domingo, 30 de novembro de 2014

DINOSSAUROS: SENHORES DO MESOZÓICO ESPÉCIE DO MÊS: GONDWANATITAN


Por: Marcelo Domingos Leal

Figura 01 – Gondwanatitan faustoi. Fonte: http://th03.deviantart.net/

O Gondwanatitan faustoi tem seu nome derivado do grande continente Gondwana, que daria origem a áreas do planeta hoje conhecidas como América do Sul, África, Austrália e Índia. O epíteto titan, está relacionado ao tamanho do animal, uma menção aos gigantes da mitologia grega, apesar de não ser o maior do gênero, e estar muito longe dos maiores Saurópodes conhecidos. O nome faustoi é uma homenagem ao paleontólogo que o coletou, Fausto L. de Souza Cunha do Museu Nacional do Rio de Janeiro, juntamente com José Soares da Universidade Paulista.

Esta espécie foi descoberta em 1983, em uma fazenda, por um agricultor chamado Myzobuchi Yoshitoshino Mysobuchi, no interior de São Paulo, na cidade de Álvares Machado. Era uma manhã como outra qualquer na fazenda do Sr. Mzobuchi, onde o mesmo estava a lavrar a terra para o plantio de macaxeira, feijão e milho, quando se deparou com uma ossada muito diferente das quais ele já tinha observado antes. Eram ossos de tamanho e formato diferentes, e embora não pudessem supor, tinham realizado a descoberta de um dos maiores dinossauros brasileiros.

Seus fragmentos foram coletados em uma fazenda na cidade de Álvares Machado, no interior do Estado de São Paulo, na bacia sedimentar denominada de Bacia Bauru, provavelmente na formação Adamantina. A ossada deste grande dinossauro está hoje armazenada no Museu Nacional do Rio de Janeiro, ainda em fase de estudos, e apesar de ter sido coletado por completo em meados de 1986, o fóssil só foi descrito cientificamente pelos pesquisadores do Museu Nacional, Alexander Kellner e Sérgio Alex de Azevedo, a partir de sua “redescoberta” no acervo do mesmo em 1996. Os ossos ainda continham sedimentos, e a retirada destes levou em torno de um ano, quando enfim os paleontólogos e a equipe do Museu desconfiaram que estavam prestes a comunicar à comunidade científica internacional a descoberta de um novo dinossauro. Em sigilo, passaram a compará-lo aos fósseis de 15 diferentes herbívoros encontrados na Argentina e também a restos de titanossauros brasileiros. Seus traços anatômicos foram comparados a ossos de dinossauros da Faculdade de Ciências Naturais de Tucumán, do Museu de La Plata e do Museu Argentino de Ciências Naturais, em Buenos Aires. A conclusão foi surpreendente: "Descobrimos que Titã apresenta alguns traços inexistentes em qualquer outro dinossauro herbívoro conhecido, tanto na Argentina, quanto em qualquer outra parte do mundo", conta Kellner. Em escala mundial, o trabalho de descrição da espécie está sendo divulgado pela revista de paleontologia do Museu Nacional de Ciências de Tóquio.

Para a identificação desta nova espécie os paleontólogos contaram com 24 vértebras da cauda, púbis, úmeros, tíbias, ossos das patas traseiras, várias costelas, vértebras do pescoço e outras partes do corpo. "É o mais completo esqueleto de um dinossauro encontrado no Brasil até o momento", anunciou Kellner. Como todos os outros dinossauros, o Gondwanatitan viveu na Era Mesozóica, mas em um período chamado de Cretáceo Inferior, a cerca de 93 milhões de anos atrás.

O Gondwanatitan pertencia a uma classe de dinossauros denominada Saurópodes (os famosos dinossauros pescoçudos), e parentes próximos dos Terápodes. Os Saurópodes possuíam características como pescoço alongado, cabeça pequena, corpo volumoso e cauda longa, além da garra no polegar das patas dianteiras. Era uma espécie de porte pequeno, se comparado com outros Saurópodes, com cerca de 8 m de comprimento, por até 2 m de altura, e uma massa de aproximadamente 10 toneladas. O Titã possuía um caminhar arrastado como os elefantes, ele se deslocava em grandes manadas, trilhando caminhos à beira de lagos, alagados e vales de rios, muito comuns na região central do Brasil pré-histórico.  Apesar de ser um parente próximo dos Terápodes (carnívoros), era um dinossauro essencialmente herbívoro, então seus hábitos alimentares incluíam a ingestão de folhas, principalmente de gimnospermas, as espécies dominantes na época.


PARA SABER MAIS:


ANELLI, L. E. O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil. Ilustrações de Felipe Alves Elias. São Paulo: Peirópolis, 2010.

Museu Nacional UFRJ. Dinos Virtuais – Gondwanatitan faustoi. Disponível em: http://www.latec.ufrj.br/dinosvirtuais/catalogo/gondwanatitan_faustoi.html

REFERÊNCIAS

ANELLI, L. E. O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil. Ilustrações de Felipe Alves Elias. São Paulo: Peirópolis, 2010.

LEAL, M. D. Apostila Procurando os Dinossauros. Pinhais: PNFM, 2007.

Museu Nacional UFRJ. Dinos Virtuais – Exposição de Paleovertebtrados. Gondwanatitan faustoi. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.latec.ufrj.br/dinosvirtuais/catalogo/gondwanatitan_faustoi.html

Fundação Oswaldo Cruz – FioCrus INVIVO. Gondwanatitan – um gigante herbívoro. Acesso em 2014. Disponível em: http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=23&sid=9
Folha de São Paulo.  Dinos: Gondwanatitan viveu no Sudeste brasileiro. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u14224.shtml

Galileu. Titã: Um novo dinossauro é descoberto no Brasil. Acesso em: 2014. Disponível em: http://galileu.globo.com/edic/100/con_dino1.htm

sábado, 29 de novembro de 2014

A Consolação da Filosofia

Luiza Valeria Canales Becerra


 Figura 1 - Boécio e a Filosofia – MattiaPreti, Fonte: britannica.com

A Consolação da Filosofia é o único livro escrito por Manlio Severino Boécio, senador romano que viveu no século VI d. C. Na sua juventude, Boécio dedicara-se a escrever manuais sobre música e matemática inspirado em fontes gregas. Deve-se a ele a tradução das obras de lógica de Aristóteles, o que permitiu aos ocidentais o acesso a estas no início da Idade Média.
Seu único livro foi redigido em 524, quando da sua condenação à morte pelo rei Teodorico, acusado de ter participado numa conspiração anti-ariana. A Consolação é constituída por cinco livros. Neles, alternam-se passagens em prosa e verso, e Boécio dialoga com a Dama Filosofia que lhe surge na prisão.
O que se segue então é um diálogo entre uma alma atormentada pela injustiça da existência mundana com a Filosofia, que procura colocar este sofrimento em um contexto maior onde a aparente injustiça se encaixe em uma ordem que transcende nossa existência e que revela a perfeição da obra divina.
O livro I trata justamente das lamentações de Boécio e o início do diálogo com a Filosofia. Ela mostra que o primeiro passo para a cura é entender e expressar a própria doença,e Boécio o faz. Ela o conforta ensinando que é a incapacidade do homem de conhecer a natureza de si mesmo e das coisas a seu redor que gera sua infelicidade; portanto é papel da filosofia fazê-lo conhecer a ordem em que vivemos e libertar o homem de sua ignorância.
O livro II trata do papel do destino, ou seja, das coisas que nos acontecem, boas ou ruins. Segundo a Filosofia, o sofrimento não vem das coisas em si, mas das nossas falsas expectativas e incapacidade de perceber que a busca da felicidade fora de nós mesmos é um erro. O homem precisa se conhecer e viver para sua integridade se quiser se libertar do domínio do destino. O destino na verdade é um instrumento divino para ajudar o homem no seu caminho de volta para Deus, fazendo-o vencer e superar seu próprio desconhecimento.
No livro III, o tema é o propósito das coisas e especialmente do homem. Retomando um tema caro a Platão e Aristóteles, a Filosofia argumenta que o destino final do homem é a felicidade verdadeira e não o que normalmente se considera como felicidade. Ela cita cinco falsas felicidades: riqueza, posição, poder, fama e prazer. Longe de ser um verdadeiro bem, são falsas realizações, que afastam o homem da felicidade justamente por se assemelhar a ela, mas devido à sua temporalidade, acabam levando-o apenas ao sofrimento e infelicidade. O fim de todas as coisas é o supremo bem, a combinação de todas as virtudes, ou seja, Deus.
O livro IV trata da infelicidade do homem. A injustiça que observa e experimenta é ilusória e entendida desta forma apenas por sua incapacidade de ver o quadro completo da sua própria existência. Através da sedução dos prazeres efêmeros o homem passa da virtude ao vício em um processo destrutivo que ao invés de libertá-lo o conduz a prisão de sua existência material. Apenas a bondade é capaz de guia-lo no caminho da verdadeira liberdade. A bondade eleva o homem acima do nível da humanidade, enquanto a maldade o rebaixa ao nível dos animais. É pelo conhecimento da própria natureza que o homem se torna efetivamente humano, essa é sua essência. A natureza do homem, portanto, é ser bom. A sua incompreensão da justiça divina é consequência de sua incapacidade de contemplar a ordem divina. Deus não deixa nada sem punição devida, da mesma maneira que o bem sempre será recompensado. 

