segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Cadeia produtiva local do Turismo!

Por Ararê de Azambuja Vilanova Junior


A análise de cadeias é uma ferramenta que permite identificar, dentro de determinados processos produtivos, os principais pontos de agregação de valor ao produto final. Com isso, podem-se distinguir os pontos críticos que freiam a competitividade dos produtos, bem como os que a dinamizam, para estabelecer e impulsionar estratégias de consenso entre os principais atores envolvidos visando a superação dos gargalos inerentes ao processo produtivo. Cadeia produtiva é o sistema constituído por atores e atividades inter-relacionadas em uma sucessão de operações de produção, transformação, comercialização e consumo em um entorno determinado. Pela sua visão prospectiva, Castro, Lima e Cristo (2002) apontam que o enfoque de cadeia é pertinente no contexto atual de evolução da economia mundial globalizada, em que temas como competitividade, inovação tecnológica e sistemas de produção são discutidos de forma sistêmica em todos os âmbitos da economia, desde as atividades produtivas agroalimentares até o setor de Serviços, no qual se inclui o turismo. Uma atividade econômica tão dinâmica e complexa como o turismo encontra no enfoque sistêmico de cadeia uma importante ferramenta para o diagnóstico e a formulação de estratégias de competitividade.

Sachs (1986), afirma que a distinção entre desenvolvimento e mau desenvolvimento é que, embora ambos possam sustentar-se pela mesma taxa de crescimento econômico, estes se diferenciam nitidamente em termos da composição do produto final, das “taxas de exploração da natureza”, e dos tipos da intensidade e da distribuição de custos sociais.

Sob o prisma do mau desenvolvimento, a chamada “indústria do turismo”, coloca a questão econômica acima das questões socioambientais. Assim, prima-se o sujeito chamado turista e sua demanda por necessidades, ao invés da população receptiva que, nas poucas ocasiões que é relevada, é analisada sob a perspectiva de sua oferta de bens e serviços (SAMPAIO, 2005).

O termo “cadeia produtiva” vem sendo muito utilizado para definir certos aspectos relacionados a um conjunto de negócios e firmas. Isso se deve, de um lado, à rápida evolução das relações entre empresas nas últimas décadas no que se refere às transações produtivas e comerciais a jusante e a montante – que são a base para a definição de cadeia produtiva, e, de outro, ao fato de o termo poder simplificar discussões a respeito da organização de uma indústria. Por isso, pode haver uma vasta gama de significados e de aplicações do termo, o que exige cuidado quando de sua utilização em contexto específico. Pode-se afirmar que uma cadeia produtiva é um conjunto de atividades econômicas, articuladas de forma seqüencial no processo produtivo, em que um produto é crescentemente elaborado na tentativa de agregação de valor. Essas atividades podem ser organizadas em ou entre firmas, a partir do que são estabelecidas relações de compra e de venda.

Como o material para pesquisa na área de cadeia produtiva é limitado, a pesquisa também permeia pela área do arranjo produtivo local (APL) e pelos clusters que possuem semelhanças em suas definições e aplicabilidade. Podendo assim colaborar para a análise e formatação do artigo.

SUZIGAN, GARCIA e FURTADO (2005) salientam que a definição de APLs não é tarefa trivial e nem isenta de controvérsia, uma vez que eles podem assumir diversas características que dependem de sua história, evolução, organização institucional, contextos culturais e sociais, localização da sua estrutura produtiva, organização industrial, formas de governança, associativismo, cooperação entre os atores, formas de aprendizado e grau de difusão do conhecimento especializado local.

Apesar das dificuldades, Cassiolato e Lastres (2003, p. 27) definiram os APLs como:

[...] aglomerações territoriais de agentes econômicos, políticos e sociais – com foco em um conjunto específico de atividades econômicas – que apresentam vínculos mesmo que incipientes. Geralmente envolvem a participação e a interação de empresas – que podem ser produtoras de bens e serviços finais até fornecedoras de insumos e equipamentos, prestadoras de consultoria e serviços, comercializadoras, clientes, entre outros – e suas variadas formas de representação e associação. Incluem também diversas outras instituições públicas e privadas voltadas para: formação e capacitação de recursos humanos (como escolas técnicas e universidades); pesquisa, desenvolvimento e engenharia; política, promoção e financiamento.

O conceito de APLs é amplo o suficiente para abranger qualquer tipo de indústria ou especialização. Ele não aponta para a intensidade das especializações das empresas, para as atividades que estão sendo incluídas e nem para a abrangência geográfica onde as empresas estão operando. CASSIOLATO e LASTRES (2003, p 33) salientam que:

O argumento básico do conceito adotado pela Rede é que onde houver produção de qualquer bem ou serviço haverá sempre um arranjo em torno da mesma [...]. Tais arranjos variarão desde aqueles mais rudimentares àqueles mais complexos e articulados. Desta forma consideramos que o número de arranjos produtivos locais existentes no Brasil seja tão grande quanto à capacidade produtiva nacional permita.

Um aspecto importante de ser sublinhado é o fato de que os APLs, na visão de LASTRES e CASSIOLATO (2003), também contemplam as pequenas e médias empresas, que poderão, dependendo da sua integração ou organização e da existência de cooperação relacionada à atividade principal do conjunto dessas empresas, vir a se constituir num APL. A lógica desse processo está na obtenção local de economias de escala, fruto do aumento da capacidade produtiva e competitiva das empresas, e na busca pela redução de custos dos insumos.

Para esclarecer algumas dúvidas conceituais, vamos iniciar definindo dois conceitos básicos: clusters e arranjo produtivo local (APL). 

Clusters são concentrações geográficas de firmas setorialmente especializadas, principalmente de pequeno e médio porte (PMEs), onde a produção tende a ocorrer verticalmente desintegrada. Esses ambientes contêm serviços especializados, tanto de apoio às atividades produtivas como voltados à comercialização em mercados distantes [...], e redes de instituições públicas e privadas que sustentam as ações dos agentes, tendo em vista que representam e envolvem a organização de auto-ajuda (self help). Em muitos casos, observa-se a presença de identidade sociocultural, relacionada ao passado comum dos membros das sociedades locais, que contribui para galvanizar as relações entre os atores (LINS, 2000). 

Aglomerações territoriais de agentes econômicos, políticos e sociais – com foco em um conjunto específico de atividades econômicas – que apresentam vínculos mesmo que incipientes. Geralmente envolvem a participação e a interação de empresas – que podem ser desde produtoras de bens e serviços finais até fornecedores de insumos e equipamentos, prestadoras de consultoria e serviços, comercializadoras, cliente, entre outros – e suas variadas formas de representação e associação. Incluem também, diversas outras instituições públicas e privadas voltadas para: formação e capacitação de recursos humanos, como escolas técnicas e universidades; pesquisa, desenvolvimento e engenharia; política, promoção e financiamento (ALBAGI; BRITO apud HIRATA, 2005, p. 56).

Não é difícil encontrar na literatura os termos cluster e APL definidos como rede de cooperação. No entanto, Kremer e Kovaleski explicam a diferença entre esses dois conceitos da seguinte forma:

Cluster – rede de empresas com forte poder cooperativo, associativo e muitas vezes consorciado, situado em uma determinada região geográfica, podendo ou não pertencer a um mesmo setor e conversando intensamente entre si e com entidades governamentais e não governamentais acrescidas de pesquisa e desenvolvimento constante.

Arranjo produtivo local (APL) – trata-se de um cluster que absorve questões da área social e cultural (KREMER; KOVALESKI, 2005, p. 192).

Arranjos Produtivos Locais – são aglomerações de empresas com a mesma especialização produtiva e que se localizam em um mesmo espaço geográfico. As empresas dos APLs mantêm vínculos de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si, contando também com apoio de instituições locais como Governo, associações empresariais, instituições de crédito, ensino e pesquisa.

