terça-feira, 31 de maio de 2016

O que faz da República um regime “Moderno”?

Detalhe da obra de Aleijadinho (1738-1814), Minas Gerais.
Fonte: museus.gov
Em se tratando de política, o mote que insere o Brasil no cenário modernista na metade do século XIX e no decorrer do século XX foi a Monarquia Constitucional e, mais tarde a República, no sentido de construir uma nacionalidade. Nesse intermédio ebule no Brasil uma veia Barroca no que diz respeito à trama de ambiguidades, movimentos, flutuações, simulações e aproximações transitórias no âmbito político e social no Brasil.

Especificamente no campo político, o Brasil sofria um embate com ideais liberais desencadeados principalmente pela revolução de 1789, onde pensamentos como os de Rosseau, cujo pressuposto maior era o de igualdade fundamental entre os homens - ou seja, a liberdade é o atributo essencial próprio do ser humano - são alicerces da instituição de um novo regime político.

Coexistiam no país diferentes pensamentos e interesses políticos, e em menor medida - em se tratando de organização e “representação” - as frentes sociais. As congruências e incongruências de uma elite imperial e outra oligárquica, um proletariado, os escravos e ex-escravos e o povo em geral; que eram assistidos pela estrutura monárquica enleada pelos ideais abolicionistas, militares (positivistas), republicanos; escravistas e liberais que borbulhavam no período em questão.

Estes eram os componentes formadores da política brasileira. Eles eram permeáveis, mutáveis e dicotômicos entre si, uma vez que partidários liberais e conservadores de um mesmo “nicho” aglutinam-se em campos opostos. Coexistiam, pois, republicanos abolicionistas, republicanos escravistas, republicanos escravistas ligados às ideais liberais, republicanos radicais e conservadores, entre outras vertentes minoritárias.

Já no início do processo de mudança política de um regime ao outro, nota-se a tenuidade com que ela foi forjada, como nos mostra o Manifesto republicano de 1871 escrito por Paulo Bonavides e Roberto Amaral que, embora repudiasse a politica centralizadora em detrimento do progresso do país, dos ideais liberais e de obtenção dos meios de direito, não levantou nem aventou a questão (de fato espinhosa) da abolição, ou seja da liberdade dos escravos. Em defesa da liberdade não se lê sobre a liberdade dos escravos:

“A liberdade de consciência nulificada por uma Igreja privilegiada; a liberdade econômica suprimida por uma legislação restritiva; a liberdade de imprensa subordinada à jurisdição de funcionários do governo; a liberdade de associação dependente do beneplácito do poder; a liberdade do ensino suprimida pela inspeção arbitrária do governo e pelo monopólio oficial; a liberdade individual sujeita à prisão preventiva, ao recrutamento, à disciplina da guarda nacional, privada da própria garantia do habeas-corpus pela limitação estabelecida, tais são praticamente as condições reais do atual sistema de governo” (Manifesto do Partido Republicano apud PESSOA, 1973, p. 47).

Decorre que a questão liberal e modernista concorre com o tema da escravidão instalada no Brasil. Não se conciliava a construção de uma nacionalidade brasileira sem o prejuízo de reformas que dessem conta da compatibilidade entre os então donos de escravos, os escravos e seus meios de direito. Daí o motivo dos republicanos se firmarem com mais consistência sobre o Abolicionismo no Brasil se postando ao final do Regime Monárquico contra o escravismo.

Um ponto significativo que se deu no intermédio do regime monarca para o republicano foi a aproximação e interpelação da estrutura monárquica na base doutrinária dos republicanos e o consequente afastamento desses com a classe de que eram a princípio representantes – o povo. Causa do caráter muito pouco popular e portanto democrático do regime “moderno”.


Por Eloana Santos Chaves


REFERÊNCIAS:


BONAVIDES, Paulo; Amaral, Roberto. Textos políticos da História do Brasil- volume III – Império Segundo Reinado (1840-1889) 3° ed. Brasília: Senado Federal, 2002.

FERNANDES, Maria Fernanda L. Os Republicanos e a Abolição. Rev. Sociol. Políti., Curitiba, 27, p.181-195, nov. 2006.

PESSOA, R. C. 1973. A idéia republicana através dos documentos. São Paulo : Alfa-Ômega.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Fita de Möebius

Em 1858 o matemático alemão Augustus Ferdinand Möbius estudou uma superfície com uma propriedade muito interessante. Para entender essa superfície você pode fazer duas construções semelhantes a essas.

Figura 01: Fita de Möbius e fita cilíndrica. Fonte: pizadas.com
Para construir as duas fitas são necessárias duas tiras de papel com 2 cm de largura e 20 cm de comprimento. Na primeira, junte as extremidades porém, antes de colar, é necessário fazer um giro de 180º em uma das pontas. Na segunda apenas cole sem fazer o giro. Agora você tem uma fita de Möbius e uma fita cilíndrica.

A fita cilíndrica possui duas superfícies, uma no interior e outra no exterior. Você pode verificar isso pintando cada uma delas de uma cor diferente. A segunda carrega a propriedade curiosa que Möbius estudou, ela tem apenas uma superfície, isso mesmo, não existe dentro ou fora nesta fita, a isso chamamos de superfície não orientável. Para comprovar esta propriedade, basta colocar uma caneta num determinado ponto e construir uma linha sem tirar a caneta da fita. É fácil perceber que a linha desenhada pela caneta irá cobrir toda a área da fita voltando no mesmo lugar. Esta área e igual às áreas interna e externa da fita cilíndrica. É muito comum ao se explicar a propriedade da fita imaginar uma formiga caminhando nela. Ao caminhar pela fita de Möbius a formiga irá cobrir toda a área sem a necessidade de passar pelas bordas, enquanto que se a formiga caminhar pela fita cilíndrica ela cobrirá apenas a metade da superfície, ou seja, para cobrir os dois lados ela terá que passar pela borda da fita.

Figura 2: A formiga percorre por toda a área da fita. Fonte: Blog: Mara educare

Além de contribuir nos estudos de topologia, a fita de Möbius é aplicada em vários instrumentos que utilizam fitas e correias em instrumentos mecânicos. Como não existe orientação nela a duração deste equipamento será o dobro de uma fita cilíndrica. As fitas cilíndricas possuem uma orientação então, se utilizadas para os mesmos fins, terão apenas um lado gasto pelo equipamento.

Um fato curioso, apesar da fita levar o nome de Möbius, ele não foi o primeiro a estuda-la. Alguns meses antes o arquiteto e matemático Johann Benedict Listing (1808-1882) já havia estudado a fita.

Figura 3: Augustus Ferdinand Möbius (1790 – 1868). Fonte: Wikimedia

Por Wellington Schühli de Carvalho


REFERÊNCIAS


Stewart, Ian. Será que Deus Joga Dados?. 2ª Edição, Rio de Janeiro, Editora Zahar, 2011.

domingo, 29 de maio de 2016

J1407b e seu colossal sistema de anéis

Você deve ter visto aqui o texto sobre Phoebe, o anel gigante ‘invisível’ do planeta Saturno, que definitivamente o consagra como o “Senhor dos Anéis” do Sistema Solar. 


Além de Saturno, os outros gigantes gasosos – Júpiter, Urano e Netuno – possuem anéis. Aliás, em 2008, cogitou-se a possibilidade de Reia, a segunda maior lua de Saturno, também possuir anéis e, em 2014, uma equipe de astrônomos brasileiros (em conjunto com equipes de outros países da América do Sul e Europa) anunciaram a descoberta de um asteroide com um sistema de anéis.

Contudo, apesar de ostentar seu título – e seus anéis – aqui no nosso sistema, Saturno perde feio para J1407b, planeta de um sistema vizinho.

Esse nome estranho, J1407b, indica que o planeta orbita a estrela J1407, uma jovem anã laranja que fica localizada na região da constelação do Centauro. Dados de 2007 do projeto SuperWASP mostravam uma variação incomum no brilho dessa estrela. 

Novas análises dos dados em 2012 feitas por astrônomos da Universidade de Rochester (EUA) e do Observatório da Universidade de Leiden (Holanda do Sul), e um modelamento matemático indicam que esses “eclipses” que foram observados poderiam ser causados por um sistema de anéis em torno de um planeta gigante gasoso. Os resultados foram publicados na revista The Astrophysical Journal em janeiro do ano passado.

A Figura 1 e o vídeo abaixo ilustram a relação entre o gráfico da variação no brilho da estrela e a representação dos anéis de J1407b:

Figura 1 – Gráfico da variação da intensidade do brilho da estrela J1407 e a representação do sistema de anéis de J1407b. Fonte: Astronomia On-line. Centro Ciência Viva de Algarve.



