segunda-feira, 27 de julho de 2015

sexta-feira, 17 de julho de 2015

BIOMATEMÁTICA: O CASAMENTO PERFEITO ENTRE A MATEMÁTICA E A BIOLOGIA



Não é de hoje que a disciplina escolar Matemática é considerada, por muitos, difícil e complexa, principalmente, em função da quantidade de regras e cálculos envolvidos. 

Porém, ao se pensar em relações entre a disciplina de Matemática e áreas da Matemática Aplicada, percebe-se que o ensino e a aprendizagem de conceitos matemáticos podem ser facilitados.

Entre essas áreas destaca-se, por exemplo, a chamada Biomatemática, que nos últimos anos vem oportunizando um crescimento expressivo tanto no desenvolvimento da Matemática quanto da Biologia.

Na Biomatemática não vamos encontrar biólogos fanáticos por números, fórmulas e cálculos nem, tampouco, matemáticos que passam muito tempo observando animais e plantas. Entretanto, a distância entre essas duas áreas do conhecimento colocadas como separadas tende a diminuir pois, cada vez mais perguntas do mundo biológico têm encontrado respostas no universo matemático.

A Biomatemática representa uma interação entre a Biologia e a Matemática que é estabelecida por meio da modelagem matemática que fornece ferramentas possíveis de transcrever fatos reais em modelos matemáticos. Tais modelos podem estabelecer relações entre as diversas áreas da Matemática e o cotidiano, sendo analisados numérica e analiticamente, fornecendo projeções através de simulações.

Na modelagem matemática, o aspecto essencial é a construção de um modelo para a situação real que queremos estudar, a partir do qual são trabalhadas todas as relações envolvidas nas hipóteses e depois ocorre a interpretação dos resultados obtidos buscando as respostas para as questões colocadas inicialmente.

Observe abaixo um esquema que exemplifica a utilização da modelagem matemática:

Figura 1: Etapas da modelagem matemática.

Em Biomatemática, podemos citar como exemplo o Modelo de Gompertz que inicialmente foi utilizado pelas corretoras de seguro para calcular o custo de vida. Hoje em dia, é mais utilizado para modelar séries temporais. Nesse modelo é utilizado uma taxa de inibição da variável de estado proporcional ao logaritmo desta variável, isto é, a taxa de crescimento é grande no começo do processo, mudando rapidamente para um crescimento mais lento. Observe o modelo matemático abaixo:
Este modelo é bastante adequado para traduzir crescimentos celulares em plantas, bactérias e tumores, onde no início todas as células são meristemáticas (geralmente com parede fina, com muito citoplasma e vacúolo pequeno) e vão perdendo esta propriedade num pequeno intervalo de tempo.

Enfim, a relação entre a Matemática e a Biologia pode ser facilitada pela modelagem matemática e a partir desta, essas duas áreas desenvolvem-se cada vez mais.

Por Edilson Rotini

REFERÊNCIAS


SÁ, Vanessa de. Equações da Vida. Revista Unesp Ciência. 2012. Disponível em: <http://www.unesp.br/aci_ses/revista_unespciencia/acervo/28/biomatematica>. Acesso em 29/05/2015.

FIORI, Angelo F. e CECCO, Bruna L. A Relação entre a Biologia e a Matemática: Biomatemática. UNOCHAPECÓ. 2012. Disponível em:
<http://www5.unochapeco.edu.br/pergamum/biblioteca/php/imagens/00008E/00008EA9.pdf> 
Acesso em 29/05/2015.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

MERCADO FINANCEIRO: BOLSA DE VALORES

Quando se trata de dinheiro todos possuem uma opinião: “invista em imóveis”; “não adianta comprar carro, pois desvaloriza”; “gosto de deixar o meu dinheiro na poupança”; “comprei ações da Petrobrás e me dei mal”. Carros, casas e poupança são formas de investimento bem conhecidos, mas e ações? Como entender estes índices e noticias sem fim sobre empresas e investimentos no jornal? Na verdade, o mercado de capitais, como é chamado quando se trabalha com valores mobiliários-ações, debentures, comercial papers, etc-, é de entendimento mais simples do que se espera. 

Para começar, vamos imaginar que possuímos uma empresa x. Esta empresa está indo de vento em popa, obtivemos lucros e estamos crescendo porém, gostaríamos de expandir nosso mercado e fazer novos investimentos com o intuito de crescer mais e, para isso, precisamos de 1 milhão de reais. 

