segunda-feira, 24 de março de 2014

sexta-feira, 21 de março de 2014

Isaac Newton, O Pai da Física Moderna?!

Por Elisiane Campos de Oliveira Albrecht

Quem nunca ouviu a frase “Isaac Newton desenvolveu sua Lei da Gravitação Universal depois que uma maçã caiu na sua cabeça”? Não podemos dizer se isto é ou não verdade, mas sabemos que ele foi um grande divisor de águas na história da Ciência, apoiando-se em seus antecessores, como Euclides, Descartes, Johannes Kepler e Galileu Galilei, que contribuíram muito para suas obras.

Nascido praticamente um ano após a morte de Galileu, em 4 de janeiro de 1643 (calendário gregoriano), na cidade de Woolsthorpe-by-Colsterworth, Lincolnshire, segundo relatos biográficos teve uma infância solitária, uma vez que foi criado pelos avós, pois sua mãe casou-se novamente após a morte de seu pai antes mesmo de seu nascimento.

Em 1661 foi para Trinity College em Cambridge, onde se formou em 1665. Como não era um garoto de muitas posses, conseguiu estudar nesta escola realizado tarefas domésticas tanto para professores como para outros alunos. Porém, desde criança era considerado diferente, segundo Ribeiro (2001,vol 23, n° 2) “não só por suas habilidades para a invenção de aparelhos mecânicos como também, por seu isolamento e aversão a outras crianças.”

Figura 1: Isaac Newton. Fonte: academiadeciencia.org.br
Newton produziu diversos trabalhos em muitas áreas da Ciência, tais como a astronomia, cálculo, física, alquimia e outras. Umas de suas obras mais importantes foi o livro o ‘Principia’ - Os Princípios Matemáticos da Filosofia Natural. Neste trabalho, o pai da física moderna, como é considerado por muitos, reuniu diversas teorias e modelos, entre eles a Lei da Gravitação Universal, que considera a força existente entre os corpos, desde atração que a Terra exerce sobre as pessoas como também, a interação entre os corpos celestes. Newton também foi pioneiro na explicação da comportamento da luz, admitindo que esta era composta por sete cores, número de certa magia para ele. Não devemos nos esquecer de que a alquimia e o misticismo também fizeram parte da vida de Newton. 

Figura 2. Fonte: sirisaacnewton.info.
Durante sua vida, Newton adquiriu algumas desavenças com outros cientistas, sendo a mais conhecida relacionada à paternidade do Cálculo Diferencial, disputada com Leibniz. Os dois teriam desenvolvido independentemente o cálculo, porém, como alguns autores citam em suas literaturas, estes possuíam personalidades muito geniosas e assim iniciou-se uma briga para definir que seria o responsável por tal façanha.

No dia 20 de março de 1727, Isaac falece aos 85 anos de idade deixando diversas obras, as quais se possibilitaram uma revolução em toda a história da ciência. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Westfall, Richard S. (Tradução de Vera Ribeiro ) Resenha: A Vida de Isaac Newton.  Rev. Bras. Ensino Fís. vol.30 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2008  Disponível em << http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-11172001000200018&nrm=iso&tlng=pt >> acessado em 14/11/2013. 
Moraes, Reginaldo C. C. de . Alquimia: Isaac Newton revisitado. Trans/Form/Ação vol.20 no.1 Marília 1997  disponivel em << http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31731997000100002&nrm=iso&tlng=pt >> acessado 20 /11/2013.

Floresta Pluvial Tropical da Costa Atlântica Brasileira!

Por Felipe Veiga

Figura 1: Floresta Atlântica. Fonte: pg1com.com


A definição dos limites da Floresta ou Mata Atlântica no Brasil é um ponto bastante controverso entre estudiosos do caso. Segundo Fernandes (2003. p, 18), em um sentido mais amplo, o termo Floresta Atlântica pode referir-se praticamente a todo conjunto de formações florestais extra-amazônicas brasileiras. A Floresta Pluvial tropical da costa atlântica brasileira é um dos mais ricos biomas da terra e umas das prioridades mundiais de conservação. Não é uma floresta homogênea, suas formações vegetais variam conforme o terreno e altitudes onde se encontram. Certas características, no entanto, são comuns a todas estas formações, como o fato de serem florestas sempre verdes (perenifólias), cujos componentes em geral apresentam folhas largas (latifoliadas) e crescem em ambientes muito úmidos (ombrófias). Essa diversidade de vegetação, solos e altitudes define seus diversos ecossistemas associados que estão intimamente ligados entre si: floresta ombrófila densa nebulosa (floresta de altitude), floresta de encosta, floresta de planície, restinga, praias e dunas, costão rochoso, manguezal e mar. Interferências na floresta certamente causarão distúrbios na restinga ou na praia, assim como modificações na área litorânea terão conseqüências no equilíbrio dos outros ecossistemas. Os níveis de endemismo deste bioma são bastante expressivos: 53% das espécies de árvores da Floresta Atlântica e 77% de outras plantas são endêmicas. Abrigam também 1361 espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios, dos quais 567 são endêmicos. Das 202 espécies da lista oficial da fauna brasileira ameaçadas de extinção, 171 ocorrem na Floresta Atlântica. Por tudo isso é que a área de Floresta atlântica denominada Serra da Graciosa – Vale do Ribeira foi declarada oficialmente pela UNESCO, em 15 de fevereiro de 1993, como componente da primeira Reserva da Biosfera criada no Brasil. 

A região lagamar (complexo estuarino-lagunar) abriga uma das maiores concentrações de manguezais da terra (18 mil hectares), totalmente preservados, constituindo-se num dos mais importantes criadouros de espécies marinhas do Atlântico Sul.  A Floresta atlântica é a segunda floresta mais ameaçada do planeta, atrás somente das Florestas de Madagascar, no leste da África. No Paraná, ela caracteriza-se por ocorrer em áreas sujeitas a temperaturas relativamente elevadas e à alta precipitação. Árvores de grande porte (até 30m de altura), associadas a um denso sub bosque formado por espécies de várias formas biológicas, principalmente epífitas e lianas. Conforme critérios altimétricos e pedológicos, neste tipo vegetacional podem ser reconhecidas cinco subformações: Floresta Ombrófila Densa Aluvial, de Terras Baixas, Submontana, Montana e Altomontana. O limite entre essas é variável conforme a latitude considerada, e vias de regra, não existem diferenças fisionômicas abruptas entre cada uma das situações.  No Paraná, tais limites situam-se aproximadamente entre as seguintes cotas altimétricas: floresta de terras baixas: entre 5 e 50m; floresta submontana: entre 50 e 500m; floresta altomontana: acima de 1000m, até os limites de ocorrência de floresta. As florestas aluviais ocorrem de forma mais marcante na planície costeira, acompanhando o curso médio inferior dos rios mais extensos da bacia Atlântica. 

FLORESTA OMBRÓFILA MONTANA (FLORESTA DE ENCOSTA)

As subformações denominadas de “submontana” e “montana” ocorrem de forma bastante típica nas regiões baixas e intermediárias das encosta da Serra do Mar, respectivamente. Costuma-se dizer que estas representam a expressão máxima em termos de estrutura e composição florística da Floresta Atlântica no sudeste e sul do Brasil.  Os solos normalmente presentes nestas subformações em geral são relativamente mais profundos e desenvolvidos do que em outras formações, predominando os latossolos e os podzólicos, sendo também comuns os cambissolos, geralmente em áreas de maior declividade, e litossolos, estes muitas vezes com ocorrência pontual em meio a outros tipos. O escalonamento proporcionado pela disposição das copas das árvores do dossel em diferentes níveis, consequência de feições topográficas inclinadas a fortemente inclinadas, gera uma boa penetração lumínica nestas subformações, fator que, associado à alta umidade presente nestas regiões, ocasiona o aparecimento e a manutenção de comunidades epifíticas bastante ricas e abundantes, o que talvez seja o traço mais marcante destas formações ao longo de suas respectivas áreas de ocorrência.

