figura 1) como o responsável por apontar uma luneta para o céu e perceber algumas fatos curiosos, tais como os anéis de Saturno e as luas (satélites naturais) de Júpiter. 

Figura 2: Luneta.

Existem, basicamente, dois tipos de telescópios: os refratores (figura 3) e os refletores (figura 4). Os primeiros são feitos com lentes (estes também são chamados de lunetas), já o segundo, associa lentes e espelhos. Também podemos classificá-los em relação a montagem e ao sistema de coordenadas: os equatoriais usam coordenadas equatoriais para seu posicionamento e os azimutais, o sistema de azimute. Além destes, há outros telescópios especiais como, por exemplo, aqueles que conseguem captar outras regiões no espectro eletromagnético além do visível e também, temos telescópios operando no espaço, com o objetivo de captar uma gama maior de informações e não sofrer influencia da camada de gases que cerca nosso planeta. O mais famoso destes é o Hubble (figura 5), que possui um diâmetro de 2,40 m, já esta no espaço desde 24 de abril de 1990, tem uma potência de 2.800 watts, se encontra a uma altura de 559 km e uma velocidade em órbita de 7,5 km/s e tem a capacidade de captar luz visível e infravermelho.

Figura 3:  Telescópio Refrator.

Figura 4: Telescópio Refletor.

Figura 5: Telescópio Hubble.

Algumas características que devemos levar em consideração no momento da escolha de um bom telescópio são o aumento ou magnificação, campo de visão real e poder de resolução. O primeiro destes itens é a razão entre a distância focal da objetiva e a distância focal da ocular. Você pode estar se perguntando: o que são estas distâncias? Como citado acima, o telescópio é uma junção de objetos ópticos e dois eles são uma lente que serve de ocular, (onde geralmente é o local onde o observador coloca o olho) e uma lente (no caso de um telescópio refrator) ou um espelho (telescópio refletor) que receberá a luz do corpo celeste, chamada de objetiva. Estes aparatos possuem algumas características e uma delas é a distância focal.

O tamanho de uma imagem geralmente é chamado de campo de visão e é determinado pelo tipo de ocular usada. Pode ser também estimada pela divisão do campo de visão aparente da ocular pelo aumento em uso.

Já o poder de resolução de um telescópio é consiste em sua capacidade de distinguir melhor as características do objeto observado, ou seja, permite visualizarmos pequenos detalhes. Esta qualidade não depende do aumento do instrumento mas sim, do diâmetro da objetiva. Quanto maior esse parâmetro, maior será o poder de resolução.

Há vários outros fatores, características, tipos e modelos que não foram citados neste texto, mas ficam algumas sugestões para outras leituras sobre o tema e, também, que sempre que tiver a oportunidade, dê uma olhadinha para o céu.

Cometa ISON: a torcida por um espetáculo!

Por Anisio Lasievicz

Cometa ISON em 15/11/2013!

Em um post anterior comentei a respeito da passagem do Cometa ISON que, caso supere as expectativas e as condições de uma passagem tão próxima do Sol (há cerca de 1,1 milhão de quilômetros apenas), renderá um belo espetáculo neste final de ano.

Desde sua passagem por Marte em 1º de outubro, o brilho do cometa vem aumentando, face ao aquecimento de sua superfície pelo calor do Sol mas, por enquanto, visualizá-lo ainda é uma tarefa para quem dispõe de telescópios, visto que sua magnitude está muito próxima dos limites da visão humana. Entre os dias 15 e 20 de novembro existe a possibilidade de observá-lo à vista desarmada, cerca de 1 hora antes do nascer do Sol no lado leste.  Por volta do dia 21, será observável a olho nu como um ponto tênue acima de Mercúrio por volta das 05:30h, no horizonte leste. 

Posições do Cometa ISON às 06:00h conforme avançamos os dias de novembro. Fonte: Anisio Lasievicz.

As últimas observações corroboram a hipótese de que o cometa entrou em outburst, ou seja, seu núcleo começou a fragmentar-se, criando várias linhas em sua cauda e aumentando seu brilho.


Cometa ISON em 17/11/2013. Fonte: NASA.

Caso ele suporte as condições de sua passagem nas proximidades do Sol, seu brilho será comparável ao da Lua Cheia!

Na seção "De Olho no Céu" do menu acima deste blog, você pode conferir um simulador que  ilustra a órbita do cometa ISON, além de fornecer diversas informações sobre posição, distância e sua visibilidade.

Fique ligado no Blog "Ciência e Diversão" para mais informações!

PARA SABER MAIS

Vem aí o cometa do século! Ou talvez não...

http://www.cdcc.sc.usp.br/cda/eventos/2013/COMETA-ISON/index.html

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Cianeto: Veneno ou não?