Temos duas opções: a primeira é ir até um banco e pedir um empréstimo neste valor, a segunda é abrir nosso capital e vender ações na bolsa. Na primeira opção temos alguns problemas: como nossa empresa é nova, o banco cobra juros altíssimos para realizar este empréstimo (o valor dos juros aumenta ou diminui conforme o risco de crédito da operação, quanto maior o valor emprestado mais risco e, portanto, mais altos os juros cobrados). Então, como concretizar a segunda opção?

Quando uma empresa precisa de valores para investir diretamente com os chamados investidores, ela abre o seu capital e transforma dinheiro em pequenas cotas chamadas ações. Deste modo quando você adquire uma ação você está comprando parte de uma empresa e se torna sócio dela.

Figura 1: Ações e a empresa. 
Assim, a empresa abre o seu capital, ou seja, emite e vende ações na bolsa de valores. Desta forma, ela também se abre, tornando-se mais transparente para a sociedade e o mercado financeiro. Suas informações passam a ser públicas e de fácil acesso para todos.

Quando uma empresa coloca suas ações pela primeira vez no mercado ela esta fazendo um a IPO, initial public offfering, em português, uma oferta publica primária. Tal procedimento só é possível quando ela já for cadastrada na bolsa. Esta primeira venda de ações é feita no mercado primário, o investidor compra a ação e o dinheiro vai direto para o caixa da empresa. A qualquer momento o comprador pode revender suas ações para terceiros no mercado secundário da bolsa. Observando que estas só podem ser negociadas por meio de corretoras e distribuidoras de valores que, além de intermediar estas vendas, ainda orientam os investimentos de seus clientes. 

E a famosa bolsa de valores, em que entra nesta história? É na bolsa, que no Brasil se chama BM&F BOVESPA, que são realizados todos os negócios envolvendo ações, e é sua função fiscalizar e acompanhar todas as negociações realizadas.

Figura 2: Índice BOVESPA
Na bolsa também é calculado o índice Bovespa, aquele que você sempre escuta nos noticiários quando a bolsa brasileira fecha em alta ou em baixa. Este não é o único, mas é o principal índice. Ele serve para mostrar o desempenho médio do mercado de ações e faz isso por meio dos papéis mais negociados na bolsa, este conjunto ou carteira de ações é atualizado a cada quatro meses. Esta carteira engloba cerca de 80% de tudo que é negociado na bolsa diariamente. Portanto, quando o noticiário diz que a bolsa caiu, não quer dizer que todas as ações caíram, apenas que as negociações ficaram abaixo do índice do dia anterior. E vale o mesmo para o índice em alta, as empresas que compõe o índice tiveram uma valorização sobre o dia anterior.

Até aí tudo bem, mas como se ganha dinheiro na compra de ações? Quando uma pessoa adquire ações, ela pode ter rendimentos basicamente de duas formas: na valorização do preço do papel ou na distribuição de dividendos da empresa. Os dividendos são os lucros da empresa e são pagos em dinheiro na proporção do número de ações que cada investidor possui. Outra forma de distribuição dos lucros da empresa é a bonificação. Isto acontece quando o lucro da empresa é incorporado ao seu patrimônio, aumentando desta forma o capital e distribuindo novas ações aos seus sócios.

As ações podem ser de dois tipos: as ordinárias –ON que dão direito a voto em assembleias e distribuição de dividendos e as ações preferenciais –PN que dão prioridade no recebimento de dividendos. Por lei as empresas são obrigadas a distribuir o mínimo de 25% do lucro para os seus acionistas.

A valorização das ações para a venda depende do mercado e do desempenho de cada empresa. Se o cenário econômico é bom e a empresa tem um bom desempenho, suas ações se valorizam. Agora, se a economia vai mal e, com ela, a expectativa de desempenho da empresa diminui, as ações tendem a desvalorizar. Diante destas características, este mercado é considerado com risco para investidores mais conservadores e não é recomendado para aqueles que querem fazer investimentos de curto prazo. O mais indicado são investimentos de médio (de 5 a 10 anos) e longo prazo (acima de 10 anos). 

Diferente do que muitos pensam, a ação não é um patrimônio que pode sumir no espaço. O acionista só irá saber se ganhou ou perdeu dinheiro quando fizer a venda destas ações.

Portanto, o investimento na bolsa de valores não é complicado, basta procurar uma corretora ou distribuidora de sua preferência, a qual pode te dar uma analise de investimento adequada ao seu perfil e se manter bem informado para aproveitar no longo prazo os seus investimentos.