Acaso existe algum homem que possua uma felicidade tão perfeita que não se queixe de algo? A felicidade terrestre traz sempre consigo preocupações e, além de nunca ser completa, sempre tem um termo.

E finalmente, o livro V trata de uma questão que sempre angustiou o homem, a questão do livre arbítrio. Como se pode conciliar a imagem de um Deus que tudo controla e tudo sabe com a liberdade do homem? Como podemos ser livres se nossas ações são pré-determinadas? A Filosofia argumenta com Boécio que a confusão do homem sobre essa questão deriva dos limites de sua razão, que não consegue atingir a inteligência divina. O processo de conhecimento do homem começa pelos sentidos, passa pela imaginação até chegar ao uso da razão e finalmente na inteligência. As duas primeiras, o homem compartilha com os demais animais, a razão é exclusivamente sua e a inteligência é divina. O processo de passagem da razão para a inteligência é justamente a ascensão do homem em direção a Deus. A ideia do tempo, como sucessão de acontecimentos sobre uma espécie de linha, com passado, presente e futuro, é produto do limite de sua razão e de sua existência finita. Deus, que é infinito, e esta fora da escala do tempo, não está sujeito a esta sucessão, para Ele tudo é um eterno presente por isso experimenta no presente o que o homem já fez, está fazendo e o que fará. 


REFERÊNCIAS:

BOÉCIO. A consolação da filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

HIRSCHBERGER, Johannes. História da filosofia na Idade Média. São Paulo: Herder, 1966.

KENNY, Anthony. História Concisa da Filosofia Ocidental. Lisboa: Temas e Debates, 1999.

caminhadafilosofica.com

consciencia.org


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

GRANDES MATEMÁTICOS: COPÉRNICO

Wellington Schühli De Carvalho


Nicolau Copérnico, padre e matemático polonês do século XVI, é frequentemente considerado o fundador da astronomia moderna, pois foi o primeiro a concluir que os planetas e o sol não se movem ao redor da terra. Ideias e teorias sobre o universo e o planeta Terra já existiam desde Aristóteles (384-322 a.C.), contudo apesar das modificações cientificas da época, como o fato do planeta ser redondo, o modelo era geocêntrico, ou seja, a Terra estava em repouso e os outros corpos celestes orbitavam em torno dela. Esta concepção também foi adotada por Ptolomaneus, egípcio, cinco séculos depois de Aristóteles, com apenas algumas modificações, como o fato dos corpos celestes se moverem em torno da circunferência de seus próprios epiciclos.

Somente em 1514, Copérnico reviveu o modelo heliocêntrico do universo. Este fato se deve aos seus estudos dos movimentos planetários, concluindo que a Terra era apenas outro planeta e que o Sol era o centro do universo. O padre hesitou em divulgar a sua teoria, por medo de provocar a ira de autoridades da Igreja, somente revelando o seu trabalho a poucos astrônomos. Quando o tratado científico “De Revolutionibus” foi publicado o autor já se encontrava em seu leito de morte, em 1534.

Figura 1: Nicolau Copérnico.
Fonte:pt.wikipedia.org
Copérnico nasceu em 1943, na Polônia, em família de mercadores e funcionários municipais que davam grande importância à educação. Por este motivo, sempre recebeu a melhor educação possível para a época. Como de praxe na elite polonesa, após terminar seus estudos na Universidade de Cracóvia, foi para Itália estudar direito e medicina. Durante seus estudos na Universidade de Bolonha, se hospedou na casa de Domenico Maria de Novara, famoso matemático que se tornou mestre de Copérnico. E apesar de passar os anos seguintes estudando medicina, a influência de Novara o fez se apaixonar pela astronomia. 
Depois de formado retornou ao seu país, exercendo medicina tanto para a realeza como para os pobres. Em 1512, com a morte de seu tio, um príncipe bispo que patrocinou seus estudos, assumiu o serviço eclesiástico. Neste momento os seus estudos sobre a astronomia estavam apenas começando. No ano seguinte construiu uma torre de observação, nela com instrumentos astronômicos como quadrantes, paralácticos e astrolábios, observou o sol, a lua e as estrelas. 

Das suas observações escreveu o pequeno Comentário Sobre as Teorias dos Movimentos dos Corpos Celestes a Partir de seu Arranjo, todavia se negou a publicar o manuscrito e só o mostrou discretamente aos seus amigos mais próximos. Este trabalho foi a primeira tentativa de propor uma teoria na qual a terra se move e o sol permanece em repouso. 

Apesar de especulações sobre esta nova visão do universo existirem já no século III a.C. para a igreja a teoria geocêntrica era melhor e esta premissa foi raramente posta em dúvida. Copérnico como membro da igreja, preferiu desenvolver suas ideias reservadamente e somente publicá-las quando acreditou que seus cálculos e observações estivessem próximos a perfeição de sua teoria. 

No geral, seus estudos trouxeram vários fatos novos para a astronomia como a ordem correta dos planetas no sistema solar. Com a utilização de cálculos matemáticos conseguiu explicar os movimentos das estrelas e dos planetas e ainda uma explicação matemática sobre os equinócios pela rotação da Terra ao redor de seu próprio eixo.

Apesar, da inovação de seu trabalho por ser um membro da igreja, adiou sua publicação até o final de sua vida. Infelizmente, em 1534 o padre havia se tornado paralítico do seu lado direito e seu manuscrito caiu na mão do teólogo luterano Andreas Osiander que, para apaziguar os defensores da teoria geocêntrica, fez várias modificações no texto sem a permissão de Copérnico. Por este motivo, suas ideias permaneceram em relativa obscuridade por aproximadamente 100 anos, até que no século dezessete homens como Galileu Galilei, Johanes Kepler e Issac Newton derrubaram a teoria heliocêntrica de Aristóteles e o grande estudioso do céu Copérnico teve o seu reconhecimento. 

REFERÊNCIAS


HAWKING, Stephen. Os Gênios da Ciência. 1ª Edição, Rio de Janeiro, 
Editora:Campus - BB, 2005.

História da Astronomia. Nicolau Copérnico. Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolau_Copérnico
Acesso em 10/10/2014.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

UM PRECURSOR DOS ESTUDOS DO AQUECIMENTO GLOBAL


Por: Edinilson Rotini


Figura 1: Joseph Fourier. Fonte: The Famous People
Foi numa cidade francesa às margens do rio Yonne, chamada Auxerre, que em 1768 nasceu Jean Baptistes Joseph Fourier, que mais tarde se tornaria um cientista renomado pelas suas pesquisas. De família humilde, Fourier ficou órfão de pai e de mãe muito cedo e, por isso, foi educado para ser padre numa escola de monges beneditinos, embora não tenha feito seus votos para o sacerdócio.

Na verdade, desde muito cedo, ele apresentava vocação para a ciência, considerado por muitos como um menino prodígio e, talvez, por isso foi convidado para dar aulas com apenas 16 anos na escola de sua cidade natal.