O sistema de anéis de J1407b tem um diâmetro de quase 120 milhões de quilômetros, equivalente a mais de duzentas vezes o tamanho dos anéis de Saturno e contém aproximadamente o equivalente a massa da Terra inteira em partículas de poeira e rochas! Se seus mais de 30 espessos anéis fossem colocados em Saturno poderíamos vê-los facilmente no céu perto do início da noite ou do início da manhã, seriam maiores até que a Lua cheia!

Figura 2 – Representação artística de como os anéis [se colocados ao redor de Saturno] seriam vistos a partir do Observatório de Leiden. Observe a Lua no canto direito da foto. Fonte: Astronomia On-line. Centro Ciência Viva de Algarve.

Essa descoberta lança luz às teorias da formação do Sistema Solar e da formação dos anéis e satélites naturais dos planetas. Segundo Eric Mamajek, da Universidade de Rochester, há muito os cientistas esperavam por ver algo assim, corroborando para a hipótese de que Saturno e Júpiter tiveram, em seu estágio inicial um sistema de anéis bem diferente de hoje, que foram dando origem a seus inúmeros satélites naturais.

Figura 3 – Representação artística dos anéis de J1407b eclipsando a estrela J1407. Fonte: Astronomia On-line. Centro Ciência Viva de Algarve.
Por Alan Henrique Abreu Dias


REFERÊNCIAS


Astronomia On-line. Centro Ciência Viva de Algarve. Disponível em: <http://www.ccvalg.pt/astronomia/noticias/2015/01/27_j1407b.htm>. Acesso em: abril de 2016.

KENWORTHY, M. A. MAMAJEK, E. E. Modeling giant extrasolar ring systems in eclipse and the case of J1407b: sculpting by exomoons?. Arquivo on-line da Biblioteca da Universidade Cornell. Disponível em: <http://arxiv.org/abs/1501.05652>. Acesso em: abril de 2016.

Universidade de Rochester (NY – EUA). Disponível em: <http://www.rochester.edu/newscenter/gigantic-ring-system-around-j1407b/>. Acesso em: abril de 2016.

sábado, 28 de maio de 2016

Direito e educação ambiental pressupostos para conscientizar, ordenar, incentivar e mitigar impactos causados pelo lixo em conglomerados urbanos e rurais - Parte II

Figura 1: Aterro sanitário Aurá. Fonte: Blog Adrielson Furtado.

Antigamente a produção de lixo quase não apresentava problema, uma vez que, grande parte de sua composição química era de produtos orgânicos os quais se biodegradavam facilmente. Hoje, além do aumento de volume de produtos descartáveis suas composições químicas apresentam produtos perigosos, altamente impactantes ao meio natural entre esses, metais pesados, radioativos, poli-persistentes, plásticos, entre outros. Vale registrar, que nem todo o lixo gerado é coletado, observe-se o que eles impactam bueiros, terrenos baldios, fundos de vale,entorno de rios, lagos, represas e estações de captação de água para consumo humano.

Tome-se como referencia a cidade de Curitiba, conhecida como capital ecológica por focar-se na proteção ambiental. A capital dos paranaenses e sua Região Metropolitana geram aproximadamente dois milhões e quatrocentos mil quilos de lixo ao dia. Apresenta razoável gestão de seus resíduos, pois dos 25 Municípios que a integram, 15 são consorciados para a disposição temporária de seus resíduos no aterro sanitário denominado aterro da Caximba. Esse aterro dispõe somente de 1ano de vida útil e até o momento não existem alternativas locacionais para futura disposição residual dos 15 Municípios, tampouco dispõem de plano de redução ou contingenciamento. Nos 10 Municípios restantes, paira a desordem na cadeia residual, proliferam lixões a céu aberto em considerável aumento do passivo ambiental (áreas degradadas, emissão de gases de efeito estufa e produção de chorume), e com isso possibilitando possível contaminação de futuros mananciais de abastecimento público e forte contribuição para as mudanças climáticas. Desde 2003, existe um quadro emergencial para o aterro da Caximba em Curitiba, caracterizado pela formalização de um Termo de Ajuste de Conduta – (TAC) junto ao Ministério Público[2], fato, que por si só, demonstra os riscos socioambientais vivenciados pela população.

Assim, torna-se imperiosa a implantação de alternativas de gestão e processamento com forte respaldo numa tecnologia jurídica que possa contemplar um ordenamento legal da cadeia residual, na racionalidade operacional, redutibilidade da carga tributária para os recicláveis, inclusão social de catadores. Com isso, poder-se-á obter diminuição dos volumes lixo gerado, bem como, dos gases de efeito estufa –GEE, fatores essenciais à obtenção de reflexos positivos.Vale argüir: a cidade referência brasileira, conhecida como capital ecológica está a apresentar problemas com seu gerenciamento residual, como estarão as demais grandes, pequenas e médias cidades do país?

Por esse, e outros motivos relativos à gestão do lixo, elege-se o tema de pesquisa para a elaboração de estudos que contemplem ferramentas legais norteadoras à instrumentalização e operação dos Resíduos Sólidos Urbanos – RSU’s, ordenando, de fato, toda a cadeia residual mediante a adoção das fases de pré e pós-consumo, bem como, criando duas leis, uma ordenatória da cadeia residual desde o fato gerador do lixo até a sua disposição final, passando pela coleta, transporte público e privado, pela inclusão social dos catadores, logística reversa, processamento e compostagem a outra criando incentivos e benefícios a todos os que labutarem no segmento do lixo urbano.

Para que se obtenham efetivos ganhos sociais, ambientais econômicos e jurídicos é preciso contar com a participação comunitária e com o fornecimento de informações necessárias à estrutura para a gestão normatizada. É preciso que a lei contemple, além da inclusão social de agentes ecológicos, a redução ou a extinção de áreas degradadas criando mecanismos incentivadores facilitadores a ocorrência para  novos projetos de processamento, inclusive os que se caracterizarem como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL e conseqüente obtenção de Royalties Ecológicos.

Os macro-problemas, oriundos dos conglomerados urbanos sejam de abastecimento de água, esgoto, gás, energia elétrica, entre eles os de geração, coleta, transporte, processamento e disposição do lixo urbano existentes na sociedade humana, merecem estudos e aprofundamentos, pois as cidades conurbadas, principalmenteas integrantes das Regiões Metropolitanas brasileiras, poderão num futuro próximo abrigar passivos ambientais irreversíveis e insanáveis.

A segunda Conferência das Nações Unidas sobre os Assentamentos Humanos (Habitat II)[3], tratou dos temas da habitação adequada para todos e desenvolvimento sustentável em processo de urbanização. O desenvolvimento social, e a proteção ao meio ambiente, respeitando todos os direitos humanos e as liberdades fundamentais, necessárias ao oferecimento de meios para a construção de um mundo mais estável, mais limpo e pacífico com uma visão ética espiritual (ORGANIZAÇÃO ...,  1996).

As exuberantes e bucólicas as áreas rurais existentes no entorno das chamadas  Regiões Metropolitanas ao serem impactadas obrigam-se a conviver com processo continuado de degradação do meio natural, com grave onerosidade para a qualidade de vida local, sofrendo, portanto uma revolução urbana, Lefebvre, (1983).

Notas:

[2] Matéria do jornal A Gazeta do Povo: Caximba pára de receber lixo da RMC nesta terça-feira. Aniela Almeida – Curitiba 11/05/2004;

[3] O Habitat II realizou-se em Istambul, na Turquia, entre 03 e 14 de junho de 1996. Movimento também chamado de Agenda Habitat. Tratou do fortalecimento do papel do poder local para enfrentar os problemas urbanos como a degradação ambiental, assentamentos humanos, a exclusão social, o desemprego, a favelização, tornando-se um paradigma no processo de globalização para a promoção do desenvolvimento sustentável nas cidades. 

Por João Marcos Alberton e Antonio Villaca Torres


REFERÊNCIAS

DE OLIVEIRA, Selene - Gerenciamento e Caracterização Física dos Resíduos Sólidos Urbanos de Botucatu/SP. Tese (Mestrado - Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista. 1997. 127 p.

HELLER, L. & MÖLLER, L. M. Saneamento e Saúde Pública. In: Manual de Saneamento e Proteção Ambiental para os Municípios. v.2. Belo Horizonte: Escola de Engenharia da UFMG, 1995. p. 51 – 61.

DALY, Herman E. – Sustentabilidade em um mundo lotado – Scientific American Brasil – Edição n° 41 – outubro de 2005. Disponível em: www2.uol.com.br/sciam/conteudo/materia/materia_imprimir_81.html – acesso: 14/02/2006.