Por Marcos Diego Lopes

Os cianetos são compostos químicos que possuem grupamentos altamente reativos, átomos de carbono e átomos de azoto (nitrogênio), ligados entre si por uma ligação tripla. Por essa ligação tripla ser altamente instável, esse grupamento pode ser um sal (ligando-se ao potássio ou sódio) ou formar um ácido (ácido cianídrico). 

Figura 1- Molécula Cianeto de potássio. Fonte Wikimédia.

Figura 2 – Mandioca.
Cianetos são essenciais na revelação fotográfica e na produção de plásticos e acrilatos, em eletrodeposição de metais e colas instantâneas (cianoacrilato), além de serem utilizados originalmente como pesticida para eliminação de pulgas e piolhos (conhecido como Zyklon B). Mas essa substância ficou famosa por ser utilizado com efeito letal em humanos na Segunda Guerra Mundial. 

Também existem alimentos que contém ácido cianídrico. A mandioca, maçã, amêndoas e cerejas, caso mal preparadas ou ingeridas em excesso, podem causar toxicidade excessiva e até, levar à morte. 

O cianeto é altamente tóxico para os seres humanos pois, se ingerido ou inalado, ele pode entrar em contato com a corrente sanguínea, ligando-se ao ferro das hemoglobinas de forma estável e, desta forma, interferir no sistema de transporte de oxigênio e gás carbônico, essencial para o metabolismo humano.

No campo bélico, foi utilizado em câmaras de gás de extermínio na Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Os EUA utilizaram por um certo tempo essa técnica na pena de morte porém, ela era muito lenta e dolorosa, caindo em desuso. 

Figura 3 – Rasputin.
Em 1916, um monge russo chamado Rasputin sofreu uma tentativa de envenenamento pela comida. Foi-lhe oferecido um pudim contendo cianeto de potássio em quantidade suficiente para matar várias pessoas. Embora Rasputin tenha comido grande quantidade desse pudim, ele não morreu. Por esse motivo e pelo fato de serem atribuídos poderes satânicos ao monge, criou-se uma lenda de sobrenaturalidade envolvendo o fato. A lenda só foi desfeita em 1930, quando foi descoberto que alguns açúcares, como a glicose e a sacarose, se combinam com o cianeto, formando uma substância praticamente sem toxicidade, denominada cianidrina.

Se o indivíduo for envenenado com cianeto, sua pele torna-se rosa ou, caso sofrer de falta de oxigênio ou outro problema físico, a cor da pele pode ser azulada. Olhos vermelhos e dilatação das pupilas também são sintomas de intoxicação.

Os primeiros socorros devem ser feito com os antídotos específicos (nitrato de amila, nitrato de sódio de tiossulfato de sódio) e o fornecimento de oxigênio até o atendimento médico.

Casualidade ou não, o cianeto pode ter uma função positiva ou negativa no nosso cotidiano. A sua “fama” lhe condena porém, se bem utilizado, torna-se um reagente químico útil industrialmente. 

Esse material é muito tóxico em ambientes aquáticos e terrestres. Antes de ser eliminado, deve ser oxidado e tratado com hipoclorito, que decompõe o cianeto.

REFERÊNCIAS:

FOGAÇA, Jeniffer . Brasil Escola – Educação, vestibular, enem, educador, exercícios. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/quimica/cianureto-de-potassio.htm>, acesso 2013.

ALVES, Livia.  Mundo educação <HTTP://mundoeducacao.com/quimica/cianeto-potassio.htm>, Acesso em 2013.

Site de resenhas educativas: Acesso em 2013. Disponível em: <http://www.qca.ibilce.unesp.br/prevencao/produtos/cianeto.html>

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Isotônicos: sim ou não?

Por Elizabeth Cristine Marucci Lemos

Depois de praticar um exercício físico, é importante se hidratar. Essa afirmação todo mundo já conhece. O que pode despertar dúvidas é qual o melhor modo de repor toda a água perdida pela transpiração durante um exercício. As bebidas isotônicas, também chamadas de bebidas esportivas, são uma delas. No entanto, consumir esse líquido de modo exagerado pode causar algumas complicações ao nosso organismo. 

As bebidas isotônicas foram desenvolvidas para repor líquidos e sais minerais perdidos com a transpiração durante um exercício com carga intensa, com a finalidade de prevenir a desidratação e melhorar a desempenho esportivo. 

Mas como isso acontece? Você deve estar se perguntando. Isso é uma questão de química: os isotônicos são ricos em sódio, potássio, cálcio e fósforo, nutrientes que, quando estão na corrente sanguínea, favorecem o funcionamento das células e deixam o indivíduo com mais energia, tirando a sensação de cansaço. 