Após finalizar seus estudos na Escola Normal Superior da França, acabou tornando-se professor da mesma e, mais tarde, lecionou na Escola Politécnica. Suas maiores contribuições acadêmicas foram na Matemática e na Física como, por exemplo, no desenvolvimento de uma teoria para calcular raízes irracionais de equações algébricas e um método de análise para funções periódicas.

Além disso, seu nome é associado à uma série de senos e cossenos que é solução para uma equação diferencial relacionada  com a condução de calor em sólidos.  Essa série na versão contínua, chamada de transformada de Fourier, é uma importante ferramenta matemática na análise de sinais de frequência que é objeto de estudo e trabalho nas áreas da Física, Engenharia Elétrica, Eletrônica e Telecomunicações.

Talvez a maior contribuição de Joseph Fourier tenha sido em relação aos estudos sobre transferência de calor em líquidos e no ar, já antecipando discussões posteriormente associadas ao aquecimento global. Isso se deu a partir da escrita em 1824 e com impressão em 1827 de um longo artigo intitulado “As temperaturas do globo terrestre e dos espaços planetários” que foi publicado pela Academia de Ciências da França. Nessa obra, Fourier tentou explicar de maneira geral o aquecimento terrestre a partir de relações matemáticas.

Mas, não foi só no campo científico que Fourier atuou. Ele participou ativamente no processo da Revolução Francesa, sendo que ele foi preso e quase foi guilhotinado durante o período do Terror, em que mais de 17.000 pessoas perderam literalmente suas cabeças.

Após esse período turbulento, Fourier foi convidado por Napoleão Bonaparte para participar da Legião da Cultura, durante a expedição de Napoleão pelo Egito. Lá, ele atuou como aconselhador científico para auxiliar na instalação de instituições educacionais e nos estudos arqueológicos. Assim, Joseph Fourier tornou-se um especialista em egiptologia, ocupou um cargo de diplomata e foi escolhido para ser o secretário do Instituto do Egito, onde ficou por quatro anos.


Figura 2: Napoleão Bonaparte em expedição pelo Egito. Fonte: Opera Mundi


Após seu retorno à França, Fourier foi nomeado por Napoleão para ser prefeito da cidade de Isère em Grenoble, onde exerceu o cargo por treze anos. Mais tarde, já na cidade de Paris, ele acabou deixando a vida política e dedicou-se exclusivamente à vida acadêmica. Assim, foi eleito membro da Academia de Ciências, tornando-se secretário perpétuo da seção de ciências matemáticas e depois foi também eleito para a Academia Francesa onde atuou por quatro anos até sua morte.

De acordo com relatos, Fourier ficou obcecado com a necessidade de estar sempre muito bem aquecido com o intuito de fortalecer sua saúde. Para isso, ele usava várias camadas de roupas e mantinha seus aposentos super aquecidos. Devido à problemas cardíacos e a um aneurisma, Joseph Fourier morreu, solteiro, aos 63 anos de idade, no dia 16 de maio de 1830. Seu corpo foi sepultado num cemitério de Paris, onde foi construído um monumento com seu busto projetado em um nicho com uma decoração ornamental em estilo egípcio antigo relacionada com o deus Rá.


Figura 3: Túmulo de Joseph Fourier. Fonte: Monuments on Mathematicians

REFERÊNCIAS


Biografia de Joseph Fourier. Disponível em: <http://www.somatematica.com.br/biograf/fourier.php>. Acesso em out. 2014.

OLIVEIRA, Samuel Rocha de. Breve História de Fourier. Disponível em: <http://www.ime.unicamp.br/~samuel/Ensino/ma311/Recursos/FourierBio.pdf>. Acesso em out. 2014.

FERNANDES, Carlos. Jean Baptiste Joseph Fourier. Disponível em: <http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/JeanBaJF.html>. Acesso em out. 2014.

ALENCAR, Marcelo Sampaio de. A Análise de Fourier e o Aquecimento Global. Disponível em: <http://www.difusaocientifica.com.br/artigos/Aquecimento_Global_Fourier.pdf>. Acesso em out. 2014.

ALTMAN, Max. Hoje na História: 1830 – Físico e Matemático, Jean Baptiste Fourier Morre em Paris. Disponível em: <http://operamundi.uol.com.br/conteudo/historia/35274/hoje+na+historia+1830+-+fisico+e+matematico+jean+baptiste+fourier+morre+em+paris.shtml>. Acesso em out. 2014.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

MÚSICA, CANÇÃO E AS DESCOBERTAS DO ESPAÇO

Por: João Marcos Alberton

Figura 1: Musica e Som. Fonte: Ask FM

As linguagens artísticas, verbais e não verbais moldam-se de um modo comum: as vivências do espaço. Nesta experiência fundamental se desenvolvem a consciência, a percepção e a auto-percepção das pessoas, assim como seu senso de identidade. É o caminho primeiro, único e último, de cada um realizar sua capacidade de sentir e pensar, de sentir-se e pensar-se dentro do mundo em se vive.

A descoberta de espaços, externos e internos a expansão destes espaços em experiências de música e canção, é uma grande aventura para a criança e o aluno. É a medida em que a dependência inicial da criança ou aluno se transforma progressivamente em participação ativa, as formas significativas de suas vivências, assim como as formas de linguagens verbal, corporal e sonora. E deste modo, qualquer conteúdo afetivo que queremos expressar e comunicar aos outros são por nós traduzidos intuitivamente em imagens de espaço.

O mundo de nossa sensibilidade é um mundo de diálogos com as formas da matéria, física ou psíquica. A importância da música nos trabalhos escolares permite intermediar as formas simbólicas tornando possível objetivar as vivências subjetivas de cada aluno. Formadas, objetivadas, estas experiências não só podem chegar ao consciente do aluno, como também podem ser comunicadas como no caso das Cantigas de Roda. Pode-se comunicar aos outros “o quê” se está sentindo e pensando, e os outros poderão avaliar a extensão das nossas emoções e de nossos pensamentos. Tais formas tornam-se elementos integrantes de um modo comum psíquico, coletivo, sobretudo neste sentido cabe entender a importância da simbolização: como processo formador, sensibilizador e comunicador.


REFERÊNCIAS

Texto de autoria própria.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Hélio: Até quando?


Por: Alan Eduardo Wolinski


Figura 01. Representação do átomo de Hélio.
 Fonte: explorecuriocity.org

O Elemento químico Hélio, de símbolo He, pertencente à família 8A ou 18da Tabela Periódica, chamada família dos Gases Nobres. É o segundo elemento mais abundante no universo, apenas atrás do hidrogênio. Apresenta número atômico 2, ou seja, tem dois prótons em seu núcleo, entretanto existem 8 Isótopos diferentes, sendo praticamente desprezíveis, pois 99,999% do hélio encontrado é o 4He, mais estável. É um gás monoatômico (nas condições normais de Temperatura e Pressão – CNTP), incolor, inodoro e considerado Inerte (não reage com os outros elementos).





De forma curiosa foi primeiro descoberto no Sol, e depois na terra. Sua evidência de existência foi obtida em 1968, por Pierre Jules C. Janssen, durante um eclipse solar na Índia.Ele detectou uma linha diferente no espectro solar, sendo confirmada posteriormente por Frankland e Lockyer, os quais deram o nome de Hélio, a partir da palavra grega para Sol "hélios". Porém, apenas em 1895, William Ramsay estudando a reação da Clevita (mineral de Urânio) com ácido e os gases liberados desta reação, conseguiu identificar as mesmas raias espectrais encontradas por Janssen,provando a existência do Hélio no planeta Terra.

Produção de He

Embora o Hélio seja o segundo elemento mais abundante, no universo visível, esse elemento compõe apenas 0,0018% da atmosfera terrestre. Sua produção é extremamente limitada e está ligada à extração de gás natural. É encontrado aprisionado em depósitos juntamente com o gás natural, onde há ocorrência de minerais de Urânio, e para sua obtenção, resfria-se a mistura gasosa a -186 °C, onde todos componentes da mistura se liquefazem, exceto o Hélio. Após sua separação, o Hélio sob pressão é resfriado ainda mais até atingir sua forma líquida, fazendo que seja possível armazená-lo em cilindros e comercializá-lo. A maior parte do hélio comercial produzido atualmente provém de minas de gás natural nos Estados Unidos, Qatar, Rússia, China, Argélia e Canadá.