IBGE 2000 (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 2000, Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios 1999. Microdados. Disponível  http://www.ibge.gov.br/caovida/indicadoresminimos/ tabela3.shtm, acesso 11/05/2005.

INSTITUTO POLIS, Consórcio de Tratamento de Resíduos Sólidos - Jornal Desenvolvimento Urbano, Idéias para Ação Municipal - DU n° 166 - 2000 São Paulo - SP.

MCidades (Ministério das Cidades). Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental – Programa de Modernização do Setor de Saneamento – PMSS,Edital n° 17/BRA/99/03 e PNUD – Projeto 
BRA/99/030 - Brasília – DF. 2005

MEIRELLES, Hely Lopes, Direito Administrativo Brasileiro - ed. Revista dos Tribunais, 7ª. ed São Paulo.,1979

MONTEIRO, José Henrique Penido ... [et al.]; - Manual de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos – Coordenação Técnica Victor Zular Zveibil – Rio de Janeiro; IBAM, 2001

ROCCA, [et al.] Resíduos Sólidos Industriais. 2 ed. SP. Cetesb, 1993. 234 p.

SEROA DA MOTTA, R - CLERMONT, L - Aspectos Econômicos de gestão integrada de resíduos. Rio de Janeiro, maio de 1996, IPEA/DIPES, texto para discussão 416.

TORRES, A. V.; OLIVEIRA, M.; SILVA, M.; Ordenamento Legal da Cadeia dos Resíduos Sólidos Urbanos – V Congresso Ibero-Americano - A Contribuição da Educação Ambiental para a Sustentabilidade Planetária Anais do Congresso pg 23 – Resumo expandido, indicação para apresentação oral, apresentação de pôster, Joinville – Brasil – 2006

TORRES, A. V., Meio Ambiente e Progresso: Resíduos Sólidos Urbanos, Soluções Ambientais. Métodos de processamento de resíduos, MDL e Ordenamento da Cadeia – IV Conferência Municipal do Meio Ambiente de São José dos Pinhais – PR Coordenador de Grupo junto para sugerir medidas sobre gestão de resíduos ao Município. Câmara Municipal – São José dos Pinhais - 2005.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

E antes de Sócrates? II Anaximandro

Figura 1: Anaximandro no quadro Escola de Atenas,
pintado por Rafael.
Continuando nossa exposição sobre os filósofos anteriores a Sócrates - os Pré-Socráticos, volvemos agora nossa atenção a um famoso discípulo de Tales: Anaximandro, 610 a.C. – 547 a.C. Anaximandro partilhava da ideia de seu mestre, de que um elemento teria originado tudo entretanto, este elemento não seria a água como para Tales. Para o tenaz discípulo, deveria ser outro, uma substância não conhecida.

A-peiron. Assim denominava Anaximandro a matéria que deu origem ao Universo. Universo, aliás, que era eterno e infinito em sua concepção. E, se o produto era eterno e infinito, a origem deveria ser eterna e infinita. Assim, Anaximandro afirmava que o a-peiron deveria conter tais características, portanto deveria ser eterno e infinito em quantidade. 

O citado acima apenas exemplifica como seria absurdo, diante da concepção de Universo de Anaximandro, imaginar o a-peiron de outra forma que não ilimitado e eterno. Entretanto, a grande característica do a-peiron - e este foi o grande salto da filosofia de Anaximandro – era não possuir nenhuma característica determinada, até por isso tal matéria originária também foi chamada pelo filósofo de “o indeterminado”. Segundo o pensador grego, o originário de tudo deve estar acima do vir-a-ser, logo todo vir-a-ser não pode estar no a-peiron. Assim, Anaximandro contempla a eternidade e abraça o ilimitado não por serem características do Universo, mas por serem a ausência de determinação.

Ainda, segundo Aristóteles:

“Pois tudo ou é princípio ou procede de um princípio, mas do ilimitado não há princípio: se houvesse, seria seu limite. E ainda: sendo princípio, deve também ser não–engendrado e o indestrutível, porque o que foi gerado necessariamente tem fim e há término para toda destruição. Por isso, assim dizemos não tem princípio, mas parece ser princípio das demais coisas e a todas envolver e a todas governar, como afirmam os que não postulam outras causas além do ilimitado, como seria Espírito ou Amizade. E é isto que é o divino, pois é imortal e imperecível, como dizem Anaximandro e a maior parte dos físicos”.

Tudo tem origem no a-peiron. Certo, mas como explicar as transformações que seus olhos observavam? Como explicar a eternidade num mundo que surge e se desfaz? Surge e se desfaz, e surge e se desfaz, e surge... Ciclos! Essa era a resposta! Anaximandro conclui, portanto, que tudo teria surgido do a-peiron e também tudo se extinguiria no a-peiron eternamente. O a-peiron seria o início e fim de tudo através de ciclos. Desta forma, uma eterna quantidade de mundos veio antes do nosso e se dissolveram no infinito, bem como será com o nosso e com os que hão de surgir depois do nosso num contínuo eterno no Universo. 

Entretanto, qual seria a força que modifica o existente e o extingue? O próprio a-peiron. Desta forma, o a-peiron não seria apenas a matéria primordial e fim do Universo, mas também, o propulsor das transformações do existente, ou seja, o a-peiron é o inicio, o meio e o fim deste ciclo eterno.


Por Daniel Messias Linck


REFERÊNCIAS


REALE, G.; ANTISERI, D. História da Filosofia. São Paulo: Ed. Paulus, 1990.

ADOVANI, Umberto e CASTAGNOLA, Luís, História da Filosofia, Edições Melhoramentos, São Paulo, 10.ª edição, 1974.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

A origem magmática da formação Serra Geral na bacia do Paraná

Fotografia 1. Encosta formada por camadas de derrame basáltico e a Pedra Furada, Morro da Igreja no Parque Nacional de São Joaquim, Santa Catarina. Foto do autor.

A Bacia do Paraná é uma extensa faixa continental regida pelas águas do Rio Paraná até a sua foz na Bacia do Prata, cobrindo uma grande porção do sul, sudeste e um pedaço do centro-oeste brasileiro, além do nordeste argentino, leste paraguaio e de quase todo o Uruguai. A Bacia do Paraná é o palco em que se desencadearam os eventos magmáticos que vieram a resultar na Formação Serra Geral, composta por planaltos, serras, afloramentos, degraus e escarpas de natureza basáltica, constatados, por exemplo, desde as feições verticais do Parque Nacional do Iguaçu (PR) até as escarpas do Parque Nacional dos Aparados da Serra (RS).

Figura 1: Mapa geológico da Bacia do Paraná com destaque para Formação Serra Geral em azul claro.
E como se deu o evento magmático, conhecido como derrame basáltico, que veio a consolidar as paisagens rochosas e os solos vermelhos e ferrosos da Bacia do Paraná? A origem dessas atividades de extrusão de magma está intimamente associada com a cisão do supercontinente Gondwana, eclodida pela divergência das placas tectônicas da América do Sul e da África a cerca de 135 milhões de anos atrás, segundo a teoria da Deriva Continental. Tal evento irrompeu uma série de rachaduras, fissuras e fendas, e não apenas vulcões, por onde se desencadeou uma intensa expulsão de lava em direção à superfície continental que durou aproximadamente 20 milhões de anos — trata-se do segundo maior derrame basáltico da história do planeta! Essas manifestações ígneas ficaram registradas, principalmente, nos basaltos, rochas oriundas da rápida consolidação de magma extrusivo que atualmente compõem os afloramentos rochosos da Bacia do Paraná, denominados Formação Serra Geral. 

A Formação Serra Geral, portanto, tem uma gênese absolutamente magmática. Sua extensão, ao longo da Bacia do Paraná, desde a Argentina e o Uruguai até as bordas do Mato Grosso do Sul e de Minas Gerais, é de cerca de 900.000 a 1.200.000 km², os dados variam dependendo do autor e de seus critérios. A morfologia e as paisagens da Formação Serra Geral são marcantes no relevo, destacando-se os planaltos, o sistema de serras, escarpas, desfiladeiros, cânions e espigões. Vale lembrar que essas paisagens, apesar de conservarem uma gênese ígnea, foram, ao longo de milhões de anos após o derrame basáltico que as originou, intensamente transformadas por reações erosivas e deposições sedimentares. Os registros mais famosos e belos dessa história magmática da Bacia do Paraná podem ser visitados em áreas de proteção, como nos Parques Nacionais dos Aparados da Serra (RS), de São Joaquim (SC) e do Iguaçu (PR), onde os afloramentos de basaltos são expressivos e formosos.