O termo isotônico refere-se à concentração iônica de um líquido em relação ao sangue. Se a concentração de sais minerais é menor em um líquido do que do sangue, ela é classificada como hipotônica. Quando é maior, é avaliada como hipertônica e quando é igual ou muito próxima (como nas bebidas esportivas), esses líquidos são chamados de isotônicos. 

Por ter essas características, as bebidas isotônicas possuem melhor capacidade de repor líquidos, ganhando da água de coco e da própria água nesse quesito. Para quem pratica exercícios físicos, a bebida isotônica é a melhor opção. Por ter a mesma concentração de sais do sangue, elas fazem efeito mais rápido do que uma quantidade igual de água. 

Mas, se for consumida indiscriminadamente por adolescentes e adultos que associam o consumo de isotônicos a uma vida saudável e por isso ingerem quantidades exageradas dessa bebida, terão dificuldades de perder peso por causa da grande dos carboidratos contidos nos isotônicos. O consumo sem indicação de um profissional, a falta de exercícios e a falsa ideia de que a bebida isotônica ajuda a perder peso, podem dificultar o processo de emagrecimento.

Por isso, isotônicos, SIM, para repor líquidos e sais minerais. E, NÃO, para apenas matar a sede, ok?

REFERÊNCIAS 

Brasil. RDC 18/2010 – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Regulamento Técnico sobre Alimentos para Atletas.

Livro. A Química e Sociedade.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

ENEM 2013: a polêmica charge e desenvolvimentismo!

Por Vinícius Prado Alves



No último dia 26 de outubro estudantes de todo o Brasil fizeram as provas de ciências humanas (história, geografia, filosofia e sociologia) e de ciências da natureza (química, física e biologia) do Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) e, dentre as várias questões, uma em especial chamou a atenção. Continha uma charge, onde o presidente Juscelino Kubistchek contracenava com um personagem chamado Jeca e nela ocorre o seguinte diálogo:

JK - Você agora tem automóvel brasileiro, para correr em estradas pavimentadas com asfalto brasileiro, com gazolina brasileira. Que mais quer?

JECA - Um prato de feijão brasileiro, seu douto!

A polêmica que tomou conta das redes sociais deu-se em torno da grafia da palavra “gazolina” escrita com a letra Z no lugar de S. Logo após aprova comentários como "Aprendi no ENEM que escrevi 'gazolina' errado a minha vida toda!" e "#AprendiNoEnem que se baixarem minha nota na redação porque eu coloquei gazolina com 'z' eu armo um barraco!". 

Utilizando-se das próprias redes sociais, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), respondeu aos questionamentos através de seu Twitter oficial, informando a grafia de “gazolina” assim como a da palavra “doutô”, respeitam integralmente os direitos autorais da charge publicada, e por isso foram mantidas.

A charge é de autoria do chargista Théo e foi retirada do livro Uma História do Brasil através da Caricatura (1840-2001) e retrata um questionamento ao modelo desenvolvimentista implementado por JK em sua gestão frente a presidência da repúblic. Este é o ponto mais interessante e que deve ser analisado e discutido.

O modelo desenvolvimento econômico denominado como desenvolvimentismo caracteriza-se por um projeto alicerçado em uma política econômica baseada na meta de crescimento da produção industrial e da infra-estrutura, com participação ativa do estado como base da economia e o consequente aumento do consumo.

A opção pelo desenvolvimentismo é feita na história do Brasil a partir do governo de JK e com sua política “cinquenta anos em cinco” e teve continuidade nos 20 anos de “milagre econômico” do período militar. Ambos enfrentaram dificuldades: JK com o crescimento da divida externa devido aos altos empréstimos internacionais para garantir a implementação de indústrias (principalmente multinacionais) a qual foi aumentada ainda mais pelo militares. Porém com a crise do petróleo na década de 70, o capital financeiro mundial foi abalado e nesta onda o Brasil que estava altamente endividado sofreu grandes consequências como, por exemplo, os grandes índices de inflação nas décadas de 70 e 80.

Toda essa instabilidade nos períodos em que o modelo desenvolvimentista esteve em alta no Brasil não é mera coincidência, pois não se trata de um modelo sustentável, tanto ambientalmente como socialmente. Ele nos coloca refém de um mercado financeiro especulatório internacional. 

Essa deve ser reflexão a ser feita sobre o referido tema pois, para compreendermos a situação econômica, política e social do Brasil atual é fundamental que compreendamos o processo de construção histórica de nossa realidade e, neste sentido, o desenvolvimentismo de JK e posteriormente dos militares são centrais neste processo.