Famílias como Orchidaceae, Bromeliaceae, Araceae, Gesneriaceae, Piperaceae e Polypodiaceae, constituem os grupos predominantes nestas comunidades, tanto em riqueza como em abundância de espécies. Os demais componentes das subformações submontana e montana (estratos arbóreos superior e inferior, arbustivo e herbáceo) são relativamente similares, com diferenças sucintas sobretudo na abundância de algumas espécies, sendo citado, como exemplo, algumas espécies preferenciais de solos mais úmidos que são mais comuns na subformação submontana, enquanto espécies preferenciais de locais com melhor drenagem no solo são mais freqüentes na subformação montana. 

INTERAÇÃO ENTRE FAUNA E FLORA

Figura 2: Tucano de bico verde. Fonte: wikimedia.com.
O palmito-doce ou juçara (Euterpe edulis), é uma planta característica da floresta pluvial atlântica, onde ocorria de maneira expressiva,  apresentando uma distribuição bastante regular em toda floresta, tanto nas planícies aluviais, quanto nos vales e encostas. Floresce a partir do mês de setembro e prolonga-se até dezembro. A maturação dos seus frutos ocorre durante o outono e inverno, justamente entre os meses de abril e agosto, onde há uma diminuição de oferta de alimento para uma grande parcela da fauna da floresta. Os tucanos-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus), estão entre os maiores consumidores e dispersores da semente desse palmito, porque regurgitam os caroços em diversos pontos da floresta. Devido à sua exploração predatória, esta palmeira já está ameaçada de extinção, o que também afeta a sobrevivência da ave. 

O elevado grau de umidade da floresta favorece o desenvolvimento de inúmeras epífitas, dentre estas, as bromeliáceas, que se apoiam sobre os troncos e galhos das árvores. São exclusivas do continente americano e a Floresta Atlântica e os seus ecossistemas associados, constituem o bioma mais rico em plantas dessa família. As bromélias e as orquídeas são muito importantes para a fauna que vive nos galhos e copas das árvores. Dentre os animais que se integram na comunidade epífita, está uma perereca, Hyla albomarginata, que se especializou nesse tipo de habitat. Visitantes frequentes de orquídeas, como a Sophronites coccínea, estão os beija-flores, tais como o Thalurania glaucopis. Com o corte das árvores, as epífitas desaparecem e com elas toda a fauna associada. A árvore mata-pau-de-espinho, Spirotheca passifloroides, é característica e exclusiva da floresta pluvial da Costa Atlântica. Ocorre no interior de mata primária, encostas e fundo de vales. Suas flores, durante meses de junho-agosto, são uma importante fonte de néctar para os beija-flores.

Figura 3: Beija flor em helicônia. Fonte: virtude-ag.com.
No continente americano as helicônias são polinizadas exclusivamente pelos beija-flores. Cerca de 80% da alimentação destas aves é constituída do néctar de helicônias na época de sua floração. A bananeirinha-do-mato, Heliconia hirsuta, atrai com sua coloração amarela e vermelha beija-flores como o beija-flor-de-veste-preta, Anthracothorax nigricollis e o beija-flor-de-banda-branca, Amazilia versicolor. A flor-de-cera, Psichotria nuda, além do seu elevado valor ornamental, é uma excelente fonte de néctar para os beija-flores. 

Os fungos também desempenham uma função importantíssima no movimento cíclico dos minerais na Floresta. Trocam com vegetais, fósforos e outros minerais, por carboidratos. Sem os fungos a maioria das arvores da floresta não poderia sobreviver. Alguns fungos em forma de chapéu, servem de apoio ao sapo-chifrudo, Proceratophrys boiei.

FAUNA ASSOCIADA

AVES

Figura 4: Jacutinga (Pipile jacutinga). Fonte: The Internet
Bird Collecttion
A Floresta Atlântica é, seguramente, um dos biomas mais ricos em número de espécies de aves em todo o mundo, competindo apenas com a Amazônia e algumas regiões dos Andes e sudoeste asiático. Se somadas as espécies que vivem no lato sensu da Floresta, chegamos a contabilizar quase 1.100 espécies de aves. No mundo inteiro são computadas cerca de 9.200, logo, só nesse bioma, vive quase 12% da avifauna do Planeta. A jacutinga, Pipile jacutinga,  habita normalmente a parte alta da floresta, realizando migrações para as partes mais baixas sempre a procura do seu alimento predileto, o fruto do palmito que amadurece mais cedo nas baixas altitudes e é uma espécie ameaçada de extinção. A Cambacica (Coereba flaveola), tal qual os beija-flores, é nectarívora. Porém, como não consegue parar no ar como fazem os beija-flores, agarram-se às flores com os pés e com seu bico curvo e pontiagudo perfura o cálice atingindo os nectários. O beija-flor-grande, Ramphodon naevius, é o maior beija-flor da Floresta Atlântica. Visita flores de bromélias, heliconias e bananeiras em matas virgens fechadas. Constrói seu ninho nas pontas da face inferior das folhas de palmeiras ou bananeiras.

ANFÍBIOS

Figura 4: Hyla faber. Fonte: bionaturalwork.blogspot.com.
Cerca de 600 espécies são conhecidas para o Brasil, das quais cerca de 100 são conhecidas  para o estado do Paraná, porém, a identificação da fauna de anfíbios em seus diferentes aspectos biológicos é pequena. A perereca, Hyla albomarginata, utiliza lagoas permanentes e banhados, sempre em áreas abertas para sua reprodução. Elas também possuem comportamento arborícola, apresentando hábitos noturnos ou crepusculares. A perereca-verde, Phyllomedusa distincta, é também chamada de perereca-macaco, pela habilidade e postura que adota, para “escalar” os galhos das arvores. A diminuição da sua população e dos anuros em geral, ocasionada pelas agressões continuas do seu habitat, certamente irá causar um desequilíbrio na população de insetos. A “perereca-de-inverno”, Hyla bischoffi, ocorre na região meridional da Mata Atlântica. Durante o período de acasalamento, é encontrada em corpos de água permanente. Sua atividade reprodutiva decresce na época de verão quando outras espécies estão ativas. A “perereca-ferreira”, Hyla faber, é uma das maiores espécies de anfíbios do sul do Brasil. O macho desta espécies constrói ninhos de barro circulares nas margens das poças de onde emitem um canto parecido com a batida de um martelo em uma lata para atrair a fêmea.

A rã-chorona, Physalaemus olfersi, é de pequeno porte e seu canto lembra uma criança chorando. Constrói pequenos ninhos de espuma em áreas alagadas. O sapo-cururu-pequeno, Bufo crucifer, é uma espécie de sapo comum na floresta encontrado em rios, lagos e poças, em áreas alternadas. Seus ovos estão dispostos em ambiente aquático em forma de cordões gelatinosos.