Por Wellington Schühli de Carvalho

REFERÊNCIAS

Banco central. Disponível em: http://www.bcb.gov.br/Pre/composicao/bmf.asp
Acesso: 09/05/2015.

BM&FBovesta. Disponível em: http://www.bmfbovespa.com.br/como-investir-na-bolsa.aspx?idioma=pt-br
Acesso em: 09/05/2015.

CVM. Disponível em: http://www.portaldoinvestidor.gov.br/menu/primeiros_passos/Investindo/quem_pode_ajudar_investir.html
Acesso em 09/05/2015

terça-feira, 14 de julho de 2015

MAX SORRE E A GEOGRAFIA MÉDICA E DA SAÚDE


INTRODUÇÃO

A Geografia Médica e da Saúde constitui uma das possíveis abordagens da Geografia Humana. Trata-se, a princípio, de um esforço teórico na análise sobre o meio — suas propriedades climáticas, físicas e sociais — na busca por correlações, mutualidades e multicausalidades acerca da insurgência e do desenvolvimento de patologias. O meio enquanto categoria espacial se revela, portanto, como um dos expressivos fatores que influenciam o alastramento de epidemias e a mutação de organismos patogênicos (ROJAS, 1998). Maximilien (Max) Sorre (1880-1962) foi um geógrafo francês responsável pelo aprofundamento de pesquisas com tal tendência, aproximando geografia e biologia na tentativa de compreender aspectos da natureza e das sociedades capazes de explicar a genealogia e a evolução das doenças. As pesquisas de Sorre se orientaram no intuito de entender a reciprocidade complexa entre o meio natural e o meio social na tentativa de superar uma mera constatação determinista e simplória. Sintetizando, trata-se de um exame metódico de causalidades particulares entre a “psicologia” e a "sociabilidade" de grupos étnicos distintos e o comportamento dos habitats em que estes convivem. 

MAX SORRE E A GEOGRAFIA MÉDICA E DA SAÚDE

Max. Sorre, em A Adaptação ao Meio Climático e Biossocial, organiza sua abordagem a partir da definição do que é, especificamente, o meio: trata-se, segundo o autor, de um termo com significado equivalente a ambiente ou meio ambiente que se refere, de um modo geral, aos fatores exteriores ao ser — este como sendo algo indissociável do meio. Isto é, grosseiramente, o indivíduo existe no e cercado pelo meio de tal modo que está submetido a sua complexidade que articula elementos climáticos, naturais e sociais.

Assim, Sorre desdobra o conceito de meio em três sentidos não necessariamente polarizados, mas sim coligados: o primeiro referindo-se ao complexo climático, o segundo ao vivo e o terceiro ao complexo social. No primeiro, o autor elenca as propriedades, as sucessões e variações climáticas em função das possíveis influências que o comportamento padrão ou mesmo os exotismos do clima pode suscitar nos organismos humanos. Ademais, a capacidade de influência das atividades humanas no equilíbrio climático e seus posteriores efeitos na própria saúde da população são problematizados. 

Apresentando uma visão pioneira ao abordar preocupações quanto aos prováveis males que as atividades industriais/urbanas, por exemplo, podem desdobrar no microclima e, por conseguinte, no seu respectivo meio e nas populações que ali vivem. No segundo complexo, o vivo, o autor eleva a importância dos seres vivos como agentes interventores e ao mesmo tempo subordinados em maior ou menor grau ao meio.

Já no terceiro complexo, o social, Max. Sorre pretende se encarregar do elemento humano em sua dimensão coletiva repleta de inter-relações mais ou menos dissimuladas num amplo espectro social. Trata-se de um mundo complicado em que tramas de símbolos, imagens, linguagem, etc. se confundem em elementos cotidianos de difícil delimitação e em que a objetividade se perde ou, na melhor das hipóteses, torna-se relativa. Multiplicando-se a isso, uma miríade de elementos convulsos e em movimento multiforme e policromático acentuam o nó catalisador do que se convém chamar de social (família, política, Estado, religião, arte, ciência, economia, etc.).

O complexo social, portanto, modifica substancialmente o meio e suas possíveis influências espontâneas e naturais: isto é, nem tudo está regrado pela ordem dos recursos da natureza ou pela dinâmica do clima, mas também pelos hábitos culturais dos povos (MEGALE, 1983). Portanto, o meio social aparece como uma variável impossível de ser subestimada (como se fez ao longo da história da geografia, especialmente com a ascensão dos modelos regionais vidalianos falazmente descritivos).