A origem

O Hélio é um recurso natural não renovável, as propriedades apresentadas por este elemento são únicas, não sendo possível substituí-lo. Não há também alternativa sintética para a produção deste gás, assim, todo Hélio encontrado hoje foi produzido ao longo do tempo de vida do planeta através de reações químicas nucleares do átomo de Urânio.
 
Figura 02. Decaimento Radioativo do Urânio-238. Fonte: scienceblogs.com


No decaimento radioativo do Urânio-238 (imagem acima), ocorre a transformação em Tório-234 com emissão de uma Partícula α (alfa), e em seguida, esta partícula captura2 elétrons da vizinhança, se tornando estável (átomo de Hélio).


Figura 03. Balão Meteorológico. Fonte: ctvnews.ca 
Aplicações do Hélio

O Hélio é muito importante nos dias atuais, sendo utilizado para várias finalidades.

Por ser o segundo elemento de menor densidade e assim, mais leve que o Ar, é utilizado para encher balões meteorológicos, dirigíveis e balões com fins recreativos ou publicitários.

Misturado ao oxigênio, é usado para mergulhos a grande profundidade, já que é inerte e menos solúvel no sangue que o nitrogênio e se difunde 2,5 vezes mais rápido, reduz o tempo necessário para a descompressão, e elimina o risco de narcose por nitrogênio (embriaguez de profundidades).




Devido ao seu baixo ponto de liquefação e evaporação, o Hélio é utilizado como gás de refrigeração em reatores nucleares, ou no estudo de supercondutores como para refrigeração dos eletroímãs utilizados em máquinas de ressonância magnética nuclear, onde são necessárias temperaturas extremamente baixas, próximas do zero absoluto. Outras aplicações deste elemento são como gás de arraste em Cromatografia, um método analítico muito utilizado, como atmosfera inerte em alguns processos de soldagem e na pressurização de tanques espaciais usados pela NASA. Contudo este nobre gás se perde para o espaço, uma vez que a gravidade da terra não é suficiente para aprisioná-lo e nossa atmosfera. Isso leva a um futuro sem hélio disponível de fontes naturais, pelo menos não em grandes quantidades para uso comercial. Embora este seja um dos elementos mais abundantes da natureza.

REFERÊNCIAS


PEIXOTO, E. HIDROGÊNIO E HÉLIO. Química Nova na Escola. N° 1, MAIO 1995. Disponível em:http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc01/elemento.pdf.

JORNAL DA QUÍMICA INORGÂNICA.Gases Nobres. Vol. 1 ed. 1. 2013. Disponível em: https://www.ufpe.br/quimicaa/images/pdf/jornal1.pdf.

http://www2.fc.unesp.br/lvq/LVQ_tabela/002_helio.html

http://www.quimlab.com.br/guiadoselementos/helio.htm

http://nautilus.fis.uc.pt/st2.5/scenes-p/elem/e00210.html

http://nautilus.fis.uc.pt/st2.5/scenes-p/biog/b0044.html

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

EBOLA: DE ONDE VEM E COMO TRATAR UMA DOENÇA QUE MATA ATÉ 90% DOS PACIENTES


Marcelo Domingos Leal
OUTUBRO 2014, PINHAIS-PR


Figura 01 – Virion do Vírus Ebola. Fonte: www.news-medical.net

 A HISTÓRIA DO VÍRUS EBOLA

A primeira vez que o vírus Ebola surgiu foi em 1976, em surtos simultâneos em Nzara, no Sudão, e em Yambuku, na República Democrática do Congo, em uma região situada próximo do Rio Ebola, que dá nome à doença. O ebola foi descoberto em 1976 por uma equipe comandada por Guido van Der Groen, chefe do laboratório de Microbiologia do Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia, na Bélgica, que juntamente com seu colega Peter Piot foi o primeiro a identificar o vírus em um missionário que trabalhava no Zaire.

A Primeira evidência de que o vírus Ebola tenha causado um surto, ocorreu em 1976, no Zaire (hoje República Democrática do Congo), onde 318 pessoas foram acometidas por uma doença hemorrágica. Das 318, cerca de 280 pessoas morreram, ou seja, uma taxa de mortalidade acima dos 80%. Um fato muito grave. No mesmo ano no território sudanês, 284 pessoas também foram infectadas com o vírus e 156 morreram. Mais uma vez uma taxa de mortalidade alta, acima de 50%.

Hoje, existem cinco espécies do vírus Ebola, e seus nomes são indicações dos locais de origem destes: Bundibugyo (cidade a oeste de Uganda), Costa do Marfim, Reston (Estado de Vírginia, EUA – o Reston é uma mutação do vírus descoberta nos laboratórios deste estado norte-americano), Sudão e Zaire. Destas cinco cepas, apenas quatro tem mortes confirmadas em seres humanos, e a cepa Reston, o vírus mutante, mesmo que possa infectar humanos, até hoje não causou óbito a nenhum paciente.


 HOSPEDEIROS NATURAIS

Considera-se como hospedeiro, o homem ou outro animal vivo, inclusive aves e artrópodes, que ofereçam, em condições naturais, subsistência ou alojamento a um agente infeccioso. No caso do vírus Ebola, acredita-se que o hospedeiro natural da cepa sejam morcegos frugívoros, como o Hypsignathus monstrosus, Epomops franqueti e o Myonycteris torquata. Mas não apenas morcegos podem ser os hospedeiros naturais do vírus, e estudos vêm considerando plantas, artrópodes, aves, primatas e antílopes como possíveis alojamentos para o Ebola.

Na época de sua descoberta em 1976, por Guido van Der Groen, o vírus foi rastreado até uma fábrica de algodão, que coincidentemente era o habitat de vários espécimes de morcegos frugívoros. Testes em morcegos da região da República Democrática do Congo confirmaram que estes são os portadores naturais do vírus, e a ausência de sinais clínicos das espécies os denuncia como reservatórios naturais. Mas não apenas na África foram encontrados morcegos como hospedeiros. Em Bangladesh morcegos examinados carregavam anticorpos contra o Ebola Zaire e o Reston, identificando-se assim potenciais hospedeiros na Ásia. 

Durante os surtos de 2001 (Gabão e Uganda) e 2003 (Congo) foram detectados vestígios do Ebola nas carcaças de gorilas e chimpanzés, que mais tarde se tornaram a fonte de infecções em seres humanos. Mas este dado não representa que estes animais como os morcegos sejam os hospedeiros, e sim que foram também infectados.

Geralmente, a transmissão entre o reservatório natural e os seres humanos é rara, e em cada surto é possível identificar o caso de origem. No caso de 2001 e 2003 citados acima, carcaças de gorilas, chimpanzés e antílopes (como os duikers) foram a origem do surto. O contágio destes animais pode ter se dado a partir da ingestão de frutas parcialmente ingeridas por morcegos. Ao estarem contaminados com cepas do vírus, estes animais vieram a falecer e humanos podem ter entrado em contato com seus fluidos corporais. Esta cadeia de eventos constitui um possível meio de transmissão indireta entre o hospedeiro natural e as populações animais e humanos, e a investigação tem focado na saliva dos morcegos frugívoros.

Porém o contato inicial com a doença, na década de 70, possa ter sido através dos morcegos frugívoros, que servem de alimento em muitas regiões da África Ocidental, onde são grelhados, cozidos, assados e preparados como sopa.


TRANSMISSÃO

O Ebola pode ser contraído tanto de humanos como de animais (chimpanzés, gorilas, morcegos frugívoros, macacos, antílopes selvagens e porcos-espinhos contaminados encontrados mortos ou doentes), através do contato com sangue, secreções ou outros fluídos corporais. Não há possibilidade de o vírus ser contraído pelo ar, como muitos veiculam em sites e blogs sensacionalistas, a transmissão como descrito acima é apenas através dos fluidos corporais.