É interessante lembrar que a ideia de cooperação não é nova. Segundo Hirata (2005), Marshall em 1982 já defendia que a proximidade geográfica das empresas possibilitava o surgimento de outras atividades subsidiárias, gerando um processo de conhecimento por meio das relações entre elas e seus fornecedores, criando condições para uma interação cooperativa no sentido da superação de problemas em comum. De toda forma, parece que a confiança entre os envolvidos tem fator importante para a busca de fortalecimento das relações entre as empresas.

De acordo com Tribe (2003), o ambiente econômico afeta as organizações no setor do turismo de dois modos principais. Primeiro, as mudanças no ambiente econômico podem interferir na demanda dos produtos de uma organização e, em segundo, elas podem afetar os custos da organização. Além disso, fatores de segundo plano, como preços de propriedades também podem impactar de forma significativa.

A cada dia aumenta a quantidade de grupos que começam a se organizar para gestão e comercialização de novos produtos turísticos, buscando participar mais fortemente do mercado. Comunidades e grupos associados começam a trilhar oportunidades de inclusão nos roteiros turísticos, fortalecendo seus movimentos culturais, gastronômicos e folclóricos. Desta forma, os que se vêem menos beneficiados pelo modelo tradicional de turismo – onde predomina a falta de comprometimento com os princípios do turismo sustentável – encontram nesta lacuna oportunidades que permitem adaptar as condições econômicas dos pequenos rendimentos, na tentativa de incluir-se no circuito do consumo e da geração de renda. 

Esta forma de comercialização caracteriza uma rede de economia solidária, onde o conjunto de etapas necessárias para a transformação e transferência de insumos – o que envolve produção, distribuição e comercialização de bens e serviços – é realizado por empreendimentos econômicos que necessitam encontrar mecanismos de assegurar a tomada de decisão democrática – que já é realizado internamente aos empreendimentos – no conjunto da cadeia. Tal gestão participativa fortalece as comunidades envolvidas de forma social, cultural e econômica.  

REFERÊNCIAS

CASSIOLATO, J. E.; LASTRES, H. M. M. Arranjos e Sistemas Produtivos Locais na Indústria Brasileira. 2000. Disponível em: <http://www.ie.ufrj.br/revista/pdfs/arranjos _ e _ sistemas _produtivos _locais _na_ industria_brasileira.pdf>. Acesso em: 21 jan. 2008.

CASTRO, Antônio M. G. de; LIMA, Suzana M. V.; CRISTO, Carlos M. P. N. Cadeia produtiva: marco conceitual para apoiar a prospecção tecnológica. Salvador, 2002. Apresentado ao 22º Simpósio de Gestão da Inovação Tecnológica, Salvador, 2002. Disponível em: <www.desenvolvimento.gov.br/arquivos/dwnl1197031881.pdf>. Acesso em: jul./2004.

HIRATA, N. Relações Universidade-Empresas e lições dos APLs de Cianorte e Apucarana. In: Arranjos Produtivos Locais no Paraná. Curitiba: IEL, 2006.

TRIBE, J. Economia do Lazer e do Turismo. São Paulo, Ed. Manole, 2003. 

KREMER, A.; KOVALESKI, J. L. De uma rede de empresas a um arranjo produtivo local: o estudo da vocação do município de Ponta Grossa para o segmento de confecções. In: Arranjos Produtivos Locais no Paraná. Curitiba: IEL, 2006.

LINS, H. N. Clusters industriais, competitividade e desenvolvimento regional: da experiência à necessidade de produção. Estado Econômico, São Paulo, v. 30, n.2, pp. 233- 265, abr./jun. 2000.

SACHS, Ignacy. Ecodesenvolvimento: crescer sem destruir. São Paulo: Vértice, 1986.

SAMPAIO, C. A. C. Turismo como fenômeno humano: princípios para se pensar a socioeconomia. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2005.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Telescópio: um olhar para o horizonte!

Por Elisiane Campos de Oliveira Albrecht

Figura 1: Telescópio de Galileu.
Ao olhar o céu estrelado, muitas pessoas tentam imaginar o que há além do limite de nossa visão. Hoje, com o avanço tecnológico, temos ao nosso dispor vários instrumentos que nos auxiliam e transmitem informações sobre o universo. Vale ressaltar que a humanidade, de certa forma, está “engatinhando” no que tange ao conhecimento referente ao mundo. Porém, tudo o que já foi descoberto e estudado é o que temos. 

Desde antiguidade, o homem tem o habito em observar o céu mas, foi apenas o com o desenvolvimento de muitos aparatos é que pudemos compreender melhor este contexto. Um utensilio muito importante na pesquisa dos astros é o telescópio. De uma forma simplificada, pode dizer-se que um telescópio é um instrumento que serve para ver as coisas maiores. Não sabemos ao certo quem o inventou porém, temos Galileu Galilei (figura 1) como o responsável por apontar uma luneta para o céu e perceber algumas fatos curiosos, tais como os anéis de Saturno e as luas (satélites naturais) de Júpiter. 

Figura 2: Luneta.

Existem, basicamente, dois tipos de telescópios: os refratores (figura 3) e os refletores (figura 4). Os primeiros são feitos com lentes (estes também são chamados de lunetas), já o segundo, associa lentes e espelhos. Também podemos classificá-los em relação a montagem e ao sistema de coordenadas: os equatoriais usam coordenadas equatoriais para seu posicionamento e os azimutais, o sistema de azimute. Além destes, há outros telescópios especiais como, por exemplo, aqueles que conseguem captar outras regiões no espectro eletromagnético além do visível e também, temos telescópios operando no espaço, com o objetivo de captar uma gama maior de informações e não sofrer influencia da camada de gases que cerca nosso planeta. O mais famoso destes é o Hubble (figura 5), que possui um diâmetro de 2,40 m, já esta no espaço desde 24 de abril de 1990, tem uma potência de 2.800 watts, se encontra a uma altura de 559 km e uma velocidade em órbita de 7,5 km/s e tem a capacidade de captar luz visível e infravermelho.

Figura 3:  Telescópio Refrator.

Figura 4: Telescópio Refletor.

Figura 5: Telescópio Hubble.

Algumas características que devemos levar em consideração no momento da escolha de um bom telescópio são o aumento ou magnificação, campo de visão real e poder de resolução. O primeiro destes itens é a razão entre a distância focal da objetiva e a distância focal da ocular. Você pode estar se perguntando: o que são estas distâncias? Como citado acima, o telescópio é uma junção de objetos ópticos e dois eles são uma lente que serve de ocular, (onde geralmente é o local onde o observador coloca o olho) e uma lente (no caso de um telescópio refrator) ou um espelho (telescópio refletor) que receberá a luz do corpo celeste, chamada de objetiva. Estes aparatos possuem algumas características e uma delas é a distância focal.

O tamanho de uma imagem geralmente é chamado de campo de visão e é determinado pelo tipo de ocular usada. Pode ser também estimada pela divisão do campo de visão aparente da ocular pelo aumento em uso.

Já o poder de resolução de um telescópio é consiste em sua capacidade de distinguir melhor as características do objeto observado, ou seja, permite visualizarmos pequenos detalhes. Esta qualidade não depende do aumento do instrumento mas sim, do diâmetro da objetiva. Quanto maior esse parâmetro, maior será o poder de resolução.

Há vários outros fatores, características, tipos e modelos que não foram citados neste texto, mas ficam algumas sugestões para outras leituras sobre o tema e, também, que sempre que tiver a oportunidade, dê uma olhadinha para o céu.

Cometa ISON: a torcida por um espetáculo!

Por Anisio Lasievicz

Cometa ISON em 15/11/2013!

Em um post anterior comentei a respeito da passagem do Cometa ISON que, caso supere as expectativas e as condições de uma passagem tão próxima do Sol (há cerca de 1,1 milhão de quilômetros apenas), renderá um belo espetáculo neste final de ano.

Desde sua passagem por Marte em 1º de outubro, o brilho do cometa vem aumentando, face ao aquecimento de sua superfície pelo calor do Sol mas, por enquanto, visualizá-lo ainda é uma tarefa para quem dispõe de telescópios, visto que sua magnitude está muito próxima dos limites da visão humana. Entre os dias 15 e 20 de novembro existe a possibilidade de observá-lo à vista desarmada, cerca de 1 hora antes do nascer do Sol no lado leste.  Por volta do dia 21, será observável a olho nu como um ponto tênue acima de Mercúrio por volta das 05:30h, no horizonte leste. 

