quarta-feira, 30 de abril de 2014

terça-feira, 29 de abril de 2014

NAVEGANTES EUROPEUS NO ESTREITO DE MAGALHÃES

Por: Luiza Canales Becerra

Nau Victoria, única embarcação da armada de Fernão
 de Magalhães a dar a volta ao mundo.  Gravura de 1603.
Fonte: www.memoriachilena.cl
Após o descobrimento do novo mundo, no início do século XVI, uma das principais preocupações do Governo espanhol foi a busca por uma passagem para as Ilhas Molucas, através do continente americano. Foi neste momento que se apresentou frente ao monarca Carlos V, o navegante português Fernão de Magalhães. Assinadas as capitulações de 1518, a expedição zarpou em setembro do ano seguinte, partindo da Península Ibérica, com o objetivo de encontrar a passagem que unia os dois oceanos.

Em 21 de outubro, as embarcações chegaram à parte oriental do Estreito. Depois de realizar o reconhecimento da área, a esquadra iniciou a navegação através do Estreito, batizando-o como Todos os Santos. Poucos dias depois, Fernão de Magalhães tomou posse do território em nome do rei Carlos V da Espanha. Era a primeira vez que o ocidente visitava estas latitudes, descobrindo o território mais austral do Chile, a Patagônia.

A partir de então, muitos navegantes europeus incursionaram nas águas do Estreito de Magalhães, com o propósito de alcançar uma terra lendária. Destacaram-se as expedições de García Jofré de Loaiza, a segunda a navegar o Estreito e a primeira a descobrir que a Terra do Fogo era uma ilha. Posteriormente, a pedido do governador Pedro de Valdivia, realizou-se a expedição de Francisco de Ulloa, cujo objetivo era o reconhecimento da costa chilena até o Estreito de Magalhães, com a finalidade de facilitar a navegação da Espanha para o Chile. Zarpou da cidade de Valdivia no final de outubro de 1553, sendo a primeira expedição a entrar no Estreito de Magalhães pelo ocidente. Reconheceram a escarpa litorânea e chegaram até a atual Bahía Wood. A falta de provisões e o medo de ficarem presos no estreito durante o inverno, levaram Ulloa a dar a volta, chegando aos portos do Chile em fevereiro de 1554.
Em outubro de 1557, o governador do Chile, García Hurtado de Mendoza ordenou a partida de uma esquadra exploradora de setenta homens sob o comando de Juan Ladrillero. Tinha como missão desenhar um mapa das costas e iniciar o estudo da flora, fauna e realizar observações etnográficas na região. Em 16 de agosto de 1558, Ladrillero chegou ao Oceano Atlântico, transformando-se no primeiro navegante a cruzar o Estreito de Magalhães em ambos os sentidos.
Primeiro mapa do Estreito de Magalhães  
1520 - Fonte: www.memoriachilena.cl
Vinte anos depois da expedição de Ladrillero, cruzou o Estreito o navegante inglês Francis Drake, provocando grande inquietude entre os habitantes da costa do Pacífico, que temiam seus inesperados ataques. Com o fim de vetar a passagem dos inimigos da Espanha, o vicerrei do Peru, Francisco de Toledo, adotou medidas imediatas e enviou para o Estreito de Magalhães uma esquadrilha com dois navios, sob o comando de Pedro de Sarmiento de Gamboa. Deveriam explorar detidamente o Estreito, averiguar se haviam ingleses estabelecidos em suas costas e estudar formas de levantar fortificações e planos geográficos na região.

Apesar de a Espanha ter ocultado os resultados destas duas últimas expedições, continuaram a ser realizadas expedições até essas terras.
Durante o século XVII, destacaram-se os viajantes holandeses, principalmente Willem Schouten e Jacob Le Maire, que descobriram, em 1616, o Cabo de Hornos e reconheceram a região da Terra do Fogo. Anos mais tarde, a Espanha enviou uma expedição, sob o comando dos irmãos Bartolomé e Gonzalo Nodal, para verificar o novo descobrimento.
A partir de então, o objetivo das explorações passou a ser o reconhecimento rigoroso do litoral do território magalhânico, em que se destacaram alguns viajantes ingleses, como John Byron e James Cook, e franceses, como Bougainville e J.S.C Dumont D’Urville.
Entretanto, somente dois séculos mais tarde, com as expedições britânicas de Philip Parker King (1826-1830) e Robert Fitz Roy (1834-1836), comandando as embarcações Adventure e Beagle, seriam superados os conhecimentos geográficos da região, aportados por Juan Ladrillero e Pedro Sarmiento de Gamboa.


REFERÊNCIA


BONARIC-DORIC, Lucas. Resumen histórico del Estrecho y lacolonia de Magallanes. Punta Arenas :Impr. La Nacional,1939

MOTO PERPÉTUO – A CONSERVAÇÃO DA ENERGIA


Por: Rafael Gama Vieira

Imagine criar uma maquina que, com apenas um impulso inicial, entre em movimento e nunca mais pare. 

Neste caso, poderíamos construir usinas onde não seria mais necessário o movimento constante de água em turbinas para obter energia elétrica, por exemplo. Mas, será que isto é possível?
Figura 1. Moto perpétuo
 feito por Bhaskara.
Fonte: http://personalogia.files.wordpress.com

Muitas pessoas tentaram construir a chamada “Máquina de movimento perpétuo” ou simplesmente “Moto perpétuo”. Estas máquinas têm como objetivo gerar energia para manter o seu próprio movimento, ou seja, bastaria um impulso inicial para colocá-la em movimento perpétuo.

O primeiro relato de uma máquina deste tipo é de 2500 anos, citado em um manuscrito sânscrito chamado Siddhanta Siromani. Algum tempo depois, o matemático indiano Bhaskara descreveu o projeto desta maquina, onde recipientes contendo mercúrio manteriam o movimento de uma roda.


Figura 2. Moto perpétuo 2 
Fonte: http://ilustradordenatal.somee.com
Neste caso, há um desequilíbrio entre o lado direito e esquerdo da roda, fazendo com que ela seja acelerada e fique em movimento perpétuo.
Muitos outros cientistas tentaram construir uma máquina com este objetivo. a seguir vemos algumas ilustrações  destas tentativas.

Figura 3. Moto perpétuo 3
Fonte : 
http://gizmodo.uol.com.br
 

Figura 4. Moto perpétuo 4 
Fonte : http://gizmodo.uol.com.br
Figura 5. Moto perpétuo 5
Fonte : http://gizmodo.uol.com.br












Isto acontece porque, segundo a primeira Lei da Termodinâmica, um sistema não pode criar ou consumir energia, ou seja, a energia total fornecida a um sistema sempre será conservada, sendo então transformada em outra forma de energia. Geralmente o que faz uma máquina deste tipo parar o movimento é o atrito entre as peças, ou a resistência do ar. 

No caso da máquina feita por Bhaskara e suas variações, temos também a influência da conservação do momento angular. Quando o mercúrio passa pelo lado direito, a distância entre ele e a roda aumenta, diminuindo então a velocidade angular do movimento. Para entender melhor e conservação de momento angular, veja o texto: 

Leonardo da Vinci, manifestou-se sobre este assunto dizendo:

“Vocês podem tentar provar a si mesmos que ao equipar tal roda com muitos pesos, cada parte que se movesse como resultado do giro iria subitamente fazer outro peso cair, e que assim essa roda permaneceria em movimento perpétuo. Mas ao fazer isso estarão enganando a si mesmos…Enquanto o peso está mais distante do centro da roda, o giro se torna mais difícil, embora a força motriz não deva variar”.