Por Anderson Rodrigo Pereira Da Graça


REFERÊNCIAS


FRANK, H. T.; GOMES, M. E. B.; FORMOSO, M. L. L. Review of the areal extent and the volume of the Serra Geral Formation, Paraná Basin, South America. 2009. Disponível em: http://www.ufrgs.br/igeo/pesquisas/Sitenovo/3601/05-3601.pdf. Acesso em: 05 abr. 2016.

PETRI, S.; FÚLFARO, J. V. Geologia do Brasil (Fanerozoico). São Paulo. Editora da Universidade de São Paulo, 1983.

CORDANI, U. G.; VANDOROS, P. Basaltic rocks of the Paraná Basin. Problems on Brazilian Gondwana Geology. Ed. Bigarella, 1967

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Um mago na ciência?

O Italiano Giambattista Della Porta(1535-1615) nascido em Nápoles, astrônomo, filosofo, criptólogo e mago, pertenceu a uma família nobre, fato que facilitou sua dedicação ao estudo da natureza. Tendo demonstrado desde cedo talento para investigação cientifica, tem-se relatos que as informações que viriam a ser apresentadas em sua obra teriam sido escritas desde seus 15 anos de idade.

Giambattista Della Porta se considerava um mago natural, tendo por função desvendar os segredos da natureza independentemente de contratempos como tempo e dinheiro. Como pode-se perceber quando se fala em mago ou em magia natural, para Della Porta não se trata da magia como costumamos conhecer, não se refere a magia do sobrenatural tão condenada em sua época, mas sim, um tipo de ciência. A Magia Natural para Della Porta é como descreve Saito:

“Se tratava da mais alta expressão das ciências e afigurava-se como conhecimento perfeito. Tal conhecimento, entretanto, dependia da observação e da inspeção de todo o curso da natureza, pois o mago acreditava que perscrutando-a e imitando-a em todos os seus aspectos, era possível conseguir um poder que lhe permitiria desfrutar de suas forças e usufruir de sua imensa riqueza. ”

Magia Naturalis foi sua obra de maior destaque, sendo a que causou mais polêmica pelo caráter supostamente mágico. A primeira versão fora escrita em 1558, e é nesta obra obviamente que a magia natural é exposta. Ainda nos primeiros capítulos, Della Porta se dedica a descrever os princípios que um mago da magia natural deveria seguir e as habilidades que deveriam ter. 


Figura 01. Legenda: obra Magia Naturallis. Fonte: en.wikipedia.org.

Esta tratava da busca por revelar os vários segredos da natureza, de forma que seria possível encontrar relatos de várias áreas como, por exemplo, cosmética, alquimia, óptica entre outras. Não se tratando apenas de uma lista de curiosidades, Della Porta divide, em sua obra, as ciências em “Naturais e Matemáticas”, porém uma de suas características principais é que era voltada para explicação de fenômenos até o momento não explicados, considerados extraordinários ou sobrenaturais.

A cada versão publicada, o número de livros aumentava, mas a versão de 4 livros foi a que teve grande repercussão, pois fez com que Della Porta fosse chamado duas vezes para depor nos tribunais da Inquisição para então obter a liberação para a publicação. 

Sua obra, que já era acompanhada de perto pela Inquisição por ter um suposto caráter mágico condenado pela igreja, tinha um relato sobre como funcionava um unguento utilizado pelas bruxas para levantar voo. Porém, a explicação dele não tinha nada de sobrenatural, sugeriu que, na verdade, o unguento era responsável por causar alucinações nas supostas bruxas que imaginavam voar mas, mesmo assim quase teve sua carreira interrompida.

Conseguindo escapar das acusações de pessoas lhe atribuindo poderes sobrenaturais, continuou a escrever sobre os fenômenos da natureza. Uma de suas principais contribuições foi para o campo da óptica, que recebia sua atenção especial, sendo considerado contribuinte na explicação do funcionamento do Telescópio.

Por Letícia Patricio Christopholi


REFERÊNCIAS


SAITO, Fumikazu. O telescópio na magia natural de Giambattista dela Porta. EDUC/Livraria da Física Editorial: FAPESP, 2011.

SAITO, Fumikazu. A distinção entre magia natural e magia demoníaca na Magia Naturallis de Della Porta. Disponível em: https://fumikazusaito.files.wordpress.com/2011/11/fumikazu-saito-a_ideia_de_experiencia.pdf. Acesso em: 7 de abril de 2016.

Giovanni Baptista della Porta Disponível em: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/GioDPort.html. Acesso em: 7 de abril de 216.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Auguste de Saint-Hilaire e sua passagem pela Comarca de Curitiba – Parte I

Figura 1 – Auguste de Saint-Hilaire.
Fonte: Fineartamerica
O naturalista francês Auguste François Cesar Prouvençal de Saint-Hilaire chegou ao Rio de Janeiro em junho de 1816, acompanhando uma missão diplomática que tinha por objetivo resolver o conflito que opunha Portugal e França pela posse da Guiana. Graças as suas relações pessoais obteve permissão para viajar por várias regiões do Brasil. Durante seis anos, percorreu os atuais Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, além do rio da Prata e a Província de Missiones na Argentina e parte leste do Paraguai, retornando à Europa em 1822. As viagens de Saint-Hilaire resultaram na coleta de cerca de 30 mil exemplares de materiais orgânicos e minerais. 

Os escritos de Saint-Hilaire não possuem importância apenas no que se refere às ciências naturais. Neles, encontramos uma rica gama de informações etnográficas e históricas acerca das províncias onde passou. 




Figura 2 – Trajeto percorrido por Saint-Hilaire entre os anos de 1816 e 1822.Fonte: Herbário Virtual Saint-Hilaire
No ano de 1820, Auguste de Saint-Hilaire visitou a Província de São Paulo, que até o ano de 1853 era composta por parte dos territórios dos atuais estados de São Paulo e Paraná. A Província era formada por duas comarcas, a de São Paulo e a de Curitiba. Nos próximos textos, analisaremos as anotações realizadas por Saint-Hilaire acerca de sua passagem pela Comarca de Curitiba e Paranaguá. O viajante definiu os limites territoriais da Comarca da seguinte forma: 

A Comarca de Curitiba é limitada ao norte pelo Rio Itararé, ao sul pelas províncias de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, a leste pelo oceano e também pela Província de Santa Catarina; a oeste os seus limites não parecem estabelecidos com exatidão, estendendo-se desse lado vastas regiões despovoadas (SAINT-HILAIRE, 1978, p.73).

Durante sua passagem pela Comarca de Curitiba, Saint-Hilaire visitou as três regiões onde a ocupação e as atividades econômicas encontravam-se mais desenvolvidas. Os Campos Gerais, Curitiba e a região litorânea foram alvo dos comentários do naturalista francês em sua obra Viagem a Curitiba e Província de Santa Catarina. 


PARA SABER MAIS


Herbário Virtual Saint-Hilaire - http://hvsh.cria.org.br/


Por Luiza Valeria Canales Becerra


REFERÊNCIAS


LIMA, Maria Emília Amarante Torres. As caminhadas de Auguste de Saint-Hilaire: Pelo Brasil e Paraguai. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem a Curitiba e Província de Santa Catarina. Belo Horizonte: Itatiaia, 1978.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Transformação da Energia Nuclear em Energia Elétrica

A energia nuclear é transformada em energia elétrica através da fissão de um átomo de urânio enriquecido. Vamos entender como ocorre todo esse processo?

Primeiramente vamos lembrar da estrutura de um átomo que contem prótons, elétrons e nêutrons.

Figura 1- Estrutura atômica. Fonte: Site infoenem

O átomo de urânio é um elemento químico radioativo de número atômico 92, ou seja, tem 92 prótons. Na natureza, ele é encontrado em três “formas” -  chamadas de isótopos - mudando apenas o numero de nêutrons existentes em seu núcleo. O mais comum é o urânio-238 (massa atômica 238,07), e no processo de enriquecimento é adicionado o urânio-235, obtendo-se uma mistura dos dois isótopos.

Fissão é a divisão do núcleo do átomo em duas ou mais partes e libera grande quantidade de energia. Nesse processo, a cada colisão são liberados novos nêutrons, que irão colidir com novos núcleos, provocando a fissão sucessiva, denominada reação em cadeia.

Figura 2 - Fissão do átomo de urânio. Fonte: Infoescola

A energia liberada é absorvida pelo material do reator na forma de calor, que é utilizado para vaporizar a água que, por sua vez, faz com que girem as turbinas, conectadas a um gerador por meio de um eixo. É este gerador que transforma a energia mecânica em energia elétrica (VOGT, et. al, 2000).

Depois de certo tempo, o urânio dá origem ao estrôncio-90 e o césio-137, entre outros elementos, que são o produto da fissão. Essas substâncias são conhecidas como “lixo atômico” e algumas são altamente radioativas, sendo armazenados em depósitos, alguns provisórios e outros permanentes. Esses depósitos são impermeáveis para que esse material não contamine o meio ambiente. 