Posições do Cometa ISON às 06:00h conforme avançamos os dias de novembro. Fonte: Anisio Lasievicz.

As últimas observações corroboram a hipótese de que o cometa entrou em outburst, ou seja, seu núcleo começou a fragmentar-se, criando várias linhas em sua cauda e aumentando seu brilho.


Cometa ISON em 17/11/2013. Fonte: NASA.

Caso ele suporte as condições de sua passagem nas proximidades do Sol, seu brilho será comparável ao da Lua Cheia!

Na seção "De Olho no Céu" do menu acima deste blog, você pode conferir um simulador que  ilustra a órbita do cometa ISON, além de fornecer diversas informações sobre posição, distância e sua visibilidade.

Fique ligado no Blog "Ciência e Diversão" para mais informações!

PARA SABER MAIS

Vem aí o cometa do século! Ou talvez não...

http://www.cdcc.sc.usp.br/cda/eventos/2013/COMETA-ISON/index.html

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Cianeto: Veneno ou não?

Por Marcos Diego Lopes

Os cianetos são compostos químicos que possuem grupamentos altamente reativos, átomos de carbono e átomos de azoto (nitrogênio), ligados entre si por uma ligação tripla. Por essa ligação tripla ser altamente instável, esse grupamento pode ser um sal (ligando-se ao potássio ou sódio) ou formar um ácido (ácido cianídrico). 

Figura 1- Molécula Cianeto de potássio. Fonte Wikimédia.

Figura 2 – Mandioca.
Cianetos são essenciais na revelação fotográfica e na produção de plásticos e acrilatos, em eletrodeposição de metais e colas instantâneas (cianoacrilato), além de serem utilizados originalmente como pesticida para eliminação de pulgas e piolhos (conhecido como Zyklon B). Mas essa substância ficou famosa por ser utilizado com efeito letal em humanos na Segunda Guerra Mundial. 

Também existem alimentos que contém ácido cianídrico. A mandioca, maçã, amêndoas e cerejas, caso mal preparadas ou ingeridas em excesso, podem causar toxicidade excessiva e até, levar à morte. 

O cianeto é altamente tóxico para os seres humanos pois, se ingerido ou inalado, ele pode entrar em contato com a corrente sanguínea, ligando-se ao ferro das hemoglobinas de forma estável e, desta forma, interferir no sistema de transporte de oxigênio e gás carbônico, essencial para o metabolismo humano.

No campo bélico, foi utilizado em câmaras de gás de extermínio na Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Os EUA utilizaram por um certo tempo essa técnica na pena de morte porém, ela era muito lenta e dolorosa, caindo em desuso. 

Figura 3 – Rasputin.
Em 1916, um monge russo chamado Rasputin sofreu uma tentativa de envenenamento pela comida. Foi-lhe oferecido um pudim contendo cianeto de potássio em quantidade suficiente para matar várias pessoas. Embora Rasputin tenha comido grande quantidade desse pudim, ele não morreu. Por esse motivo e pelo fato de serem atribuídos poderes satânicos ao monge, criou-se uma lenda de sobrenaturalidade envolvendo o fato. A lenda só foi desfeita em 1930, quando foi descoberto que alguns açúcares, como a glicose e a sacarose, se combinam com o cianeto, formando uma substância praticamente sem toxicidade, denominada cianidrina.

Se o indivíduo for envenenado com cianeto, sua pele torna-se rosa ou, caso sofrer de falta de oxigênio ou outro problema físico, a cor da pele pode ser azulada. Olhos vermelhos e dilatação das pupilas também são sintomas de intoxicação.

Os primeiros socorros devem ser feito com os antídotos específicos (nitrato de amila, nitrato de sódio de tiossulfato de sódio) e o fornecimento de oxigênio até o atendimento médico.

Casualidade ou não, o cianeto pode ter uma função positiva ou negativa no nosso cotidiano. A sua “fama” lhe condena porém, se bem utilizado, torna-se um reagente químico útil industrialmente. 

Esse material é muito tóxico em ambientes aquáticos e terrestres. Antes de ser eliminado, deve ser oxidado e tratado com hipoclorito, que decompõe o cianeto.

REFERÊNCIAS:

FOGAÇA, Jeniffer . Brasil Escola – Educação, vestibular, enem, educador, exercícios. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/quimica/cianureto-de-potassio.htm>, acesso 2013.

ALVES, Livia.  Mundo educação <HTTP://mundoeducacao.com/quimica/cianeto-potassio.htm>, Acesso em 2013.

Site de resenhas educativas: Acesso em 2013. Disponível em: <http://www.qca.ibilce.unesp.br/prevencao/produtos/cianeto.html>

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Isotônicos: sim ou não?

Por Elizabeth Cristine Marucci Lemos

Depois de praticar um exercício físico, é importante se hidratar. Essa afirmação todo mundo já conhece. O que pode despertar dúvidas é qual o melhor modo de repor toda a água perdida pela transpiração durante um exercício. As bebidas isotônicas, também chamadas de bebidas esportivas, são uma delas. No entanto, consumir esse líquido de modo exagerado pode causar algumas complicações ao nosso organismo. 

As bebidas isotônicas foram desenvolvidas para repor líquidos e sais minerais perdidos com a transpiração durante um exercício com carga intensa, com a finalidade de prevenir a desidratação e melhorar a desempenho esportivo. 

Mas como isso acontece? Você deve estar se perguntando. Isso é uma questão de química: os isotônicos são ricos em sódio, potássio, cálcio e fósforo, nutrientes que, quando estão na corrente sanguínea, favorecem o funcionamento das células e deixam o indivíduo com mais energia, tirando a sensação de cansaço. 

O termo isotônico refere-se à concentração iônica de um líquido em relação ao sangue. Se a concentração de sais minerais é menor em um líquido do que do sangue, ela é classificada como hipotônica. Quando é maior, é avaliada como hipertônica e quando é igual ou muito próxima (como nas bebidas esportivas), esses líquidos são chamados de isotônicos. 

Por ter essas características, as bebidas isotônicas possuem melhor capacidade de repor líquidos, ganhando da água de coco e da própria água nesse quesito. Para quem pratica exercícios físicos, a bebida isotônica é a melhor opção. Por ter a mesma concentração de sais do sangue, elas fazem efeito mais rápido do que uma quantidade igual de água. 

Mas, se for consumida indiscriminadamente por adolescentes e adultos que associam o consumo de isotônicos a uma vida saudável e por isso ingerem quantidades exageradas dessa bebida, terão dificuldades de perder peso por causa da grande dos carboidratos contidos nos isotônicos. O consumo sem indicação de um profissional, a falta de exercícios e a falsa ideia de que a bebida isotônica ajuda a perder peso, podem dificultar o processo de emagrecimento.

Por isso, isotônicos, SIM, para repor líquidos e sais minerais. E, NÃO, para apenas matar a sede, ok?

REFERÊNCIAS 

Brasil. RDC 18/2010 – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Regulamento Técnico sobre Alimentos para Atletas.

Livro. A Química e Sociedade.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

ENEM 2013: a polêmica charge e desenvolvimentismo!

Por Vinícius Prado Alves



No último dia 26 de outubro estudantes de todo o Brasil fizeram as provas de ciências humanas (história, geografia, filosofia e sociologia) e de ciências da natureza (química, física e biologia) do Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) e, dentre as várias questões, uma em especial chamou a atenção. Continha uma charge, onde o presidente Juscelino Kubistchek contracenava com um personagem chamado Jeca e nela ocorre o seguinte diálogo:

JK - Você agora tem automóvel brasileiro, para correr em estradas pavimentadas com asfalto brasileiro, com gazolina brasileira. Que mais quer?

JECA - Um prato de feijão brasileiro, seu douto!