Orquestrada a trindade conceitual do meio (climático, vivo e social), Max. Sorre se volta para uma composição melodiosa capaz de ressaltar a íntima interação destas três categorias (como membros de um mesmo corpo) na situação psíquica e fisiológica dos indivíduos. O autor busca critérios para avaliar em que medida o meio pode, ao longo da vida, interferir psicologicamente nas pessoas. Nesse momento, Sorre se defronta com uma série contumaz de questões de caráter ético sobre a objetividade de seu empenho: como delimitar traços gerais do comportamento psíquico distinguindo por etnia? Há instrumentos objetivos capazes de medir quantitativamente os padrões de comportamento, de mensura-los no espaço? 

CONCLUSÃO

Apesar dos dados estatísticos ao qual Max. Sorre busca alicerçar-se, essa série de empecilhos coloca em posição relativa suas conclusões quanto à influência do meio geográfico sobre a natureza mental e fisiológica das pessoas. No entanto, não se pode ignorar a importância que o esforço empreendido pelo autor resultou para a Geografia Médica e da Saúde, sobretudo no que tange a se desenraizar de visões meramente deterministas e preconceituosas ou de se limitar a causalidades óbvias, enaltecendo principalmente o pioneirismo de sua pesquisa que exteriorizou novas possibilidades para a geografia — por meio de uma reaproximação entre a geografia humana e a física — tornando-a mais um instrumento de amparo ao bem estar humano. 

Por Anderson Rodrigo Pereira da Graça e Lawrence Mayer Malanski

REFERÊNCIAS:

SORRE, Max. A adaptação ao meio climático e biossocial — Geografia Psicológica. 1954.

MEGALE, Francisco Januário. Geografia e Sociologia de Max Sorre. São Paulo: Edusp, 1983.

ELISABETE DE PÁDUA (Org.). Ciências Sociais, Complexidade e Meio Ambiente. Campinas: Papirus, 2008.

ROJAS, Luisa Iñiguez. Geografia y salud: temas y perspectivas en América Latina. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 4, n. 14, p.701-711, out. 1998. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/csp/v14n4/0063.pdf>. Acesso em: 11 jun. 2015.

SETTE, Denise Maria; RIBEIRO, Helena. Interações entre o clima, o tempo e a saúde humana. Interfacehs: Revista de Saúde, Meio Ambiente e Sutentabilidade, São Paulo, v. 6, n. 2, p.37-51, ago. 2011. Disponível em: <http://www3.sp.senac.br/hotsites/blogs/InterfacEHS/wp-content/uploads/2013/08/3_ARTIGO_vol6n2.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2015.

MOREIRA, Rui. Nossos Clássicos: Max Sorre. GEOgraphia, Niterói, v. 10, n. 5, p.135-136, out. 2003. Disponível em: <http://www.uff.br/geographia/ojs/index.php/geographia/article/view/132/129>. Acesso em: 12 jun. 2015.

NUNES, Bárbara Beatriz da Silva; MENDES, Paulo Cezar. Clima, Ambiente e Saúde: um resgate histórico. Caminhos de Geografia, Uberlândia, v. 13, n. 42, p.258-269, jun. 2012. Disponível em: <http://www.seer.ufu.br/index.php/caminhosdegeografia/article/view/17840>. Acesso em: 12 jun. 2015.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Benzeno: A dor de cabeça da Química Orgânica

O benzeno (derivado de “goma de benjoim”, uma resina aromática já conhecida pelos farmacêuticos desde o século XV) é uma das estruturas mais famosas da química orgânica devido as suas propriedades e também, pelas tentativas de desvendar sua estrutura.

A história do benzeno começa com Michael Faraday que, em 1825, o extraiu partindo de um resíduo oleoso proveniente do gás de iluminação, dando lhe o nome de “bicarbureto de hidrogênio”. Contudo, não se obtinha a fórmula estrutural e nem a molecular para o composto descoberto e, em 1834, Eilhardt Mitscherlich chegou à conclusão que o composto de Faraday era formado por seis átomos de carbono e seis átomos de hidrogênio, mas sua estrutura ainda era desconhecida.

Se o carbono faz quatro ligações e o hidrogênio uma, que tipo de ligação é feita no benzeno? Está faltando hidrogênio, não está? 