O Brasil tem duas usinas nucleares, localizadas no Rio de Janeiro: Angra 1 e Angra 2 - a terceira está prevista para entrar em operação comercial em dezembro de 2018 (ELETROBRAS). A primeira usina nuclear brasileira entrou em operação comercial em 1985, e gera energia suficiente para suprir o equivalente a aproximadamente 10% do estado do Rio de Janeiro. Angra 2, a segunda usina nuclear brasileira, começou a operar comercialmente em 2001 e é capaz de atender ao consumo equivalente a 20% do estado do Rio de Janeiro.

O Brasil ocupa o 7° lugar no ranking, com 278,7 mil toneladas em reservas de urânio conhecidas. As jazidas, onde se encontram o urânio, estão localizadas principalmente na Bahia, Ceará, Paraná e Minas Gerais. A principal delas, em Caetité, Bahia, possui 100 mil toneladas (LEIAJA, 2014).

Figura 3: Mineração de Urânio. Fonte: SILVA, 2012

A energia nuclear apresenta vários aspectos positivos, principalmente em países que não dispõem de outros recursos naturais para obtenção de energia. É considerada uma “energia limpa”, pois não lança poluentes na atmosfera, não depende de condições climáticas e não ocupa grandes áreas. Mas como todas as formas de energia, a nuclear também apresenta algumas desvantagens: não existe tratamento eficiente para o “lixo radioativo”, grande risco de acidentes, como o vazamento do material radioativo e a produção de bombas atômicas, o que leva muitas pessoas serem contra essa modalidade de transformação de energia em eletricidade.


PARA SABER MAIS

Atlas de Energia Elétrica do Brasil. Disponível em: <http://www2.aneel.gov.br/arquivos/PDF/atlas3ed.pdf

CARDOSO, Eliezer de Moura. Aplicações da Energia Nuclear. Disponível em: <http://www.cnen.gov.br/images/cnen/documentos/educativo/aplicacoes-da-energia-nuclear.pdf>


Por Fernanda Carolina Colere Fröhlich


REFERÊNCIAS

ELETROBRAS. Angra 3: energia para o crescimento do país. Disponível em: <http://www.eletronuclear.gov.br/aempresa/centralnuclear/angra3.aspx> Acesso em: 2016

Portal Rio: Acesso em: 2016. Disponível em: http://www.riocapitaldaenergia.rj.gov.br/site/conteudo/Atuacao20Projeto.aspx?C=vyOwWR9kXRo%3D

SILVA, Luiz Felipe. Desafios e aceitação da energia nuclear e da geração termelétrica CBE. Disponível em: <http://pt.slideshare.net/CBE2012/xiv-cbe-mesa-4-luiz-felipe-da-silva-24-outubro-2012> Acesso em: 2016

Site infoenem: Acesso em 2016. Disponível em: https://www.infoenem.com.br/diferenca-entre-numero-atomico-z-e-numero-de-massa-a/

Site Leiajá: Acesso em 2016. Disponível em: http://diadaagua.leiaja.com/agua-como-fonte-de-energia

VOGT, Carlos, et. al. Energia Nuclear: Custos de uma alternativa. Disponível em: <http://www.comciencia.br/reportagens/nuclear/nuclear01.htm> Acesso em: 2016

sábado, 21 de maio de 2016

Autonomia energética em motores a combustão interna

HISTÓRICO DO DESENVOLVIMENTO DOS MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA


Até o final do século XVIII o calor era considerado um fluido chamado de calórico, corpos mais quentes teriam muito calórico e corpos menos quentes a quantidade do fluído seria menor. Se dois corpos com quantidades diferentes de calórico fossem colocados em contato esse fluido iria passar de um para o outro até que houvesse um equilíbrio entre os corpos. Esta ideia do calórico foi um dos motivos de atraso na fabricação de motores a combustão.

Em 1783, uma nova visão do calor foi descrita por LAPLACE e LAVOISIER, que introduziram o conceito de calor específico e, em paralelo, surgia a ideia de que o calor era uma forma de energia. A primeira máquina a vapor foi construída por PAPIM, utilizando dos conhecimentos de BOYLE sobre o comportamento dos gases.

Com o avanço cientifico, novos experimentos foram surgindo e agregando novos conhecimentos culminando com a descrição da primeira e da segunda lei da termodinâmica, fundamentais para o desenvolvimento dos motores de combustão interna.


DESENVOLVIMENTO DOS MOTORES


A ideia do desenvolvimento de motores a combustão já existia no século XVII com vários modelos e hipóteses utilizando a combustão da pólvora como combustível. 

  • JAMES WATT, em 1767, construiu um motor a vapor com um sistema de resfriamento na parte dos cilindros, pois, uma característica dos motores em geral é o atrito que eleva a temperatura prejudicando todo o funcionamento e autonomia do motor. Com o sistema de resfriamento esses “efeitos colaterais” foram minimizados.
  • Em 1821 W.CECIL desenvolveu o primeiro motor com um funcionamento eficaz onde o combustível utilizado era o Hidrogênio e Oxigênio. Outros motores foram testados, apresentando uma grande dificuldade para iniciar o funcionamento.
  • NIKOLAUS AUGUST OTTO foi o responsável pelo desenvolvimento dos motores de 4 tempos utilizando centelha elétrica. Otto, em parceria com o engenheiro EUGEN LOGEN, fundaram a N. A. OTTO & CIA, primeira fabrica de motores de combustão interna do mundo.
  • RUDOLF DIESEL foi o criador dos motores que hoje levam seu nome, motores diesel, no ano de 1893.

OS MOTORES ATUAIS E SUAS CARACTERÍSTICAS


De maneira geral, os motores de combustão interna apresentam componentes como biela, pistão, virabrequim, entre outros e funcionam queimando o combustível na parte interna, sendo os mais comuns Etanol, Gasolina, GNV, e Diesel. Os motores mais tradicionais utilizados em veículos de passeio no Brasil utilizam Etanol, Gasolina e GNV como combustível e trabalham com centelha elétrica para concluir o sistema de queima.

No caso dos motores a Diesel, mais comuns em veículos de carga, a queima do óleo diesel não faz o uso da centelha, uma vez que o combustível é injetado sob pressão ocorrendo sua queima por esse fator.

Na figura abaixo temos as principais partes de um motor de combustão interna de ciclo OTTO. No caso de um motor Diesel os componentes são os mesmos exceto o item ( e ) que se faz ausente nesse motor.

Figura 01: Partes do motor de combustão interna com centelha elétrica. Fonte: http://www.if.ufrgs.br 

Para um entendimento mais objetivo da diferença entre os motores assista o vídeo abaixo.


Os motores - juntamente com os veículos - evoluíram de maneira a aperfeiçoar seu funcionamento, buscando uma maior autonomia. Para isso foi preciso melhorar a qualidade de alguns componentes, o óleo lubrificante utilizado sofreu mudanças para lubrificar com uma maior precisão, diminuindo o atrito e, consequentemente, elevando a vida útil dos componentes do motor e, também, economizando combustível. As peças internas tornaram-se mais leves e mais resistentes. O sistema de arrefecimento também sofreu mudanças. A massa dos veículos foi reduzida, buscando um menor esforço do motor e, com isso, economia de combustível.

Se compararmos um motor 1.6 dos anos 90, com um motor 1.0 atual, temos um motor com a mesma faixa de potência, com um volume interno menor, assim com um consumo menor. Esta é uma nova geração de motores onde o custo x benefício é que determina a aceitação deste no mercado consumidor.

Buscando uma otimização na autonomia de seus veículos, muitos optam por realizar conversões de combustível de maneira errônea onde se tem uma falsa sensação de economia. Os valores dos combustíveis nunca estiveram tão altos e essas modificações passaram a ser comuns, as quais incluem a utilização de GNV em motores a etanol e gasolina visando a economia. Existe também, a conversão de motores a gasolina que são modificados para funcionar com etanol que, quando realizada de maneira correta pode sim ter um resultado positivo mas, quando realizada de maneira incorreta ou incompleta, o resultado será o contrario ao esperado, ocasionando maior gasto de combustível e funcionamento irregular, aumentando consideravelmente a emissão de poluentes atmosféricos. Desta forma, uma conversão inadequada é ineficaz financeiramente e ambientalmente.

Para entender sobre a conversão de combustível assista o vídeo abaixo:



PARA SABER MAIS



Por Rafael Vitorino de Oliveira


REFERÊNCIAS


VARELLA, C. A. A. HISTÓRICO E DESENVOLVIMENTO DOS MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA. Disponível em: http://www.ufrrj.br/institutos/it/deng/varella/Downloads/IT154_motores_e_tratores/Aulas/historico_e_desenvolvimento_dos_motores.pdf acesso em: Abril de 2016.