A polêmica que tomou conta das redes sociais deu-se em torno da grafia da palavra “gazolina” escrita com a letra Z no lugar de S. Logo após aprova comentários como "Aprendi no ENEM que escrevi 'gazolina' errado a minha vida toda!" e "#AprendiNoEnem que se baixarem minha nota na redação porque eu coloquei gazolina com 'z' eu armo um barraco!". 

Utilizando-se das próprias redes sociais, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), respondeu aos questionamentos através de seu Twitter oficial, informando a grafia de “gazolina” assim como a da palavra “doutô”, respeitam integralmente os direitos autorais da charge publicada, e por isso foram mantidas.

A charge é de autoria do chargista Théo e foi retirada do livro Uma História do Brasil através da Caricatura (1840-2001) e retrata um questionamento ao modelo desenvolvimentista implementado por JK em sua gestão frente a presidência da repúblic. Este é o ponto mais interessante e que deve ser analisado e discutido.

O modelo desenvolvimento econômico denominado como desenvolvimentismo caracteriza-se por um projeto alicerçado em uma política econômica baseada na meta de crescimento da produção industrial e da infra-estrutura, com participação ativa do estado como base da economia e o consequente aumento do consumo.

A opção pelo desenvolvimentismo é feita na história do Brasil a partir do governo de JK e com sua política “cinquenta anos em cinco” e teve continuidade nos 20 anos de “milagre econômico” do período militar. Ambos enfrentaram dificuldades: JK com o crescimento da divida externa devido aos altos empréstimos internacionais para garantir a implementação de indústrias (principalmente multinacionais) a qual foi aumentada ainda mais pelo militares. Porém com a crise do petróleo na década de 70, o capital financeiro mundial foi abalado e nesta onda o Brasil que estava altamente endividado sofreu grandes consequências como, por exemplo, os grandes índices de inflação nas décadas de 70 e 80.

Toda essa instabilidade nos períodos em que o modelo desenvolvimentista esteve em alta no Brasil não é mera coincidência, pois não se trata de um modelo sustentável, tanto ambientalmente como socialmente. Ele nos coloca refém de um mercado financeiro especulatório internacional. 

Essa deve ser reflexão a ser feita sobre o referido tema pois, para compreendermos a situação econômica, política e social do Brasil atual é fundamental que compreendamos o processo de construção histórica de nossa realidade e, neste sentido, o desenvolvimentismo de JK e posteriormente dos militares são centrais neste processo.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Carro a álcool: um dia você vai ter um!

Por Rafael Oliveira Vitorino

Em 1973 o mundo passou pela primeira crise do petróleo. O preço do barril do combustível natural subiu significativamente, gerando um efeito arrasador na economia mundial, com impactos que deixaram graves conseqüências econômicas. 

No Brasil, vivia-se os anos da Ditadura Militar, que começara em 1964. Entre 1968 e 1973, o país passou por um momento de grande crescimento econômico que o colocou entre as economias mais desenvolvidas do planeta. Esse período é chamado de Milagre Econômico, momento que coincide com a fase de maior repressão da Ditadura Militar. Com a crise mundial do petróleo em 1973 essa fase próspera terminou e a ditadura passou a ser questionada de forma mais aberta, refletindo no início, embora muito lento, da abertura do sistema.

PRÓALCOOL


O Proálcool (Programa Nacional do Álcool) consistiu em uma iniciativa do governo brasileiro visando intensificar a produção de álcool combustível (etanol) para substituir a gasolina. Essa atitude teve como fator determinante a crise mundial do petróleo, durante a década de 1970, que onerou a importação do produto para os países que dela dependiam.

Em contrapartida, o governo brasileiro criou um programa de incentivo a produção de cana-de-açúcar, onde foram oferecidos vários incentivos fiscais e empréstimos bancários com juros abaixo da taxa de mercado para os produtores. A indústria automobilística também foi envolvida no processo,desenvolvendo motores propelidos álcool. Esse programa ganhou o nome de PROÁLCOOL  e teve início em 1975. A escolha da cana-de-açúcar para produção do novo combustível foi decorrente da queda nos preços do açúcar, o que levou o Brasil a produzir mais de 15 bilhões de litros do combustível nos dez anos seguintes ao início do Pró-Álcool.

A proposta foi um sucesso, visto que os consumidores davam preferência a veículos movidos a etanol. Em 1991, aproximadamente 60% da frota brasileira era movida por essa fonte energética, correspondendo a 6 milhões de veículos movidos a etanol.

Porém, o Programa Nacional do Álcool promoveu alguns problemas futuros decorrentes de sua criação, tais como: elevação da dívida pública em consequência dos benefícios concedidos; aumento dos latifúndios monocultores de cana-de-açúcar; elevação dos preços de alguns gêneros alimentícios face à redução do cultivo de alimentos em substituição à cana-de-açúcar, entre outros.

Agravando ainda mais a situação, durante a década de 1990, houve a redução do preço do barril de petróleo. Esse fato fez com que a diferença entre a gasolina e o álcool diminuísse, levando os usineiros a destinar a produção de açúcar para o mercado internacional, pois o interno tornou-se menos lucrativo. Todos esses aspectos contribuíram para que os consumidores e fabricantes de veículos voltassem a priorizar automóveis movidos a gasolina.

Em 2003, um novo momento de turbulência envolvendo o preço do petróleo faz com que as indústrias voltem a apostar no etanol mas, dessa vez, criando veículos Bicombustíveis, onde o consumidor escolhe com qual quer abastecer.

A chegada do carro Bicombustível ao mercado brasileiro em 2003 vem produzindo importantes resultados ambientais. O uso do etanol nesses veículos evitou a emissão de quase 190 milhões de toneladas (189.849.294) de CO2 na atmosfera. Para atingir essa redução com o plantio de árvores nativas, seriam necessárias mais de 1,3 bilhão (1.355.523.962) de árvores.


DOS 14 AUTOMÓVEIS MAIS POLUIDORES A VENDA NO BRASIL, 8 SÃO MOVIDOS A ETANOL!

O título acima pode parecer contraditório em relação ao exposto acima mas, à medida que os resultados das pesquisas vão surgindo, o Etanol parece deixar de ser o salvador. Mas onde está o real problema: no combustível ou no veículo que faz a queima do mesmo?

Um relatório divulgado em setembro pelo Ministério do Meio Ambiente deixou todo mundo confuso. Segundo o documento, 8 dos 14 carros mais poluentes a venda no Brasil são movidos à álcool. Como assim? O etanol brasileiro não ia salvar o mundo? Ele não era considerado um combustível limpo, bem menos agressivo?

Sim, o etanol é mais limpo que a gasolina. Afinal, trata-se de um combustível renovável - suas emissões de CO2 (gás carbônico, que provoca o efeito estufa) são neutralizadas pela cana-de-açúcar plantada. O problema, em parte, está no motor que equipa a maioria dos carros novos. Ele sai da fábrica melhor regulado para a queima da gasolina, já que o mercado internacional não utiliza etanol. Resultado: com tanque cheio de álcool e combustão menos eficiente, um carro Bicombustível acaba lançando no ar mais monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de hidrogênio.

"Embora a queima do etanol reduza as emissões de dois poluentes cancerígenos, os níveis de outros gases aumentariam", afirma o cientista Marc Jacobson, da Universidade Stanford, um dos responsáveis pelo estudo. "Portanto, alguns tipos de câncer teriam a mesma incidência se a poluição fosse causada por fumaça de veículos movidos a gasolina." A solução, segundo Jacobson, não está no álcool, muito menos na gasolina, mas na conversão dos veículos em elétricos. "Isso eliminaria 10 mil mortes anuais por poluição do ar."

É muito provável que proprietários de carros com motor Bicombustível poluam menos ao usar gasolina do que etanol. Os números variam de acordo com o modelo do veículo. Mas, na média, ao verificar a emissão da frota de 2008, os carros Bicombustível que usam álcool emitem mais monóxido de carbono (0,71 grama por quilômetro) do que os que utilizam gasolina (0,51 grama por quilômetro).