E mais, sobre a busca pelo movimento perpétuo disse:

“Ó vocês que buscam o movimento perpétuo, quantas quimeras vãs perseguiram? 
Vão e tomem seu lugar com os alquimistas”.

Para melhorar o entendimento sobre a conservação de energia, podemos citar como exemplo o pêndulo simples.



Figura 5 - Pêndulo simples
Fonte: www.fotosimagenes.org
Ao deslocar a massa de sua posição inicial, fornecemos ao sistema uma energia potência gravitacional. Ao abandonarmos a massa, esta irá transformar a energia recebia em energia cinética, entrando em movimento. Agora a energia cinética é novamente transformada em potencial gravitacional quando o pêndulo atinge a altura máxima. Este processo se repete até que o sistema para de oscilar. Isto acontece porque a energia inicialmente fornecida será transformada em calor devido ao atrito entre a corda do pêndulo e a haste que o suspende.

Novamente devemos destacar que a energia total não é perdida neste caso, mas sim transformada em outra (calor).

Vimos que a primeira lei da termodinâmica impossibilita a criação de uma máquina de movimento perpétuo, porém muitas pessoas ainda tentam criá-la, sem sucesso.



PARA SABER MAIS:

Texto blog: A Física da Montanha Russa – Elisiane de Campos.


REFERÊNCIAS:

http://personalogia.wordpress.com/2009/08/01/moto-perpetuo-a-maquina-dos-sonhos/

  

segunda-feira, 28 de abril de 2014

RESENHA DO LIVRO: "Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente"!

Por Lawrence Mayer Malanski

A tradução do livro de Yi-Fu Tuan “Topofilia: Um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente” publicada em 1980 pela professora da UNESP – Rio Claro Lívia de Oliveira é um marco da Geografia Humanista no Brasil. Até então, a Geografia brasileira era pensada, sobretudo, a partir de duas correntes geográficas distintas: a Geografia Crítica com apelo marxista e a Geografia teorética quantitativa com aporte neopositivista.

Nesse contexto, a clássica obra do geógrafo sino-americano, publicada originalmente em 1974 nos Estados Unidos, apresenta uma forma alternativa para os estudos geográficos que valoriza a relação entre pessoas e o espaço, perpassando pela percepção e representação espacial, as culturas e as relações sociais. Desse modo, o estudo de Tuan aparenta se opor aos aspectos essencialmente  econômicos e sociais da Geografia Crítica e ao cogito racionalista e aritmético da Geografia teorética quantitativa em favorecimento de aspectos subjetivos e pessoais.

A leitura de Topofilia instiga-nos a avaliar e questionar o modo como percebemos, nos situamos, significamos e idealizamos o mundo que habitamos, enfim, quais são nossos valores ambientais.  A obra é dividida em quinze capítulos nos quais Tuan aborda um amplo quadro de assuntos. O autor parte das relações biológicas existentes entre os órgãos sensoriais e os gêneros das pessoas e os espaços para, em seguida, destacar a influência fundamental das culturas sobre as percepções. Assim, compreende-se que apesar de dotados de órgão sensoriais comuns, pessoas têm noções de mundo diferentes de acordo com a cultura na qual estão inseridas. No entanto, a criação de mundos individuais transcende a cultura, pois considera aspectos subjetivos pessoais como a experiência espacial.

Topofilia, o termo chave que dá título ao livro, é um neologismo definido por Tuan como “todos os laços afetivos dos seres humanos com o meio ambiente material” (TUAN, 1980, p. 107). A topofilia pode assumir assim muitas formas, variando em amplitude emocional e intensidade. Podem ser considerados exemplos topofílicos distintos a apreciação estética do meio através do turismo, o contato físico com o meio ambiente do pequeno agricultor, o patriotismo e a relação emocional da pessoa com seu lar e seus pertences. Nota-se então, que o termo topofilia associa sentimentos com meio ambiente e, ao fazer isso, promove a ideia de lugar. Contudo, “o meio ambiente pode não ser a causa direta da topofilia, mas fornece o estímulo sensorial que, ao agir como imagem percebida, dá forma às nossas alegrias e ideais” (TUAN, 1980, p. 129).

Após explanar a respeito da percepção e cultura, Tuan analisa a relação das diferentes culturas com os espaços urbanos e o simbolismo envolvido nisso. O autor não enfatiza apenas as cidades e culturas ocidentais, mas também chinesas. Destaca-se nesse trecho da obra que estilos de vida distintos geram padrões espaciais diferentes e que a maneira como as pessoas respondem ao ambiente urbano depende de fatores diversos. Para os transeuntes os meios de transporte são importantes e até mesmo a hora do dia em que as ruas da cidade são usadas afeta a percepção e a avaliação das mesmas. Nas palavras do autor “A imagem urbana é uma para o executivo pendular e outra bem diferente para a criança sentada na escada de entrada de um bairro pobre ou para o vagabundo que dispõe de tempo, mas de quase mais nada.” (TUAN, 1980, p. 259). 

Ao se referir à cidade de Brasília, Tuan considera-a um esboço de cidade idealizada que representa o Ego coletivo do país. Uma cidade com base religiosa e simbolismo cósmico que marca simbolicamente e politicamente a domesticação do “selvagem” e da valorização do potencial agrícola do interior do Brasil. 
Por fim, pode-se afirmar que a leitura de Topofilia proporciona novas perspectivas para os estudos da relação entre pessoas e o meio ambiente, o que pode ser ampliada através da leitura de outras obras de Tuan, como “Espaço e Lugar” (1983) e “Paisagens do Medo” (2006). Muitos dos conceitos abordados no livro referem-se à emoção com que as pessoas se relacionam com o meio ambiente, fazendo deste um lugar. 

REFERÊNCIAS: 

TUAN, Yi-Fu. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. São Paulo: DIFEL, 1980.

Para saber mais
O que é lugar? http://parquedaciencia.blogspot.com.br/2013/09/o-que-e-lugar.html

sábado, 26 de abril de 2014

DINOSSAUROS: SENHORES DO MESOZÓICO! ESPÉCIE DO MÊS: ADAMANTISSAURO

Por: Marcelo Domingos Leal


O Adamantisaurus mezzalirai tem seu nome derivado do local onde foi encontrado, e uma homenagem a um paleontólogo. Adamantisaurus esta relacionado com à formação Adamantina, uma unidade geológica onde foi encontrado, e mezzalirai uma homenagem ao paleontólogo Sérgio Mezzalira.

Esta espécie foi descoberta em 1958, por trabalhadores que construíam uma estrada de ferro próximo à cidade de Flórida Paulista, no Estado de São Paulo. Seus fragmentos pertencem ao que denominamos hoje de Bacia Bauru, em uma formação intitulada de Adamantina. Seu esqueleto se encontra em exposição no Museu Valdemar Lefevre, no Parque Água Branca, no estado de São Paulo, o MUGEO. Como o próprio nome homenageia, foi encontrado pelo paleontólogo Sérgio Mezzalira, entre os anos de 1958 e 1959. Ficou exposto no Mugeo por anos, e embora tenha sido mencionado pela primeira vez na imprensa em 1959, não foi reconhecido pela ciência até a devida descrição feita pelos paleontólogos brasileiros Rodrigo Santucci e Reinaldo Bertini, em 2006.