Agentes de saúde frequentemente são infectados enquanto tratam pacientes com Ebola. Isso pode ocorrer devido ao contato sem o uso de luvas, máscaras ou óculos de proteção apropriados, caracterizando assim a transmissão por fluidos corporais.

Outra fonte de contaminação são os enterros das vítimas do vírus, onde os familiares ou pessoas que venham a preparar os corpos para os rituais fúnebres, tenham tido contato direto com o corpo. Além disso, a transmissão por meio de sêmen infectado pode ocorrer até sete semanas após a recuperação clínica.


SINTOMAS E TRATAMENTO

Apesar de ser uma doença extremamente grave, e quase sempre fatal, o vírus Ebola pode ser confundido com uma simples gripe ou um resfriado, pois seus sintomas iniciais são febre, dor de cabeça, mal-estar geral, cansaço e dor de garganta. Esta confusão está relacionada ao seu período de incubação, que dura de 2 a 21 dias, conforme o paciente. Depois de passado o tempo de incubação, surgem outros sintomas como:

Náuseas;

Tosse;

Vômito frequente, que pode conter sangue;

Diarréia frequente,que pode conter sangue;

Dor no peito e no estômago;

Insuficiência renal e hepática;

Hemorragia interna, que se manifesta através de sangramentos nos olhos, nariz, gengiva, ouvido e partes íntimas; 

Na fase mais grave da doença podem aparecer manchas e bolhas de sangue na pele, em vários locais do corpo.

Quando existe suspeita de infecção pelo Ebola, o indivíduo deve ser mantido sob observação e a sua temperatura corporal deve ser avaliada, no mínimo, 4 vezes ao dia, durante 21 dias. Se nesse período apresentar febre superior a 38,3º, deve-se realizar testes para confirmar a infecção pelo Ebola.

Não existe um tratamento para o vírus, que pode infectar adultos e crianças sem distinção, o que dificulta e muito o tratamento. Não existe também uma vacina contra a doença, mas já foi testada uma fórmula em macacos, morcegos e porcos-espinhos que mostrou resultados positivos nesses animais.

O único recurso terapêutico contra o Ebola é oferecer medidas de suporte, como reposição de fluidos e eletrólitos, hidratação, controle da pressão arterial e dos níveis de oxigenação do sangue, além do tratamento das complicações infecciosas que possam surgir.


PARA SABER MAIS:

Médicos sem Fronteiras. Ebola. Disponível em: http://www.latec.ufrj.br/dinosvirtuais/catalogo/gondwanatitan_faustoi.html

REFERÊNCIAS

Médicos sem Fronteiras. Ebola. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.latec.ufrj.br/dinosvirtuais/catalogo/gondwanatitan_faustoi.html

DW – Deustche Welle. OMS afirma que vírus ebola já causou mais de 2.400 mortes. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.dw.de/oms-afirma-que-v%C3%ADrus-ebola-j%C3%A1-causou-mais-de-2400-mortes/a-17918872

BBC Brasil. Entenda o que é o Ebola, e como a doença mortal se espalha. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140805_ebola_entenda_lgb.shtml

FURB – Universidade de Blumenau. Hospedeiro. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.inf.furb.br/sias/saude/Textos/hospedeiro.htm

Dr. Draúzio. Ebola (Doenças e Sintomas). Acesso em: 2014. Disponível em: http://drauziovarella.com.br/letras/e/ebola/

Tua Saúde. Sintomas do Vírus Ebola. Acesso em 2014. Disponível em: http://www.tuasaude.com/sintomas-do-virus-ebola/

Revista Fórum Semanal. A PERTURBADORA VERDADE POR TRÁS DO SURTO DE EBOLA NA ÁFRICA. Acesso em: 2014. Disponível em: http://revistaforum.com.br/digital/143/perturbadora-verdade-por-tras-surto-de-ebola-na-africa/

CLIMA DO PARANÁ

Por: Rafael Briones Matheus


Figura 01 - Distribuição Climática do Paraná. Fonte http://www.geografia.seed.pr.gov.br


O Paraná é localizado na região de clima Subtropical, com temperaturas amenas, e tem pequena parte de seu território na região de clima Tropical. As máximas podem chegar a 40°C (Norte, Vale do Ribeira, Oeste e Litoral), e as mínimas (nos planaltos e áreas serranas), registram temperaturas abaixo de zero. A amplitude térmica anual do estado varia entre 12° e 13°C, com exceção do litoral, onde as amplitudes térmicas variam de 8°a 9°C. O território paranaense não apresenta uma estação seca bem definida. As menores quantidades de chuvas se dão no extremo noroeste, norte e nordeste do estado e as maiores ocorrem no litoral, junto às serras nos planaltos do centro sul e do leste paranaense.

Figura 01 - Clima do Paraná. Fonte: http://files.professoralexeinowatzki.webnode.com.br
 
De acordo com a classificação de Köppen, na maior parte do estado do Paraná predomina o clima do tipo C (Mesotérmico), sendo seguido pelo clima do tipo A (Tropical Chuvoso), e se subdividem da seguinte forma:

a) Af - Clima Tropical Superúmido, com média do mês mais quente acima de 22° C e do mês mais frio superior a 18°C, sem estação seca e isento de geadas. Ocorre em todo litoral e nas encostas orientais da Serra do Mar;

b) Cfb - Clima Subtropical Úmido (Mesotérmico), com média do mês mais quente inferior a 22 ° C e do mês mais frio inferior a 18 °C, sem estação seca, verão brando e geadas severas, demasiadamente frequentes. Distribui-se pelas terras mais altas dos planaltos e das áreas serranas (Planalto de Curitiba, Campos Gerais, Guarapuava, Palmas, etc);

c) Cfa - Clima Subtropical ùmido (Mesotérmico), com média do mês mais quente superior a 22 °C e no mês mais frio inferior a 18 °C, sem estação seca definida, verão quente e geadas menos freqüentes. Distribuindo-se pelo norte, Centro, Oeste e Sudoeste do estado e pelas encostas litorâneas da Serra do Mar.


REFERÊNCIAS

WONS, Iaroslaw. Geografia do Paraná com fundamentos de geografia geral. Curitiba: Editora Ensino Renovado, 1985. 5° ed.
<http://www.itcg.pr.gov.br/arquivos/File/Produtos_DGEO/Mapas_ITCG/PDF/Mapa_Climas_A3.pdf> Acesso em 15/09/14

<http://professoralexeinowatzki.webnode.com.br/geografia-do-parana/clima-do-parana/> Acesso em 15/09/14

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

DIVERSIDADE DA VIDA

Por: Rafael Vitorino De Oliveira


Figura 01 – Diversidade Animal. Fonte: www.bioon.com


1 SERES VIVOS


Qualquer pessoa pode distinguir a maioria dos organismos vivos dos seres inanimados. Uma árvore, uma ave ou um verme diferem grandemente de uma rocha. Porém, quando observamos formas “inferiores” de vida, isto acaba se tornando complicado. A semente de uma planta ou o ovo de um inseto parecem inertes, mas quando colocados em condições apropriadas, em pouco tempo revelam sua natureza vivente.

Então para diferenciarmos seres vivos dos seres inanimados alguns aspectos precisam ser examinados como:


Metabolismo

Nos seres vivos ocorre constantemente uma série de processos químicos essenciais conhecidos coletivamente como metabolismo. Atividades importantes para o metabolismo são a ingestão e a digestão de alimentos; a assimilação dos nutrientes provenientes deste processo digestivo pelo corpo, a respiração, que é o processo de libertação de energia do alimento assimilado; e a excreção que é a remoção dos resíduos produzidos durante a liberação de energia.

Crescimento

Todos os organismos vivos crescem desenvolvendo partes novas dentro de/ou entre as mais velhas. Consequentemente, o crescimento se da através de adição interna. Este é o crescimento por intuscepção, um traço definidor no caso dos seres vivos.

Irritabilidade

Os seres vivos reagem a modificações do seu ambiente, capacidade geralmente chamada irritabilidade.

Os seres inanimados não respondem da mesma maneira a estímulos, mas quando reagem há uma relação quantitativa entre o estimulo e o efeito produzido.

Reprodução

Cada tipo de organismo vivo tem a capacidade de ser reproduzir.

Forma e Tamanho

Organismos vivos tem geralmente forma definida e tamanho característico.