RÉPTEIS

Figura 5: Lagarto teiú.
Fonte: http://roywildphoto.blogspot.com.br/.
A Floresta Atlântica não se encontra plenamente isolada dos demais biomas brasileiros. Em diversos pontos, ela se afasta da costa oceânica, transpõe as reservas e penetra o interior, fazendo  contato com diversos ambientes exclusivos. A fauna de répteis da Floresta, portanto, não é uma unidade completamente distinta dos demais ambientes que ocorrem no Brasil, embora esta possua um bom número de espécies que lhe são exclusivas. Entre os répteis desse bioma estão o jacaré-do-papo-amarelo, Caiman latirostris; lagartinho, Placosoma cordylinum; Camaleãozinho, Enyalius iheringii. O lagarto teiú, Tupinambis merianae, é o maior lagarto que vive no solo da Floresta.  Encontramos algumas serpentes; Caninana, Spilotes pullatus; Jararacuçu, Bothrops jararacuçu; Cobra-come-lesma, Dispas neivai; Boipevinha, Xenodon neuwiedii.

INVERTEBRADOS

Figura 6: Morpho helenor. Fonte: O autor.
A diversidade de ambientes da Floresta oferece condições de vida a uma grande variedade de insetos. Os artrópodes representam cerca de 70% das espécies conhecidas do reino animal. São fundamentais no ciclo de renovação da floresta, polinizando as flores, dispersando as sementes e na destruição das partes vegetais mortas, fornecendo resíduos que são novamente absorvidos pelas plantas vivas.  A aranha Thomisidae, Epicadus heterogaster, tem a forma de uma flor para enganar seus predadores. Os opiliões têm grande importância no nível detritívoro da cadeia trófica. As esperanças Orthoptera e Tettigoniidae apresentam uma diversidade grande de aparência e formas de vida. alimentam-se de folhas, flores, frutos e pequenos insetos. Muitas espécies de borboletas são encontradas; Placidula euryanassa; Heliconius sara apseudes; Heliconius ethila narcaea. As borboletas da família Ithomiinae, como a Ithomia drymo, de asas translúcidas, são uma das maiores riquezas da Floresta. Os machos, na época da reprodução, atraem as fêmeas por meios de feromônios obtidos das flores das quais se alimentam. A borboleta corujão, Caligo brasiliensis, é um dos mais belos insetos desta floresta. Os grandes ocelos desenhados nas suas asas posteriores lembram os olhos das corujas e servem para confundir os predadores. Mede cerca de 8 cm e é um dos maiores Lepidópteros da Floresta. Os mais importantes herbívoros da Floresta são as larvas dos insetos. Por representarem uma grande ameaça para as plantas, estas mantêm uma verdadeira guerra química contra outros insetos e outros animais herbívoros. Produzem imensa variedade de substancias de sabor ruim, tais como: taninos, cianetos, cafeína, estricnina, e nicotina, entre outras.



PEIXES

Figura 7: Leptilebias. Fonte: notícias.uol.com
Entre mais de 50 espécies registradas nos rios da Floresta Atlântica, pelo menos 90% ocorre somente no trecho que vai do norte de Santa Catarina ao litoral sul de São Paulo e em nenhum outro lugar do mundo.  A maioria das formas pertencem a ordem siluriformes (cascudos e bagres), peixes que não possuem escamas, tendo o corpo coberto por pele nua ou placas dérmicas. Nos ambientes de fundo, entre rochas, troncos e folhas, esgueira-se de predadores e desenvolvem suas atividades de alimentação e reprodução. Entre as mais de 20 espécies de cascudos, podemos observar peixes adultos de três a trinta centímetros de comprimento. Em remansos e saídas de corredeira da maioria dos rios da região, nadando em profundidades intermediarias, podem ser observados os lambaris. Embora pertencentes a uma espécie típica das bacias litorâneas, seguem a dieta básica dos congêneres de outras bacias, alimentando-se de frutos, sementes e insetos. Os saicangas, habitantes dos mesmo ambiente, alimentam-se preferencialmente de outros peixes. Em tocas circulares, localizadas no fundo ou nas zonas marginais, pode-se encontrar um peixe muito peculiar, frequentemente confundido com uma serpente – o mussum, Symbranchus marmoratus, Em coleções d`água do chão das florestas de planície, cheios de folhas e material vegetal em putrefação, esconde-se os mais coloridos e extravagantes componentes da fauna de peixes de água doce do litoral, representados por espécies dos gêneros Rivulus e Leptilebias. Por viverem em ambientes inundados após chuvas intensas, algumas espécies desse grupo são conhecidas como peixes de nuvem e completam seu ciclo de vida em menos de um ano.

MAMÍFEROS

Os representantes desse grupo participam de uma variedade de interações interespecíficas, entre as quais se destacam a dispersão e a predação de sementes, a polinização de flores e a predação de muitas espécies da fauna. Nesse sentido, é evidente a sua importância na regulação das comunidades vegetais e animais e, por consequência, no equilíbrio dos ecossistemas e manutenção da biodiversidade. Os mamíferos estão representados por cerca de 4.500 espécies no mundo, sendo que 524 ocorrem nos diferentes biomas brasileiros. Na floresta atlântica, foram registradas até o momento 230 espécies, muitas das quais endêmicas, como é o caso de vários marsupiais, roedores e primatas. São várias as ordens e envolvem Marsupiais, preguiças, tamanduás, tatus, morcegos, primatas, carnívoros, golfinhos, veados, catetos e queixadas, antas, ratos-do-mato, capivaras, pacas, cutias, lebres e tapitis.

Figura 8: Marsupial - família Didelphidae. Fonte: O autor.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RENATO, Carlos Fernandes. Floresta Atlântica – Reserva da Biosfera. Curitiba, 2003.

Mata Atlântica (Floresta Pluvial Costeira). 2013 < http://www.portaleducacao.com.br/biologia/artigos/27468/mata-atlantica-floresta-pluvial-costeira> Data de Acesso: 11/11/13.

A Mata Atlântica. SOS Mata Atlântica. < http://www.sosma.org.br/nossa-causa/a-mata-atlantica/> Data de acesso: 12/11/13.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Síntese subjetiva das sessões de psicomotricidade relacional!

Por João Marcos Alberton

Figura 1. Fonte: boanotícia.org.br
Ir ao jogo...

Disputar, provocar, autorizar e conter.

Atos e relatos na brincadeira do corpo.

Ações, aparentemente, sem limites, que se ajustam entre olhares, movimentos e contatos.

Brinquedos lançados a todos os cantos, e aos poucos tomam vida e simbolismo entre afetos e dissonâncias.

A cada um é adotado o ritmo e a cor que transforma em desenho colorido, os gritos e a correria estampada nos gestos:

Têm buscas de prazer e satisfação.

A melodia afinada de uma atmosfera pulsante, onde a responsabilidade rege sem aparência, mistura-se ao jogo, sem batuta ou platéia.

O aprender de si é troca incessante. A moeda corrente é o pulso da vida.

Honestidade e justiça vão se conhecendo entre os estímulos e o cansaço: de esgotar cada gota de suor tonificando o ser.

Existir em atitudes dançadas em conteúdos latentes que jorram o desejo de ater em cada instante: o prazer e a beleza do caminho vivido.

Nada é calma, nem hora de acabar, o tempo é um ponteiro virtuoso: sem campainha ou cuco? Há que se ouvir, sem falar, mesmo quando não há volume.

Lançar-se ao éter de cada um, e no jogo inteiro: no setting dos Anjos.