Esta espécie contou com apenas alguns ossos da cauda para identificação, seis ao total, o que dificulta e muito a vida dos paleontólogos. Pelo fato de poucas evidências terem sido encontradas, não se sabe ainda a forma exata deste animal, apesar de o formato ser muito parecido para o seu grupo pertencente, os titanossauros. Como todos os outros dinossauros, o Adamantisaurus viveu na Era Mesozóica, mas em um período chamado de cretáceo superior, a cerca de 70 milhões de anos atrás.

Era um dinossauro de porte pequeno, se comparado com outros saurópodeos. Tinha cerca de 12m de comprimento, por até 4m de altura, podendo chegar a uma massa de 7 a 8 toneladas. Era um quadrúpede, e seus hábitos alimentares incluíam a ingestão de folhas, principalmente de gimnospermas, as dominantes na época. 

Figura 01 – Adamantisaurus mezzalirai

PARA SABER MAIS:


ANELLI, L. E. O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil. Ilustrações de Felipe Alves Elias. Sao Paulo: Peiropolis, 2010.

Guia de estudo de campo da UNESP – Disponível em: http://www.unesp.br/aci_ses/revista_unespciencia/acervo/03/estudo-de-campo

REFERÊNCIAS


ANELLI, L. E. O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil. Ilustrações de Felipe Alves Elias. Sao Paulo: Peiropolis, 2010.

LEAL, M. D. Apostila Procurando os Dinossauros. Pinhais: PNFM, 2007.

Folha Online – Ciência Brasileira. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u14170.shtml

Jornal da UNESP. Acesso em 2014. Disponivel em: http://www.unesp.br/aci/jornal/210/geologia.php

terça-feira, 22 de abril de 2014

segunda-feira, 21 de abril de 2014

HPV – PAPILOMA VÍRUS HUMANO

Por: Anelissa Carine Dos Santos Silva

O Human Papiloma Virus (HPV) é a Doença Sexualmente Transmissível mais frequente. Estima-se cerca de 600 milhões de pessoas com HPV no mundo e 10 milhões somente no Brasil.


Figura 01 – HPV 16, Fonte: diário da saúde
O HPV é transmitido através de contato direto com a pele infectada, geralmente por via sexual, ou, mais raramente, através de objetos contaminados. Dentre os mais de 100 tipos de vírus de HPV, em cerca de 13 deles a infecção pode progredir para câncer, sendo quatro tipos os que causam “a grande maioria das doenças relacionadas à infecção” (INSTITUTO DO HPV, p. 05).


A infecção pode provocar verrugas em algumas partes do corpo, principalmente no trato genital, entretanto é comum que seja assintomático, isto é, a pessoa está infectada, mas não apresenta sinais externos, pois o vírus está adormecido. Por isso, são necessários exames específicos para a confirmação do contágio.Em alguns casos, o próprio corpo se encarrega de eliminar a ameaça. Entretanto, devido à grande diversidade de HPV, há a possibilidade de nova infecção, principalmente quando o sistema imunológico se encontra enfraquecido.
Cuidados preventivos sempre são muito importantes! Faça os exames de rotina!


O CÂNCER DE COLO DE ÚTERO

Devido a infecções decorrentes do HPV, “pode ocorrer o desenvolvimento de células anormais no revestimento do colo do útero” (INSTITUTO DO HPV, p. 10).

“Se não forem descobertas e tratadas a tempo, as células anormais podem evoluir de um pré-câncer para um câncer. O processo geralmente leva vários anos. O câncer de colo de útero pode ocorrer em qualquer idade da vida de uma mulher, mesmo na adolescência, embora seja incomum. Cerca de metade de todas as mulheres diagnosticadas com câncer de colo de útero tem entre 35 e 55 anos de idade. Muitas provavelmente foram expostas ao HPV na adolescência ou na faixa dos 20 anos de idade.” (INSTITUTO DO HPV, p. 11).

Importante lembrar que cerca de 500 mil mulheres são diagnosticadas com este câncer, no mundo, a cada ano. Mais da metade delas falecem em decorrência da doença.
Fazer o Papanicolau regularmente ajuda a detectar precocemente o câncer de colo de útero. Procure a Secretaria de Saúde de seu município para se informar acerca dos locais dos postos de coleta de exames preventivos.


EXISTEM VACINAS PARA O HPV?

Sim, duas vacinas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Conferem proteção contra alguns tipos de vírus de HPV e são indicadas para meninas e meninos a partir dos nove anos de idade, mas não apresentam eficácia contra infecções já existentes. Tomar a vacina não exclui a necessidade de fazer os exames periódicos de Papanicolau.

PARA SABER MAIS:

Guia do HPV. – Disponível em: http://www.incthpv.org.br/upl/fckUploads/file/Guia%20do%20HPV%20Julho%202013_2.pdf

REFERÊNCIAS

BRASIL – HPV e câncer: Perguntas mais frequentes. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www1.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=2687

Instituto do HPV. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.incthpv.org.br/upl/fckUploads/file/Guia%20do%20HPV%20Julho%202013_2.pdf

UFSC – HPV e Câncer de Colo Uterino. Acesso em: 2014. Disponível em: http://www.hu.ufsc.br/projeto_hpv/hpv_e_cancer_do_colo_uterino.html.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

A FORMAÇÃO DA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA

Por: Aline Veiga

Figura 01: Imagem de Curitiba. Fonte: www.g1.globo.com

Com o desenvolvimento urbano e industrial das cidades, muitas passam a ter funções agregadoras, centralizando fluxo de pessoas, bens, serviços e riquezas. Determinada cidade pode se caracterizar como pólo principal de uma região, tornando a dinâmica de outros territórios dependente deste pólo, assim como exercendo influência econômica e política. A partir destes processos de influência, surgem as metrópoles.

As regiões metropolitanas são definidas principalmente através da conurbação, ou seja, quando ocorre a ocupação urbana de determinadas porções do território, em detrimento da proximidade de um pólo principal, ocorrendo a extensão de influências para além dos limites e fronteiras territoriais.

A partir da grande concentração de processos em um pólo principal da metrópole, ocorre a tendência ao inverso: a desconcentração, devido a saturação da ocupação do solo urbano e a alta especulação imobiliária. Buscam-se territórios que ofereçam vantagens econômicas e estejam diretamente relacionados à dinâmica do pólo principal.

A conurbação também pode ter como conseqüência a segregação espacial, ocorrendo a divisão de porções do território entre classes sociais mais favorecidas e classes menos favorecidas. Esta segregação também é ditada pela especulação imobiliária, que valoriza o solo urbano, dotando algumas porções com funções específicas.


Figura 02. Ocupação irregular na RMC, próximo às margens do Rio Atuba.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br

No Paraná, os processos de industrialização e urbanização ocorreram a partir de ciclos econômicos. Cada ciclo gera migrações de pessoas buscando trabalho. Destacam-se ciclos como o do café, responsável por grande parte da ocupação do norte paranaense, com ligação à economia paulista. A migração para a região norte (principalmente Norte Novo) tem grande crescimento com a criação da Companhia de Terras Norte do Paraná, que em 1927 comprou alqueires do Estado, e vendeu lotes de terras para pequenos e médios produtores.