SAIBA MAIS:

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,carro-flex-abastecido-com-gasolina-polui-menos,436426,0.htm


REFERÊNCIAS:

http://www.infoescola.com/combustiveis/proalcool/

http://www.biodieselbr.com/proalcool/pro-alcool/programa-etanol.htm

http://www.unica.com.br/noticia/21375871920313606276/-por-centoE2-por-cento80-por-cento98carbonometro-por-centoE2-por-cento80-por-cento99-aponta-por-cento3A-etanol-em-veiculos-flex-ja-reduziu-quase-190-milhoes-de-toneladas-de-co2/

www.br.com.br

Futebol é pra "macho"?

Por Jéffrey Cássio de Toledo

O esporte número um do brasileiro é o futebol? Pode-se dizer que sim. Contudo, todos os amantes deste esporte podem praticá-lo? Existe alguma regra oficial que exige que futebol “seja coisa pra macho”? Ou ainda, há algum tipo de incentivo para que outros grupos sociais, como o das mulheres, possam praticá-lo de forma ampla e convicta? O objetivo deste artigo é proporcionar uma reflexão sobre a prática do futebol feminino no Brasil, bem como, analisar as relações de gênero presentes neste campo da vida social de muitos brasileiros diariamente.

Figura 1: Marta – Jogadora brasileira,
escolhida cinco vezes a melhor do mundo.
É fácil constatar que a presença feminina nas arquibancadas dos estádios de todo o mundo é maciça. Isso é ainda mais evidente quando se percebe a quantidade de torcidas organizadas femininas que circulam pelos palcos deste esporte. Hoje, homens e mulheres dividem as suas posições de forma igualitária deste espetáculo. Mas, essas ações de interação entre diferentes gêneros é mascarada por uma série de atitudes de afirmação da masculinidade dos torcedores.

Considerando o estádio um ambiente de educação informal, percebemos que nele se estabelece uma instituição onde o iniciado, aprenderá a ser “torcedor”. Assim, no convívio com os indivíduos que frequentam esse ambiente a mais tempo é que se aprende as práticas comuns deste espaço. Segundo Bandeira (2010, p. 344), “estar em um estádio de futebol significa passar por diferentes pedagogias. É necessário aprender quando gritar, quando calar, o que gritar, o que calar, o que e como sentir”. 
Além da prática cultural do futebol, existe, claro a prática do esporte profissional. O futebol feminino profissional é praticado com muitas dificuldades em vários países, inclusive no Brasil. Um dos motivos que o põe na margem do futebol masculino é a falta de incentivo para tal. Historicamente, as mulheres são vistas como frágeis, dóceis, e outros tantos esteriótipos incompatíveis à pratica do bom futebol. 

A preocupação com a prática do esporte por parte das mulheres foi tão grande que médicos especialistas na área proibiam as “moças” de faze-lo. Podemos perceber isso pela opinião do doutor Leite de Castro, expressa ao jornal A Gazeta Esportiva afirmando que “não é no futebol que a juventude feminina se aperfeiçoará”. Segundo ele, “é o futebol o esporte que lhe trará defeitos e vícios; alterações gerais para a própria fisiologia delicada da mulher, além de outras consequências de ordem traumática.” (Franzini, 2005, p. 321)

Por fim, as tentativas de inserir a mulher no centro das ações afirmativas referentes ao futebol sempre acabam por enaltecer o machismo predominante na sociedade. As atitudes, por parte dos organizadores de eventos é sempre enaltecer a beleza e a sensualidade da jogadora para atrair o público masculino. Mas, ainda que não possamos fazer eventos de futebol feminino tão grandiosos como os do futebol  masculino, estamos evoluindo e temos de ser otimistas para que o esporte não seja mais o reflexo da própria sociedade.

REFERÊNCIAS

SALVINI, Leila; SOUZA, Juliano de; MARCHI JUNIOR, Wanderley. A violência simbólica e a dominação masculina no campo esportivo: algumas notas e digressões teóricas. Rev. bras. educ. fís. esporte, São Paulo , v. 26,n. 3,Set. 2012 . Disponível em  <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1807-55092012000300006&lng=en&nrm=iso> Acessado em 14 Out. 2013.

FRANZINI, Fábio. Futebol é "coisa para macho"?: Pequeno esboço para uma história das mulheres no país do futebol. Rev. Bras. Hist., São Paulo , v. 25, n. 50, Dez. 2005 .  Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882005000200012&lng=en&nrm=iso>. Acessado em 14 Out. 2013.

BANDEIRA, Gustavo Andrada. Um currículo de masculinidades nos estádios de futebol. Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro, v. 15, n. 44, Ago. 2010 .Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782010000200010&lng=en&nrm=iso> Acessado em: 14 Out. 2013.

De olho nas metrópoles!

Por Eduardo Cordeiro Uhlmann

O Observatório das Metrópoles é um grupo que reúne mais de cem pesquisadores de dezenas de instituições dos campos universitários, governamental e não governamental sob a coordenação geral do IPPUR - Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O Observatório desenvolve pesquisas sobre 14 metrópoles e uma aglomeração urbana: Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia, Recife, Salvador, Natal, Fortaleza, Belém, Santos, Vitória, Brasília e a aglomeração urbana de Maringá.

São quatro as linhas de pesquisa:


  • Linha I – Metropolização, dinâmicas intrametropolitanas e o território nacional;
  • Linha II – Dimensão sócio-espacial da exclusão/integração nas metrópoles: estudos comparativos;
  • Linha III – Governança urbana, cidadania e gestão das metrópoles;
  • Linha IV – Monitoramento da realidade metropolitana e desenvolvimento institucional.

O Núcleo da Região Metropolitana de Curitiba do observatório publicou em 2009 o livro “Dinâmicas Intrametropolitanas e Produção do Espaço na Região Metropolitana de Curitiba”, organizado por Olga L C F Firkowsky e Rosa Moura.

Dentre as várias análises apresentadas, um capítulo é intitulado: “Movimento pendular para trabalho na Região Metropolitana de Curitiba: uma análise das características de quem sai e de quem fica, em que Marley Vanice Deschamps e Anael Cintra analisam os deslocamentos pendulares para trabalho e estudo em associação com indicadores socioeconômicos, de forma comparativa entre a população que se desloca e aquela que permanece no município.

Segundo os autores, este estudo é importante para a análise dos processos de metropolização e identificação dos principais vetores da expansão urbana, porque o movimento pendular se concentra em aglomerações urbanas em que é possível identificar os processos seletivos de uso e ocupação do espaço, com a separação dos locais de residência e de trabalho.

A migração pendular está associada às aglomerações urbanas intensificadas pela migração interna e na Região Metropolitana de Curitiba observa-se um maior crescimento das áreas periféricas em detrimento das áreas centrais (fato observado em todas as grandes aglomerações urbanas do país).

REFERÊNCIAS

Dinâmicas intrametropolitanas e produção do espaço na Região Metropolitana de Curitiba / Rosa Moura e Olga Lucia C. de F. Firkowski (Organizadoras). – Rio de Janeiro: Observatório das Metrópoles : Observatório de Políticas Públicas Paraná; Curitiba: Letra Capital Editora, 2009

Região Metropolitana de Curitiba - Movimentos pendulares: o vai e vem de pessoas!

Por Rafael Briones Matheus

O vai e vem diário das pessoas nas regiões metropolitanas de suas casas para o trabalho e vice-versa  é um tipo de movimento migratório exercido constantemente por milhares de brasileiros. Caracteriza-se pelo deslocamento de pessoas que viajam da cidade que residem para outra onde trabalham ou estudam, geralmente um grande centro urbano. A lotação dos meios de transporte coletivo intermunicipais e os congestionamentos das vias urbanas no início da manhã e no fim do dia são consequências evidentes desse movimento. Entretanto, há diversos tipos de movimentos pendulares. Por exemplo, no campo o movimento pendular é o realizado pelos trabalhadores rurais, conhecidos popularmente como boias-frias, os quais se deslocam no início da manhã da cidade em que moram para o campo, de onde retornam para suas casas, na cidade ao final do dia. Mas existem também fluxos migratórios pendulares não diários, realizados constantemente por trabalhadores, como por exemplo, políticos, executivos, petroleiros, médicos, professores e etc.