Não há mesmice, tudo muda e retorna mais claro, cristalino e transparente.

Lançados ao chão somos nada e temos tudo. Ali entre braços e pernas que sobem e descem com destreza,
num linguajar arcaico e sem alfabeto: entregamos-nos a cada um.

Um bolo sem receita: o ingrediente é novo, a forma é velha. Mexidos por todos, diretos ao calor fermentado dos corpos, que vão crescendo e acrescendo formas.

A novidade segue, minuto a minuto, vencendo um espaço desconhecido, longe e fugidio.

É hora de acabar... Descansar. Parar. Ficar quieto...

O sangue corre longe, os olhos ainda brilham e saltam a cada canto. O cansaço não chega.

A liberdade é tanta, o espaço é gigante, a fantasia é sem fim... A razão não tem lugar.

O pode do poder viver...

A angústia de parar de deparar, cessar o movimento e viver o real.

Mundo nosso de ir e vir. De ser, sentir, reconhecer.

Desenvolver e fluir são metas do destino alimentadas no relacional de si em comum-unidade. Sonhar junto
com regras facilitando o jogo, a convivência.

O acerto dos erros vividos sem culpa.

Modulação ajustada nos sentimentos e gestos, tornando-nos íntegros, tecendo a cidadania e o meio.

Viver o presente consciente para um mundo pleno...

Valorizando a criança! Nossa! Por um saber garantido e sublime.

Desenvolvimento sustentável - recessão

Por Anelissa Carinne dos Santos Silva

A economia global enfrenta uma das piores crises de sua história. A recente recessão econômica mostra que governos e empresas não estão preparados para ameaças externas às suas economias o que culmina com a diminuição de empréstimos, pois as instituições não têm garantia de capital.

“Daí, iniciou-se o "círculo vicioso": sem crédito, não há produção, demitem-se os empregados, cai o consumo, o que resulta em nova retração das atividades econômicas.” (RATTNER, 2009). Há a crescente pressão para que haja investimento dos governos e que estes defendam os direitos dos trabalhadores frente às grandes empresas que objetivam o lucro independentemente dos impactos socioambientais.

Rattner (2009) nos lembra os principais impactos gerados por esta busca desenfreada por capital, listados pelo PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente):

  • Aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera;
  • Crescente escassez de água potável;
  • Degradação dos solos;
  • Desmatamento contínuo;
  • Aumento do consumo de bens, os quais geram resíduos tóxicos;
  • Condições de saneamento nulas em muitas regiões;
  • Desigualdade social.


As empresas solicitam investimento do poder público, para expandir seu capital e gerar empregos. Mas quem realmente sustenta este desenvolvimento?

Figura 1. Desenvolvimento sustentável. Fonte: Instituto de Formação e Ação em Políticas Sociais.
Para explicar questões ambientais, não podemos observá-las somente pelo ponto de vista da Ecologia. “Faz-se necessário considerar os aspectos políticos, sociais, ecológicos, culturais e outros para que se obtenha uma visão global do problema e das suas alternativas de soluções” (DIAS, 2004, p. 07).

Com o aumento dos problemas ambientais, diminui-se a qualidade de vida.

Para alterar este cenário degradante, “é necessário construir uma racionalidade social e produtiva que, reconhecendo o limite, como condição de sustentabilidade, funde a produção nos potenciais da natureza e da cultura” (LEFF, 2001, p. 28).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DIAS, G. F. Ecopercepção: um resultado didático dos desafios socioambientais. SP: Gaia, 2004.

LEFF, H. Saber Ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.

RATTNER, H. Meio ambiente, saúde e desenvolvimento sustentável. Revista Ciências & Saúde Coletiva, vol. 14, no. 06. RJ, Dez 2009.

RIO + 20. Desenvolvimento Sustentável. Disponível em: <http://www.rio20.gov.br/clientes/rio20/rio20/sobre_a_rio_mais_20/desenvolvimento-sustentavel.html> Acessado em: Out. 2013. 


Humphry Davy ele é o Químico!

Por Marcos Diego Lopes

Figura 1. Fonte: engineerswalk.co.uk
Humphry Davy (1778-1829), filho de um carpinteiro, subiu meteoricamente para se tornar um líder no movimento reformador da Química iniciada por Antoine Laurent Lavoisier, ainda que um crítico de algumas de suas premissas básicas e um pioneiro no novo campo da eletroquímica. 

Com grande habilidade observadora e de prática experimental, começou a trabalhar para um farmacêutico local (na cidade de Penzance em Cornwall, Reino Unido) onde excursionava para este em busca de minerais, plantas e animais, desenvolvendo um interesse autodidata pela natureza e a Química da mesma. Também tinha interesse em temas como teologia, filosofia, poesia, idiomas, e várias outras ciências.

Figura 2: Foto digital da estátua em homenagem a Humphry Davy na sua cidade natal de Penzance. A imagem digital foi disponibilizada pelo contribuidor Chris Angove em junho de 2006.

Em 1798 ele começou a trabalhar na Instituição Pneumatic Thomas Beddoes, onde participou de estudos de gases na prevenção e cura de doenças respiratórias (principalmente a tuberculose). Após suas pesquisas  com gases em Química, descobriu o Óxido Nitroso, também conhecido como gás hilariante e defendeu sua utilização como anestésico em pequenas operações cirúrgicas .

Em 1801 Davy foi nomeado professor de Química na Royal Institution de Londres, começando a desenvolver estudo sobre eletrólise ou a decomposição de compostos por passagem de uma corrente elétrica em solução aquosa. Por meio deste experimento ele isolou elementos como sódio, potássio, magnésio, cálcio, estrôncio, bário e boro.

Humphrey Davy desenvolveu o arco elétrico e fez uso das células voltaicas na decomposição de compostos, um grande trabalho em eletroquímica que aperfeiçoou a invenção de Volta. Em 1816 ele criou a chamada lâmpada de Davy, uma invenção fundamental para proteção dos operários das explosões provocadas pelo metano em mistura com o ar atmosférico.

Uma curiosidade foi que o senhor Michael Faraday, em 1813, foi trabalhar como assistente de Humphrey Davy.

Em 1820 Davy foi nomeado presidente da Royal Society, o que constituiu brilhante coroamento à sua carreira científica. Morreu em Genebra, em 29 de maio de 1829.

EXPERIMENTO: LÂMPADA DE ARCO VOLTAICO


Trata-se de um circuito elétrico composto de uma potente bateria, dois bastões de carbono pontiagudos e separados por uma determinada distância. O contato mecânico inicial entre os carbonos e a passagem de uma corrente elétrica gerava um arco voltaico com alta luminosidade.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

WELIKSON, Camila. Artigo:  Humphrey Davy .Disponível em:  <www.ccead.puc-rio.br/.../mvsl/.../Humphry_Davy/.../LT_humphry_davy...>.‎Acesso em 2013.

Site de resenhas educativas: Acesso em 2013. Disponível em: <www.dec.ufcg.edu.br/biografias/HumpDavi.html>
Site de resenha educativas: Acesso em 2013: Disponível em: <http://www.infopedia.pt/$humphrey-davy>.

Viagem no tempo: realidade ou ficção?