Composição Química

Os organismos vivos são compostos principalmente por 4 elementos químicos: carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio – em diversas, porém definidas proporções, os quais ocorrem junto com outros elementos, porém em quantidade menores.



2 BASES FÍSICAS E QUÍMICAS DA VIDA


A fantástica diversidade da vida neste planeta depende de pouco dos 92 elementos químicos que existem naturalmente.

Os átomos dos elementos de pequeno peso atômico perfazem mais de 95% da matéria viva no planeta. São eles:

  •  Carbono.
  • Hidrogênio.
  • Nitrogênio.
  • Oxigênio.

Cerca de 30 outros elementos estão entre os constituintes menores da matéria viva, menores em termo das quantidades totais presentes, porém vitais para o funcionamento de determinados sistemas vivos. Exemplos:


  • Cálcio – Necessário para construção dos ossos;
  • Fósforo – Vital para todas as relações energéticas vivas e para a estrutura proteica;
  • Ferro e Cobre – Necessários para transportar o oxigênio nos sistemas respiratórios de vertebrados e invertebrados.

Todos os animais requerem energia, sob forma de alimentos para sustentar os processos vitais. Determinadas leis da física governam as relações energéticas e são tão validas para os sistemas vivos como para os não vivos. Essas leis estão englobadas no campo da termodinâmica, que trata da energia e de sua transformação.


REFERÊNCIAS

Storer, T. I. ; Usinger, R. L. ; Stebbins, R. C. ; Nybakken, J. W. - ZOOLOGIA GERAL, 6 ª edição - Companhia Editora Nacional, 1 991.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

domingo, 16 de novembro de 2014

Matemática e Astronomia Hindu – Parte I

Por: Claudinei Rodrigues Ferraz


Índia, berço de uma das civilizações mais antigas do planeta, desenvolveu-se na região conhecida como Valer do Indo. Essa civilização floresceu entre os séculos XXV e XIX a.C na região que hoje pertence ao Paquistão e vestígios arqueológicos indicam que essa região foi um dos primeiros grandes povoados urbanos do mundo. 

Com a inserção da cultura grega no oriente, logo a matemática, astronomia e filosofia grega chegaram a Índia, onde sua influência tornou-se visível nos primeiros séculos da era cristã.

A matemática hindu exerceu uma considerável influência em todo mundo. Os hindus tinham conhecimento da raiz quadrada e cúbica. Os filósofos indianos sempre foram fascinados pela matemática, foram os indianos que inventaram o zero, contribuíram com a função seno na trigonometria, influenciaram a álgebra onde problemas eram resolvidos por falsa posição ou pelo método da inversão.

Figura 01 – Página Lilavati (Livro mais famoso de Bháskara). Fonte: indology.info

Figura 02 –Lilavati. Fonte: technoindiauniversity.ac.in

Os astrônomos indianos ficaram fascinados com a astronomia grega. Em particular eles se impressionaram com o método científico que os gregos tinham trazido, e feito necessário, para a ciência. No entanto os indianos não estavam nem um pouco preocupados com os dados observados, o principal interesse era a matemática desenvolvida pelos astrônomos gregos.
Figura 03 –Concepção de universo hindu
Fonte: slideplayer.com.br

Para os hindus o universo era dividido em três regiões distintas: a Terra, o firmamento estrelado e o céu, cada qual submetida, por sua vez, a três subdivisões.  A Terra, chamada por eles de Monte Meru, e as regiões infernais eram transportadas por uma tartaruga, símbolo da força e poder criativo. Por sua vez, a tartaruga repousava sobre a grande serpente, que era o emblema da eternidade. Na concepção hindu existem três mundos, o superior no qual moravam os deuses, o mundo intermediário seria a Terra e mundo inferior a região infernal. O monte Meru cobria e unia estes mundos.
No próximo texto, abordarei os temas mitos e universo na concepção hindu. 

Referências:

Site Observatório Nacional: Acesso em: 2014. Disponível em: 
http://www.on.br/ead_2013/site/conteudo/cap7-historia/astronomia-antiga/indianos/indianos.html 

Site Indologia: Acesso em: 2014. Disponível em: 
http://indologia.blogspot.com.br/2008/04/astronomia-e-matemtica.html

Site da Educar: Acesso em: 2014. Disponível em: 
http://educar.sc.usp.br/licenciatura/2001/historia/page4.html

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O BELO


Por: Huellington Robert Vargas da Silva



Figura 1: Vênus de Willendorf

Fonte: Infoescola
Não há como dar uma definição exata do que é o belo. O homem é o único ser vivo capaz de experimentar emoções estéticas bem como compreender e apreciar o belo e as coisas belas. Na filosofia tem uma disciplina que estuda e se ocupa com a investigação deste tema, analisa os sentimentos por ele provocado.
Etimologicamente, estética vem do grego aesthesis, e designa conhecimento efetivado pelos sentidos, sensibilidade, experiência. Por esta razão o gosto é muito pessoal e muito se escuta falar: “Quem ama o feio, bonito lhe parece”.

Para Platão, a idéia de beleza é a mais evidente e aquela que mais atrai o homem. Por meio dela, do encantamento e do amor que ela produz, o homem se movimenta em busca do conhecimento das demais idéias... o belo é o bem, a verdade, a perfeição; existe em si mesma, apartada do mundo sensível, residindo, portanto, no mundo das idéias. Esta noção era vigente no Classicismo, que defendia a existência de uma idéia ou essência do belo. 
Para Aristóteles o belo é entendido como simetria, ordem e grandeza, coordenadas harmonicamente entre si.   O belo também é conceituado como manifestação da verdade.
Para Kant, não há idéia de belo, como defendia Platão. O belo é aquilo que agrada independentemente de qualquer interesse sensível ou racional, e o critério para se julgar algo pelo é o prazer que ele desperta.
Já antes de Cristo existia uma preocupação de conceder artisticamente esta simetria de forma matemática e lógica. Dois escultores gregos, Policleto e Lisipo, eram representantes desse estudo aprofundado de um padrão, o Cânone.  Cânone ou cânon é um termo que deriva da palavra gregakanon, que designa uma vara utilizada como instrumento de medida. Outro estudioso de uma medida perfeita foi Leonardo da Vinci com o Homem Vitruviano, “o conceito é considerado um cânone das proporções do corpo humano, segundo um determinado raciocínio matemático e baseando-se, em parte, na proporção áurea. Desta forma, o homem descrito por Vitrúvio apresenta-se como um modelo ideal para o ser humano, cujas proporções são perfeitas, segundo o ideal clássico de beleza“.
Hoje em dia a mídia tenta influenciar-nos pelo bombardeamento de imagens de uma beleza que é sinônimo de “felicidade”. Este modelo de Belo construído muitas vezes cria uma busca incessante pela beleza externa, gera uma autocrítica resultando em depressões, pré-julgamentos ou julgamentos. São frutos dessa busca de beleza: o bullying (assedio físico ou psicológico), bulimia (comer em excesso e reações inadequadas para evitar ganho de peso, tais como indução de vômitos, uso de laxativos e diuréticos, jejum prolongado e prática exaustiva de atividade física), Aneroxia (medo de ganhar peso). Há também o Narcisista (Narciso, personagem da mitologia grega, que definhou-se na beira de um lago, pois estava admirado, apaixonado por sua própria imagem). O ato de não se amar esta diretamente ligada à auto estima. 
Nas pinturas Renascentistas existe um retorno dos ideais das culturas clássicas greco-romana na arte. Assim sendo “os artistas do Renascimento não vêem mais o homem como simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus”. A figura humana com todo seu esplendor aparece muitas vezes desnuda. O corpo feminino como exemplo de sua representação, com formas mais volumosas. Demonstrando uma mulher que evitava pegar sol, praticar atividades físicas intensas, mas se alimentava bem. Assim como a Vênus de Willendorf, uma mulher com ancas largas, simbolizava uma excelente parideira, seios fartos para alimentar essa prole e fora do peso, para demonstrar uma “mulher forte” e saudável . Este era o ideal de beleza da época, porém, mesmo representadas desnudas, essas mulheres aparentavam uma ingenuidade e também uma sensualidade sem ser vulgar, assim como as pin-ups(década de 30 e 40).
O conceito de Beleza é muito pessoal e também sofre influências pela época, cultura, mídia, tendências, moda, local, praticidade, pessoas que nos são importantes, entre muitos outros motivos. 