Nos últimos anos houve um acelerado crescimento das regiões metropolitanas brasileiras e segundo o Censo 2010, as regiões metropolitanas mais populosas no Brasil são respectivamente: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Salvador, Curitiba e Campinas. Acompanhando o panorama nacional, a Região Metropolitana de Curitiba possuí um intenso movimento de trabalhadores que migram dos municípios do entorno para a capital, como pode ser visto nas figuras 1 e 2. De acordo com  a figura 1, os municípios com o maior número de pessoas se deslocando para Curitiba seriam Colombo e São José dos Pinhais. Já na figura 2 podemos perceber que o maior fluxo de pessoas que saem de Curitiba têm como destino São José dos Pinhais, seguido de Araucária e Pinhais. Tais informações são extremamente relevantes para o planejamento urbano, principalmente no que diz respeito ao transporte público destes municípios. O mercado imobiliário também se utiliza destes dados para executar ações através de empreendimentos imobiliários, construção de edifícios, condomínios, casas comerciais e etc.

Figura 1.

Figura 2.
REFERÊNCIAS

www.ibge.gov.br

www.observatoriodasmetropoles.net

Armas Químicas!

Por Alan Eduardo Wolinski

Figura 1. Símbolo usado para identificar Armas Químicas. Fonte: hazmatcarriers.com.

Armas químicas são definidas como qualquer substância química cujas propriedades tóxicas são utilizadas com a finalidade de matar, ferir ou incapacitar algum inimigo na guerra ou em operações militares (SMART, 1997).

O uso de substâncias químicas para estas finalidades é conhecido desde os tempos da Grécia Antiga. Por exemplo, em 600 a.C. o ditador Ateniense Solon, durante o cerco à cidade de Crissa, utilizou raízes de Heleborus (laxante) para envenenar os suprimentos de água de seus inimigos. Entre 431 e 404 A.C durante a Guerra do Peloponeso, os Espartanos usaram uma mistura de piche e enxofre em chamas, conhecido como Fogo Grego, no ataque à Plateia e Délio.

Nos séculos XVIII e XIX, foi descoberta a maioria dos agentes químicos, e com o surgimento das bombas incendiárias de Arsênio, inicia-se a guerra química considerada moderna e, apesar de utilizados desde a antiguidade, os agentes químicos só passaram a ser empregados em larga escala na Primeira Guerra Mundial.

O químico alemão Fritz Haber, prêmio Nobel de química em 1918 pelo desenvolvimento do processo Haber de síntese da amônia, em 22 de abril de 1915, organizou e coordenou um ataque em Ypres, Bélgica, utilizando o Gás Cloro, vitimando aproximadamente 5 mil soldados franceses e mais 10 mil em outros ataques. Devido a este fato, Haber ficou conhecido como o pai da guerra química moderna. 

Após os alemães, franceses e britânicos também começaram a desenvolver estratégias de combate utilizando armas químicas.

Os primeiros ataques impulsionaram o aumento nas pesquisas para o desenvolvimento de armas químicas mais potentes, armas capazes de provocar lesões na pele e criação de novos sistemas para dispersão de tais compostos. 

Na tentativa de reduzir os impactos deste tipo de ataque, foram desenvolvidas máscaras e roupas que protegessem o minimizassem o efeito das armas químicas.

Figura 2. Máscara e roupa antigás. Para proteger os soldados contra a inalação dos agentes e as roupas de proteção para prevenir que agentes tóxicos atingissem o corpo através da pele. Fonte: navalbrasil.com.

Um pouco antes da Segunda Guerra Mundial surgiram outros agentes, muito mais letais que os utilizados na Primeira Guerra, capazes de matar em poucos minutos.

AGENTES QUÍMICOS


1) AGENTES NEUROTÓXICOS

Grande parte dos agentes neurotóxicos foi originalmente produzida na pesquisa de defensivos agrícolas, são compostos organofosforados, que atuam na inibição da enzima acetilcolinesterase, no espaço intersináptico. Os principais representantes desta classe são: Tabun (GA); Sarin (GB); Soman (GD) e o agente VX, estes agentes são altamente tóxicos quando inalados, ingeridos ou em contato com a pele e olhos, e devido à toxicidade foram usados na guerra e por grupos terroristas.

Em 1994 um ataque terrorista de uma seita religiosa liberou Sarin na cidade de Matsumoto (Japão) matando 7 pessoas e ferindo cerca de 200. E, no ano seguinte, outro ataque do mesmo grupo terrorista, utilizando novamente o gás Sarin, causou a morte de 12 indivíduos e deixou mais de 5000 feridos em um metrô, na cidade de Tóquio.

Os efeitos da exposição aos neurotóxicos incluem a redução do diâmetro da pupila, salivação e sudorese excessivas, náusea, vômitos, tremor incontrolável, inconsciência, convulsão, paralisia, coma, parada respiratória e morte. Os efeitos incapacitantes ocorrem entre 1 e 10 minutos. Os efeitos fatais da exposição ao GA, GB e GD podem ocorrer entre 1 e 10 minutos e de 4 a 42 horas para o VX.

2) AGENTES VESICANTES

Os agentes vesicantes são compostos derivados do enxofre e do nitrogênio, conhecidos como mostardas, ou do arsênio, conhecidos como levisitas. Em contato com a pele induzem a formação de bolhas e queimaduras e podem ser absorvidos por via respiratória, afetando pulmão e o trato gastrintestinal.

Estes compostos não são extremamente letais porém, incapacitam o inimigo nos combates, sendo que a causa mais comum de morte por exposição ao agente mostarda é por complicações causadas por dano ao pulmão na exposição inalatória. Entretanto, o exato mecanismo de ação tóxica do agente mostarda ainda não está completamente elucidado.

O gás mostarda foi usado pela primeira vez em 1917 pelo exército alemão no combate de Flanders (próximo à Bélgica) e em 1918 durante a Primeira Guerra Mundial.

3) AGENTES SANGUÍNEOS OU HEMOTÓXICOS

Os agentes sanguíneos ou Hemotóxicos são substâncias que, após absorvidas, danificam células sanguíneas, impedindo o transporte de oxigênio e produzindo sufocação. São classificados como simples ou químicos.
Os asfixiantes simples agem deslocando fisicamente o oxigênio do ar, como o metano, o nitrogênio, entre outros. Os asfixiantes químicos interferem no transporte de oxigênio a nível celular, causando hipóxia tecidual (falta de oxigênio nos tecidos). Os asfixiantes mais importantes utilizados como agentes de guerra são: cloreto de cianogênio e o ácido cianídrico (HCN).

Desde a antiguidade, o cianeto encontrado em algumas plantas, era utilizado com a finalidade de causar intoxicação. Porém, apenas na Primeira Guerra Mundial, este agente foi produzido em larga escala com o mesmo propósito. 

O HCN era o componente principal do Zyklon B, uma mistura de sulfato de cálcio com HCN (aproximadamente 40 % em peso) utilizado nas câmaras de gás nazistas da Segunda Guerra Mundial. O ácido cianídrico é altamente tóxico por inalação, mas pode também ser absorvido pela pele quando na forma líquida.

Figura 3. Lata do Zyklon B e sólido que continham o gás, usado pelos nazistas em Auschwitz. Fonte: Flickr.com.

Os cianetos interferem na respiração em nível celular, fazendo com que as células não consigam utilizar o oxigênio em seus processos bioquímicos, resultando num acúmulo de ácido lático (acidose) e, consequente, na morte celular. Os principais sintomas da intoxicação com cianeto são fraqueza, perda dos reflexos, constrição na garganta, inicialmente aumento da taxa de respiração e cardíaca, seguida de depressão respiratória, inconsciência, parada respiratória e morte.

O cloreto de cianogênio (CK) apresenta toxicidade semelhante ao HCN porém, provocava em baixas concentrações, irritação dos olhos e pulmões. O CK é mais pesado e menos volátil que o HCN, sendo empregado na indústria para a síntese de herbicidas, refino de minério e como limpador de metal.