O ciclo do café foi sucedido pelo cultivo da soja, que trouxe mudanças na base da economia do Paraná.

Inicialmente a economia paranaense estava voltada para a agricultura tradicional (com exemplo do cultivo do mate, café e extração madeireira). Com a implementação da cultura de soja no Estado, ocorre a modernização das bases da produção agrícola. A partir desta modernização, têm-se o êxodo rural, pois o numero de mão de obra necessária para trabalho no campo diminui; assim como pequenos e médios proprietários de terra não conseguem acompanhar a modernização da produção agrícola.

Estas mudanças ocorrem principalmente a partir dos anos de 1970, quando a dinâmica de ocupação dos territórios passa a ser orientado pelo desenvolvimento industrial, e não mais por ciclos da agricultura.

Em 1973 começa a ser implementada a Cidade Industrial de Curitiba (CIC), projeto pertencente ao Plano Diretor de Curitiba, criado em 1966 com o objetivo de organizar a ocupação da malha urbana da região. Porém, cabe ressaltar que em 1943 já existia um plano voltado para a organização e zoneamento do uso do solo em Curitiba, o Plano Agache.
Com a definição de uma parte do território de Curitiba voltado para a ocupação industrial, foram vendidos terrenos à empresas e industrias, que se instalavam com grandes incentivos fiscais, como a isenção de alguns impostos. Esta tendência também ocorre nos demais municípios próximos a Curitiba, que para atrair investimentos privados para seus territórios, aderem a uma política de grandes incentivos fiscais, favorecendo os interesses do capital. Destaca-se a instalação de multinacionais, principalmente as montadoras de automóveis.

Figura 03. Complexo Ayrton Senna, montadoras Renault e Nissan,
em São José dos Pinhais. Fonte: www.carplace.virgula.uol.com.br

Todos esses processos contribuem para a formação da Região Metropolitana de Curitiba, que é criada oficialmente em 1973, com 14 municípios. A partir dos anos de 1990 ocorrem desmembramentos municipais, e outras cidades passam a fazer parte da RMC, que atualmente é composta por 29 municípios, com população total de 3.223.836 habitantes (IBGE, 2006 in MOURA, 2009). 



Dentre os 29 municípios, aqueles com maior população são Curitiba (1.848.946 habitantes), São José dos Pinhais (287.792 habitantes), Colombo (227.220 habitantes) e Araucária (129.209 habitantes) (IBGE, 2010); sendo Curitiba, São José dos Pinhais e Araucária os municípios com as maiores taxas de participação no PIB estadual (IBGE, IPARDES, 2011).


REFERÊNCIAS

MOURA, Rosa. Arranjos urbano-regionais no Brasil: uma análise com foco em Curitiba. Curitiba, 2009. Disponível em: <http://www.ipardes.pr.gov.br/biblioteca/docs/Rosa_Moura_doutorado.pdf>. Acesso em: Abril - 2014.

COMEC – Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba.
<http://www.comec.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=30>. Acesso em: Abril – 2014.

IPARDES – Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social.
<http://www.ipardes.gov.br/index.php?pg_conteudo=1&cod_conteudo=1>. Acesso em: Abril – 2014.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

ENTENDA A CRISE NA CRIMÉIA

Por: Lawrence Mayer Malanski


Figura 01 : Pintura em uma cidade da Criméia na qual o mapa da região aparece pintado com as cores russas.
 Fonte: http://exame.abril.com.br. Acesso em: 07 abr. 2014.

1. RÚSSIA E UCRÂNIA: CONTEXTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO

A Criméia era uma república autônoma da Ucrânia localizada numa península banhada pelo Mar Negro, a oeste da Rússia, na Europa Oriental. Desde o final de 2013, a região passa por uma crise política, sendo que em março de 2014 a população local votou em um referendo pela anexação do seu território à Rússia. Isso deu início a uma crise internacional envolvendo a União Europeia, Estados Unidos (EUA), Ucrânia e Rússia.

A região da Criméia possui aproximadamente 2 milhões de habitantes espalhados em 26.100 km² (pouco maior do que o Estado de Sergipe) e tem o russo como língua oficial. A capital da república é a cidade de Simferopol, que conta com cerca de 350 mil pessoas. Nessa cidade, durante a Segunda Guerra Mundial, aconteceu um dos maiores massacres civis do período, quando os nazistas mataram mais de 22 mil de seus habitantes na guerra contra a União Soviética.

Figura 02: Cartograma com a localização da Península da Criméia e grupos étnicos da região. Fonte: http://www.forte.jor.br. Acesso em: 07 abr. 2014.

De 1922 a 1991 a Ucrânia e mais 14 países, incluindo a Rússia, formaram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). No entanto, a relação entre o povo russo e o ucraniano durante o período soviético nunca foi amigável. Entre 1932 e 1933, por exemplo, morreram de fome na República Soviética da Ucrânia aproximadamente 7 milhões de ucranianos e cossacos devido a um processo de coletivização e confisco da produção agrícola implantado pelo líder soviético Josef Stalin. Esse genocídio causado pela fome ficou conhecido como holodomor, “a grande fome da Ucrânia” e “o holocausto soviético”.

Figura 03: Mapa dos países que formavam a URSS.
 Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br. Acesso em: 07 abr. 2014.

Desde o fim e a dissolução da URSS em 1991, a Ucrânia existe como um país independente. Sua área (603.000 km²) é um pouco maior do que o Estado de Minas Gerais. Sua população soma atualmente quase 48 milhões de habitantes, destes aproximadamente 78% são de origem ucraniana, 17% são russos e o restante de outras etnias. A economia do país é baseada na produção agropecuária, exploração de recursos minerais e indústria bélica. As metalúrgicas são desenvolvidas e as mais importantes do setor industrial ucraniano.

Já a Rússia é o país mais extenso do mundo, com mais de 17 milhões de quilômetros quadrados localizados parte na Europa e parte na Ásia e 142 milhões de habitantes. Após abandonar o socialismo do período soviético e adotar o capitalismo, a economia russa vem crescendo sustentada pelas exportações de gás natural, derivados de petróleo, minerais, máquinas pesadas e equipamentos militares. 


2. A CRISE NA CRIMÉIA

Após o fim da URSS, no período entre 1991 e 1999, as economias de Rússia e Ucrânia passaram por recessões. Na Ucrânia a crise foi maior, sendo que o Produto Interno Bruto (PIB) do país encolheu 60% e a inflação atingiu seis dígitos. Insatisfeitos com a situação econômica, a população ucraniana organizou greves e protestos. Desde 2000, no entanto, tanto a economia ucraniana quanto a russa foram estabilizadas e os PIB’s passaram a crescer, ainda que pouco.

Em 2004, o então primeiro-ministro Viktor Yanukovych foi declarado presidente da Ucrânia após vencer uma eleição comprovadamente fraudada. Sabendo disso, a população do país passou a apoiar o candidato derrotado da oposição Viktor Yushchenko no que ficou conhecido como Revolução Laranja. Isto trouxe Yuschchenko à presidência, enquanto Yanukovych tornou-se oposição. Pelo modo como lidou com o impasse envolvendo o desabastecimento de gás natural proveniente da Rússia no inverno de 2009, Yuschchenko perdeu as eleições presidenciais de 2010 para seu opositor Yanukovych, o mesmo acusado de fraudar a votação em 2004.