Referências:

SOUZA, S. M. R. de. Um outro olhar: filosofia. São Paulo: FTD, 1995.

COLEÇÃO FOLHA. Grandes Mestres da Pintura: Leonardo Da Vinci. Coleção Folha de São Paulo. Org. Tradução Martín Ernesto Russo. Baueri, SP: Editorial Sol 90, 2007.

http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2none

http://drauziovarella.com.br/mulher-2/bulimia-nervosa/

http://www.minhavida.com.br/saude/temas/anorexia

http://www.girafamania.com.br/historia_arte/historia_arterenascentista.html




terça-feira, 11 de novembro de 2014

DINOSSAUROS: SENHORES DO MESOZÓICO! ESPÉCIE DO MÊS: Figura 01 – Unaysaurus tolentinoi. Fonte: http://www.faperj.br/images/Dinos/Unaysaurus_tolentinoi_figura_umida1.jpgUNAYSAURUS


Por: Marcelo Domingos Leal

Figura 01 – Unaysaurus tolentinoi.
Fonte: http://www.faperj.br

O Unaysaurus tolentinoi tem seu nome derivado da cultura indígena tupi, além de uma homenagem ao seu descobridor. Unaysaurus segundo a língua tupi significa “água negra”, grande sítio paleontológico na região central do estado do Rio Grande do Sul. O nome tolentinoi é uma homenagem ao seu descobridor, Tolentino Flores Malafiga.

Esta espécie foi descoberta em 1998, no sítio paleontológico de Água-Negra, na região central do Rio Grande do Sul, pelo aposentado Tolentino Marafiga. Podemos dizer que esta nova espécie foi descoberta após um belo tropeço do aposentado. Isso mesmo, segundo o Sr. Tolentino, ao caminhar por um percurso entre São Martinho da Serra e Santa Maria, o aposentado tropeçou em algo que lhe chamou a atenção, alguma “rochas de cor amarronzada”, segundo o Sr. Tolentino. Pressentindo a importância do achado, Tolentino –  que acabou emprestando seu nome ao batismo da nova espécie – contatou imediatamente pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que logo chegaram ao local. “Ao chegar à localidade, constatamos que se tratava provavelmente da carcaça de um animal que morreu numa planície de inundação ou próximo a um canal, e que terminou soterrado”, explicou o pesquisador Átila da Rosa.

Seus fragmentos pertencem ao que denominamos hoje de Bacia do Paraná, em uma formação intitulada Caturrita. O material original encontra-se depositado no acervo técnico da Universidade Federal de Santa Maria, na cidade de nome homônimo, no Estado do Rio Grande do Sul. Uma réplica em tamanho natural pode ser observada no Museu Nacional do Rio de Janeiro. A descrição científica desta nova espécie ficou a cargo de uma equipe mista de pesquisadores da UFSM e UFRJ, composta por Sérgio Alex K. Azevedo, Átila A. S. da Rosa e Alexander W. A. Kellner e Luciano Leal. Este estudo foi publicado na revista Zootaxa, da Nova Zelândia.

Esta espécie contou com ossos do crânio, vértebras cervicais, lombares e caudais, algumas costelas, patas dianteiras completas e fragmentos das patas traseiras para sua identificação. A grande quantidade de material encontrada coloca o Unaysaurus como um dos espécimes mais completos já encontrados em território brasileiro. Como todos os outros dinossauros, o Unaysaurus viveu na Era Mesozóica, mas em um período chamado de Triássico inferior, a cerca de 225 milhões de anos atrás.

O Unaysaurus pertencia a uma classe de dinossauros denominada Prossaurópodes, antepassados dos Saurópodes (os famosos dinossauros pescoçudos), e parentes próximos dos Terápodes. Os Prossaurópodes já possuíam características dos seus descendentes, como pescoço alongado, cabeça pequena, corpo volumoso e cauda longa, além da garra no polegar das patas dianteiras. Era uma espécie de porte pequeno, se comparado com outros Prossaurópodes, com cerca de 2,5 m de comprimento, por até 70 cm de altura, e uma massa de aproximadamente 70 Kg. Como alguns dinossauros Ornitísquios (Maiassaura, Edmontssauro, Iguanodonte, etc...) possuia os membros anteriores mais curtos, e assim, podia praticar tanto o bipedalismo (principalmente ao precisar correr), quanto o quadrupedalismo (locomoção sobre quatro patas). Apesar de ser um parente próximo dos Terápodes (carnívoros), era um dinossauro essencialmente herbívoro, então seus hábitos alimentares incluíam a ingestão de folhas, principalmente de gimnospermas, as espécies dominantes na época.

PARA SABER MAIS:

ANELLI, L. E. O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil. Ilustrações de Felipe Alves Elias. São Paulo: Peirópolis, 2010.

Site Faperj. Secretaria de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=1694


REFERÊNCIAS

ANELLI, L. E. O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil. Ilustrações de Felipe Alves Elias. São Paulo: Peirópolis, 2010.

LEAL, M. D. Apostila Procurando os Dinossauros. Pinhais: PNFM, 2007.

Museu Nacional UFRJ. Evolução de Vida. Unaysaurus Tolentini. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.museunacional.ufrj.br/guiaMN/Guia/paginas/2/11unayssaurus.htm

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 11° Dinossauro encontrado no Brasil. Acesso em 2014. Disponível em: http://www.ufrj.br/detalha_noticia.php?codnoticia=1699

Instituto Ciência Hoje. Descoberto o décimo primeiro dinossauro brasileiro. Acesso em: 2014. Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/cacadores-de-fosseis/descoberto-o-decimo-primeiro-dinossauro-brasileiro


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O Elevador Hidráulico!!!


Por: Ana Caroline Pscheidt


Você já deve ter se deparado com diversas maquinas hidráulicas, ou ate utilizado uma sem saber. Elas são muito comuns no nosso dia a dia, um exemplo bastante interessante é o elevador hidráulico, e é sobre o funcionamento desse equipamento que discutiremos neste texto.

Elevadores hidráulicos são equipamentos de grande ajuda para levantar grandes pesos. Também são chamados de prensa hidráulica em casos mais simples.

Um dos conceitos físicos mais importantes envolvidos em seu funcionamento é o principio de pascal.
O PRINCIPIO DE PASCAL, elaborado pelo físico e matemático francês Blaise Pascal (1623-1662) diz que:

Qualquer alteração na pressão de um fluido é transmitida totalmente para todos os pontos do fluido
No elevador hidráulico, significa que a variação de pressão no lado 1 é transmitida para o lado 2.veja na figura abaixo


Figura 01 – Esquema do elevador hidráulico. Fonte: Imagem adaptada retirada de www.brasilescola.com 

De um lado temos um carro que deve ser erguido pelo elevador, do outro lado temos o local onde deve ser aplicada a força que irá pressionar a plataforma para empurrar o liquido e consequentemente empurrar o carro para cima.

 Você deve ter notado que as áreas das plataformas são bem diferentes. Como sabemos, a pressão é proporcional à força exercida, mas é inversamente proporcional a área!  Podemos escrever da seguinte forma =>  P=F/A  => Pressão = Força/Área, e é exatamente desta relação que surge a grande “façanha” do elevador hidráulico. Com uma força pequena no lado direito podemos levantar grandes pesos no lado esquerdo.

Mas como assim???

Funciona da seguinte forma:
Imaginemos que temos um carro de 1 tonelada ou seja 1000 kg para ser elevado, vamos calcular sua força peso. Sabemos que  o Fp = m*a => Força peso = massa x aceleração da gravidade ou seja:

Fp=mxa => Fp= 1000 kg  x 9,8 m/s2   =  resultando em 9800 Kg.m/s2 ou seja 9800 N (Newton)
Teoricamente precisamos de uma força de 9800 N para movimentar o carro. Mas no elevador hidráulico contamos com uma “ajudinha”.