GARCIA, A. G. P. IMPACTO DA LEI DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA PARA MOTORES ELÉTRICOS NO POTENCIAL DE CONSERVAÇÃO DE ENERGIA NA INDÚSTRIA. Disponível em: http://ppe.ufrj.br/ppe/production/tesis/agpgarcia.pdf acesso em: Abril de 2016.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Contagem populacional no Brasil

Você sabe quantos habitantes existem no Brasil? E na sua região? E no seu estado ou na sua cidade? Será que alguém conta o número de pessoas que moram em cada parte do território brasileiro?

A contagem da população no Brasil é feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, criado em 1938 e atualmente vinculado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Porém, já no período imperial, viu-se a necessidade de um melhor conhecimento do território brasileiro e de sua população. Assim, no ano de 1871 foi criada a Diretoria Geral de Estatística – DGE, que realizou as primeiras contagens populacionais (recenseamentos) do Brasil, em 1872, 1890, 1900 e 1920.

Atualmente, o Censo Demográfico (pesquisa realizada para contagem da população e para levantamento de dados que servirão de base para outras pesquisas) ocorre de 10 em 10 anos. Também há a pesquisa denominada Contagem da População, feita no período entre os censos demográficos. Estas pesquisas têm como propósito investigar o perfil demográfico da população, o qual será utilizado pelos governos para a criação de políticas públicas e organização do território brasileiro. 

As informações dos censos “permitem acompanhar o crescimento, a distribuição geográfica e a evolução de características da população ao longo do tempo” (IBGE, 2016). Assim, algumas ações governamentais, como o gasto de verbas públicas, o número de deputados federais, estaduais e vereadores serão norteadas conforme dados levantados pelo IBGE. Apesar da maior parte dos dados serem utilizados com políticas públicas, a principal função dos projetos realizados pelo IBGE é a disseminação de informações à população.

Existem várias outras pesquisas realizadas pelo IBGE que, além de serem utilizadas para o planejamento de políticas públicas, também fazem parte do nosso cotidiano, mesmo sendo muitas vezes despercebidas por nós. É o caso de alguns índices econômicos, como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Este índice é gerado através de informações coletadas pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e serve como referência para as alterações nas taxas de juros, que geram o índice oficial de inflação no Brasil.

Durante o censo demográfico, a investigação é feita em todos os domicílios do território nacional. Algumas outras pesquisas são feitas por amostragem, investigando famílias pré-selecionadas.

O ultimo censo demográfico aconteceu em 2010 quando foram visitados, segundo sítio oficial do IBGE, 67,6 milhões de domicílios em todos os municípios brasileiros. O resultado da contagem populacional para este censo foi divulgado em novembro de 2010 e mostrou que a população brasileira era composta por 190.732.694 habitantes. Em 2015, com a realização da Contagem da População, este valor aumentou, passando para 204.450.649 habitantes.

Figura 2: Projeções populacionais do Brasil para os anos de 2020, 2030, 2040, 2050 e 2060. Fonte: Folha.UOL (adaptado).

Para saber mais sobre os resultados do Censo 2010 e sobre as pesquisas do IBGE, você pode acessar o Atlas do Censo Demográfico 2010, no link a seguir: http://censo2010.ibge.gov.br/apps/atlas/

Também é possível obter informações sobre o seu estado e sua cidade através das paginas IBGE Estados - http://www.ibge.gov.br/estadosat/; e IBGE Cidades - http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/home.php.

Por Aline Veiga


REFERÊNCIAS

Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Conhecendo o IBGE. Rio de Janeiro: IBGE, 2016. Disponível em: <http://netstorage.fgv.br/ibge/conhecendo_o_ibge-retificado(02_2016)-6aretificacao.pdf> Acesso em: Abril/2016.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Sítio oficial da instituição. Disponível em: < http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/default.shtm > Acesso em: Abril/2016.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Por que há tantas variedades de lápis para desenhar?

Geralmente escutamos pessoas falando que o lápis 6B é melhor para desenhar. Mas por que há os lápis HB, 9B e até o lápis F para desenhar?

O grafite encontrado nas minas destes lápis (a grafite) é retirado de rochas, espécie de carvão metálico feito de sedimentos de algas pré-históricas e a graduação percebida nos lápis dependerá da quantidade de barro e água na sua mistura.

Esta variedade de lápis tem relação ao que a pessoa está intencionada a desenhar, pois, é como se fosse a ferramenta certa para o trabalho certo. Existem muitas especificações de lápis, cada uma com suas características. Um lápis com sua mina de grafite mais “duro” causará, às vezes, uma marcação no papel, um sulco, que incidirá por vezes no rompimento das fibras deste papel, assim como um lápis com sua mina de grafite mais “macia” poderá manchar o papel dificultando apagar ou clarear algumas áreas se a pessoa não tiver certa habilidade. Por estas razões, com a escolha correta do lápis no suporte (Ex: papel) escolhido o desenhista logrará mais êxito.

Figura 1: Tipos de lápis. Fonte: Amopintar.com

Mas qual o significado das siglas acima?

A família dos lápis “B” (Black ⁄ blackness ⁄ preto), negritude: são os lápis considerados “macios”, ou seja, menos esforço para conseguir uma tonalidade mais escura, possuem mina mais espessa, sendo assim um pouco mais frágil e, a princípio, são destinados a esboços e também graduações de sombreamentos.

Já os lápis da família “H” (hard ⁄ hardness ⁄ duro), dureza: são do tipo com a mina fina e “dura”, indicado para esboços com traços mais leves, usados em linhas de construção, ou desenhos técnicos.

Tem os da família “F” (fine) fina: com pontas mais finas, destinados a rascunhar e escrever.

Também encontramos os “HB” que são os lápis que são a mistura dos “H” e os “B”, indicados para escrever e de tonalidade média.

Figura 2: Escala de dureza/maciez. Fonte Ciabyte.

Com o conhecimento dos tipos de lápis, aliado à prática, suporte adequado e de algumas técnicas, o desenhista conseguirá um melhor resultado, texturas e maior qualidade no trabalho executado. 

Por Huellington Robert Vargas da Silva


REFERÊNCIAS


http://www.ciabyte.com.br/tipos-de-lapis/

http://www.amopintar.com/lapis-para-desenho/

http://ipstudio.com.br/tipos-de-lapis-grafite/

http://www.faber-castell.com.br/54340/Curiosidades/Curiosidades/Como-a-dureza-da-mina-grafite-expressa/fcv2_index.aspx

Vídeo:Matéria da Discovery Channel: Como é possível: como se fabrica lápis.
https://www.youtube.com/watch?v=9LcbLTlKNb4

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Gatos: Um relato na história?

Figura 1: Exemplar de gato. Fonte: Gatomania.
O gato doméstico esta entre os animais mais populares nas residências. Em geral, não possui o mesmo fascínio que os cachorros, visto que em muitos aspectos apresentam um comportamento destoante e são vistos como mais independentes. Isso é uma verdade, porque mesmo o gato presente em nossas casas, ainda é selvagem. Este fascínio ou mesmo descaso - até aversão -  datam de muitos anos. 

Figura 2: Estátua de Bastet depositada no
Museu do Louvre em Paris. Fonte: Egitoantigo.org
Durante o período de 1785 e 1557 a.C., os egípcios veneravam a deusa símbolo do amor e da procriação com corpo de mulher e cabeça de gato; chamada de Bastet. Os gatos eram comparados à deusa pelos egípcios que acreditavam que foi graças à sua atividade como caçador de serpentes que o gato permitiu que o astro solar iluminasse o Universo. Quando a deusa-gato enfrentou Apopis, o dragão serpente, o Sol conseguiu sair da sua escura sepultura. Eles criavam gatos como objetos de culto durante as festividades anuais. Quando morriam, eram cobertos por um lençol e seu corpo tratado com óleo de cedro. A veneração dos gatos pelos egípcios, foi relatada pelo historiador Políbio no século VI a.C. Durante o cerco de Peluse por Cambises II, Rei da Pérsia, o inimigo apoderou-se dos gatos e os colocou na linha de frente da batalha. A rendição foi imediata por parte dos egípcios, pois se recusaram a ter seus animais sagrados como alvos da batalha. 

Já os gregos acreditavam que os gatos tinham relação com as fases da Lua. Eles não sabiam explicar a dilatação e contração das pupilas dos gatos em função da intensidade da luz e supunham que a pupila crescia e diminuía em função das diferentes fases da Lua. 