Em 2007, Ucrânia e Polônia foram escolhidas para sediar a Eurocopa de 2012, o principal campeonato de futebol de seleções europeias. Apesar de sediar conjuntamente o evento, esses dois países eslavos e vizinhos apresentavam características econômicas diferentes. A Polônia entrou para o bloco da União Europeia (UE) em 2004 e, desde então, sua economia vem apresentando melhoras significativas devido, sobretudo, à instalação de indústrias globais proveniente dos países da Europa Ocidental.Enquanto isso, o governo ucraniano mantinha importantes relações econômicas com a Rússia, exportando para o país vizinho minerais como o urânio (utilizado na Rússia para fins energéticos e militares),commoditiesagrícolas e equipamentos militares. Pode parecer estranho, mas todos os setores militares russos são dependentes de empresas ucranianas em decorrência das relações econômicas do período soviético. Essas empresas desenvolvem, produzem e mantém, por exemplo, os mísseis balísticos intercontinentais russos SS-18. 

Figura 04: Míssil russo SS-18 concebido e produzido na Ucrânia.
 Fonte: http://militaryrussia.ru. Acesso em: 07 abr. 2014.
No entanto, parte da população ucraniana era e ainda é favorável a uma aproximação maior do seu país com a UE como fez a Polônia. Isto levou a realização de grandes protestos populares a partir do final do ano de 2013, sobretudo na capital Kiev.  Os protestos foram reprimidos com violência pelo governo de Yanukovych, contrário à aproximação ucraniana com a UE e favorável ao estreitamento dos laços econômicos com os russos, deixando dezenas de mortos.Porém, diante do aumento das pressões internas e externas, Yanukovych foi destituído da presidência no dia 22 de fevereiro e fugiu para a Rússia.No seu lugar assumiu interinamente OleksanderTurchynov.

Figura 05: Protestos em Kiev contra o presidente Yanukovych.
 Fonte: www.rtp.pt. Acesso em: 07 abr. 2014.
Uma possível aproximação da Ucrânia com a UE não foi bem vista pelos russos, que ainda pretendem retomar parte do seu espaço de influência estratégica do período soviético. O estopim desse embate entre a posição ucraniana entre a Europa Ocidental e a Rússia foi a Península da Criméia. Aproveitando-se dos violentos protestos ocorridos na Ucrânia a partir de 2013, o governo russo de Vladimir Putin e tropas pró-Rússia invadiram em 2014 a Península da Criméia com o pretexto de proteger a população local de origem russa. No entanto, sabe-se que essa península se localiza numa porção estratégica de toda a região e possibilita acesso marítimo ao Mar Mediterrâneo, Oceano Atlântico, Canal de Suez, Mar Vermelho, Oceano Índico etc. Existem mais de 200 bases militares na Criméia (entre marinha, exército e força aérea) e todas foram tomadas da Ucrânia pela Rússia. Além disso, todo o material bélico ucraniano dessas bases, como navios, tanques e aviões, passaram para o controle de Moscou. Nesse contexto, a Ucrânia ainda reivindica a posse de quase 60 navios tomados de sua marinha de guerra, entre outros equipamentos.

Figura 06: Soldados não identificados pró-Rússia infiltrados na Criméia
. Fonte: http://noticias.uol.com.br. Acesso em: 07 abr. 2014.
Após a invasão da Criméia, os russos organizaram um plebiscito na região para verificar o interesse da população em pertencer à Rússia, mostrando ao mundo uma justificativa de suas ações. O resultado revelou que mais de 95% dos votantes eram favoráveis à anexação da Criméia ao governo de Moscou. Desde então, os russos intensificaram a ocupação militar da península. Um fato marcante da tomada da posse do território foi a visita do Primeiro Ministro russo Dmitri Medvedev dia 31 de março de 2014 à cidade de Simferopol, o que gerou protestos de alguns governantes de países ocidentais.

Alguns países do ocidente, incluindo Estados Unidos e da União Europeia, ofereceram ajuda econômica e militar à Ucrânia e adotaram uma série de medidas financeiras contra políticos russos envolvidos. Forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN - criada no contexto da Guerra Fria para fazer frente ao Pacto de Varsóvia) foram deslocadas para a região. Os Estados Unidos enviaram caças e tropas para a Polônia e Lituânia. Além disso, caças franceses, britânicos e tchecos foram oferecidos como ajuda para conter um possível expansionismo russo na Europa. Também, o governo francês se manifestou afirmando que se os russos passarem dos limites poderá utilizar a força contra eles.Antigas repúblicas da URSS, como Estônia, Letônia e Lituânia temem por serem possíveis alvos russos num futuro próximo. Em contrapartida, os russos reforçaram suas tropas na Bielorrússia. Estimativas da OTAN apontam para um aumento de 40 mil soldados russos próximos à fronteira com a Ucrânia.


3. PARA CONCLUIR

Atitudes expansionistas como a tomada pela Rússia contra a Ucrânia amedrontam os países europeus, pois remetem ao período de expansão nazista antes e durante a Segunda Guerra Mundial. Assim, elas ameaçam a relativa tranquilidade existente entre as fronteiras do Velho Mundo desde o fim da Guerra Fria.

A Rússia vem buscando retomar parte de sua importância estratégica perdida com o fim da URSS e ocupar espaços deixados pela recente perda de influência global do governo dos EUA. Assim, o país euroasiático vem procurando se mostrar ao mundo como uma potência emergente, sediando, por exemplo, as Olimpíadas de Inverno em Sochi e a Copa do Mundo FIFA em 2018. Além disso, os russos fazem uso de dois trunfos principais: suas exportações de gás natural para o restante da Europa (que por causa do inverno rigoroso é dependente do gás russo para aquecimento) e seu enorme poderio militar herdado da URSS. O arsenal de guerra russo contém milhares de armas nucleares, bombardeiros estratégicos intercontinentais, submarinos atômicos, exército numeroso etc. Apesar de muito desse arsenal estar defasado e antiquado, ainda impõem medo e respeito a qualquer outro país, inclusive aos Estados Unidos. 

Não se pode afirmar que uma nova Guerra Fria está começando, pois tanto os países do Ocidente quanto a Rússia estão em contextos econômicos e sociais diferentes.  A Rússia abandonou o antigo sistema socialista e lança-se em uma expansão estratégica e capitalista.

Quanto à Ucrânia, fica evidente uma divisão interna do país entre os que apoiam laços econômicos com a UE e os que apoiam uma aproximação com os russos. Também, outras regiões da Ucrânia onde predominam a etnia russa podem aproveitar o momento para declarar independência ou anexação à Rússia.Além disso, o governo de Putin não quer perder para a UE um grande parceiro econômico, estratégico e militar como a Ucrânia. Possivelmente, nenhuma medida drástica será tomada contra o governo de Moscou diante da anexação da Criméia a seu território, no entanto, precisam-se acompanhar com atenção os próximos passos dos russos em sua provável expansão e como o ocidente reagirá a isso.


REFERÊNCIAS

BBC Brasil. Como Putin está tentando reconstruir a URSS. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/03/140328_putin_urss_pai.shtml. Acesso em: 07 abr. 2014.