Por Rafael Gama Vieira

Figura 1.
Já imaginou poder viajar ao passado, vivenciar eventos que mudaram o mundo e conhecer pessoas importantes que já morreram? Ou então viajar para o futuro e ver como o mundo estará daqui a 1000 anos ou como será sua aparência daqui a 20?
Este assunto desperta bastante interesse e, inclusive, já foi tema de diversos filmes, livros, seriados, etc. Porém, será que isto é possível no mundo real ou apenas na ficção?
Quando Isaac Newton formulou as três leis do movimento, ficou implícito que todas as pessoas ao observarem um movimento o descreveriam da mesma maneira, calculando a mesma velocidade e tempo de deslocamento, por exemplo.

Porém, em 1905, Albert Einstein publica a teoria da Relatividade Especial, contradizendo Newton. Nesta teoria, tempo e espaço estariam conectados, formando um espaço em quatro dimensões, três espaciais e uma temporal. Logo, o tempo não seria mais absoluto, ou seja, cada pessoa pode sofrer uma variação temporal, dependendo do seu movimento.

Segundo esta teoria, se uma pessoa se movimentar com uma velocidade próxima a da luz (aproximadamente 300.000km/s), verá que o tempo passou mais devagar do que para pessoas que permaneceram em repouso.

Para entender melhor, podemos citar o famoso experimento mental conhecido como paradoxo dos gêmeos.

Imagine dois irmãos gêmeos A e B, em repouso sobre a superfície da Terra. Agora imagine que o irmão A entra em uma nave capaz de viajar com velocidade próxima à da luz, viaja por certo tempo nesta velocidade e retorna ao nosso planeta. Ao chegar aqui, o viajante estaria muito mais novo do que seu irmão que permaneceu na Terra.

Este experimento consiste em um paradoxo pois, considerando o referencial do irmão B que ficou na Terra, este pode ver a nave se deslocando, logo, afirmará que seu irmão A retornará mais novo. Porém, se considerarmos o referencial do irmão A que está na nave, este vê a Terra se afastando dele, logo, pode afirmar que seu irmão B estará mais novo quando ele retornar.

A solução deste experimento é que apenas o irmão B que está na Terra realmente permaneceu em um referencial inercial, logo, apenas este pode afirmar que o tempo passará mais lento para o irmão A.

Conforme comentado anteriormente, para tornar possível a viagem no tempo seria necessário atingir velocidades próximas a da luz. Infelizmente ainda não há tecnologia e nem recursos suficientes para tal. 

Ao longo da história surgiram outras teorias para tornar possível esta viagem. Uma delas baseia-se nos chamados Worm Holes (buracos de minhoca), também conhecidos como Ponte de Einstein - Roses, que consistem em túneis capazes de conectar dois pontos no espaço.

Figura 2:  Buraco de minhoca. Fonte universogenial.wordpress.
Para entender o que é um buraco de minhoca, imagine que você tem um pano grande e esticado. Agora uma bola de basquete é colocada sobre este pano. O tecido sofrerá uma deformação causada pelo peso da bola. Segundo Einstein, esse mesmo efeito é causado no espaço por corpos muito massivos, como estrelas, planetas e buracos negros, por exemplo. Imagine agora, que existem dois buracos negros deformando o espaço a sua volta. Se estas deformações se encontrassem, isto criaria um túnel, ligando dois pontos distantes.

Se considerarmos a existência de buracos de minhoca e que estes podem ser transportados, podemos voltar ao caso dos gêmeos e imaginar que o irmão A que viajou com sua nave leva uma das pontas do buraco de minhoca para o espaço, enquanto a outra ponta permanece na Terra com seu irmão B. Novamente o irmão A estará mais novo devido à sua viagem com velocidade extremamente alta. Porém neste caso criou-se uma conexão entre o passado e o futuro, onde o irmão B pode entrar no buraco e viajar para o passado e o A viajar para o futuro.

Anteriormente, foi citado que o efeito relativístico seria notado para corpos se movimentando com velocidades próximas a da luz, porém, este efeito já pode ser observado para velocidades menores. Este conhecimento é aplicado em sistemas de GPS, como pode ser visto nos textos GPS I e II.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Ciência Uol.  Acesso em 2013. Disponível em <http://ciencia.hsw.uol.com.br/viagem-no-tempo.htm>

Info Escola. Acesso em 2013. Disponível em <http://www.infoescola.com/fisica/teoria-da-relatividade/>

Senhores do Mesozóico: Saturnalia tupiniquim!

Por Marcelo Domingos Leal

Figura 1: Saturnalia tupiniquim. Fonte: veja.abril.com

O Saturnalia tupiniquim tem seu primeiro nome derivado do latim saturnalia, que significa “carnaval”, pois foi no período dessa festa que o esqueleto foi encontrado. O nome tupiniquim, que vem da linguagem guarani, refere-se a uma maneira de se caracterizar fatos ou objetos tipicamente brasileiros.

Foi descoberto no estado do Rio Grande do Sul, no Sítio Paleontológico Sanga da Alemoa na região da paleorrota (também conhecido como geoparque da Paleorrota, ou Rota Paleontológica), que está situado no centro do estado do Rio Grande do Sul. Esta Paleorrota contém diversos fósseis do tempo em que havia apenas o super continente Pangeia (alguns escrevem e pronunciam Pangea), sendo a principal área de Geoturismo do estado riograndense. A descoberta e descrição científica dos três exemplares se deu pelas mãos do famoso paleontólogo mineiro Max Cardoso Langer (professor do Departamento de Biologia da Universidade de São Paulo, campus Ribeirão Preto, e vice-diretor da Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP)) e de uma equipe de paleontólogos do Museu de Ciências e Tecnologia da PUC do Rio Grande do Sul, no ano de 1998. Max Langer, ao observar a natureza primitiva do espécime combinada à sua mistura de Saurópode com características de Terópode, classificou a nova espécie como uma forma basal dos prossaurópodes e, consequentemente dos saurópodes. O local onde o fóssil foi encontrado está situado na área do município de Santa Maria, localizada na Bacia do Paraná, na formação Santa Maria. Seu esqueleto está exposto no Museu de Ciências e Tecnologia da PUC do Rio Grande do Sul, na capital Porto Alegre.

Para a identificação do animal os cientistas contaram com parte de sua caixa torácica, coluna vertebral, um fragmento da mandíbula, bacia e uma pata dianteira e uma traseira. Como todos os outros dinossauros, o Saturnalia viveu na Era Mesozóica, mas em um período chamado de triássico superior, a cerca de 225 milhões de anos atrás.

Esta espécie de dinossauro era de proporções pequenas, tendo pouco mais de 50 cm de altura, aproximadamente 2 m de comprimento, e uma massa que não passava de possíveis 50 Kg. Era um dinossauro quadrúpede, e seus hábitos alimentares incluiam a ingestão de folhas, brotos e raízes, uma tpípica dieta hebívora. A equipe que descobriu esta espécie notou que as características de seu crânio e de sua “mão” eram mais semelhantes ao do grupo irmão dos Sauropodomorfos, os terópodes e que levaria o Saturnália a ser considerado um membro da linhagem-tronco da Sauropodomorpha, e não um verdadeiro membro do grupo.

José Fernando Bonaparte (exímio paleontólogo argentino) e seus colegas, em um estudo de 2007, concluíram que o Saturnália é muito semelhante ao primitivo Saurischia Guaibassauro. Partindo então desta análise, Bonaparte colocou os dois na mesma família, Guaibasauridae e, como Langer, concluiu que essas formas podem ter sido Sauropodomorphas primitivos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

http://www.clickciencia.ufscar.br/portal/edicao23/entrevista1_detalhe.php
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u14228.shtml
http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/cacadores-de-fosseis/imagens/ferasbrasileiras03.jpg/view

Livro: O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil.