4) AGENTES SUFOCANTES

Esses agentes são chamados de sufocantes porque atuam diretamente sobre o sistema respiratório, causando edema pulmonar e a morte por sufocamento. Os sufocantes mais utilizados em guerra foram o cloro, o difosgênio, a cloropicrina e o fosgênio.

Fosgênio(CG): Este é o principal agente sufocante. Foi largamente utilizado pelos alemães em 1915 ainda em Ypres, como um substituto mais tóxico para o cloro e foi o agente químico que causou o maior número de mortes na Primeira Guerra Mundial. A inalação é a principal via de exposição ao fosgênio. A exposição a altas concentrações pode irritar os olhos, nariz e garganta. Cerca de 80% dos casos fatais ocorrem nas primeiras 24-48 horas após a exposição.

Difosgênio: Foi introduzido para penetrar nas máscaras contra gases, uma vez que ele se decompõe em fosgênio e clorofórmio que era capaz destruir os filtros da época permitindo a entrada do fosgênio.

5) OUTROS AGENTES

Napalm: É uma goma obtida da mistura de gasolina e outros derivados do petróleo com sais de alumínio produzidos dos ácidos palmítico e naftênico, que apresenta característica incendiária. Este agente foi desenvolvido durante a 2ª Guerra Mundial por pesquisadores norte-americanos. 

Na época da Guerra do Vietnã, este agente sofreu uma um aperfeiçoamento, passando a ser solidificado com poliestireno adicionado à gasolina, originando o Napalm B. A adição do polímero faz com que o produto permaneça aderido aos alvos, à medida que ocorre sua queima.

Agente Laranja: Também utilizado na guerra do Vietnã, era uma mistura meio a meio de dois herbicidas comuns, 2,4-D e 2,4,5-T+ Sua utilização tinha o propósito de desfolhar a densa vegetação das selvas vietnamitas e, portanto, reduzir as possibilidades de uma emboscada. Por apresentar em sua composição compostos cancerígenos, seu uso deixou sequelas terríveis na população daquele país e nos próprios soldados norte-americanos.

A proibição de armas químicas de Guerra


O uso deste tipo de arma é condenado desde muito tempo, sendo que a primeira tentativa visando proibir tal prática foi o tratado internacional franco-germânico assinado em Strasburgo, em 1675, proibindo a utilização de balas envenenadas. 

Em 1925, o Protocolo de Genebra procurou limitar o uso de armas químicas, mas elas continuaram a ser utilizadas em vários conflitos do século XX.

A Convenção para a Proibição de Armas Químicas (CPAQ), promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, adotou o texto por consenso, no dia 13 de janeiro de 1993, em Assembleia Geral, proibindo o uso deste tipo de arma por parte de qualquer um dentre os países signatários. Este acordo entrou em vigor no dia 29 de abril de 1997. A CPAQ teve o papel fundamental de possibilitar a eliminação das armas químicas, porém vários membros dessas convenções ainda possuem grandes estoques destes agentes.

REFERÊNCIAS

COLASSO, Camilla; AZEVEDO, Fausto Antônio de. Riscos da utilização de Armas Químicas. Parte I - Histórico. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 4, n. 3, p. 137- 172, out. 2011.

COLASSO, Camilla; AZEVEDO, Fausto Antônio de. Riscos da utilização de Armas Químicas. Parte II – Aspectos Toxicológicos.RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 5, n. 1, p. 7-47, fev. 2012.

 FRANÇA, T. C. C.; SILVA, G. R.; de CASTRO, A. T. Defesa Química: Uma Nova disciplina no Ensino de Química. Rev. Virtual Quim., 2010, 2 (2), 84-104.

Ficha de Informação Toxicológica (FIT) – Agentes Asfixiantes. Divisão de Toxicologia, Genotoxicidade e Microbiologia Ambiental – CETESB – 2012.

Ficha de Informação Toxicológica (FIT) – Agentes Neurotóxicos. Divisão de Toxicologia, Genotoxicidade e Microbiologia Ambiental – CETESB – 2012.

Ficha de Informação Toxicológica (FIT) – Agentes Vesicantes. Divisão de Toxicologia, Genotoxicidade e Microbiologia Ambiental – CETESB – 2012.

http://www.uff.br/rvq

http://www.cetesb.sp.gov.br

http://www.cdcc.usp.br/ciencia/artigos/art_14/armaquimica.html

http://arturhoo.ar.funpic.org/modules.php?name=tipos_de_armas_quimicas

http://www.ff.up.pt/toxicologia/monografias/ano0506/anti_motim/html/conclusao.html

http://www.educacional.com.br/reportagens/armas/quimicas.asp

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A argila presente no cotidiano!

Por João Marcos Alberton

Figura 1: Exemplo de argila.
A argila, matéria encontrada na natureza, origina-se de rochas sedimentares que, por meio dos ciclos, condições atmosféricas e geológicas foram se transformando em partículas microscópicas com eficiente poder de absorção de água. Diferente do barro que é composto de areia (cristais insolúveis), a argila é encontrada geralmente em profundidades que contem umidade, tais como fundo de vales, beira de rios e na área litorânea. Os elementos identificados na argila basicamente consistem em silicato de alumínio hidratado e óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio, variando conforme as características da região onde é encontrada, podendo, inclusive, conter outros elementos tais como: feldspato, carbonatos, fosfato, silício, magnésio e cálcio. A argila é usada desde os primórdios pelas civilizações que deixaram seus vestígios arqueológicos em sítios que demonstram por meio de objetos inteiros e fragmentados a passagem dos grupos que habitaram a Terra, ou seja, marcas que fazem parte dos registros da história da humanidade.

Com a evolução das tecnologias sociais, foram desenvolvidas diversas maneiras de se beneficiar a argila até ser queimada, formando a cerâmica que conhecemos. As técnicas passaram pelo modo rústico, manipulando o material através das mãos, pés e cochas. Os escravos tiveram a missão de amassar com os pés grandes quantidades de argila para a homogeneização e torna-la plástica para confecção das telhas que eram moldadas em suas coxas, tornando-as irregulares, pois variavam conforme o tamanho do escravo e conformação das coxas e é por isso da expressão popular, que algo irregular é “feito nas coxas”. Os tijolos também tiveram sua trajetória de evolução tecnológica, passando pelas caixas de madeira para moldar (maciços) e mais tarde, a criação das Olarias para fabricação de telhas e tijolos, ainda existentes de maneira alternativa, pois as demais já são eletromecânicas. As engrenagens eram levadas com o auxilio de cavalos amarrados que circulavam e amassavam o barro até a confecção dos tijolos já com os furos e as telhas em fôrmas de metal.

Toda argila, seja na confecção de objetos utilitários: recipientes para armazenar alimentos, panelas, pratos, copos; como também decorativos: vasos, esculturas, e de construção de casas, necessariamente passa pela queima por volta dos 800 graus para se tornar um objeto cerâmico. No inicio, as queimas eram feitas fogueiras e há dados de comunidades tradicionais e tribos indígenas que ainda utilizam esse processo. Com o tempo, foram desenvolvidos fornos a lenha feitos de tijolos e barro para otimizar o calor, apresentando-se em variadas formas e tamanhos. Com os avanços da indústria, surgiram os fornos elétricos com patamares de temperatura que variam de 800 a 1350 graus.

O Parque da Ciência Newton Freire Maia, através de seu Atelier de Arte, estrutura oficinas para oferta de cursos das diversas linguagens artísticas. No momento estão abertas as inscrições para o básico em cerâmica, oferecido gratuitamente para a comunidade. Os interessados deverão entrar em contato com a administração/agendamento do Parque para inscrição formando grupos de no máximo 10 participantes. A duração é de 3 (três) meses, uma vez por semana (quarta-feira) no horário das 14:00h às l6:30h.

Interessados podem inscrever-se através do telefone (41) 3666 - 6156.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Projetando imagens: da lanterna mágica ao projetor digital!

Por Rafael Gama Vieira

Figura 1. Fonte: o autor.

É comum nos dias de hoje a utilização de projetores de imagens, seja em uma reunião no trabalho, em salas de aula ou nos cinemas. Mas, você conhece a história dos projetores? Sabe como eles funcionam?