BBC Brasil. Destituição de presidente agrava crise na Ucrânia; entenda. Disponível em:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/02/140221_ucrania_entenda_crise_pai.shtml. Acesso em: 07 abr. 2014.

BBC Brasil. O que está por trás dos protestos na Ucrânia?Disponível em:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/12/131215_ucrania_protestos_geopolitica_mm.shtml. Acesso em: 07 abr. 2014.

BBC Brasil. Ucrânia tem novo presidente. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/02/140223_ucrania_presidente_interino_ms.shtml. Acesso em: 07 abr. 2014.

Notícias UOL. O plano que permitiu à Rússia a anexação secreta da Criméia. Disponível em: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2014/03/19/o-plano-que-permitiu-a-russia-a-anexacao-secreta-da-crimeia.htm. Acesso em: 07 abr. 2014.

Poder Aéreo. A dependência russa em relação a equipamentos militares de origem ucraniana. Disponível em: http://www.aereo.jor.br/2014/04/07/a-dependencia-russa-em-relacao-a-equipamentos-militares-de-origem-ucraniana/. Acesso em: 07 abr. 2014.

Poder Aéreo. Governo tcheco oferece caças Gripen para proteger países da OTAN que fazem fronteira com a Ucrânia. Disponível em: http://www.aereo.jor.br/2014/03/25/governo-tcheco-oferece-cacas-gripen-para-proteger-paises-da-otan-que-fazem-fronteira-com-a-ucrania/. Acesso em: 07 abr. 2014.

O MERGULHADOR DE DESCARTES E FUNCIONAMENTO DOS SUBMARINOS

Por: Ana Caroline Pschedit

O mergulhador de descartes é um experimento completo para se explorar a hidrodinâmica, além de ajudar a compreender como funcionam alguns submarinos. 

Você pode construir um mergulhador com: uma garrafa pet, uma tampa de caneta e um pouco de massa de modelar.  

Encha a garrafa com água. Coloque uma bolinha de massa de modelar na ponta da tampa da caneta para que ela não vire. Se sua tampa for furada, você terá que fechar esse furo com massa. Agora mergulhe a tampinha na água dentro da garrafa, tentando manter certa quantidade de ar armazenada no fundo da tampa. 

Figura 1 – Montagem da tampa.

A tampa deve ficar boiando, se não ficar, retire da água e tente novamente, se continuar a afundar tente também diminuir a quantidade de massinha de modelar. Em seguida feche a garrafa, seu mergulhador está pronto!

Apertando a garrafa, você perceberá que a tampa irá afundar e, quando soltá-la, ela volta à superfície. Você saberia explicar o que está acontecendo? Será que esse efeito é útil? será que tem alguma aplicação tecnológica?

Para entender o funcionamento deste experimento é preciso compreender alguns conceitos físicos importantes como densidade, princípio de Pascal e empuxo. 

Então vamos lá.

DENSIDADE é a razão da massa de um corpo pelo seu volume. Por exemplo, a densidade da água é 1,00 g/cm³, o que significa que um grama de água ocupa o espaço 

de um centímetro cúbico.

O PRINCIPIO DE PASCAL, elaborado pelo físico e matemático francês Blaise Pascal (1623-1662) diz que “qualquer alteração de pressão em um fluido em equilíbrio 

é transmitida totalmente a todos os pontos do fluido".

O EMPUXO é uma força de sustentação exercida por fluidos em corpos que estejam mergulhados. Por exemplo, uma bolinha de isopor só pode boiar na água porque o liquido exerce uma força que mantêm a bola suspensa, o que sempre ocorrerá se o peso do objeto for menor ou igual à força de empuxo. Caso contrário (empuxo menor que o peso) o objeto irá afundar. 

Um corpo qualquer ao ser imerso na água irá deslocar certa quantidade de líquido, sendo o peso dessa quantidade correspondente à intensidade do empuxo. Como o peso do objeto e o peso do liquido deslocado dependem respectivamente das suas densidades, então podemos dizer que, se um objeto tem densidade media maior que a densidade media do liquido, irá afundar. Já se a densidade do objeto for menor que a densidade do liquido então ele irá boiar.

No mergulhador de Descartes acontece uma variação da densidade média da tampa suspensa na água. No primeiro momento a tampinha está boiando, pois a sua densidade média (tampa + peso da massa de modelar + ar) é menor do que a da água. Quando apertamos a garrafa, causamos um aumento de pressão no liquido e, pelo principio de Pascal, sabemos que essa pressão é propagada para todos os pontos do fluido, Inclusive dentro da tampa, onde existe uma quantidade de ar, que é então, levemente comprimido. O ar passa então a ocupar um volume menor, porém mantendo a massa constante. Logo, sua densidade é aumentada, fazendo com que o objeto afunde.

O segredo do experimento é que no momento inicial a densidade média da tampa é levemente menor que a da água, qualquer pequeno aumento faz com que ela tenha uma densidade levemente maior, fazendo-a afundar. Quando soltamos a garrafa, a pressão volta ao normal. Assim, o ar dentro da tampa assume o volume e a densidade inicial, fazendo - a voltar à superfície.

Você pode brincar com seus amigos, dizendo que ele é um detector de mentira.
A brincadeira é a seguinte: peça para seu amigo contar alguma historia e apertar a garrafa, diga que se a tampa boiar a historia é verdadeira, mas se afundar então é mentira. Mas você sabe que ela sempre irá afundar!

E a real utilidade desse efeito?

Os submarinos, por exemplo, utilizam também a variação de densidade para afundar ou submergir na água, ou seja, seu funcionamento é muito parecido com o do experimento que você acabou de fazer.

Veja na imagem abaixo:

Figura 2 - Submarinos. Fonte: wikimedia.

Na primeira imagem os tanques estão cheios de ar e o submarino bóia. Na imagem B temos um pouco de água nos tanques. Com o aumento de água a densidade media do submarino inteiro aumenta e então ele pode afundar na água. 

Controlando a quantidade de água nos tanques, o piloto/comandante pode controlar a profundidade do submarino.  Lembrando que neste caso são bombas mecânicas que comprimem o ar deixando a água entrar quando se quer afundar ou expulsam a água quando se quer emergir.


REFERÊNCIAS:

Carron. W e Guimarães. O. As Faces da Física. Volume Único. Cap.18.
Paraná. D.N. S. Física Para Ensino Médio. Volume Único. Cap. 13.

PARA SABER MAIS:
https://www.youtube.com/watch?v=R6XCLdEEj0c
http://parquedaciencia.blogspot.com.br/2013/07/por-que-os-navios-mesmo-sendo-tao.html

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL II – CRISE AMBIENTAL

Por: Anelissa Carinne Dos Santos Silva

Encarar os recursos naturais como mercadoria apenas aumenta os riscos sobre o ambiente, diminuindo também a nossa qualidade de vida.

Um exemplo são os vazamentos de petróleo. De acordo com Gorbachev (2003), alguns proprietários de superpetroleiros, para diminuir os custos de transporte e aumentar a competitividade, registram seus barcos em paraísos fiscais e contratam mão de obra inexperiente e barata. Tal situação apenas soma-se aos riscos preexistentes para a ocorrência de catástrofes ambientais. “Entre 1970 e 1980 estatísticas oficiais registraram a média anual de cem vazamentos de óleo superiores a mil barris” (GORBACHEV, 2003. p. 12)

Figura 01: Vazamento de Petróleo. Fonte: Greenpeace

Há a necessidade de implantar normas adequadas para combater acidentes como estes, além de maior comprometimento ambiental a nível global, não aceitando impunidade de empresas em nome da economia. “O planeta está cada vez mais complexo e interdependente, e nenhum país ou líder pode impor seus pontos de vista e concepção de mundo. O desenvolvimento sustentável é plural e diversificado, e as alternativas são possíveis” (GORBACHEV, 2003, p. 18).