Imagine que a área na qual o carro está apoiado é de 10 m2, e a área do outro lado, onde deve se exercer força é apenas 1 m2

sabendo que   P=F/A  Então:  Pressão = 9800N /10 m2  Logo: pressão no lado 1 = 980 N/m2

Pelo principio de pascal sabemos que a pressão será transmitida para todos os pontos do fluído, ou seja, a pressão na outra plataforma será exatamente a mesma!

Agora conhecemos a pressão e a Área no lado 2, então :

P=F/A  =>  980 N/m2 = F / 1 m2  logo:  F=  (980 N/m2) / (1 m2),   F =  980 N.

Quer dizer que num elevador hidráulico de plataformas de 10 m2 e de 1 m2. Para levantar um peso de 9800 N precisamos de uma força de 980 N! 

Ou seja, 10 vezes menor que o peso do carro!  Isso por que a área da plataforma 2 é 10 vezes menos que a plataforma 1. E se fosse 100 vezes menor, tivesse, por exemplo, apenas 0,1 m2.

Então a força seria 100 vezes menor, ou seja, seria apenas 98 N, significa que, com sua massa (aproximadamente 10 kg) uma criança de um ano poderia,  levantar um carro com 1 tonelada se usasse um elevador hidráulico!

Impressionante não!?
Esse é o principio de funcionamento de diversas maquinas hidráulicas, como guindastes,  alguns modelos de locomotiva, tratores escavadeiras e etc. O efeito também é utilizado na  direção hidráulica, acionamento de freios e etc.

Para saber mais:

Neste vídeo você pode de conhecer um elevador bem simples feito com seringas: 
https://www.youtube.com/watch?v=Wojbw1agk0o

O mesmo conceito das seringas é utilizado para construir este mini guindaste.  https://www.youtube.com/watch?v=exFJRrfdoVo


REFERÊNCIAS:

HALLIDAY, RESNICK, KRANE Física 2, 7 ed. Rio de Janeiro: LTC.
WWW.brasilescola.com.br acesso em 2014

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Evolução da concepção sobre a forma da Terra


Por: ALINE VEIGA e EWERTON PEREIRA LOPES DE LIMA


Há muito tempo o homem utiliza técnicas para representar e demarcar o local que habita. Essas técnicas inicialmente eram desenhos simples e primitivos, baseados na percepção que as pessoas tinham do entorno que habitavam, servindo como meios de marcação de distâncias e localização e, até mesmo, como uma forma de comunicação entre os povos.

Assim teve origem a cartografia, ciência responsável pela descrição da superfície terrestre. Hoje possuímos técnicas bem diferentes daquelas utilizadas nas primeiras descrições primitivas, contamos com grande avanço tecnológico, que nos permite utilizar satélites artificiais e programas computadorizados para a medição da superfície terrestre. 

Mas ao representar nosso planeta, será que todas as culturas tinham as mesmas idéias sobre qual seria a forma da Terra? Alguns registros de gravuras e pinturas rupestres nos mostram que não.



Figura 01: Representação babilônica em barro cozido. 
Fonte: www.cartografiaescolar.ufsc.br 


Os primeiros registros de representações da Terra são de povos que ocuparam a região da Mesopotâmia (hoje região do Oriente Médio, entre os rios Tigre e Eufrates). Nesta região, houve a ocupação por alguns povos nômades, que por vezes acabavam por se estabelecer. Entre estes, os principais foram os Sumérios, Babilônios e Assírios. Estas descrições tinham muitos elementos místicos, principalmente ligados a esfera celeste, e mostravam a Terra como um disco plano, sempre circundada por mares e oceanos.

Uma cultura com grande destaque para a cartografia foi a da civilização grega. Os estudos gregos se preocupavam com a verdadeira forma da Terra, chegando a admitir sua esfericidade – a esfera era a figura geométrica que para os gregos representava a perfeição. Porém também tinham influencia de mitologias, utilizando deuses e histórias para explicar a natureza do universo. Nestas concepções, a Terra era tida como a personificação de uma deusa, Gáia, que daria origem a todos os elementos com vida em nosso planeta.

Um dos primeiros pensadores gregos a buscar explicações mais baseadas em experimentações e observações foi Tales de Mileto (625 – 546 a.C), que buscava respostas na razão, acerca da origem e dos elementos que formavam o universo. Mas a descrição da Terra como esférica surgiria apenas algum tempo depois, com Pitágoras (570 – 496 a.C).

Sucedendo Pitágoras, porém com a mesma importância, ainda houve estudos de Aristóteles (384 – 322 a.C) e Eratóstenes (276 – 196 a.C), que também admitiam a esfera como a forma da Terra, e realizaram importantes estudos na busca da comprovação de suas hipóteses. Eratóstenes, por exemplo, calculou o diâmetro da Terra, e conseguiu um resultado bem aproximado ao resultado que conhecemos hoje.

Apesar de todos os avanços gregos, estes estudos acabam sendo esquecidos com o advento da civilização romana, que utilizou a cartografia para fins mais militares, buscando expansão e conquistas territoriais, sem grandes preocupações com a forma exata da Terra. Assim, a representação mais comum a esta época foi o Orbis Terrarum, que apresentava os domínios romanos, além de rotas, caminhos e a localização de cidades e povoados. Nesta concepção a Terra era representada como um disco plano, com Roma ocupando uma posição central.


Figura 02: Mapa romano: Orbis Terrarum. Fonte: www.onlinehome.us

O formato Orbis Terrarum prevaleceu também na Idade Média, porém com algumas modificações, influenciadas pela grande expansão do cristianismo ocorrida neste período. As respostas para questionamentos eram baseadas em verdades bíblicas, e as representações cartográficas, assim como no Império Romano, eram utilizadas para descrição e organização territorial.

Apenas quando algumas obras de pensadores gregos (principalmente Aristóteles e Ptolomeu) são redescobertas pela civilização árabe, é que se retoma o avanço científico na cartografia, e a Terra volta a ser pensada como esférica. 

Este período ficou conhecido como Renascimento (século XIV a meados do século XVII). Outros fatores que contribuíram para um maior desenvolvimento da cartografia foi o aperfeiçoamento das técnicas de navegação, que permitiram mais descobertas sobre partes do planeta; e a maior popularização dos mapas, que aos poucos passam a não pertencer somente àqueles que detinham grande poder.

Após o Renascimento, os próximos séculos são marcados por uma grande preocupação das nações em dominar e expandir territórios, principalmente as européias, em um período conhecido como Absolutismo (século XVII e XVIII). Para dominar e ter poder sobre um território é necessário conhecê-lo, deste modo os Estados passam a ampliar a descrição cartográfica, utilizando novas técnicas, o que irá gerar um grande avanço para a cartografia. Também neste período, estudos de Isaac Newton demonstraram que a Terra não seria uma esfera perfeita, havendo irregularidades em sua superfície. Este fato causou muitas mudanças no pensamento da época.
Já no fim do século XVIII, ocorre a Revolução Industrial, outro importante período para o avanço das ciências. As necessidades da época levaram a um maior aperfeiçoamento da cartografia, pois as representações e descrições necessitavam de uma maior precisão, o que ocorreu graças ao grande avanço tecnológico deste período. No período seguinte, são registrados novos avanços, agora em decorrência do uso da aerofotogrametria e o lançamento de satélites artificiais.
E após esses avanços, quais são as concepções que temos hoje sobre o formato do nosso planeta? Atualmente dispomos do uso de fotos aéreas e imagens de satélite, o que nos permitiu conceber o planeta Terra como um geóide - representação de uma esfera com irregularidades na superfície, que decorrem da distribuição desigual da massa do planeta sobre sua superfície.


 Figura 03: Geóide produzido através de imageamento do satélite GOCE, da Agência Espacial Européia – ESA.
Fonte: www.esa.int

Referências:

CARVALHO, M. S.; As imagens do mundo e os mapas. Disponível em: <http://www.uel.br/prograd/maquinacoes/art_19.html> Acesso em: Out/2014

INPE – Instituto Nacional de Pesquisa Espacial. Conceitos de Cartografia. Disponível em: <http://www.dsr.inpe.br/vcsr/files/Apres_Cartografia.pdf> Acesso em: Out/2014