Diversos projetores de imagens foram desenvolvidos ao longo da história. Dentre eles podemos destacar a Lanterna Mágica, Lanterna Vertical, o Cinematógrafo e o Projetor de Slides. Neste texto você conhecerá um pouco da história destes equipamentos e como eles funcionam.

LANTERNA MÁGICA


Figura 2: Lanterna Mágica; Fonte: Kinodinâmico.
Não se sabe ao certo sua origem, porém, cabe ao astrônomo holandês Christian Huygens as primeiras descrições deste equipamento no século XVII. 

A Lanterna Mágica tinha como objetivo projetar em um anteparo uma imagem desenhada em uma tela de vidro. Para isso, utilizava uma vela, um espelho côncavo, um pedaço de vidro onde eram desenhadas as imagens e uma lente, responsável pela ampliação.

O espelho côncavo era utilizado para aproveitar ao máximo a luz fornecida pela vela, fazendo com que a imagem fosse bastante iluminada. A luz passava então pelo vidro, chegando à lente que iria ampliar a imagem e projetá-la sobre algum anteparo.

Este equipamento fornecia apenas imagens paradas, não criando o efeito de movimento. 

LANTERNA VERTICAL


Desenvolvida em 1853 por Edmond Becquerel, a Lanterna Vertical (figura 3) funcionava basicamente como o projetor de slides atual, conhecidos como Retroprojetor (figura 4).

Figura 3: Lanterna Vertical. Fonte: Physics Kenyon.
Figura 4: Retroprojetor moderno. Fonte: CSR.

Novamente eram utilizadas lentes, espelhos e vela porém, desta vez a imagem era colocada sobre uma lente horizontal, a qual era iluminada, fazendo com que a imagem fosse transmitida para outra lente localizada na parte superior, chegando então a um espelho, responsável por refletir a imagem ampliada na parede.

O Retroprojetor atual funciona da mesma maneira, mas no lugar da vela utiliza-se uma lâmpada para iluminação e a lente sobre a qual são colocados os slides é chamada Lente de Fresnel, maior do que as utilizadas na Lanterna Vertical.

CINEMATÓGRAFO


Em 1895 os irmãos Lumière constroem o cinematógrafo. Este equipamento consistia em uma câmera filmadora, laboratório processador de filmes e projetor em um único aparelho. Com este equipamento foi possível projetar imagens em movimento. Para isso, bastava movimentar o filme gravado em frente à lente. 

Figura 5: Cinematógrafo. Fonte: Ronaldo fotografia.

PROJETOR DE SLIDES KODAK


Figura 6: Projetor de slides.
Fonte: Arte projeções.
Em 1960 a Empresa Kodak lança o projetor de slides carrossel. Este funcionava basicamente como a Lanterna Mágica, porém a iluminação é feita através de uma lâmpada e as imagens são gravadas em filmes fotográficos.

Todos estes equipamentos inspiraram a criação dos projetores digitais, seja para uso profissional, pedagógico ou para lazer.

Existem atualmente três tipos de projetores digitais: o 3 CRT (Cathode Ray Tubes), o de LCD (Liquid Crystal Display) e o DLP (Digital Light Processing). 


PROJETOR 3 CRT - CATHODE RAY TUBES

Figura 7: Projetor CRT. Fonte: hightech-edge.com.

Este é o sistema mais antigo dos três, porém ainda em uso. Para projetar as imagens, este equipamento utiliza três Tubos de Raios Catódicos semelhante aqueles usados em aparelhos de televisão mais antigos. Cada tubo é responsável por uma cor: vermelho, verde e azul. A partir destas cores primárias é possível compor qualquer outra cor. Logo, o que o projetor faz é misturar estas cores para formar as imagens, projetando-as em um anteparo.

Apesar de ser o sistema mais antigo, este projetor é o que fornece a melhor qualidade de imagem, mas acabou sendo substituído por ser muito grande, pesado e por necessitar de manutenções periódicas. Outro problema é o menor brilho, chamado de  ANSI Lúmen, sendo necessário um local mais escuro para visualização de sua projeção. Por não utilizar lâmpadas é o que possui maior durabilidade (Aproximadamente 10 mil horas de projeção). O princípio básico de funcionamento dos projetores a seguir consiste na utilização de uma lente convergente para realizar a ampliação das imagens fornecidas por um computador, por exemplo. 

PROJETOR DE LCD - LIQUID CRYSTAL DISPLAY

Este é o modelo mais comum atualmente. Possui diversas versões com brilho entre 1000 e 20000 Lúmens. Os que possuem menos Lúmens são pequenos e leves, porém os mais potentes são grandes, pesando mais que 100 Kg. Sua iluminação interna é feita por lâmpadas de descarga de alta intensidade, o que leva à menor vida útil (cerca de 2.000 horas) quando comparados ao 3 CRT.

Seu esquema de funcionamento pode ser visto na figura a seguir:

Figura 9: Esquema de funcionamento do projetor de LCD. Fonte: How Stuff Works.

A imagem acima mostra uma fonte luminosa fornecendo uma luz branca intensa. Esta incide sobre um espelho dicróico, que tem como função refletir apenas um comprimento de onda eletromagnética, ou seja, apenas uma cor. Sabemos que o branco é a soma de todas as cores, logo, o primeiro espelho está refletindo uma destas cores, o vermelho, deixando passar todas as outras. O segundo espelho reflete o verde, chegando ao último apenas o azul. 

Cada uma das três cores atinge uma tela de LCD, responsável pela regulagem da quantidade de luz que irá passar. Por último, as três cores incidem sobre o chamado Prisma Dicróico. Este equipamento tem como função unir as cores novamente, transmitindo então a imagem para a lente, que a amplia e  projeta-a sobre o anteparo.

PROJETOR DLP - DIGITAL LIGHT PROCESSOR


Figura 10: Exemplo de projetor DLP
Neste projetor teremos novamente a separação das cores presentes na luz branca porém, desta vez não será o LCD que fará este processo, e sim uma roda de cores (figura 10).

O projetor DLP funciona da seguinte maneira: Uma luz branca de alta intensidade incide sobre uma lente convergente. Ao passar pela lente a luz é concentrada sobre a roda de cores que está girando. Isto faz com que as cores sejam então separadas, chegando à outra lente, responsável por projetar estas cores sobre o DMD - Digital Micromirror Device ou Dispositivo Digital de Micro Espelhos. Este dispositivo possui diversos micro espelhos que podem se movimentar em ângulos de aproximadamente 12º para cada lado. Neste caso, a intensidade das cores pode ser regulada através destes movimentos dos micro espelhos pois, ao se movimentar, o espelho reflete a luz ou para lente que projeta a imagem ou para um local que irá absorver esta cor.

Após a composição da imagem, esta passa pela lente responsável pela projeção.  Uma simulação do funcionamento deste tipo de projetor pode ser vista no vídeo a seguir:


As salas de cinema costumam utilizar o projetor 3 DLP. Seu funcionamento é igual ao DLP, porém existem três rodas de cores, sendo cada sistema responsável por uma cor primária. Isto faz com que as imagens sejam mais nítidas e não aconteça o efeito de arco íris percebido no projetor simples ao movimentar os olhos.

As evoluções previstas para estes equipamentos consistem em criar aparelhos com resolução, brilho e contraste cada vez maiores, porém menores e mais leves.

PARA SABER MAIS

Para entender melhor o funcionamento de lentes convergentes você pode utilizar a simulação encontrada no site a seguir: 


REFERÊNCIAS

História do Cinema. Acesso em 2013. Disponível em: <http://www.infoescola.com/cinema/historia-do-cinema/>

Projetores de Filmes. Acesso em 2013. Disponível em: <http://lazer.hsw.uol.com.br/projetores-de-filmes6.htm >

História ou Memória do Cinema. Acesso em 2013. Disponível em <http://cineclubenatal.com/artigos/historia-ou-memoria-do-cinema>

Funcionamento projetor de LCD. Acesso em 2013. Disponível em <http://electronics.howstuffworks.com/lcd-projectors1.htm>