A descoberta de Hans Christian Oersted: Os eletroímãs!

Por Ana Caroline Pscheidt

Você já dever ter brincado pelo menos ma vez com um imã, provavelmente de geladeira ou algum brinquedo magnético e deve ter percebido que eles são permanentes, mas será que é possível construir um imã não permanente, que possa ser ligado e desligado quando quiser? E será que existe alguma utilidade para isso?

A resposta para estas duas perguntas é SIM. Esses objetos chamam-se eletroímãs e, como sugere seu nome, são obtidos a partir de eletricidade e integram inúmeros dispositivos do nosso cotidiano.

O físico dinamarquês Hans Christian Oersted publicou, em 1831, um ensaio onde previu a existência de alguma relação entre corrente elétrica e magnetismo, mas ainda não tinha conseguido prová-la experimentalmente. Conta-se que ele imaginou um experimento pouco antes de dar uma aula na universidade da qual era professor, quando chegou em sua classe, decidiu testar a experiência em frente aos alunos. Para sua surpresa, ela funcionou! Assim, pela primeira vez foi verificada, experimentalmente, a relação entre eletricidade e magnetismo.

A EXPERIÊNCIA DE OERSTED

O aparato experimental se resume a um circuito elétrico simples com alta corrente elétrica. O físico posicionou uma bússola próxima ao fio condutor e, quando ligou o circuito, a agulha que geralmente está orientada com o campo magnético terrestre, sofreu uma desorientação instantânea, voltando à posição original quando o circuito foi desligado.  Neste momento, percebeu que a corrente elétrica que passa no fio pode gerar um campo magnético ao seu redor, tornado-o capaz de mover materiais magnéticos, tais como a agulha da bússola. 

Mais tarde, observou também que, ao colocar materiais ferromagnéticos neste campo, pode-se obter imãs variáveis chamados de eletroímãs, semelhantes ao ímã comum, exceto pelo fato de ser  "temporário", ou seja, o campo magnético só existe quando a corrente elétrica está passando. O fenômeno ficou conhecido como indução magnética.

Figura 1: indução magnética em um fio. Fonte: a autora.
A Figura 1 mostra o efeito observado por Orested. A passagem de corrente elétrica por um fio induz um campo magnético B ao seu redor. Usando sua mão direita é possível identificar a direção do campo B, basta colocar o polegar na direção da corrente elétrica e os outros dedos indicarão a direção do campo.

Usando um enrolamento de fios condutores, como num solenoide, é possível verificar um campo induzido mais intenso do que em apenas um fio e, se no núcleo desse solenoide for colocado um material ferromagnético, podemos construir um imã ainda mais intenso, como ilustra a figura 2. Assim são construídos os Eletroímãs modernos.

Figura 2 – Solenoide com um núcleo ferromagnético. Fonte: A autora.

E ONDE SÃO USADOS ESSES ELETROÍMÃS?


São inúmeras as aplicações. Você pode não ter notado, mas com certeza já utilizou algum dispositivo que funciona a partir do principio de indução magnética. São eles que fazem soar a campainha da porta das residências; possibilitam a transmissão de mensagens telegráficas; estão presentes nos leitores e gravadores de discos rígidos e toca-fitas e alto-falantes. Também nos motores elétricos que precisam desses dispositivos para a conversão de energia elétrica em energia mecânica.  Outra função muito importante do eletroímã é a retirada de estilhas de metal que penetram no corpo humano. Suas aplicações estão presentes diariamente em nossa vida, fazendo-nos perceber como foi importante a descoberta de Christian Oersted. Além disso, foi o ponto de partida para o estudo do eletromagnetismo moderno.

VOCÊ TAMBÉM PODE CONSTRUIR UM PEQUENO ELETROÍMÃ PARA EXPERIMENTAR A SENSAÇÃO DE ORESTED AO CONSEGUIR TRANSFORMAR ELETRICIDADE EM MAGNETISMO.

Materiais:

Um prego grande, esse será o núcleo ferromagnético.
Fio de cobre com isolamento (de preferência esmaltado), para fazer o enrolamento.
Uma pilha, para fornecer corrente elétrica.
Alguns clipes, para testar seu eletroímã.

 Montagem: 

1) Enrolar o fio no prego, dando o máximo e voltas que conseguir;
2) Encoste as pontas do fio nos pólos da pilha, fechando o circuito;
3) Agora, com o circuito fechado, encoste o prego nos clipes para verificar se eles são atraídos, transformando assim o prego em um imã. 

Figura 3 – Montagem do eletroímã. Fonte: A autora.

Dicas: 
Passe palha de aço nas pontas do fio de cobre para retirar seu verniz isolante. 

Se não funcionar ou o imã ficar muito fraco, coloque uma pilha com maior tensão ou coloque mais pilhas fazendo uma montagem em serie (uma pilha seguida da outra). 

OBS.: DE FORMA ALGUMA UTILIZE A ENERGIA ELÉTRICA DA TOMADA PARA ESSA EXPERIÊNCIA, POIS PODEM OCORRER SÉRIOS DANOS! 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

RESNICK, HALLIDAY, (1996): Física, vol.3, LTC-RJ

 ALVARENGA, BEATRIZ E MÁXIMO, ANTÔNIO. Curso de Física, Volume 3, São Paulo, Spicione, 1997.

Origens da Teoria de Jogos!

Por Ednilson Rotini

Figura 1. Fonte discursus.xpg.com.br

No texto anterior, foi dada uma breve introdução sobre a Teoria de Jogos e neste novo texto, serão abordadas algumas questões históricas sobre a origem desse importante recurso matemático que auxilia no processo de tomada de decisões em diferentes contextos, através da lógica matemática.

Embora os jogos de tabuleiros, dados, cartas, entre outros divirtam uma grande quantidade de pessoas desde a formação das primeiras civilizações - dado que colocam as pessoas em situações nas quais vencer ou perder depende das escolhas feitas no início das partidas, até 1920, não havia muito interesse científico em relação à teoria de jogos, dificultando a existência de análises técnicas adequadas para estudar as estratégias envolvidas. 

O interesse pelo jogo em si despertou a partir do surgimento da teoria da probabilidade. Os estudos sobre essa teoria tiveram início com o matemático, físico e filósofo  francês Blase Pascal (1623 - 1662), juntamente com o matemático francês Pierre Fermat (1601 – 1665) que, utilizando regras e propriedades matemáticas desenvolveram a teoria da probabilidade em jogos de azar.

Em seguida, outro matemático francês, Antoine Augustin Cournot (1801 – 1877) com um estudo da análise do ponto de equilíbrio nas estratégias de jogos, formalizou um conceito especifico de equilíbrio, ou seja, aplicados em casos particulares, que mais tarde foi generalizado pelo famoso John Forbes Nash Jr.

Figura 2.
Fonte media.escola.britannica.com.br.
Mas o marco inicial da teoria dos jogos foi quando John Von Neumann (1903 - 1957) - figura 2, matemático húngaro-americano, provou um teorema muito importante, denominado de Teorema Minimax. De acordo com esse teorema há sempre uma solução racional para um conflito bem definido entre dois indivíduos cujos interesses são completamente opostos. Esse teorema foi deixado aberto pelo matemático francês Émile Borel (1871-1956).