Isso foi um grande desafio na época. Partindo das informações que se tinha a respeito da estrutura molecular, era possível chegar a 200 isômeros de sua estrutura, alguns ilustrados na Figura 1. Diversas reações foram feitas e a suspeita era que sua estrutura fosse um polieno (estrutura com duas ou mais ligações duplas). Só que não, algo ainda estava errado: polienos são bastante reativos e o benzeno, não. 

Figura 1: Isômeros do benzeno. Fonte: Referência 01.
Por volta do século XIX alguns químicos considerados “estruturistas” (dedicavam-se apenas para estudos de estruturas físicas dos compostos) aceitaram o grande desafio (Figura 2).

Figura 2: Possíveis modelos para o benzeno.. Fonte: Brasil Escola.

Pelas imagens apresentadas acima, percebe-se que nenhuma delas tem o modelo que conhecemos hoje. Uma das pessoas que obteve mais destaque na descoberta da estrutura do benzeno foi Friedrich August Kekulé Von Stradomitz (1829 – 1892). Ele foi um dos pioneiros da Química Orgânica, tendo proposto, entre várias coisas, o modelo de 4 ligações do átomo de carbono e dedicou longas horas de sua vida para solucionar o problema do benzeno, para o qual já havia apresentado uma possível estrutura (Figura 3).
Figura 3: Estrutura do benzeno em forma de "salsicha" apresentada por Kekulé. Fonte: Oliveira, 2010.
Meses depois de apresentar sua primeira versão, Kekulé teve um sonho, que acabou lhe sugerindo uma nova:

“Estava sentado escrevendo meu livro didático, mas o trabalho não progredia; meus pensamentos estavam em outro lugar. Virei minha cadeira para o fogo e cochilei. Novamente os átomos estavam saltando diante dos meus olhos. Nessa hora, os grupos menores mantinham-se modestamente no fundo. Meu olho mental, que se tornara mais aguçado pelas visões repetidas do mesmo tipo, podia agora distinguir estruturas maiores de conformações múltiplas: fileiras longas, às vezes mais apertadas, todas juntas emparelhadas e entrelaçadas em movimento, como uma cobra. Mas veja! O que era aquilo? Umas das cobras havia agarrado sua própria cauda, e essa forma girava zombeteiramente diante dos meus olhos. Acordei como que por um raio de luz; e então também passei o resto da noite desenvolvendo as consequências da hipótese.”
Figura 4. Representação do sonho de Kekulé junto à estrutura benzênica. Fonte: Wikimédia.

Ao acordar, tinha conseguido a resposta exata de uma pergunta que a tanto tempo o desafiava: o benzeno é um composto que contém uma anel hexatrieno com seis átomos de carbono onde as ligações se alternavam, ora ligação simples, ora ligação dupla e, posteriormente, aperfeiçoou sua ideia para mostrar a ressonância das ligações (Figura 5). A proposta foi aceita pela comunidade científica mas, por partir de um sonho, resultou em algumas discussões entre os historiadores da ciência. 

Figura 5. Estrutura final do Benzeno apresentada por Kekulé. Fonte: Wikimédia.

O interessante é que a imagem vista no sonho de Kekulé é o símbolo do antiquísmo, o Ouroboros encontrado em tradições espirituais, incluindo a Alquimia. A imagem de Ouroboros representa a “totalidade, que tudo engloba” tanto é que, na maioria das vezes, alguns amuletos com esse elemento são acompanhados pela frase “Én Tó Pan” que em grego pode se tomar pela tradução: Um todo.

Deste modo, a descoberta da estrutura do benzeno foi intitulada como “A parte mais brilhante da produção científica a ser encontrado em toda a Química Orgânica” segundo a Sociedade Química de Londres. Por fim, Linus Pauling propôs ao benzeno como uma estrutura híbrida, tornando a molécula mais estável. 

Antes da Primeira Guerra Mundial, o benzeno foi bastante utilizado junto da gasolina, além de sua aplicação em diversas indústrias químicas como solvente. Durante a Primeira Guerra, fora aplicado na fabricação de explosivos, tornando-o mais popular. Após este período, constataram os malefícios do benzeno por conta dos inúmeros casos de intoxicação crônica em trabalhadores que tinham contato com o composto.

Atualmente, a indústria Química utiliza produtos derivados do petróleo, dos quais o benzeno ainda tem uma participação importante por ser precursor de muitos intermediários químicos importantes como: Isopropilbenzeno, etilbenzeno e ciclohexano. Sua presença também pode ser constatada em medicamentos, tintas, inseticidas e plásticos. 