Na Idade Média, o gato foi visto como cumplice do Diabo. A origem da aversão ao gato preto data 594- 588 a.C. A bula de Gregório IX, Papa entre 1227 e 1241 evoca o demônio com feições de um gato preto. Os médicos da época alertavam aos pacientes que o gato preto era a causa da melancolia do homem. Isso foi um dos motivos que levou um enorme massacre de gatos, juntamente a associação dos gatos com a peste negra. Diziam que o demônio estaria encarnado nos gatos e estes seriam os responsáveis pela moléstia. Nesta época, os gatos eram torturados e queimados em muitas festividades, sem mencionar a sua relação com as práticas de bruxaria. Acreditavam que tinham pacto com as bruxas e que os mesmos eram ingredientes de receitas e poções.

Mas nem tudo é tristeza. Apesar de ser odiado e amaldiçoado, o gato era visto por muitos com bons olhos. Para alguns, era considerado amuleto do amor. No folclore germânico, uma jovem que fosse seguida por um gato até à porta da igreja seria feliz no amor. Outra diz que uma virgem regressando de um baile encontraria o homem da sua vida se cruzasse com um gato mosqueado no caminho. Charles Perrnaut (1628-1703) escritor e poeta francês retrata em um dos seus famosos contos – “O gato de Botas”, o poder que o animal tinha de enriquecer seu dono.

Figura 3: Ilustração de Gustave Boré para o gato de botas. Fonte: Wikimedia.
 
O homem passou a apreciar os gatos como animal doméstico quando os mesmos começaram a eliminar a população de roedores que prejudicavam as colheitas. Eles substituíram as civetas (mamífero carnívoro) e as doninhas por gatos para acabar com as pragas que assolavam os celeiros e plantações de grãos. Os gatos eram comercializados e até valores eram fixados em função de sua idade e da sua qualidade como caçador. Não se sabe ao certo o local e a data onde o gato foi primeiramente domesticado. O que se sabe é que pouco a pouco, o gato começou a tolerar as outras espécies, aproximou-se do homem, gradualmente foi dominando seu medo, instalando-se nas casas para eliminar os ratos e cobras e assim entrou na era da domesticação. 

Este é apenas alguns dos muitos relatos na história do envolvimento do homem com os gatos. Ainda hoje o gato esta rodeado de misticismos e crenças, faz parte de rituais de diversas modalidades, é fonte de dúvidas e incertezas, temidos e/ou adorados. O que se sabe é que quanto mais pesquisamos e conhecemos sobre os gatos mais fascinantes eles se tornam. 

Por Tamara Francislaine Santana


REFERÊNCIAS

Paragon, Bernard-Marie; Vaissaire, Jean- Peirre; Gallitelli, B.; Cortes, P. Enciclopédia do gato. Paris Aniwa publishing, 2003.

http://antigoegito.org/deusabastet/. Acessado dia 11/04/2016 às 9:25.

http://www.zahar.com.br/autor/charles-perrault. Acessado dia 11/02/2016 às 10:17.

http://www.gatosmania.com/historia/gatos-pretos. Acessado dia 11/04/2016 às 10:43.

https://tarjapretarte.wordpress.com/2011/09/01/ilustracoes-do-original-de-gustave-dore-para-os-contos-de-perrault/. Acessado dia 11/04/2016 às 11:17.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Hecatombe nuclear - diante do risco: O Terrível Caso de Hiroshima/Nagasaki

Figura 01 – Sadako Sasaki e os tsurus pela paz.
Fonte: nebula.wsimg.com 
Prosseguindo nossa discussão acerca das formas de energia e seus impactos sobre o ambiente e saúde, vamos tratar hoje a respeito da energia nuclear com uma pequena introdução sobre sua descoberta e, em seguida, discutiremos o delicado assunto do efeito das bombas nucleares sobre o corpo humano. Ao final, sugestões de vídeos (atenção, cenas fortes).

FISSÃO NUCLEAR


A descoberta da fissão nuclear ocorreu em 1938 na Alemanha, mas vários cientistas haviam deixado este país na época, por causa do Partido Nazista, refugiando-se nos Estados Unidos da América.

Com receio que pesquisas sobre fissão nuclear dessem aos nazistas armas letais, cientistas nos EUA – principalmente o húngaro Leo Szilard (1898 – 1964) – conseguem, em outubro de 1939, apoio governamental para desenvolver suas pesquisas em energia nuclear. Até o fim da guerra, cerca de 2 bilhões de dólares foram gastos com o projeto Manhattan Engineering District, além de envolver o trabalho de aproximadamente 130 mil pessoas (sendo 21 premiados com o Nobel). A bomba atômica foi concluída em janeiro de 1945.

OS ALVOS E AS EXPLOSÕES

“Para que nunca mais se repita a hecatombe nuclear repleta de destruição, devastação, terror, dor e tristeza, é preciso rememorar o que aconteceu no Japão há 70 anos!” (EMICO, 2015).
“Não existe argumento mais forte em favor da paz, do que as imagens de Hiroshima devastada” - relatório de analistas militares (NATGEO, s.d.).

A primeira bomba, Little Boy (“Pequeno Garoto”) foi lançada pelo avião bombardeiro norte-americano B-29 Enola Gay (nome da mãe do piloto, coronel Paul Warfield Tibbets Jr.). Este avião foi escoltado por outras três aeronaves, equipadas com instrumentos de medição e fotografia. O avião não causou temor nas pessoas abaixo, acostumadas a grandes grupos de aviões bombardeiros sobrevoando a região; portanto, não fugiram para os abrigos subterrâneos.

Embora a defesa japonesa já estivesse bastante enfraquecida, a bomba de 50 quilos de urânio 235 foi lançada. Explodiu a 580 metros acima de Hiroshima, às 8h17min de 06 de agosto de 1945. Esta cidade foi escolhida por ser a única de importância industrial ainda atuante e sua população era, aproximadamente, de 350 mil pessoas (hoje possui cerca de 1,17 milhão de habitantes), dentre as quais, 85% eram civis. As condições climáticas também ajudaram na escolha da cidade como alvo da bomba.

Figura 02 – Hiroshima após a bomba atômica. Fonte: BBC.

A explosão se deu acima de um hospital, causando uma bola de fogo de cerca de 28 metros de diâmetro e liberando calor de 1.000.000° C, além de ventos de 1.500 km/h no local e onda dupla de choque, provocando a morte de aproximadamente 140.000 civis. O cogumelo atômico se ergueu a 16 quilômetros de altura, se alastrando por cinco quilômetros sobre a cidade.

“Num raio de 1 km, tudo foi instantaneamente vaporizado e reduzido a cinzas; até 4 km do epicentro os prédios e os seres humanos sofreram combustão instantânea e espontânea; num raio de 8 km, as pessoas sofreram queimaduras de 3º grau. (…) Dos 90 mil prédios da cidade, 62 mil foram completamente destruídos” (MOURÃO, 2005).

Três dias depois, o B-29 Bock´s Car lançou a bomba Fat man (“Homem Gordo”) sobre Nagasaki (cuja população era de 263 mil pessoas), levando à morte cerca de 70.000 civis. 

“[...] numa explosão nuclear pouca gente morre de radiação. A grande maioria das vítimas morre pelos efeitos do calor e da força dos ventos sobre as edificações da cidade” (HUKAI, 2013).

CONTAMINAÇÃO


Os sobreviventes ao momento da explosão sofreram com ferimentos devido aos estilhaços de vidro e com a síndrome aguda da radiação (queda de cabelo, manchas na pele, hemorragia, vômito, diarreia, inflamação, febre, leucemia, aterosclerose…). Minutos após a explosão, houve a Kuroi Ame, “chuva negra”, com poeira e fuligem contaminados que, segundo relatos, possuía água muito fria - apesar de estarem em pleno verão -, e contaminou pessoas, terra, rios e lagos da região. Outro fenômeno ocorrido foram as estranhas “sombras atômicas” deixadas pela energia ao atingir pessoas (cujos corpos não deixaram outros vestígios) e objetos. Mais de 90% dos médicos da cidade haviam morrido ou estavam muito feridos, impossibilitados de ajudar as outras vítimas. Dos 45 hospitais da cidade, somente três tinham condições de oferecer alguma ajuda.

Figura 03 – Nagasaki. Fonte: Japão em foco
Dias depois da rendição do Japão, o presidente dos EUA solicitou relatórios sobre os efeitos das bombas, recrutando cientistas, engenheiros e militares para a tarefa, a qual durou dez semanas.

Os sobreviventes da bomba, conhecidos como hibakusha, viveram sob a censura dos EUA e discriminação do restante da população pelo medo dos possíveis efeitos da bomba. De acordo com a Cruz Vermelha, mais de dez mil pessoas foram atendidas em 2015 ainda com sequelas da radiação e estão vivos 200 mil hibakusha, 106 deles atualmente no Brasil.