A solução foi publicada no artigo intitulado Zur Theorie der Gesellschaftsspiele (Sobre a Teoria dos Jogos de Estratégia, 1928). Vale ressaltar que nesse mesmo período, um economista alemão - Oskar Morgenstern (1902 - 1977), estava tentando publicar o seu livro chamado Implicações Quantitativas do Comportamento do Máximo, no qual discute qual deveria ser a unidade de análise econômica: o individualismo ou a interação social. Nessa obra, Morgenstern chegou à conclusão de que como os indivíduos interagem, a sua racionalidade é relativa e, assim sendo, se a racionalidade do individuo não é plena, então a sua maximização também não será. Assim, a obra de Morgenstern expõe que o máximo depende de modo direto da interação entre os indivíduos e de modo indireto do meio no qual os indivíduos interagem. 

Figura 3. Fonte: princeton.edu.
Nesse contexto, esses dois autores, Morgenstern e Von Neumann, juntaram os seus trabalhos e publicaram, em 1944, a famosa obra: The Theory of Games and Economics Behavior (Teoria dos Jogos e Comportamento Econômico, 1944 - figura 3), que além de desenvolver uma teoria de jogos para vários participantes, afirma que o comportamento da economia depende, principalmente, da interação entre os indivíduos, uma vez que ele afeta diretamente a formação de estratégias e as tomadas de decisão dos produtores e dos consumidores.

Assim, com o objetivo de descobrir a melhor maneira de se jogar, onde os participantes dependiam de suas habilidades e de sorte em alguns casos (jogos de azar), iniciou-se a aplicação das primeiras ideias sobre a teoria de jogos com um caráter mais científico, a qual ganha maior volume e passa a ser vista como uma ferramenta matemática aplicada.

Mas, a história não acaba por aí. O matemático Émile Borel , em contraposição à ideia de Von Neumann de procurar a melhor jogada, publica a obra Aplicações para Jogos da Sorte, na qual discute a determinação de uma estratégia mista. Na verdade, Borel havia desistido de procurar uma fórmula perfeita para jogos pois, segundo ele, as jogadas perfeitas são extremamente difíceis de serem descobertas em jogos reais e, mesmo se encontrada, as pessoas deixariam de jogar.

Em 1950, John Forbes Nash Junior, matemático estadunidense formado pela Universidade de Princeton com a tese Non-Cooperative Games (Jogos Não-Cooperativos, publicada em 1951) provou a existência de ao menos um ponto de equilíbrio em jogos de estratégias para múltiplos jogadores. Entretanto, para que ocorra esse equilíbrio é fundamental que os jogadores se comportem racionalmente e não se comuniquem antes do jogo para evitar acordos. No início, o equilíbrio de Nash foi utilizado para jogos de informação completa, mas, com trabalhos posteriores de outros matemáticos, o mesmo passou a ser aplicado também, em jogos de informação incompleta.

A maior contribuição de Nash e de seus colegas foi mostrar que a teoria dos jogos de informação completa pode ser estendida para cobrir certas situações importantes nas quais a informação é incompleta. Com isso, surgiram novas técnicas de solução de jogos e que passaram a serem aplicadas em diferentes áreas de pesquisa, como na economia, na biologia e nas ciências políticas.

Nash não criou a teoria dos jogos, mas modificou-a, pois Neumann utilizava suas teses para trabalho unitário e Nash fez seu trabalho ser válido em grupo, modificando a economia mundial. Atualmente, muitas pessoas utilizam seus estudos e nem sabem que ele ainda é vivo, ministra aulas e é ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1994, por não haver prêmio Nobel em Matemática.

Entre 1949 e 1953, além deste trabalho, Nash escreveu mais artigos ligados à teoria dos jogos no chamado programa de Nash para solução de jogos estratégicos: The Bargaining Problem (O Problema da Barganha, 1949); Equilibrium Points in N-Person Games (Pontos de Equilíbrio em Jogos de N-Pessoas, 1950) e Two-Person Cooperative Games (Jogos Cooperativos de Duas Pessoas, 1953). Além disso, escreveu artigos de matemática pura sobre variedades algébricas em 1951 e de arquitetura de computadores, em 1954.

Figura 4. Fonte: didaxis.org.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ALMEIDA, Alecsandra Neri de. Teoria dos Jogos: As origens e os fundamentos da Teoria dos Jogos. Disponível em: <http://www.slinestorsantos.seed.pr.gov.br/redeescola/escolas/11/2590/17/arquivos/File/as_origens_e_os_fundamentos_da_teoria_dos_jogos.pdf>. Acesso em out. 2013


SARTINI, Brígida A., et al. Uma introdução à Teoria de Jogos. Disponível em: <http://www.mat.puc-rio.br/~hjbortol/bienal/M45.pdf>. Acesso em nov. 2013. 

Etologia: o estudo do comportamento animal!

Por Rafael Vitorino de Oliveira

Os primeiros biólogos comportamentais surgiram na metade do século XX e desenvolveram a etologia, estudo cientifico do comportamento animal, em especial no ambiente natural. O termo comportamento animal é usado para designar coletivamente a forma como este reage ao ambiente que o cerca e às condições dentro de seu corpo. O ambiente inclui plantas e outros animais, como, também, os elementos sem vida (luz e som). O conhecimento do comportamento animal se origina principalmente das observações das atividades de espécimes em experimentos controlados em laboratório e do comportamento observado no seu habitat natural como, por exemplo, na selva. 

Todos os tipos de comportamento, simples ou complexos, são resultado da resposta do animal a um estímulo - uma mudança em algum aspecto do ambiente ou que ocorre dentro do corpo do individuo. O comportamento de um animal é limitado por sua estrutura física, especialmente o nível de desenvolvimento de seu sistema nervoso e dos órgãos dos sentidos. Cada espécie bem sucedida desenvolveu, com o tempo, as características físicas e o comportamento apropriado para permitir que ela sobrevivesse e se reproduzisse.

PADRÕES FIXOS DE AÇÃO


Vamos falar sobre um comportamento diretamente ligado a um estímulo simples que podemos definir como sendo um padrão fixo de ação. O disparador deste ato é uma dica externa, conhecida como sinal-estimulo.

Um exemplo clássico de sinal-estimulo e padrão fixo de ação é quando observamos os machos dos peixes esgana-gata (Gasterosteus aculeatus - figura 1). 

Figura 1- Peixe Gasterosteus aculeatus. Fonte: wikimedia.

Os machos que têm a barriga vermelha atacam outros machos que se aproximam  de sua área de nidificação, ou seja, próximo ao seu “ninho”. Esses peixes apresentam comportamento agressivo com qualquer objeto que apresenta a coloração vermelha na parte inferior, com isso pode ser observar que a coloração vermelha inferior em um objeto dispara o comportamento de ataque da espécie acima citada.

Esgana-gatas machos não atacam outros machos sem coloração vermelha, as fêmeas nunca têm barriga vermelha.

MOVIMENTO ORIENTADO


As dicas ambientais não apenas desencadeiam alguns comportamentos simples, mas também produzem os estímulos que os animais utilizam para mudar ou orientar movimentos simples e complexos em uma determinada ação.

CINESE

Mudança na atividade ou na taxa de mudanças em respostas a um estímulo.