Por Mayara Cristina Maciel Silva e Alan Eduardo Wolinski

REFERÊNCIAS:


CARAMORI, G. F.; OLIVEIRA, K. T. Aromaticidade - Evolução Histórica do Conceito e Critérios Quantitativos. Química Nova, vol. 32, no. 7, pg. 1871 – 1884, 2009.

FERRAZ, R. Breve História do Benzeno. Scientificus, 2014. Disponivel em < https://scientificusblogpt.wordpress.com/2014/04/24/breve-historia-do-benzeno/> acesso em: 9 de junho de 2015

OLIVEIRA, J. R. O intrigante sonho de Kekulé: Considerações sobre a História e a Natureza da Ciência. Revista Eletrônica de Ciências, n. 48, 2010.

PERUZZO, F. M.; CANTO, E. L. Química na abordagem do cotidiano. Moderna, 4. ed. – São Paulo, 20

SENHORES DO MESOZÓICO: AEOLOSAURUS

Aeolosaurus máximus. Fonte: Wikimédia.
O nome Aeolosaurus sps. remete à mitologia grega, pois Aeolus é o protetor dos ventos e, como o primeiro exemplar foi encontrado na Patagônia, região ao sul da Argentina cortada por intensos ventos, este nome veio a cair bem. Existem pelo menos três espécies descritas de Aeolosaurus: A. maximus, o A. colhuehuapensis e o A. rionegrinus. A primeira, maximus, ainda gera discussão entre alguns paleontólogos.

Este gênero foi descoberto em 1986 na Argentina, na Província de Rio Negro, que dá o nome a uma das espécies (rionegrinus), pelo paleontólogo argentino Jaime Powell. No Brasil, os fósseis deste animal foram encontrados no Distrito de Peirópolis, Uberaba, Minas Gerais e no Estado de São Paulo. Seus fragmentos foram coletados na bacia sedimentar denominada de Bacia Bauru, na formação Adamantina e Marília. Porém, se na Argentina temos a data de descoberta do animal, aqui no Brasil esta informação é desconhecida. Além do mais, muitos paleontólogos discutem se os fósseis encontrados em território brasileiro são mesmo de Aeolosaurus. Para a identificação desta nova espécie os paleontólogos contaram algumas vértebras caudais e cervicais, ossos das patas dianteiras e traseiras e algumas costelas.

O Aeolosaurus pertencia a uma classe de dinossauros denominada Saurópodes (os famosos dinossauros pescoçudos), e parentes próximos dos Terápodes. Os Saurópodes possuíam características como pescoço alongado, cabeça pequena, corpo volumoso e cauda longa, além da garra no polegar das patas dianteiras. Era uma espécie de porte pequeno, se comparado com outros Saurópodes, com cerca de 12 m de comprimento, por até 4 m de altura, e uma massa de aproximadamente 20 toneladas. Apesar de ser um parente próximo dos Terápodes (carnívoros), era um dinossauro essencialmente herbívoro, então seus hábitos alimentares incluíam a ingestão de folhas, principalmente de gimnospermas, as espécies dominantes na época.


Por Marcelo Domingos Leal


PARA SABER MAIS:

ANELLI, L. E. O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil. Ilustrações de Felipe Alves Elias. São Paulo: Peirópolis, 2010.


REFERÊNCIAS:

ANELLI, L. E. O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil. Ilustrações de Felipe Alves Elias. São Paulo: Peirópolis, 2010.

LEAL, M. D. Apostila Procurando os Dinossauros. Pinhais: PNFM, 2007.

Prehistoric Wildlife. Aeolosaurus. Acesso em: 2015. Disponível em: http://www.prehistoric-wildlife.com/species/a/aeolosaurus.html

GEA – Journal of Geoscience. Discussões sobre a presença do gênero aeolosaurus, Powell 1987 (dinosauria, titanosauria) no cretáceo superior do Brasil. Acesso em 2015. Disponível em: http://revistas.unisinos.br/index.php/gaea/article/view/4522

FABESP – Biblioteca Virtual. A new sauropod (Macronaria, Titanosauria) from the Adamantina Formation, Bauru Group, Upper Cretaceous of Brazil and the phylogenetic relationships of Aeolosaurini. Acesso em: 2015. Disponível em: http://www.bv.fapesp.br/pt/publicacao/25976/a-new-sauropod-macronaria-

segunda-feira, 6 de julho de 2015