“Como qualquer ser humano, no início o que sentiam era ódio e vontade de vingança. Não mudaram de opinião facilmente. Mas com o tempo concluíram que continuar com ódio não faz sentido, que a paz é algo que cabe a cada ser humano, e querem dar seu testemunho para que nunca mais se repita um ataque nuclear”, narrou Yasuyoshi Komizo, da Fundação para a Cultura da Paz de Hiroshima (KIY, 2015).

OUTROS ATAQUES AO JAPÃO


Mas o Japão vinha tendo enormes baixas já há vários meses. O General americano Curtis Emerson LeMay (1906-1990) comandou ataques sobre 16 cidades japonesas, incluindo Tóquio. Como resultado, mais de 100.000 mortos na noite entre 09 e 10 de março de 1945.

Este General teria afirmado, após a guerra: "Acredito que se nós tivéssemos perdido a guerra eu teria sido enforcado como criminoso de guerra. Felizmente, estou do lado dos vencedores” (MOURÃO, 2005).

Figura 04 – Hiroshima hoje. Fonte: Japão em foco.

Brevemente, discutiremos os efeitos da energia nuclear sobre saúde e ambiente, nos eventos de Tchernobil, Fukushima e Goiânia.


PARA SABER MAIS

Animação da BBC, com entrevista a sobrevivente - https://www.youtube.com/watch?v=9iogzOuKmpQ


Hiroshima Depois da Bomba (cenas fortes) - https://www.youtube.com/watch?v=0eVahk6yW78

Os mangás/animes (quadrinhos/animações japonesas) Hadashi no Gen e Hotaru no Haka retratam a Segunda Guerra e citam as bombas lançadas no Japão. Hadashi no Gen, por exemplo, é a história do próprio autor, sobrevivente da bomba (Hibakusha).


Por Anelissa Carinne dos Santos Silva


REFERÊNCIAS


EMICO, O. As Bombas Atômicas Podem Dizimar a Humanidade – Hiroshima e Nagasaki, há 70 anos. Estud. av., vol.29, no.84, São Paulo, May/Aug. 2015. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142015000200209>. Acessado em Mar 2016.

EXAME. Cruz Vermelha Ainda Trata Vítimas da Bomba de Hiroshima. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/cruz-vermelha-ainda-trata-vitimas-da-bomba-de-hiroshima>. Acessado em Mar 2016.

HUKAI, R. Y. Lições do Japão Sobre Energia Nuclear. Estud. av. Vol. 27, no. 78. São Paulo, 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142013000200017&lang=pt>. Acessado em Mar 2016.

LIY, M V. Sobrevivente de Hiroshima: “Um exército de fantasmas veio até mim”. Disponível em: <http://brasil.elpais.com/brasil/2015/08/05/internacional/1438781224_790907.html>. Acessado em Mar 2016.

MOURÃO, R. R. F. Hiroshima e Nagazaki: razões para experimentar a nova arma. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-31662005000400011&lng=pt&nrm=iso>. Acessado em Mar 2016.

NATIONAL GEOGRAPHIC. Hiroshima Depois da Bomba. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=0eVahk6yW78>. Acessado em Mar 2016.

NIPPOBRASIL. 68 anos da bomba atômica no Japão. Disponível em: <http://www.nippo.com.br/4.hiroshima/index.shtml>. Acessado em Mar 2016.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Dinossauros - Senhores do Mesozóico: Pampadromaeus

Figura 01 – Pampadromaeus barberenai Fonte: Ciência Hoje.
O Pampadromaeus barberenai foi nomeado em referência ao local onde foi encontrado, os Pampas Gaúchos sendo então, o “Corredor dos Pampas”. O nome barberenai é uma homenagem a um dos mais importantes pesquisadores de vertebrados do Rio Grande do Sul, Dr. Mário Barberena.

Sua descoberta data de 2004 porém, os resultados finais foram apresentados apenas em novembro de 2011, após a identificação pelos pesquisadores Max Langer, Jonathas Bittencourt e colaboradores. Esta nova espécie foi encontrada em rochas sedimentares do Período Triássico, em uma formação denominada Santa Maria, localizada em um pequeno açude na região próxima ao município de Agudos, na região central do Rio Grande do Sul. Este espécime foi coletado pelo Dr. Sergio Furtado Cabreira da Universidade Luterana do Brasil – ULBRA.

Provavelmente este não será o último achado na região de Agudos, pois a cidade de colonização alemã e que tem sua economia voltada para a agricultura, tem se mostrado um dos maiores centros fossilíferos do Brasil, e um dos mais importantes do mundo, visto o grande número de pequenos afloramentos fossilíferos do triássico (200 a 250 m.a.a.). Mas, além de Agudos, os municípios de Faxinal do Soturno, Dona Francisca e São João do Polêsine formam um quadrilátero de terrenos fossilíferos que estão dentro da “Rota Paleontológica”.

A primeira exposição do exemplar se deu no ano de 2006 pelo Museu de Ciências Naturais da universidade gaúcha, quando ainda estava incrustado em um bloco de arenito de aproximadamente 220 quilogramas. Em dezembro de 2006 a espécie foi tombada como patrimônio do Museu da ULBRA, e, desta forma, o estudo sobre o fóssil pôde ser divulgado em uma revista científica - na revista alemã “Naturwissenchaften”.

Figura 02 – Rocha contendo maior parte do esqueleto do Pampadromaeus barberenai Fonte: Ciência Hoje. Foto: Sergio Cabreira et al/ Naturwissenschaften 
Esta espécie é pequena e leve - com apenas 50 cm de altura, aproximadamente 1,2 m de comprimento e com uma massa que girava em torno de 15 Kg. Porém, apesar de pequeno e leve, ele foi considerado uma das maiores descobertas da paleontologia brasileira e talvez mundial devido ao estado de conservação de seu esqueleto. Foram achados membros (muito completos), vértebras e praticamente todo o crânio do animal, o que fez o Dr. Sergio Furtado Cabreira vibrar: “Parece que este animal morreu há poucos meses”.

O Pampadromaeus, segundo os pesquisadores, talvez possa participar de uma classe de animais que, hipoteticamente, seriam ancestrais comuns de todos os dinossauros. Pesquisas apontam que ele representa um membro antigo dos sauropodomorfos, os famosos pescoçudos, ou seja, hebívoros de cabeça pequena, pescoço longo, corpo em forma de barril e longa cauda - como o Amazonssauro, que viveu no Brasil. Porém, características apontam para uma forma de locomoção mais próxima de terápodes mais modernos como o Tiranossauro, um carnívoro muito conhecido do público em geral.

A análise dentária deste animal sugere que ele possa ter se alimentado tanto de carne como de vegetais, sendo então um onívoro, como outro dinossauro, o Gallimimus bullatos. E como todos os outros dinossauros (ou seus descendentes), o Pampadromaeus barberenai viveu na Era Mesozóica, mas em um período chamado de Triássico Superior, há cerca de 230 milhões de anos atrás.


PARA SABER MAIS:

Smithsoniam. Pampadromaeus: Brazil’s Triassic Plains Runner. Disponível em: http://www.smithsonianmag.com/science-nature/pampadromaeus-brazils-triassic-plains-runner-312826/?no-ist

PET Geologia UFOP. Fóssil de dinossauro gaúcho com 228 milhões de anos é encontrado. Disponível em: http://petgeologiaufop.blog.com/page/60/

Por Marcelo Domingos Leal


REFERÊNCIAS

Ciência Hoje. Dinossauro Primitivo dos Pampas. Acesso em: 2016. Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/cacadores-de-fosseis/dinossauro-primitivo-nos-pampas

Planeta Universitário.com Pampadromaeus barberenai – A descoberta de um novo dinossauro foi apresentada na ULBRA. Acesso em 2016. Disponível em: http://www.planetauniversitario.com/index.php/ciencia-e-tecnologia-mainmenu-75/25079-pampadromaeus-barberenai-a-descoberta-de-um-novo-dinossauro-foi-apresentada-na-ulbra

Laboratório de Paleontologia USP – Ribeirão Preto. Pampadromaeus barberenai. Acesso em: 2016. 
Disponível em: http://sites.ffclrp.usp.br/paleo/fosseis.htm

PET Geologia UFOP. Fóssil de dinossauro gaúcho com 228 milhões de anos é encontrado. Acesso em: 2016. Disponível em: http://petgeologiaufop.blog.com/page/60/

Smithsoniam. Pampadromaeus: Brazil’s Triassic Plains Runner. Acesso em 2016. Disponível em: http://www.smithsonianmag.com/science-nature/pampadromaeus-brazils-triassic-plains-runner-312826/?no-ist