LEFF (2001) nos lembra que nosso consumo deve se orientar nos potenciais da natureza e da cultura. Não devemos encarar a natureza e a vida como meros produtos/bens de consumo. O analfabetismo ambiental deve ser combatido por toda a sociedade. Mas, como Gorbachev (2003, p. 25) observa, “sem combater a pobreza serão inúteis também todas as medidas ecológicas”.

Figura 02: Valores Invertidos. Fonte: Ronaud.com

Para mitigar os impactos socioambientais, podemos seguir as orientações de DIAS (2004) e LEFF (2001):
Respeitar a si mesmo;
Respeitar ao próximo;
Responsabilizar-se pelas próprias ações;
Reduzir o consumo;
Reutilizar materiais sempre que possível;
Reciclar e preciclar;
Reeducar-se em relação às questões socioambientais;
Preservar a diversidade biológica do planeta;
Preservar o patrimônio cultural dos povos;
Ajudar na melhor distribuição de riquezas, rendas e poderes;
Apoiar meios pacíficos de diminuição de conflitos ambientais.

Afinal, a crise ambiental “não é uma catástrofe ecológica, mas o efeito do pensamento com o qual construímos e destruímos o nosso mundo” (LEFF, 2001, p. 416).


REFERÊNCIAS


DIAS, G. F. Ecopercepção: um resultado didático dos desafios socioambientais. SP: Gaia, 2004.

GORBACHEV, M. Meu Manifesto pela Terra. SP: Planeta, 2003.

LEFF, H. Saber Ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.

COMO PERCEBEMOS E REPRESENTAMOS O ESPAÇO?

Por: Lawrence Mayer Malanski

Dotados de órgãos sensoriais comuns, imersos em ambientes culturais e capazes de agir de acordo com seus próprios julgamentos, os seres humanos podem perceber e representar suas experiências espaciais sejam essas vividas ou imaginadas. Compreender o modo como as pessoas percebem e representam suas realidades, aspirações e medos pode ser útil para tornar os espaços cotidianos mais agradáveis, melhores, enfim, mais humanizados.

Buscando abordar a questão acima, desenvolve-se a partir da década de 1960 nos países da América Anglo-saxônica e alguns europeus a chamada Geografia Humanista com aporte antropológico, histórico, filosófico e psicológico. No entanto, fundamenta-se essa vertente geográfica na Fenomenologia, cujo objetivo é descrever como as coisas e os objetos se apresentam à consciência humana (essências eidéticas). 

Nota-se nisso, um caráter antropocêntrico, no qual o ser humano recebe importância para a conformação do mundo (MALANSKI, 2014).

Para Tuan (1980) um ser humano é um organismo biológico, um ser social e um indivíduo único que forma uma realidade complexa com diferentes manifestações, como o corpo, o conhecimento, a vontade, a linguagem, a sociabilidade, a cultura, o trabalho, o jogo e a religião. 


PERCEPÇÃO ESPACIAL

Simultaneamente através dos cinco sentidos e da mente as pessoas percebem o espaço a sua volta e interagem com ele tornando-se conscientes do mesmo. Assim, a percepção se desenvolve como resposta desses sentidos aos estímulos espaciais e fornece à pessoa conhecimentos imediatos a respeito do que a cerca (TUAN, 1980). Para que o algo percebido tome significado ou conceito é preciso a reincidência de experiências (LIMA, 2007). A partir desta reflexão, pode-se afirmar que é através da percepção que se constrói o  conhecimento  do  espaço  adjacente  e  organiza  outro,  individualizado.  

Por  possuírem  órgãos  sensitivos  similares,  os  seres  humanos  compartilham percepções comuns. Assim, como membros da mesma espécie, estão limitados a perceber as  coisas  de  uma  determinada  maneira. Contudo,  sabe-se  que  a  forma  como  o  espaço  é percebido varia entre pessoas, culturas e condições sociais (Tuan, 1980).  O autor afirma então, que “A cultura  e  o  meio  ambiente  determinam  em  grande parte  quais  sentidos  são privilegiados” (Tuan, 1980, p. 284). Entende-se por cultura como a  soma  dos comportamentos,  dos  objetos,  dos  saberes,  das  técnicas,  dos conhecimentos  e  dos  valores acumulados  por um  grupo  socialmente organizado (CLAVAL, 2001). Na  atualidade,  aproximadamente 90%  das percepções  humanas  são  adquiridas visualmente  e  grande  parte  das  restantes  se  adquire através do tato e do ouvido (Gaspar, 2001).

A  exploração  do  espaço  se  inicia  com  o  nascimento,  sendo  que  através  das experiências corporais (ação) a criança constrói sua noção espacial. A conscientização do espaço pelo próprio corpo ocorre através de esquemas corporais e a lateralização. Estes, em conjunto, reúnem as funções motoras, a percepção do espaço imediato e a consciência de seu domínio lateral (direita e esquerda). Gradativamente a pessoa toma consciência de seu corpo e  então  passa  a  projetar  para  os  objetos  e  outras  pessoas  o que  comprovou  em  si mesma.  Através  da  ação  em  seu  espaço  vivido  e  da  reflexão  sobre  ele  a pessoa  chega  à abstração reflexiva ou a concepção do espaço e sua organização (Almeida;Passini, 1989).

Merleau-Ponty  (1999)  indica  que  não  existe  objeto  (espaço)  sem  sujeito  (pessoa)  e  toda experiência espacial se dá a partir de um referencial, uma vez que este é uma tentativa das pessoas de compreenderem os espaços que as cercam. Da relação entre pessoas e espaços emergem conceitos e sentimentos como lugar, paisagem, topofolia (sentimento de afeição para com um espaço) e apinhamento (sentimento de falta de espaço diante a existência de outras pessoas). O termo lugar é cotidianamente utilizado como sinônimo de espaço ou ambiente, mas de acordo com a Geografia Humanista se caracteriza como um espaço dotado de significado.Já a paisagem se configura como uma fração do espaço percebida pelos sentidos humanos.


REPRESENTAÇÃO ESPACIAL

Dotados  de  informações  perceptivas,  sensações  e  imaginações,  as pessoas  são  capazes  de representar  a  partir  de  imagens  mentais  o  espaço  percebido  ou imaginado.  Tal conceito de imagem mental remonta aos estudos de Lynch e sua obra "A imagem da cidade" (1960).  Assim,  a  representação é responsável  por  dar  significado  ao  algo percebido,  representando  fenômenos  naturais  e  sociais,  para a  compreensão  de acontecimentos ditos sobrenaturais e, principalmente, para perpetuar a consciência humana de mundo.