Figura 02- “Tatuzinho”. Fonte: wikimedia.
Exemplo: Tatuzinhos exibem cinese em resposta a variação de umidade. Esses crustáceos terrestres tornam-se mais ativos em locais secos e menos ativos em locais úmidos. Quando se depara com uma área seca, o deslocamento aumenta na tentativa de localizar um local úmido, onde sua sobrevivência é facilitada. Assim que chega a um local com uma taxa maior de umidade esse deslocamento acelerado é “desligado”, mantendo-o assim em um local úmido.

TATISMO

Figura 03- Peixe truta, exemplo de peixe
que nada contra a corrente.
Movimento orientado em direção a algum estímulo, podendo ser positivo ou negativo: se o animal vai em direção ao estimulo dizemos que é positivo, se ocorre o contrário, ou seja o animal vai no sentido oposto ao estimulo chamamos de tatismo negativo.

Exemplo: Muitos peixes de rios nadam ou se orientam contra a corrente. Esse tatismo protege o peixe de ser levado pela corrente e o mantém de frente para a direção de onde vêm o alimento.



REFERÊNCIAS

http://ciencia.hsw.uol.com.br/animais2.htm

CAMPBELL, Neil A., REECE, Jane B. Biologia. 8 edição- Porto Alegre: Artemed 2010

Rafael Vitorino de Oliveira é Biólogo do Parque da Ciência.

terça-feira, 18 de março de 2014

Uma viagem pelos caminhos históricos do Paraná!

Por Rafael Briones Matheus

Figura 1 - Mural em homenagem aos Tropeiros, Lapa - PR - Fonte: http://laeti.photoshelter.com/image/I0000Yzv5oU9XkFA).
Imagine que você está fazendo uma viagem para qualquer cidade ou região do estado do Paraná. Agora, pense estar percorrendo o trajeto a pé ou montado no lombo de uma mula, atravessando um conjunto de morros cobertos por uma floresta úmida cercada de rios, ou se preferir, em planaltos capeados por uma vegetação de campos. Imaginou? ,

Situações como esta foram vividas pelos índios e por exploradores europeus, que se deslocavam em condições muito piores do que provavelmente você tenha imaginado. A história dos caminhos existentes em território paranaense está basicamente ligada a fatores econômicos pois, já no início do século XVI, desbravadores portugueses e espanhóis procuravam metais preciosos nestas terras. Mas, devemos lembrar que antes da chegada dos conquistadores ibéricos ao Brasil, povos indígenas já estavam estabelecidos no que hoje conhecemos como Paraná. 

Figura 2 - Caminho do Peabiru, Fonte: altamontanha.com).
Tais comunidades tradicionais possuíam uma rede de caminhos locais e até rotas que atravessavam grandes áreas, com é o caso do Caminho do Peabiru (figura 2), cruzando toda a América do Sul, da costa atlântica à do pacifico e datando em cerca de mil anos antes da chegada dos europeus ao continente americano. Segundo BALHANA (1969, pág. 45) o caminho do Peabiru era um sistema de caminhos indígenas, percorrido por portugueses e espanhóis em ambos os sentidos, sendo o principal caminho transcontinental da época. Para LANGE (2008, pág. 79) em 1541, Álvar Núñez Cabeza de Vaca, nomeado pelo rei da Espanha governador da província do Rio da Prata, afim de assumir o cargo em Assunção se utilizou do caminho guiado por índios.

Apesar da ocupação portuguesa ter ocorrido primeiramente na Baía de Paranaguá, algumas atividades de interesse econômico só eram possíveis de serem realizadas nos Campos de Curitiba. Aventureiros à procura de ouro e bandeirantes à procura de índios se deslocavam do litoral para o planalto e vice-versa, possibilitando a abertura de diversos caminhos. Para LANGNER (2008, pág 86), já nas primeiras décadas do século XVII teria sido aberto o Caminho do Itupava (figura 3), ligação entre Porto de Cima (Morretes) e os Campos de Curitiba, tal itinerário recebe um calçamento em 1830. Assim como o Itupava, o Caminho da Graciosa também surgiu primeiramente como trilha em posteriormente, é transformado em caminho.

Figura 3 - Caminho do Itupava - Fonte: http://www.imontanha.com 
A trilha da Graciosa surgiu entre 1646 e 1654 também ligando o litoral e Curitiba e, de acordo com LANGNER (2008, pág 86), era uma alternativa, já que possuía menos acidentes geográficos que o caminho do Itupava. Para CIGOLINI (2004), "através deste caminho, os tropeiros transportavam mercadorias exportadas pelo porto de Antonina. Em 1873, este caminho foi adaptado ao trânsito de veículos, tornando-se a principal estrada de ligação entre o planalto e o litoral". 
Figura 4 - Caminho da Graciosa - Fonte: http://www.turismoquatrobarras.com.br


















Outra rota importante foi o Caminho do Arraial (figura 5), que datado de 1640 outra alternativa de conexão entre o planalto e o litoral, posteriormente conhecido como "Caminho dos Paus"  por ser utilizado para transportar toras de pinheiros durante meados do século XVIII e o trecho final deste caminho é conhecido como estrada da Anhaia, em homenagem à uma antiga moradora da região. 

Figura 5 - Caminho do Arraial - Fonte: http://ceusnei.blogspot.com.br.
Merece destaque também, o Caminho dos Ambrósios (figura 6), aberto em 1838 aproximadamente, interligando a Baía de Babitonga no litoral catarinense aos Campos de Curitiba. É importante lembrar que na ligação entre litoral e os Campos de Curitiba, existe uma barreira natural denominada Serra do Mar, caracterizada pela presença de morros formados pelos imponentes granitos e cobertos por uma densa vegetação, drenada por inúmeros rios. Todas essas características dificultavam a caminhada, ao ponto de tornar estas incursões extremamente extenuantes aos aventureiros.

 Figura 06 - Caminho dos Ambrósios - Fonte: http://ceusnei.blogspot.com.br.
E, por fim, o Caminho dos Tropeiros, também conhecido como Caminho de Viamão (figura 7) , utilizado entre os séculos XVII e XIX para conduzir o gado produzido em terras gaúchas até a feira de Sorocaba em São Paulo. Este trajeto saía de Viamão no Rio Grande do Sul, atravessava terras catarinenses e paranaenses até Sorocaba, interior do estado de São Paulo. Em vários pontos deste caminho, os tropeiros paravam para pouso e também para o gado pastar e, nestes locais, surgiram povoados e cidades, como é o caso dos municípios paranaenses de Castro, Lapa, Ponta Grossa, Piraí do Sul e Jaguariaíva.

Figura 7 - Caminho de Viamão - Fonte: http://sergiopiquetopolis.blogspot.com.br.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

LANGE, Francisco Lothar Paulo. Caminhos na Formação do Brasil - 1° Edição, Curitiba, 2008.

BALHANA, Altiva Pilatti. MACHADO, Brasil Pinheiro. WESTPHALEN, Cecília Mari. História do Paraná - 1° edição, Curitiba,1969.

CARDOSO, Jayme Antonio. WESTPHALEN, Cecília Maria. Atlas Histórico do Paraná - 2° Edição, Curitiba, Editora Livraria do Chain,1986.

CIGOLINI, Adilar. MELLO, Laércio de. LOPES, Nelci. Paraná, Quadro Natural, Transformações Territoriais e Economia - 3° Edição, Curitiba, Editora Saraiva, 2004.

SIMÃO, Ceusnei. Caminhos Coloniais. Disponível em: http://ceusnei.blogspot.com.br/search/label/Caminhos%20Coloniais.


Rafael Briones Matheus é Geógrafo do Parque da Ciência.