A  interposição  entre  o  que  é  representado  e  o  receptor,  a  quem  se  dirige  a representação, é feita através de  signos.  Este é o que enuncia algo a alguém, uma unidade portadora  de  sentido  constituída pelo significante  (forma)  e  o  significado  (conteúdo).  Os signos  podem  ser  além  de  ícones,  sons,  músicas, palavras,  gestos,  objetos,  rituais, elementos naturais entre outros que permeiam os lugares, contudo, seu caráter prescinde de uma  forma  de  linguagem  para  ser  comunicado. De acordo com Bakhtin (2002), a natureza do signo é ideológica, pois possui significado e remete a algo situado fora de si, exigindo que seja contextualizado para que ganhe significado em um grupo socialmente organizado.

A principal e mais comum forma de representação espacial acontece por meio dos mapas mentais, assunto abordado no texto “Cartografia pessoal: os mapas mentais” (http://parquedaciencia.blogspot.com.br/2013/10/cartografia-pessoal-os-mapas-mentais.html). 


PARA CONCLUIR

A conformação do mundo para uma pessoa ocorre por meio da percepção espacial, a qual é responsável por captar os estímulos espaciais e submete-los à consciência. Somam-se a isso as experiências vividas e a imaginação para que se possa formar, então, uma imagem mental. Tal imagem é passível de representação, tornando significativo o algo percebido. Os mapas mentais se configuram como um conjunto de signos referentes ao espaço que para serem compreendidos precisam ser contextualizados.Compreender como ocorrem os processos de percepção e representação espacial pode ser um recurso interessante para práticas de educação ambiental e a melhoria da qualidade de vida em diferentes escalas.

Para saber mais

O que é lugar?
http://parquedaciencia.blogspot.com.br/2013/09/o-que-e-lugar.html

REFERÊNCIAS 


ALMEIDA, R. D. de; PASSINI, E. Y. O  espaço geográfico:  ensino e representação. São Paulo, Ed. Contexto, 1989.

BAKHTIN,  M.  (Volochínov,  V.).  Marxismo  e  filosofia  da  linguagem.  São  Paulo, Ed.Hucitec, 2002.

CLAVAL, P.A geografia cultural. Florianópolis, Ed. da UFSC, 2001.

GASPAR,  J.  O  retorno  da  paisagem  à  geografia:  apontamentos  místicos.  Finisterra (72), 83-99, 2001.

LIMA, E. L.,  de.Do corpo ao espaço:  contribuições da obra de Maurice Merleau-Ponty à análise geográfica. Geographia (18) 65-84, 2007.

LYNCH, K. A imagem da cidade. Lisboa, Ed. Edições 70, 1960.

MALANSKI, L. M. Geografia humanista:percepção e representação espacial.Revista Geográfica de América Central (52), 2014.

MERLEAU-PONTY,  M.  Fenomenologia  da  percepção.  São  Paulo, Ed.  Martins Fontes, 1999.
TUAN, Y. Topofilia:  um estudo da percepção, atitudes e valores do meio  ambiente. São Paulo, Ed.Difel, 1980.


quarta-feira, 16 de abril de 2014

ILHAS: UM CAMINHO PARA SENSIBILIZAR OS SENTIDOS


Por: João Marcos Alberton


Fonte: Arquivo Pessoal

Aproveite a proximidade do nosso Litoral Paranaense da Capital, passe a mão na mochila e nos apetrechos que irão proporcionar uma viagem de aventura tranquila e relaxante.

Com destino à Ilha das Peças as saídas são feitas a partir do embarque em Paranaguá, no período da manhã (informações de horários na Secretaria de Turismo). A embarcação em ritmo de passeio corta a baía passando ao lado das Ilhas da Cotinga e das Cobras (também conhecida como Ilha do Governador e antigamente, presídio do Estado).

Durante a travessia, as aves marinhas: atobás, gaivotas e biguás, sobrevoam a embarcação em meio às canoas de pescadores e navios em direção ao porto seguido da escolta de botos que cortam as águas.

Fonte: Arquivo Pessoal

No trapiche da Ilha das Peças, ao chegar experimente os petiscos e refeições, na cooperativa de abastecimento, que são feitos pelas mulheres nativas da Ilha deslumbrando a paisagem ao fundo da Serra do Mar, com direito ao Pico Paraná ao sabor da culinária local.

O descanso à sombra das árvores prepara os ânimos para a caminhada de 12 km pela areia do mar rumo a Ilha de Superagui, a brisa do mar e a areia úmida tornam-se combustível ganhando, passo a passo, a paisagem e os detalhes do caminho.

Ao final da caminhada depara-se com a Comunidade de Superagui. Com alguns acenos de mão e camisetas, os meninos do outro lado da margem ligam os motores dos botes e vem ao encontro dos visitantes para levá-los até Superagui

Horizontes abertos, cliques fotográficos, a exuberante vegetação e animais selvagens inspiram e satisfazem o percurso. Na Comunidade encontram-se várias pousadas hospitaleiras, as refeições são oferecidas com pratos típicos da região a base de peixe fresco e camarão. Nos bares da redondeza podem-se ouvir as histórias e lendas degustando a cachaça com cataia (erva nativa da região), ouvindo o som das gaitas, tambores e a viola dos fandangueiros.

Os Ilhéus oferecem passeios diversos com barcos pelo entorno: Ilha dos Pinheiros, dormitório dos papagaios chauá ou cara roxa, que retornam no final da tarde sempre em casais pois são monogâmicos, e às vezes acompanhados por um pássaro solitário. Chegam com muito alarido agrupando-se nas árvores na encosta de pedra, oportunidade rara de boas fotos ao pôr do sol.

Fonte: Arquivo Pessoal

Existem várias cachoeiras e trilhas em meio a mata atlântica, guiadas por nativos. Na frente da Ilha forma-se uma coroa de areia pela manhã, isolada e com muitos pássaros marinhos. A trilha que acaba na praia deserta, com alguma sorte, pode ser avistado o mico-leão-da-cara-preta, animal endêmico da região. Durante a caminhada, a vegetação composta de bromélias, liquens, musgos e orquídeas compõem parte do cenário junto aos riachos cor de caramelo e manguezais silenciosos.

Fonte: Arquivo Pessoal

O gosto pelas caminhadas de origem muito remota da raça humana é demonstrado nas montanhas de conchas que em suas camadas são encontradas: ossadas de animais e mesmo de humanos, pedaços de utensílios de cerâmica e que são chamados de Sambaquis ou sítios arqueológicos com cerca de seis mil anos. O ciclo dos Sambaquis terminou a aproximadamente um milênio oferecendo inúmeros dados para a interpretação e a cronologia dos aspectos geomorfológicos da região litorânea. Para os viajantes mais ousados o trajeto da praia deserta tem cerca de 37 km pode ser feita a pé ou de bicicleta  e termina no extremo norte da Ilha de Superagui, em frente a Ilha do Cardoso, no Estado de São Paulo, numa comunidade chamada Ararapira, lugar de muitos encantos e histórias surpreendentes.


Fonte: Arquivo Pessoal



Todos os ecossistemas considerados de relevância ecológica para a sobrevivência das espécies tem como prioridade a conservação dos seus recursos naturais por oferecer um verdadeiro laboratório vivo ainda a ser estudado e, sobretudo de contato direto com a humanidade para efeito de sensibilização e de Educação Ambiental. Ao retornar da Ilha procure saber do destino do seu lixo produzido e, se possível, traga-o, você mesmo.
Fonte: Arquivo Pessoal

REFERÊNCIAS:


Arquivo Pessoal